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  • Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Você já ouviu falar no mito da taça protetora? Ele consiste na ideia de que o consumo moderado e diário de álcool traria benefícios cardiovasculares significativos, ajudando a proteger contra doenças cardíacas.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela ganhou força a partir de uma situação histórica chamada paradoxo francês, em que se observou uma menor incidência de doenças cardiovasculares na população francesa, apesar de uma alimentação rica em gorduras, como queijos, e do consumo frequente de vinho.

    Na época, levantou-se a hipótese de que o vinho tinto teria um efeito protetor sobre o coração, quando, na realidade, os fatores de vida tiveram uma influência muito maior no resultado. Vamos entender mais, a seguir.

    O que a ciência diz sobre o consumo de álcool para a saúde cardiovascular?

    Mesmo em pequenas quantidades, pesquisas apontam que o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e cardiomiopatia alcoólica.

    De acordo com um estudo publicado na JAMA Network Open, com dados de mais de 370 mil pessoas do Reino Unido, os aparentes benefícios observados em alguns grupos estavam mais ligados a hábitos saudáveis, como melhor alimentação e prática de exercícios, e não ao álcool em si.

    Já um relatório da Associação Americana do Coração (AHA) aponta que o consumo elevado e contínuo de álcool por vários anos pode provocar alterações na estrutura do coração, comprometendo seu funcionamento e aumentando o risco de problemas cardiovasculares.

    O documento também aponta que algumas pessoas podem apresentar sinais iniciais de prejuízo cardíaco mesmo com consumo considerado baixo, como poucas doses por semana.

    Isso sugere que a resposta ao álcool varia bastante entre os indivíduos, e que nem sempre quantidades menores significam ausência de risco.

    Como o álcool afeta o coração?

    Quando o álcool é ingerido, ele é rapidamente absorvido pelo sangue e chega ao coração em poucos minutos.

    Nesse momento, pode causar mudanças temporárias, como aumento dos batimentos e variações na pressão arterial. Algumas pessoas percebem palpitações ou sensação de coração acelerado, principalmente após beber mais do que o habitual.

    Com o consumo frequente, o álcool pode aumentar a pressão arterial de forma persistente, um dos principais fatores de risco para doenças do coração. Ele também pode alterar o ritmo cardíaco, favorecendo arritmias, que são batimentos irregulares e podem trazer sintomas como cansaço, tontura ou falta de ar.

    Para completar, o consumo excessivo ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo do coração, dificultando o bombeamento adequado do sangue, situação que pode evoluir para insuficiência cardíaca.

    Riscos do álcool para a saúde do coração a longo prazo

    O metabolismo do álcool no organismo pode aumentar o risco de diversas alterações cardiovasculares, como Juliana aponta:

    • Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, especialmente após consumo elevado ocasional, situação conhecida como síndrome do coração de feriado;
    • Elevação da pressão arterial no consumo crônico, apesar de possível queda momentânea após ingestão aguda;
    • Toxicidade direta sobre o músculo cardíaco, podendo levar à cardiomiopatia alcoólica e à insuficiência cardíaca.

    Por que os possíveis benefícios do vinho não superam os riscos?

    Segundo Juliana, o vinho tinto realmente contém resveratrol, uma substância com propriedades antioxidantes. No entanto, a quantidade presente em uma taça é muito pequena. Para atingir uma dose considerada potencialmente protetora, seria necessário consumir grandes quantidades de álcool.

    Nesse cenário, os efeitos nocivos do álcool superariam amplamente qualquer possível benefício do resveratrol.

    Existe alguma quantidade considerada segura?

    Atualmente, não existe uma quantidade de álcool considerada totalmente segura para a saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Mesmo pequenas doses podem trazer algum risco ao longo do tempo, principalmente para o coração e para a saúde geral.

    Por isso, a orientação atual é simples: quem não bebe não precisa começar achando que vai proteger o coração.

    Para quem já consome, Juliana explica que são orientados limites considerados de menor risco: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens, com dias sem consumo ao longo da semana.

    Ainda assim, pessoas com doenças cardiovasculares, como arritmias, insuficiência cardíaca ou pressão alta, devem preferencialmente suspender o consumo.

    Veja também: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

    Perguntas frequentes

    1. O álcool não ajuda a aumentar o “colesterol bom” (HDL)?

    Antes, acreditava-se que sim. No entanto, estudos recentes mostram que o aumento do HDL provocado pelo álcool não se traduz em uma redução real no risco de infarto ou doenças cardiovasculares.

    2. Se eu quero os benefícios do resveratrol sem o álcool, o que devo fazer?

    O melhor caminho é consumir uvas escuras in natura, suco de uva integral (sem açúcar) ou suplementação específica, onde você obtém o fitonutriente sem os efeitos tóxicos do etanol.

    3. O álcool causa gordura no coração?

    O consumo excessivo contribui para a gordura no fígado (esteatose), mas também pode enfraquecer o músculo cardíaco, levando a uma condição chamada cardiomiopatia alcoólica, onde o coração fica dilatado e sem força.

    4. Mulheres e homens têm os mesmos riscos?

    Mulheres costumam ser mais sensíveis ao álcool devido à menor quantidade de água no corpo e enzimas de metabolização. Por isso, os riscos cardíacos e de outras doenças podem aparecer mais cedo ou com doses menores em mulheres.

    5. O álcool interfere nos medicamentos para o coração?

    Sim, ele pode potencializar o efeito de remédios para pressão ou interagir negativamente com anticoagulantes, aumentando o risco de hemorragias ou reduzindo a eficácia do tratamento.

    6. O “vinho artesanal” ou “orgânico” é menos prejudicial ao coração?

    Não. Embora possam ter menos agrotóxicos ou conservantes, o componente que causa dano ao coração e aos vasos sanguíneos é o etanol, que é exatamente o mesmo em vinhos caros, baratos, orgânicos ou industriais.

    7. Beber muita água enquanto bebe álcool protege o coração?

    A água ajuda a evitar a desidratação e a ressaca (dor de cabeça), mas não protege o coração ou o fígado dos efeitos tóxicos do etanol. O dano celular ocorre independentemente do nível de hidratação.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Calor intenso afeta o coração? Cardiologista explica

    Calor intenso afeta o coração? Cardiologista explica

    Sabia que, com o aumento das temperaturas, o corpo humano precisa se adaptar para manter a temperatura interna estável?

    Nos dias mais quentes, o sistema cardiovascular trabalha dobrado: o coração acelera, os vasos se dilatam e o organismo perde mais líquido por meio do suor. É um processo natural, mas que pode ser desafiador para pessoas que convivem com problemas cardiovasculares.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o que acontece no corpo durante os dias de calor intenso, quem corre mais riscos e quais cuidados podem ajudar.

    O que acontece com o coração durante o calor intenso?

    Quando o corpo é exposto a altas temperaturas, ocorre uma série de reações fisiológicas automáticas. Primeiro, o organismo precisa manter a temperatura corporal em torno de 36 °C a 37 °C, o que é chamado de homeostase térmica. Para isso, o coração e os vasos sanguíneos trabalham em conjunto para dissipar o calor.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, no calor acontece um processo conhecido como vasodilatação, em que ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos para que o sangue circule mais próximo da superfície e das extremidades, promovendo a dissipação do calor. O processo acaba provocando uma queda da pressão arterial e faz com que o sangue fique distribuído de forma diferente no organismo — mais concentrado nas extremidades.

    Para manter um fluxo adequado para os órgãos vitais, o coração aumenta a frequência dos batimentos e o bombeamento de sangue, levando a um quadro de taquicardia.

    Para complementar, os dias quentes também causam uma perda excessiva de líquidos pela transpiração, normalmente acompanhada de perda de eletrólitos, como sódio e potássio. Isso também pode afetar o equilíbrio elétrico do coração e modificar o ritmo cardíaco, favorecendo o surgimento de arritmias.

    O calor intenso afeta mais quem tem condições de saúde?

    Pessoas com doenças do coração, pressão alta, diabetes e obesidade, por exemplo, são mais afetadas pelo calor extremo porque o organismo delas tem menos capacidade de se adaptar rapidamente às variações de temperatura.

    Nesses grupos, o coração já trabalha sob maior demanda e, diante do calor extremo, precisa se esforçar ainda mais para manter o equilíbrio térmico do corpo. A vasodilatação e a perda de líquidos intensificam esse esforço, o que pode causar queda de pressão, aceleração dos batimentos e sobrecarga circulatória.

    Em quadros mais graves, o esforço adicional pode desencadear crises hipertensivas, arritmias ou descompensação cardíaca, principalmente quando há falhas na reposição de líquidos e sais minerais. A desidratação também torna o sangue mais viscoso, o que eleva o risco de formação de coágulos, infarto e AVC, de acordo com Juliana.

    Além disso, idosos, gestantes e crianças pequenas precisam de atenção redobrada. O sistema de regulação térmica nessas faixas etárias é menos eficiente, e a perda de líquidos ocorre mais rapidamente — o que pode causar queda de pressão, tontura, desmaios, câimbras e exaustão pelo calor.

    O calor pode ser perigoso para a saúde?

    O calor pode ser perigoso sobretudo quando as temperaturas ultrapassam 35 °C e o corpo não consegue se resfriar adequadamente. Em situações de calor extremo, o organismo perde água e sais minerais rapidamente pelo suor, o que pode causar desidratação, queda de pressão, tontura, desmaio e até colapso circulatório. Além disso, o sangue se torna mais espesso e o coração precisa se esforçar para manter a oxigenação adequada dos tecidos.

    Para o coração, o risco é ainda maior, pois o calor obriga o sistema cardiovascular a trabalhar mais: os vasos se dilatam, a pressão arterial cai e o coração precisa bater mais rápido para compensar a perda de volume sanguíneo e manter o fluxo para os órgãos vitais.

    Em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes ou colesterol alto, o esforço extra pode levar a arritmias, infarto ou agravamento de doenças pré-existentes.

    O calor intenso também pode provocar exaustão térmica e insolação, condições que afetam o sistema nervoso e comprometem o funcionamento de órgãos como o coração, rins e cérebro. Nesses casos, é fundamental interromper atividades, buscar sombra, hidratar-se imediatamente e, se houver piora dos sintomas, procurar atendimento médico.

    Sintomas de sobrecarga do coração durante o calor

    Os sinais de que o coração está sendo afetado pelo calor podem variar conforme a pessoa e a intensidade da exposição, mas os mais comuns incluem:

    • Tontura e fraqueza;
    • Batimentos acelerados (taquicardia);
    • Falta de ar;
    • Dor ou pressão no peito;
    • Suor excessivo seguido de pele fria;
    • Náuseas.

    Em casos mais graves, Juliana aponta que podem surgir câimbras devido à perda de água e eletrólitos pelo suor, além de confusão mental, desorientação e desmaios.

    Como se proteger do calor e evitar problemas cardíacos?

    No dia a dia, algumas medidas podem ajudar a diminuir o impacto do calor no organismo:

    • Beba água com frequência, mesmo sem sede;
    • Evite exposição direta ao sol entre 10h e 16h;
    • Use roupas leves, claras e confortáveis, de preferência de algodão;
    • Prefira locais arejados ou com ventilação natural;
    • Reduza o consumo de álcool e cafeína, que aumentam a desidratação;
    • Diminua o sal nas refeições, para evitar retenção de líquidos e pressão alta;
    • Alimente-se com comidas leves, ricas em frutas, verduras e legumes;
    • Não suspenda medicamentos cardíacos sem orientação médica;
    • Evite atividades físicas sob sol forte e pratique exercícios apenas em horários mais frescos;
    • Monitore a pressão arterial e procure ajuda médica se notar alterações.

    Em alguns casos, Juliana explica que pode ser necessário ajustar as doses de medicamentos anti-hipertensivos, especialmente os diuréticos, pois o calor provoca vasodilatação e aumento da perda de líquidos, o que reduz os níveis de pressão arterial. No entanto, qualquer ajuste deve ser feito exclusivamente por um médico.

    Leia mais: Coração e calor: cuidados em dias muito quentes

    Perguntas frequentes

    O calor pode provocar aumento da pressão arterial?

    Sim, o calor pode alterar a pressão arterial de diferentes maneiras, dependendo do estado de saúde da pessoa. Em indivíduos saudáveis, o mais comum é a pressão cair devido à dilatação dos vasos.

    No entanto, em pessoas hipertensas, o calor pode provocar oscilações perigosas, elevando ou reduzindo a pressão de forma brusca. Isso acontece porque o corpo tenta equilibrar a temperatura, mas o esforço cardiovascular e a perda de líquidos interferem diretamente na regulação da pressão.

    Em situações extremas, as variações podem causar sintomas como dor de cabeça, tontura, palpitações e, em casos graves, acidentes vasculares cerebrais (AVC). Por isso, é importante manter o controle rigoroso da pressão e reforçar a hidratação durante os períodos de calor intenso.

    O calor pode causar infarto?

    Pode acontecer. Em ondas de calor prolongadas, há um aumento significativo nas internações por infarto e outras doenças cardíacas, porque o calor intenso acelera o metabolismo e obriga o coração a trabalhar mais, ao mesmo tempo em que o sangue se torna mais espesso devido à perda de líquidos.

    A combinação favorece a formação de coágulos e dificulta o fluxo de sangue para as artérias coronárias, que nutrem o músculo cardíaco. Para completar, a perda de eletrólitos interfere na condução elétrica do coração, aumentando o risco de arritmias.

    Pessoas com histórico de infarto ou doenças coronarianas devem evitar esforços sob o sol forte e manter hidratação constante.

    O calor é perigoso para quem tem diabetes?

    O calor representa um risco maior para pessoas com diabetes, pois o controle glicêmico pode ser afetado pela desidratação e pela dilatação dos vasos. Os nervos e vasos sanguíneos, já comprometidos pela doença, também têm menor capacidade de responder às mudanças de temperatura.

    Em dias quentes, é fundamental monitorar os níveis de glicemia com mais frequência, manter hidratação constante e evitar longos períodos de exposição ao sol. O calor também pode favorecer o surgimento de infecções cutâneas e feridas nos pés, especialmente em pacientes com neuropatia diabética.

    O que é exaustão pelo calor e como ela afeta o organismo?

    A exaustão pelo calor é um quadro de sobrecarga térmica em que o corpo perde grande quantidade de líquidos e sais minerais, prejudicando a circulação sanguínea e o funcionamento dos órgãos. Os principais sintomas são fraqueza, tontura, suor excessivo, náusea, dor de cabeça e batimentos acelerados.

    Quando não tratada, ela pode evoluir para insolação, situação muito mais grave que pode causar falência de órgãos e parada cardíaca. O tratamento imediato consiste em interromper a exposição ao calor, buscar um local ventilado, deitar com as pernas elevadas, ingerir líquidos e procurar assistência médica.

    O que devo fazer se alguém passar mal por causa do calor?

    O primeiro passo é levar a pessoa para um local fresco e ventilado, de preferência com sombra ou ar-condicionado. Afrouxe as roupas, deite-a com as pernas elevadas e ofereça água ou soluções de reidratação oral, se ela estiver consciente. Também é possível aplicar compressas frias na testa, axilas e virilhas para ajudar a reduzir a temperatura corporal.

    Se a pessoa apresentar desmaio, confusão mental, respiração irregular ou batimentos muito rápidos, procure atendimento médico imediatamente, pois pode se tratar de insolação ou colapso circulatório.

    Tomar banho frio ajuda a aliviar os efeitos do calor?

    Sim, desde que feito com cuidado. O banho frio reduz temporariamente a temperatura corporal e melhora a circulação superficial, aliviando o desconforto térmico. No entanto, quedas bruscas de temperatura podem causar contração dos vasos sanguíneos e aumento repentino da pressão arterial, especialmente em idosos e hipertensos.

    O ideal é usar água morna ou levemente fria, evitando choques térmicos. O banho também não substitui a hidratação interna, portanto, é indispensável continuar bebendo água regularmente ao longo do dia.

    Veja mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

  • Álcool e tadalafila no Carnaval: por que o coração entra em risco

    Álcool e tadalafila no Carnaval: por que o coração entra em risco

    Nos últimos anos, a tadalafila deixou de ser apenas um medicamento prescrito para disfunção erétil e passou a circular com frequência em festas. No Carnaval, esse uso se intensifica, na maioria das vezes sem orientação médica e associado ao consumo de álcool, calor intenso e longas horas de esforço físico.

    O problema é que o corpo não desliga os mecanismos de segurança só porque é festa. A combinação entre tadalafila, álcool e desidratação pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e provocar efeitos que vão de tontura e desmaios a alterações mais preocupantes do ritmo cardíaco.

    O que é a tadalafila e como ela age no organismo?

    A tadalafila é um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5). A principal ação do medicamento é promover vasodilatação, ou seja, o relaxamento dos vasos sanguíneos, especialmente nos corpos cavernosos do pênis, o que facilita a ereção.

    Essa vasodilatação, porém, não fica restrita apenas ao local desejado. Ela também pode ocorrer em outros territórios do corpo, influenciando a pressão arterial e a dinâmica do fluxo sanguíneo.

    Por que a tadalafila pode ser arriscada no Carnaval?

    Queda da pressão arterial (hipotensão)

    A tadalafila reduz a pressão arterial. Quando associada ao álcool, ao calor intenso e à desidratação, o risco de uma queda importante de pressão aumenta.

    Isso pode provocar:

    • Tontura;
    • Visão turva;
    • Fraqueza;
    • Desmaios.

    Palpitações e mal-estar cardiovascular

    A queda abrupta da pressão pode levar o coração a tentar compensar o problema, acelerando os batimentos. Algumas pessoas relatam:

    • Palpitações;
    • Sensação de coração disparado;
    • Ansiedade súbita.

    Em ambientes quentes e com esforço físico prolongado, esses sintomas tendem a se intensificar.

    Tadalafila com álcool: por que essa combinação preocupa?

    O álcool:

    • Aumenta a perda de líquidos;
    • Interfere na regulação da pressão;
    • Potencializa efeitos colaterais de medicamentos.

    A associação com tadalafila pode resultar em queda intensa da pressão arterial, especialmente em pessoas que já têm tendência à pressão baixa ou que consomem grandes quantidades de bebida alcoólica.

    O risco não depende apenas da dose do medicamento, mas do contexto em que ele é usado.

    Quem deve ter cuidado redobrado?

    • Pessoas com doenças cardiovasculares;
    • Quem tem histórico de pressão baixa;
    • Fumantes;
    • Quem usa nitratos ou medicamentos para pressão arterial;
    • Pessoas desidratadas ou sob calor extremo.

    A combinação de tadalafila com nitratos é contraindicada e pode causar queda grave da pressão. A tadalafila só deve ser usada com prescrição médica.

    Outros efeitos adversos possíveis

    Além das repercussões cardiovasculares, a tadalafila pode causar:

    • Dor de cabeça intensa;
    • Rubor facial;
    • Tontura;
    • Náusea e desconforto gastrointestinal;
    • Dor muscular;
    • Congestão nasal.

    Em alguns casos, pode causar:

    • Priapismo, que é uma ereção prolongada e dolorosa por mais de 4 horas;
    • Alterações visuais associadas a problemas vasculares do nervo óptico.

    Uso recreativo de medicamentos: um alerta importante

    A tadalafila não é o único exemplo de medicamento usado de forma recreativa. Outras substâncias também podem causar interações perigosas, sobretudo quando combinadas com álcool.

    O maior risco do uso de remédios com intuito recreativo está justamente nas interações, que afetam o sistema cardiovascular e o sistema nervoso central de forma imprevisível.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Dor no peito;
    • Palpitações persistentes;
    • Fraqueza intensa;
    • Ereção dolorosa prolongada.

    Esses sinais não devem ser ignorados, mesmo que a pessoa seja jovem e aparentemente saudável.

    Como reduzir riscos no Carnaval?

    • Evite o uso recreativo de medicamentos;
    • Não misture tadalafila com álcool;
    • Hidrate-se adequadamente;
    • Respeite pausas e sinais do corpo;
    • Em caso de uso contínuo de medicamentos, converse com seu médico antes da folia.

    Leia também: Exames urológicos após os 40 anos: quais o homem deve fazer?

    Perguntas frequentes sobre tadalafila no Carnaval

    1. Tadalafila é segura para qualquer pessoa?

    Não. Existem contraindicações importantes, especialmente cardiovasculares.

    2. Beber pouco álcool já é um risco?

    Pode ser, dependendo da sensibilidade individual e do contexto.

    3. Jovens saudáveis podem ter problema?

    Sim. Calor, álcool e desidratação aumentam o risco mesmo em jovens.

    4. Dá para usar tadalafila só ocasionalmente?

    Qualquer uso deve ter orientação médica.

    5. Tadalafila causa dependência?

    Não química, mas pode gerar uso psicológico inadequado.

    6. Palpitação após usar tadalafila é normal?

    Não deve ser considerada normal e merece atenção.

    7. Dá para confundir os sintomas com ansiedade ou calor?

    Sim, e isso pode atrasar a busca por ajuda.

    Veja mais: PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV

  • Por que o envelhecimento acelera o endurecimento das artérias? Cardiologista explica

    Por que o envelhecimento acelera o endurecimento das artérias? Cardiologista explica

    O sistema cardiovascular é naturalmente afetado pelas mudanças que acompanham o envelhecimento — inclusive as artérias. Com o passar dos anos, elas tendem a perder elasticidade e se tornar mais rígidas, processo que pode dificultar a circulação do sangue e aumentar o risco de problemas cardíacos.

    A rigidez, apesar de esperada com o avanço da idade, não acontece da mesma forma para todas as pessoas. O ritmo do processo depende de diversos fatores, como hábitos de vida, presença de doenças crônicas e cuidados com a saúde ao longo dos anos.

    O que acontece com as artérias durante o envelhecimento?

    Com o avanço da idade, as artérias passam por mudanças naturais na estrutura e no funcionamento. Segundo a cardiologista Juliana Soares, uma das principais alterações envolve a perda gradual da elasticidade, característica importante para que os vasos consigam se expandir e se contrair conforme o sangue circula pelo corpo.

    Parte do processo acontece porque a elastina, proteína responsável pela flexibilidade das artérias, diminui ao longo dos anos e acaba sendo substituída por colágeno, que apresenta maior rigidez.

    Além disso, Juliana aponta que pode haver depósito de cálcio nas paredes arteriais, fenômeno conhecido como arteriosclerose, que contribui para o endurecimento dos vasos.

    Com isso, as artérias ficam menos capazes de absorver a pressão do sangue que sai do coração. Isso pode aumentar a pressão arterial e elevar o risco de problemas cardiovasculares, principalmente quando existem fatores como colesterol alto, diabetes, tabagismo e sedentarismo.

    É possível evitar o endurecimento das artérias?

    Um certo grau de enrijecimento das artérias acontece naturalmente com o avanço da idade. Contudo, o processo pode ser mais lento quando existe cuidado com a saúde desde cedo, segundo Juliana. O controle dos fatores de risco faz diferença importante para preservar a flexibilidade dos vasos ao longo do tempo.

    Afinal, quais fatores aceleram o envelhecimento vascular?

    A maioria dos fatores que podem acelerar o envelhecimento das artérias e favorecer o endurecimento dos vasos sanguíneos está associada ao estilo de vida e a condições de saúde que, quando não controladas, aumentam o desgaste do sistema cardiovascular ao longo do tempo.

    Entre eles, Juliana aponta:

    Inflamação crônica

    A inflamação agride a parede dos vasos sanguíneos, facilita o acúmulo de cálcio e a formação de placas, contribuindo para o endurecimento arterial. Normalmente, ela está associada ao sedentarismo e à obesidade, que favorecem processos inflamatórios persistentes no organismo.

    Colesterol elevado (especialmente LDL)

    O colesterol ruim, o LDL, pode se depositar na parede das artérias ao longo do tempo. O acúmulo favorece a formação de placas de gordura, que reduzem a elasticidade dos vasos e dificultam a passagem do sangue.

    Com a progressão desse processo, aumenta o risco de endurecimento arterial e de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Pressão arterial alta

    A hipertensão provoca desgaste constante nas paredes das artérias, já que os vasos precisam suportar a passagem do sangue sob pressão mais elevada. Com o tempo, elas tendem a se tornar mais espessas e rígidas como forma de adaptação, o que reduz a capacidade de dilatação e compromete a circulação.

    Ciclo de aumento da pressão arterial

    Quando as artérias ficam mais rígidas, a circulação do sangue se torna mais difícil, o que faz com que o coração precise bombear com mais força para manter o fluxo adequado, elevando ainda mais a pressão arterial. Logo, se forma um ciclo em que a rigidez aumenta a pressão, e a pressão elevada acelera o envelhecimento das artérias.

    Diabetes

    Os níveis elevados de glicose no sangue podem danificar as paredes dos vasos sanguíneos e favorecer processos inflamatórios. Ao longo do tempo, isso contribui para o endurecimento arterial, reduz a elasticidade dos vasos e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

    Como o cardiologista avalia o envelhecimento das artérias?

    A avaliação do envelhecimento vascular começa com a análise clínica, que inclui histórico de saúde, hábitos de vida, presença de doenças crônicas, exame físico, medida da pressão arterial e exames de sangue para verificar colesterol, glicemia e outros indicadores importantes.

    Segundo Juliana, alguns exames específicos ajudam a avaliar a saúde das artérias com mais precisão:

    • Ultrassom das artérias carótidas: identifica espessamento das paredes dos vasos, sinal de envelhecimento vascular;
    • Velocidade da onda de pulso: exame que mede o grau de rigidez das artérias;
    • Escore de cálcio coronariano (tomografia): detecta calcificação nas artérias do coração, indicador de risco cardiovascular.

    Em geral, quanto maior a rigidez ou o nível de calcificação, maior tende a ser o comprometimento da saúde vascular.

    O que pode ajudar a proteger as artérias?

    Pequenas mudanças no estilo de vida ajudam a preservar a saúde das artérias e a reduzir o risco de endurecimento precoce dos vasos sanguíneos, como:

    • Alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas ajuda a controlar colesterol e inflamação;
    • Atividade física regular: exercícios melhoram a circulação, ajudam no controle da pressão e mantêm as artérias mais flexíveis;
    • Controle da pressão, colesterol e glicemia: acompanhamento médico regular reduz o risco de danos vasculares;
    • Evitar o tabagismo: o cigarro agride diretamente os vasos sanguíneos e acelera o envelhecimento vascular;
    • Peso corporal adequado: excesso de peso favorece inflamação e sobrecarga do sistema cardiovascular;
    • Sono de qualidade e menos estresse: descanso adequado ajuda na regulação hormonal e na saúde dos vasos.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre arteriosclerose e aterosclerose?

    A arteriosclerose é o endurecimento genérico das artérias pelo envelhecimento. A aterosclerose é um tipo específico onde há o acúmulo de placas de gordura e inflamação dentro dos vasos.

    2. Como o sedentarismo acelera esse processo?

    A falta de exercício reduz a produção de óxido nítrico, uma molécula que ajuda as artérias a relaxarem. Sem esse “estímulo de elasticidade”, o endurecimento progride mais rápido.

    3. Quais são os riscos de ter artérias endurecidas?

    O principal risco é a sobrecarga do coração, que precisa fazer mais força para bombear o sangue, podendo levar à insuficiência cardíaca, além de aumentar as chances de AVC e demência vascular.

    4. Qual a relação entre o endurecimento das artérias e os rins?

    Os rins são órgãos altamente vascularizados e sensíveis à pressão. Quando as grandes artérias endurecem, elas não conseguem amortecer a pressão do pulso cardíaco, que atinge os pequenos vasos renais com força excessiva, podendo causar insuficiência renal.

    5. A genética determina quão rápido as artérias vão endurecer?

    Segundo estudos, a genética contribui com cerca de 20% a 40% da variação na rigidez arterial. No entanto, a epigenética (como seus hábitos ativam ou desativam esses genes) desempenha um papel muito mais importante no envelhecimento vascular.

    6. Bebidas alcoólicas prejudicam as artérias?

    O consumo excessivo de álcool pode elevar a pressão arterial, alterar o metabolismo das gorduras e favorecer a inflamação. Isso aumenta o risco de envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos.

    7. Mudanças no estilo de vida ainda ajudam depois dos 40 ou 50 anos?

    Sim, nunca é tarde para cuidar da saúde cardiovascular. Um alimentação equilibrada, atividade física, controle de doenças e abandono do tabagismo continuam trazendo benefícios para as artérias em qualquer fase da vida.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    A raiva é uma das emoções mais comuns do dia a dia, presente em momentos de conflito, frustração e acúmulo de estresse. Na maioria das vezes, ela costuma ser pontual e não causa problemas maiores — mas quando é frequente e intenso, as crises podem desencadear reações físicas importantes no corpo.

    O cérebro e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados pelo sistema nervoso autônomo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, emoções intensas ativam um eixo neuro-hormonal chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de diversos hormônios na corrente sanguínea, como a adrenalina e a noradrenalina.

    Como resultado, elas provocam alterações que podem predispor ao surgimento de uma série de problemas, como arritmias, espasmos das artérias, ruptura de placas de gordura e formação de coágulos.

    Como a raiva afeta o coração?

    As crises de raiva provocam reações no organismo que aumentam a demanda de oxigênio pelo coração e alteram o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Para o corpo, a raiva funciona como uma situação de luta ou fuga, na qual o sistema nervoso libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, preparando o corpo para reagir rapidamente a uma ameaça percebida.

    Por consequência, os batimentos cardíacos se aceleram, aumenta a pressão arterial e os vasos sanguíneos se contraem. Segundo Juliana, o processo dificulta a passagem do sangue, prejudica a capacidade de relaxamento das artérias e pode causar disfunção da parede dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina, em especial, é um hormônio que altera a condução dos impulsos elétricos cardíacos, favorecendo o surgimento de arritmias e podendo provocar espasmo das artérias coronárias.

    Em alguns casos, o excesso de adrenalina pode desencadear a síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia induzida pelo estresse.

    Raiva pode causar um infarto?

    A resposta é sim. Quando os episódios de raiva são frequentes e intensos, o organismo é submetido repetidamente a picos de estresse, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam o risco de infarto e AVC.

    Em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco cardiovascular, o aumento da pressão arterial e dos batimentos do coração pode favorecer o rompimento de placas, a formação de coágulos e a interrupção do fluxo de sangue para o coração.

    Quem corre mais risco?

    O impacto da raiva sobre o coração é maior em pessoas que apresentam:

    • Hipertensão;
    • Placas de gordura nas artérias;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Transtornos de ansiedade ou estresse crônico.

    Segundo Juliana, o aumento da demanda de oxigênio, a elevação da pressão arterial e a maior propensão ao espasmo das artérias durante episódios de raiva podem ter consequências mais graves nessas pessoas.

    Estresse emocional frequente aumenta o risco a longo prazo?

    O estresse emocional crônico funciona como um estado inflamatório persistente no organismo, segundo Juliana. Esse processo inflamatório de baixo grau favorece a formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.

    Além disso, o estresse crônico eleva os níveis basais de cortisol, o que provoca alterações metabólicas importantes, como:

    • Resistência à insulina;
    • Manutenção da pressão arterial em níveis elevados;
    • Aumento do acúmulo de gordura visceral.

    Os fatores, em conjunto, aumentam o risco cardiovascular e promovem um desgaste contínuo do sistema cardiovascular.

    Como proteger o coração?

    A proteção do coração envolve tanto o controle dos fatores de risco quanto o cuidado com a saúde emocional. Juliana aponta algumas estratégias ajudam a reduzir o impacto do estresse e da raiva sobre o coração:

    • Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia bem controlados;
    • Praticar atividade física regularmente, o que torna o coração mais preparado para lidar com picos de adrenalina;
    • Adotar técnicas de manejo do estresse, como meditação, exercícios de respiração e relaxamento;
    • Buscar acompanhamento psicológico quando há dificuldade em lidar com emoções intensas.

    Em situações específicas, o uso de medicamentos, como betabloqueadores, pode ser indicado para reduzir os efeitos do excesso de adrenalina sobre o coração, sempre com orientação médica.

    Veja também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o período de maior risco após um acesso de fúria?

    De acordo com estudos, o risco de um ataque cardíaco é quase oito vezes maior nas horas seguintes a um episódio de raiva severa.

    2. Por que algumas pessoas sentem dor no peito quando se irritam?

    Isso geralmente ocorre porque a raiva aumenta a demanda de oxigênio do coração. Se as artérias não conseguem suprir essa demanda rapidamente, surge a angina (dor no peito por falta de oxigenação).

    3. Quais são os sinais de que a raiva está afetando meu coração agora?

    Numa crise de raiva, você pode sentir:

    • Palpitações ou batimentos irregulares.
    • Suor frio excessivo.
    • Falta de ar.
    • Pressão ou aperto no peito que irradia para o braço ou mandíbula.

    4. Quando devo procurar um médico?

    Se toda vez que você se irrita, sente tontura, dor de cabeça forte ou desconforto no peito, é hora de fazer um check-up. O cardiologista pode avaliar se sua resposta emocional está sobrecarregando seu sistema.

    5. Como diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto causado por raiva?

    A dor do infarto costuma ser uma pressão opressiva (como um peso) que não muda com a respiração, enquanto na ansiedade a dor costuma ser em pontadas e acompanhada de formigamento nas mãos e rosto. Na dúvida, procure atendimento médico.

    6. Qual é o exame que detecta se o estresse está prejudicando o coração?

    O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) por 24 horas e o Holter são exames normalmente indicados nesses casos. Eles registram como o coração e pressão reagem aos eventos reais do seu dia, incluindo momentos de irritação.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • Por que a ansiedade faz o coração ficar acelerado? Cardiologista explica

    Por que a ansiedade faz o coração ficar acelerado? Cardiologista explica

    Além da taquicardia, uma crise de ansiedade pode vir acompanhada de falta de ar, tremores, tontura e dor no peito.

    O coração acelerado é um dos sintomas mais comuns durante uma crise de ansiedade, normalmente acompanhado de falta de ar, tremores e uma sensação intensa de perigo — mesmo que não exista nenhuma ameaça. Já se perguntou por que isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o que ocorre com o corpo e como controlar os batimentos cardíacos nesses momentos.

    O que acontece no corpo durante uma crise de ansiedade?

    Durante uma crise de ansiedade ou pânico, Juliana explica que ocorre uma reação natural e instintiva do organismo chamada resposta de luta ou fuga. Nesse processo, o sistema nervoso simpático é ativado para preparar o corpo a reagir diante de uma possível ameaça, mesmo quando não há perigo real.

    Ele estimula as glândulas suprarrenais a liberar adrenalina e noradrenalina, hormônios que aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e colocam o corpo em estado máximo de alerta.

    Como resultado, o coração passa a bater mais forte e rápido, os músculos se contraem, a respiração acelera e o fluxo de sangue é direcionado para os músculos, como se o corpo precisasse fugir ou se defender. É uma reação involuntária, controlada pelo sistema nervoso autônomo, sem participação consciente.

    Para pessoas com ansiedade, entretanto, as respostas fisiológicas podem ser intensas e assustadoras, já que surgem de forma repentina e sem causa aparente. As crises costumam durar de alguns minutos a meia hora, mas a sensação é de que o tempo se arrasta.

    Após o episódio, é comum o corpo permanecer cansado, trêmulo e com dificuldade para relaxar, resultado do esforço físico e emocional desencadeado pela descarga de adrenalina.

    Coração acelerado na ansiedade é perigoso?

    Em pessoas com o coração saudável, a taquicardia causada por um episódio de ansiedade não costuma ser perigosa ou causar danos ao coração, pois é uma resposta fisiológica ao estímulo, de acordo com Juliana.

    Contudo, em casos de ansiedade crônica, a cardiologista explica que a liberação repetida de adrenalina e outros hormônios do estresse, com picos frequentes de aceleração cardíaca e aumento da força de contração do coração, pode elevar o risco cardiovascular a longo prazo.

    Isso ocorre porque há maior sobrecarga sobre o sistema circulatório, elevação persistente da pressão arterial e maior propensão ao desenvolvimento de aterosclerose (formação de placas nas artérias).

    Já em pessoas com doença cardíaca pré-existente, episódios de taquicardia podem ser mais perigosos, pois aumentam o esforço do coração e podem favorecer complicações graves, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC).

    Quais outros sintomas aparecem numa crise de ansiedade?

    Durante uma crise de ansiedade, além da taquicardia, podem surgir diversos sintomas físicos, que variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns são:

    • Respiração curta ou ofegante;
    • Tremores nas mãos e pernas;
    • Suor excessivo;
    • Sensação de desmaio ou tontura;
    • Aperto no peito;
    • Náusea ou desconforto abdominal;
    • Sensação de formigamento nas extremidades;
    • Calafrios ou ondas de calor.

    Os sinais não indicam necessariamente um problema no corpo, mas mostram que o organismo está reagindo à estimulação excessiva do sistema nervoso.

    Como diferenciar taquicardia por ansiedade de problema cardíaco?

    O primeiro passo é avaliar o contexto em que a dor surgiu e os sintomas associados. Entenda a comparação a seguir:

    Aspecto avaliado Ansiedade Origem cardíaca
    Como e quando surge Aparece após gatilhos emocionais, como estresse ou preocupação intensa Surge de forma súbita, mesmo em repouso
    Duração Minutos, melhora com repouso e respiração controlada Mais prolongada, piora com esforço
    Tipo de dor Difusa, pontadas ou desconforto superficial Opressiva, profunda, no centro do peito
    Sintomas associados Tremores, falta de ar, sensação de perigo Suor frio, palidez, náusea intensa, irradiação da dor

    O que fazer quando o coração dispara por ansiedade?

    Quando a ansiedade faz o coração disparar, é preciso ativar o sistema nervoso parassimpático, que atua como um freio natural do organismo. Algumas medidas ajudam:

    • Respiração profunda e lenta;
    • Manobras vagais, como a manobra de Valsalva;
    • Compressas frias no rosto ou nuca;
    • Sentar ou deitar em local calmo;
    • Uso de ansiolíticos apenas com orientação médica.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure um profissional de saúde quando:

    • For a primeira crise com dor no peito ou falta de ar;
    • A dor surgir de forma intensa ou sem motivo;
    • Houver histórico familiar de doença cardíaca;
    • Ocorrerem desmaios, suor frio ou palpitações irregulares;
    • Os sintomas persistirem mesmo em repouso.

    Mesmo quando a causa é emocional, o acompanhamento médico e psicológico é fundamental para reduzir crises futuras e melhorar a qualidade de vida.

    Veja também: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Perguntas frequentes

    O coração acelerado pode causar algum dano físico?

    Em pessoas saudáveis, não costuma causar danos permanentes. Porém, quem tem doença cardíaca deve ser avaliado.

    Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

    Geralmente de 10 a 30 minutos, com sensação de cansaço após o episódio.

    O que é a manobra de Valsalva?

    É uma técnica de respiração que estimula o nervo vago e ajuda a desacelerar os batimentos.

    Existe diferença entre ansiedade e ataque de pânico?

    Sim. A ansiedade é contínua; o pânico é súbito, intenso e pode ocorrer sem gatilho aparente.

    O sedentarismo pode aumentar as crises?

    Sim. A atividade física ajuda a regular hormônios e reduzir a frequência das crises.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Estresse, privação de sono e até o consumo exagerado daquele cafézinho são fatores que podem causar oscilações na pressão arterial, tanto em pessoas saudáveis quanto em quem convive com hipertensão.

    Mas, apesar de comum em algumas situações cotidianas, variações muito acentuadas ou frequentes merecem atenção, pois podem indicar que o organismo está reagindo de forma exagerada a estímulos que deveriam provocar apenas alterações leves.

    Quando a pressão sobe demais, cai rápido ou oscila sem motivo aparente, torna-se importante investigar a causa e avaliar se há risco de complicações cardiovasculares. Vamos entender, com a orientação de uma cardiologista, por que isso acontece e quando procurar ajuda médica.

    Afinal, o que significa uma pressão arterial oscilante?

    Uma pressão arterial oscilante significa que os números da pressão sobem e descem mais do que o esperado ao longo do dia. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é importante entender que a variação da pressão ao longo do dia é um mecanismo natural de adaptação do organismo. A pressão sofre influência do ritmo circadiano, o relógio biológico que funciona em ciclos de 24 horas.

    Durante o dia, ela tende a aumentar para garantir que o sangue chegue adequadamente aos órgãos diante de uma maior demanda de atividade. À noite, durante o sono, a pressão diminui de forma natural para permitir o ajuste do sistema cardiovascular.

    Quando, porém, as mudanças deixam de seguir um padrão previsível e começam a ocorrer de forma intensa, repetida ou sem relação com esforço, sono ou emoções, pode indicar que o sistema cardiovascular está reagindo de maneira exagerada a estímulos simples ou até perdendo a capacidade de manter a estabilidade da pressão.

    O que pode causar oscilação na pressão arterial?

    As oscilações da pressão arterial acontecem porque o organismo responde a diferentes estímulos ao longo do dia, segundo Juliana. Entre os principais fatores que podem provocar as variações, é possível destacar:

    • Atividade física, que aumenta a demanda de sangue para os músculos e eleva a pressão;
    • Estresse e emoções intensas, que liberam adrenalina e cortisol e contraem os vasos sanguíneos;
    • Consumo excessivo de cafeína, que estimula o sistema cardiovascular;
    • Alimentação rica em sal, que favorece a retenção de líquidos e aumenta a pressão;
    • Sono, período no qual a pressão naturalmente cai devido ao repouso do organismo;
    • Refeições muito volumosas, que direcionam maior fluxo sanguíneo para a digestão e podem causar leve queda da pressão.

    Além dos fatores naturais do dia a dia, algumas condições de saúde e situações específicas podem provocar oscilações que não fazem parte do funcionamento normal do organismo e devem ser investigadas:

    • Pressão alta mal controlada;
    • Apneia do sono;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Doenças renais;
    • Arritmias cardíacas;
    • Anemia;
    • Uso de medicamentos como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Pessoas com hipertensão em tratamento podem apresentar oscilações perigosas mesmo com valores aparentemente controlados, o que pode indicar necessidade de ajuste terapêutico ou investigação de causas associadas.

    Até que ponto a variação é normal?

    A variação é considerada normal quando acompanha o ritmo fisiológico do corpo. Porém, merece atenção quando:

    • Ultrapassa cerca de 10% a 20% para cima ou para baixo;
    • Ocorre sem motivo aparente;
    • Acontece repetidamente ao longo do dia;
    • Surge mesmo em repouso;
    • Não reduz durante o sono;
    • Vem acompanhada de sintomas como tontura, palpitações ou dor de cabeça.

    Oscilação na pressão arterial é perigosa?

    Sim, especialmente quando os valores sobem e descem de forma exagerada ou imprevisível. Nessas situações, o risco de complicações aumenta, incluindo:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Arritmias;
    • Tonturas e desmaios;
    • Quedas e traumatismos;
    • Agravamento da hipertensão;
    • Piora de doenças renais e cardíacas.

    Como aferir a pressão arterial em casa?

    O monitoramento deve ser feito com aparelhos de braço. Para uma medição correta:

    • Descanse por 5 minutos antes da medição;
    • Sente-se com costas apoiadas e pés no chão;
    • Mantenha o braço apoiado na altura do coração;
    • Evite café, cigarro e exercício 30 minutos antes;
    • Faça três medições, descartando a primeira;
    • Registre a média das duas últimas.

    O ideal é medir pela manhã e à noite, por sete dias seguidos, anotando os valores para avaliação médica.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure atendimento se houver:

    • Pressão acima de 180/120 mmHg;
    • Quedas bruscas com tontura ou desmaio;
    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Dor de cabeça súbita e intensa;
    • Alterações neurológicas;
    • Oscilações frequentes mesmo em repouso;
    • Mal-estar persistente.

    Como é feito o acompanhamento em casos de pressão oscilante?

    A avaliação pode incluir exames como:

    • MAPA, que registra a pressão por 24 horas;
    • MRPA, feita em casa, seguindo técnica padronizada.

    Com base nos resultados, o médico pode ajustar hábitos de vida, alimentação, atividade física e medicação, além de investigar causas associadas como apneia do sono e distúrbios hormonais.

    Veja também: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes

    Quais os principais sintomas de pressão oscilante?

    Tontura, dor de cabeça, palpitações, visão turva, fraqueza e mal-estar geral são comuns, embora nem sempre haja sintomas.

    Qual é o valor considerado normal de pressão arterial?

    A pressão normal é abaixo de 120/80 mmHg. Valores acima de 140/90 mmHg sugerem hipertensão e abaixo de 90/60 mmHg podem indicar hipotensão.

    Por que o aparelho de pulso não é recomendado?

    Porque é mais sensível à posição e ao movimento, aumentando o risco de erro. O aparelho de braço é mais confiável.

    Em qual braço devo medir a pressão?

    Inicialmente nos dois braços. Depois, utilize sempre o braço com maior valor.

    O estresse pode causar picos de pressão?

    Sim. Hormônios do estresse contraem os vasos e elevam a pressão, especialmente em pessoas sensíveis.

    Pressão oscilante pode ser temporária?

    Sim. Pode ocorrer em situações pontuais, mas oscilações persistentes devem ser investigadas.

    Leia mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Quem trabalha sentado sabe que as horas parecem passar sem que se perceba. Reuniões, prazos, concentração total: quando você percebe, já está há duas ou três horas na mesma posição. O problema é que esse hábito, comum no escritório e no home office, tem um impacto na circulação e no coração, e isso independe da idade ou do peso.

    A boa notícia é que mudar esse cenário não requer equipamentos sofisticados, longas sessões de ginástica ou interrupções demoradas. Micropausas de apenas 1 a 3 minutos, feitas ao longo do expediente, são suficientes para ativar o corpo, melhorar a energia e reduzir riscos cardíacos.

    O que são micropausas e por que elas protegem o coração

    Micropausas são pequenas interrupções de movimento ao longo do dia, geralmente entre 1 e 3 minutos, feitas a cada 30 a 60 minutos sentado. Elas não substituem a prática de exercícios, mas funcionam como uma forma de “reset” circulatório.

    Permanecer sentado por longos períodos:

    • Reduz o retorno venoso e favorece o inchaço nas pernas;
    • Diminui o gasto energético e desacelera o metabolismo;
    • Piora o controle da glicose;
    • Facilita o acúmulo de gordura abdominal;
    • Aumenta o risco de pressão alta e alterações no colesterol.

    Esses fatores, somados, aumentam a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, mesmo em pessoas que fazem atividade física fora do expediente.

    As micropausas, por sua vez, reativam a circulação, estimulam a musculatura e diminuem a sobrecarga do coração.

    Por que ficar muito tempo sentado faz tanto mal?

    Estudos mostram que o corpo humano não foi feito para longos períodos de inatividade. Mais de seis horas sentado por dia já está associado a maior risco de:

    • Pressão alta;
    • Obesidade;
    • Diabetes tipo 2;
    • Doença arterial coronariana;
    • Arritmias;
    • Complicações cardiovasculares graves.

    O que piora esse quadro é a imobilidade contínua. Não é apenas ficar sentado: é ficar sentado sem se mexer.

    As micropausas quebram esse ciclo de maneira simples e eficiente.

    Como fazer micropausas no seu dia de trabalho

    Aqui estão formas rápidas e práticas de colocar o corpo em movimento:

    1. Levante-se e caminhe por 1 minuto: pode ser até no próprio cômodo. O objetivo é ativar a circulação.
    2. Ative as panturrilhas: fique na ponta dos pés 10 a 15 vezes. Isso estimula o retorno venoso.
    3. Alongue o pescoço, ombros e peito: são movimentos fáceis que reduzem tensão acumulada.
    4. Sente e levante da cadeira 10 vezes: esse movimento ativa glúteos e coxas, que são músculos grandes e potentes.
    5. Suba 1 ou 2 lances de escada: é um dos exercícios mais completos e intensifica a circulação rapidamente.
    6. Caminhe até o filtro de água ou banheiro: mudanças de ambiente estimulam o corpo e o cérebro.

    Com que frequência devo fazer as micropausas?

    As recomendações são:

    • A cada 30 a 60 minutos sentado, faça uma pausa rápida;
    • 1 a 3 minutos já são suficientes para melhorar circulação e energia;
    • Use alertas do celular ou smartwatch para lembrar.

    Essas pequenas interrupções, somadas, têm impacto direto no controle da pressão, no metabolismo e na saúde cardíaca.

    Micropausas substituem o exercício físico?

    Não. Elas complementam, mas não substituem a atividade física recomendada:

    • 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados;
    • Ou 75 a 150 minutos de atividades intensas;
    • Mais fortalecimento muscular 2 vezes por semana.

    Quem trabalha sentado deve manter esse plano e, além disso, adicionar micropausas para evitar longos períodos de imobilidade. Como o exercício físico costuma ser feito em apenas um momento do dia, é importante ter essas micropausas para manter o corpo em movimento ao longo do dia.

    Benefícios comprovados das micropausas

    As pausas curtas ajudam a:

    • Melhorar a circulação sanguínea;
    • Reduzir a glicemia;
    • Controlar a pressão arterial;
    • Diminuir a fadiga;
    • Melhorar o humor e a produtividade;
    • Prevenir inchaço nas pernas;
    • Reduzir dores lombares e cervicais;
    • Prevenir ganho de peso.

    São benefícios rápidos, acumulativos e de baixo esforço.

    Sinais de que você está ficando tempo demais sentado

    Mesmo sem perceber, o corpo dá sinais de alerta:

    • Pés e pernas inchados;
    • Muito cansaço;
    • Dor nas costas, ombros ou pescoço;
    • Formigamento nas pernas;
    • Dificuldade para dormir;
    • Irritabilidade e ansiedade;
    • Ganho de peso rápido.

    Se houver sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações ou inchaço persistente, é importante buscar avaliação médica imediata.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre micropausas e sedentarismo

    1. Micropausas realmente fazem diferença?

    Sim. Estudos mostram que pausas de 1 a 3 minutos já ajudam a controlar pressão, glicemia e circulação.

    2. Preciso levantar de hora em hora?

    Idealmente, a cada 30 a 60 minutos. Mas qualquer pausa já é melhor do que nenhuma.

    3. Trabalhar em pé resolve?

    Trabalhar em pé ajuda, mas não substitui a movimentação. O ideal é alternar posições e se movimentar regularmente.

    4. Micropausas substituem academia?

    Não. Elas evitam os danos da imobilidade, mas não substituem atividade física planejada.

    5. Quem trabalha em home office precisa ainda mais de micropausas?

    Sim. Em casa, é comum permanecer mais tempo sentado sem perceber.

    6. Existe uma pausa ideal?

    A recomendação é de 1 a 3 minutos de movimento a cada 30–60 minutos sentado.

    7. Micropausas ajudam no humor e na produtividade?

    Sim. Elas aumentam a oxigenação do cérebro e reduzem o cansaço mental.

    Veja também: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • GLP-1: como Ozempic e Mounjaro atuam no sono, na glicose e na saúde do coração

    GLP-1: como Ozempic e Mounjaro atuam no sono, na glicose e na saúde do coração

    Os medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ganharam popularidade nos últimos anos devido ao seu efeito no emagrecimento — só que esse não é o único aspecto positivo dos injetáveis na saúde.

    Na prática, quando aliados a hábitos saudáveis de vida, eles podem contribuir para uma melhora na qualidade do sono, ajudar no controle do açúcar no sangue e reduzir a sobrecarga sobre o coração, criando um efeito positivo em cadeia no funcionamento do organismo.

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender de forma simples como o GLP-1 atua nessa conexão entre sono, glicose e saúde do coração e por que o equilíbrio faz tanta diferença no dia a dia. Confira!

    Qual a relação entre a qualidade do sono, glicemia e saúde cardiovascular?

    O sono, a glicemia e a saúde do coração estão diretamente ligados, de modo que, quando uma das áreas não vai bem, as outras acabam sendo afetadas, conforme explica Juliana.

    Por exemplo, após uma noite de sono ruim ou mal dormida, o organismo entende essa situação como um estado de estresse. Com isso, ocorre a liberação de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, além da ativação do sistema nervoso simpático, responsável pela reação de alerta do corpo.

    O aumento do cortisol faz com que mais glicose seja liberada na corrente sanguínea, elevando o açúcar no sangue e favorecendo a resistência à insulina, o que aumenta o risco de diabetes.

    Ao mesmo tempo, Juliana aponta que essa ativação mantém a frequência dos batimentos cardíacos e a pressão arterial mais altas durante a noite.

    O problema é que, de forma natural, a pressão e os batimentos deveriam diminuir durante o sono. Quando isso não acontece, o coração trabalha mais do que deveria, o que pode contribuir para o endurecimento das artérias e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Como Ozempic e Mounjaro ajudam no sono?

    Os agonistas de GLP-1, ou canetas emagrecedoras, têm como principal função o controle da glicemia e o aumento da sensação de saciedade, o que acaba levando à perda de peso. A redução de peso, por sua vez, tem um papel importante na melhora do sono, especialmente em pessoas que sofrem com apneia do sono.

    Segundo a cardiologista, com a perda de gordura visceral e da gordura acumulada na região do pescoço, ocorre uma diminuição da pressão sobre as vias aéreas. Isso ajuda a reduzir o ronco e melhora a passagem do ar durante a noite, favorecendo um sono mais profundo e reparador.

    Além disso, os agonistas do GLP-1 possuem efeito anti-inflamatório, o que também contribui para uma melhor qualidade do sono. Por fim, o controle mais estável da glicemia evita picos ou quedas de açúcar no sangue durante a noite, o que reduz despertares noturnos e interrupções do sono.

    Dormir melhor ajuda no controle da pressão arterial e da glicose?

    Durante o sono, ocorre uma melhora na sensibilidade das células à insulina, fazendo com que elas respondam melhor à ação desse hormônio, o que é importante para o controle do açúcar no sangue.

    Ainda, no sono profundo, o sistema cardiovascular entra em um estado de descanso. Nesse momento, a pressão arterial tende a cair de forma natural, ajudando na regulação adequada dos mecanismos de controle da pressão.

    Mas, quando essa redução não acontece, o risco de desenvolver pressão alta aumenta.

    Hábitos de vida ajudam a potencializar o tratamento

    Para que qualquer medicamento funcione bem, Juliana explica que o estilo de vida precisa acompanhar o tratamento — e alguns cuidados simples no dia a dia podem ajudar, como:

    • Dormir bem e ter horários mais regulares de sono, pois o descanso ajuda o corpo a se equilibrar, regula hormônios e melhora o controle do açúcar no sangue;
    • Optar por refeições mais leves, principalmente à noite, evitando exageros que podem atrapalhar o sono e sobrecarregar o organismo;
    • Evitar comer perto da hora de dormir, dando um intervalo de 2 a 3 horas entre a última refeição e o sono, o que facilita a digestão e melhora a qualidade do descanso;
    • Manter alguma atividade física na rotina, mesmo que seja uma caminhada, já que o movimento ajuda a controlar a glicose, melhora a circulação e reduz o estresse;
    • Cuidar do estresse do dia a dia, buscando momentos de descanso, lazer ou relaxamento, porque o estresse em excesso atrapalha tanto o sono quanto a ação da medicação.

    Uso de canetas emagrecedoras precisa de acompanhamento médico

    Assim como qualquer medicamento, o tratamento com as canetas emagrecedoras exige acompanhamento de profissionais da saúde. Segundo Juliana, cada profissional tem um papel importante nesse processo, como:

    • Endocrinologista: responsável por ajustar as doses do medicamento, acompanhar os efeitos e garantir o controle adequado da glicose;
    • Cardiologista: que avalia a saúde do coração, o risco cardiovascular e faz o acompanhamento da pressão arterial;
    • Nutricionista: que orienta a alimentação para que a perda de peso seja saudável, evitando a perda de massa muscular e garantindo uma dieta equilibrada;
    • Profissional de educação física: que ajuda a incluir atividade física na rotina de forma segura e adequada para cada pessoa;
    • Psicólogo: em muitos casos essencial para lidar com questões emocionais relacionadas à alimentação, ao estresse e ao comportamento.

    Com o acompanhamento, é possível ter um tratamento mais seguro e com resultados que duram mais tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quem dorme mal tem mais dificuldade para emagrecer?

    Sim, pois dormir mal aumenta o cortisol, o hormônio do estresse, que estimula a fome e dificulta o controle do peso.

    2. Quem tem problema no coração pode usar GLP-1?

    Depende do caso. Por isso, a avaliação com um cardiologista é importante antes e durante o tratamento.

    3. O GLP-1 causa hipoglicemia?

    Na maioria dos casos, não. O risco é maior quando usado junto com outros medicamentos para diabetes, pois isso a administração deve ser feita com orientação médica.

    4. As canetas emagrecedoras são de uso contínuo?

    Em muitos casos, sim. A interrupção sem orientação médica pode levar à recuperação do peso.

    5. É normal sentir enjoo no início do tratamento?

    Sim. Sintomas como náusea, sensação de estômago cheio e desconforto abdominal são efeitos comuns no começo, principalmente nas primeiras doses. Eles costumam diminuir com o tempo e com o ajuste gradual da medicação.

    6. Em quanto tempo começam a aparecer os resultados do GLP-1?

    Os primeiros efeitos, como redução do apetite e maior saciedade, costumam surgir nas primeiras semanas. A perda de peso e a melhora do controle da glicose aparecem de forma gradual, ao longo dos meses, variando de pessoa para pessoa.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Treinar sem dormir faz mal? Saiba como o corpo reage

    Treinar sem dormir faz mal? Saiba como o corpo reage

    Nos dias em que o sono não é dos melhores, é comum sentir o corpo mais lento, a mente menos focada e o cansaço logo cedo. Ainda assim, muitas pessoas tentam manter a rotina de treinos — mesmo quando o organismo dá sinais de que ainda não se recuperou totalmente.

    O sono sustenta boa parte do que acontece durante o exercício físico: ele reorganiza energia, regula os hormônios, estabiliza os batimentos e permite que os músculos se reparem após pequenos danos do dia anterior. Quando o descanso não acontece como deveria, o corpo inicia o treino sem a reserva necessária para lidar com o esforço, fica mais vulnerável a oscilações de pressão e perde parte da capacidade de manter o ritmo.

    Mas então, como saber se é melhor ajustar a intensidade ou simplesmente esperar até recuperar energia? Vamos entender mais, a seguir.

    Como o sono afeta o desempenho no treino?

    O sono mantém grande parte da capacidade física necessária para um bom treino, porque é responsável por regular as funções neurológicas e hormonais que determinam força, coordenação, concentração e resistência. Quando o descanso é pouco, o sistema nervoso central perde eficiência, o que reduz a capacidade de gerar força, prejudica o tempo de reação e altera a coordenação motora. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, isso impacta diretamente o desempenho da atividade muscular.

    Durante o sono, especialmente na fase de ondas lentas, o corpo libera substâncias como o hormônio do crescimento (GH), que ajuda na regeneração e no aumento da massa muscular. Quando dormimos pouco, essa liberação diminui e, por causa disso, a recuperação fica mais lenta e incompleta.

    Para completar, a falta de sono aumenta hormônios como cortisol e adrenalina, que dificultam a construção muscular e favorecem a perda de proteínas. Como o reparo das fibras e a síntese de proteínas acontecem principalmente durante o sono, as noites curtas e irregulares acabam prejudicando tanto a recuperação quanto o ganho de força.

    Dormir pouco pode sobrecarregar o coração?

    De acordo com Juliana, uma noite mal dormida não causará um grande impacto imediato na sobrecarga cardiovascular durante a atividade física. No entanto, quando a privação de sono é frequente, ela passa a afetar de forma significativa o sistema cardiovascular e pode levar a uma sobrecarga do coração durante o treino.

    A falta de sono desregula o sistema nervoso e compromete a atuação do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle da frequência cardíaca em repouso. A liberação crônica de hormônios como cortisol e adrenalina aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial mesmo em repouso, o que já representa uma sobrecarga para o coração.

    O sono irregular também mantém o organismo em estado contínuo de estresse. Então, quando o esforço do treino é somado ao quadro, o corpo exige ainda mais do sistema cardiovascular, que já está funcionando acima do ideal por causa da falta de descanso.

    Riscos de dormir mal para o coração

    Com a insônia, o corpo perde a capacidade de regular pressão, frequência cardíaca e resposta ao estresse, criando um ambiente que favorece o surgimento de problemas cardíacos a longo prazo. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Aumento constante da frequência cardíaca, mesmo em repouso;
    • Elevação da pressão arterial ao longo do dia;
    • Maior liberação de hormônios ligados ao estresse, como cortisol e adrenalina;
    • Redução da regulação natural da pressão durante a madrugada;
    • Alterações no sistema nervoso autônomo, que controla batimentos cardíacos;
    • Maior risco de arritmias em pessoas predispostas;
    • Estado inflamatório crônico que favorece formação de placas nas artérias (aterosclerose);
    • Aumento do risco de infarto e AVC ao longo dos anos;
    • Piora do metabolismo de açúcares e gorduras, aumentando o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, obesidade e síndrome metabólica.

    É melhor adiar o treino após dormir mal?

    Depois de uma noite ruim, o corpo funciona abaixo do ideal e a performance no treino diminui significativamente. Enquanto a capacidade de gerar força é reduzida, aumenta o tempo de reação piora e o risco de lesões — já que o sistema nervoso e a musculatura não respondem tão bem quanto deveriam.

    Por isso, em dias de pouco descanso, Juliana aponta que são necessárias algumas adaptações:

    • Nos treinos de força e resistência, o mais seguro é reduzir a intensidade, fazer séries mais leves e diminuir o número de repetições, evitando chegar à fadiga muscular;
    • Atividades de alta intensidade, como HIIT, não são recomendadas nessas condições, pois exigem explosão, foco e recuperação rápida, algo difícil quando o corpo está cansado;
    • O treino aeróbico pode ser mantido, desde que realizado em ritmo leve e com pausas maiores entre os intervalos.

    Vale ressaltar que, se a sensação de exaustão for intensa, o melhor é não treinar e priorizar o descanso para que o corpo se recupere.

    Quantas horas de sono são recomendadas para quem treina?

    De modo geral, adultos precisam dormir entre 7 e 9 horas por noite para manter o corpo em equilíbrio e garantir que músculos, hormônios e sistema nervoso funcionem de forma adequada durante o treino do dia seguinte.

    Para quem pratica exercícios de alta intensidade ou segue rotina mais pesada, Juliana esclarece que o ideal é ampliar o período de descanso para 8 a 10 horas, já que o organismo precisa de mais tempo para reparar as microlesões musculares, regular hormônios anabólicos e restabelecer a energia.

    Quando procurar ajuda médica?

    Se a dificuldade para dormir se torna parte da rotina e começa a afetar a saúde, o humor, o rendimento físico ou a rotina, é necessário procurar atendimento médico para entender o que está causando o quadro. A insônia é um distúrbio que, a longo prazo, pode comprometer o equilíbrio hormonal, elevar o estresse, desregular a pressão arterial e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

    Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta para ir ao médico:

    • A dificuldade para dormir dura mais de três semanas;
    • Há dificuldade contínua para pegar no sono ou permanecer dormindo;
    • O sono é leve, fragmentado e você acorda várias vezes durante a noite;
    • Surge cansaço intenso ao acordar, mesmo após várias horas na cama;
    • Aparecem palpitações, dor no peito ou pressão instável pela manhã;
    • Há sonolência excessiva durante o dia, com risco de cochilar em situações inadequadas;
    • Surgem roncos fortes, engasgos ou pausas na respiração durante a noite;
    • O problema começa a interferir no trabalho, nos estudos ou na concentração;
    • O humor muda com frequência, com irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo claro;
    • Há dependência crescente de café, energéticos ou remédios para “funcionar”;
    • Existe histórico de doenças cardíacas, pressão alta, arritmias ou diabetes.

    Leia mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Perguntas frequentes

    Por que dormir pouco aumenta a pressão arterial?

    A pressão arterial precisa de horas de descanso para reduzir de maneira natural durante a madrugada. Quando o sono é curto, essa queda fisiológica não acontece por completo, fazendo com que os níveis permaneçam mais altos ao longo do dia seguinte.

    Os hormônios que deveriam diminuir durante o descanso permanecem altos, mantendo o corpo em alerta e provocando a constrição dos vasos sanguíneos. Com o passar do tempo, tudo isso causa sobrecarga nas artérias e favorece um quadro de pressão alta.

    Por que o coração fica mais sensível ao estresse quando dormimos mal?

    O sono funciona como uma barreira natural contra estímulos estressores e, sem descanso, o corpo perde parte dessa proteção e reage de maneira exagerada a situações simples. O sistema nervoso fica mais ativado e libera mais adrenalina do que o necessário.

    O coração, que deveria descansar durante a noite, continua ativo e sensível ao menor estímulo, como trânsito, prazos ou esforços comuns do dia a dia.

    Quais os sinais de que estou dormindo mal?

    Os sinais de sono insuficiente aparecem no corpo antes mesmo de você perceber que está acumulando noites ruins, como:

    • Acordar cansado, com sensação de descanso incompleto;
    • Dificuldade de concentração logo pela manhã;
    • Lapsos de atenção e esquecimentos frequentes;
    • Irritabilidade e maior sensibilidade ao estresse;
    • Necessidade constante de café ou estimulantes para manter o ritmo;
    • Sonolência ao longo do dia, especialmente após as refeições;
    • Dor de cabeça no fim do dia ou sensação de peso mental;
    • Queda de desempenho nos treinos e menor tolerância ao esforço;
    • Sensação de ansiedade e tensão muscular ao acordar.

    A dificuldade para dormir pode ocorrer em momentos pontuais, mas quando o problema se prolonga, é importante procurar atendimento médico.

    Por que dormir pouco piora a retenção de líquidos?

    Quando o corpo não descansa o suficiente, os hormônios que controlam o equilíbrio de água no organismo ficam desregulados, de modo que o corpo acaba retendo mais água. O cortisol também aumenta após noites ruins, o que dificulta a circulação e favorece acúmulo de líquido nos tecidos. O resultado é o inchaço, peso nas pernas e maior esforço para o coração.

    A privação de sono prejudica o crescimento muscular?

    A privação de sono prejudica o crescimento muscular porque reduz a síntese de proteínas e impede que o corpo entre plenamente no estado anabólico, que é necessário para reconstruir as fibras lesionadas durante o treino. Sem o descanso ideal, o organismo passa a funcionar de forma mais catabólica, favorecendo a quebra de tecido muscular.

    As noites curtas também desregulam hormônios importantes, como GH e testosterona, ao mesmo tempo em que elevam o cortisol, que acelera a degradação das proteínas. Assim, dormir mal limita a recuperação e diminui a capacidade de ganhar massa muscular, mesmo se você treina e tem uma boa alimentação.

    Como é feito o tratamento de insônia?

    O tratamento da insônia começa identificando o que está causando a dificuldade de dormir, porque o problema pode estar ligado a hábitos, estresse, ansiedade, dor ou outras condições médicas. Normalmente, ele envolve mudanças de hábitos, terapia cognitivo-comportamental e, quando necessário, o médico pode indicar o uso de remédios por curto período para ajudar a regular o padrão de sono.

    Veja também: Dormir pouco aumenta o apetite? Saiba como o sono afeta os hormônios do apetite