Tag: saúde cardiovascular

  • O que fazer para manter o peso estável após os 60 anos e evitar riscos cardiovasculares

    O que fazer para manter o peso estável após os 60 anos e evitar riscos cardiovasculares

    Com o passar dos anos, o corpo passa por uma série de mudanças naturais, desde a desaceleração do metabolismo até alterações hormonais, que influenciam o peso corporal, a distribuição de gordura e a perda de massa muscular.

    Isso torna o corpo mais sensível a oscilações de peso e aumentam o risco de problemas de saúde quando não há acompanhamento adequado, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

    Por isso, para manter o peso estável partir dos 60 anos de idade, alguns cuidados devem ser tomados. Vamos entender melhor, a seguir.

    Por que o peso corporal tende a oscilar com o envelhecimento?

    Com o envelhecimento, a cardiologista Juliana Soares explica que ocorre uma alteração no metabolismo basal. O corpo passa a gastar menos calorias em repouso, o que facilita mudanças no peso.

    A queda do metabolismo está relacionada a diferentes fatores, principalmente às alterações hormonais. Nas mulheres, ocorre diminuição do estrogênio, e nos homens, da testosterona, o que favorece o acúmulo de gordura e a perda de massa muscular.

    A médica também destaca que a perda de massa muscular, chamada de sarcopenia, acontece naturalmente com a idade e interfere diretamente no metabolismo. Os músculos ajudam o corpo a queimar calorias, mesmo em repouso. Quando há menos músculo, o metabolismo fica mais lento.

    Além disso, com o passar dos anos, é comum reduzir a prática de atividade física, muitas vezes por dores nas articulações, o que contribui ainda mais para a diminuição do gasto energético.

    Ganhar peso após os 60 aumenta o risco de doenças cardíacas?

    O ganho de peso após os 60 anos pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, principalmente por causa da forma como a gordura se distribui no corpo. Não é apenas a quantidade de quilos que importa, mas onde a gordura fica acumulada, conforme explica Juliana.

    Após os 60 anos, ocorre maior tendência de concentração de gordura na região abdominal, com aumento da gordura visceral. Ela envolve os órgãos internos e libera substâncias inflamatórias no organismo, favorecendo o envelhecimento das artérias, processo conhecido como aterosclerose.

    Também ocorre aumento da pressão arterial e resistência à insulina, o que pode levar ao desenvolvimento de diabetes. Tudo isso sobrecarrega o coração e aumenta o risco de diversas doenças.

    Como a perda de massa muscular afeta a saúde do coração?

    O músculo funciona como um órgão endócrino e possui um metabolismo ativo muito importante para o organismo. Quando ocorre redução da massa muscular, o corpo passa a gastar menos energia em repouso e surgem diversas consequências para a saúde, como:

    • Diminuição do metabolismo, o que facilita o ganho de peso;
    • Aumento do acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal;
    • Redução da força física e maior tendência ao sedentarismo;
    • Dificuldade no retorno do sangue das pernas para o coração, podendo sobrecarregar a função cardíaca;
    • Pior controle dos níveis de açúcar no sangue, elevando o risco de diabetes;
    • Maior fragilidade física, com aumento do risco de quedas e perda de autonomia.

    Perda de peso excessiva também não é recomendada

    Os dois extremos no peso podem ser prejudiciais para a saúde. Uma perda rápida de peso pode causar redução de músculo e de osso, e não apenas de gordura, levando a um quadro de fragilidade.

    Segundo Juliana, a fragilidade aumenta o risco de quedas e de fraturas, como a fratura de quadril, que costuma estar associada a maior risco de complicações cardíacas e a taxas elevadas de mortalidade, especialmente após procedimentos cirúrgicos.

    Uma perda de peso importante sem mudança alimentar planejada também pode indicar a presença de problemas de saúde ocultos, como depressão, dificuldade na absorção de nutrientes ou até mesmo câncer.

    Como manter o peso estável após os 60?

    Nessa fase da vida, Juliana explica que manter uma alimentação com boa densidade nutricional é fundamental para cuidar da saúde e manter o peso equilibrado.

    Uma boa densidade nutricional envolve oferecer ao corpo os nutrientes necessários, mesmo quando o gasto de energia é menor. Algumas medidas ajudam nesse cuidado, como:

    • Aumentar a ingestão de proteínas, ajudando a reduzir a perda de massa muscular;
    • Distribuir a proteína ao longo do dia, favorecendo a síntese muscular;
    • Realizar treino de força, como musculação, para manter o metabolismo ativo e a força muscular;
    • Manter hidratação regular, mesmo sem sensação de sede, já que a percepção de sede tende a diminuir com a idade;
    • Priorizar sono de qualidade, pois o sono adequado participa da regulação do metabolismo e da saúde geral.

    Como deve ser o acompanhamento nutricional após os 60 anos de idade?

    Com o passar do tempo, a absorção de nutrientes tende a diminuir, o que torna necessário avaliar a alimentação com mais atenção, segundo Juliana.

    As consultas mais frequentes permitem ajustes na dieta e indicam, quando necessário, o uso correto de suplementos nutricionais. Para completar, mudanças de peso podem exigir ajustes nas medicações, especialmente no controle da pressão arterial e do diabetes.

    Perguntas frequentes

    Qual a importância da ingestão de proteínas na terceira idade?

    A proteína ajuda a preservar a massa muscular, reduz o risco de fraqueza física e melhora a recuperação do corpo. A ingestão adequada também contribui para a autonomia nas atividades diárias.

    Qual tipo de exercício é mais indicado para idosos?

    Quando indicados pelo médico, exercícios de força, como musculação ou exercícios com o próprio peso do corpo, aliados a caminhadas, alongamentos e atividades de equilíbrio, trazem bons resultados para a saúde geral.

    Manter horários regulares para refeições faz diferença?

    Os horários organizados ajudam a regular o metabolismo, evitam longos períodos de jejum e contribuem para melhor controle do apetite ao longo do dia.

    O que é sarcopenia?

    A sarcopenia é a perda de massa muscular relacionada ao envelhecimento. O processo ocorre de forma gradual e pode afetar força, equilíbrio, metabolismo e autonomia.

    Oscilações de peso podem indicar problemas de saúde?

    Podem indicar, principalmente quando ocorrem sem mudanças na alimentação ou na rotina. A perda ou ganho de peso sem explicação merece avaliação de um médica.

    A perda de apetite é comum nessa fase da vida?

    A perda de apetite pode acontecer devido a alterações hormonais, uso de medicamentos ou mudanças no paladar, mas não deve ser ignorada, pois pode levar à perda de peso e de massa muscular.

    É normal sentir mais cansaço com o passar dos anos?

    Algum cansaço pode ocorrer, mas fadiga excessiva não deve ser considerada normal e pode indicar problemas como perda muscular, má alimentação ou alterações de saúde.

  • O que acontece com o coração ao envelhecer? Cardiologista explica as mudanças naturais

    O que acontece com o coração ao envelhecer? Cardiologista explica as mudanças naturais

    O envelhecimento é um processo biológico natural que, mesmo em pessoas saudáveis, provoca mudanças graduais no funcionamento do organismo — incluindo no coração.

    Com o passar dos anos, o músculo cardíaco pode perder parte da elasticidade, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas e o relaxamento entre os batimentos pode se tornar menos eficiente, o que influencia o enchimento adequado do coração.

    Apesar de fazerem parte da vida, as mudanças ajudam a entender por que o coração ao envelhecer precisa de mais cuidados na terceira idade.

    O que acontece com o coração no envelhecimento?

    Mesmo em indivíduos saudáveis, o coração passa por alterações estruturais e elétricas naturais com o passar dos anos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, uma das principais mudanças ocorre no músculo cardíaco, que vai perdendo parte da elasticidade.

    Com isso, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas, o que pode dificultar o enchimento e o relaxamento adequados entre os batimentos.

    O coração também possui válvulas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão e em direção aos vasos sanguíneos. Com o envelhecimento, elas podem sofrer espessamento e calcificação, o que pode interferir no seu processo de abertura e fechamento.

    Para completar, Juliana aponta que os batimentos cardíacos dependem de um sistema elétrico próprio do coração. As células chamadas de nó sinusal são responsáveis pela geração dos impulsos elétricos que comandam o ritmo cardíaco.

    Em pessoas mais velhas, tanto essas células quanto as vias da condução elétrica também envelhecem, o que pode tornar o ritmo dos batimentos mais lento ou aumentar a chance de falhas no ritmo.

    A pressão arterial e o ritmo cardíaco tendem a mudar com a idade?

    Ao longo do tempo, os vasos sanguíneos tendem a ficar mais rígidos, um processo chamado arteriosclerose. Isso pode levar ao aumento da pressão arterial sistólica, enquanto a pressão diastólica pode permanecer estável, aumentando a diferença entre as duas.

    Além disso, o ritmo cardíaco também pode sofrer mudanças. O ritmo dos batimentos cardíacos é controlado por estruturas presentes no coração, especialmente por uma estrutura chamada nó sinusal.

    Com o envelhecimento, ele pode perder parte da capacidade de controle dos batimentos, o que aumenta o risco de arritmias. Por isso, a incidência de arritmias tende a aumentar com o avanço da idade.

    Os efeitos do sedentarismo no envelhecimento

    O coração é um músculo e, como qualquer outro, precisa de estímulos para funcionar bem. Em pessoas sedentárias, Juliana explica que o músculo cardíaco tende a sofrer atrofia e endurecimento mais rapidamente, já que não recebe estímulos regulares, o que compromete a sua capacidade de adaptação ao longo do tempo.

    Por isso, a capacidade de bombear o sangue durante esforços físicos tende a diminuir de forma mais acentuada em indivíduos sedentários, se reduzindo progressivamente ao longo dos anos. Os vasos sanguíneos também tendem a ficar mais enrijecidos em quem não pratica atividades físicas.

    Já no caso de pessoas ativas, o coração tende a preservar melhor a elasticidade, tanto do próprio músculo cardíaco quanto dos vasos sanguíneos. Como consequência, ele consegue bombear uma maior quantidade de sangue a cada batimento em comparação com um coração sedentário.

    O que é natural do envelhecimento e o que é sinal de doença?

    Existem algumas mudanças que são esperadas com o passar dos anos e, sozinhas, não costumam ser motivo de preocupação.

    Por exemplo, Juliana conta que é comum haver uma redução da frequência cardíaca máxima, precisar de mais tempo de aquecimento antes de iniciar uma atividade física e perceber que a recuperação após o exercício fica um pouco mais lenta.

    Por outro lado, alguns sinais de alerta devem ser avaliados por um profissional da saúde, como:

    • Falta de ar muito intensa para um esforço leve;
    • Tontura;
    • Desmaios;
    • Dor no peito;
    • Palpitações frequentes;
    • Inchaço excessivo no corpo.

    Quais os exames cardíacos devem ser feitos a partir dos 60 anos de idade?

    À medida que envelhecemos, alguns exames se tornam importantes para acompanhar como o coração e os vasos sanguíneos estão funcionando, como:

    • Ecocardiograma;
    • Ultrassom Doppler de carótidas;
    • Holter;
    • Testes de esforço, como o teste ergométrico ou a cintilografia

    A indicação e a frequência dos exames devem ser definidas de acordo com a avaliação médica.

    Hábitos que ajudam o coração a envelhecer de forma saudável

    De acordo com Juliana, alguns hábitos podem ajudar a manter o coração saudável ao longo da vida, como:

    • Prática regular de atividade física: incluindo exercícios aeróbicos, como caminhadas, corrida, bicicleta ou natação, e também treinos resistidos, como musculação, que ajudam a fortalecer os músculos, preservar a força e prevenir a perda muscular conhecida como sarcopenia;
    • Alimentação equilibrada e nutritiva: com consumo adequado de vitaminas, proteínas e gorduras boas, priorizando alimentos naturais e evitando excessos, o que contribui para o bom funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos;
    • Sono de qualidade: respeitando as horas necessárias de descanso, já que dormir bem ajuda a regular a pressão arterial, o metabolismo e os processos de recuperação do organismo;
    • Vida social ativa e saudável: mantendo vínculos sociais, momentos de lazer e redução do estresse, fatores que também impactam positivamente a saúde cardiovascular.

    Também vale ficar atento aos sinais de alerta que podem indicar algum problema no coração e manter as consultas médicas em dia, já que o acompanhamento regular ajuda a prevenir doenças, identificar alterações mais cedo e cuidar melhor da saúde do coração.

    Leia mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Perguntas frequentes

    É normal o coração bater mais devagar com a idade?

    Sim, o sistema elétrico do coração pode ficar mais lento, o que reduz a frequência cardíaca máxima.

    O exercício físico consegue reverter mudanças no coração?

    O exercício não reverte completamente as mudanças naturais, mas ajuda a reduzir a velocidade das alterações. A prática regular melhora a circulação, preserva a força do músculo cardíaco e ajuda a manter os vasos mais flexíveis, o que contribui para um coração mais eficiente ao longo da vida.

    Qual tipo de exercício é melhor para o coração?

    A combinação de exercícios aeróbicos, como caminhada e bicicleta, com exercícios de força, como musculação, é a mais indicada.

    Quem tem histórico familiar de doença cardíaca precisa de mais atenção?

    Sim, o histórico familiar aumenta o risco e exige acompanhamento mais cuidadoso.

    O estresse prolongado acelera problemas cardíacos?

    Sim, o estresse crônico mantém o organismo em estado de alerta constante, elevando a pressão arterial e favorecendo inflamações, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

    Ficar muito tempo sentado faz mal para o coração?

    Sim, permanecer longos períodos sentado reduz a circulação, favorece o ganho de peso e aumenta o risco de pressão alta e problemas cardíacos, mesmo em quem se exercita algumas vezes por semana.

    É normal sentir o coração bater mais forte em algumas situações?

    Em momentos de estresse, ansiedade ou esforço físico, isso pode acontecer. Porém, se for frequente ou acompanhado de outros sintomas, precisa de avaliação médica.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

  • Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Ter uma cirurgia marcada costuma gerar ansiedade, e não apenas pelo procedimento em si. Antes de entrar no centro cirúrgico, o corpo passa por uma série de adaptações, e o coração é um dos órgãos que mais sente esse impacto. A anestesia, a dor, a perda de sangue e o estresse do pós-operatório aumentam a demanda cardíaca, e por isso a avaliação prévia é fundamental.

    O que muita gente não sabe é que existe um verdadeiro checklist de segurança para garantir que o coração esteja preparado para enfrentar esse momento. Quando seguidos, esses cuidados reduzem o risco de complicações e tornam a recuperação mais tranquila.

    Por que o coração precisa de um checklist antes da cirurgia

    Toda cirurgia gera estresse fisiológico. Durante o procedimento, ocorrem alterações hormonais, variações da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso é bem tolerado. Mas pacientes com pressão alta, diabetes, histórico de doenças cardíacas, colesterol alto ou idade mais avançada podem ter risco aumentado de complicações como:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca aguda
    • AVC

    Por isso, garantir que o coração está em ordem para operar é uma das etapas mais importantes do preparo cirúrgico.

    Checklist cardíaco pré-operatório: o que avaliar antes de operar

    É importante que essa avaliação seja feita assim que a cirurgia for marcada. Assim há tempo suficiente para pedir exames, ajustar medicações ou investigar sintomas.

    A seguir, um checklist objetivo do que deve ser avaliado pelo médico:

    1. Histórico de doenças cardíacas

    Se a pessoa já teve:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Doença coronariana
    • Stent ou angioplastia
    • AVC prévio

    A avaliação cardiológica é obrigatória.

    2. Fatores de risco

    Mesmo sem doença cardíaca conhecida, alguns fatores aumentam o risco cirúrgico:

    • Pressão alta
    • Diabetes
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Idade acima de 50–60 anos

    Essas condições precisam estar controladas antes da cirurgia.

    3. Sintomas recentes

    Sinais de alerta que exigem consulta imediata:

    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Cansaço sem explicação
    • Inchaço nas pernas
    • Palpitações
    • Tonturas ou desmaios

    4. Exames necessários

    Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Monitorização de arritmias
    • Exames laboratoriais específicos

    O objetivo é detectar alterações que possam impactar a cirurgia.

    5. Ajustes de medicação

    Medicamentos como anticoagulantes e anti-hipertensivos podem precisar de ajustes. Mas é importante jamais suspender por conta própria.

    6. Tipo de cirurgia

    Cirurgias de maior porte (abdominais, ortopédicas extensas, vasculares) exigem preparo mais rigoroso. Mesmo em cirurgias pequenas, porém, o coração precisa ser avaliado se houver fatores de risco.

    Como o coração é protegido durante a cirurgia

    Durante a operação, o anestesista monitora:

    • Pressão arterial
    • Frequência cardíaca
    • Oxigenação
    • Ritmo elétrico cardíaco

    O manejo cuidadoso da dor, dos fluidos e da anestesia ajuda a evitar sobrecarga.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Após a cirurgia, ainda existe risco de:

    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Infarto
    • Complicações respiratórias

    Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Reabilitação cardíaca, fisioterapia, boa hidratação e controle da dor ajudam na recuperação.

    Checklist final: estou pronto para a cirurgia?

    Você está mais preparado quando:

    • Exames estão atualizados
    • Sintomas foram avaliados
    • Fatores de risco estão controlados
    • Medicações foram ajustadas pelo médico
    • Cardiologista liberou o procedimento

    Isso não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de complicações.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. Preciso de cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Quem tem fatores de risco ou sintomas deve ser avaliado mesmo em procedimentos simples.

    2. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim, especialmente se houver sintomas, exames alterados ou risco cardíaco elevado.

    3. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Pode, desde que o cardiologista avalie o tempo desde o evento e solicite exames necessários.

    4. Quais complicações cardíacas podem ocorrer na cirurgia?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e AVC estão entre as mais comuns.

    5. Preciso suspender meus remédios antes de operar?

    Somente com orientação médica, principalmente anticoagulantes.

    6. Idosos têm risco maior?

    Sim. Idade avançada aumenta a probabilidade de fatores de risco associados.

    7. Quando devo procurar o cardiologista?

    Assim que a cirurgia for marcada, mesmo que você se sinta bem.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Síndrome metabólica: por que é mais comum em mulheres acima de 40 anos

    Síndrome metabólica: por que é mais comum em mulheres acima de 40 anos

    Diretamente associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, a síndrome metabólica envolve uma série de alterações que, ao longo do tempo, podem comprometer o funcionamento do organismo, afetando o coração, a circulação e o metabolismo.

    Elas costumam ocorrer de forma conjunta e estão relacionadas ao acúmulo de gordura abdominal, à inflamação crônica e à dificuldade no controle do açúcar e das gorduras no sangue. Como evolui de maneira silenciosa, a síndrome metabólica muitas vezes passa despercebida e é identificada apenas em exames de rotina.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar o que é a condição, quais fatores contribuem para seu desenvolvimento e por que ela representa um risco relevante para a saúde.

    O que é síndrome metabólica?

    A síndrome metabólica é uma condição marcada pela associação de alterações metabólicas que ocorrem de forma simultânea e aumentam de maneira significativa o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de diabetes tipo 2.

    A condição está relacionada à presença de fatores como acúmulo de gordura abdominal, pressão arterial elevada, níveis elevados de açúcar no sangue, triglicerídeos altos e colesterol HDL baixo, conhecido como colesterol bom.

    As alterações estão ligadas à resistência à insulina e ao acúmulo de gordura visceral, que provocam um estado de inflamação crônica no organismo.

    Na maioria dos casos, a síndrome se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas claros nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição em exames de rotina.

    Quais fatores estão por trás do desenvolvimento da síndrome metabólica?

    O desenvolvimento da síndrome metabólica está ligado à combinação de fatores que afetam o metabolismo e o equilíbrio do organismo ao longo do tempo, como:

    • Acúmulo de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral;
    • Resistência à insulina, que dificulta o controle do açúcar no sangue;
    • Alimentação rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
    • Sedentarismo e baixa prática de atividade física;
    • Ganho de peso e obesidade;
    • Alterações hormonais, como as que ocorrem com o envelhecimento;
    • Predisposição genética;
    • Estresse crônico e noites mal dormidas.

    Os fatores normalmente atuam juntos, desequilibrando o metabolismo, aumentando a inflamação no organismo e sobrecarregando o coração e os vasos sanguíneos, o que facilita o desenvolvimento da síndrome metabólica com o passar do tempo.

    Como a síndrome metabólica aumenta o risco de infarto e AVC?

    A síndrome metabólica consiste em alterações que mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. A gordura abdominal, em especial, libera substâncias inflamatórias que afetam diretamente o funcionamento dos vasos sanguíneos, conforme explica Juliana.

    Com o tempo, o processo contribui para o enrijecimento das artérias e facilita a formação de placas de colesterol, prejudicando a circulação do sangue. Isso aumenta de forma significativa o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Além disso, a inflamação e as alterações metabólicas podem deixar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos.

    Juliana também destaca que a síndrome metabólica aumenta de forma importante o risco de desenvolver diabetes, podendo elevar essa chance em até cinco vezes em comparação com quem não tem a condição, o que agrava ainda mais os riscos para a saúde do coração.

    Por que ela é mais comum em mulheres após os 40 anos?

    O aumento da incidência da síndrome metabólica nas mulheres, especialmente após os 40 anos, está diretamente relacionado às alterações hormonais que ocorrem ao longo da menopausa, de acordo com Juliana. A queda nos níveis do hormônio estrogênio é o principal fator responsável por esse aumento do risco.

    O estrogênio desempenha um papel importante na proteção do sistema cardiovascular das mulheres, atuando como um vasodilatador natural. Ele torna os vasos sanguíneos mais flexíveis e também auxilia na distribuição da gordura pelo corpo. Enquanto o estrogênio está presente, há uma tendência ao acúmulo de gordura nas coxas e nos quadris.

    Com a diminuição do estrogênio, no entanto, a gordura passa a se acumular com mais intensidade na região abdominal, levando ao aumento da gordura visceral, que é metabolicamente ativa e prejudicial ao organismo, resultando em um processo inflamatório crônico.

    Além disso, a cardiologista ressalta que essa alteração hormonal também reduz o metabolismo, o que contribui para a perda de massa muscular e facilita o ganho de peso, mesmo sem mudanças significativas na dieta.

    A reposição hormonal pode interferir no risco?

    A terapia de reposição hormonal não é indicada para reduzir o risco cardiovascular e é contraindicada em pacientes com alto risco cardiovascular.

    Segundo a cardiologista, o tratamento é feito para reduzir os sintomas relacionados à menopausa, principalmente os sintomas vasomotores. Existe uma janela de tempo ideal para sua realização, sendo recomendado que seja iniciada logo no início do processo da menopausa ou, no máximo, até 10 anos depois.

    Quando bem indicada, pode contribuir para a melhora do bem-estar geral da mulher, da disposição e da qualidade de vida, fatores que ajudam no estado geral de saúde. Contudo, Juliana ressalta que ela não é recomendada para tratar ou prevenir a síndrome metabólica.

    Sintomas da síndrome metabólica

    Na maioria das vezes, a síndrome metabólica é uma condição silenciosa. Segundo Juliana, alterações como colesterol elevado ou aumento da gordura visceral não costumam provocar sintomas claros no dia a dia, o que faz com que muitas pessoas não percebam o problema nas fases iniciais.

    Mesmo assim, alguns sinais podem servir de alerta e merecem atenção, como:

    • Aumento da circunferência abdominal;
    • Aumento da cintura;
    • Cansaço frequente ou sensação de fadiga constante;
    • Inchaço no corpo;
    • Maior retenção de líquidos.

    A presença dos sinais não confirma o diagnóstico, mas indica a necessidade de avaliação médica e acompanhamento mais cuidadoso da saúde metabólica.

    Quais exames ajudam a identificar precocemente a síndrome metabólica?

    A avaliação da síndrome metabólica é feita de forma clínica, com a realização de exames simples, que ajudam a identificar alterações metabólicas importantes. Os principais incluem:

    • Medida da circunferência abdominal;
    • Medida da pressão arterial;
    • Colesterol total;
    • Colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim;
    • Colesterol HDL, conhecido como colesterol bom;
    • Triglicerídeos;
    • Glicemia de jejum;
    • Insulina de jejum;
    • Hemoglobina glicada.

    É possível controlar ou reverter a síndrome metabólica?

    Como a condição está fortemente ligada ao estilo de vida, é possível controlar e até reverter a síndrome metabólica a partir de hábitos mais saudáveis, como:

    • Alimentação equilibrada, com redução de açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
    • Prática regular de atividade física;
    • Redução do sedentarismo no dia a dia;
    • Perda e manutenção do peso corporal adequado;
    • Melhora da qualidade do sono;
    • Controle do estresse;
    • Uso correto das medicações prescritas, quando necessário.

    Com acompanhamento médico e cuidados contínuos, muitas pessoas conseguem sair do quadro de síndrome metabólica, reduzindo de forma importante o risco de diabetes, infarto, AVC e outras complicações ao longo do tempo.

    Leia mais: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome metabólica é uma doença?

    Não exatamente. A síndrome metabólica não é uma doença única, mas um conjunto de alterações que, quando presentes ao mesmo tempo, aumentam significativamente o risco de problemas graves de saúde ao longo do tempo, como infarto, AVC e diabetes tipo 2.

    2. Quem tem mais risco de desenvolver síndrome metabólica?

    Pessoas com excesso de peso, especialmente gordura abdominal, sedentárias, com alimentação inadequada, histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou alterações hormonais têm maior risco. Ele também aumenta com a idade.

    3. Qual a relação entre síndrome metabólica e gordura abdominal?

    A gordura abdominal, especialmente a visceral, é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias no organismo. Isso interfere no funcionamento dos vasos sanguíneos e no controle do açúcar e das gorduras no sangue, contribuindo diretamente para a síndrome metabólica.

    4. Crianças e adolescentes podem ter síndrome metabólica?

    Podem, especialmente quando há obesidade infantil, sedentarismo e alimentação inadequada. A presença da síndrome metabólica em fases precoces da vida aumenta o risco de doenças cardiovasculares na idade adulta.

    5. O consumo de álcool interfere na síndrome metabólica?

    O consumo excessivo de álcool favorece o ganho de peso, eleva os triglicerídeos e prejudica o controle metabólico, contribuindo para a piora da síndrome metabólica.

    6. A síndrome metabólica pode voltar após ser controlada?

    Se os cuidados com alimentação, atividade física e acompanhamento médico forem deixados de lado, as alterações metabólicas podem retornar. Por isso, o controle precisa ser contínuo ao longo da vida.

    Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular

  • Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo

    Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e, na maioria das vezes, se desenvolvem de forma silenciosa, ao longo dos anos, sem provocar sintomas no início. Isso torna importante identificar cedo quem tem maior risco de sofrer eventos graves, como infarto ou AVC — e hoje, isso pode ser feito por meio do score de risco cardiovascular.

    A ferramenta é usada para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares em determinado período, normalmente nos próximos 10 anos, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    De forma geral, ela funciona como um “mapa de risco” que ajuda profissionais de saúde a decidir quando intensificar a prevenção, exames ou tratamento. Vamos entender mais, a seguir.

    Para que serve o score de risco cardiovascular?

    O score de risco cardiovascular serve para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver um evento cardiovascular, como infarto do miocárdio ou AVC, em um determinado período. Na prática, ele ajuda o médico a classificar o paciente em baixo, moderado ou alto risco, permitindo definir com mais precisão quais cuidados devem ser adotados.

    Por exemplo, pessoas com risco mais baixo costumam receber orientações focadas em hábitos de vida saudáveis, enquanto aquelas com risco elevado podem precisar de acompanhamento mais frequente, uso de remédios e controle mais rigoroso de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia.

    Além disso, o score de risco cardiovascular permite personalizar o tratamento, evitar intervenções desnecessárias e agir de forma mais precoce em quem realmente tem maior chance de apresentar complicações, contribuindo para a redução das doenças cardiovasculares ao longo do tempo.

    Como o cálculo do score de risco cardiovascular é feito?

    O cálculo do score de risco cardiovascular é feito a partir da combinação de informações clínicas e dados de exames simples, que apontam os principais fatores ligados ao desenvolvimento de doenças do coração e da circulação.

    De forma geral, entram no cálculo os seguintes fatores:

    • Idade;
    • Sexo;
    • Pressão arterial;
    • Colesterol total e frações, como LDL e HDL;
    • Presença de diabetes;
    • Tabagismo;
    • Histórico prévio de doença cardiovascular, em alguns modelos;
    • Uso de algumas medicações, dependendo do score utilizado.

    O exame de sangue e o checkup ajudam a compor o score de risco cardiovascular e são fundamentais para esse cálculo, segundo Juliana. Isso porque vários dos dados utilizados nos scores vêm diretamente dos exames laboratoriais e das medições feitas durante a avaliação clínica.

    Nos exames de sangue, por exemplo, são analisados o colesterol total, o LDL, conhecido como colesterol ruim, e o HDL, o colesterol bom. Já no check-up, entram medidas como a pressão arterial. Todas as informações são variáveis importantes que alimentam as calculadoras de risco e permitem uma estimativa mais precisa do risco cardiovascular.

    Juliana explica que as informações são inseridas em calculadoras específicas, como o score de Framingham, o ASCVD ou o SCORE europeu, que utilizam fórmulas matemáticas para gerar um percentual de risco. A partir do resultado, o paciente é classificado em faixas de baixo, intermediário ou alto risco, o que ajuda o médico a definir a melhor estratégia de prevenção.

    Como interpretar o resultado?

    A interpretação do score de risco cardiovascular é feita com base no percentual apresentado pela calculadora, que mostra a chance de a pessoa ter um problema cardiovascular, como infarto ou AVC, nos próximos anos.

    Os resultados são classificados em faixas de risco:

    • Baixo risco: indica menor probabilidade de eventos cardiovasculares. Nesses casos, a orientação costuma ser manter hábitos de vida saudáveis e acompanhamento de rotina;
    • Risco intermediário: aponta uma chance moderada, e pode exigir acompanhamento mais próximo, ajustes no estilo de vida e, em algumas situações, uso de medicações;
    • Alto risco: mostra uma probabilidade elevada de infarto ou AVC. Nessa faixa, o tratamento tende a ser mais intensivo, com controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol, da glicemia e, muitas vezes, uso de remédios específicos.

    Vale lembrar que o score não é um diagnóstico, mas apenas uma estimativa de risco. Por isso, o resultado precisa sempre ser avaliado pelo médico, considerando a história de saúde da pessoa e outros fatores que não entram diretamente no cálculo.

    Quando o cálculo pode ser solicitado?

    De acordo com Juliana, o cálculo do score de risco cardiovascular é indicado para todos os adultos, especialmente a partir dos 40 anos, mesmo quando não há sintomas. A avaliação ajuda a identificar riscos que ainda não se manifestaram clinicamente.

    Em pessoas mais jovens, o score pode ser solicitado principalmente quando há sintomas ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, como pais ou irmãos que tiveram infarto em idade muito jovem.

    Também existem scores específicos para indivíduos com diagnóstico de hipercolesterolemia familiar, um distúrbio genético do colesterol associado a um risco elevado de infarto e AVC. Nessas situações, a avaliação do risco é feita mais cedo para permitir cuidados antecipados e reduzir complicações ao longo do tempo.

    É possível reduzir o risco?

    É possível reduzir o risco cardiovascular a partir da adoção de hábitos mais saudáveis, como:

    Entre as medidas importantes para essa redução estão;

    • Prática regular de atividade física, adaptada à idade e às condições de saúde;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com redução de sal, açúcar e gorduras saturadas;
    • Interrupção do tabagismo e evitação da exposição ao fumo passivo;
    • Controle adequado da pressão arterial, com acompanhamento médico regular;
    • Controle dos níveis de colesterol total e frações, especialmente o LDL;
    • Controle da glicemia, principalmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
    • Manutenção do peso corporal adequado;
    • Redução do sedentarismo no dia a dia;
    • Uso correto e contínuo das medicações prescritas;
    • Acompanhamento médico periódico para reavaliação do risco cardiovascular.

    Assim, Juliana explica que o paciente pode, eventualmente, sair de uma faixa de alto risco para um risco moderado. As medidas atuam diretamente sobre os fatores que compõem o score de risco cardiovascular e contribuem para a redução da chance de infarto, AVC e outras doenças do coração ao longo do tempo.

    Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O que são doenças cardiovasculares?

    As doenças cardiovasculares são aquelas que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão e doença arterial periférica. Muitas delas se desenvolvem lentamente e podem permanecer sem sintomas por anos.

    2. O que significa ter baixo risco cardiovascular?

    Ter baixo risco cardiovascular significa que a chance de desenvolver infarto ou AVC nos próximos anos é menor. Mesmo assim, isso não exclui a necessidade de manter hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular, já que o risco pode mudar ao longo do tempo.

    3. Pessoas jovens podem ter score de risco cardiovascular alto?

    Podem, especialmente se tiverem fatores de risco importantes, como diabetes, colesterol muito elevado, tabagismo ou histórico familiar forte de doença cardiovascular precoce. Por isso, idade não é o único critério de atenção.

    4. Com que frequência o score deve ser reavaliado?

    A reavaliação costuma ser feita periodicamente, conforme orientação médica. Em geral, o score é recalculado após mudanças importantes no estado de saúde, início de tratamentos ou alterações significativas nos hábitos de vida.

    5. O score de risco cardiovascular é igual para homens e mulheres?

    Não exatamente. Alguns scores utilizam cálculos diferentes para homens e mulheres, pois o risco cardiovascular e a forma de apresentação das doenças podem variar conforme o sexo.

    6. Diabetes aumenta o risco cardiovascular?

    O diabetes é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares. Pessoas com diabetes têm maior chance de desenvolver infarto, AVC e outras complicações, mesmo quando não apresentam sintomas no início.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Trabalhar demais faz mal ao coração? 

    Trabalhar demais faz mal ao coração? 

    O coração é um dos primeiros órgãos a sentir o impacto do ritmo acelerado da vida contemporânea. Por isso, trabalhar demais faz mal ao coração, sim. O excesso de horas dedicadas ao trabalho eleva o estresse, desregula hormônios e acelera o envelhecimento do sistema cardiovascular.

    Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2021, revelou que 745 mil pessoas morreram em 2016 por doenças cardíacas e AVC relacionados a jornadas superiores a 55 horas semanais. Por isso, trabalhar demais é considerado hoje um fator de risco ocupacional relevante.

    O que acontece com o coração quando se trabalha demais

    O organismo interpreta o excesso de trabalho como uma ameaça constante. Para reagir, o cérebro ativa o sistema de alerta e libera adrenalina e cortisol, os hormônios do estresse. Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, preparando o corpo para uma “luta” que nunca termina.

    Quando isso ocorre repetidamente, os vasos sanguíneos sofrem microlesões, o coração se sobrecarrega e o risco de hipertensão, infarto e AVC cresce. Pesquisas indicam que quem trabalha mais de 55 horas por semana tem cerca de 35% mais risco de derrame cerebral e 17% mais chance de infarto do que quem mantém jornadas entre 35 e 40 horas.

    Além disso, trabalhar demais afeta o sono, a alimentação e a prática de atividade física, pilares fundamentais da saúde cardiovascular. Dormir pouco impede que a pressão arterial caia durante a noite, aumentando o desgaste do coração.

    O estresse crônico como gatilho de doenças cardíacas

    O estresse é uma resposta normal do organismo, mas quando se torna constante, transforma-se em um inimigo silencioso. O chamado estresse crônico, típico de quem trabalha demais, mantém o corpo em estado de alerta por tempo prolongado.

    Isso faz com que o coração bata mais rápido, os vasos se contraiam e o sangue circule sob pressão elevada por horas seguidas. A consequência é o aumento do risco de aterosclerose, condição que pode levar ao infarto agudo do miocárdio.

    O estresse também altera o comportamento. Sob pressão contínua, muitas pessoas passam a comer mal, consumir mais café e álcool e se movimentar menos — hábitos que elevam o colesterol e favorecem o ganho de peso.

    Estudos recentes mostram que trabalhadores submetidos a alto estresse apresentam níveis mais elevados de proteína C reativa, um marcador inflamatório associado a doenças cardiovasculares. Isso confirma que o impacto do estresse não é apenas emocional: ele afeta diretamente a biologia do coração.

    Burnout: o colapso que também atinge o coração

    O burnout, estágio extremo do estresse ocupacional, é reconhecido pela OMS como uma condição que ameaça tanto a saúde mental quanto a física. Ele representa o ponto em que o corpo — e o coração — entram em colapso.

    Pesquisas indicam que profissionais com burnout apresentam maior incidência de hipertensão, arritmias e infarto precoce. Isso ocorre porque o sistema nervoso autônomo, responsável por regular os batimentos e a pressão arterial, fica desregulado.

    A exaustão também leva a comportamentos que aumentam o risco cardíaco, como sedentarismo e consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. Além disso, o burnout prejudica o sono e mantém o cortisol elevado, colocando o coração em sobrecarga contínua.

    Principais sinais de alerta

    • Cansaço constante, palpitações e dor no peito
    • Irritabilidade, insônia e falta de motivação
    • Dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades prazerosas

    Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para evitar que o esgotamento evolua para uma emergência cardiovascular.

    Estratégias para proteger o coração do excesso de trabalho

    Reduzir o impacto de trabalhar demais sobre o coração exige ajustes na rotina e respeito aos limites do corpo. A atividade física regular é um dos principais fatores de proteção: caminhadas de 30 minutos, cinco vezes por semana, podem reduzir significativamente o risco cardiovascular.

    Garantir sono adequado — entre sete e nove horas por noite — também é fundamental. Dormir mal aumenta a pressão arterial e eleva o risco de arritmias.

    Para preservar o coração em jornadas longas, especialistas recomendam:

    • Fazer pausas curtas a cada 60 minutos para levantar, alongar e respirar
    • Reservar horários fixos para refeições equilibradas, longe de telas
    • Evitar excesso de cafeína e manter boa hidratação
    • Desconectar-se de e-mails e mensagens fora do expediente

    Empresas também têm papel importante ao limitar horas extras e incentivar políticas de bem-estar. O equilíbrio entre produtividade e saúde deve ser visto como investimento, não como perda de tempo.

    Trabalhar demais cobra um preço alto do coração

    A ideia de que sucesso exige sacrificar descanso tornou-se cultural, mas o corpo humano não foi projetado para funcionar assim. Trabalhar demais gera desgaste acumulado, e o coração é um dos órgãos mais afetados.

    O risco cardiovascular não depende apenas da genética ou da alimentação, mas também do ritmo de vida. O coração precisa de pausas, sono adequado e momentos de recuperação para se manter saudável.

    A boa notícia é que os efeitos do estresse são, em grande parte, reversíveis. Ajustar o ritmo, equilibrar sono, alimentação e lazer e buscar apoio psicológico quando necessário ajudam a restaurar a pressão arterial e o equilíbrio hormonal.

    Trabalhar é importante. Cuidar do próprio coração é indispensável.

    Veja mais:

    Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Perguntas e respostas

    1. Trabalhar demais pode aumentar o risco de problemas no coração?

    Sim. Jornadas acima de 55 horas semanais elevam significativamente o risco de infarto e AVC, segundo dados da OMS.

    2. O estresse interfere no funcionamento cardíaco?

    Sim. O estresse crônico libera hormônios que aumentam a pressão arterial e aceleram os batimentos, favorecendo hipertensão e arritmias.

    3. O burnout é perigoso para o coração?

    Muito. A síndrome provoca exaustão prolongada, desregula o sistema nervoso e aumenta o risco de doenças cardíacas.

    4. Dormir pouco agrava o risco cardiovascular?

    Sim. A falta de sono impede a redução noturna da pressão arterial e acelera o envelhecimento das artérias.

    5. Quais hábitos ajudam a proteger o coração?

    Exercícios regulares, sono adequado, alimentação equilibrada, controle do estresse e redução de álcool e cafeína.

    6. É possível reverter os danos causados por trabalhar demais?

    Sim. Com ajustes no ritmo de vida e controle do estresse, a pressão e os marcadores inflamatórios tendem a melhorar.

    Confira:

    Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • 7 sinais de que suas palpitações podem ser arritmia e não apenas nervosismo 

    7 sinais de que suas palpitações podem ser arritmia e não apenas nervosismo 

    Sentir o coração acelerar de repente não é incomum. Um susto, uma notícia inesperada, uma noite mal dormida, estresse acumulado ou até café demais podem provocar aquela sensação de batimentos fortes no peito, as famosas palpitações. Em grande parte das vezes, isso é benigno e passageiro.

    Mas nem sempre. Quando a palpitação aparece fora de contexto, vem acompanhada de outros sintomas ou surge sem motivo aparente, pode ser um sinal de arritmia cardíaca. Nesse caso, o coração não está apenas respondendo a um estímulo emocional, mas batendo de forma anormal, seja muito rápido, muito lento ou de forma irregular.

    O que é palpitação — e por que nem sempre indica doença

    Palpitação não é um diagnóstico: é uma sensação. A pessoa percebe o coração bater mais rápido, mais forte ou de forma irregular. Normalmente isso acontece por conta de estímulos externos, como estresse, ansiedade, atividade física, álcool, desidratação ou consumo de cafeína.

    Mas, se a palpitação vier acompanhada de falta de ar, tontura, desmaio ou dor no peito, pode ser por causa de uma arritmia, e é importante avaliar com um médico rapidamente.

    A seguir, veja os sinais que ajudam a diferenciar.

    7 sinais de que suas palpitações podem ser arritmia

    1. Palpitações acompanhadas de falta de ar

    Quando o coração acelera apenas por ansiedade ou esforço, o fôlego se mantém estável. Mas se a palpitação vem junto com dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou respiração curta, o coração pode estar batendo de forma desordenada.

    Esse é um dos sintomas clássicos das arritmias.

    2. Dor ou pressão no peito durante a palpitação

    Sentir o coração acelerar por emoção é normal — sentir dor no peito ao mesmo tempo, não. A associação entre palpitação e dor torácica pode indicar:

    • Arritmias sustentadas
    • Angina
    • Isquemia
    • Doença arterial coronariana

    Todas essas condições exigem avaliação imediata.

    3. Palpitações com tontura, visão escurecida ou pré-desmaio

    Quando o coração perde o ritmo e bombeia sangue de forma insuficiente, o cérebro é o primeiro a sentir. Tontura, sensação de apagamento e instabilidade são sinais de que o fluxo sanguíneo está comprometido.

    Se ocorrer desmaio, trata-se de uma emergência.

    4. Frequência cardíaca muito alta ou muito baixa em repouso

    Batimentos acima de 120 bpm em repouso ou abaixo de 45 bpm podem indicar arritmias importantes, como taquicardia supraventricular, fibrilação atrial ou bradicardias.

    Relógios inteligentes podem ajudar a perceber padrões, mas não substituem exames médicos.

    5. Episódios que surgem sem gatilho conhecido

    Palpitações ligadas a café, estresse, exercícios ou ansiedade costumam ter causa clara.

    Já episódios que surgem do nada, em repouso, durante o sono ou em momentos de tranquilidade merecem investigação, pois podem ser arritmias paroxísticas.

    6. Palpitação com suor frio, náusea ou mal-estar intenso

    Esses sintomas aparecem quando o corpo entra em resposta de estresse exagerado ou quando o coração está realmente funcionando fora do padrão esperado.

    Esse conjunto pode sugerir arritmia significativa ou, em alguns casos, até infarto.

    7. Palpitações associadas a condições clínicas ou uso de remédios

    Algumas condições aumentam o risco de arritmia:

    • Distúrbios da tireoide
    • Anemia
    • Desequilíbrio de potássio ou magnésio
    • Insuficiência cardíaca
    • Cardiopatias estruturais

    Medicamentos como broncodilatadores, antidepressivos e remédios para tireoide também podem desencadear palpitações irregulares.

    Se os sintomas começaram após iniciar um novo tratamento, isso deve ser informado ao médico.

    Como o médico investiga palpitações

    Para entender se o quadro é benigno ou se há arritmia, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma (ECG)
    • Holter de 24 horas
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Exames de sangue (potássio, magnésio, função da tireoide, hemograma)

    A combinação dos exames com a descrição detalhada dos sintomas é essencial para o diagnóstico correto.

    Como reduzir as palpitações no dia a dia

    Alguns hábitos ajudam a prevenir crises:

    • Reduzir cafeína e álcool
    • Evitar refeições pesadas, especialmente à noite
    • Manter boa hidratação
    • Dormir adequadamente
    • Controlar estresse e ansiedade
    • Praticar atividade física regular

    Técnicas de respiração e relaxamento também ajudam a diminuir a percepção das palpitações.

    Saiba mais: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

    Perguntas frequentes sobre palpitação ou arritmia

    1. Palpitação é o mesmo que arritmia?

    Não. Palpitação é a sensação percebida; arritmia é o diagnóstico médico.

    2. Ansiedade pode causar palpitações?

    Sim. É uma das causas mais comuns de palpitações benignas.

    3. Posso ter arritmia mesmo sendo jovem?

    Sim. Algumas arritmias não dependem da idade.

    4. Palpitações durante o sono são perigosas?

    Podem ser. Se forem frequentes ou vierem acompanhadas de falta de ar noturna, devem ser investigadas.

    5. Devo parar de fazer exercícios se tenho palpitação?

    Não necessariamente. Exercícios são benéficos, desde que haja avaliação e liberação médica.

    6. Quando devo procurar atendimento imediato?

    Se houver dor no peito, desmaio, falta de ar intensa, suor frio ou alteração importante da frequência cardíaca.

    7. Relógios inteligentes substituem exames?

    Não. Eles ajudam a registrar episódios, mas não fazem diagnóstico.

    Leia também: Eletrocardiograma: entenda para que serve e quem deve fazer o exame

  • 6 sinais que diferenciam o cansaço comum do cansaço por problemas cardíacos 

    6 sinais que diferenciam o cansaço comum do cansaço por problemas cardíacos 

    Sentir falta de ar depois de subir escadas, fazer força ou correr para alcançar o ônibus é algo que acontece com qualquer pessoa, especialmente quem está sedentário ou acima do peso. Nesses casos, o fôlego volta rapidamente após o esforço e não há motivo para preocupação.

    O que pouca gente sabe é que há um tipo de cansaço que não tem relação com condicionamento físico e pode indicar que o coração está sofrendo, o cansaço cardíaco. Quando a falta de ar aparece em atividades leves, surge em repouso, acorda a pessoa à noite ou vem acompanhada de outros sintomas, é preciso atenção.

    Cansaço comum x cansaço cardíaco: qual é a diferença?

    O cansaço normal é proporcional ao esforço. Ele aparece durante a atividade, melhora rápido quando a pessoa para e não vem associado a outros sintomas importantes.

    Já o cansaço cardíaco ocorre quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente. Isso reduz o oxigênio que chega aos tecidos, provoca acúmulo de líquido e gera falta de ar em situações nas quais antes não havia dificuldade. Esse tipo de cansaço costuma piorar com o tempo e pode indicar insuficiência cardíaca, problemas nas válvulas, arritmias ou doença das artérias coronárias.

    A seguir, veja os seis sinais que ajudam a diferenciar um do outro.

    1. Surge em esforços cada vez menores

    No cansaço comum, você sabe exatamente o que o provocou, geralmente um esforço maior do que o habitual.

    Já no cansaço cardíaco, a falta de ar:

    • Aparece em atividades leves, como caminhar um ou dois quarteirões
    • Piora em dias ou semanas
    • Exige paradas frequentes mesmo em pequenas subidas

    Essa evolução rápida é um dos sinais mais importantes de alerta.

    2. Aparece ao se deitar ou durante a noite

    Esse sintoma é típico do coração.

    Pessoas com insuficiência cardíaca podem:

    • Sentir falta de ar ao deitar-se
    • Precisar usar mais travesseiros
    • Acordar de madrugada com sensação de sufocamento

    Esse quadro, muitas vezes confundido com ansiedade ou problema respiratório, indica acúmulo de líquido nos pulmões.

    3. Vem acompanhado de inchaço e ganho de peso rápido

    Quando o coração perde força, o corpo passa a acumular líquido, especialmente nas pernas.

    Fique atento se houver:

    • Inchaço nos pés e tornozelos no fim do dia
    • Dificuldade de calçar sapatos que antes serviam
    • Aumento de peso de 1 a 2 kg em poucos dias

    Essa retenção pode indicar insuficiência cardíaca ou piora súbita da função do coração.

    4. Surge junto com dor no peito ou palpitações

    O cansaço normal não provoca dor torácica nem sensação de batimentos irregulares.

    Já o cansaço de origem cardíaca pode vir com:

    • Dor ou pressão no peito
    • Palpitações
    • Batimentos acelerados ou irregulares
    • Tontura

    Esses sinais podem indicar arritmias, angina ou até infarto, especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes.

    5. Não melhora quando você para a atividade

    Quando o cansaço é muscular, o corpo se recupera em poucos minutos após o esforço.

    Mas, quando vem do coração, a falta de ar:

    • Demora a passar
    • Pode continuar mesmo em repouso
    • Costuma piorar ao fim do dia

    Essa persistência exige avaliação médica.

    6. Apareceu após infecção viral recente

    Infecções como gripe, covid-19 e outros vírus podem causar inflamação do músculo cardíaco (miocardite) ou do pericárdio (pericardite).

    Procure ajuda se o cansaço surgir após uma infecção e vier acompanhado de:

    • Falta de ar que piora rapidamente
    • Dor no peito
    • Palpitações
    • Mal-estar generalizado

    Essas condições precisam de diagnóstico precoce.

    Quando o cansaço é um sinal de emergência

    Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Falta de ar em repouso
    • Lábios ou extremidades azuladas
    • Dor intensa no peito
    • Desmaio
    • Confusão mental
    • Inchaço com ganho de peso rápido

    Esses sintomas podem indicar infarto ou insuficiência cardíaca aguda.

    Como é feita a investigação do cansaço cardíaco

    O cardiologista pode solicitar:

    • Exame físico e aferição da pressão
    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Radiografia de tórax
    • Holter
    • MAPA
    • Cintilografia
    • Tomografia de coronárias ou cateterismo

    O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento eficaz.

    Veja mais: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes sobre cansaço comum e cansaço cardíaco

    1. É normal sentir cansaço ao subir escadas?

    Sim, mas preocupa se a dificuldade aumenta rápido ou surge com dor no peito, tontura ou palpitações.

    2. Cansaço pode ser o único sintoma de infarto?

    Sim, especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes.

    3. Falta de ar todos os dias é normal?

    Não. Pode indicar problema no coração, nos pulmões, anemia ou distúrbios metabólicos.

    4. Cansaço pode ser ansiedade?

    Pode, mas apenas a avaliação médica diferencia corretamente.

    5. Como saber se devo procurar um cardiologista?

    Se o cansaço piora rápido, surge com pouco esforço, aparece ao deitar ou vem com inchaço, palpitações ou dor no peito.

    6. Existe tratamento para o cansaço de origem cardíaca?

    Sim. Inclui controle da pressão, medicamentos específicos, reabilitação cardíaca e, em alguns casos, procedimentos médicos.

    Leia mais: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • A importância de medir a pressão mesmo se você se sentir bem 

    A importância de medir a pressão mesmo se você se sentir bem 

    Medir a pressão é uma das atitudes mais simples e eficazes para proteger o coração e prolongar a vida. Mesmo quem se sente saudável pode ter hipertensão sem saber, já que a doença costuma se desenvolver em silêncio. A ausência de sintomas é o que a torna perigosa: enquanto tudo parece normal, o coração, o cérebro e os rins estão sendo sobrecarregados de forma contínua.

    A pressão alta é responsável por milhões de mortes todos os anos e afeta uma parcela significativa da população adulta. Identificar a alteração precocemente, por meio de medições regulares, permite agir antes que surjam complicações graves, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca.

    Pressão alta: o perigo que evolui sem aviso

    A hipertensão arterial ocorre quando o sangue circula com força excessiva nas artérias. Esse aumento exige mais trabalho do coração e danifica os vasos ao longo do tempo. O problema é que, na maioria dos casos, essa elevação acontece de forma silenciosa. Os sintomas só costumam aparecer em fases avançadas, como dor de cabeça intensa, tontura, cansaço e visão turva.

    As novas diretrizes brasileiras, publicadas em 2025, atualizaram o parâmetro considerado ideal: a pressão 12 por 8, antes vista como normal, agora é classificada como pré-hipertensão. Isso não significa que o tratamento medicamentoso deva começar, mas indica que o corpo pode já estar em alerta, e é hora de redobrar os cuidados.

    Nessa faixa, o foco é a prevenção: controlar o sal, manter o peso saudável, dormir bem, cuidar do estresse e incluir atividade física regular. Já a pressão a partir de 14 por 9 é considerada hipertensão e requer acompanhamento clínico e, em muitos casos, uso de medicamentos.

    Medir a pressão com regularidade é o único modo de confirmar se os níveis estão dentro do ideal. Para adultos saudáveis, recomenda-se uma medição anual. Já pessoas com histórico familiar, sobrepeso ou diabetes devem realizar o controle mensalmente.

    Como medir a pressão corretamente

    Saber medir a pressão de forma adequada é fundamental para garantir resultados confiáveis. Leituras feitas de forma apressada, com má postura ou em momentos inadequados, podem gerar valores incorretos e mascarar problemas reais.

    A seguir, o passo a passo recomendado pelos cardiologistas:

    • Escolha o momento certo: meça a pressão em um horário tranquilo, evitando logo após esforço físico, refeições pesadas, consumo de café, álcool ou cigarro. O ideal é estar em repouso por pelo menos 5 minutos.
    • Sente-se corretamente: mantenha as costas apoiadas, os pés no chão e o braço apoiado na altura do coração. O manguito deve estar bem ajustado.
    • Fique em silêncio: evite conversar ou se mover durante a medição.
    • Faça mais de uma medição: repita o processo duas vezes, com intervalo de um minuto, e anote a média.
    • Registre os valores: anote horários e condições e leve essas informações às consultas.

    Com aparelhos digitais de braço validados, é possível medir a pressão em casa. Os valores ideais ficam abaixo de 120/80 mmHg. Leituras entre 130/85 e 139/89 mmHg merecem atenção, e valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg já indicam hipertensão.

    O que acontece quando a pressão não é controlada

    Ignorar aumentos persistentes da pressão pode trazer consequências sérias. A hipertensão danifica as artérias, favorece o acúmulo de gordura e leva à aterosclerose, reduzindo o fluxo de sangue para órgãos vitais.

    As complicações mais comuns são infarto, AVC e insuficiência renal. No cérebro, a pressão alta aumenta o risco de hemorragias; no coração, força o órgão a trabalhar além do limite.

    Estudos mostram que reduzir a pressão para níveis adequados diminui em até 40% o risco de eventos cardiovasculares e também reduz a chance de demência e declínio cognitivo.

    Fatores que influenciam a pressão arterial

    Diversos fatores interferem nos níveis de pressão arterial. Alguns não podem ser modificados, como a genética, mas muitos dependem do estilo de vida:

    • Excesso de sal: aumenta o volume de sangue circulante.
    • Sedentarismo: enfraquece o sistema cardiovascular.
    • Estresse crônico: libera hormônios que contraem os vasos.

    Tabagismo, álcool em excesso e ultraprocessados também elevam a pressão. Em contrapartida, alimentação equilibrada, sono adequado e atividade física ajudam a manter os níveis sob controle.

    Prevenir é mais fácil do que tratar

    O controle da pressão é contínuo. Quem mede regularmente consegue identificar variações precocemente. Após os 40 anos, o acompanhamento médico se torna ainda mais importante.

    Mesmo quem já faz tratamento deve monitorar a pressão para avaliar a eficácia dos medicamentos e do estilo de vida. Pequenas mudanças, como reduzir o sal e caminhar diariamente, geram grande impacto.

    Com o tempo, esse cuidado se traduz em mais energia, menor risco cardiovascular e melhor qualidade de vida.

    Confira: Como aferir a pressão arterial em casa? Cardiologista explica

    Perguntas e respostas

    1. Por que medir a pressão é importante mesmo sem sintomas?

    Porque a hipertensão pode causar danos silenciosos. A medição regular permite identificar alterações precocemente.

    2. Com que frequência devo medir a pressão?

    Ao menos uma vez por ano. Pessoas com fatores de risco devem medir com maior frequência.

    3. Quais valores indicam pressão alta?

    Valores acima de 12/8 já exigem atenção. A partir de 14/9, a pressão é considerada alta.

    4. É seguro medir a pressão em casa?

    Sim, desde que o aparelho seja validado. Registrar os valores ajuda no acompanhamento médico.

    5. Mudanças no estilo de vida realmente ajudam?

    Sim. Reduzir sal, praticar exercícios e controlar o peso são medidas comprovadas.

    6. O que fazer se a pressão estiver alta em uma medição?

    Repita após alguns minutos de repouso. Se persistir elevada, procure avaliação médica.

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  • Por que a saúde bucal interfere no coração 

    Por que a saúde bucal interfere no coração 

    A relação entre a saúde bucal e o coração tem sido cada vez mais estudada. Pesquisas mostram que inflamações persistentes na gengiva podem afetar o funcionamento do sistema cardiovascular e aumentar o risco de doenças como hipertensão, infarto e aterosclerose.

    Embora ainda não exista prova de causalidade absoluta, a conexão é forte o suficiente para que cardiologistas e dentistas considerem a boca um ponto crítico na prevenção das doenças cardíacas.

    Qual é a relação entre saúde bucal e coração

    Um exemplo da relação entre saúde bucal e coração é a gengiva inflamada. Ela permite a entrada de bactérias na circulação que podem ativar plaquetas, estimular a formação de pequenos coágulos e provocar reações inflamatórias que interferem nos vasos sanguíneos. Estudos já identificaram bactérias típicas da boca dentro de placas de aterosclerose, indicando que elas podem participar da formação ou agravamento dessas lesões.

    Além disso, doenças como a periodontite (doença gengival bacteriana) elevam níveis de substâncias inflamatórias, como interleucinas e proteína C-reativa, que circulam pelo corpo e influenciam diretamente o risco cardiovascular. Quanto mais alta a inflamação sistêmica, maior a probabilidade de ocorrerem processos que favoreçam a obstrução das artérias.

    Outro ponto relevante é o impacto sobre o endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos responsável por regular o fluxo e a pressão. A inflamação bucal pode comprometer essa função, dificultando a dilatação dos vasos e contribuindo para um ambiente mais propenso à hipertensão e ao acúmulo de gordura nas paredes arteriais, o que pode contribuir para doenças cardiovasculares.

    Endocardite: quando bactérias da boca alcançam o coração

    A endocardite infecciosa é um dos exemplos mais claros de como a saúde bucal e coração estão relacionados. Essa é uma infecção grave que ocorre quando bactérias entram na corrente sanguínea e se fixam no revestimento interno do coração ou nas válvulas cardíacas. Muitas dessas bactérias têm origem na boca, especialmente quando há gengivite intensa ou periodontite não tratada.

    Pessoas com válvulas cardíacas artificiais, cardiopatias estruturais ou histórico de endocardite têm risco maior e precisam de atenção redobrada. Nesses casos, a higiene bucal inadequada e até pequenas feridas na gengiva podem facilitar a entrada de bactérias no organismo. Por isso, sociedades médicas recomendam acompanhamento odontológico regular para quem tem maior risco cardíaco.

    O papel da gengivite e da periodontite no desenvolvimento da hipertensão

    Pesquisas recentes mostram que pessoas com periodontite têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial. Isso ocorre porque a inflamação gengival persistente afeta também o endotélio, prejudicando a capacidade dos vasos de relaxar. O resultado é um aumento na resistência vascular e um ambiente mais propenso à elevação da pressão.

    A inflamação sistêmica decorrente de doenças bucais também atua sobre hormônios e substâncias que regulam o tônus dos vasos, contribuindo para o aumento da pressão arterial. Mesmo quando outros fatores de risco são controlados, a associação entre periodontite e pressão elevada continua sendo observada em diversos estudos.

    A boa notícia é que o tratamento periodontal pode melhorar parâmetros cardiovasculares. Pesquisas mostram que, após intervenções odontológicas que controlam a inflamação, muitos pacientes apresentam redução discreta, mas significativa, nos níveis de pressão arterial.

    Doenças bucais e aterosclerose: uma ligação possível

    A aterosclerose, processo que leva ao infarto e ao AVC, também pode ser influenciada por doenças bucais. A presença de bactérias da periodontite em placas de gordura dentro das artérias indica que micro-organismos podem participar da formação dessas lesões ou intensificar sua progressão.

    Além disso, a inflamação provocada pela periodontite aumenta a adesão de células de defesa às paredes dos vasos, favorecendo o acúmulo de gordura. Com o tempo, isso colabora para o espessamento da parede arterial e dificulta o fluxo sanguíneo.

    Tratamentos odontológicos que reduzem inflamação parecem melhorar a função endotelial, sugerindo que cuidar da boca pode contribuir para retardar a evolução da aterosclerose. Embora não seja um tratamento cardiovascular direto, o impacto indireto é clinicamente relevante.

    Fatores de risco que tornam a relação ainda mais forte

    Condições como diabetes, obesidade e colesterol alto aumentam o risco tanto de periodontite quanto de doenças cardiovasculares. Isso faz com que a relação entre saúde bucal e coração seja ainda mais importante nesses grupos de pessoas. O diabetes, por exemplo, dificulta o controle da inflamação gengival, enquanto a periodontite, por sua vez, piora a glicemia, criando um ciclo negativo que afeta o sistema cardiovascular.

    Fumantes também apresentam maior risco de desenvolver periodontite e doenças cardíacas, tornando o impacto da saúde bucal mais pronunciado. Da mesma forma, dietas ricas em açúcar e estilo de vida sedentário aumentam o risco de inflamações na boca e danos nos vasos.

    Reconhecer esse conjunto de fatores permite que a prevenção cardiovascular seja mais completa. O cuidado com a boca se torna parte essencial da proteção do coração, especialmente para quem já apresenta condições crônicas.

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    Perguntas e respostas sobre saúde bucal e coração

    1. Qual é a relação entre saúde bucal e coração?

    Infecções e inflamações na gengiva liberam substâncias inflamatórias e bactérias na corrente sanguínea que podem prejudicar os vasos, favorecer coágulos e aumentar o risco de doenças cardíacas.

    2. Pessoas com doença gengival têm mais chance de desenvolver problemas cardiovasculares?

    Sim. A periodontite está associada a maior probabilidade de hipertensão, aterosclerose e eventos como infarto e AVC, principalmente quando não tratada adequadamente.

    3. Tratar a gengiva realmente melhora a saúde do coração?

    O controle da inflamação bucal pode ajudar a reduzir marcadores inflamatórios no sangue e melhorar a função dos vasos, o que tem impacto positivo sobre o sistema cardiovascular.

    4. O que é a endocardite e como ela se relaciona com a boca?

    É uma infecção que atinge o revestimento interno do coração e pode ser causada por bactérias da boca que entram na circulação, especialmente em pessoas com gengivite ou periodontite severa.

    5. Quem tem diabetes deve redobrar os cuidados com a boca?

    Sim. O diabetes dificulta a cicatrização e favorece infecções gengivais, enquanto a inflamação bucal pode piorar o controle da glicemia, aumentando o risco cardiovascular.

    6. Consultas regulares ao dentista ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares?

    Contribuem de forma importante, pois a limpeza profissional e o acompanhamento odontológico mantêm a inflamação sob controle e reduzem a presença de bactérias que afetam o coração.

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