Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.
Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!
O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?
1. Idade
Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.
2. Infecções sexualmente transmissíveis
As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.
3. Hábitos de vida prejudiciais
O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.
Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.
4. Doenças crônicas
A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.
Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.
5. Doenças autoimunes
As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.
Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.
6. Peso corporal em excesso
O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.
O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.
Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.
7. Baixo peso extremo
O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.
Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.
Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?
De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.
A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.
Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.
Quando é importante investigar a fertilidade?
A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.
A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.
Como é feita a investigação da fertilidade?
A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.
No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.
Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:
- Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
- Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
- Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.
Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.
Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados
Perguntas frequentes
1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?
Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.
2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?
Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.
3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?
Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.
4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?
Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.
5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?
Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.
6. Quando procurar ajuda especializada?
É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.
7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?
Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.
8. É possível engravidar após os 40 anos?
Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.
Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários
