Sintomas atípicos da tireoide: como o idoso pode manifestar o hipertireoidismo?

Idosa dormindo deitada no sofá de casa, ilustrando o cansaço excessivo e a sonolência, que podem ser sintomas atípicos do hipertireoidismo em pessoas idosas.

Agitação motora, insônia crônica, ansiedade e tremores visíveis nas mãos são alguns dos sintomas mais comuns do hipertireoidismo, um distúrbio causado pelo excesso de produção dos hormônios tireoidianos na corrente sanguínea. Na terceira idade, no entanto, a doença pode se manifestar de maneira completamente diferente.

Em vez de apresentarem o nervosismo intenso e a hiperatividade observados em pessoas mais jovens, alguns idosos com hipertireoidismo podem desenvolver um quadro de cansaço intenso, apatia e desânimo, sinais que tendem a ser confundidos com o envelhecimento natural ou com outras doenças comuns nessa fase da vida.

Como os sintomas costumam ser mais discretos, o diagnóstico frequentemente demora mais para ser feito, o que aumenta o risco de complicações, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, osteoporose e fraturas, além de comprometer a qualidade de vida e a autonomia do idoso.

Afinal, o que é o hipertireoidismo apático e por que os sintomas são diferentes?

O hipertireoidismo apático é uma forma menos comum de hipertireoidismo que costuma afetar pessoas idosas. Ao invés de apresentar sintomas como ansiedade, tremores, insônia e agitação, na terceira idade o quadro pode provocar justamente o contrário.

Ele acontece porque o organismo envelhece e passa a responder de forma diferente aos hormônios da tireoide. Com o avanço da idade, o sistema nervoso e outros órgãos ficam menos sensíveis aos estímulos hormonais.

Ao invés de deixar o corpo acelerado, o excesso de hormônios pode provocar um quadro de apatia, sonolência, perda de peso e diminuição da capacidade física, de acordo com o endocrinologista André Colapietro.

Quais são os sintomas de hipertireoidismo no idoso?

Enquanto os pacientes mais jovens costumam apresentar agitação, ansiedade e tremores, os idosos podem apresentar:

1. Perda de peso sem motivo aparente

Mesmo mantendo uma alimentação semelhante à de antes, o idoso pode emagrecer de forma rápida e sem explicação, já que o excesso de hormônios acelera o metabolismo e aumenta o gasto de energia do organismo.

2. Cansaço intenso e fraqueza muscular

A falta de força costuma atingir principalmente as pernas, dificultando atividades simples, como levantar da cadeira, subir escadas, caminhar pequenas distâncias ou carregar objetos.

3. Desânimo e apatia

O idoso pode perder a disposição para as atividades do dia a dia, ficar mais quieto, desmotivado e sem interesse por tarefas que antes faziam parte da rotina.

4. Alterações de memória e confusão mental

Esquecimentos frequentes, dificuldade para se concentrar e episódios de confusão podem surgir devido ao excesso de hormônios da tireoide, sendo facilmente confundidos com demência.

5. Palpitações e alterações no ritmo cardíaco

O coração pode bater mais rápido ou de forma irregular. Em muitos idosos, a fibrilação atrial é um dos primeiros sinais do hipertireoidismo e aumenta o risco de complicações cardiovasculares.

6. Falta de apetite

Ao contrário do que costuma acontecer em pessoas mais jovens, some idosos passam a comer menos, o que contribui ainda mais para a perda de peso.

7. Alterações no funcionamento do intestino

O hipertireoidismo também pode provocar mudanças no hábito intestinal. Em vez do aumento das evacuações, alguns idosos podem apresentar prisão de ventre ou outros desconfortos digestivos.

Riscos de confundir o hipertireoidismo com depressão ou demência

O desânimo constante, a falta de disposição, o isolamento social, a perda de interesse pelas atividades do dia a dia e até mesmo as alterações de memória causadas pelo hipertireoidismo podem levar familiares e profissionais de saúde a suspeitarem primeiro de depressão ou de algum tipo de demência, quando, na verdade, a origem do problema está no funcionamento da tireoide.

O excesso de hormônios tireoidianos também pode afetar o funcionamento do cérebro e favorecer episódios de confusão mental, dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes, sintomas que podem ser confundidos com doenças como o Alzheimer.

Quando o hipertireoidismo não é identificado e tratado precocemente, o organismo continua sofrendo os efeitos do excesso de hormônios da tireoide, o que aumenta o risco de complicações graves, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, perda de massa óssea e fraturas.

Ao mesmo tempo, o idoso pode acabar recebendo tratamentos para depressão ou demência, que não resolvem a verdadeira causa dos sintomas e ainda atrasam o início da terapia adequada.

Como é feito o diagnóstico em pacientes idosos?

Como os sintomas do hipertireoidismo nos idosos costumam ser discretos, o diagnóstico depende principalmente da avaliação médica e da realização de exames de sangue para verificar se a tireoide está produzindo hormônios em excesso, como:

  • TSH: normalmente apresenta valores muito baixos, indicando que a tireoide está funcionando acima do normal;
  • T4 livre e T3: costumam estar elevados, confirmando o excesso de hormônios tireoidianos no organismo;
  • Ultrassonografia da tireoide: ajuda a identificar alterações na glândula, como nódulos ou aumento do seu tamanho;
  • Cintilografia da tireoide: pode ser solicitada para descobrir a causa do hipertireoidismo e avaliar se existem nódulos que produzem hormônios de forma excessiva.

Com o diagnóstico confirmado, o endocrinologista define o tratamento mais adequado para cada paciente, que pode incluir medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da causa da doença, da idade e das condições gerais de saúde do idoso.

Confira: Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria

Perguntas frequentes

1. Quais são os sintomas mais comuns do hipertireoidismo?

Os sinais frequentes incluem batimentos cardíacos acelerados, perda de peso rápida, tremores nas mãos, insônia, nervosismo, ansiedade, calor excessivo, suor abundante e fraqueza muscular.

2. O hipertireoidismo sempre provoca perda de peso?

Quase sempre. O excesso de hormônios eleva drasticamente o gasto de energia do corpo, fazendo com que o indivíduo emagreça rapidamente, mesmo mantendo o apetite aumentado e comendo mais.

3. O que é a Doença de Graves?

A doença de Graves é uma condition autoimune e constitui a causa mais comum de hipertireoidismo, acontecendo quando o sistema imunológico produz anticorpos que estimulam a tireoide a trabalhar sem parar.

4. O que são os olhos saltados no hipertireoidismo?

A condição se chama exoftalmia ou oftalmopatia de Graves, ocorrendo devido a uma inflamação nos tecidos atrás dos olhos provocada pelos mesmos anticorpos que agridem a glândula tireoide.

5. O hipertireoidismo tem cura?

Sim. Ao contrário do hipotireoidismo, o hipertireoidismo possui tratamentos definitivos que podem curar a disfunção, como o uso de iodo radioativo ou a realização da cirurgia de retirada da glândula.

6. Como é o tratamento inicial do hipertireoidismo?

O controle inicial é feito por meio de medicamentos orais antitireoidianos, como o metimazol (Tapazol) ou o propiltiouracil, que atuam bloqueando a produção exagerada de hormônios pela glândula.

7. Um nódulo na tireoide pode causar hipertireoidismo?

Sim, existem nódulos benignos chamados de nódulos tóxicos que passam a produzir hormônios tireoidianos de forma totalmente independente e exagerada, uma condição conhecida na medicina como Doença de Plummer.

8. Qual a diferença entre hipertireoidismo e tireoidite?

O hipertireoidismo é o aumento na fabricação de hormônios pela glândula, enquanto a tireoidite é uma inflamação que rompe o tecido tireoidiano, derramando na circulação os hormônios que já estavam estocados.

Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro