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  • Relógios inteligentes que medem frequência cardíaca: valem a pena? 

    Relógios inteligentes que medem frequência cardíaca: valem a pena? 

    Os relógios inteligentes, ou smartwatches, conquistaram espaço no pulso de quem gosta de tecnologia, esportes ou deseja acompanhar a saúde mais de perto no dia a dia. Entre suas funções mais usadas, em determinados modelos, está a medição da frequência cardíaca, recurso que transformou esses gadgets em pequenos monitores pessoais do coração.

    Mas, afinal, como esses dispositivos medem os batimentos? Eles são confiáveis? E até que ponto podem ajudar o médico a cuidar melhor do paciente?

    Como os smartwatches medem a frequência cardíaca?

    A maioria dos relógios inteligentes utiliza uma tecnologia chamada fotopletismografia:

    • Pequenos sensores de luz verde iluminam os vasos sanguíneos do pulso;
    • A variação na quantidade de luz refletida indica o fluxo de sangue a cada batimento;
    • O aparelho traduz esses sinais em números de frequência cardíaca (batimentos por minuto).

    Alguns modelos mais avançados também incluem sensores elétricos, parecidos com os do eletrocardiograma, capazes até de registrar um traçado básico da atividade elétrica do coração.

    Vantagens dos relógios inteligentes

    • Acompanhamento contínuo: monitoram os batimentos ao longo do dia, inclusive durante o sono e exercícios, permitindo observar variações que podem ser relatadas ao médico.
    • Alertas em tempo real: alguns modelos notificam quando os batimentos estão muito altos, baixos ou irregulares.
    • Incentivo à saúde: estimulam a prática de exercícios e a adoção de hábitos mais saudáveis.

    Limitações e cuidados

    • Precisão variável: movimento, suor, pele fria ou tatuagens podem interferir na leitura.
    • Não detectam todas as arritmias: mesmo os modelos avançados não substituem exames como o Holter de 24h.
    • Necessidade de interpretação médica: os números só têm significado quando avaliados por um cardiologista.
    • Risco de ansiedade: acompanhar batimentos constantemente pode gerar preocupações desnecessárias em pessoas saudáveis.

    Leia também: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    O que os médicos pensam sobre os smartwatches?

    Para cardiologistas, os smartwatches são uma ferramenta complementar. Eles ajudam a levantar hipóteses e antecipar consultas quando alertas aparecem com frequência, mas não substituem uma avaliação clínica completa.

    Ou seja, são ótimos para acompanhar tendências e aumentar a consciência sobre a saúde, mas não devem ser usados como diagnóstico.

    Perguntas frequentes sobre relógios inteligentes e frequência cardíaca

    1. Os smartwatches podem substituir exames como o eletrocardiograma?

    Não. Eles fornecem dados úteis, mas não têm a mesma precisão dos exames médicos.

    2. Todo smartwatch mede batimentos cardíacos?

    Não. É preciso verificar se o modelo tem um sensor específico para frequência cardíaca.

    3. O relógio pode detectar arritmias?

    Alguns modelos avançados conseguem indicar ritmos irregulares, mas não substituem o diagnóstico feito por exames clínicos.

    4. É seguro confiar apenas no smartwatch para monitorar o coração?

    Não. Eles são ferramentas de apoio, mas o acompanhamento médico é essencial.

    5. Idosos podem usar esses dispositivos?

    Sim. Eles podem ser muito úteis, desde que haja orientação sobre como interpretar os dados.

    6. Os dados do relógio podem ser compartilhados com o médico?

    Sim. Muitos aplicativos permitem exportar relatórios, que podem auxiliar o cardiologista no acompanhamento.

    Leia mais: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

  • Triglicérides: do combustível do corpo ao risco para o coração 

    Triglicérides: do combustível do corpo ao risco para o coração 

    O resultado do exame de sangue chegou e, entre colesterol, glicemia e outras siglas, lá estão eles: os triglicérides. Apesar do nome complicado, trata-se de um dos exames mais importantes para avaliar a saúde cardiovascular.

    Quando estão em níveis corretos, funcionam como reserva de energia para o corpo. Mas, quando se elevam demais, podem indicar risco aumentado para doenças do coração e até pancreatite. Por isso, sociedades médicas no Brasil e no mundo reforçam a importância de acompanhar esses valores.

    O que são triglicérides?

    Os triglicérides são um tipo de gordura que circula no sangue e que o corpo utiliza como fonte de energia. Sempre que uma pessoa se alimenta, parte do que consome — especialmente carboidratos e gorduras — é transformada em triglicérides e armazenada nas células de gordura. Entre as refeições, eles são liberados para fornecer combustível aos músculos e outros tecidos.

    Além da alimentação, o fígado também pode produzir triglicérides, principalmente quando há excesso de calorias. É por isso que dietas ricas em açúcar, massas, pães e bebidas alcoólicas aumentam os níveis dessa gordura no sangue.

    Ou seja: os triglicérides têm função importante, mas quando permanecem em níveis muito altos aumentam o risco de doenças cardiovasculares e, em casos extremos, de pancreatite.

    Valores de referência de exame de triglicérides

    • Normal: abaixo de 150 mg/dL
    • Limítrofe: entre 150 e 199 mg/dL
    • Alto: entre 200 e 499 mg/dL
    • Muito alto: acima de 500 mg/dL

    O que causa triglicérides altos?

    Entre os principais fatores estão:

    • Alimentação rica em açúcares, frituras e álcool;
    • Excesso de peso e obesidade;
    • Sedentarismo;
    • Doenças como diabetes descontrolado e hipotireoidismo;
    • Uso de alguns remédios (corticoides, diuréticos, anticoncepcionais).

    Valores acima de 500 mg/dL exigem atenção imediata, pois aumentam o risco de pancreatite aguda. Já níveis muito baixos podem estar relacionados à desnutrição, dietas restritivas ou doenças do fígado.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Como manter os triglicérides sob controle?

    • Praticar exercícios físicos regularmente;
    • Reduzir consumo de açúcar, massas, pães e frituras;
    • Evitar bebidas alcoólicas;
    • Manter um peso saudável;
    • Seguir corretamente o tratamento médico, quando indicado.

    Perguntas frequentes sobre triglicérides

    1. Triglicérides e colesterol são a mesma coisa?

    Não. Ambos são gorduras no sangue, mas com funções diferentes: o colesterol participa da produção de hormônios e membranas celulares, enquanto os triglicérides armazenam energia.

    2. O exame de triglicérides precisa de jejum?

    Na maioria dos laboratórios, sim: entre 8 e 12 horas de jejum. O ideal é confirmar com o laboratório.

    3. Só dieta resolve triglicérides altos?

    Em muitos casos, sim. Mas quando os níveis estão muito elevados, pode ser necessário o uso de medicamentos prescritos pelo médico.

    4. Álcool aumenta triglicérides mesmo em pequenas quantidades?

    Sim. A bebida alcoólica é uma das principais causas de aumento dos triglicérides.

    5. Crianças podem ter triglicérides altos?

    Sim. Crianças com sobrepeso e má alimentação também podem apresentar triglicérides elevados.

    6. Triglicérides altos sempre causam sintomas?

    Não. Na maioria das vezes, a condição é silenciosa e só aparece no exame de sangue. Em casos extremos, podem surgir depósitos de gordura na pele, em forma de pequenas pápulas.

    7. É possível reduzir triglicérides rapidamente?

    Sim. Ajustes na alimentação — como reduzir açúcar e álcool — já podem diminuir os valores em semanas. No entanto, o acompanhamento médico é essencial.

    Veja também: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

  • Desfibrilador automático: o aparelho que pode salvar vidas em minutos 

    Desfibrilador automático: o aparelho que pode salvar vidas em minutos 

    Quando uma pessoa sofre uma parada cardíaca, o tempo é o fator mais crítico. A cada minuto sem atendimento, as chances de sobrevivência caem em torno de 7% a 10%, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Por isso, encontrar um desfibrilador automático em locais como shoppings, aeroportos ou estádios pode ser a diferença entre a vida e a morte.

    Os desfibriladores externos automáticos (DEA) foram desenvolvidos justamente para esses momentos. Pequenos, portáteis e fáceis de usar, eles podem ser manuseados não apenas por médicos, mas por qualquer pessoa presente no local, seguindo as instruções do aparelho.

    O que é um desfibrilador e para que serve?

    O coração funciona a partir de impulsos elétricos que coordenam os batimentos. Quando há uma arritmia grave, como a fibrilação ventricular, esses impulsos ficam desorganizados e o coração perde a capacidade de bombear sangue. O desfibrilador emite um choque controlado, capaz de “resetar” o sistema elétrico e permitir que o coração volte ao ritmo normal.

    Sem essa intervenção rápida, a pessoa pode evoluir para morte súbita em poucos minutos.

    Como funcionam os desfibriladores automáticos (DEA)?

    • Ligar o aparelho: basta abrir a caixa e apertar o botão de ligar;
    • Instruções de voz e imagens: o aparelho orienta cada passo para salvar a vítima;
    • Colocação dos eletrodos: adesivos são fixados no peito da vítima, conforme indicado;
    • Análise do ritmo cardíaco: o DEA verifica automaticamente se o choque é necessário;
    • Aplicação do choque: se indicado, o aparelho avisa quando apertar o botão e alerta para que todos se afastem.

    Importante: o equipamento só libera o choque se realmente for necessário, garantindo segurança mesmo quando usado por leigos.

    Quem pode usar o DEA em locais públicos?

    O DEA foi desenvolvido para que qualquer pessoa possa usá-lo em emergências. O aparelho guia o socorrista com comandos de voz. Ainda assim, cursos de primeiros socorros e RCP aumentam a confiança de quem presta o socorro.

    Onde os desfibriladores automáticos estão disponíveis?

    É cada vez mais comum encontrar DEAs em locais como:

    • Aeroportos e rodoviárias;
    • Shoppings e centros comerciais;
    • Estádios e ginásios esportivos;
    • Escolas, universidades e academias;
    • Estações de metrô e prédios públicos.

    Geralmente, ficam em caixas de vidro sinalizadas e com alarmes que disparam quando abertas, indicando emergência.

    Confira: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

    Importância do DEA em espaços públicos

    • Velocidade: o tempo até a chegada da ambulância pode ser longo; o DEA aumenta as chances de sobrevivência até o socorro;
    • Maior chance de vida: quando usado nos primeiros 3 a 5 minutos, pode elevar em até 70% a chance de sobrevivência;
    • Complemento da RCP: o desfibrilador deve ser usado junto com compressões torácicas.

    Perguntas frequentes sobre desfibriladores automáticos

    1. O DEA pode ser usado em qualquer pessoa que desmaia?

    Não. Ele só é indicado em casos de parada cardíaca por arritmias graves. O aparelho identifica se o choque é necessário.

    2. Preciso ser médico para usar um desfibrilador automático?

    Não. O DEA foi projetado para uso por leigos, com instruções claras em voz alta e imagens.

    3. O choque do DEA pode machucar quem está por perto?

    Não, desde que todos se afastem no momento do disparo, conforme orienta o aparelho.

    4. O DEA substitui a massagem cardíaca (RCP)?

    Não. As compressões devem começar imediatamente e o DEA deve ser usado assim que possível.

    5. O aparelho pode errar na análise?

    Não. Ele só reconhece arritmias que exigem choque. Se não houver necessidade, não dispara.

    6. Qual a diferença entre desfibrilador automático (DEA) e manual?

    O manual é usado por profissionais em hospitais. O DEA é automático, guiado por voz, e pode ser usado em locais públicos por qualquer pessoa.

    Leia também: Ecocardiograma: saiba mais sobre o exame que mostra detalhes do coração

  • Quantos infartos acontecem por ano no Brasil e o que aumenta esse risco 

    Quantos infartos acontecem por ano no Brasil e o que aumenta esse risco 

    Você já deve ter ouvido falar que o infarto é uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil, e isso não é exagero. Segundo o Ministério da Saúde, acontecem de 300 mil a 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio por ano no país. Além disso, aproximadamente em cada 5 a 7 casos, há morte.

    Esse número alto importa para todo mundo, porque o infarto não escolhe idade. Embora seja mais comum em pessoas mais velhas, alguns fatores de risco — muitos deles ligados ao estilo de vida — aumentam muito a probabilidade de pessoas jovens também sofrerem um infarto.

    O que é infarto agudo do miocárdio

    O infarto agudo do miocárdio acontece quando uma artéria do coração fica bloqueada por uma placa de gordura, coágulo ou outro impedimento, cortando ou reduzindo severamente o fluxo de sangue para parte do músculo cardíaco.

    Essa falta de sangue pode danificar ou matar células do coração e causa sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio e tontura. Quanto mais rápido chegar atendimento médico, maiores as chances de salvar o tecido cardíaco e reduzir danos.

    Fatores de risco: quem está mais vulnerável

    Pouca gente infarta por acaso. Há uma série de fatores que aumentam bastante as chances:

    • Tabagismo: um dos maiores inimigos do coração, prejudica os vasos, favorece placas de gordura nas artérias e provoca inflamação;
    • Colesterol alto: excesso de colesterol LDL e triglicerídeos altos elevam o risco de obstrução arterial;
    • Pressão alta: força os vasos, danifica artérias e facilita obstruções;
    • Diabetes: aumenta de 2 a 4 vezes o risco de infarto, devido ao impacto da glicose alta nos vasos;
    • Obesidade e gordura abdominal: aumentam inflamação e riscos metabólicos;
    • Sedentarismo: piora colesterol, pressão, glicemia e peso;
    • Histórico familiar: parentes próximos com infarto aumentam a vulnerabilidade;
    • Estresse, ansiedade e sono ruim: fatores psicossociais que também pesam no risco cardíaco.

    Outros fatores que merecem atenção

    • Idade: o risco cresce com o passar dos anos;
    • Sexo: homens têm infartos mais cedo; nas mulheres, o risco aumenta após a menopausa;
    • Condições socioeconômicas: acesso limitado à saúde e alimentação adequada aumenta a gravidade dos casos.

    O que você pode fazer hoje para evitar infartos

    • Parar de fumar ou não começar;
    • Praticar atividade física regular (caminhar, pedalar, nadar);
    • Manter alimentação equilibrada, com mais frutas, legumes e verduras;
    • Controlar glicemia, colesterol e pressão com acompanhamento médico;
    • Dormir bem e reduzir o estresse;
    • Fazer check-ups regulares, especialmente a partir dos 40 anos — antes, se houver histórico familiar.

    Perguntas frequentes sobre infarto no Brasil

    1. Quantos casos de infarto ocorrem por ano no Brasil?

    Estima-se que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio anualmente.

    2. Quantas pessoas morrem por infarto no país?

    Em cada 5 a 7 casos de infarto, ocorre um óbito. A taxa de mortalidade é alta.

    3. Jovens também infartam?

    Sim. Internações por infartos em pessoas de 30 a 40 anos estão aumentando, especialmente em quem tem fatores de risco como sobrepeso, sedentarismo e histórico familiar.

    4. Ter diabetes realmente aumenta muito o risco?

    Sim. Pessoas com diabetes têm de 2 a 4 vezes mais chances de sofrer infarto.

    5. E o tabagismo? Qual é seu impacto?

    É um dos principais fatores de risco: fumar inflama e danifica os vasos, favorecendo o acúmulo de placas de gordura.

    6. Mudanças no estilo de vida realmente ajudam?

    Sim. Alimentação saudável, atividade física, controle de pressão, glicemia e colesterol, sono de qualidade e menos estresse reduzem significativamente o risco.

    7. O que fazer se alguém suspeita que está infartando?

    Diante de dor no peito intensa, irradiação para braço, mandíbula ou costas, falta de ar, suor frio ou náusea, procure atendimento de urgência imediatamente. Quanto mais rápido o atendimento, melhores as chances de recuperação.

  • Tontura: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum 

    Tontura: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum 

    A tontura é um dos sintomas mais relatados nos consultórios médicos. Embora seja mais comum em pessoas idosas, pode aparecer em qualquer idade. Descrever a sensação nem sempre é fácil: algumas pessoas relatam instabilidade, outras falam em desequilíbrio, um quase-desmaio ou até a impressão de que tudo ao redor está girando.

    É importante lembrar que a tontura não é uma doença, mas sim um sinal de que algo está acontecendo no corpo.

    Quais são as possíveis causas da tontura?

    A tontura pode ter múltiplas origens, entre elas:

    • Problemas no ouvido interno: como labirintite ou doença de Ménière;
    • Alterações metabólicas: hipoglicemia, anemia, desidratação;
    • Doenças cardíacas: arritmias, insuficiência cardíaca, pressão baixa;
    • Quadros neurológicos: AVC, esclerose múltipla, traumas;
    • Questões emocionais: ansiedade e estresse;
    • Efeitos colaterais de medicamentos.

    O diagnóstico nunca é simples e depende de avaliação médica com histórico clínico, exame físico e, em alguns casos, exames complementares.

    Sintomas que podem acompanhar a tontura

    • Náuseas;
    • Dor de cabeça;
    • Zumbido no ouvido;
    • Suor frio;
    • Palpitações.

    Tipos de tontura

    A forma como a pessoa descreve a sensação ajuda o médico a identificar a possível causa. Os principais tipos são:

    Vertigem

    Sensação de que tudo ao redor está girando, mesmo em repouso. Geralmente ligada a problemas do ouvido interno, como VPPB, doença de Ménière ou neurite vestibular.

    Pré-síncope

    Sensação de quase desmaio, acompanhada de visão escurecida, suor frio e palpitações. Pode estar relacionada a causas cardíacas, quedas de pressão ou alterações metabólicas, como hipoglicemia.

    Desequilíbrio

    Sensação de instabilidade ao caminhar ou mudar de posição, como se fosse cair. Costuma estar associada a causas neurológicas ou musculares.

    Doenças que podem causar tontura

    • VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna): deslocamento de cristais do ouvido interno, que provoca vertigem ao movimentar a cabeça;
    • Enxaqueca vestibular: crises de tontura com dor de cabeça, sensibilidade à luz e sons, náuseas e zumbido;
    • Neurite vestibular: inflamação do nervo vestibular, que conecta ouvido interno ao cérebro;
    • Doença de Ménière: aumento da pressão no ouvido interno, causando vertigem intensa, perda auditiva, zumbido e ouvido tampado.

    Outras condições incluem hipotensão ortostática, uso de medicamentos, ansiedade, anemia, desidratação ou até gravidez.

    Tratamento da tontura

    Se a tontura for frequente, intensa ou acompanhada de sintomas como desmaios, perda de audição ou alterações neurológicas, é fundamental procurar atendimento médico. O tratamento depende da causa e pode envolver medicamentos, mudanças no estilo de vida ou acompanhamento especializado.

    Perguntas frequentes sobre tontura

    1. Tontura é sempre sinal de labirintite?

    Não. Pode ter várias causas: ouvido, coração, metabolismo ou até fatores emocionais.

    2. Quando a tontura é preocupante?

    Quando é frequente, intensa ou vem com sintomas como desmaio, perda de audição ou alterações neurológicas.

    3. O que é vertigem?

    É um tipo de tontura em que a pessoa sente como se o ambiente ao redor estivesse girando.

    4. Quem tem pressão baixa pode sentir tontura?

    Sim. Quedas de pressão são uma das causas mais comuns do sintoma.

  • Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro 

    Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro 

    Pequena, discreta e em formato de borboleta, a tireoide passa despercebida pela maioria das pessoas. Mas essa glândula que fica no pescoço funciona como uma central de comando do corpo humano: quando funciona bem, mantém o equilíbrio; quando falha, pode bagunçar todo o organismo.

    Alterações no funcionamento da tireoide estão entre os problemas hormonais mais comuns e podem causar sintomas que vão de cansaço e ganho de peso até palpitações e emagrecimento rápido.

    O que é a tireoide

    A tireoide, localizada na frente do pescoço, logo abaixo da traqueia, é uma glândula cheia de vasos sanguíneos responsável por produzir e armazenar os hormônios tireoidianos. Eles controlam o metabolismo e influenciam órgãos e sistemas do corpo inteiro.

    Função dos hormônios tireoidianos

    Os hormônios tireoidianos atuam em praticamente todos os tecidos do corpo. Entre suas funções estão:

    • Ossos: regulam crescimento e renovação óssea.
    • Coração e circulação: aceleram os batimentos, aumentam o volume de sangue bombeado e reduzem a resistência dos vasos.
    • Gordura corporal: controlam produção, armazenamento e queima de gordura.
    • Fígado: ajudam a regular o colesterol.
    • Hipófise: modulam a produção de outros hormônios.
    • Cérebro: fundamentais para o desenvolvimento cerebral e funções neurológicas.

    Hipotireoidismo: quando a tireoide funciona devagar

    O hipotireoidismo acontece quando a tireoide não produz hormônios suficientes. Pode ser:

    • Congênito: desde o nascimento.
    • Adquirido: surge ao longo da vida.

    De acordo com a origem, pode ser:

    • Primário: na própria tireoide (como na tireoidite de Hashimoto, deficiência de iodo ou após cirurgias).
    • Secundário: na hipófise.
    • Terciário: no hipotálamo.

    Sintomas mais comuns do hipotireoidismo

    • Cansaço e sonolência;
    • Pele e cabelo ressecados;
    • Queda de cabelo;
    • Intolerância ao frio;
    • Inchaço no rosto, mãos e pés;
    • Lentidão para falar e se mover;
    • Ganho de peso sem mudança alimentar relevante;
    • Batimentos mais lentos;
    • Constipação;
    • Alterações menstruais, infertilidade ou queda da libido;
    • Humor deprimido ou apatia;
    • Dor de cabeça;
    • Bócio (inchaço visível no pescoço).

    Diagnóstico de problemas na tireoide

    O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica, exame físico e exames de sangue que medem os níveis de TSH e hormônios tireoidianos.

    Tratamento de alterações na tireoide

    O tratamento geralmente envolve a reposição hormonal por comprimidos diários, com ajuste de dose feito pelo médico.

    Hipertireoidismo: quando a tireoide trabalha demais

    No hipertireoidismo, a tireoide produz hormônios em excesso, acelerando o metabolismo.

    Principais causas:

    • Doença de Graves;
    • Bócio multinodular tóxico ou nódulo tóxico;
    • Tireoidite;
    • Adenoma nodular tóxico (Doença de Plummer).

    Sintomas mais comuns de hipertireoidismo

    • Ansiedade, irritabilidade ou nervosismo;
    • Tremores nas mãos;
    • Suor excessivo e intolerância ao calor;
    • Palpitações e batimentos acelerados;
    • Fraqueza muscular;
    • Pele quente e úmida;
    • Diarreia ou evacuações frequentes;
    • Alterações menstruais;
    • Emagrecimento sem causa aparente;
    • Olhos saltados (exoftalmia).

    Veja também: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Diagnóstico

    É realizado com exame clínico, físico, dosagem hormonal e, em alguns casos, ultrassonografia ou cintilografia da tireoide.

    Tratamento para hipertireoidismo

    • Medicamentos antitireoidianos;
    • Iodo radioativo;
    • Cirurgia (tireoidectomia) em casos específicos.

    Perguntas frequentes sobre a tireoide

    1. Onde fica a tireoide?

    Na parte da frente do pescoço, logo abaixo da traqueia.

    2. Hipotireoidismo e hipertireoidismo são a mesma coisa?

    Não. Hipotireoidismo é falta de hormônio; hipertireoidismo é excesso.

    3. Toda alteração da tireoide causa sintomas?

    Não. Algumas alterações só aparecem em exames de rotina.

    4. O que é bócio?

    É o aumento visível da glândula tireoide.

    5. A tireoide pode causar problemas de fertilidade?

    Sim. Pode afetar ciclo menstrual, ovulação e libido.

    6. Quem tem doença da tireoide precisa tomar remédio para sempre?

    Depende do caso. Só o médico pode avaliar.

    7. Exoftalmia sempre aparece em quem tem hipertireoidismo?

    Não. É mais comum na Doença de Graves, mas não atinge todos os pacientes.

    Leia mais: Queda de cabelo: o que causa e quando é preocupante?

  • Intolerância à lactose: quando o leite vira desconforto 

    Intolerância à lactose: quando o leite vira desconforto 

    Tomar um copo de leite, saborear um pedaço de queijo branco ou um simples sorvete pode ser um prazer para muitos. Mas, para quem tem intolerância à lactose, esses momentos podem se transformar em dor abdominal, gases e diarreia. O problema é mais comum do que parece e está ligado à dificuldade do corpo em digerir a lactose, o açúcar natural do leite e de seus derivados.

    O que é a lactose?

    A lactose é o açúcar presente no leite e em seus derivados, como queijos, iogurtes e sorvetes. Para ser utilizada como fonte de energia, ela precisa ser quebrada em partes menores no processo de digestão.

    Essa quebra acontece no intestino delgado por meio da enzima lactase. Quando a produção dessa enzima é baixa ou inexistente, a lactose não é digerida corretamente, gerando sintomas como gases, dor abdominal e diarreia após o consumo de laticínios.

    O que é intolerância à lactose

    A intolerância à lactose ocorre quando o corpo tem dificuldade para digerir esse açúcar devido à baixa quantidade da enzima lactase. Como consequência, surgem sintomas gastrointestinais após o consumo de leite e derivados.

    Existem diferentes formas da condição:

    • Deficiência congênita de lactase: muito rara, aparece logo após o nascimento; o bebê já nasce sem capacidade de produzir lactase.
    • Intolerância primária: a forma mais comum, em que a produção da enzima diminui naturalmente ao longo dos anos, com sintomas geralmente na vida adulta.
    • Intolerância secundária: temporária, surge após doenças intestinais (como doença celíaca, Crohn, diarreias infecciosas) ou tratamentos como quimioterapia. A digestão da lactose volta ao normal quando o intestino se recupera.

    Leia também: Como montar um prato saudável para todas as refeições?

    Quais são os sintomas?

    Os sintomas surgem entre 30 minutos e 2 horas após o consumo de laticínios e variam de pessoa para pessoa:

    • Dor e cólica abdominal;
    • Inchaço e excesso de gases;
    • Diarreia aquosa;
    • Náuseas;
    • Em alguns casos: dor de cabeça, tontura e cansaço.

    A intensidade depende da quantidade ingerida e do grau de tolerância individual.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico pode envolver diferentes métodos:

    • Testes genéticos: indicados principalmente em bebês, para identificar casos raros de ausência congênita de lactase.
    • Teste respiratório de hidrogênio: mede a quantidade de gás liberado na respiração após ingestão de lactose.
    • Teste oral de tolerância à lactose: avalia a variação da glicose no sangue depois da ingestão do açúcar do leite.
    • Avaliação clínica: em muitos casos, basta observar os sintomas e a melhora após a retirada da lactose da dieta.

    Qual é o tratamento?

    Ao contrário da alergia à proteína do leite (APLV), que exige exclusão total do alimento, a intolerância à lactose permite ajustes mais flexíveis. As estratégias incluem:

    • Reduzir a ingestão de lactose: pequenas quantidades podem ser toleradas, dependendo do indivíduo.
    • Reposição de lactase: a enzima está disponível em cápsulas, que podem ser ingeridas antes de consumir laticínios.
    • Uso de probióticos e dieta ajustada: podem ajudar no equilíbrio da microbiota intestinal.
    • Produtos sem lactose: leites, queijos e iogurtes adaptados já disponíveis no mercado.

    Todo tratamento deve ter acompanhamento médico e nutricional. A retirada completa dos laticínios sem orientação pode causar prejuízos nutricionais, já que esses alimentos são fontes de nutrientes importantes para a saúde.

    Leia também: Intolerância à lactose: o que comer no dia a dia?

  • Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    Hemoglobina glicada: o exame que revela a ‘memória’ da glicose 

    No mundo do diabetes, poucos exames são tão importantes quanto a hemoglobina glicada. Simples, rápido e realizado com uma coleta de sangue, ele é essencial para diagnosticar a doença e acompanhar se o tratamento está funcionando.

    Ao contrário da glicemia em jejum, que mostra apenas um retrato momentâneo, a hemoglobina glicada reflete a média da glicose no sangue nos últimos três meses.

    O que é a hemoglobina glicada?

    A hemoglobina é a proteína dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio. Quando a glicose circula no sangue, parte dela se liga a essa proteína, formando a chamada hemoglobina glicada.

    O exame mede justamente essa ligação: quanto maior a glicose no sangue, maior será o valor encontrado.

    Para que serve o exame de hemoglobina glicada?

    O teste é utilizado para:

    • Diagnosticar diabetes;
    • Avaliar o controle da glicemia em pessoas com diabetes;
    • Monitorar se o tratamento está funcionando, seja com mudanças no estilo de vida ou medicamentos.

    Na prática, funciona como uma avaliação trimestral da glicemia no organismo.

    Como é feito o exame?

    Trata-se de um exame de sangue simples, feito em laboratório. Não é necessário jejum, e o resultado costuma sair em poucos dias.

    Valores de referência da hemoglobina glicada

    Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association (ADA):

    • Normal: abaixo de 5,7%;
    • Pré-diabetes: entre 5,7% e 6,4%;
    • Diabetes: 6,5% ou mais;
    • Meta de controle: em pessoas com diabetes, geralmente abaixo de 7% (podendo variar conforme orientação médica).

    Confira: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas frequentes sobre hemoglobina glicada

    1. Qual a diferença entre hemoglobina glicada e glicemia em jejum?

    A glicemia em jejum mostra a glicose apenas no momento da coleta. Já a hemoglobina glicada reflete a média dos últimos três meses.

    2. Quem deve fazer o exame?

    Pessoas com fatores de risco (obesidade, histórico familiar, pressão alta) e todos os já diagnosticados com diabetes.

    3. Precisa estar em jejum para fazer?

    Não. Esse é um dos diferenciais: pode ser feito em qualquer horário do dia.

    4. A hemoglobina glicada pode variar mesmo sem diabetes?

    Sim, pequenas variações são possíveis, mas valores acima de 6,5% costumam indicar diabetes.

    5. Qual é o valor ideal para quem já tem diabetes?

    Na maioria dos casos, manter abaixo de 7%. Contudo, a meta pode ser ajustada pelo médico, de acordo com idade e condições de saúde.

    6. O exame pode ser feito pelo SUS?

    Sim. O exame de hemoglobina glicada está disponível na rede pública de saúde.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Acne: o que é, sintomas, causas e tratamento 

    Acne: o que é, sintomas, causas e tratamento 

    A acne é uma doença crônica que surge quando há alterações nas glândulas sebáceas e nos folículos da pele, levando ao surgimento de cravos e espinhas — que, além do impacto físico, afetam diretamente a autoestima e a qualidade de vida.

    Apesar de mais comum após a adolescência, a acne pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive na fase adulta. Pesquisas indicam que 85-100% das pessoas enfrentam o problema em algum momento da vida, o que torna importante entender os cuidados necessários para prevenir complicações, evitar cicatrizes permanentes e buscar o tratamento adequado de acordo com cada caso.

    Afinal, o que é acne?

    A acne é uma doença de pele crônica e inflamatória que afeta principalmente as glândulas sebáceas, responsáveis por produzir sebo, uma substância oleosa que lubrifica a pele e os cabelos.

    Quando existe um desequilíbrio, seja por excesso de produção de sebo, acúmulo de células mortas ou presença de bactérias, os folículos pilosos podem ficar obstruídos — resultando em cravos, espinhas e, em casos mais graves, cistos e nódulos dolorosos.

    Ela costuma se manifestar principalmente no rosto, peito e costas, áreas que possuem maior concentração de glândulas sebáceas. Apesar de mais frequente na adolescência, também pode acometer jovens adultos e até pessoas com mais de 40 anos.

    Causas de acne

    A acne pode ser causada por uma série de fatores, apontados pela dermatologista Gabriela Capareli e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia:

    • Genética: pessoas cujos pais ou irmãos tiveram acne têm maior probabilidade de desenvolvê-la, já que a genética influencia na produção de sebo, na obstrução dos poros e na resposta inflamatória da pele;
    • Alterações hormonais: hormônios andrógenos, como a testosterona, estimulam as glândulas sebáceas a produzirem mais sebo, favorecendo o surgimento de acne, principalmente na adolescência e em mulheres com SOP, além de situações como ciclo menstrual, gravidez e menopausa;
    • Uso de hormônios e anabolizantes: a reposição hormonal sem acompanhamento médico e o uso de anabolizantes aumentam a atividade das glândulas sebáceas, podendo desencadear ou agravar quadros de acne em homens e mulheres;
    • Estresse: períodos de tensão aumentam a produção de cortisol, hormônio que desequilibra o funcionamento das glândulas sebáceas, favorecendo oleosidade excessiva e inflamação;
    • Alimentação: consumo frequente de laticínios, açúcares, alimentos de alto índice glicêmico e comidas ultraprocessadas pode estimular a produção hormonal e intensificar processos inflamatórios, piorando a acne;
    • Fatores externos: uso inadequado de maquiagem, poluição, higiene incorreta (lavagens em excesso) e suor acumulado podem obstruir os poros e favorecer o aparecimento de acne;
    • Doenças endocrinológicas: alterações hormonais relacionadas à tireoide, glândula adrenal ou outros distúrbios podem se manifestar na forma de acne, exigindo acompanhamento conjunto com endocrinologista.

    Quais os tipos de acne?

    A acne é classificada em graus, de acordo com a intensidade das lesões e o risco de deixar cicatrizes:

    Grau 1 (leve)

    É caracterizada principalmente por cravos abertos e fechados (comedões) e discreta oleosidade, e não costuma haver inflamação intensa. É o tipo mais comum na adolescência e, quando tratado precocemente, as chances de deixar marcas permanentes são baixas.

    Grau 2 (moderada)

    Além dos cravos, aparecem espinhas inflamadas (pústulas), avermelhadas e, às vezes, doloridas. O estágio já exige mais atenção, pois a inflamação pode causar manchas temporárias e cicatrizes superficiais se a pele for manipulada de forma incorreta, como ao espremer ou cutucar as lesões.

    Grau 3 (grave)

    No grau 3, surgem nódulos maiores, profundos e dolorosos, que se formam debaixo da pele. A inflamação é intensa e aumenta consideravelmente o risco de deixar cicatrizes permanentes. Muitas vezes, o tratamento precisa incluir medicamentos orais.

    Grau 4 (muito grave)

    Conhecido como acne conglobata, o grau 4 envolve nódulos e cistos grandes, interligados entre si, formando áreas inflamadas extensas. É bastante dolorosa, pode causar deformidades na pele e costuma deixar cicatrizes profundas. É o tipo mais raro de acne, mas requer acompanhamento médico especializado e tratamento adequado.

    Sintomas de acne

    Os sintomas de acne podem variar de acordo com o grau, mas os mais comuns incluem:

    • Cravos (comedões), que podem ser abertos (pretos, por causa da oxidação do sebo) ou fechados (esbranquiçados, mais difíceis de extrair);
    • Espinhas (pústulas), que são lesões avermelhadas, inflamadas e com pus;
    • Pápulas, pequenas elevações vermelhas e dolorosas ao toque;
    • Nódulos e cistos, são lesões maiores, profundas e dolorosas, com risco de cicatrizes;
    • Oleosidade excessiva, principalmente na testa, nariz e queixo (zona T);
    • Marcas e cicatrizes, resultado de inflamações graves ou manipulação inadequada das lesões.

    Além do desconforto físico, a acne pode gerar impactos emocionais, como baixa autoestima, vergonha, ansiedade e, em alguns casos, sintomas depressivos. Por isso, é fundamental buscar acompanhamento médico e, quando necessário, apoio psicológico para enfrentar os efeitos que a acne pode causar no dia a dia.

    Leia também: 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta)

    Como é feito o tratamento de acne?

    De acordo com Gabriela Capareli, o tratamento da acne deve ser individualizado e depende diretamente do grau de acometimento da pele. Entre as principais abordagens, é possível apontar:

    Cuidados básicos na rotina

    Em casos mais leves de acne, o tratamento é simples e envolve alguns cuidados para diminuir a oleosidade da pele, como:

    • Lavar o rosto duas vezes ao dia com sabonetes específicos para pele oleosa ou acneica;
    • Uso regular de protetor solar com textura oil-free, que protege contra manchas e envelhecimento precoce sem obstruir os poros;
    • Remover completamente a maquiagem antes de dormir, pois a permanência de resíduos pode favorecer a obstrução dos poros e agravar o quadro;
    • Não espremer cravos e espinhas, pois isso pode aumentar a inflamação local e o risco de cicatrizes permanentes;
    • Não descansar o rosto nas mãos enquanto lê, estuda ou vê televisão;
    • Lavar as mãos com frequência.

    Tratamentos tópicos

    Nos casos leves e moderados, o dermatologista pode indicar o uso de remédios de uso tópico (cremes, por exemplo), como:

    • Ácido salicílico e ácido glicólico, substâncias que atuam como esfoliantes químicos, ajudando a desobstruir os poros e a controlar a oleosidade;
    • Retinoides, como a tretinoína e o adapaleno, regulam a renovação celular e reduzem a formação de novas lesões, além de contribuírem para a melhora da textura da pele;
    • Peróxido de benzoíla, que tem ação antibacteriana e anti-inflamatória, diminuindo a proliferação da Cutibacterium acnes (que vive naturalmente na pele humana) e ajudando a reduzir as espinhas ativas.

    Remédios orais

    Quando a acne apresenta inflamações mais intensas ou não responde aos cuidados tópicos, pode ser necessário recorrer a remédios orais – como antibióticos, por exemplo, que ajudam a controlar a infecção bacteriana e a inflamação em quadros moderados a graves.

    Em mulheres que apresentam acne de origem hormonal, o dermatologista pode indicar anticoncepcionais específicos, que atuam reduzindo a ação dos hormônios andrógenos sobre a pele.

    Já em casos severos, principalmente aqueles em que há risco de cicatrizes profundas, pode ser prescrita a isotretinoína oral, conhecida popularmente como Roacutan. Apesar de eficaz, o medicamento exige acompanhamento rigoroso, já que pode provocar diversos efeitos colaterais.

    Procedimentos dermatológicos

    Além do uso de remédios, existem alguns procedimentos que contribuem para amenizar o quadro de acne, como:

    • Limpeza de pele profissional, que auxilia na remoção de cravos e melhora a textura da pele;
    • Peelings químicos com ácidos como o salicílico ou retinoico, promovem a renovação celular e ajudam a clarear manchas de acne;
    • Laser e luz de LED, indicadas para reduzir a inflamação, controlar a oleosidade e estimular a cicatrização;
    • Microagulhamento, um dos recursos mais modernos para tratar não apenas as espinhas ativas, mas também as cicatrizes, já que promove a reorganização das fibras de colágeno e melhora a aparência da pele ao longo do tempo.

    Vale ressaltar que os procedimentos só devem ser feitos com orientação de um dermatologista. Cada pele é diferente, e o médico é quem vai indicar o tratamento certo para cada caso.

    Alimentação pode influenciar a acne?

    Não é uma regra para todo mundo, mas de acordo com Gabriela, a alimentação pode influenciar no surgimento de acne em algumas pessoas, especialmente quando há o consumo excessivo de produtos lácteos.

    O mesmo vale para alimentos ricos em açúcares simples, como doces, refrigerantes e ultraprocessados — que elevam o índice glicêmico e estimulam a produção de hormônios que aumentam a oleosidade da pele. Já comidas muito gordurosas também podem contribuir para inflamações.

    Por outro lado, manter uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras, pode ajudar a controlar o quadro e melhorar a saúde da pele como um todo.

    Acne pode melhorar sozinha?

    A acne até pode melhorar sozinha em alguns casos, mas não é recomendado esperar por isso. Adiar o tratamento aumenta o risco de deixar marcas e cicatrizes que podem acompanhar a pessoa na vida adulta.

    “Hoje, a gente tem vários tratamentos que possibilitam com que aquele adolescente não passe a adolescência com uma pele acometida de acne. Ele deve procurar a ajuda de um dermatologista o quanto antes”, complementa Gabriela.

    É possível prevenir a acne?

    Nem sempre é possível evitar completamente a acne, especialmente quando há fatores genéticos e hormonais envolvidos. Porém, alguns hábitos no dia a dia podem reduzir o risco e ajudar no controle:

    • Lavar o rosto duas vezes ao dia (sem exageros);
    • Usar produtos adequados para pele oleosa ou acneica;
    • Não dormir com maquiagem;
    • Evitar manipular o rosto com as mãos sujas;
    • Ter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de leite e açúcares refinados se houver piora evidente;
    • Controlar o estresse com atividades físicas e momentos de descanso.

    Perguntas frequentes sobre acne

    Lavar o rosto muitas vezes ao dia ajuda a controlar a acne?

    Não! Na verdade, lavar o rosto várias vezes ao dia pode piorar o quadro, pois a pele, quando percebe que o sebo natural está sendo constantemente retirado, entende que precisa produzir ainda mais óleo para compensar.

    O recomendado é lavar o rosto duas vezes ao dia, de manhã e à noite, com sabonetes adequados para pele oleosa ou acneica.

    Quem tem acne deve evitar maquiagem?

    Não é necessário evitar totalmente, mas é fundamental escolher produtos adequados. O ideal é usar maquiagens oil-free e não comedogênicas, que não obstruem os poros.

    Também é importante remover a maquiagem completamente antes de dormir. Caso contrário, pode ocorrer a chamada acne cosmética, que agrava o problema.

    Produtos naturais funcionam para acne?

    Alguns ingredientes naturais, como óleo de melaleuca (tea tree oil), têm propriedades anti-inflamatórias e podem ajudar em casos leves. No entanto, eles não substituem tratamentos médicos, especialmente em casos moderados a graves.

    O uso deve ser orientado por profissional, já que até produtos naturais podem causar alergias.

    O sol pode melhorar a acne?

    Não! O que acontece é que o sol pode causar ressecamento das lesões inflamatórias e um bronzeamento que disfarça as marcas, dando a falsa impressão de melhora.

    A exposição solar excessiva, sem proteção adequada, aumenta o risco de câncer de pele e ainda estimula a produção de oleosidade, obstruindo os poros e favorecendo novas inflamações. O resultado é o chamado “efeito rebote”, que ocorre quando a acne volta pior do que antes.

    Acne e rosácea são a mesma coisa?

    Não. A acne é causada principalmente pela obstrução dos poros e inflamação das glândulas sebáceas, levando a cravos, espinhas e, em casos graves, nódulos. Já a rosácea é uma doença inflamatória crônica que causa vermelhidão persistente no rosto, vasos aparentes e lesões que podem lembrar espinhas.

    Acne pode piorar durante o ciclo menstrual?

    Sim! Muitas pessoas percebem aumento de espinhas nos dias que antecedem a menstruação, e isso ocorre porque nesse período há maior oscilação hormonal, especialmente dos andrógenos, que estimulam as glândulas sebáceas a produzirem mais óleo. O aumento de oleosidade favorece a obstrução dos poros e o surgimento de inflamações.

    Saiba mais sobre acne na adolescência

  • Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos 

    Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos 

    Os nódulos na tireoide são achados comuns na prática médica e frequentemente despertam preocupação nos pacientes, sobretudo pelo medo de câncer. Estima-se que uma parcela significativa da população adulta possa apresentar nódulos detectáveis ao longo da vida, muitas vezes de forma silenciosa.

    Embora a grande maioria seja benigna, uma pequena porcentagem pode representar risco maior, exigindo investigação detalhada.

    Para esclarecer as principais dúvidas, conversamos com o endocrinologista André Colapietro, que explica como os nódulos aparecem, quais características merecem atenção e quais exames definem se há motivo para preocupação.

    O que são nódulos na tireoide e por que aparecem?

    Os nódulos na tireoide são pequenos aglomerados de células que se formam no interior da glândula tireoide, localizada na região anterior do pescoço.

    “Podem surgir por alterações celulares benignas, processos inflamatórios ou, mais raramente, câncer”, fala o médico. Fatores como envelhecimento, predisposição genética e inflamações da tireoide aumentam a probabilidade de surgimento desses nódulos.

    Apesar de muita gente associar os nódulos ao câncer logo de cara, o médico tranquiliza e esclarece que nem sempre a presença de um nódulo é motivo imediato de alarme. “Cerca de 90% dos nódulos de tireoide são benignos”.

    No entanto, o acompanhamento médico é essencial na presença de um nódulo na tireoide. A avaliação criteriosa garante que os casos suspeitos sejam investigados de forma precoce e que os pacientes com nódulos benignos não passem por intervenções desnecessárias.

    Quais sintomas indicam investigação detalhada?

    Grande parte dos nódulos é assintomática, descoberta apenas em exames de rotina. No entanto, alguns sinais merecem atenção especial, pois aumentam a suspeita de malignidade ou de complicações locais.

    • Crescimento rápido do nódulo
    • Dor local
    • Rouquidão persistente
    • Dificuldade para engolir (disfagia) ou para respirar (dispneia)

    Além disso, fatores de risco individuais, como histórico familiar de câncer de tireoide e exposição prévia à radiação na região cervical, elevam a necessidade de investigação cuidadosa.

    Confira: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico inicial pode ser feito no exame físico, por palpação do pescoço, ou como achado incidental em exames de imagem, como tomografia ou ressonância.

    “Mas o exame de primeira linha, que fornece as informações mais completas sobre as características do nódulo, é o ultrassom”, esclarece André.

    No ultrassom de tireoide, o médico não avalia apenas se há um nódulo, mas também suas características, como formato, bordas, consistência e presença de calcificações.

    Cada detalhe recebe uma pontuação e, ao final, o resultado é convertido em um escore chamado Ti-Rads, que varia de 1 a 5. Quanto maior o número, maior a chance de o nódulo ser suspeito.

    Nódulos de baixo risco geralmente só precisam de acompanhamento periódico, enquanto aqueles classificados como de risco mais alto podem exigir exames adicionais.

    “Lembrando que não existe uma idade recomendada para iniciar o rastreio. Alguns tipos raros de câncer de tireoide com determinadas mutações genéticas implicam em rastreio precoce, ainda na infância. Mas a grande maioria das indicações do exame ocorre na idade adulta”, esclarece o endocrinologista.

    Quais exames diferenciam nódulos benignos de malignos?

    Embora o ultrassom seja a principal ferramenta para avaliar os nódulos na tireoide, ele sozinho não consegue dizer com certeza se o nódulo é benigno ou maligno. O exame mostra características que ajudam a estimar o risco, mas o diagnóstico definitivo depende de uma investigação mais aprofundada.

    Para casos de maior risco, conforme características ultrassonográficas, histórico familiar ou evolução do nódulo, pode ser necessária a punção aspirativa por agulha fina (PAAF).

    Nesse procedimento simples, feito em consultório, uma agulha fina retira uma pequena amostra de células do nódulo, que depois é analisada em laboratório.

    Isso permite identificar alterações típicas de benignidade ou malignidade, auxiliando na decisão sobre o tratamento do nódulo na tireoide.

    Leia também: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Quando a cirurgia de tireoide pode ser indicada?

    Nem todo nódulo precisa ser removido. Os critérios para acompanhamento ou cirurgia de tireoide dependem de características clínicas e laboratoriais:

    • Acompanhamento periódico: indicado para nódulos benignos ou para aqueles que não tiveram indicação de PAAF. O seguimento é feito com ultrassom em intervalos regulares.
    • Cirurgia: recomendada para nódulos com diagnóstico compatível com câncer ou para nódulos muito volumosos, que comprimem estruturas vizinhas, causando sintomas como dificuldade para engolir ou respirar.

    Esse equilíbrio entre observar e intervir garante que apenas pacientes que realmente necessitam passem por cirurgia, evitando procedimentos desnecessários.

    Fatores de risco associados ao câncer de tireoide

    Alguns fatores podem aumentar o risco de câncer em pacientes com nódulos, embora não estejam diretamente relacionados à formação do nódulo em si. Entre eles:

    • Tabagismo: prejudica a saúde geral e pode impactar negativamente a evolução de doenças.
    • Obesidade grave: associada a alterações hormonais e inflamatórias.
    • Estresse crônico: pode impactar a saúde como um todo.

    O médico faz questão de esclarecer que não há uma medicação ou substância específica que atue nessa proteção. “Tanto no surgimento do nódulo quanto na sua evolução para maligno, a prevenção está ligada a bons hábitos de vida”.

    Perguntas e respostas sobre nódulos na tireoide

    1. O que são nódulos na tireoide e por que aparecem?

    São aglomerados de células que se formam dentro da glândula tireoide. Podem surgir por alterações benignas, inflamações ou, mais raramente, câncer, sendo mais comuns com o envelhecimento e predisposição genética.

    2. A maioria dos nódulos na tireoide é câncer?

    Não. Cerca de 90% dos nódulos são benignos, mas o acompanhamento médico é essencial para descartar casos suspeitos e evitar intervenções desnecessárias.

    3. Quais sintomas indicam investigação imediata?

    Crescimento rápido, dor, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou respirar. Histórico familiar de câncer de tireoide e exposição prévia à radiação também elevam o risco.

    4. Como é feito o diagnóstico inicial?

    O exame físico pode identificar nódulos, mas o ultrassom é o principal método. Ele avalia características do nódulo e gera um escore de risco chamado Ti-Rads, que varia de 1 a 5.

    5. Quais exames diferenciam benignos de malignos?

    A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é usada em casos de maior risco. O material coletado é analisado em laboratório para definir se o nódulo é benigno ou maligno.

    6. Quando a cirurgia é indicada?

    É recomendada para nódulos com diagnóstico de câncer ou muito volumosos, que comprimem estruturas do pescoço e causam sintomas. Nódulos benignos geralmente só exigem acompanhamento.

    7. Quais fatores aumentam o risco de câncer de tireoide?

    Tabagismo, obesidade grave e estresse crônico podem impactar a evolução da doença, embora não causem diretamente os nódulos. Bons hábitos de vida ajudam na prevenção.

    Veja mais: Autoexame: como detectar precocemente diferentes tipos de câncer