Menopausa precoce: o que é, sintomas, o que causa e se é possível reverter

Mulher jovem sentada no chão ao lado de um ventilador, demonstrando desconforto com calor, sintoma comum da menopausa precoce.

A menopausa é uma fase natural da vida marcada pelo fim definitivo da menstruação e da capacidade reprodutiva, causada pela redução na produção de hormônios femininos, como estrogênio e progesterona.

Normalmente, ocorre entre os 45 e 55 anos, mas fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde podem antecipar esse processo. Nesses casos, a condição recebe o nome de falência ovariana precoce, popularmente conhecida como menopausa precoce.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a menopausa precoce acomete cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos e pode trazer impactos significativos para a saúde física e emocional. Vamos entender mais, a seguir.

O que é menopausa precoce?

A menopausa precoce precoce é a interrupção definitiva da menstruação antes dos 40 anos de idade. Ela acontece quando ovários reduzem de forma progressiva a produção de hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, que regulam o ciclo menstrual e diversas funções do organismo.

Em condições habituais, a menopausa surge entre 45 e 55 anos, mas nos quadros precoces, a falência ovariana ocorre antes do esperado, resultando na perda da função reprovutiva e em alterações hormonais semelhantes às observadas na menopausa que surge na idade considerada habitual.

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a principal preocupação da menopausa precoce é a redução dos hormônios femininos, que também exercem função protetora sobre a saúde óssea e cardiovascular, muitas vezes uma década antes do esperado.

De acordo com a SBEM, mulheres com falência ovariana precoce apresentam risco quatro vezes maior de doenças cardíacas e sete vezes maior de osteoporose.

O que causa a menopausa precoce?

As causas podem variar bastante e, em muitos casos, não são completamente identificadas. Entre alguns dos fatores associados, é possível destacar:

  • Predisposição genética, quando há histórico familiar: se a mãe ou irmãs entraram na menopausa cedo, o risco é significativamente maior, sugerindo mutações em genes que controlam a reserva de óvulos;
  • Alterações cromossômicas: condições congênitas, como a síndrome de Turner (onde falta um cromossomo X total ou parcialmente) ou a síndrome do X Frágil, podem causar o desenvolvimento incompleto dos ovários ou a perda acelerada de folículos;
  • Doenças autoimunes: o sistema imunológico pode, por erro, produzir anticorpos que atacam o tecido ovariano. Isso é frequentemente observado em mulheres que já possuem outras condições, como tireoidite de Hashimoto, vitiligo ou lúpus;
  • Tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia: quimioterapia e a radioterapia (especialmente na região pélvica) são gonadotóxicas, ou seja, podem “matar” os folículos ovarianos durante o combate às células cancerígenas, resultando em uma menopausa imediata ou acelerada;
  • Cirurgias ginecológicas: a remoção cirúrgica dos dois ovários (ooforectomia bilateral) causa a chamada menopausa cirúrgica. No entanto, mesmo cirurgias que preservam os ovários, mas interferem na irrigação sanguínea da região, podem antecipar a falência do órgão;
  • Tabagismo intenso e prolongado: é o fator de risco evitável mais comum, uma vez que substâncias presentes no cigarro têm efeito tóxico direto nos ovários;
  • Em algumas mulheres, mesmo após investigação detalhada, não é possível apontar uma causa específica.

    Sintomas da menopausa precoce

    Os sintomas da menopausa precoce são semelhantes aos da menopausa em idade regular, mas tendem a ser mais severos e abruptos em algumas mulheres, já que o corpo não teve tempo de se adaptar à queda hormonal gradual.

    Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Ondas de calor e suor noturno;
    • Irregularidade menstrual antes da parada definitiva;
    • Alterações de humor, irritabilidade e ansiedade;
    • Insônia e sono fragmentado;
    • Ressecamento vaginal e desconforto nas relações;
    • Redução da libido;
    • Ganho de peso e mudanças na distribuição de gordura;
    • Queda de cabelo e pele mais ressecada;
    • Dores articulares e musculares;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Como a menopausa é diagnosticada?

    O diagnóstico da menopausa precoce começa com uma avaliação clínica detalhada, levando em conta a idade da mulher, o histórico menstrual e a presença de sintomas compatíveis com queda hormonal. A partir dessa suspeita inicial, são solicitados exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico e, em seguida, investigar a causa.

    O principal teste é o exame de sangue de FSH (hormônio folículo-estimulante), que avalia os níveis produzidos pela hipófise. Segundo Andréia, valores elevados de FSH, geralmente acima de 30, associados a níveis baixos de estrogênio e estradiol, confirmam o diagnóstico de falência ovariana.

    Também pode ser solicitada a avaliação do hormônio anti-mülleriano, utilizado para analisar a reserva ovariana. A partir do valor encontrado, é possível estimar se essa reserva está dentro do esperado, reduzida ou mais comprometida.

    Após a confirmação, é necessário uma investigação para identificar o motivo da perda precoce da função dos ovários, a partir de diferentes exames, como exames genéticos, ultrassom e pesquisa de autoanticorpos, para investigação de doenças autoimunes.

    É possível reverter a menopausa precoce?

    Não é possível reverter o processo de falência ovariana, já que a perda da função dos ovários tende a ser permanente. Na maioria dos casos, os ovários deixam de responder de forma adequada aos estímulos hormonais, o que impede a retomada regular da ovulação e da produção hormonal.

    Quem tem menopausa precoce pode engravidar?

    A impossibilidade de reverter a menopausa precoce não significa que uma gravidez não seja possível. Em alguns casos, Andréia explica que a mulher ainda possui alguns óvulos viáveis, que podem ser estimulados e utilizados por meio de técnicas de reprodução assistida.

    Quando não há mais óvulos disponíveis, a doação de óvulos surge como uma alternativa viável para quem deseja engravidar.

    No caso de pessoas que vão entrar em tratamento oncológico e desejam engravidar, existe um protocolo para congelamento de óvulos ou embriões antes da quimioterapia. Assim, mesmo que ela perca a função ovariana depois, ainda terá essa possibilidade no futuro.

    Como é feito o tratamento de menopausa precoce?

    Se a paciente com menopausa precoce não deseja ter filhos, o tratamento é semelhante ao realizado na menopausa que ocorre na idade habitual. Ele é feito para repor os hormônios que o organismo deixou de produzir, aliviando os sintomas e protegendo a saúde a longo prazo.

    A terapia de reposição hormonal, quando não há contraindicações, costuma ser indicada até a idade em que a menopausa ocorreria naturalmente. Ela ajuda a controlar ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e oscilações de humor, além de reduzir riscos como perda de massa óssea e alterações cardiovasculares.

    Além da reposição hormonal, o acompanhamento médico pode incluir orientações sobre alimentação, prática regular de atividade física, suplementação de cálcio e vitamina D, cuidados com a saúde óssea e avaliação periódica do coração.

    Cuidados na menopausa precoce

    Como a queda hormonal acontece mais cedo do que o esperado, alguns cuidados são necessários para preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos, como:

    1. Acompanhamento médico regular

    O acompanhamento com ginecologista é necessário para avaliar sintomas, ajustar a terapia hormonal quando indicada e monitorar possíveis impactos da deficiência hormonal. As consultas periódicas permitem prevenir complicações e adaptar o tratamento conforme as necessidades de cada mulher.

    2. Cuidado com a saúde óssea

    A redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Por isso, pode ser necessário realizar exames específicos, além de avaliar a necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D, sempre com orientação médica.

    3. Atenção à saúde cardiovascular

    Como o estrogênio atua como um escudo protetor para o sistema cardiovascular, auxiliando na manutenção da elasticidade dos vasos e no equilíbrio lipídico, a queda antecipada acende um alerta para a saúde do coração.

    A menopausa precoce pode aumentar o risco de doenças coronárias, tornando importante o controle constante da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de outros fatores de risco metabólicos

    4. Alimentação equilibrada

    Com uma alimentação saudável e equilibrada no dia a dia, é possível reduzir parte dos impactos da queda hormonal e proteger a saúde a longo prazo. Uma dieta adequada contribui para a manutenção da massa óssea, do equilíbrio metabólico e da saúde cardiovascular, além de auxiliar no controle do peso e da disposição física.

    O ideal é apostar em alimentos ricos em cálcio, proteínas, fibras, vitaminas e minerais, que ajudam a minimizar os efeitos da deficiência hormonal e a manter o organismo mais estável.

    Também é importante manter uma boa hidratação e evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras em excesso, que podem aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares.

    5. Prática regular de atividade física

    A prática regular de atividade física contribui para preservar a densidade óssea e a força muscular. Além dos benefícios físicos, o movimento libera endorfinas que estabilizam o humor e melhoram a arquitetura do sono.

    O ideal é uma rotina personalizada, que combine treinos de resistência (musculação) com atividades aeróbicas, respeitando as condições individuais. Uma profissional pode te ajudar nesse processo!

    6. Cuidados com a saúde vaginal e sexual

    O ressecamento vaginal e o desconforto íntimo podem surgir com mais intensidade. Existem tratamentos locais e orientações específicas que ajudam a aliviar os sintomas e a manter o bem-estar e a vida sexual confortável.

    7. Atenção à saúde emocional

    Com a falência ovariana precoce, alterações de humor, ansiedade e irritabilidade podem surgir ao longo do processo. O acompanhamento psicológico é importante para ajudar a mulher a compreender as mudanças hormonais, lidar com o impacto emocional do diagnóstico e desenvolver estratégias para manter o equilíbrio emocional.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre menopausa e climatério?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa, onde os hormônios começam a oscilar. A menopausa, tecnicamente, é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento.

    2. Com que idade a menopausa é considerada precoce?

    A menopausa é considerada precoce quando ocorre antes dos 40 anos. Se acontecer entre os 40 e 45 anos, é chamada de menopausa antecipada.

    3. O uso de anticoncepcionais pode causar menopausa precoce?

    Não. Os anticoncepcionais “poupam” a ovulação, mas não impedem o envelhecimento natural dos folículos ovarianos, nem antecipam esse processo.

    4. Ter tido a primeira menstruação muito cedo antecipa a menopausa?

    Não há uma relação direta comprovada. A reserva ovariana é determinada geneticamente e por outros fatores ambientais, não apenas pela data da primeira menstruação.

    5. O que é o “rejuvenescimento ovariano”?

    É um termo usado para técnicas experimentais (como a injeção de plasma rico em plaquetas nos ovários) que tentam “reativar” folículos dormentes. No entanto, ainda não possuem comprovação científica robusta para serem indicadas como tratamento padrão.

    6. O consumo de álcool interfere nos sintomas da menopausa?

    Sim. O álcool pode atuar como um gatilho para os fogachos (ondas de calor) e piorar a qualidade do sono, que já costuma estar fragmentado nessa fase.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos