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  • Antidepressivos mudam a personalidade? Psiquiatra explica 

    Antidepressivos mudam a personalidade? Psiquiatra explica 

    Os antidepressivos atuam principalmente nos neurotransmissores cerebrais que influenciam o humor e a regulação emocional, contribuindo para restaurar o equilíbrio químico alterado em condições como depressão. Só que, no início do tratamento, não é incomum sentir medo de que os medicamentos possam mudar a personalidade.

    Os transtornos mentais afetam diretamente emoções, pensamentos, comportamentos e a forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Quando os medicamentos começam a fazer efeito, algumas mudanças podem ser percebidas no cotidiano, como mais disposição, redução da ansiedade, melhora do humor, aumento da vontade de socializar e maior estabilidade emocional.

    Para algumas pessoas, as mudanças podem causar bastante estranhamento, principalmente se você passou muito tempo convivendo com sofrimento psicológico intenso.

    Antidepressivos mudam a personalidade?

    Os antidepressivos não mudam a personalidade de uma pessoa no sentido de transformar quem ela é, mas eles podem alterar sintomas emocionais, pensamentos, comportamentos e a forma como o cérebro reage ao estresse. Na prática, o que acontece é que o tratamento ajuda a recuperar características da personalidade que estavam escondidas pelo sofrimento emocional.

    A depressão e os transtornos de ansiedade podem alterar profundamente o comportamento e a percepção de si mesmo. Uma pessoa pessimista pode perder o interesse pelas atividades favoritas, se afastar socialmente, ficar mais irritada, pessimista, cansada ou emocionalmente fechada.

    Quando os sintomas diminuem, características naturais da personalidade tendem a reaparecer: uma pessoa que antes era comunicativa e afetiva, mas ficou retraída durante um quadro depressivo, pode voltar a demonstrar mais interesse pelas relações sociais.

    “Quando um tratamento funciona, a pessoa geralmente volta a sentir mais próxima de como ela era antes da doença. Algumas pessoas dizem até que se sentem mais elas mesmas novamente”, esclarece o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Vale lembrar que a personalidade é construída ao longo da vida, influenciada pela genética, pela infância, pelas experiências, pelo ambiente e pelas relações sociais. Por isso, ela não costuma mudar de forma brusca apenas pelo uso de um remédio.

    Antidepressivos podem deixar a pessoa “sem emoções”?

    Com o uso de alguns tipos de depressivos, principalmente os que atuam aumentando a serotonina, Luiz explica que algumas pessoas podem relatar uma sensação conhecida como embotamento ou achatamento emocional, em que as emoções se tornam menos intensas. A pessoa pode sentir menos vontade de chorar, menos empolgação ou uma sensação de neutralidade emocional.

    O efeito não significa que a pessoa perdeu a própria personalidade ou deixou de sentir emoções completamente. Na maioria das vezes, ocorre apenas a diminuição da intensidade emocional, que pode variar bastante de pessoa para pessoa.

    Luiz ainda destaca que o embotamento emocional não acontece com todos os pacientes e depende de fatores como o tipo de antidepressivo, a dose utilizada, a sensibilidade individual e a resposta do organismo ao tratamento. Quando o sintoma causa desconforto no dia a dia, é fundamental conversar com o médico.

    Como os antidepressivos agem no cérebro?

    Os antidepressivos atuam aumentando a disponibilidade de neurotransmissores, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, no espaço entre os neurônios, chamado de fenda sináptica.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, a comunicação química pode apresentar alterações, afetando diretamente o humor, a regulação emocional, a motivação, o sono e a resposta do cérebro ao estresse.

    A maioria dos medicamentos, como os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), funciona impedindo que o cérebro recolha a serotonina rápido demais, fazendo com que ela permaneça disponível por mais tempo entre os neurônios e ajudando o cérebro a transmitir sinais relacionados ao bem-estar e à estabilidade emocional.

    Com o uso contínuo, os antidepressivos também ajudam o cérebro a criar e organizar conexões entre os neurônios, em um processo chamado neuroplasticidade. Isso ajuda o cérebro a se recuperar dos efeitos do estresse crônico e do próprio transtorno mental.

    Por isso, na maioria dos casos, o organismo precisa de algumas semanas para se adaptar às mudanças e começar a apresentar melhora mais perceptível dos sintomas.

    Quando procurar o médico para ajustar a dose?

    É importante procurar o médico nas seguintes situações:

    • Os sintomas não melhoram após algumas semanas de uso;
    • A ansiedade, a tristeza ou a irritabilidade pioram;
    • Surgem efeitos colaterais difíceis de tolerar;
    • Há sensação de apatia;
    • Aparecem muito sono, insônia ou cansaço excessivo;
    • Ocorre redução importante da libido;
    • Surgem agitação, impulsividade ou mudanças intensas de comportamento;
    • Há dificuldade para continuar o tratamento por causa dos efeitos do remédio.

    Também é importante procurar orientação médica caso a pessoa esqueça as doses com frequência, tenha dificuldade para tomar a medicação corretamente ou queira interromper o tratamento.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo vicia?

    Não. Ao contrário dos ansiolíticos (tarja preta), os antidepressivos não causam dependência química. O que pode ocorrer é uma síndrome de descontinuação se o remédio for parado abruptamente, por isso o desmame deve ser gradual.

    2. Vou ter que tomar o antidepressivo para sempre?

    Nem sempre. Muitos pacientes fazem o tratamento por um período determinado (geralmente de 6 meses a 2 anos após a remissão dos sintomas) e depois recebem alta. Casos crônicos ou recorrentes podem exigir uso prolongado.

    3. Antidepressivo engorda?

    Depende da molécula. Alguns podem aumentar o apetite (como a mirtazapina), enquanto outros são neutros ou podem até ajudar no controle da compulsão alimentar (como a fluoxetina ou bupropiona).

    4. Grávidas podem tomar antidepressivos?

    Sim, sob supervisão médica. Existem opções seguras que apresentam baixo risco para o bebê, sendo muitas vezes mais perigoso para a gestação manter uma depressão grave sem tratamento.

    5. Existe um exame de sangue para saber qual remédio tomar?

    Existem testes farmacogenéticos que analisam como seu corpo metaboliza certas substâncias, ajudando a prever quais remédios podem ter mais efeitos colaterais, mas a escolha clínica ainda é baseada nos sintomas do paciente.

    6. O remédio começa a fazer efeito logo na primeira dose?

    Os efeitos colaterais (como náusea ou dor de cabeça) podem surgir logo no início, mas o benefício terapêutico no humor raramente aparece antes de 15 dias.

    7. Posso tomar antidepressivo por conta própria?

    Jamais. São medicamentos controlados que exigem diagnóstico preciso. O uso indevido pode agravar quadros de bipolaridade (causando mania) ou gerar interações medicamentosas perigosas.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Por que não se deve parar antidepressivo de repente?

    Por que não se deve parar antidepressivo de repente?

    Os antidepressivos são remédios que atuam diretamente no sistema nervoso central para ajudar a regular o equilíbrio de substâncias químicas chamadas neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

    Por alterarem a química cerebral de forma profunda e gradual, eles precisam de um um cuidado rigoroso tanto no início quanto no término do uso.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, não é indicado interromper o uso do antidepressivo de repente, sem a devida orientação médica, pois pode desencadear uma série de reações adversas graves, conhecidas como síndrome de descontinuação.

    Em alguns casos, também pode haver uma piora temporária dos sintomas da própria depressão, o que pode confundir o paciente e dar a impressão de que o tratamento não estava funcionando. Por isso, a retirada do antidepressivo deve ser feita de forma gradual, com redução progressiva da dose e acompanhamento médico próximo.

    O que é a síndrome de descontinuação?

    A síndrome de descontinuação é um conjunto de sintomas que pode surgir quando um antidepressivo é interrompido de forma abrupta ou reduzido rápido demais, sem o tempo necessário para o corpo se adaptar.

    Ao longo do tratamento, os receptores dos neurônios se ajustam para funcionar com aquela quantidade extra de neurotransmissores, como a serotonina. Quando o antidepressivo é retirado de repente, os níveis da substância caem rapidamente no sangue e o cérebro não consegue se ajustar na mesma velocidade.

    Como consequência, o corpo pode apresentar sintomas que variam de leves a incapacitantes, dependendo do tipo de molécula e do tempo de uso. Normalmente, eles aparecem entre 2 a 4 dias após a interrupção e costumam durar de uma a duas semanas. Em alguns casos, podem persistir por mais tempo se não houver intervenção médica para retomar o desmame correto.

    Importante: diferente do que ocorre com alguns calmantes ou drogas ilícitas, a reação não significa que o remédio causa dependência, mas sim que o organismo sofreu um choque adaptativo.

    Principais sintomas da interrupção abrupta do antidepressivo

    A intensidade dos sintomas varia de acordo com o organismo e o tipo de medicamento, mas os sinais mais comuns relatados pelos pacientes incluem:

    • Tontura e sensação de desequilíbrio;
    • Náuseas e mal-estar gastrointestinal;
    • Dor de cabeça;
    • Fadiga ou sensação de fraqueza;
    • Insônia ou sono agitado;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Ansiedade ou agitação;
    • Sensação de choques elétricos no corpo (especialmente na cabeça);
    • Formigamento ou sensação estranha na pele;
    • Dificuldade de concentração.

    Em algumas pessoas, também pode acontecer uma piora temporária dos sintomas da depressão ou da ansiedade, o que é conhecido como efeito rebote. A intensidade varia bastante, mas tende a ser maior quando a interrupção é feita de forma repentina, sem o desmame adequado.

    Como o desmame deve ser feito com segurança

    Segundo Luiz, quando for o momento ideal para interromper o tratamento, o médico orienta como deve ser feita a interrupção. Normalmente, ela precisa seguir alguns cuidados, como:

    • Redução gradual da dose: o médico diminui a quantidade do medicamento aos poucos, ao longo de semanas ou meses, dependendo do remédio, da dose e do tempo de uso;
    • Intervalos entre as reduções: o organismo precisa de um tempo para se adaptar a cada etapa, então as quedas de dose não são feitas de uma vez;
    • Acompanhamento dos sintomas: é importante observar como o corpo e o humor reagem. Se surgirem efeitos intensos, o ritmo pode ser ajustado;
    • Individualização do processo: não existe um padrão único, e cada pessoa responde de um jeito, e o plano deve ser personalizado;
    • Apoio durante a retirada: manter terapia, rotina de sono, alimentação equilibrada e manejo do estresse ajuda a tornar o processo mais estável.

    Em alguns casos, o médico pode optar por trocar para um antidepressivo de ação mais longa antes de iniciar o desmame, o que reduz a chance de sintomas mais fortes.

    O que fazer se você esqueceu de tomar uma dose

    Se você esqueceu de tomar o antidepressivo, o ideal é tomar a dose assim que se lembrar. No entanto, se já estiver quase na hora da próxima tomada, ignore a dose esquecida e siga o cronograma normal.

    Nunca tome duas doses ao mesmo tempo para compensar o esquecimento, pois isso aumenta o risco de efeitos colaterais e toxicidade sem trazer nenhum benefício terapêutico ao tratamento.

    Caso o esquecimento seja de apenas um dia, a maioria das pessoas não sente efeitos graves, mas os medicamentos com saída rápida do organismo podem causar tontura ou leve irritabilidade já nas primeiras horas de atraso.

    Por fim, se você notar que esqueceu o remédio por vários dias seguidos, não tente retomar a dose máxima de uma vez caso sinta mal-estar. Primeiro, entre em contato com seu médico para receber orientações de como estabilizar os níveis da medicação novamente.

    Quando é o momento certo de parar o tratamento?

    A interrupção de um antidepressivo só deve acontecer quando você já está bem, sem sintomas, e com o emocional estável por um bom tempo, normalmente entre 6 e 12 meses depois da melhora. O período é importante para o cérebro se ajustar e para diminuir o risco de a depressão voltar.

    A decisão de parar o remédio precisa ser feita pelo médico, que vai avaliar se você está em uma fase tranquila da vida, sem grandes estresses que possam atrapalhar o processo. O histórico também conta: quem teve um único episódio pode conseguir parar antes, enquanto quem já teve mais de uma crise costuma precisar de um tratamento mais longo.

    Atenção: se você sentir que o remédio está causando efeitos colaterais desagradáveis, não pare por conta própria. Nesses casos, o médico pode optar por trocar a molécula em vez de interromper o tratamento.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo causa dependência ou vício?

    Não. Diferente de calmantes (benzodiazepínicos), os antidepressivos não causam dependência química. A dificuldade em parar deve-se à adaptação do cérebro à substância, e não a um vício.

    2. Quanto tempo duram os sintomas de retirada?

    Em média, os sintomas surgem em 2 a 4 dias e duram de uma a duas semanas. No entanto, se a interrupção for abrupta, o mal-estar pode persistir por mais tempo até que o corpo se estabilize.

    3. Posso diminuir a dose cortando o comprimido ao meio?

    Apenas se o comprimido for sulcado (tiver a marca de divisão) e com orientação médica. Alguns remédios têm revestimento especial para liberação lenta que é destruído ao ser cortado.

    4. Parar de tomar o remédio pode causar convulsão?

    É raro, mas pode acontecer com certos tipos de antidepressivos (como a bupropiona) se interrompidos bruscamente em doses altas. Por isso, o desmame é obrigatório.

    5. Posso beber álcool durante o desmame?

    Não é recomendável. O álcool sobrecarrega o sistema nervoso central e pode intensificar os sintomas de tontura e instabilidade emocional da retirada.

    6. Como saber se o que sinto é a retirada ou a depressão voltando?

    Os sintomas de retirada surgem dias após a parada e incluem sinais físicos (choques, náuseas). Se os sintomas forem puramente emocionais e surgirem semanas depois, é provável que seja a doença voltando.

    7. Existe algum suplemento que ajude no desmame?

    Alguns médicos sugerem ômega-3 ou magnésio, mas nada substitui a redução gradual da dose. Nunca use suplementos sem autorização médica nesse período.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Antidepressivos viciam? Entenda os efeitos no cérebro e no organismo

    Antidepressivos viciam? Entenda os efeitos no cérebro e no organismo

    Fluoxetina, sertralina e escitalopram são alguns dos medicamentos que pertencem à classe dos antidepressivos, normalmente utilizados no tratamento da depressão, transtornos de ansiedade e pânico.

    Apesar de importantes para a recuperação da saúde mental e qualidade de vida, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que é comum que muitas pessoas hesitem em iniciar o tratamento por receio do antidepressivo causar uma dependência química.

    No entanto, ao contrário do que acontece com os medicamentos de tarja preta (ansiolíticos), os antidepressivos não viciam. O que acontece é que, se o tratamento é interrompido de forma brusca, o corpo pode reagir com sintomas desconfortáveis que podem ser confundidos com a dependência.

    A reação, conhecida como síndrome de descontinuação, ocorre porque o cérebro precisa de tempo para se ajustar à ausência da substância. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, antidepressivo vicia?

    Não, antidepressivo não causa vício. Diferente de drogas ou de alguns medicamentos tarja preta, eles não provocam um desejo compulsivo pelo uso nem fazem com que a pessoa precise aumentar a dose com o tempo para obter o mesmo efeito.

    Na verdade, eles atuam de forma gradual, ajudando a regular substâncias do cérebro, como a serotonina, que estão relacionadas ao humor e ao bem-estar. Por isso, os efeitos não aparecem de um dia para o outro e normalmente levam algumas semanas até que o organismo se adapte e comece a responder ao tratamento.

    Quando utilizados da forma correta, com acompanhamento médico, os antidepressivos são seguros e fundamentais para a recuperação da saúde mental.

    Por que algumas pessoas sentem mal-estar ao parar o remédio?

    Quando o paciente interrompe o uso do antidepressivo de maneira brusca e sem orientação médica, o organismo, que já estava adaptado àquele suporte químico, reage à falta repentina da substância. Como o cérebro vinha funcionando com a ajuda do remédio para manter o equilíbrio dos neurotransmissores, Luiz explica que ele precisa de tempo para voltar a se ajustar sem ele.

    Como consequência, a pessoa pode apresentar sintomas como tontura, náuseas, dores de cabeça, irritabilidade e alterações no sono, como insônia ou sono agitado. Em alguns casos, também pode surgir ansiedade, sensação de mal-estar geral e até aqueles choques pelo corpo, que são bastante característicos.

    Os sintomas costumam aparecer poucos dias após a interrupção e podem variar de intensidade, dependendo do tipo de antidepressivo, da dose utilizada e do tempo de tratamento. Em geral, são temporários, mas podem causar bastante desconforto e impactar a rotina.

    Qual a diferença entre antidepressivos e ansiolíticos (tarja preta)?

    Os antidepressivos e os ansiolíticos de tarja preta possuem mecanismos de ação, indicações e riscos completamente diferentes.

    Os antidepressivos são remédios de tratamento contínuo que agem de forma gradual, aumentando a disponibilidade de neurotransmissores como a serotonina de maneira constante. Assim, leva de duas a quatro semanas para que o paciente sinta os primeiros benefícios.

    Já os ansiolíticos de tarja preta, conhecidos como benzodiazepínicos (como o clonazepam e o diazepam), funcionam como uma espécie de sedativo para o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade ou induzindo o sono poucos minutos após o uso. Eles atuam em um receptor chamado GABA, que desacelera a atividade cerebral de forma rápida.

    Por causa da ação rápida, os benzodiazepínicos costumam ser indicados para situações pontuais, como crises de ansiedade, insônia aguda ou momentos de grande estresse. No entanto, o uso prolongado precisa de bastante cuidado, já que o grupo pode causar tolerância e dependência.

    Como parar de tomar o antidepressivo com segurança?

    Para interromper o uso de um antidepressivo sem sofrer com efeitos colaterais indesejados, é importante ter alguns cuidados:

    • Consultar o médico psiquiatra: somente o profissional que acompanha o seu caso pode avaliar se você está no momento certo para interromper o medicamento;
    • Realizar o desmame gradual: o médico estabelecerá um cronograma de redução lenta das doses, o que pode levar semanas ou até meses, permitindo que o cérebro se reajuste gradualmente à ausência da substância;
    • Nunca interromper por conta própria: parar o remédio repentinamente é o que causa a síndrome de descontinuação, gerando tonturas, náuseas e mal-estar intenso;
    • Monitorar sintomas de recaída: durante o processo de retirada, é importante observar se os sintomas originais (como ansiedade ou tristeza profunda) estão retornando ou se são apenas efeitos temporários da redução;
    • Manter hábitos saudáveis: a prática de exercícios físicos, uma boa higiene do sono e uma alimentação equilibrada ajudam o sistema nervoso a se manter estável durante a fase de transição;
    • Manter o acompanhamento terapêutico: continuar com a psicoterapia durante o desmame é crucial para fortalecer as ferramentas emocionais e garantir que você consiga lidar com os desafios sem o suporte do medicamento;
    • Comunicar efeitos colaterais ao médico: se você sentir qualquer desconforto atípico durante a redução das doses, informe ao médico. Ele pode ajustar o ritmo do desmame para que o processo seja mais confortável.

    Quando procurar o médico?

    Você deve procurar o médico se notar as seguintes situações:

    • Se no início do tratamento ou após um ajuste de dose você sentir náuseas persistentes, insônia grave, tremores ou alterações cardíacas;
    • Caso sinta que a ansiedade ou o desânimo aumentaram significativamente após o início do remédio, ou se surgirem pensamentos intrusivos e negativos;
    • Se você esqueceu algumas doses ou tentou reduzir a medicação e começou a sentir tonturas (“choques” na cabeça), irritabilidade extrema ou mal-estar gripal;
    • Sempre que sentir que já está bem o suficiente para parar. Nunca faça isso sozinho; o médico precisa validar se os neurotransmissores já estão estabilizados;
    • Como o antidepressivo demora para agir, se após esse período você não notar nenhuma mudança positiva, pode ser necessário ajustar a dose ou trocar a molécula;
    • Se notar agitação excessiva, euforia fora do comum ou impulsividade, o que pode indicar a necessidade de reavaliar o diagnóstico.

    Lembre-se: se algo no seu corpo ou na sua mente parece fora do comum após o início da medicação, não hesite em agendar uma consulta.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os sintomas da retirada brusca do antidepressivo?

    Os mais comuns incluem tonturas, náuseas, dores de cabeça, irritabilidade, formigamentos ou a sensação de “choques” leves na cabeça e distúrbios do sono.

    2. O antidepressivo muda a personalidade?

    Não, o medicamento não altera quem você é. O objetivo é reduzir os sintomas da doença (como a apatia ou a irritabilidade excessiva) para que sua personalidade real possa emergir novamente.

    3. Quanto tempo demora para o antidepressivo fazer efeito?

    Em média, de 2 a 4 semanas. O alívio não é imediato porque o cérebro precisa de tempo para realizar as adaptações estruturais e químicas necessárias.

    4. Antidepressivo engorda?

    Depende da substância. Alguns podem aumentar o apetite, enquanto outros são neutros ou podem até ajudar no controle da compulsão alimentar. O efeito varia muito de organismo para organismo.

    5. O remédio causa sonolência?

    Alguns tipos têm efeito mais sedativo e são tomados à noite, enquanto outros são estimulantes e devem ser tomados pela manhã. O médico escolhe o melhor perfil para cada paciente.

    6. Vou ter que tomar o remédio para sempre?

    Na maioria das vezes, não. O tratamento geralmente dura de 6 a 12 meses após a remissão total dos sintomas. Casos de uso prolongado ocorrem apenas em episódios recorrentes ou crônicos.

    7. Grávidas podem tomar antidepressivos?

    Sim, existem opções seguras. O tratamento deve ser avaliado pelo psiquiatra e obstetra, pois o risco de uma depressão não tratada para a mãe e o bebê costuma ser maior que o risco do remédio.

    8. Posso dirigir tomando esses medicamentos?

    No início do tratamento, é preciso cautela até entender como seu corpo reage (se há tontura ou sono). Uma vez estabilizado, a maioria das pessoas dirige normalmente.

    9. O que é a serotonina que o remédio ajuda a manter?

    É um neurotransmissor fundamental que regula o humor, o sono, o apetite e a sensibilidade à dor. O antidepressivo impede que ela seja “recolhida” rápido demais, deixando-a disponível por mais tempo no cérebro.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Quais os principais efeitos colaterais dos antidepressivos (e como aliviá-los)? 

    Quais os principais efeitos colaterais dos antidepressivos (e como aliviá-los)? 

    Os remédios antidepressivos, usados no tratamento de condições como a depressão, o pânico e o transtorno de ansiedade, funcionam regulando a comunicação entre as células do cérebro.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, eles atuam principalmente sobre os neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, que são responsáveis por influenciar o humor, o sono, o apetite e a resposta ao estresse.

    Como as substâncias químicas circulam por todo o organismo, elas acabam interagindo com receptores em órgãos que não são o alvo principal do tratamento. Como resultado, no início do uso, você pode apresentar alguns efeitos colaterais que afetam o intestino, o sono e até mesmo o nível de energia ou a sensação de bem-estar. Vamos entender mais, a seguir.

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    Quais são os efeitos colaterais mais comuns dos antidepressivos?

    O início do tratamento costuma exigir um período de adaptação do organismo, que dura, em média, de duas a quatro semanas. Durante o tempo, é comum aparecerem alguns efeitos colaterais, que podem variar de acordo com o tipo de medicamento e com a sensibilidade de cada pessoa. Os mais comuns incluem:

    1. Náuseas e desconforto abdominal

    O enjoo é um dos sintomas mais comuns, principalmente no começo do uso de alguns antidepressivos, acontece porque o intestino também tem receptores de serotonina, que acabam sendo estimulados pela medicação. A sensação pode ser de estômago embrulhado ou irritado, mas costuma melhorar depois de alguns dias, quando o corpo se adapta ao remédio.

    2. Boca seca e alterações no paladar

    Alguns antidepressivos podem diminuir a produção de saliva, causando a sensação de boca seca o tempo todo. Também pode surgir mais sede ou até um gosto diferente na boca, como um sabor metálico. Ao longo do dia, beber água e mascar chicletes sem açúcar pode ajudar a aliviar o desconforto.

    3. Sonolência ou cansaço excessivo

    No início do tratamento com antidepressivos, o cérebro ainda está se ajustando ao medicamento, então você pode sentir mais sono ou cansaço durante o dia. Alguns remédios têm um efeito mais calmante, o que pode dar mais vontade de dormir. Nesses casos, o médico pode orientar o uso à noite.

    4. Insônia e agitação

    Por outro lado, algumas pessoas podem ter dificuldade para dormir ou acordar várias vezes durante a noite, e também pode surgir uma sensação de inquietação, como se o corpo estivesse mais agitado. Os sintomas costumam aparecer no início e tendem a melhorar com o tempo.

    5. Tontura e dor de cabeça

    A dor de cabeça e a tontura também podem acontecer nos primeiros dias. Às vezes, a tontura aparece ao levantar rápido, dando aquela sensação de cabeça leve, mas isso costuma ser temporário. Manter uma boa hidratação e levantar devagar pode ajudar enquanto o corpo se adapta ao tratamento.

    Como aliviar os efeitos colaterais dos antidepressivos

    Os efeitos colaterais dos antidepressivos costumam melhorar com o tempo, mas medidas simples podem ajudar a aliviar o desconforto no dia a dia, como:

    • Ajustar o horário da medicação: se o remédio causa sono, tomar à noite pode ajudar no descanso. Se causa agitação ou insônia, o uso pela manhã costuma ser melhor;
    • Tomar o medicamento com alimentos: ingerir o comprimido durante as refeições ajuda a reduzir o enjoo, a azia e o desconforto no estômago;
    • Manter a hidratação ao longo do dia: beber água em pequenos goles ajuda a aliviar a boca seca e a tontura;
    • Estimular a salivação: mascar chicletes ou chupar balas sem açúcar pode ajudar a diminuir a sensação de boca seca;
    • Evitar o excesso de cafeína e álcool: as substâncias podem piorar a boca seca e aumentar alguns efeitos colaterais;
    • Cuidar da rotina de sono: manter horários regulares, evitar telas antes de dormir e deixar o ambiente escuro e silencioso ajuda o corpo a se ajustar;
    • Praticar atividades físicas leves: caminhadas e exercícios leves ajudam a reduzir a ansiedade, melhorar o intestino e aumentar a disposição;
    • Manter uma rotina equilibrada: pequenos hábitos saudáveis no dia a dia ajudam o corpo a se adaptar melhor ao tratamento

    Quanto tempo duram os efeitos colaterais?

    A maioria dos efeitos colaterais aparece nos primeiros dias de tratamento e costuma melhorar entre duas e quatro semanas, pois é o tempo que o corpo precisa para se adaptar ao remédio e aos novos níveis das substâncias que atuam no cérebro.

    As reações como náuseas e tonturas tendem a sumir mais rapidamente, enquanto alterações no sono ou no apetite podem exigir um período maior de estabilização.

    Se os efeitos colaterais durarem mais de um mês ou estiverem atrapalhando muito a sua rotina, o ideal é conversar com o psiquiatra. Ele pode ajustar a dose ou trocar o medicamento para deixar o tratamento mais confortável.

    Quando o efeito colateral indica que devo trocar de medicação?

    O médico pode orientar a troca do remédio quando os efeitos colaterais passam a incomodar mais do que ajudar, ou quando a reação do corpo pode trazer algum risco à saúde. Isso costuma ser avaliado com cuidado, levando em conta como você está se sentindo no dia a dia e o quanto o tratamento está realmente trazendo benefício.

    Se, mesmo após cerca de quatro semanas, os sintomas não melhoram, ele pode entender que o organismo não se adaptou bem ao antidepressivo. Nesses casos, pode ser necessário ajustar a dose, trocar a medicação ou até reavaliar o tratamento, buscando uma opção que seja melhor tolerada pelo corpo.

    Quando procurar o médico imediatamente?

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure um pronto-socorro imediatamente:

    • Náuseas e desconforto gástrico;
    • Boca seca;
    • Sonolência e fadiga;
    • Insônia e agitação;
    • Tontura e vertigem;
    • Dor de cabeça;
    • Alterações no apetite;
    • Disfunção sexual e redução da libido;
    • Tremores leves;
    • Suor excessivo.

    Segundo Luiz, também é importante avisar o médico se você não sentir nenhuma melhora no quadro que está tratando após três ou quatro semanas, pois pode ser necessário ajustar a dose, trocar o medicamento ou até reavaliar o diagnóstico.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes

    1. É normal sentir mais ansiedade no início do tratamento com antidepressivos?

    Sim, o aumento da disponibilidade de neurotransmissores pode deixar o sistema nervoso em alerta temporário, mas o sintoma tende a desaparecer após as primeiras semanas.

    2. O antidepressivo engorda?

    Alguns fármacos podem aumentar o apetite ou alterar o metabolismo, mas o ganho de peso varia conforme a molécula utilizada e o organismo de cada paciente.

    3. O que fazer se eu esquecer de tomar uma dose do antidepressivo?

    Tome o comprimido assim que lembrar, a menos que esteja perto do horário da próxima dose. Nunca tome duas doses ao mesmo tempo para compensar o esquecimento.

    4. O antidepressivo diminui o desejo sexual?

    Alterações na libido ou dificuldade em atingir o orgasmo são efeitos possíveis. É importante relatar o fato ao médico, pois existem estratégias para contornar o problema.

    5. Quanto tempo demora para o antidepressivo fazer efeito no humor?

    O alívio dos sintomas emocionais normalmente começa a ser percebido entre a segunda e a sexta semana de uso contínuo.

    6. É normal ter pesadelos ou sonhos intensos com o uso de antidepressivos?

    Sim. As alterações na química cerebral influenciam o ciclo do sono e a fase REM, o que pode tornar os sonhos mais vívidos ou frequentes no início.

    7. Como saber se o remédio está funcionando?

    Os sinais de eficácia incluem a melhora na disposição física, retorno do interesse por atividades antes prazerosas e estabilização do sono e do humor.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Antidepressivos: o que são, como funcionam e quando são indicados

    Antidepressivos: o que são, como funcionam e quando são indicados

    Você já deve ter ouvido falar nos antidepressivos, mas sabe como eles realmente agem no corpo? Usados no tratamento de depressão, crises de ansiedade, pânico ou dores crônicas, os medicamentos atuam regulando substâncias químicas no cérebro que controlam as emoções, o sono e até a disposição para o dia a dia.

    A seguir, vamos entender quando eles são indicados, os principais tipos de antidepressivos e os possíveis efeitos colaterais do tratamento. Confira!

    O que são os antidepressivos?

    Os antidepressivos são uma classe de medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente no sistema nervoso central, a fim de normalizar as funções químicas do cérebro que foram alteradas.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, eles atuam no cérebro regulando a ação de neurotransmissores, principalmente a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, que são responsáveis por transmitir sinais entre os neurônios.

    Ao ajudar a equilibrar as substâncias, os antidepressivos melhoram a comunicação entre os neurônios, o que contribui para estabilizar o humor e reduzir os sintomas ao longo do tempo. Com o uso contínuo e orientado, você costuma sentir mais disposição, uma melhor qualidade do sono e maior controle sobre as emoções.

    Quando são indicados?

    Os antidepressivos são indicados quando os sintomas, sejam de um transtorno mental ou de uma condição física, passam a atrapalhar de forma importante a qualidade de vida, o trabalho ou os relacionamentos.

    O uso é recomendado quando o médico identifica que existe um desequilíbrio químico ou uma necessidade de modulação neurológica que não pode ser resolvida apenas com mudanças no estilo de vida. Entre as principais indicações, é possível destacar:

    • Depressão: tanto em episódios mais intensos quanto na depressão persistente (distimia), os antidepressivos ajudam a melhorar o humor, reduzir a sensação de vazio e recuperar o interesse por atividades do dia a dia. Também podem contribuir para melhorar o sono, o apetite e a energia;
    • Transtornos de ansiedade: são a base do tratamento para condições como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), crises de pânico e fobia social. Os medicamentos ajudam a diminuir a preocupação excessiva, a tensão constante e os sintomas físicos, como falta de ar, coração acelerado e inquietação;
    • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): atuam reduzindo os pensamentos intrusivos e a necessidade de realizar comportamentos repetitivos. Com o tempo, ajudam a pessoa a ter mais controle sobre os rituais e a diminuir o sofrimento causado pelo transtorno;
    • Controle da dor crônica: em quadros como fibromialgia, dores neuropáticas ou enxaquecas frequentes, alguns antidepressivos ajudam a regular a forma como o cérebro percebe a dor, diminuindo a intensidade e melhorando a qualidade de vida;
    • Transtornos alimentares: podem ser usados como parte do tratamento, especialmente na bulimia nervosa, ajudando a controlar episódios de compulsão alimentar, ansiedade associada à comida e alterações de humor;
    • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): ajudam a reduzir sintomas como lembranças invasivas, pesadelos, irritabilidade e estado de alerta constante, facilitando o processo de lidar com o trauma e recuperar o equilíbrio emocional.

    Vale lembrar que a decisão de iniciar o uso é sempre médica, baseada na avaliação do quadro, da intensidade dos sintomas e do impacto na rotina.

    Como os antidepressivos funcionam no cérebro?

    O cérebro funciona por meio de uma rede de neurônios que se comunicam o tempo todo, e isso acontece através das sinapses, que são pequenos espaços entre as células nervosas, onde atuam os neurotransmissores.

    Quando um neurônio libera substâncias como a serotonina, a noradrenalina ou a dopamina, elas atravessam esse espaço e se ligam a receptores no próximo neurônio, transmitindo a mensagem. Logo depois, parte dessas substâncias é reabsorvida pelo neurônio de origem ou degradada.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, os neurotransmissores podem estar em menor quantidade ou sendo receptados rápido demais pelo neurônio de origem, o que reduz o tempo de ação nas sinapses e prejudica a comunicação entre as células nervosas.

    Os antidepressivos funcionam, basicamente, impedindo que os mensageiros sejam recolhidos ou destruídos rápido demais:

    • O medicamento aumenta a quantidade de substâncias como serotonina, noradrenalina e dopamina, fazendo com que elas fiquem mais tempo atuando entre os neurônios;
    • Com mais desses mensageiros em ação, a comunicação entre as células do cérebro melhora, ajudando a regular as emoções e funções do dia a dia;
    • Com o uso contínuo, o cérebro passa a se adaptar melhor, criando novas conexões e protegendo áreas ligadas à memória e ao aprendizado.

    É importante apontar que, diferente de outros medicamentos, os antidepressivos precisam de um tempo para fazer efeito no organismo. Em geral, como explica Luiz, os efeitos positivos começam a aparecer entre 2 e 4 semanas. Na maioria dos casos, isso acontece por volta de 21 dias.

    Principais tipos de antidepressivos

    Existem diferentes classes de antidepressivos, e a escolha do médico leva em conta os sintomas, o histórico de saúde e a forma como o corpo de cada pessoa costuma reagir aos medicamentos.

    Cada classe age de um jeito específico nas substâncias do cérebro, por isso a indicação é sempre individualizada. Hoje, os principais tipos utilizados são:

    • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): são os mais prescritos atualmente por apresentarem menos efeitos colaterais, sendo focados exclusivamente na serotonina. Como exemplos, estão fluoxetina, sertralina e escitalopram;
    • Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN): conhecidos como duais, atuam em dois neurotransmissores importantes, sendo muito usados também para dores crônicas. Exemplos incluem venlafaxina e duloxetina;
    • Antidepressivos tricíclicos: são medicamentos mais antigos e bastante eficazes, porém costumam causar mais efeitos como boca seca e sonolência. Alguns exemplos incluem amitriptilina e clomipramina;
    • Antidepressivos atípicos: eles recebem o nome porque não se encaixam nas outras categorias, agindo de formas únicas. A bupropiona, por exemplo, foca mais na dopamina e é muito usada para ajudar a parar de fumar. Outro exemplo é a mirtazapina;
    • Inibidores da monoaminoxidase (IMAO): são usados em casos muito específicos e resistentes a outros tratamentos, pois exigem restrições alimentares rigorosas devido à interação com certas substâncias.

    Quais os efeitos colaterais dos antidepressivos?

    Os efeitos colaterais dos antidepressivos variam de pessoa para pessoa e também dependem do tipo de medicamento usado, mas os mais comuns incluem:

    • Náusea e desconforto no estômago;
    • Boca seca, devido a diminuição da produção de saliva;
    • Sonolência ou insônia;
    • Tontura ou sensação de cabeça leve, mais comum ao levantar rápido ou nos primeiros dias;
    • Alterações no apetite e no peso, podendo haver aumento ou diminuição da fome;
    • Diminuição da libido;
    • Em alguns casos, pode ocorrer uma leve piora da ansiedade nos primeiros dias.

    No geral, eles são mais comuns nas primeiras semanas de uso, enquanto o organismo ainda está se adaptando, mas costumam melhorar com o tempo. Mesmo assim, é importante conversar com o médico caso eles incomodem muito ou não desapareçam, pois pode ser necessário ajustar a dose ou trocar o medicamento.

    Quem não pode tomar antidepressivos?

    Os antidepressivos são seguros quando bem indicados pelo médico, mas existem algumas situações específicas em que o uso precisa de mais cuidado ou até deve ser evitado. De forma geral, é preciso ter atenção em casos como:

    • Pessoas com alergia ao medicamento;
    • Uso de antidepressivos da classe IMAOs, que não podem ser misturados com outros tipos;
    • Problemas cardíacos;
    • Glaucoma de ângulo fechado;
    • Crianças e adolescentes.

    Além disso, existem situações em que o uso é possível, mas exige um acompanhamento mais próximo:

    • Gestantes e mulheres que amamentam;
    • Idosos;
    • Pessoas com transtorno bipolar;
    • Doenças no fígado ou nos rins.

    Lembre-se: apenas um profissional de saúde pode determinar se você está apto a iniciar o tratamento após uma avaliação completa dos seus exames e histórico clínico. Não se automedique!

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Quem toma antidepressivo pode doar sangue?

    Depende do medicamento. A maioria dos antidepressivos comuns (como Sertralina ou Fluoxetina) não impede a doação, desde que você esteja estável e sem sintomas da doença. No entanto, o triador do hemocentro avaliará a dosagem e o tipo de fármaco. Sempre informe o nome do remédio na entrevista.

    2. Quem toma antidepressivo pode tomar cerveja?

    O ideal é evitar. O álcool é um depressor do sistema nervoso e pode anular o efeito do remédio, além de sobrecarregar o fígado. Em alguns casos, a mistura causa sonolência excessiva, tontura e perda de coordenação. Converse com seu médico sobre exceções eventuais.

    3. Qual o melhor antidepressivo?

    O melhor antidepressivo é aquele que funciona para o seu organismo com o mínimo de efeitos colaterais. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para você, pois a escolha depende do seu tipo de sintoma (se há insônia, falta de energia ou ansiedade).

    4. Qual antidepressivo emagrece?

    Alguns medicamentos podem causar perda de apetite como efeito colateral inicial, levando à perda de peso. Porém, eles não são remédios para emagrecer e nunca devem ser usados com esse objetivo exclusivo.

    5. Grávidas podem tomar antidepressivos?

    Sim, mas com orientação. O médico avaliará o risco de deixar a mãe sem tratamento em contrapartida ao risco do medicamento para o bebê. Existem opções consideradas mais seguras para a gestação e amamentação que não prejudicam o desenvolvimento da criança.

    6. Posso parar de tomar o remédio quando me sentir bem?

    Nunca. A melhora acontece justamente porque o remédio está agindo. Parar por conta própria pode causar recaídas graves e sintomas de descontinuação, como tonturas e irritabilidade.

    7. Quanto tempo dura o tratamento?

    O tempo é bastante individual, mas costuma durar no mínimo de 6 meses a 1 ano após o desaparecimento total dos sintomas, para garantir que o cérebro se estabilizou e evitar recaídas.

    8. Posso dirigir tomando antidepressivo?

    No início do tratamento, você deve observar se o remédio causa tontura ou sonolência. Se você se sentir alerta e bem, pode dirigir normalmente.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Indicados para o tratamento de transtornos como depressão, ansiedade e pânico, os antidepressivos são medicamentos que atuam diretamente no sistema nervoso central para regular o humor e as emoções. Eles contribuem para equilibrar substâncias químicas no cérebro chamadas neurotransmissores, só que o efeito não acontece imediatamente.

    Na verdade, com o início do tratamento, é comum se sentir frustrado ao perceber que, após os primeiros dias de uso, os sintomas de tristeza ou desânimo continuam presentes. Em alguns casos, aparecem apenas os efeitos colaterais, como náuseas, dores de cabeça e boca seca.

    Diferente de um analgésico, que faz efeito rápido, os antidepressivos precisam de um tempo para agir no organismo. Eles vão ajustando aos poucos o funcionamento do cérebro e a ação das substâncias que regulam o humor, por isso o resultado não aparece de um dia para o outro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como os antidepressivos atuam no cérebro?

    Os antidepressivos atuam no cérebro regulando substâncias químicas que participam diretamente do humor, das emoções e da resposta ao estresse, chamadas neurotransmissores. Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, os principais são a serotonina e a noradrenalina, substâncias diretamente ligadas ao humor e ao bem-estar.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, as substâncias costumam estar em baixas concentrações ou são reabsorvidas rápido demais. Para corrigir o desequilíbrio, os medicamentos agem de três formas principais:

    • O medicamento impede que o neurotransmissor seja reabsorvido rápido demais pelo neurônio, fazendo com que a serotonina ou a noradrenalina fiquem mais tempo ativas entre as células do cérebro;
    • Com mais das substâncias disponíveis, a comunicação entre os neurônios melhora, facilitando a transmissão de sinais ligados ao bem-estar e ao equilíbrio emocional;
    • Com o uso contínuo, o cérebro se adapta. Os receptores dos neurônios passam a funcionar melhor, ficando mais sensíveis e eficientes para captar os sinais químicos disponíveis.

    O processo químico ocorre poucas horas após a ingestão do comprimido, mas é comum que a melhora apareça de forma gradual, ao longo de algumas semanas de uso contínuo.

    Por que o alívio não é imediato?

    O alívio com o uso de antidepressivos não é imediato porque, segundo Luiz, o cérebro precisa de tempo para reorganizar as sinapses e equilibrar o sistema.

    • Nos primeiros dias, até acontece um aumento de neurotransmissores, como a serotonina, mas isso sozinho não é suficiente para melhorar os sintomas;
    • O cérebro precisa reorganizar a forma como as células se comunicam, fortalecendo as conexões entre os neurônios;
    • Os receptores, que são como sensores das células, também passam por um processo de ajuste para responder melhor aos sinais químicos;
    • O conjunto de mudanças acontece de forma gradual, ao longo de semanas.

    Durante o período, é normal que os sintomas ainda estejam presentes ou variem de intensidade, e que alguns efeitos colaterais apareçam antes da melhora, como dor de cabeça, boca seca e enjoo.

    Quanto tempo leva para sentir os primeiros resultados?

    De acordo com Luiz, o alívio real dos sintomas costuma levar de 2 a 4 semanas para começar a ser percebido. Na maioria dos casos, por volta de 21 dias.

    Alguns sintomas podem até apresentar melhora antes do prazo: por exemplo, a qualidade do sono costuma ser uma das primeiras mudanças positivas, já que algumas medicações possuem um efeito mais sedativo. Ao mesmo tempo, a ansiedade pode diminuir mais rápido com certos tipos de antidepressivos.

    No entanto, o humor e a tristeza profunda demoram um pouco mais de tempo para responder. Por isso, Luiz orienta ter paciência e persistência: mesmo que você sinta que o remédio não está funcionando nos primeiros dias, saiba que isso é perfeitamente normal e esperado.

    Sinais de que o antidepressivo está começando a fazer efeito

    Como o corpo e a mente levam um tempo para se ajustar, os sinais de melhora costumam ser sutis no início, aparecendo de forma gradual. Alguns deles incluem:

    • O sono começa a melhorar, com mais facilidade para dormir e sensação de descanso mais reparador ao acordar;
    • As tarefas do dia a dia ficam mais leves, exigindo menos esforço para atividades simples, como tomar banho ou arrumar a casa;
    • A irritação diminui, trazendo mais calma e paciência em situações que antes causavam estresse;
    • O interesse por pequenas coisas volta aos poucos, como ouvir música, ler ou conversar com alguém;
    • Os pensamentos ficam menos acelerados, com redução da preocupação excessiva e mais momentos de clareza mental.

    É importante notar que a melhora não costuma seguir uma linha reta, com dias melhores e dias piores ao longo do processo. No entanto, se após um período de 21 a 30 dias você não perceber nenhum dos pequenos sinais, o ideal é conversar com o médico para avaliar a necessidade de ajustar a dose.

    O que pode atrasar o efeito do medicamento?

    Os principais motivos que podem atrasar ou prejudicar o efeito do antidepressivo são:

    • Pular ou esquecer doses atrapalha o tratamento, porque o cérebro precisa de uma quantidade constante do medicamento no organismo para se estabilizar;
    • O consumo de álcool interfere no efeito do remédio, podendo reduzir a eficácia e aumentar sintomas como sonolência e tristeza no dia seguinte;
    • Alguns medicamentos e fitoterápicos podem interagir com o antidepressivo, dificultando a ação ou diminuindo o efeito no organismo;
    • Situações de estresse intenso ou crises emocionais podem fazer com que a melhora pareça mais lenta, já que fatores externos também influenciam o bem-estar;
    • Em alguns casos, a dose inicial pode ser baixa e precisar de ajuste médico para alcançar o efeito esperado.

    Se você sente que o tempo está passando e nada muda, não pare de tomar o remédio por conta própria. O ideal é anotar o que você está sentindo e levar as informações para a próxima consulta com o médico.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo vicia?

    Não. Ao contrário dos ansiolíticos (tarja preta), os antidepressivos não causam dependência química. O que existe é a necessidade de desmame gradual para o corpo não sentir a retirada brusca.

    2. Posso beber álcool socialmente durante o tratamento?

    O ideal é evitar, especialmente no início. O álcool pode potencializar efeitos colaterais e anular a eficácia do remédio, retardando a sua melhora.

    3. Vou engordar tomando antidepressivo?

    Depende da medicação. Alguns podem aumentar o apetite, enquanto outros são neutros ou até ajudam no controle da compulsão. Converse com seu médico sobre essa preocupação.

    4. Esqueci de tomar o remédio hoje, e agora?

    Tome assim que lembrar. Se já estiver perto da dose do dia seguinte, pule a dose esquecida e siga o horário normal. Nunca tome duas doses juntas.

    5. Vou ter que tomar o remédio para o resto da vida?

    Não necessariamente. O tratamento geralmente dura de 6 meses a 1 ano após a remissão total dos sintomas, mas cada caso é avaliado individualmente.

    6. Grávidas podem tomar antidepressivo?

    Sim, sob orientação médica. Existem opções seguras que protegem a saúde mental da mãe sem prejudicar o desenvolvimento do bebê.

    7. O que é a “síndrome de descontinuação”?

    É um conjunto de sintomas (tontura, dor de cabeça, irritabilidade) que o corpo sente quando o remédio é parado de uma vez, sem o desmame correto.

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