Depois de um dia cansativo, você é o tipo de pessoa que gosta de dormir assistindo à televisão, deixando uma luminária acesa ou até mesmo usando o celular na cama até pegar no sono?
Apesar de ser um hábito comum para relaxar ou distrair a mente, mesmo quando você consegue adormecer rapidamente, a iluminação do ambiente pode prejudicar a qualidade do descanso sem que você perceba.
Para descansar de verdade, o organismo precisa da escuridão, pois é justamente na ausência de luz que o cérebro entende que chegou o momento de reduzir o estado de alerta e iniciar os processos que favorecem um sono profundo e restaurador.
Quando há iluminação vinda da televisão, do celular, do tablet, do computador ou até de uma luminária, o cérebro interpreta que ainda existe atividade ao redor e continua funcionando como se ainda fosse dia.
Com menos melatonina circulando, hormônio responsável por regular o ciclo do sono, fica mais difícil atingir as fases mais profundas do descanso, que são importantes para a recuperação do corpo e da mente. No dia seguinte, você pode acordar mais cansado, com dificuldade para se concentrar, irritação e falta de disposição.
Por que a luz atrapalha tanto o sono?
Quando você dorme com a televisão ligada, o cérebro continua recebendo estímulos de luz e som durante toda a noite, mesmo com os olhos fechados, e isso atrapalha processos importantes que acontecem enquanto o corpo descansa.
A luz da TV é percebida por células presentes na retina, que enviam uma mensagem para a região do cérebro responsável por controlar o relógio biológico. Ao receber o sinal, o organismo entende que ainda existe claridade no ambiente e diminui a produção de melatonina, hormônio que prepara o corpo para dormir profundamente e recuperar as energias.
Com menos melatonina, o sono fica mais leve e pode ser interrompido várias vezes sem que a pessoa perceba. Além da luz, as mudanças de brilho e de volume da televisão mantêm o cérebro em um estado de alerta, dificultando que o organismo permaneça por tempo suficiente nas fases mais profundas do sono, que são as mais importantes para descansar de verdade.
Quando o hábito se repete com frequência, fica mais comum acordar cansado, com dificuldade de concentração, irritação e pouca disposição, além de aumentar o risco de problemas como alterações no metabolismo, ganho de peso e doenças cardiovasculares ao longo dos anos.
Por que o breu é o cenário ideal para o sono?
O breu total é considerado o melhor cenário para dormir porque permite que o cérebro entenda naturalmente que chegou a hora de descansar.
Na ausência de luz, a produção de melatonina acontece de forma mais eficiente, facilitando o início do sono e ajudando o organismo a permanecer por mais tempo nas fases mais profundas, que são responsáveis pela recuperação do corpo e da mente.
Além de favorecer um descanso mais reparador, um quarto escuro reduz a chance de você acordar ao longo da noite, mesmo que por poucos segundos, o que pode prejudicar a qualidade do sono.
Os impactos invisíveis na sua saúde física e mental
A falta de um sono de qualidade, causada pela exposição à luz durante a noite, pode trazer consequências que vão muito além de acordar cansado no dia seguinte, como:
- Ganho de peso e alterações no metabolismo: dormir mal aumenta a fome, reduz a sensação de saciedade e favorece o consumo de alimentos mais calóricos. Com o tempo, também pode elevar o risco de diabetes tipo 2;
- Maior risco de doenças cardiovasculares: um sono de má qualidade impede que o coração e os vasos sanguíneos descansem como deveriam, aumentando as chances de hipertensão, arritmias, infarto e AVC;
- Imunidade mais baixa: as fases profundas do sono são fundamentais para fortalecer o sistema imunológico. Quando o descanso é insuficiente, o organismo fica mais vulnerável a infecções e demora mais para se recuperar de doenças;
- Irritabilidade e mudanças de humor: dormir pouco dificulta o controle das emoções, aumentando a irritação, a impaciência e a dificuldade para lidar com situações estressantes;
- Queda da memória e da concentração: a fragmentação do sono prejudica o aprendizado, a memória, a atenção e o raciocínio, reduzindo o desempenho no trabalho, nos estudos e nas tarefas do dia a dia;
- Maior risco de ansiedade e depressão: a privação frequente de sono altera o equilíbrio de hormônios e neurotransmissores ligados ao bem-estar, favorecendo o surgimento ou a piora de transtornos como ansiedade e depressão.
Dicas para desacostumar da TV e dormir melhor
Se dormir com a televisão ligada já virou um hábito, não é preciso fazer uma mudança radical de um dia para o outro. O cérebro também cria associações com a rotina da hora de dormir, por isso vale a pena substituir a TV por hábitos mais relaxantes aos poucos. Algumas dicas incluem:
- Programe a televisão para desligar automaticamente depois de alguns minutos;
- Troque a TV por um livro, uma música calma ou um podcast com timer;
- Evite usar o celular nos 30 a 60 minutos antes de deitar;
- Diminua a intensidade das luzes da casa conforme a hora de dormir se aproxima;
- Mantenha horários parecidos para dormir e acordar todos os dias;
- Deixe o quarto silencioso, confortável e com a menor quantidade possível de luz.
Com o passar dos dias, o cérebro passa a associar o escuro ao momento de descansar, tornando o sono mais natural e reparador.
E quem tem medo de dormir no escuro?
O medo do escuro é comum na infância, mas também pode continuar na vida adulta, principalmente após experiências traumáticas ou em pessoas com ansiedade.
A melhor medida é reduzir a iluminação aos poucos, trocando uma luz forte por uma luz de presença bem fraca e posicionada longe da cama. Com o tempo, a intensidade da luz pode ser diminuída até que o quarto fique totalmente escuro.
Quando o medo é muito intenso, provoca sofrimento ou impede a pessoa de dormir normalmente, vale procurar ajuda de um psicólogo. O tratamento pode ajudar a identificar a origem do problema e tornar o momento de dormir mais tranquilo, sem que seja necessário manter o quarto iluminado durante toda a noite.
Quando procurar um especialista?
Se, mesmo dormindo entre sete e nove horas por noite, o cansaço persistir, houver dificuldade frequente para adormecer, muitos despertares durante a madrugada, roncos intensos ou sonolência excessiva durante o dia, vale procurar um médico especialista em medicina do sono.
Em muitos casos, o problema não está apenas na quantidade de horas dormidas, mas também na qualidade do descanso, que pode estar sendo prejudicada por fatores aparentemente simples, como a luz presente no quarto durante toda a noite.
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Perguntas frequentes
1. A luz vermelha prejudica o sono da mesma forma que a azul?
Não. A luz vermelha tem um comprimento de onda que estimula muito menos os foforreceptores da retina, sendo a menos prejudicial para a produção de melatonina.
2. Usar máscara de dormir substitui um quarto totalmente escuro?
Sim. A máscara de dormir bloqueia mecanicamente a entrada de luz nos olhos, sendo uma excelente alternativa para quem não consegue deixar o quarto totalmente escuro.
3. O que é “ruído branco” e ele ajuda a dormir?
O ruído branco é um som contínuo e uniforme (como o de um ventilador ou chuva) que ajuda a abafar barulhos externos repentinos. Ele pode ajudar a dormir, desde que não haja luz associada.
4. Qual é a melhor cor de luz para usar no quarto se eu precisar de claridade?
As luzes de tonalidade quente, como a amarela, a laranja ou a vermelha, são as mais recomendadas por imitarem o pôr do sol e agredirem menos o ritmo circadiano.
5. Deixar a luz do corredor acesa faz mal?
Se a claridade atingir diretamente o seu rosto na cama, sim. Se for estritamente necessária por segurança, garanta que seja uma luz fraca, amarelada e que não incida nos olhos.
6. Cochilos durante o dia também precisam ser feitos no breu total?
Não necessariamente. Os cochilos curtos diurnos (de 20 a 30 minutos) servem apenas para um descanso rápido. Dormir no breu total durante o dia pode confundir o relógio biológico e atrapalhar o sono principal da noite.
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