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  • Azia constante: o que pode ser e como melhorar 

    Azia constante: o que pode ser e como melhorar 

    Sensação de queimação no peito, gosto amargo na boca e regurgitação são alguns dos principais sinais que indicam um quadro de azia, que acontece quando o conteúdo ácido do estômago retorna para o esôfago — tubo que leva os alimentos da boca até o estômago.

    Normalmente, ela surge de forma esporádica em situações simples, como exagerar em comidas gordurosas ou comer rápido demais. Porém, quando a azia se torna constante, ela pode indicar alterações no sistema digestivo que precisam de avaliação de um especialista.

    Pensando nisso, conversamos com a gastroenterologista Lívia Guimarães para esclarecer as principais causas de azia constante, quando procurar atendimento médico e como tratar.

    Afinal, o que é azia?

    De forma simples, a azia é definida como a sensação de queimação no peito causada pelo contato do ácido gástrico com o esôfago. Isso ocorre porque o esôfago não foi projetado para lidar com a acidez natural do estômago. Quando, por algum motivo, o conteúdo gástrico reflui (ou seja, sobe em direção ao esôfago), provoca irritação e desconforto.

    É importante apontar que a azia não é uma doença, mas sim um sintoma. Por isso, quando acontece com muita frequência, não deve ser ignorada: ela pode estar revelando alterações mais sérias do sistema digestivo.

    Sintomas de azia

    O sintoma principal é a sensação de queimação no peito e no abdômen superior. Mas a azia pode vir acompanhada de outros sinais, como:

    • Sabor amargo ou ácido na boca;
    • Regurgitação de alimentos ou líquidos;
    • Desconforto ao se deitar logo após comer;
    • Dificuldade para engolir em alguns casos;
    • Sensação de estômago pesado.

    É comum que os sintomas piorem à noite, quando a pessoa se deita, ou após refeições muito fartas, apimentadas, gordurosas ou acompanhadas de bebidas alcoólicas.

    Azia constante: o que pode ser?

    Quando a azia ocorre mais de duas vezes por semana ou vem acompanhada de outros sintomas, como regurgitação, dor ao engolir ou perda de peso, pode indicar problemas como:

    • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): causa mais comum de azia crônica; ocorre quando a válvula entre o estômago e o esôfago não fecha direito e o ácido sobe repetidamente;
    • Gastrite: inflamação da mucosa do estômago que pode causar dor, desconforto e sensação de queimação;
    • Hérnia de hiato: parte do estômago “escapa” para o tórax através do diafragma, favorecendo o refluxo ao dificultar o fechamento completo da válvula.

    Existe relação entre alimentação e episódios de azia?

    Sim! Episódios ocasionais de azia podem ser causados por excesso de comida, refeições gordurosas, deitar logo após comer ou consumo de bebidas alcoólicas, café, refrigerantes ou chocolate.

    Isso acontece porque alguns desses alimentos aumentam a produção de ácido gástrico, enquanto outros relaxam o esfíncter esofágico inferior, permitindo que o conteúdo ácido escape para o esôfago. Cada organismo reage de forma diferente; observe seus gatilhos e evite-os quando possível.

    Azia constante pode ser câncer?

    Na maioria das vezes, não. A azia constante costuma estar associada a condições como refluxo, gastrite ou má digestão. Em casos raros, a azia persistente pode ser sinal de câncer de esôfago ou estômago, especialmente quando o refluxo crônico leva a alterações celulares, como a esofagite de Barrett.

    Sinais de alerta que exigem investigação imediata:

    • Azia constante acompanhada de dificuldade para engolir;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Vômitos frequentes ou com sangue;
    • Fezes muito escuras (sinal de sangramento digestivo).

    Como é feito o diagnóstico de azia constante?

    O diagnóstico é clínico, com avaliação médica sobre início, gatilhos e sinais associados. Entre os exames mais comuns estão:

    • Endoscopia digestiva alta;
    • pHmetria esofágica;
    • Manometria esofágica;
    • Exames laboratoriais.

    Com base no histórico e nos exames, o médico determina a causa da azia e indica o tratamento adequado.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    Como tratar a azia?

    O tratamento depende da causa e envolve mudanças de hábitos e, quando necessário, uso de medicamentos sob prescrição. Hábitos que ajudam, segundo Lívia Guimarães:

    • Fracionar as refeições ao longo do dia, evitando grandes volumes;
    • Não se deitar logo após comer;
    • Reduzir o consumo de alimentos irritantes;
    • Manter um peso saudável;
    • Parar de fumar.

    Antiácidos aliviam o sintoma, mas não tratam a causa. Em azia constante, o uso frequente pode mascarar doenças mais graves (como úlceras) e atrasar o diagnóstico. O excesso também pode trazer efeitos colaterais (alterações da microbiota, pior absorção de nutrientes). Procure acompanhamento médico para investigação e tratamento adequados.

    Quando procurar atendimento médico?

    Nem toda azia é motivo de preocupação, mas, se se torna frequente, atrapalha o dia a dia ou vem com sinais de alerta, procure um especialista. De acordo com Lívia, sinais de alerta incluem:

    • Dificuldade para engolir;
    • Vômitos com sangue;
    • Anemia;
    • Perda de peso não explicada.

    Nesses casos, o mais indicado é marcar consulta com um gastroenterologista.

    Perguntas frequentes

    1. Azia e refluxo são a mesma coisa?

    Não exatamente. A azia é um sintoma (queimação no peito ou na garganta). Refluxo é a condição em que o ácido do estômago sobe para o esôfago. Quem tem refluxo costuma ter azia, mas ter azia ocasional não significa necessariamente ter DRGE.

    2. Comer rápido pode causar azia?

    Sim. Ao comer rápido, engole-se mais ar e mastiga-se menos, dificultando a digestão. Refeições grandes e apressadas aumentam a pressão no estômago, facilitando o refluxo do ácido para o esôfago.

    3. Existe relação entre estresse e azia constante?

    Sim. Estresse e ansiedade aumentam a produção de ácido e pioram hábitos (comer rápido, pular refeições, abusar de café e álcool), favorecendo a azia.

    4. Azia constante tem cura?

    Em muitos casos, sim. Ajustes de rotina podem resolver quando a causa são hábitos. Se houver refluxo, gastrite ou outra condição, o tratamento específico indicado pelo médico controla a causa.

    5. Grávidas podem ter azia constante?

    É comum na gestação, principalmente no terceiro trimestre, por pressão do útero sobre o estômago e relaxamento da válvula entre estômago e esôfago. Geralmente é benigna, mas deve ser acompanhada pelo obstetra.

    6. A azia pode piorar à noite?

    Sim. Deitar-se logo após o jantar facilita a subida do ácido. Espere ao menos duas horas para deitar e mantenha a cabeceira da cama levemente elevada.

    Leia mais: Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

  • Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos 

    Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos 

    O diabetes é considerado uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas sua detecção ainda representa um desafio. Afinal, na maioria dos casos, os sintomas iniciais são sutis, inespecíficos e facilmente confundidos com sinais de estresse, rotina cansativa ou até envelhecimento natural.

    “O diabetes, especialmente o tipo 2, pode não causar dor ou qualquer sintoma evidente no começo. Por isso, ele é considerado uma doença silenciosa”, explica a endocrinologista Denise Orlandi.

    Nesta reportagem, detalhamos os sintomas mais comuns e os menos conhecidos, explicamos a diferença entre os tipos de diabetes e mostramos por que identificar cedo faz toda a diferença.

    Sintomas clássicos e sintomas silenciosos do diabetes

    Quando pensamos em diabetes, logo vêm à mente os sinais mais clássicos: sede em excesso, mesmo bebendo bastante água, vontade de urinar várias vezes, especialmente à noite, e aumento do apetite, principalmente por massas e doces.

    Esses são, de fato, os sintomas mais conhecidos. “Mas há outros sintomas menos conhecidos e, por isso, ignorados, que podem acontecer em outras situações do dia a dia”, fala a médica.

    A lista de sintomas silenciosos do diabetes pode incluir:

    • Cansaço constante, sem motivo aparente;
    • Perda de peso inexplicável, mesmo sem fazer dieta;
    • Mal-estar logo após uma refeição;
    • Infecções frequentes, como infecção urinária, candidíase ou resfriados.

    Esses sintomas não surgem de forma abrupta. Eles se instalam lentamente, fazendo com que muitos pacientes acreditem que se trata apenas de reflexo da idade ou de um período estressante. Esse mascaramento natural é um dos motivos pelos quais tanta gente demora a procurar ajuda médica.

    Por que o diabetes é chamado de doença silenciosa

    O diabetes tipo 2 pode evoluir por anos sem manifestar sintomas claros. Isso ocorre porque a resistência à insulina e a elevação progressiva da glicose são processos graduais que o corpo tenta compensar.

    “Às vezes, o diagnóstico só acontece anos depois do início da doença, quando já houve algum tipo de complicação, como problemas nos rins, nos olhos, nos nervos ou até infarto”, explica a médica.

    Esse caráter silencioso reforça a necessidade de exames periódicos, especialmente para pessoas com fatores de risco. Além disso, é importante ter atenção a outros sinais, como ressecamento ou coceira na pele (principalmente nas pernas), alterações na visão e urina com espuma ou presença de formigas no vaso sanitário.

    “Nem sempre todos esses sintomas significam que a pessoa tem diabetes, mas eles devem ser investigados”, enfatiza Denise. Muitos também podem ocorrer em situações como calor intenso, desidratação, infecções urinárias ou efeitos de medicamentos. A diferença está na persistência e na combinação dos sinais.

    “Quando sede intensa, urina frequente e cansaço se tornam constantes, especialmente se vêm acompanhados de perda de peso ou visão embaçada, o ideal é procurar um endocrinologista e fazer exames para descartar diabetes. O importante é não normalizar esses sintomas se eles persistirem no dia a dia”.

    Diferenças entre diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2

    O diabetes tipo 1 tem origem autoimune, quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina. Já o diabetes tipo 2 tem relação mais forte com a hereditariedade, somada ao estilo de vida (alimentação, obesidade, sedentarismo).

    Embora ambos tenham em comum a elevação da glicose no sangue, os sintomas aparecem em velocidades distintas. O tipo 1, mais comum em crianças e adolescentes, costuma surgir de forma rápida e intensa, com sede extrema, urina excessiva, dor abdominal e emagrecimento acelerado. O diagnóstico acontece em poucas semanas.

    Já o tipo 2, o mais prevalente entre adultos, é lento e silencioso. Os sintomas podem levar anos para se manifestar e, quando aparecem, são leves e progressivos. Nesse caso, é possível prevenir: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção do peso saudável e acompanhamento médico são medidas essenciais para reduzir os riscos.

    Leia mais: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    O perigo de viver com diabetes sem diagnóstico

    No caso do diabetes tipo 2, é possível conviver com a doença por anos sem saber. Estima-se que 1 em cada 3 pessoas não saiba que tem diabetes. Esse atraso é perigoso porque, durante esse tempo, a glicose elevada danifica silenciosamente órgãos importantes.

    Sem diagnóstico, o risco de complicações aumenta significativamente:

    • Cegueira: provocada por retinopatia diabética;
    • Insuficiência renal: que pode levar à necessidade de diálise;
    • Infartos e AVCs: resultado do comprometimento dos vasos sanguíneos;
    • Amputações: decorrentes de neuropatia diabética e má cicatrização de feridas;
    • Complicações na gravidez: que afetam tanto a mãe quanto o bebê.

    “O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Ele permite controlar a doença e evitar complicações. E o mais importante: controlar o diabetes não significa perder qualidade de vida, pelo contrário, a pessoa ganha mais saúde, energia e bem-estar”, reforça Denise.

    Exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada são os principais métodos para identificar alterações nos níveis de açúcar no sangue e devem ser realizados periodicamente, especialmente em pessoas com fatores de risco. Muitas vezes, esses exames são solicitados em check-ups anuais, mas em casos de suspeita clínica devem ser feitos o quanto antes.

    Perguntas e respostas

    1. Por que o diabetes é chamado de doença silenciosa?

    Porque, principalmente no tipo 2, ele pode evoluir por anos sem sintomas claros. Muitas vezes, o diagnóstico só ocorre após complicações como problemas nos rins, visão, nervos ou até um infarto.

    2. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Sede em excesso, vontade frequente de urinar (especialmente à noite) e aumento do apetite, sobretudo por massas e doces.

    3. E quais são os sintomas silenciosos que costumam ser ignorados?

    Cansaço sem motivo, visão embaçada que vai e volta, perda de peso inexplicável, mal-estar após refeições, infecções frequentes, formigamentos nas mãos e pés e alterações de pele, como coceira ou ressecamento.

    4. Qual a diferença entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2?

    O tipo 1 é autoimune, surge de forma rápida e intensa, mais comum em jovens. Já o tipo 2 está fortemente ligado à hereditariedade e ao estilo de vida, evolui lentamente e pode levar anos para dar sinais.

    5. Por que é perigoso viver com diabetes sem diagnóstico?

    Porque o excesso de glicose danifica órgãos de forma silenciosa, podendo causar cegueira, insuficiência renal, infartos, AVCs, amputações e complicações na gravidez.

    6. Como identificar precocemente a doença?

    Com exames de rotina, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, especialmente em pessoas com fatores de risco.

    Leia também: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

  • Criança que não consegue segurar o xixi: quando é normal e quando é problema 

    Criança que não consegue segurar o xixi: quando é normal e quando é problema 

    Um dos maiores marcos da infância é o desfralde, mas também é uma fase repleta de dúvidas para mães, pais e cuidadores. Afinal, até que idade é normal uma criança que não consegue segurar o xixi e em que momento isso passa a indicar um problema de saúde?

    Segundo a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, é preciso diferenciar o que faz parte do amadurecimento natural da criança e o que pode exigir uma investigação médica. A seguir, explicamos como funciona esse processo, quais sinais indicam que tudo está dentro do esperado e em quais casos procurar um especialista.

    O desfralde como processo de desenvolvimento

    O controle do xixi não acontece de um dia para o outro. Assim como andar, que começa com apoio até chegar à corrida livre, o desfralde diurno é um processo gradual. “A criança precisa passar por alguns momentos de percepção como: ‘fiz xixi’, ‘estou fazendo xixi’ até chegar ao ‘quero fazer xixi’… e isso não acontece de uma só vez”, destaca Veridiana.

    Ela explica que cerca de 80% a 85% das crianças sem alterações neurológicas atingem o desfralde de forma espontânea e natural (durante o dia) até os 4 anos de idade. Isso significa que o não controle pleno do xixi diurno é normal até essa idade: a criança pode não conseguir controlar todas as vezes e ainda assim estar no caminho certo.

    O importante é observar se há progresso. “A criança pode ter perdas, não conseguir controlar o xixi todas as vezes, e está tudo bem!”.

    Sinais de que está tudo bem

    • Intervalos cada vez maiores em que a fralda permanece seca;
    • A criança avisa quando fez xixi;
    • Avisa quando precisa ir ao banheiro;
    • Demonstra interesse em usar o vaso ou penico.

    Esses sinais mostram que o amadurecimento neurológico e comportamental está em curso e que o processo de continência e controle diurno está caminhando bem.

    Criança que não consegue segurar o xixi: quando passa a ser problema?

    Segundo a especialista, há um marco importante quando o assunto é uma criança que não consegue segurar o xixi: “Se a partir do 4º ano completo ainda não existir continência (capacidade de segurar a urina), com certeza precisamos investigar”, enfatiza.

    Ela explica que é comum as crianças postergarem a ida ao banheiro por não quererem interromper a brincadeira, usando estratégias como cruzar as pernas ou segurar o genitor para o controle do xixi. Esses hábitos são ruins e podem piorar com o tempo, então são sinais de alerta.

    Sinais de alerta

    • Criança com mais de 5 anos que ainda não controla o xixi durante o dia;
    • Perdas frequentes de urina mesmo em momentos de calma;
    • Evitar beber líquidos para não precisar ir ao banheiro;
    • Acidentes noturnos persistentes após a idade em que já seria esperado o controle.

    A recomendação é clara: se os pais perceberem que algo não está indo bem e que a criança não está tendo evolução para segurar o xixi, o ideal é procurar um especialista antes que ocorram complicações.

    Possíveis causas urológicas e neurológicas

    Nem sempre a dificuldade de segurar o xixi está ligada apenas a fatores comportamentais. Em muitos casos, há causas médicas envolvidas que precisam ser investigadas com atenção.

    As chamadas disfunções de eliminação, conhecidas pela sigla BBD (bowel and bladder dysfunction — “disfunções de eliminação intestinal e vesical”), englobam situações como intestino preso, retenção voluntária da urina, perdas durante episódios de riso e até alterações no relaxamento do assoalho pélvico, que comprometem o esvaziamento adequado da bexiga.

    Outro fator são as malformações do trato urinário ou neurológico. Essas alterações podem dificultar que a criança perceba a bexiga cheia, atrapalhar o esvaziamento completo ou até desviar o caminho de drenagem da urina, como ocorre em algumas meninas que apresentam drenagem do ureter para fora da bexiga.

    Muitas vezes há alterações detectadas na gestação ou logo após o nascimento. Nesses casos, a avaliação especializada é obrigatória, especialmente se já houve infecção urinária. “Toda criança que teve alterações dos órgãos suspeitadas durante a gravidez ou se já tiveram uma infecção urinária, não importa se menino ou menina, deve ser avaliada por especialistas”, alerta Veridiana.

    O que os pais devem observar

    • Criança que segura o xixi até o limite, cruzando as pernas ou fazendo força para evitar a ida ao banheiro;
    • Alterações na rotina intestinal (constipação ou cocô ressecado);
    • Mudança de comportamento repentina em casa ou na escola.

    É importante também conversar com a escola: a criança tem liberdade de ir ao banheiro? Consegue tirar a própria roupa? Esses fatores interferem diretamente no controle urinário.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Como é a avaliação médica

    Ao contrário do que muitos imaginam, o primeiro passo não é pedir exames. “Começamos sempre com uma consulta adequada e exame físico, revendo todos os aspectos do comportamento, explicando a forma correta de sentar para fazer xixi e cocô, adequando o espaço e o acesso da criança à privada e observando os hábitos de xixi, cocô e ingesta de líquidos por meio de diários miccionais”, explica a urologista.

    Ela enfatiza que, somente quando não há sucesso nessas medidas iniciais, é que se parte para a investigação de causas anatômicas com exames complementares.

    Existe tratamento para incontinência urinária infantil?

    Sim, o tratamento da incontinência urinária infantil envolve uma combinação de estratégias. A primeira delas é chamada uroterapia, que inclui orientações para hábitos corretos relacionados a xixi, cocô, ingestão de água, intervalos adequados para urinar e postura de relaxamento ao usar o vaso.

    Além disso, podem ser recomendadas fisioterapias direcionadas para a reeducação do assoalho pélvico. Em alguns casos, medicamentos também entram no protocolo. “Sempre lembrando que há a necessidade de avaliação de profissional especializado antes da introdução de medicamentos”, ressalta Veridiana.

    Por fim, é bom lembrar que nenhum tratamento terá sucesso sem o apoio dos pais ou cuidadores. Criar uma rotina de idas ao banheiro, garantir acesso fácil à privada ou penico, oferecer água regularmente e observar sinais do corpo são atitudes simples que fazem diferença.

    O incentivo positivo também é essencial para uma criança que não consegue segurar o xixi: comemorar os avanços, evitar broncas em caso de escapes e transformar o processo em uma experiência de aprendizado e confiança para a criança.

    Perguntas e respostas

    1. Até que idade é normal a criança não conseguir segurar o xixi?

    Até os 4 anos, a maioria das crianças atinge o desfralde diurno de forma espontânea. Escapes ocasionais fazem parte do processo de amadurecimento.

    2. Quando a perda de xixi passa a ser considerada problema?

    Se a criança chega aos 5 anos sem controle urinário durante o dia ou apresenta perdas frequentes mesmo em situações de calma, é hora de procurar avaliação médica.

    3. Quais sinais indicam que pode haver algo errado?

    Evitar beber líquidos para não ir ao banheiro, acidentes noturnos persistentes após a idade esperada, prender o xixi até o limite ou mudanças bruscas de comportamento em casa ou na escola. Infecções urinárias, calcinha ou cueca sempre molhadas, ter que sair correndo para fazer xixi, dizer que não percebe que perdeu xixi.

    4. Quais causas médicas podem estar por trás da dificuldade de segurar o xixi?

    Podem estar envolvidas disfunções de eliminação (como intestino preso e alterações do assoalho pélvico), malformações do trato urinário ou neurológico, além de problemas já detectados na gestação ou após o nascimento.

    5. Como é feita a avaliação médica?

    O médico observa os hábitos miccionais, intestinais e de ingestão de líquidos, orienta sobre a postura correta ao usar o vaso e registra os padrões em diários miccionais.

    6. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento geralmente começa com a uroterapia, que ajusta hábitos de xixi, cocô, hidratação e postura. Pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico e, em alguns casos, medicamentos – sempre com orientação especializada.

    7. O que os pais podem fazer para ajudar?

    Criar uma rotina de idas ao banheiro, facilitar o acesso da criança ao vaso ou penico, oferecer água regularmente e comemorar os avanços. O apoio da família é essencial para o sucesso do tratamento.

    Leia também: Asma infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona 

    Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona 

    A busca por uma “barriga chapada” é quase universal em academias. Entre os exercícios mais usados para esse fim estão os abdominais, vistos por muita gente como a solução para eliminar gordura localizada na região da cintura. Mas será que fazer abdominais para perder barriga realmente funciona?

    Para esclarecer essa dúvida, ouvimos a educadora física Tamara Andreato, que reforça a importância de compreender o verdadeiro papel dos exercícios abdominais. Além disso, trazemos evidências científicas que analisaram de forma prática os efeitos desses exercícios no corpo.

    Fazer abdominais para perder barriga é um mito

    O primeiro ponto importante a se compreender é: os abdominais não são exercícios voltados para a queima de gordura. “Esses exercícios não ajudam a reduzir gordura na região do abdômen”, garante Tamara. “O que eles fazem é o fortalecimento do core”, enfatiza.

    O core é composto por diversos músculos que incluem a região da frente do abdômen e também das costas e lombar. No abdômen, os principais músculos são:

    • Reto abdominal: músculo da parte frontal do abdômen, o famoso “tanquinho”;
    • Oblíquo externo: localizado na lateral do abdômen, mais superficial; ajuda nos movimentos de rotação do tronco;
    • Oblíquo interno: também nas laterais, mas em uma camada mais profunda;
    • Transverso do abdômen: músculo profundo que circunda o abdômen como uma faixa, responsável por estabilizar o tronco;
    • Infra-abdominais: região inferior do reto abdominal, próxima ao púbis.

    Como definição, o papel dos exercícios abdominais é fortalecer e hipertrofiar esses músculos. Eles não eliminam gordura localizada, mas trazem estabilidade, postura melhor e proteção contra dores, especialmente na lombar.

    O mito da redução de gordura localizada

    Muitas pessoas acreditam que exercitar intensamente uma região do corpo resulta em perda de gordura localizada. No entanto, o processo de emagrecimento depende de fatores como dieta, gasto calórico e genética, e não apenas da ativação muscular de um ponto específico.

    Esse entendimento também é sustentado por estudos científicos. Uma pesquisa publicada no Journal of Strength and Conditioning Research avaliou adultos saudáveis que realizaram exercícios abdominais cinco vezes por semana, durante seis semanas. O resultado foi claro: não houve redução de gordura abdominal ou medidas de circunferência, apenas melhora da resistência muscular.

    O que realmente funciona para perder gordura abdominal?

    A redução de gordura corporal, inclusive do abdômen, depende de um déficit calórico equilibrado, e não só de fazer abdominais para perder barriga. Isso significa gastar mais energia (calorias) do que se consome.

    A prática de exercícios aeróbicos (como corrida, natação e ciclismo), combinada ao treino de força e a uma alimentação ajustada, é o caminho mais eficaz. O estudo citado reforça essa conclusão: mesmo com treinamento abdominal intenso, não houve alteração na gordura abdominal dos participantes. Apenas a resistência muscular foi ampliada.

    “Perder gordura abdominal é consequência de uma boa alimentação, ingestão de líquido, ingestão de proteína adequada e de carboidratos adequados”, afirma Tamara.

    Abdominais e qualidade de vida

    Mais do que estética, os abdominais devem ser vistos como aliados para a qualidade de vida, mobilidade e bem-estar. O fortalecimento do core influencia diretamente no dia a dia de quem trabalha muito tempo na mesma posição.

    “Se a pessoa trabalha em pé ou se trabalha sentada, ela não vai ter tanto desconforto a partir do momento que essa região está fortalecida”, garante a especialista.

    Ou seja, na prática, quem fortalece o core tende a sofrer menos com dores, rigidez e fadiga. Para quem fica sentado o dia inteiro, os abdominais ajudam a evitar a pressão excessiva na lombar, enquanto para quem trabalha de pé, dão sustentação à postura e reduzem a sensação de peso nas costas ao final do dia.

    Fazer exercícios para o abdômen contribui ainda para prevenir lesões, melhorar o equilíbrio e até potencializar a performance em outros esportes, como corrida e ciclismo, já que a região central estabiliza todo o corpo.

    Com que frequência devo fazer abdominais?

    A frequência dos treinos abdominais é um ponto importante. Tamara recomenda a realização de abdominais de três a cinco vezes por semana, mas destaca uma dica prática para não deixar o exercício de lado:

    “Alguns profissionais colocam esses exercícios sempre no final do treino, mas ele pode entrar no meio do treino”, ensina. “Muitas vezes as pessoas, no final do treino, acabam não fazendo. Então eu indico fazer de três a cinco vezes na semana, no meio do treino, para não dar preguiça de não fazer”.

    Essa estratégia ajuda a manter a consistência e garante que o fortalecimento do core seja parte efetiva da rotina de exercícios.

    Leia também: Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores

    Abdômen chapado não depende só dos abdominais

    Os exercícios abdominais são fundamentais para fortalecer o core, melhorar a postura e deixar os músculos mais firmes, mas, sozinhos, não são suficientes para conquistar o “abdômen chapado”.

    Isso acontece porque, mesmo bem trabalhada, a musculatura abdominal pode permanecer escondida sob a camada de gordura corporal. Ou seja, sem reduzir essa gordura, os músculos não ficam aparentes, independentemente da quantidade de séries e repetições realizadas.

    Para alcançar a definição, é necessário combinar diferentes estratégias. Além dos exercícios específicos para a região, a prática de atividades aeróbicas ajuda a aumentar o gasto calórico e a acelerar a queima de gordura. Paralelamente, a alimentação deve ser equilibrada e organizada em um déficit calórico, garantindo que o corpo use a reserva de gordura como fonte de energia.

    Perguntas frequentes

    1. Abdominais fazem perder barriga?

    Não. Eles fortalecem o core e melhoram a postura, mas a perda de gordura abdominal depende de alimentação e exercícios globais.

    2. Qual é o verdadeiro benefício dos abdominais?

    Fortalecer músculos do abdômen, lombar e região pélvica, prevenindo dores e melhorando a estabilidade corporal.

    3. Por que não existe queima de gordura localizada?

    Porque o emagrecimento é sistêmico: o corpo decide de onde retirar gordura, e isso depende de genética, gasto calórico e dieta.

    4. Com que frequência devo fazer abdominais?

    De três a cinco vezes por semana, preferencialmente no meio do treino, para evitar que sejam deixados de lado.

    5. O que realmente ajuda a reduzir gordura abdominal?

    Alimentação equilibrada, ingestão adequada de líquidos, proteínas e carboidratos, exercícios aeróbicos e treinos de força.

    6. Como ter um abdômen definido?

    Isso depende do conjunto de hábitos saudáveis que unam exercícios abdominais, exercícios aeróbicos e alimentação balanceada.

    Leia mais: Creatina: benefícios, como tomar e cuidados importantes

  • 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta) 

    10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta) 

    Assim como a prática de exercícios físicos e o sono de qualidade, a alimentação tem papel fundamental na imunidade, influenciando diretamente como o corpo reage a vírus, bactérias e outros micro-organismos.

    O sistema imunológico atua como um complexo mecanismo de defesa, responsável por identificar e combater agentes externos. Para que ele funcione, é importante garantir uma rotina alimentar rica em vitaminas, minerais, proteínas e antioxidantes.

    “A alimentação saudável influencia na prevenção de infecções porque fortalece as barreiras de defesa do corpo. Um organismo bem nutrido tem células de defesa mais eficientes, capacidade de cicatrização melhor e menor risco de processos inflamatórios que fragilizam a imunidade”, esclarece a nutróloga Flávia Pfeilsticker.

    Mas, afinal, quais são os nutrientes que mais influenciam na imunidade? Quais alimentos realmente fazem diferença no dia a dia? Com a ajuda da especialista, listamos alguns alimentos para aumentar a imunidade, como eles funcionam e formas de inserir na rotina alimentar. Confira!

    Quais os nutrientes mais importantes para fortalecer a imunidade?

    O sistema imunológico depende de uma combinação de nutrientes para funcionar bem. Entre os mais importantes, Flávia aponta as vitaminas A, C, D e E, além de minerais como zinco e selênio, que participam de processos antioxidantes e de defesa celular.

    “As proteínas também são fundamentais, já que os anticorpos são produzidos a partir delas”, complementa a especialista.

    Também é possível destacar o ferro, que está ligado ao transporte de oxigênio no sangue e ao bom funcionamento das células imunes. Já o ômega-3, encontrado principalmente em peixes de água fria, atua com efeito anti-inflamatório e ajuda a regular a resposta imunológica.

    Leia mais: Alimentação saudável: o que é, benefícios e como ter

    Quais são os alimentos para aumentar a imunidade?

    Laranja

    Rica em vitamina C, a laranja contribui para aumentar a produção de células de defesa do organismo e pode ajudar na recuperação mais rápida em casos de resfriados. Além disso, contém fibras que favorecem a saciedade e auxiliam na digestão.

    O ideal é consumir a fruta in natura, pois oferece fibras, mais nutrientes e maior saciedade. Uma laranja média já oferece cerca de 70 mg de vitamina C, quase o total da recomendação diária para adultos.

    Limão

    Assim como a laranja, o limão é uma fonte rica de vitamina C e de flavonoides, compostos antioxidantes que ajudam a reduzir inflamações. Pode ser consumido em chás, saladas, marinadas ou até mesmo em água saborizada.

    O limão também tem efeito alcalinizante, ajudando a equilibrar o pH e fortalecendo as mucosas de proteção. Uma simples fatia espremida sobre a salada já oferece um reforço importante ao prato.

    Cenoura

    A cenoura é rica em betacaroteno, precursor da vitamina A, fundamental para manter saudáveis as mucosas do corpo, como nariz, garganta e pulmões, que funcionam como barreira contra microrganismos.

    A vitamina A também favorece a saúde dos olhos e da pele. Pode ser consumida crua em saladas, ou cozida em refogados e arroz.

    Abóbora

    Fonte de betacaroteno, vitaminas do complexo B, fibras, zinco e ferro. Esses nutrientes modulam a resposta inflamatória e fortalecem as células de defesa.

    A abóbora é um dos alimentos para aumentar a imunidade, é versátil e pode ser usada em sopas, purês, refogados e até sobremesas.

    Oleaginosas e sementes

    Castanhas, nozes, amêndoas, sementes de abóbora, chia e linhaça são ricos em selênio, vitamina E e gorduras boas, que reduzem inflamações crônicas.

    Uma castanha-do-pará por dia já fornece a quantidade de selênio recomendada para um adulto.

    Carnes magras

    Frango e cortes magros de boi são fontes de proteínas, ferro e zinco, essenciais para anticorpos e multiplicação de células de defesa.

    Prefira métodos como grelhar, assar ou cozinhar, evitando frituras.

    Ovos

    Os ovos são fontes completas de proteína e contêm vitaminas A, D, E, B12, além de minerais como selênio e zinco.

    A gema concentra a maior parte dos nutrientes, por isso é importante consumir o ovo inteiro.

    Leguminosas

    Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha oferecem proteínas vegetais, fibras, ferro e zinco.

    O clássico “arroz com feijão” é uma combinação nutricional completa e acessível que fortalece a imunidade.

    Verduras de folhas escuras

    Espinafre, couve, rúcula e brócolis são ricos em ferro, cálcio, vitaminas A e C e antioxidantes, que reforçam o sistema imunológico e a saúde geral.

    Peixes ricos em ômega-3

    Salmão, sardinha, atum e cavala contêm ácidos graxos ômega-3, que têm efeito anti-inflamatório e ajudam a regular a imunidade.

    O consumo regular de peixe, pelo menos duas vezes por semana, reduz riscos cardiovasculares e melhora a função cognitiva.

    Veja mais: Qual a diferença entre nutricionista e nutrólogo?

    Qual o consumo diário ideal?

    As necessidades variam de pessoa para pessoa. Mas, de forma geral, incluir pelo menos cinco porções de frutas e verduras variadas por dia já é um bom começo. “O importante é manter a constância e a diversidade de alimentos ao longo da semana”, ressalta Flávia.

    É possível fortalecer a imunidade apenas com alimentação?

    Na maioria dos casos, sim, desde que não haja deficiências nutricionais. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, os nutrientes necessários devem vir prioritariamente de alimentos in natura e minimamente processados.

    “A suplementação só se torna necessária em situações de deficiência comprovada ou em condições específicas, como doenças crônicas, restrições alimentares, gestação e terceira idade”, explica a médica.

    Perguntas frequentes

    O que acontece se eu tiver deficiência de ferro? Isso afeta a imunidade?

    Sim. A falta de ferro pode causar anemia, comprometendo a energia e a resposta do sistema imunológico. Boas fontes incluem feijão, lentilha, carnes magras e verduras escuras, consumidos junto a vitamina C para melhor absorção.

    Comer frutas todos os dias realmente fortalece as defesas do corpo?

    Sim. Frutas oferecem vitaminas, fibras, minerais e antioxidantes. É ideal variar as frutas, priorizando as da estação e preferindo consumi-las in natura.

    Dormir mal prejudica a imunidade?

    Sim. O sono regula hormônios, fortalece a produção de anticorpos e reduz o estresse. Dormir pouco eleva o cortisol, que fragiliza o sistema imunológico.

    Quais são os sintomas de imunidade baixa?

    • Resfriados frequentes;
    • Recuperação lenta de doenças simples;
    • Cansaço excessivo;
    • Cicatrização lenta;
    • Infecções recorrentes.

    Esses sintomas devem ser avaliados por um médico.

    Existe algum “superalimento” que aumenta a imunidade sozinho?

    Não. O fortalecimento vem da combinação de alimentos nutritivos consumidos diariamente.

    Beber suco de laranja todos os dias ajuda a fortalecer a imunidade?

    Sim, mas o ideal é consumir a fruta inteira. Outras frutas como acerola, kiwi, goiaba e morango também devem ser incluídas.

    O gengibre pode fortalecer a imunidade?

    Sim. O gengibre contém gingerol, com efeito antioxidante e anti-inflamatório, ajudando a reforçar as defesas naturais.

    Posso usar temperos naturais para fortalecer a imunidade?

    Sim. Alho, cebola, cúrcuma, gengibre, orégano e pimenta-do-reino possuem compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. Eles devem substituir temperos ultraprocessados.

    Comer alho cru realmente ajuda a fortalecer a imunidade?

    O alho contém alicina, que possui propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. Seu consumo regular contribui, mas ele não é milagroso e deve ser aliado a uma dieta equilibrada.

    Leia mais: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

  • MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    A pressão arterial pode se comportar de maneiras bem diferentes ao longo do dia. Em alguns momentos, ela sobe; em outros, volta ao normal. No consultório, a medição dura poucos segundos, e isso nem sempre reflete a realidade dos outros momentos.

    É aí que entra o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), um exame que acompanha a pressão durante 24 horas e registra as variações em atividades comuns e até durante o sono.

    Cada vez mais solicitado pelos cardiologistas, o MAPA é considerado um excelente exame para entender se a pressão alta aparece apenas em situações específicas, como no consultório médico, ou se realmente está elevada durante todo o dia.

    O que é o exame MAPA?

    O MAPA é um exame que mede e registra a pressão arterial ao longo de 24 horas. A pessoa usa um aparelho preso à cintura, conectado a uma braçadeira no braço. Em intervalos programados (geralmente a cada 15 a 30 minutos durante o dia e a cada 30 a 60 minutos à noite), o aparelho infla automaticamente e mede a pressão arterial.

    Leia também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Para que serve o MAPA?

    O exame é muito útil para diversas situações, como:

    • Confirmar diagnóstico de pressão alta;
    • Avaliar o efeito de remédios para pressão alta;
    • Detectar hipertensão do avental branco: quando a pressão sobe apenas no consultório do médico;
    • Identificar pressão alta mascarada: parece normal no consultório, mas está elevada no dia a dia;
    • Avaliar se a pressão cai adequadamente durante o sono.

    Como o MAPA é feito na prática?

    • A pessoa vai ao consultório ou laboratório para colocar o equipamento;
    • Durante as 24 horas, ela segue a rotina normal e anota em um diário as atividades, horários de sono e sintomas;
    • No dia seguinte, retorna para retirar o aparelho e entregar o diário.

    O exame não dói, não é invasivo, mas pode causar algum incômodo por conta do enchimento frequente da braçadeira, que gera pressão no braço, inclusive durante o sono.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Quem deve fazer o MAPA?

    O médico pode indicar o exame para:

    • Pessoas com suspeita de pressão alta;
    • Quem está em tratamento para pressão alta, para avaliar se os medicamentos estão funcionando;
    • Indivíduos com variações de pressão ainda sem explicação;
    • Casos de sintomas como tontura, palpitação ou dor de cabeça que podem estar relacionados à pressão arterial.

    Perguntas frequentes sobre o exame MAPA

    1. O exame MAPA dói?

    Não, o exame MAPA não dói. Ele pode causar um incômodo leve na hora da braçadeira inflar, pois aperta o braço, mas não causa dor.

    2. Preciso ficar internado para fazer o exame?

    Não é necessário ficar internado para fazer o exame. A pessoa pode manter a rotina normalmente, apenas usando o aparelho durante as 24 horas.

    3. Posso tomar banho durante o exame?

    Não é permitido molhar o equipamento, logo, não se deve tomar banho durante o uso do MAPA 24h. O banho deve ser feito antes da colocação ou depois da retirada do aparelho.

    4. O MAPA substitui as medições de pressão em casa?

    Não. Ele complementa as medições de pressão arterial. As medições caseiras também são importantes no acompanhamento.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os dados precisam ser analisados pelo médico, que gera um relatório detalhado e só depois apresenta o resultado.

    Leia também: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

  • Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

    Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

    O teste ergométrico, popularmente conhecido como exame da esteira, é um dos recursos mais utilizados pelos cardiologistas para avaliar como o coração se comporta diante do esforço físico. Ao contrário dos exames em repouso, ele coloca o organismo em movimento e pode revelar alterações que passariam despercebidas em condições normais.

    Por conta disso, esse exame se tornou muito importante no diagnóstico precoce de doenças cardíacas e no acompanhamento de quem já tem fatores de risco.

    O que é o teste ergométrico?

    O teste ergométrico é um exame que avalia o funcionamento do coração durante o esforço físico. Ele registra a atividade elétrica do coração, a frequência e a pressão arterial enquanto a pessoa caminha ou corre em uma esteira ou pedala em bicicleta ergométrica.

    A intenção do exame é identificar alterações que só aparecem quando o coração precisa trabalhar mais.

    Como o exame é feito?

    • A pessoa fica com eletrodos colados no peito, ligados a um aparelho de eletrocardiograma;
    • Caminha em uma esteira que vai aumentando a velocidade e a inclinação em etapas programadas, respeitando o cansaço de cada um;
    • Durante todo o exame, a pressão arterial também é monitorada;
    • O médico interrompe o teste caso a pessoa sinalize cansaço extremo, dor no peito, ou o profissional identifique arritmias ou outros indícios preocupantes.

    Em média, o exame dura 15 a 20 minutos, contando já com o aquecimento e a recuperação.

    Confira: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Para que serve o teste ergométrico?

    O exame pode identificar:

    • Isquemia cardíaca: quando falta oxigênio no músculo do coração;
    • Arritmias desencadeadas pelo esforço físico;
    • Capacidade física e condicionamento;
    • Resposta da pressão arterial ao exercício.

    Quem deve fazer o teste ergométrico?

    O médico pode solicitar o exame para:

    • Pessoas com dor no peito, palpitações ou falta de ar;
    • Avaliar o risco em pacientes com fatores como pressão alta, diabetes, colesterol alto ou histórico de infarto na família;
    • Atletas ou praticantes de atividade física que precisam de liberação para esportes de alta intensidade;
    • Pacientes em acompanhamento após infarto ou cirurgia cardíaca.

    Veja mais: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Quem não deve fazer?

    O teste pode não ser indicado em casos de doenças cardíacas graves, limitações físicas ou quando existe um risco considerável de complicações. Nessas situações, o cardiologista pode escolher outros exames para avaliar o coração.

    Perguntas frequentes sobre teste ergométrico

    1. Precisa de preparo para o teste ergométrico?

    Sim. É importante usar roupas leves e tênis para o exame. Alguns remédios ou alimentos podem precisar ser ajustados ou suspensos antes, mas tudo conforme orientação médica.

    2. O teste ergométrico detecta infarto?

    Ele não mostra se a pessoa já teve um infarto antigo, mas pode indicar risco de um infarto futuro se aparecerem sinais de isquemia durante o esforço.

    3. Todo mundo pode fazer o exame?

    Não. Pessoas com doenças cardíacas graves ou problemas ortopédicos importantes geralmente não fazem o exame, e o médico substitui o teste por outra avaliação cardiológica.

    4. É possível fazer o teste ergométrico pelo SUS?

    Sim, o teste ergométrico está disponível no SUS, mas pode ter fila de espera em algumas regiões.

    5. Crianças ou idosos podem fazer o teste?

    Sim, desde que o médico tenha indicado e seja feito um acompanhamento também.

    6. O resultado sai na hora?

    O traçado é registrado no momento, mas o cardiologista precisa interpretá-lo para fazer o laudo, e isso pode demorar algum tempo.

    7. O teste ergométrico é o mesmo que ergometria?

    Sim, são nomes diferentes para o mesmo exame.

    O teste ergométrico dói?

    Não. O que pode acontecer é a pessoa sentir cansaço ou falta de ar, pois o esforço é parte do exame. Mas tudo é feito de forma controlada e segura, com o acompanhamento do cardiologista.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores 

    Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores 

    Trabalhar de casa virou realidade para milhões de pessoas, mas trouxe também um problema crescente: dores e desconfortos causados pela má postura no home-office. Longas horas diante do computador, muitas vezes em cadeiras inadequadas ou sem pausas regulares, podem gerar sobrecarga na coluna, nos ombros e até nos punhos.

    Para evitar que esses incômodos se transformem em lesões, a fisioterapeuta Valéria Amador recomenda a prática regular de exercícios simples que podem ser feitos em casa e que ajudam a melhorar a postura no home-office. “Isso é fundamental para prevenir problemas crônicos, como dores lombares, cervicais e até tendinites”.

    Veja como melhorar a saúde do seu corpo, evitar dores no home-office e conhecer as práticas recomendadas pela especialista.

    Postura no home-office: o impacto no corpo dos trabalhadores

    Trabalhar em casa trouxe praticidade, mas também “armadilhas” para o corpo. Sem a estrutura adequada, é comum improvisar com cadeiras de jantar, mesas baixas ou até trabalhar do sofá, o que aumenta a chance de dores por conta da posição inadequada da postura no home-office.

    Um estudo realizado com mais de 40 mil trabalhadores confirma isso: o home-office aumentou o risco de dores musculoesqueléticas em várias regiões do corpo, incluindo maior chance de dor na lombar, na parte superior das costas e em pescoço, ombros e braços.

    O motivo é simples: sem ajustes adequados na altura da cadeira, da tela e do teclado, o corpo compensa com posturas erradas que, mantidas por horas, levam ao desconforto. Para Valéria, os erros posturais mais comuns cometidos por quem trabalha em home-office, e que podem causar essas dores localizadas, incluem:

    • Olhar para baixo: a cabeça fica inclinada, forçando a cervical. O monitor deve estar na altura dos olhos;
    • Ombros curvados: ficam projetados para a frente, causando a postura ‘corcunda’;
    • Falta de apoio para a lombar: trabalhar em cadeiras inadequadas ou no sofá sem apoio na parte inferior das costas sobrecarrega a coluna;
    • Pés sem apoio no chão: quando os pés não ficam completamente apoiados, a postura da bacia é prejudicada, afetando toda a coluna;

    O primeiro passo é adequar a postura no home-office. Invista em uma cadeira e em uma escrivaninha adequadas, suportes que elevam o computador para a altura dos olhos, além de usar mouse e teclado. Tudo isso ajuda a melhorar a postura e diminuir o risco de dores.

    Além disso, é importante investir também em alongamentos simples, como os indicados a seguir, que ajudam a evitar dores no home-office!

    Alongamentos para home-office: saiba quais fazer

    Um dos recursos mais simples e eficazes para evitar dores é fazer alongamentos para home-office que sejam acessíveis. Feitos de forma leve e frequente, eles ajudam a aliviar tensões, aumentar a circulação sanguínea e reduzir a rigidez muscular.

    Veja alguns exemplos indicados pela profissional que podem ser feitos sem sair do local de trabalho:

    • Rotação da cabeça: incline a cabeça para a direita, segurando por 20 segundos. Depois, repita para a esquerda. Faça o mesmo para frente e para trás;
    • Rotação de ombros: sentado ou em pé, gire os ombros para trás e para baixo em movimentos circulares. Repita 10 vezes e depois faça 10 vezes para a frente;
    • Elevação de calcanhares: em pé, com as costas retas, suba e desça os calcanhares lentamente, como se estivesse na ponta dos pés. Isso fortalece a panturrilha e melhora a circulação;
    • Postura gato-vaca: fique de quatro, inspire, abaixando a barriga e levantando a cabeça (posição da vaca). Expire, curvando as costas para cima e levando o queixo ao peito (posição do gato). Repita 5 a 10 vezes.

    “Esses exercícios são extremamente importantes. Um alongamento de 1 a 2 minutos no meio do expediente pode fazer uma grande diferença, pois ajuda a aliviar a tensão muscular acumulada, a melhorar a circulação do sangue e a reduzir a rigidez no pescoço, ombros e costas”, enfatiza Valéria.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Exercícios de fortalecimento para sustentar a postura

    Além dos alongamentos, é importante fortalecer os músculos responsáveis pela sustentação para melhorar a postura no home-office. Essa “musculatura estabilizadora” inclui abdômen, lombar, glúteos e ombros. Quando bem trabalhados, esses músculos funcionam como uma armadura natural, reduzindo o impacto das longas horas sentado.

    Entre os exercícios mais recomendados estão:

    • Prancha abdominal: de bruços, apoie-se nos antebraços e nas pontas dos pés. Mantenha o corpo reto como uma tábua, sem curvar o quadril. Segure por 30 segundos, ou o máximo que conseguir;
    • Ponte: deitado de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão, levante o quadril em direção ao teto, contraindo o bumbum e o abdômen. Mantenha a posição por 15 segundos e desça lentamente. Repita 10 vezes.

    Esses exercícios podem ser feitos junto com os alongamentos ou em horários separados e ajudam a equilibrar o corpo. Afinal, quando os músculos estão fortes, a pessoa não precisa “forçar” para se manter ereta, porque o corpo naturalmente sustenta a postura correta com mais facilidade.

    Pausas ativas e ergonomia: aliados contra as dores

    Não basta apenas se alongar e fortalecer: é preciso reorganizar a rotina de trabalho. A fisioterapeuta recomenda as chamadas pausas ativas, que consistem em interromper o trabalho por alguns minutos para movimentar o corpo.

    “A recomendação geral é fazer uma pausa de 5 a 10 minutos a cada 1 hora de trabalho sentado. Mas, mais importante do que a duração da pausa, é a consistência. O ideal é que você se levante, caminhe, vá beber água e faça um alongamento rápido para ‘quebrar’ o ciclo de ficar muito tempo na mesma posição”, recomenda.

    Com essas pequenas mudanças na rotina, exercícios simples de alongamento e fortalecimento e ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho, é possível melhorar a postura e prevenir dores.

    Perguntas frequentes

    1. Quais exercícios ajudam a melhorar a postura no home-office?

    Alongamentos de pescoço, tronco e ombros, além de exercícios de fortalecimento como prancha e ponte, são ótimas pedidas.

    2. Quantas vezes devo me alongar durante o expediente?

    O ideal é fazer pausas de 5 minutos a cada hora, com pequenos alongamentos e movimentos, como uma caminhada.

    3. Trabalhar em ambientes improvisados, como sofá ou cama, faz mal?

    Sim. Essas posturas forçam a coluna e aumentam o risco de dores crônicas.

    4. Como ajustar a ergonomia do meu espaço de trabalho?

    Mantenha a tela na altura dos olhos, apoie os pés no chão ou suporte, use cadeira ajustada e mantenha cotovelos próximos ao corpo.

    5. Só alongamento resolve?

    Não. É preciso fortalecer a musculatura estabilizadora (abdômen, lombar, glúteos e ombros) para manter a postura correta.

    Confira: Ciática: o que é e como aliviar a dor no nervo ciático

  • Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Nos últimos anos, a imunoterapia deixou de ser apenas uma promessa de laboratório para se tornar uma das maiores revoluções no tratamento do câncer. Essa terapia abriu caminho para resultados melhores em tumores até então de difícil controle, como o melanoma e o câncer de pulmão, e trouxe novas perspectivas a médicos e pacientes em todo o mundo.

    Em paralelo, também despertou debates sobre custos, acesso e sobre como selecionar os pacientes que realmente vão se beneficiar dessa estratégia. Mas afinal, o que diferencia a imunoterapia dos tratamentos tradicionais, como a quimioterapia e a radioterapia? Quais são seus limites e até onde ela pode avançar nos próximos anos?

    O oncologista Thiago Chadid explica em detalhes como a imunoterapia funciona e o que já se sabe sobre sua eficácia.

    O que é imunoterapia e como ela se diferencia da quimioterapia

    A imunoterapia é uma modalidade de tratamento, uma linha de terapias. Para entender a diferença para a quimioterapia, é preciso olhar para os métodos tradicionais.

    “A quimioterapia age diretamente nas células do câncer. Em alguns casos, faz com que elas morram. Em outros, impede que continuem se multiplicando”, explica o oncologista.

    Além da quimioterapia, existem os chamados medicamentos alvo, que bloqueiam sinais internos usados pelas células para crescer, e os biológicos, que funcionam como uma espécie de trava nos receptores das células, explica o médico.

    Já a imunoterapia age de um jeito diferente, porque não vai direto nas células do câncer, ela age no sistema de defesa do próprio corpo. Para entender melhor, o câncer muitas vezes consegue enganar essas células de defesa e se esconder delas.

    “É como se o tumor colocasse uma capa de invisibilidade, usando proteínas que confundem o sistema imunológico”, explica o médico. Os principais “truques” usados pelo câncer são duas proteínas chamadas CTLA-4 e PD-L1, que funcionam como botões de liga e desliga para as defesas do organismo.

    A imunoterapia age justamente bloqueando essas proteínas, ou seja, tira a “capa” que esconde o câncer. Assim, as células de defesa do próprio corpo conseguem voltar a reconhecer os tumores como inimigos e passam a atacá-los.

    Em quais tipos de câncer a imunoterapia funciona melhor

    Os resultados da imunoterapia não foram iguais em todos os tumores. “Em tumores como melanoma e câncer de pulmão, a resposta foi impressionante. Já em pâncreas ou vias biliares, não funcionou bem”, conta o médico.

    Isso acontece porque a eficácia depende da diferença entre a célula tumoral e a normal.

    “Quanto mais diferente, mais fácil do sistema imunológico reconhecer e atacar. Em alguns casos, como no câncer de mama, o tumor se parece demais com a célula normal, e aí a imunoterapia não funciona”.

    Outro desafio é o ambiente tumoral. “Há tumores que secretam substâncias no tecido ao redor deles que ‘paralisam’ as células de defesa, como se fosse um gás paralisante”, explica.

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    Imunoterapia isolada ou em combinação com a quimioterapia?

    A resposta depende do tipo de tumor. “Em alguns tumores, como melanoma e certos tipos de câncer de pulmão ou de rim, só a imunoterapia já é suficiente para o tratamento”, explica Chadid.

    Mas há casos em que a combinação com quimioterapia é essencial. “A quimioterapia destrói células tumorais e libera proteínas que ajudam o sistema imunológico a reconhecer melhor o que é câncer. Então, às vezes, só tirar o ‘disfarce’ do tumor não basta, é preciso também dar pistas ao sistema imunológico”.

    Hoje, essa associação é bastante usada em tumores ginecológicos (endométrio, colo de útero e ovário), além de câncer de bexiga e alguns casos de câncer de rim.

    Efeitos colaterais da imunoterapia

    Os efeitos colaterais são bem diferentes da quimioterapia.

    “Como a imunoterapia tira o freio do sistema imunológico, os efeitos adversos são reações autoimunes. O sistema de defesa do corpo pode atacar células saudáveis por engano”, diz o médico.

    Entre eles estão:

    • Pneumonite (inflamação do pulmão);
    • Nefrite (inflamação nos rins);
    • Tireoidite (inflamação na tireoide);
    • Colite (inflamação no intestino grosso);
    • Diabetes.

    “A frequência varia, mas em geral é baixa: pneumonite aparece em 2% a 5% dos casos, tireoidite em menos de 1%. Ou seja, são raros, mas quando acontecem precisam ser tratados”, alerta.

    O tratamento, nesses casos, envolve a suspensão temporária da imunoterapia e uso de corticoides. “Em casos muito graves, ela precisa ser suspensa definitivamente”.

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    Perguntas frequentes sobre imunoterapia contra o câncer

    1. O que é imunoterapia?

    É uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.

    2. Em quais tipos de câncer a imunoterapia é mais eficaz?

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, funciona melhor em melanoma e câncer de pulmão, enquanto tem baixa eficácia em tumores como pâncreas ou vias biliares.

    3. A imunoterapia pode ser usada sozinha?

    Sim, em alguns tumores, como melanoma e alguns tipos de câncer de pulmão. Em outros, é combinada com quimioterapia ou, se for o caso, não se usa.

    4. Quais são os efeitos colaterais da imunoterapia?

    Podem ocorrer reações autoimunes, como inflamação no pulmão, intestino, tireoide e rins.

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