Sensação de estar caindo ao adormecer: isso é normal? 

Pessoa despertando subitamente ao adormecer devido a um espasmo muscular.

Você está quase dormindo quando, de repente, sente como se estivesse caindo de uma escada, tropeçando ou despencando de um lugar alto. No mesmo instante, o corpo dá um tranco involuntário e você desperta assustado, muitas vezes com o coração acelerado. Se isso já aconteceu com você, saiba que não está sozinho.

Esse fenômeno é chamado de espasmo mioclônico do sono, também conhecido como sobressalto hipnagógico ou mioclonia do adormecimento. Embora a sensação seja intensa e até preocupante para quem nunca a experimentou, ela faz parte da fisiologia do sono e costuma ser completamente benigna.

O que é o espasmo mioclônico do sono?

O espasmo mioclônico do sono é uma contração muscular involuntária, rápida e súbita que ocorre durante a transição entre a vigília e o início do sono.

Ele pode envolver:

  • As pernas;
  • Os braços;
  • O tronco;
  • Todo o corpo.

Na maioria das pessoas, acontece apenas uma vez durante o adormecimento e dura apenas uma fração de segundo.

Por que parece que estamos caindo?

A sensação de queda é uma das características mais marcantes desse fenômeno.

Muitas pessoas descrevem a impressão de:

  • Estar tropeçando;
  • Cair de uma escada;
  • Escorregar;
  • Despencar de uma altura;
  • Dar um passo em falso.

Embora ainda não exista uma explicação definitiva, acredita-se que essa sensação ocorra porque o cérebro está passando da vigília para o sono, momento em que diferentes áreas cerebrais deixam de funcionar de forma totalmente sincronizada.

Assim, o cérebro pode interpretar de maneira incomum os sinais enviados pelo corpo, gerando a falsa percepção de uma queda.

O que acontece no cérebro nesse momento?

Ao adormecer, o organismo passa por diversas mudanças importantes.

Nesse período:

  • A frequência cardíaca diminui;
  • A respiração torna-se mais lenta;
  • Os músculos começam a relaxar;
  • A atividade elétrica do cérebro muda progressivamente.

Durante essa transição, pode ocorrer uma descarga elétrica breve e involuntária em grupos de neurônios responsáveis pelo controle dos movimentos, provocando a contração muscular súbita característica do espasmo mioclônico.

Sentir que está caindo ao adormecer é normal?

Sim. O espasmo mioclônico do sono é considerado um fenômeno fisiológico normal.

Estudos mostram que cerca de 60% a 70% das pessoas apresentam esse tipo de espasmo em algum momento da vida, embora muitas sequer se lembrem do episódio.

Na grande maioria dos casos, ele não está associado a doenças neurológicas nem necessita de tratamento.

Quem costuma ter mais espasmos?

Embora possa ocorrer em qualquer pessoa, alguns fatores aumentam a probabilidade dos episódios.

Entre eles estão:

  • Estresse;
  • Ansiedade;
  • Privação de sono;
  • Cansaço extremo;
  • Consumo excessivo de cafeína;
  • Exercícios intensos próximos ao horário de dormir.

Quanto mais ativado estiver o sistema nervoso, maior tende a ser a ocorrência desses sobressaltos.

A falta de sono aumenta o risco?

Sim. Dormir menos do que o necessário é um dos fatores mais frequentemente associados ao espasmo mioclônico.

Quando existe privação de sono, o cérebro tende a entrar nas fases iniciais do sono de forma mais rápida, o que pode favorecer pequenas alterações durante essa transição.

Por isso, pessoas que passaram noites mal dormidas costumam perceber os episódios com maior frequência.

O estresse pode causar a sensação de queda?

Sim. Durante períodos de maior tensão emocional, o sistema nervoso permanece em um estado de alerta aumentado.

Isso pode favorecer:

  • Espasmos musculares;
  • Fasciculações;
  • Sobressaltos ao adormecer;
  • Despertares durante a noite.

Em muitas pessoas, os episódios tornam-se mais frequentes justamente em fases de estresse intenso.

A cafeína pode piorar os episódios?

Pode. O consumo excessivo de café, energéticos, pré-treinos, chás estimulantes e refrigerantes com cafeína pode aumentar a atividade do sistema nervoso e favorecer a ocorrência dos espasmos.

Por esse motivo, reduzir a ingestão dessas bebidas nas horas que antecedem o sono pode ajudar algumas pessoas.

Sonhos estão relacionados ao fenômeno?

Às vezes. Algumas pessoas relatam que o tranco acontece acompanhado de uma imagem muito rápida, como um tropeço, um salto ou uma queda.

Isso provavelmente ocorre porque o cérebro já começa a produzir experiências semelhantes aos sonhos mesmo antes de o sono profundo se instalar completamente.

Isso é diferente de convulsão?

Sim. O espasmo mioclônico do sono é completamente diferente de uma crise convulsiva.

As principais diferenças são:

  • Ocorre apenas durante o adormecimento;
  • É muito breve;
  • A pessoa desperta rapidamente;
  • Não há perda prolongada da consciência;
  • Não ocorre confusão mental após o episódio.

Na maioria dos casos, trata-se apenas de um fenômeno fisiológico.

Quando os espasmos merecem investigação?

Embora sejam normalmente benignos, algumas situações justificam avaliação médica.

Procure orientação se:

  • Os movimentos acontecem repetidamente durante toda a noite;
  • Os espasmos provocam lesões;
  • Existem outros sintomas neurológicos;
  • Os movimentos também ocorrem durante o dia;
  • Há prejuízo importante da qualidade do sono.

Nessas situações, o médico poderá investigar outros distúrbios do sono ou doenças neurológicas.

Como reduzir os episódios?

Algumas medidas simples costumam diminuir a frequência dos espasmos.

1. Dormir regularmente

Manter horários consistentes para dormir e acordar ajuda a estabilizar o sono.

2. Reduzir a cafeína

Principalmente no período da tarde e da noite.

3. Controlar o estresse

Técnicas de relaxamento, meditação e boa higiene do sono podem ser úteis.

4. Evitar exercícios muito intensos perto da hora de dormir

Dar preferência a atividades físicas em horários mais distantes do momento de deitar.

O espasmo mioclônico pode indicar uma doença?

Na grande maioria das vezes, não.

Quando ocorre isoladamente, sem outros sintomas neurológicos e apenas no momento de adormecer, ele é considerado um fenômeno fisiológico normal.

A investigação costuma ser necessária apenas quando os movimentos são persistentes, muito frequentes ou acompanhados de outros sinais que sugiram um distúrbio neurológico ou do sono.

Veja também: Cafeína faz mal para o coração? Veja os efeitos (e quanto tomar)

Perguntas frequentes sobre o espasmo mioclônico do sono

1. O que é o espasmo mioclônico do sono?

É uma contração muscular involuntária que ocorre durante a transição entre a vigília e o sono.

2. Por que parece que estou caindo?

Porque o cérebro está mudando do estado de vigília para o sono e pode interpretar de forma incomum alguns sinais enviados pelo corpo.

3. Isso é normal?

Sim. Trata-se de um fenômeno muito comum e geralmente benigno.

4. Estresse pode causar esses espasmos?

Sim. Estresse, ansiedade e privação de sono são alguns dos principais fatores associados.

5. Cafeína piora o problema?

Pode. O consumo excessivo de bebidas estimulantes pode aumentar a frequência dos episódios.

6. Isso é uma convulsão?

Não. O espasmo mioclônico do sono é um fenômeno fisiológico e muito diferente de uma crise convulsiva.

7. Quando devo procurar um médico?

Quando os movimentos forem frequentes, ocorrerem também durante o dia, provocarem lesões ou vierem acompanhados de outros sintomas neurológicos ou distúrbios importantes do sono.

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