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  • Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    O parto vaginal nem sempre acontece exatamente como o planejado e, em alguns casos, mesmo depois de horas de trabalho de parto, o bebê pode encontrar dificuldades para nascer ou apresentar sinais de que precisa nascer mais rapidamente.

    Quando há indicação médica, podem ser usados instrumentos que auxiliam a saída do bebê pelo canal vaginal, como o fórceps e o vácuo extrator.

    Eles são utilizados em situações muito específicas na fase final do parto, como quando a mãe está muito cansada para continuar fazendo força ou para acelerar o nascimento em caso de sofrimento fetal.

    Apesar da fama de assustar muitas futuras mães, o fórceps e o vácuo extrator fazem parte da assistência obstétrica e podem ser necessários em determinadas situações. Quando usados por profissionais capacitados e nos casos específicos, eles podem evitar cesárias de emergência altamente complexas e, acima de tudo, proteger a vida da mãe e do recém-nascido.

    O que é o parto instrumentalizado?

    O parto instrumentalizado é um parto vaginal em que o médico obstetra utiliza um instrumento específico para auxiliar na saída do bebê, como o fórceps e o vácuo extrator, por exemplo. Eles ajudam quando o parto não evolui como esperado ou quando existe a necessidade de acelerar o nascimento por razões médicas.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o procedimento só é considerado na fase final do trabalho de parto, conhecida como período expulsivo, quando o colo do útero já atingiu a dilatação completa (10 cm) e a cabeça do bebê já está bem posicionada no canal de parto.

    Durante o trabalho de parto, os ossos do crânio do bebê têm a capacidade de se acomodar e se moldar para facilitar a passagem pela bacia materna, cujas estruturas ósseas são naturalmente estreitas em relação ao tamanho da cabeça fetal.

    Os instrumentos podem ser necessários quando a descida do bebê deixa de progredir adequadamente nos momentos finais do nascimento e é necessário um auxílio para concluir o parto.

    Por isso, a especialista reforça que a instrumentalização não deve ser encarada como uma medida agressiva, mas como um recurso seguro utilizado em situações específicas.

    O que é e como funcionam o fórceps e o vácuo extrator?

    O fórceps e o vácuo extrator servem para guiar e tracionar a cabeça do bebê enquanto a mãe faz força, mas funcionam de maneira diferente.

    Fórceps

    O fórceps é um instrumento cirúrgico metálico composto por duas peças curvas e alongadas, que se assemelham a duas grandes colheres. Ele foi desenhado especificamente para se ajustar perfeitamente e com segurança às laterais da cabeça do bebê, respeitando a anatomia do crânio fetal.

    Durante o parto, o médico obstetra posiciona cuidadosamente cada uma das peças nas laterais da cabecinha do bebê. Segundo Andreia, ele não aperta e não esmaga a cabeça do bebê, mas faz apenas a preensão (ou seja, segura com firmeza) e funciona como uma extensão das mãos do médico para guiar o bebê para fora.

    À medida que a mãe faz as contrações, o obstetra aplica uma força suave e contínua de tração para ajudar o bebê a deslizar pelo canal de parto. Além de ajudar a puxar no final, o fórceps também serve para ajudar a girar a cabeça do bebê para a posição correta de nascimento, caso ele tenha parado de rodar sozinho.

    Vácuo extrator

    O vácuo extrator, também conhecido como ventosa obstétrica, é um instrumento composto por uma pequena cúpula (que pode ser de silicone, plástico rígido ou metal) conectada a uma bomba de vácuo mecânica ou eletrônica.

    Diferente do fórceps, que envolve as laterais da cabeça do bebê, o vácuo-extrator funciona por sucção. O médico obstetra introduz a cúpula no canal de parto e a fixa suavemente no topo da cabecinha do bebê. Em seguida, a bomba cria uma pressão negativa (um vácuo) que mantém a ventosa presa à pele.

    Durante as contrações e o esforço da mãe, o médico puxa delicadamente o cabo do aparelho para ajudar o bebê a deslizar para fora. Como a fixação depende puramente do vácuo, o principal risco associado ao instrumento é a formação de um pequeno inchaço ou hematoma na pele da cabeça do bebê, que costuma desaparecer espontaneamente nos primeiros dias após o nascimento.

    Segundo Andreia, o vácuo extrator é de uso exclusivo para o final do parto, quando o bebê está quase nascendo e a mãe, mesmo fazendo força, não consegue finalizar.

    Principais indicações: quando eles são necessários?

    Segundo Andreia, a decisão de utilizar o fórceps ou o vácuo extrator é baseada em critérios técnicos bem definidos. Durante o período expulsivo, a equipe acompanha o tempo de evolução do parto, levando em consideração fatores como se é a primeira gestação da paciente, o uso ou não de analgesia e a progressão da descida do bebê.

    Entre algumas das indicações, Andreia aponta:

    • Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.
    • Correção da rotação fetal: para nascer, a cabeça do bebê precisa realizar movimentos de rotação dentro da pelve materna. Quando a rotação não acontece espontaneamente, o fórceps pode ser utilizado para auxiliar o posicionamento adequado;
    • Alívio materno-fetal: quando o período expulsivo se prolonga excessivamente, a mãe pode ficar exausta e o bebê pode começar a apresentar sinais de sofrimento fetal. A instrumentalização ajuda a concluir o parto antes que o desgaste se torne um problema;
    • Abreviação do período expulsivo: algumas condições de saúde materna, como cardiopatias, tornam desaconselhável a realização de esforços prolongados. O uso do fórceps pode acelerar o nascimento e reduzir os riscos associados ao esforço físico intenso;

    Em situações raras, o fórceps também pode ser utilizado quando o bebê está em apresentação pélvica (sentado) e a cabeça encontra dificuldade para sair após o nascimento do restante do corpo. Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.

    O instrumento ajuda a realizar a retirada de forma mais rápida e segura, mas Andreia destaca que a indicação é pouco frequente atualmente, já que os partos pélvicos vaginais são menos comuns.

    Quais as condições necessárias para usar os instrumentos com segurança?

    Para que o fórceps ou o vácuo extrator sejam usados com segurança, o médico obstetra precisa avaliar uma série de critérios antes de tomar a decisão, como:

    • Dilatação completa do colo do útero: a gestante precisa estar com 10 centímetros de dilatação. Os instrumentos não podem ser usados antes que o colo esteja totalmente aberto;
    • Cabeça do bebê em posição baixa: a cabeça do bebê já deve ter descido pelo canal de parto e estar em uma posição favorável para o nascimento. Se ela ainda estiver muito alta, o procedimento não deve ser realizado;
    • Bolsa rompida: a bolsa amniótica já precisa ter se rompido para que o instrumento possa ser posicionado corretamente;
    • Passagem adequada pela bacia: o obstetra deve ter certeza de que a cabeça do bebê consegue passar pela bacia materna. O fórceps e o vácuo extrator servem apenas para auxiliar os momentos finais do nascimento, e não para vencer obstáculos que impedem a passagem do bebê;
    • Bexiga vazia: a bexiga da mãe normalmente é esvaziada antes do procedimento para reduzir o risco de lesões e facilitar o nascimento;
    • O instrumento deve ser utilizado por um profissional capacitado e com experiência na técnica. A escolha entre fórceps e vácuo extrator também leva em consideração o treinamento e a familiaridade do obstetra com cada método.

    O fórceps pode machucar o bebê ou a mãe?

    Quando feito por um profissional capacitado e com a indicação correta, o fórceps não machuca a mãe e o bebê, sendo importante para proteger a vida de ambos. Segundo Andreia, deixar o bebê parado no canal vaginal por muito tempo pode causar sofrimento fetal e, na mãe, pode provocar isquemia tecidual e lacerações graves de difícil correção.

    O medo em relação ao fórceps tem origem em histórias antigas, de uma época em que as cesarianas ainda não eram procedimentos seguros. Antes, quando o bebê ficava preso durante o parto, os instrumentos utilizados eram muito diferentes dos atuais e podiam ser empregados de forma agressiva para tentar viabilizar o nascimento, inclusive reduzindo o diâmetro da cabeça fetal.

    Atualmente, Andreia explica que os fórceps modernos não fazem pressão. O aparelho apenas abraça e segura a cabecinha do bebê para guiá-la para fora, sem apertar ou esmagar. No entanto, como qualquer procedimento médico, existem riscos caso os critérios de segurança não sejam seguidos ou se o profissional não tiver o treinamento adequado

    Ainda dá tempo de fazer cesárea se o parto parar no final?

    Mesmo quando a cabeça do bebê já está muito baixa no canal de parto, a cesárea ainda pode ser realizada. Se o fórceps ou o vácuo extrator não puderem ser utilizados por falta dos critérios de segurança necessários, a equipe médica pode optar pela via de parto para finalizar o nascimento.

    A cirurgia costuma ser mais trabalhosa, porque a cabeça do bebê já está encaixada profundamente na bacia materna e precisa ser retirada de uma posição mais difícil do que aquela encontrada em uma cesárea realizada antes do trabalho de parto avançar. Ainda assim, Andreia esclarece que é um procedimento viável e que faz parte da rotina obstétrica quando necessário.

    Por outro lado, quando a mãe e o bebê atendem a todos os critérios para a instrumentalização e a cabeça já está bem baixa no canal de parto, o fórceps normalmente é a alternativa mais rápida para concluir o nascimento, já que permite ajudar o bebê a percorrer os últimos centímetros do trajeto sem a necessidade de uma cirurgia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O uso de fórceps é considerado uma violência obstétrica?

    Não, o fórceps é um procedimento médico legítimo, seguro e que salva vidas. A violência obstétrica se caracteriza pelo uso de intervenções sem consentimento, sem indicação médica real ou de forma agressiva. Quando utilizado seguindo os critérios técnicos e com o respeito devido à gestante, o fórceps é uma ferramenta de assistência.

    2. O bebê sente dor quando o fórceps é utilizado?

    O fórceps moderno não aperta a cabeça do bebê, ele apenas a envolve para guiar o nascimento. O bebê pode sentir a pressão normal do canal de parto potencializada pelo instrumento, mas o procedimento em si não causa dor crônica ou traumas físicos quando bem executado.

    3. Quais marcas o fórceps pode deixar no bebê e quanto tempo duram?

    É comum que o fórceps deixe marcas avermelhadas ou pequenos edemas (inchaços) nas laterais do rosto ou atrás das orelhas do bebê, onde as colheres do instrumento se apoiaram. As marcas são superficiais e costumam desaparecer completamente entre 24 horas e poucos dias após o nascimento.

    4. O vácuo extrator é mais seguro do que o fórceps?

    Não necessariamente, pois ambos são seguros se usados corretamente. O vácuo extrator atua por sucção no topo da cabeça e tem menos chance de causar lacerações na mãe, mas pode causar hematomas no couro cabeludo do bebê (lesão de escalpo).

    O fórceps é mais versátil, pois também permite girar o bebê, o que a ventosa não faz tão bem. A escolha depende da necessidade do parto e da experiência do médico.

    5. O fórceps pode causar sequelas neurológicas ou atraso no desenvolvimento do bebê?

    Não, isso é um mito. O fórceps não causa paralisia cerebral ou atrasos cognitivos. O que pode causar sequelas é o fato de o bebê ficar sem oxigênio por passar tempo demais preso no canal de parto. O fórceps entra justamente para evitar que o sofrimento fetal aconteça e cause danos ao cérebro.

    6. Quantas vezes o médico pode tentar puxar o bebê com o fórceps ou vácuo?

    Existem limites de segurança rígidos. No caso do vácuo extrator, se a ventosa descolar da cabeça do bebê por duas ou três vezes, o procedimento deve ser interrompido. No fórceps, se após duas ou três trações vigorosas combinadas com a contração da mãe o bebê não descer, o médico interrompe a tentativa e encaminha a paciente para a cesárea.

    7. O fórceps pode ser usado se o bebê estiver prematuro?

    O uso do fórceps em bebês prematuros não é recomendado como rotina. Devido à fragilidade do crânio e ao risco aumentado de hemorragias, o fórceps costuma ser contraindicado em casos de prematuridade extrema. A cesariana costuma ser a via mais segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Nos últimos anos, a busca pelo parto domiciliar cresceu como uma alternativa ao ambiente hospitalar, por ser um lugar em que algumas mulheres se sentem mais confortáveis e acolhidas. Ele é feito de maneira semelhante ao parto no hospital, em que a gestante é acompanhada por uma equipe de profissionais especializados, como obstetras, enfermeiros obstetras e parteiras.

    No entanto, como o nascimento acontece fora de uma estrutura hospitalar, existem riscos que devem ser considerados e avaliados com cuidado.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a obstetrícia é uma especialidade com uma dinâmica imprevisível: um trabalho de parto pode transcorrer normalmente por horas e, em poucos minutos, se transformar em uma emergência que precisa de atendimento imediato e recursos disponíveis apenas em um hospital.

    Por isso, a decisão pelo local do nascimento precisa se basear em alguns critérios rigorosos de segurança e na compreensão real dos riscos envolvidos. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o parto domiciliar é seguro?

    O parto domiciliar planejado é considerado seguro exclusivamente para gestações de baixo risco, desde que com acompanhamento de uma equipe qualificada e um plano de transferência rápida para o hospital, caso necessário. No entanto, há divergência entre os órgãos oficiais.

    No Brasil, a prática não é recomendada pelo Ministério da Saúde, que considera o ambiente hospitalar o local mais seguro para o parto, devido à disponibilidade imediata de equipes multiprofissionais, banco de sangue, anestesia, medicamentos de uso restrito e estrutura para atender emergências maternas e neonatais.

    Através da Nota Técnica nº 2/2021, a principal preocupação em relação ao parto domiciliar é a dificuldade de acesso imediato aos recursos necessários caso ocorra uma complicação inesperada durante o trabalho de parto ou logo após o nascimento.

    Situações de emergência durante o parto domiciliar

    Segundo Andreia, uma situação que está perfeitamente bem pode se transformar em uma emergência grave em questão de minutos. Mesmo em gestações saudáveis, complicações severas podem surgir de forma súbita e sem qualquer aviso prévio durante o pré-natal, como:

    • Hemorragia pós-parto: se o útero não contrair adequadamente após a saída da placenta, a mulher pode perder grande quantidade de sangue em poucos minutos. A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morte materna no mundo;
    • Sofrimento fetal por falta de oxigênio: pode ocorrer, por exemplo, devido à compressão do cordão umbilical. Sem atendimento imediato, há risco de morte ou de sequelas neurológicas permanentes;
    • Distocia de ombro: acontece quando a cabeça do bebê nasce, mas os ombros ficam presos na pelve materna. É uma emergência que exige manobras rápidas para evitar lesões e asfixia;
    • Prolapso de cordão umbilical: ocorre quando o cordão sai antes do bebê e pode ser comprimido durante o parto, interrompendo o fornecimento de oxigênio;
    • Necessidade de reanimação neonatal: alguns recém-nascidos precisam de ajuda para iniciar a respiração após o nascimento, com suporte especializado e equipamentos adequados;
    • Parada de progressão do trabalho de parto: ocorre quando o parto deixa de evoluir normalmente, podendo haver necessidade de cesariana de urgência;
    • Aspiração de mecônio: acontece quando o bebê elimina mecônio no líquido amniótico e aspira esse material para os pulmões, o que pode causar problemas respiratórios importantes.

    Andreia complementa que, mesmo quando há um médico presente no domicílio, ele pode ficar limitado pela falta de infraestrutura.

    É possível utilizar um aparelho de cardiotocografia portátil para monitorar os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, mas a grande questão é o que fazer caso seja identificado um sofrimento fetal agudo. No ambiente doméstico, os recursos para uma intervenção imediata são limitados.

    O fator “tempo de transporte”

    Um plano de parto domiciliar precisa prever a transferência para um hospital caso alguma coisa dê errado. Na obstetrícia, o tempo é um fator decisivo: o período gasto para colocar a gestante ou o recém-nascido no carro, enfrentar o trânsito e dar entrada no pronto-socorro fazem a diferença para evitar complicações graves e garantir a segurança da mãe e do bebê.

    E quando o parto em casa é planejado?

    Para aumentar a segurança, o parto domiciliar costuma ser indicado apenas em situações muito específicas, considerando critérios como:

    • Gestação de baixo risco;
    • Com apenas um bebê, posicionado de cabeça para baixo;
    • Sem problemas de saúde maternos ou fetais;
    • Gravidez a termo, entre 37 e 42 semanas;
    • Acesso rápido a um hospital.

    De acordo com Andreia, são muitos os critérios que precisam ser atendidos, e poucas gestações se encaixam perfeitamente em todos eles. Além disso, mesmo em gestações de baixo risco, complicações podem surgir de forma repentina, sem tempo suficiente para uma transferência segura ao hospital.

    Doulas podem estar presentes no parto hospitalar?

    No Brasil, a presença da doula em hospitais públicos e privados é garantida por lei em grande parte do país. Inclusive, a Lei Federal nº 14.737/2023 assegura que toda mulher tem o direito de ser acompanhada por uma pessoa de sua livre escolha durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

    No entanto, Andreia ressalta que a doula não substitui a equipe técnica. Ela não possui formação em enfermagem obstétrica ou medicina, e sua função é oferecer apoio emocional, acolhimento e conforto à gestante durante o trabalho de parto.

    A doula pode auxiliar com técnicas de relaxamento, massagens, exercícios de respiração e medidas para aliviar o desconforto das contrações. Apesar de importante para a experiência da mulher, ela não realiza procedimentos médicos, não monitora a saúde da mãe e do bebê e não está habilitada a identificar ou tratar complicações obstétricas

    Associação Brasileira de Enfermeiras Obstetras defende o parto domiciliar

    Em contrapartida ao Ministério da Saúde, a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) defende que o parto domiciliar planejado pode ser uma opção segura para algumas gestantes.

    Segundo um boletim científico divulgado pela entidade em 2023, existem estudos que apontam o parto em casa como uma alternativa possível para mulheres com gestações de baixo risco.

    De acordo com a associação, quando o parto é cuidadosamente planejado e acompanhado por profissionais capacitados, ele pode estar associado a uma menor realização de intervenções médicas e apresentar resultados maternos e neonatais semelhantes aos observados em alguns serviços hospitalares.

    Porém, a avaliação deve ser feita caso a caso, levando em consideração as características de cada gestação e a disponibilidade de uma rede de apoio e atendimento de emergência.

    Quem NÃO deve fazer o parto domiciliar em hipótese alguma?

    O parto domiciliar é absolutamente contraindicado para gestantes de alto risco ou que apresentem qualquer complicação que possa exigir intervenção médica imediata, como:

    • Pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional;
    • Diabetes gestacional ou diabetes pré-existente;
    • Doenças crônicas maternas, como problemas cardíacos, renais, neurológicos ou distúrbios de coagulação;
    • Bebê prematuro (antes de 37 semanas);
    • Bebê em posição pélvica (sentado) ou transversa;
    • Gestação múltipla (gêmeos ou mais);
    • Restrição de crescimento fetal;
    • Placenta prévia;
    • Alterações no líquido amniótico, como oligoidrâmnio ou polidrâmnio;
    • Residência distante de um hospital com centro cirúrgico e UTI neonatal;
    • Ausência de uma equipe técnica qualificada para acompanhar o parto e reconhecer emergências rapidamente.

    Andreia ainda complementa que mulheres com cesárea anterior que desejam tentar um parto vaginal jamais deveriam considerar o parto domiciliar, devido ao risco de ruptura uterina.

    O que é necessário para um parto em casa planejado?

    Para realizar um parto domiciliar, é necessário que haja uma equipe capacitada em parto domiciliar, com treinamento específico para monitoramento de sinais de complicações. A equipe precisa levar equipamentos portáteis, como um cardiotocógrafo, além de materiais para sutura, soros, acessos venosos e medicamentos de emergência.

    Por fim, é fundamental que exista um plano para uma possível transferência ao hospital, com a maternidade de referência já definida e o trajeto previamente planejado.

    Como algumas emergências obstétricas podem evoluir em poucos minutos, chegar ao hospital o mais rápido possível pode fazer toda a diferença para a segurança da mãe e do bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como o nervosismo pode afetar o parto em casa?

    O medo, a ansiedade e o estresse podem aumentar a liberação de adrenalina no organismo, o que pode deixar as contrações mais intensas e frequentes, reduzindo a oxigenação do bebê e aumentando o risco de sofrimento fetal.

    2. Qual é a distância ideal até um hospital?

    O ideal é que a casa fique a, no máximo, 15 a 20 minutos de uma maternidade de referência.

    3. Médicos podem fazer partos em casa?

    Sim, não existe proibição para que médicos acompanhem partos domiciliares. Porém, mesmo com uma equipe experiente, o ambiente doméstico não conta com recursos como centro cirúrgico, banco de sangue e UTI.

    4. Qual é a diferença entre doula e enfermeira obstétrica?

    A doula oferece apoio físico e emocional, com massagens, técnicas de respiração e acolhimento. Já a enfermeira obstétrica é uma profissional de saúde habilitada para acompanhar o trabalho de parto, monitorar mãe e bebê e realizar partos de baixo risco.

    5. É possível ter um parto humanizado no hospital?

    Sim, o parto humanizado não depende do local, mas do respeito às escolhas da mulher, da liberdade de movimento e do uso apenas das intervenções realmente necessárias.

    6. Como o bebê é monitorado durante o parto em casa?

    A equipe acompanha os batimentos cardíacos do bebê com aparelhos portáteis, como o sonar Doppler ou o cardiotocógrafo, realizando avaliações periódicas durante o trabalho de parto.

    7. Como é feito o alívio da dor no parto domiciliar?

    No parto em casa não é possível utilizar anestesia peridural. Por isso, o alívio da dor é feito com medidas como banho morno, massagens, exercícios com bola de pilates, técnicas de respiração e compressas quentes.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?

  • Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    A gravidez em idade mais avançada, normalmente considerada a partir dos 35 anos, apresenta um risco maior de comorbidades para a mãe, como pressão alta e diabetes gestacional, condições que podem elevar a indicação de uma cesárea. Mas será que a idade, por si só, define a via de parto?

    Apesar da incidência de intervenções cirúrgicas ser maior em mulheres nessa faixa etária, na prática, a escolha entre o parto normal e a cesárea precisa considerar fatores como a saúde da gestante, o histórico de gestações, como a gravidez está evoluindo e as condições do bebê.

    A idade obriga a realização de cesárea?

    A resposta é não, a idade sozinha não obriga a realização de uma cesárea. O que acontece é que, após os 35 anos, acontece uma maior incidência de condições que podem levar à indicação cirúrgica, como pressão alta e diabetes, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    No entanto, uma mulher com 35 anos ou mais pode ter um parto normal de forma segura, desde que a gestação esteja evoluindo sem complicações graves. A decisão pela via de parto é baseada em fatores clínicos, e não apenas na data de nascimento da gestante.

    Por que a cesárea é mais comum após os 35 anos?

    A cesárea é mais comum após os 35 anos porque há uma maior incidência de fatores de risco e complicações clínicas, como:

    • Diabetes gestacional: o aumento do açúcar no sangue, identificado pela primeira vez durante a gravidez, pode levar ao crescimento excessivo do bebê (macrossomia), dificultando a passagem pelo canal de parto;
    • Hipertensão arterial e pré-eclâmpsia: são condições que podem exigir a antecipação do parto ou limitar a realização do parto normal devido ao risco materno, como AVC ou convulsões;
    • Doenças crônicas (tireoidianas, cardíacas, autoimunes): são mais frequentes com o avanço da idade e, dependendo do caso, podem contraindicar o esforço do parto vaginal;
    • Insuficiência placentária: ocorre quando a placenta não consegue fornecer oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente para o bebê. Durante o trabalho de parto, com as contrações, essa troca pode se tornar ainda mais limitada, dificultando a tolerância do bebê ao processo;
    • Oligoidrâmnio (pouco líquido amniótico): a redução do líquido diminui a proteção ao redor do bebê e pode favorecer a compressão do cordão umbilical durante as contrações, interferindo na oxigenação fetal e aumentando o risco de alterações nos batimentos cardíacos.

    Uma mulher com 35 anos ou mais que está na sua primeira gestação (primípara) tem, em geral, uma maior probabilidade de cesárea do que uma mulher da mesma faixa etária que já teve partos normais.

    O primeiro parto é, por si só, um fator de risco para cesárea, pois o colo do útero e os tecidos pélvicos estão passando pelo processo de dilatação e parto pela primeira vez, o que pode levar a um trabalho de parto mais longo ou dificuldades na progressão.

    Quando o parto normal é indicado?

    O parto normal é indicado quando a gestação está evoluindo de forma saudável, como nas seguintes situações:

    • A gestante está em boas condições de saúde, sem doenças que contraindiquem o trabalho de parto ou aumentem o risco durante o esforço;
    • A gravidez evolui sem complicações importantes, com um pré-natal dentro do esperado e sem intercorrências relevantes;
    • O bebê está bem e com crescimento adequado, com batimentos cardíacos normais e sem sinais de sofrimento fetal;
    • O bebê está na posição adequada, preferencialmente de cabeça para baixo (posição cefálica), o que facilita a passagem pelo canal de parto;
    • A placenta está bem posicionada, sem obstruir o colo do útero;
    • O trabalho de parto evolui de forma adequada, com contrações eficazes, progressão da dilatação e descida do bebê.

    É importante lembrar que a escolha pelo parto normal não depende de um único fator, mas de uma combinação de condições. Mesmo quando tudo começa bem, deve-se manter o acompanhamento durante o trabalho de parto para observar como tudo está evoluindo e garantir a segurança da mãe e do bebê em cada momento.

    Quando a decisão sobre a via de parto deve ser tomada?

    A decisão sobre a via de parto não precisa ser tomada logo no início da gestação. Na verdade, ela é um processo construído ao longo do pré-natal, durante as conversas com o médico.

    Nas primeiras consultas, a gestante pode compartilhar os seus desejos, expectativas e até possíveis receios, mas é mais para o final da gravidez, por volta da 34ª a 36ª semana, que já é possível avaliar com mais precisão a posição do bebê, a saúde da placenta e as condições clínicas da gestante, o que ajuda a definir o caminho mais seguro.

    Caso a escolha seja por uma cesárea programada, a legislação brasileira permite que o agendamento seja feito a partir da 39ª semana, um momento em que o bebê já está mais maduro e preparado para o nascimento.

    Ainda assim, é importante lembrar que o plano pode mudar durante o trabalho de parto, caso surja qualquer sinal de risco, já que a prioridade sempre será a segurança da mãe e do bebê.

    Como se preparar para o parto após os 35 anos?

    Primeiro de tudo, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência, de acordo com Andreia. O período permite avaliar a saúde de maneira mais completa e adotar hábitos de vida saudáveis, que contribuem para uma gestação saudável.

    Para quem já está grávida ou planejando os próximos passos, a preparação para o parto envolve alguns cuidados, como:

    • Mantenha o pré-natal em dia: as consultas e exames regulares são importantes para acompanhar de perto a saúde da placenta e o desenvolvimento do bebê;
    • Cuide do assoalho pélvico: a fisioterapia pélvica ajuda a preparar a musculatura para o parto, além de evitar desconfortos como a perda de urina;
    • Alimente-se com equilíbrio: priorizar alimentos naturais e controlar o açúcar ajuda a evitar a pressão alta e o diabetes gestacional;
    • Pratique atividades leves: caminhadas, hidroginástica ou pilates para gestantes melhoram a resistência física e ajudam no controle do peso;
    • Priorize o descanso: o corpo pede mais energia nessa fase, então respeite os limites e tente manter uma rotina de sono tranquila.

    Além dos cuidados físicos, é importante cuidar também do preparo emocional para o parto, porque ele faz toda a diferença na experiência como um todo. Ter acesso a uma informação de qualidade, participar de cursos para gestantes e manter uma conversa aberta com o médico ajudam a diminuir a ansiedade e a trazer mais segurança e tranquilidade para o momento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Toda grávida com mais de 35 anos é considerada “gestante de alto risco”?

    Nem sempre. Apesar da idade exigir um monitoramento mais atento, se a mulher for saudável e não tiver doenças crônicas ou complicações na gravidez, ela pode ser acompanhada como uma gestação de risco habitual.

    2. É verdade que a bacia “fica rígida” com a idade?

    Isso é um mito. As articulações da bacia se tornam mais flexíveis durante a gravidez devido à ação de hormônios como a relaxina, independentemente da idade.

    3. Posso ter parto normal se a minha gravidez foi por FIV?

    Sim, a técnica usada para engravidar não impede o parto normal. A decisão dependerá apenas da saúde da mãe e do bebê durante a gestação.

    4. A recuperação da cesárea é mais lenta após os 35?

    O tempo de cicatrização pode ser ligeiramente maior, mas o que mais influencia a recuperação é a saúde geral da mulher e se ela teve complicações como diabetes ou anemia.

    5. Posso ter parto humanizado após os 35 anos?

    Com certeza. O parto humanizado é focado no respeito às escolhas da mulher e na segurança, e pode ser realizado tanto no parto normal quanto na cesárea necessária.

    6. O risco de pré-eclâmpsia aumenta no final da gravidez?

    Sim, o risco aumenta levemente com a idade, por isso aferir a pressão arterial em todas as consultas e ficar atenta a inchaços súbitos é fundamental.

    7. O que é mais seguro: cesárea agendada ou esperar o parto normal?

    Não há uma resposta única. A opção mais segura é aquela discutida com seu médico, baseada nos exames mais recentes e no bem-estar do seu bebê naquele momento.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    A decisão sobre como lidar com a dor durante o parto é pessoal e envolve encontrar um equilíbrio entre o conforto da mãe, a segurança do bebê e o progresso do trabalho de parto.

    A analgesia existe para tornar a experiência do parto mais confortável, sem necessariamente interferir na participação ativa da mulher naquele momento. Uma vez que cada gestação é única, a indicação pode variar conforme a evolução do parto, a intensidade da dor e também a preferência da gestante.

    Para entender melhor como a analgesia de parto funciona, quando costuma ser indicada e quais informações realmente fazem sentido, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Qual a diferença entre anestesia e analgesia?

    A diferença entre a anestesia e a analgesia está principalmente no grau de bloqueio da dor e da sensibilidade.

    A analgesia tem como objetivo reduzir ou aliviar a dor, mas sem eliminar totalmente a sensibilidade nem os movimentos. No parto normal, por exemplo, a analgesia costuma permitir que a mulher continue sentindo o corpo, consiga se movimentar e faça força quando necessário, só com menos dor.

    Já a anestesia provoca um bloqueio mais completo, que pode incluir dor, sensibilidade e até movimento, dependendo do tipo e da dose. Na cesariana, por exemplo, a anestesia é usada para que a mulher não sinta dor durante o procedimento cirúrgico.

    Mitos e verdades sobre analgesia no parto normal

    1. A anestesia faz o trabalho de parto parar

    Mito! Antigamente, eram utilizadas doses mais altas que realmente podiam reduzir a intensidade das contrações uterinas e até prolongar o trabalho de parto.

    Hoje, a técnica de “baixa dose” (low-dose) permite manter o útero funcionando normalmente, preservando as contrações necessárias para a progressão do parto, enquanto reduz principalmente a dor mais intensa.

    2. A gestante pode perder a capacidade de fazer força

    Verdade, mas é controlável. Em alguns casos, a sensibilidade pode diminuir a ponto de a mulher não perceber claramente o “reflexo de puxo”.

    No entanto, a equipe médica consegue orientar o momento adequado para fazer força, e o efeito da analgesia pode ser ajustado durante o período expulsivo para favorecer a participação ativa da mulher no parto.

    3. A analgesia causa dor nas costas para sempre

    Mito. A dor no local da picada é comum por 2 ou 3 dias. As dores crônicas nas costas após o parto normalmente estão ligadas à postura durante a gravidez, ganho de peso ou esforço físico, e não à agulha da anestesia.

    4. A medicação passa para o bebê e o deixa sonolento

    Mito. Na analgesia de parto, especialmente na técnica peridural (epidural), a medicação permanece concentrada no espaço ao redor da medula espinhal e praticamente não entra na corrente sanguínea materna. Logo, a quantidade que chega ao bebê é insignificante.

    5. Existe um “momento certo” (dilatação mínima) para pedir

    Mito. De acordo com Andreia, como a dor é um critério muito subjetivo, a analgesia pode acontecer em momentos diferentes do parto, dependendo de cada paciente.

    A decisão é individual e deve considerar o conforto materno. Não é necessário esperar atingir 4 ou 5 cm de dilatação se a gestante estiver com dor intensa ou sofrimento — o importante é que ela já esteja em trabalho de parto ativo e com avaliação médica adequada.

    6. Nem toda mulher consegue tomar a anestesia.

    Verdade. Existem contraindicações raras, como distúrbios de coagulação graves, infecções ativas nas costas ou algumas cirurgias prévias na coluna que impedem o acesso ao espaço epidural.

    Nesses casos, a equipe médica avalia alternativas para controle da dor e acompanha o parto com atenção redobrada.

    7. Analgesia pode ser aplicada novamente no final do parto

    Verdade. Na fase final do parto, quando ocorre a distensão do períneo e a cabeça do bebê já está saindo, Andreia aponta que o anestesista pode complementar a analgesia para aliviar a dor nessa região, que é diferente da dor das contrações.

    Em alguns casos, realiza-se um duplo bloqueio: além da peridural, utiliza-se uma raquianestesia em dose muito baixa, direcionada principalmente ao períneo. Isso acontece porque a raquianestesia pode bloquear fibras motoras, e a ideia é evitar que a paciente perca a motricidade.

    8. É impossível caminhar após tomar a anestesia

    Mito. Com a técnica da walking epidural, a dose é ajustada para bloquear a dor (fibras sensitivas), mas preservar o movimento das pernas (fibras motoras), permitindo que a mulher mude de posição.

    9. Analgesia pode afetar as contrações uterinas

    Verdade. Segundo Andreia, a analgesia pode provocar um pequeno desequilíbrio entre adrenalina e noradrenalina, o que pode influenciar as contrações uterinas. Com o alívio da dor, muitas vezes o corpo relaxa e o útero pode até contrair melhor.

    Em algumas situações, isso pode favorecer a evolução do parto. Já em outras, as contrações podem ficar um pouco mais lentas.

    Por isso, o obstetra acompanha as contrações de perto para garantir que elas continuem eficazes e não prejudiquem o andamento do trabalho de parto. Quando necessário, pode ser utilizada ocitocina para manter contrações adequadas em cada fase do parto.

    Quando a analgesia no parto normal é indicada?

    A analgesia no parto normal é indicada, principalmente, quando a mulher sente que a dor está forte demais e que os métodos naturais, como o banho quente, a massagem ou a bola, não estão mais dando conta de trazer alívio.

    Se você está em trabalho de parto e percebe que chegou ao seu limite, tem o direito de pedir ajuda com a medicação.

    Além da vontade da mãe, os médicos também podem indicar a analgesia em algumas situações para ajudar o parto a evoluir melhor, como nos casos de cansaço intenso ou dificuldade para relaxar.

    Às vezes, a dor impede o descanso ou o relaxamento, o que pode até interferir na evolução do trabalho de parto. O alívio da dor pode ajudar o corpo a responder melhor às contrações e tornar o processo mais tranquilo.

    Como a analgesia é aplicada?

    A analgesia de parto é aplicada no chamado espaço peridural, que fica ao redor da medula espinhal, conforme explica Andreia. O medicamento é administrado nessa região para bloquear principalmente as fibras responsáveis pela dor, sem necessariamente afetar a sensibilidade ou os movimentos.

    Para fazer o procedimento, o anestesista realiza uma punção na região lombar e introduz um cateter fino no espaço peridural. Por meio do cateter, o analgésico é liberado de forma gradual e contínua com a ajuda de uma bomba de infusão, que administra pequenas quantidades do medicamento ao longo do trabalho de parto.

    Andreia ressalta que o controle da dose e da velocidade de infusão é fundamental. Se a medicação for administrada em quantidade muito alta ou rapidamente, pode haver maior perda de sensibilidade ou até de movimento. Por isso, o objetivo é aliviar a dor sem impedir a participação ativa da mulher no parto.

    Existem contraindicações?

    A analgesia no parto normal é contraindicada em algumas situações pouco comuns, como:

    • Uso de anticoagulantes ou alterações importantes da coagulação, que aumentam o risco do procedimento;
    • Desvios acentuados na coluna ou cirurgias prévias na região, que podem dificultar a passagem do cateter.

    Nem sempre essas situações impedem a analgesia, mas podem deixar o procedimento um pouco mais delicado. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com cuidado pela equipe médica.

    Perguntas frequentes

    1. A analgesia pode atrasar o parto?

    Ela pode prolongar um pouquinho a fase final (de 15 a 30 minutos), mas, por outro lado, pode acelerar a dilatação inicial ao relaxar uma mãe que estava muito tensa pela dor.

    2. Se eu tomar a analgesia, ainda vou sentir as contrações?

    Você vai sentir a barriga endurecer e uma pressão, mas a dor aguda e “cortante” desaparece. A ideia é tirar o sofrimento, mas manter a sensação do seu corpo trabalhando.

    3. Qual a diferença entre peridural e raquianestesia?

    A raqui é uma picada única, age rápido (em 2-5 minutos), mas dura menos tempo. A peridural usa um cateter (um tubinho fino) que fica nas costas para mandar remédio o tempo todo, durando quantas horas o parto precisar.

    4. E se eu tiver tatuagem nas costas?

    Na maioria das vezes, não é problema. O anestesista tenta introduzir a agulha em um espaço sem tinta, ou faz um pequeno corte milimétrico na pele para a agulha não levar tinta para dentro.

    5. Pode tomar a analgesia se tiver escoliose?

    Pode, mas é importante avisar ao médico. A coluna torta pode dificultar um pouco o acesso ao espaço correto, mas o anestesista experiente consegue realizar o procedimento com segurança.

    6. A analgesia interfere na amamentação na primeira hora?

    Não. Como a medicação quase não passa para o bebê e a mãe permanece acordada e alerta, o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento acontecem normalmente.

    7. Quanto tempo demora para o efeito passar totalmente após o parto?

    Normalmente, entre 1 a 2 horas após a última dose. Você sentirá um formigamento nas pernas conforme a sensibilidade volta ao normal, e logo já poderá levantar e tomar banho (com ajuda, por segurança).