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  • Torção testicular: o que é, sintomas, tratamentos e como evitar

    Torção testicular: o que é, sintomas, tratamentos e como evitar

    Dor intensa e súbita na região genital ou abdominal, inchaço, vermelhidão escrotal e náuseas são alguns dos principais sinais que podem indicar uma torção testicular, uma emergência médica que afeta especialmente crianças e adolescentes.

    O quadro ocorre quando o testículo gira em torno do próprio eixo, interrompendo o fluxo de sangue. A obstrução rápida pode comprometer o tecido testicular em poucas horas — trazendo risco de perda permanente do órgão caso o atendimento médico não seja imediato.

    Mas afinal, por que a torção acontece e o que fazer? Consultamos a urologista pediatra Veridiana Andrioli para esclarecer as principais dúvidas sobre o quadro.

    O que é torção testicular?

    A torção testicular acontece quando o cordão espermático, que é o conjunto de vasos sanguíneos, nervos e canais que nutrem e sustentam o testículo, gira sobre o próprio eixo. O movimento interrompe o fluxo sanguíneo para o testículo, causando um quadro chamado isquemia.

    Quando o testículo não recebe sangue suficiente, ele começa a sofrer danos em poucos minutos. Se não houver tratamento rápido, ele pode necrosar e precisar ser removido.

    Por isso, a torção é considerada uma emergência médica, uma vez que o tempo é o fator mais determinante para a preservação do órgão. Quanto mais cedo o paciente receber atendimento, maiores as chances de salvar o testículo.

    Quais os sintomas da torção testicular?

    Os sintomas da torção testicular podem variar conforme a idade, mas normalmente surgem de forma intensa e súbita. Os principais sinais incluem:

    • Dor forte e repentina no testículo ou na bolsa escrotal;
    • Inchaço e vermelhidão na região;
    • Náuseas e vômitos; especialmente em crianças menores, onde os sintomas podem ser menos específicos;
    • Testículo em posição mais alta ou horizontal em relação ao outro.

    “Na criança pequena, os sintomas podem ser menos específicos, como a criança ficar chorosa, dizer que está com dor na barriga, náuseas, vômitos. Por isso, se o menino estiver muito choroso e reclamar de dor, sempre é prudente olhar a região genital e procurar por alterações”, explica Veridiana.

    É importante que os pais observem atentamente pois, muitas vezes, a criança ou o adolescente pode se sentir constrangido em relatar desconforto na região genital, o que atrasa o diagnóstico.

    Existe uma faixa etária em que o risco é maior?

    De acordo com Veridiana, a torção testicular pode acontecer em qualquer momento da vida, inclusive ainda no útero materno (torção intrauterina) ou em idosos. No entanto, existe um pico de incidência entre os 12 e 25 anos de idade, período em que há maior estímulo hormonal e desenvolvimento.

    Mesmo assim, vale ressaltar que todo menino, em qualquer idade, pode ter torção testicular. Pais de crianças pequenas devem ficar atentos a sinais inespecíficos, enquanto adolescentes precisam ser orientados sobre a importância de relatar imediatamente qualquer dor ou alteração na região íntima.

    Quando procurar ajuda médica?

    Ao notar os sintomas de torção testicular, é importante levar a criança ou adolescente o mais rápido possível ao hospital.

    “A torção de testículo é uma urgência, e o principal fator de prognóstico, ou seja, que traz melhores chances de preservarmos o testículo, é o tempo. Quanto mais rápido for diagnosticado e mais rápido operado, maiores as chances de recuperação e preservação”, aponta Veridiana.

    Diagnóstico de torção testicular

    O diagnóstico geralmente é clínico, ou seja, baseado nos sintomas relatados e no exame físico realizado pelo médico. Na avaliação, o médico observa:

    • Alterações na posição do testículo;
    • Sensibilidade intensa ao toque;
    • Inchaço e coloração da bolsa escrotal.

    Em casos de dúvida, pode ser solicitado um ultrassom Doppler testicular, exame que avalia o fluxo sanguíneo. No entanto, o mais importante é que o exame não atrase a cirurgia caso a suspeita de torção seja alta.

    Como é feito o tratamento de torção testicular?

    O tratamento da torção testicular é cirúrgico e deve ser feito o mais rápido possível. Na cirurgia, o médico abre a bolsa escrotal, distorce o cordão espermático e avalia se o testículo voltou a receber sangue.

    • Se o testículo estiver viável, ele é fixado à parede interna da bolsa (orquidopexia) para evitar novas torções;
    • Se não houver recuperação da circulação, é necessário removê-lo (orquiectomia).

    Em alguns casos, o especialista pode tentar a distorção manual ainda no pronto-socorro, mas mesmo quando funciona, a cirurgia é sempre indicada imediatamente depois.

    Além disso, os médicos costumam fixar também o outro testículo durante a mesma cirurgia. Isso acontece porque a anatomia que favorece a torção costuma estar presente em ambos os lados, aumentando o risco de novos episódios. Dessa forma, a cirurgia atua não apenas como tratamento, mas também como prevenção de futuras torções.

    A torção testicular pode trazer consequências para a fertilidade no futuro?

    A perda de um testículo não irá interferir na produção de hormônios ou no desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, como pelos, barba e desenvolvimento dos órgãos.

    No entanto, Veridiana explica que a ausência de um dos testículos pode reduzir a produção total de espermatozoides. Se associada a outros fatores, pode dificultar a paternidade no futuro — então a preservação do testículo sempre é prioridade na cirurgia.

    Como prevenir a torção testicular?

    Não existem medidas preventivas absolutas, já que a torção testicular pode ocorrer de forma espontânea. Porém, algumas ações podem reduzir riscos e melhorar a chance de diagnóstico precoce, como:

    • Educar adolescentes para não ignorarem dores testiculares;
    • Estimular a comunicação aberta sobre saúde íntima entre pais e filhos;
    • Explicar sinais de alerta: dor intensa, inchaço, náuseas;
    • Levar imediatamente ao pronto-socorro diante de qualquer suspeita.

    A torção testicular pode matar?

    A torção testicular em si não leva à morte, mas é uma emergência médica grave porque pode causar a perda do testículo em poucas horas. O risco maior está na necrose do tecido por falta de sangue, o que pode exigir a retirada do testículo.

    Veja mais: Desfralde diurno: saiba a idade ideal para a criança controlar o xixi e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes sobre torção testicular

    A torção testicular pode acontecer em qualquer idade?

    Sim. Apesar de ser mais comum em adolescentes e jovens adultos, entre 12 e 25 anos, a torção pode ocorrer em qualquer fase da vida — inclusive em bebês ainda no útero ou em homens mais velhos. O risco maior nessa faixa etária está relacionado ao crescimento rápido e a algumas características anatômicas.

    Como é feita a cirurgia para tratar a torção testicular?

    A cirurgia para tratar a torção testicular é chamada orquidopexia e deve ser realizada com urgência para preservar o testículo. O procedimento é feito sob anestesia, geralmente geral ou regional, e consiste em realizar uma pequena incisão na bolsa escrotal para desenrolar o testículo torcido — restabelecendo o fluxo sanguíneo.

    Após isso, o cirurgião fixa o testículo na parede interna do escroto com pontos, evitando que novas torções aconteçam. Na maioria dos casos, o outro testículo também é fixado preventivamente.

    A torção testicular pode acontecer de novo?

    Pode acontecer mesmo após correções cirúrgicas. A fixação testicular diminui o risco de uma outra torção, mas ainda assim ela pode ocorrer. A orquidopexia reduz significativamente a chance de recorrência.

    Como diferenciar a torção testicular de outras dores nos testículos?

    A dor da torção é súbita, intensa e geralmente acompanhada de inchaço e náuseas. Outras condições, como infecções (orquite ou epididimite), traumas ou hérnias, também podem causar dor, mas costumam ter evolução mais lenta. Como só um médico pode diferenciar com segurança, qualquer dor forte no testículo deve ser considerada uma emergência.

    Quem já teve torção testicular pode ter filhos no futuro?

    Sim, na maioria das vezes. Mesmo após a perda de um testículo, o outro geralmente é capaz de produzir espermatozoides suficientes para a fertilização. Em alguns homens, a quantidade de espermatozoides pode ser menor; exames específicos podem ser indicados em casos de dificuldade para engravidar a parceira.

    É possível ter torção nos dois testículos ao mesmo tempo?

    Sim, mas é bastante raro. A torção bilateral é ainda mais grave por colocar em risco a fertilidade. Por isso, durante a cirurgia, os médicos sempre aproveitam para fixar os dois testículos, reduzindo as chances de novos episódios.

    Existe alguma posição ou movimento que favorece a torção testicular?

    A torção pode acontecer durante atividades físicas, movimentos bruscos ou até mesmo durante o sono, sem nenhum esforço específico. Não existe uma posição única que provoque o problema, mas pessoas com predisposição anatômica podem ter maior risco em situações de impacto ou movimento intenso da região.

    Leia também: Fimose em crianças: quando é normal e quando a cirurgia é necessária

  • 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna 

    5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna 

    Pessoas que convivem com problemas na coluna, como hérnia de disco e escoliose, podem se beneficiar (e muito!) da prática constante de atividades físicas. Exercícios adequados ajudam a reduzir a dor, aumentam a flexibilidade, fortalecem os músculos que sustentam a coluna e melhoram a qualidade de vida no dia a dia, de acordo com o Ministério da Saúde.

    Além disso, manter o corpo ativo contribui para prevenir crises recorrentes e evitar o avanço das lesões, proporcionando mais autonomia e bem-estar a longo prazo. O importante é sempre respeitar os limites do próprio corpo e seguir as orientações do médico.

    Pensando nisso, reunimos orientações de um especialista e sugestões de atividades para incluir no dia a dia, além dos cuidados necessários para que a prática seja segura. Confira, a seguir!

    Por que as atividades físicas são importantes para quem tem problemas na coluna?

    A coluna é o eixo central do corpo humano, responsável por sustentar o tronco, permitir movimentos e proteger a medula espinhal. Quando está enfraquecida ou sobrecarregada, é comum o surgimento de dores e limitações.

    De acordo com o Ministério da Saúde, a prática regular de atividades físicas pode contribuir para:

    • Fortalecer os músculos de sustentação da coluna (abdômen, quadris e costas);
    • Melhorar a postura, reduzindo a sobrecarga nas vértebras;
    • Aumentar a flexibilidade e o equilíbrio, prevenindo quedas e movimentos bruscos;
    • Diminuir o peso corporal, reduzindo a pressão sobre a lombar;
    • Ativar a circulação e liberar endorfina, o que ajuda no controle da dor;
    • Reduzir o estresse e melhorar o sono, fatores que influenciam diretamente na percepção da dor.

    Veja mais: Como manter a postura correta no trabalho? Veja dicas práticas

    Quais as atividades físicas indicadas para problemas na coluna?

    O médico ortopedista Caio Gonçalves de Souza esclarece que as atividades mais recomendadas tendem a ser aquelas de baixo impacto, que minimizam as forças compressivas e de cisalhamento sobre os discos intervertebrais e articulações facetárias – ao mesmo tempo que promovem o fortalecimento do core (centro do corpo), a mobilidade articular e a consciência postural.

    Entre algumas atividades recomendadas, podemos destacar:

    1. Musculação

    Quando feita de maneira adequada, a musculação pode contribuir para o fortalecimento muscular e na prevenção de dores e problemas na coluna. Ela aumenta a estabilidade da região lombar e cervical, fortalece os músculos responsáveis pela sustentação da coluna e auxilia tanto na reabilitação quanto na prevenção de novas crises.

    Quais os cuidados?
    “É fundamental começar com cargas leves, priorizar a forma correta, utilizar um bom controle respiratório e progredir gradualmente. Exercícios compostos podem ser excelentes, mas exigem domínio técnico e um core forte”, orienta Caio.

    2. Caminhada

    A caminhada é uma das formas mais acessíveis e seguras de se manter ativo. Ela contribui para melhorar a circulação, controlar o peso corporal, fortalecer os músculos das pernas e do abdômen e aliviar tensões acumuladas na coluna.

    Além disso, estimula a lubrificação natural das articulações, favorece a postura e a mobilidade e ainda reduz a sobrecarga em comparação a atividades de maior impacto.

    Quais os cuidados?
    Mantenha a coluna ereta, ombros relaxados e olhar à frente. Use tênis com bom amortecimento. Caminhe em terrenos planos e seguros, evitando superfícies muito irregulares ou escorregadias, principalmente em períodos de dor mais intensa. Comece com distâncias e tempos menores e aumente gradualmente. Bastões de caminhada podem ajudar.

    3. Natação

    A natação é considerada um dos exercícios mais completos para quem apresenta dores ou alterações na coluna. Dentro da água, o peso corporal é reduzido, diminuindo a pressão sobre articulações e discos intervertebrais.

    Assim, é possível trabalhar todos os grupos musculares sem impacto, fortalecer a musculatura de sustentação da coluna e ainda melhorar a respiração, que influencia diretamente na postura.

    Quais os cuidados?
    Alguns estilos exigem atenção especial. No nado peito, manter a cabeça fora da água pode causar hiperextensão cervical e lombar. O borboleta e rotações exageradas no crawl podem não ser ideais em hérnia de disco ou instabilidade. O nado de costas ou um crawl bem executado tendem a ser mais seguros. A hidroginástica é alternativa eficaz e de baixo impacto.

    Pilates

    O pilates integra fortalecimento, alongamento e respiração, com foco na estabilização do tronco. Beneficia o core, melhora alinhamento e consciência postural e reduz o risco de crises de dor.

    Quais os cuidados?
    Pratique com instrutor qualificado, que adapte os exercícios. Evite movimentos bruscos e respeite limites. “A execução correta e a adaptação às limitações individuais são essenciais para evitar compensações que possam prejudicar a coluna. O pilates de solo pode ser mais desafiador por exigir maior controle do próprio corpo”, explica Caio.

    5. Yoga

    A yoga combina posturas físicas, respiração e meditação. Aumenta a flexibilidade, fortalece músculos profundos, melhora o equilíbrio e reduz o estresse — fator que pode agravar dores lombares e cervicais.

    Quais os cuidados?
    Evite posturas muito avançadas ou dolorosas. Prefira modalidades suaves (Hatha, Restaurativa) e informe limitações ao instrutor para adaptações seguras.

    Leia também: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Quanto tempo de atividade física deve ser feito?

    De acordo com o Ministério da Saúde, adultos devem realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividades moderadas ou 75 minutos de vigorosas (ou combinação). Para quem tem problemas na coluna, comece leve, aumente gradualmente e respeite os sinais do corpo.

    Quais atividades devem ser evitadas?

    • Corrida de alta intensidade em solo duro;
    • Esportes de impacto ou contato (futebol, basquete, lutas);
    • Exercícios com torções bruscas ou levantamento de peso excessivo;
    • Abdominais tradicionais sem orientação, que podem aumentar a pressão na lombar.

    A forma mais segura de começar é com avaliação individual (ortopedista, fisioterapeuta e, quando indicado, educador físico). Eles consideram tipo de lesão, inflamação, condição física e sintomas neurológicos para definir um plano adequado. Seguir orientação evita complicações, ajuda na reabilitação, fortalece a coluna e promove uma vida mais ativa e com menos dor.

    Perguntas frequentes sobre atividades físicas para problemas na coluna

    1. Alongamento e fortalecimento realmente ajudam a coluna?

    Sim. O fortalecimento do core (abdômen, lombar, glúteos e assoalho pélvico) cria uma “cinta natural” que estabiliza a coluna. O alongamento devolve flexibilidade, melhora a postura e reduz rigidez. Juntos, reduzem dores e aumentam a segurança dos movimentos.

    2. Como diferenciar dor normal de treino de um sinal de alerta da coluna?

    A dor muscular tardia surge 24–48h após o treino, é difusa e melhora com movimentos leves. A dor de alerta aparece durante ou logo após o exercício, é aguda, localizada e pode irradiar para braços ou pernas. Se vier com dormência, formigamento, fraqueza ou alterações urinárias, procure avaliação médica imediata.

    3. Quem já fez cirurgia na coluna pode voltar a se exercitar?

    Sim — e é recomendado. Após liberação médica, inicie com caminhadas leves, exercícios respiratórios e fortalecimento básico. Progrida para pilates, hidroginástica e musculação adaptada conforme a recuperação. O retorno completo pode levar semanas ou meses e deve ser supervisionado.

    4. Como incluir mais movimento no dia a dia?

    Qualquer movimento conta. Exemplos:

    • Usar escadas (de forma moderada e segura);
    • Caminhar pequenas distâncias em vez de usar o carro;
    • Levantar-se a cada hora para alongar;
    • Praticar respiração/relaxamento no trabalho;
    • Fazer tarefas domésticas ativas, jardinagem ou passear com o pet.

    5. Trabalhar sentado o dia todo pode prejudicar a coluna?

    Sim. Ficar horas sentado aumenta a pressão nos discos intervertebrais e favorece lombalgia. Levante-se a cada hora por alguns minutos para se alongar, caminhar ou mudar de posição. Ajuste cadeira, monitor e apoio lombar para postura correta.

    6. Como aliviar a dor na coluna no dia a dia?

    • Postura correta: sente-se com coluna ereta, use apoio lombar e evite longos períodos na mesma posição;
    • Pausas frequentes: levante-se a cada hora, caminhe e alongue;
    • Alongamentos leves: foque lombar, pescoço e pernas;
    • Compressas mornas: relaxam a musculatura em tensão;
    • Atividades leves: caminhada, pilates ou hidroginástica ajudam a circulação e liberam endorfina;
    • Evite o sedentarismo: manter-se ativo diariamente previne crises recorrentes.

    Confira: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e  tratamento

    Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e tratamento

    O prolapso da válvula mitral (PVM) é uma alteração cardíaca relativamente comum, mas ainda cercada de dúvidas. O diagnóstico passou por mudanças ao longo dos anos — e muitas pessoas que antes eram consideradas portadoras não se enquadram mais nos critérios atuais.

    Isso levanta questionamentos: quando a condição exige atenção, quais sinais merecem acompanhamento e em que momento ela pode representar risco? Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para esclarecer o quadro e tirar as principais dúvidas sobre o prolapso da válvula mitral.

    O que é prolapso da válvula mitral?

    A válvula mitral é uma das quatro válvulas do coração e atua como uma “porta” que impede o sangue de retornar do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a contração cardíaca.

    No prolapso da válvula mitral, essa válvula não se fecha completamente: suas cúspides (abas que controlam o fluxo sanguíneo) tornam-se frouxas e podem se projetar para dentro do átrio, permitindo refluxo de sangue.

    Nem todo prolapso causa sintomas, o que pode dificultar o diagnóstico. “Na maioria das pessoas, o prolapso é assintomático e descoberto por acaso em exames de rotina. Em alguns casos, pode causar palpitações, dor no peito ou sensação de ansiedade”, explica Giovanni.

    O que mudou no diagnóstico de prolapso mitral

    Nas últimas décadas, pesquisas mostraram que os critérios antigos para diagnóstico eram pouco específicos, o que levou a muitos diagnósticos em pessoas com válvulas consideradas normais pelos parâmetros atuais.

    Com critérios mais precisos, estima-se que apenas 2 a 3% da população tenha prolapso mitral significativo — antes, o número chegava a 10% ou mais. Os avanços incluem:

    • Uso de ecocardiograma em 3D, que fornece imagens detalhadas e reduz diagnósticos exagerados;
    • Definição mais rigorosa do limite de deslocamento da válvula para considerar o diagnóstico;
    • Medição da quantidade de sangue que reflui, determinando se há comprometimento funcional;
    • Revisão de diagnósticos antigos, pois muitos casos antes considerados prolapsos não se confirmam em exames modernos.

    Sintomas de prolapso da válvula mitral

    O prolapso mitral costuma ser silencioso e muitas vezes descoberto por acaso. Quando causa sintomas, os mais comuns são:

    • Palpitações: sensação de batimento cardíaco acelerado ou irregular;
    • Dor no peito: geralmente leve ou inespecífica;
    • Ansiedade ou sensação de “coração acelerado”;
    • Falta de ar ao esforço ou cansaço fácil.

    “Em casos mais avançados, sinais de insuficiência cardíaca, como inchaço nas pernas, podem aparecer”, alerta Giovanni. Nesses casos, o coração perde eficiência no bombeamento do sangue, tornando o quadro mais grave.

    Como identificar: exames clínicos e de imagem

    O diagnóstico costuma começar com o exame físico. O médico pode ouvir um “click” mesossistólico — som curto característico do prolapso — e, se houver refluxo, um sopro cardíaco.

    “O primeiro indício pode ser o sopro ouvido no estetoscópio. O exame que confirma é o ecocardiograma, que mostra a movimentação da válvula”, detalha Giovanni.

    Exames que ajudam no diagnóstico incluem:

    • Ausculta cardíaca: identificação de click e sopro característicos;
    • Ecocardiograma transtorácico: principal exame para visualizar a válvula e o refluxo;
    • Ecocardiograma transesofágico: usado quando são necessárias imagens mais detalhadas;
    • Holter ou monitor cardíaco: útil se houver palpitações ou suspeita de arritmias.

    O diagnóstico combina achados clínicos e de imagem, que permitem avaliar a gravidade e a função da válvula mitral.

    Complicações possíveis: quando o benigno pode se tornar grave

    “Na maioria dos casos, o prolapso da válvula mitral é benigno. Mas, em alguns pacientes, pode levar à insuficiência mitral importante, arritmias e, raramente, endocardite (infecção da válvula)”, ressalta Giovanni.

    Em certas situações, o prolapso pode evoluir para:

    • Regurgitação mitral: refluxo intenso de sangue para o átrio esquerdo, aumentando a sobrecarga cardíaca;
    • Arritmias ventriculares ou atriais: que podem causar palpitações intensas ou desmaios;
    • Endocardite infecciosa: risco aumentado em casos de refluxo importante;
    • Insuficiência cardíaca: quando o coração perde eficiência no bombeamento.

    Essas complicações são mais prováveis em pacientes com comprometimento significativo da válvula ou refluxo importante, o que torna o acompanhamento regular fundamental.

    Tratamento de prolapso da válvula mitral: quando precisa de cirurgia?

    O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do grau de comprometimento da válvula. Segundo Giovanni, o tratamento medicamentoso é indicado em casos com palpitações ou arritmias leves.

    “A cirurgia é recomendada apenas quando há insuficiência mitral significativa, com refluxo importante e risco para o coração”, explica o especialista.

    • Medicamentos: betabloqueadores e, às vezes, antiarrítmicos para aliviar sintomas;
    • Cirurgia ou reparo valvar: indicada em refluxo grave ou disfunção ventricular.

    O objetivo é aliviar sintomas e prevenir complicações, ajustando o tratamento conforme a gravidade. Em muitos casos, o acompanhamento periódico é suficiente, mas se houver progressão da insuficiência mitral, a cirurgia pode ser necessária para preservar a função cardíaca.

    Confira: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

    Vida normal é possível? Prognóstico e acompanhamento

    Sim. A maioria das pessoas com prolapso da válvula mitral leva uma vida normal, podendo praticar exercícios, trabalhar e viajar — desde que mantenha acompanhamento médico regular.

    Alguns pacientes precisam de monitoramento mais próximo, especialmente se:

    • Tiverem regurgitação moderada ou grave;
    • Apresentarem arritmias confirmadas em exames;
    • Tiverem histórico familiar de degeneração valvar.

    “O prolapso pode evoluir e aumentar o refluxo de sangue, exigindo tratamento. Por isso, mesmo em pacientes assintomáticos, o acompanhamento com ecocardiograma é essencial”, conclui Giovanni.

    Perguntas e respostas sobre prolapso da válvula mitral

    1. O que é o prolapso da válvula mitral?

    É uma alteração em que a válvula mitral, responsável por controlar o fluxo de sangue entre o ventrículo e o átrio esquerdo, não se fecha adequadamente, permitindo o refluxo sanguíneo.

    2. O diagnóstico mudou nos últimos anos?

    Sim. Antes, critérios menos específicos geravam diagnósticos em excesso. Hoje, com ecocardiogramas modernos e parâmetros mais rigorosos, apenas 2 a 3% da população é diagnosticada com prolapso significativo.

    3. Quais são os sintomas mais comuns?

    A maioria é assintomática. Quando presentes, os sintomas incluem palpitações, dor no peito, ansiedade, falta de ar e fadiga. Casos avançados podem causar inchaço nas pernas por insuficiência cardíaca.

    4. Como é feito o diagnóstico?

    O médico pode ouvir um sopro ou “click” característico. O exame confirmatório é o ecocardiograma, que avalia a movimentação da válvula e o grau de refluxo. O Holter pode ser usado para investigar arritmias.

    5. O prolapso da válvula mitral sempre é benigno?

    Na maioria dos casos, sim. Contudo, pode evoluir para complicações como regurgitação mitral grave, arritmias ou, raramente, endocardite. O acompanhamento médico é fundamental.

    6. Quando é necessário tratar?

    Em sintomas leves, o tratamento pode envolver betabloqueadores. A cirurgia é indicada apenas em casos de insuficiência mitral significativa, quando há risco para o coração.

    7. Quem tem prolapso da válvula mitral pode levar vida normal?

    Sim. A maioria dos pacientes leva vida plena, podendo praticar exercícios e atividades cotidianas, desde que realize consultas regulares e ecocardiogramas de controle.

    Leia mais: Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração

  • Cravos: como se formam, por que aparecem e quais os melhores tratamentos 

    Cravos: como se formam, por que aparecem e quais os melhores tratamentos 

    Os cravos são uma das queixas mais comuns em consultórios dermatológicos. Apesar de muitas vezes estarem associados à adolescência, eles podem persistir na vida adulta e, se não tratados corretamente, evoluir para acne inflamatória. Mas, afinal, o que são os cravos, como se formam e como podem ser tratados?

    Conversamos com a dermatologista Gabriela Capareli, que explica nesta reportagem como se dá a formação dos cravos, os tipos comuns — como cravo preto e cravo branco — e qual é a melhor forma de lidar com esse incômodo.

    O que são os cravos e como se formam

    “Os cravos são nomes populares para o que nós chamamos de comedões, que são formações de acúmulo das secreções das glândulas sebáceas”, fala a médica.

    Existem dois tipos principais de cravos, segundo a especialista:

    • Comedão aberto (cravo preto): acontece quando o poro entupido fica exposto ao ar. O sebo e as células mortas oxidam, ganhando a coloração escura característica.
    • Comedão fechado (cravo branco): forma-se quando a obstrução fica sob a pele. O sebo acumulado cria pequenas elevações esbranquiçadas ou amareladas, sem contato com o ar.

    Eles aparecem principalmente quando há obstrução dos poros por excesso de sebo, células mortas e impurezas ambientais. Esse bloqueio impede que o óleo natural da pele seja eliminado de forma adequada, formando o cravo. A oleosidade excessiva da pele é um dos principais fatores de risco, segundo a médica.

    Diferença entre acne, cravos e espinhas

    Cravos, espinhas e acne costumam ser usados como sinônimos, mas na prática representam estágios diferentes de um mesmo problema de pele.

    • Acne: é a doença crônica da pele que causa oleosidade excessiva e entupimento dos poros, podendo se manifestar de forma leve ou grave.
    • Cravos: são lesões de acne sem inflamação, resultado do acúmulo de sebo e células mortas nos poros, sem vermelhidão ou dor.
    • Espinhas: são lesões de acne inflamatórias, quando o poro obstruído se infecta, causando inchaço, dor, vermelhidão e, em muitos casos, pus.

    Assim, podemos dizer que os cravos são o primeiro estágio, enquanto as espinhas são a evolução inflamada da acne. Reconhecer essa diferença é essencial, porque a presença de muitos cravos pode evoluir para espinhas e, se não tratada, para formas graves de acne, com cicatrizes permanentes.

    O papel da limpeza de pele

    A limpeza de pele é um dos procedimentos mais indicados para o controle de cravos, pois permite a extração segura dos comedões em consultório. Essa técnica evita complicações e complementa o tratamento dermatológico. “A limpeza de pele ajuda muito na extração dos comedões, auxiliando muito no controle, mas é fundamental que o paciente continue e mantenha o tratamento domiciliar”, enfatiza.

    Ou seja, o procedimento de limpeza de pele especializado é eficaz, mas não deve ser encarado como solução única para remover os cravos. A manutenção diária, com produtos adequados prescritos pelo dermatologista, é essencial para evitar o reaparecimento dos comedões.

    Tratamento para cravos domiciliar: ácidos e skincare

    Dermatologistas recomendam o uso regular de produtos à base de ácidos no tratamento para cravos. Eles ajudam a renovar a pele, desobstruir os poros e reduzir a oleosidade.

    • Ácido retinoico: estimula a renovação celular e reduz a formação de comedões.
    • Ácido salicílico: possui ação esfoliante e anti-inflamatória, ideal para peles oleosas.
    • Ácido glicólico: melhora a textura da pele e ajuda no controle da oleosidade.

    “Lembrando que não se deve extrair os cravos em casa sob risco de infecções de pele e formação de cicatrizes”, orienta Gabriela. O uso de cosméticos deve ser sempre recomendado por um dermatologista, de acordo com o tipo de pele de cada paciente.

    Tratamento para cravos avançado

    Quando os cravos se tornam persistentes, o dermatologista pode indicar tratamentos combinados, já que o tratamento depende do grau de acometimento.

    “No grau 1, que é aquela pele oleosa com cravos, recomendamos limpeza de pele e, eventualmente, peelings com ácido salicílico ou retinoico, luz de LED e alguns lasers anti-inflamatórios”, explica Gabriela.

    Nos casos em que a acne já evoluiu para inflamações (grau 2 em diante), pode ser necessário incluir antibióticos tópicos ou orais. Para acne severa, com risco de cicatrizes, o tratamento pode incluir a isotretinoína oral (Roacutan), sempre com acompanhamento médico rigoroso.

    Prevenção: hábitos que fazem diferença

    A prevenção dos cravos depende principalmente de uma rotina de skincare adequada e de hábitos saudáveis. Algumas medidas importantes incluem:

    • Higienizar o rosto duas vezes ao dia com sabonetes específicos para pele oleosa;
    • Evitar dormir com maquiagem e remover sempre todos os resíduos;
    • Usar protetor solar oil free;
    • Aplicar cosméticos adequados recomendados pelo dermatologista.

    A especialista reforça que não se trata de eliminar completamente a oleosidade, mas de mantê-la sob controle. Lavar o rosto em excesso, por exemplo, pode provocar o efeito rebote, estimulando ainda mais a produção de sebo.

    Lembrando que o acompanhamento profissional é essencial para indicar o melhor tratamento para cada tipo de pele e evitar complicações.

    Perguntas e respostas sobre cravos

    1. O que são cravos?

    São obstruções dos poros causadas pelo acúmulo de sebo e células mortas. Podem aparecer como pontos escuros ou pequenas elevações esbranquiçadas.

    2. Por que os cravos aparecem?

    Eles surgem pelo excesso de oleosidade, associado ao acúmulo de células mortas e impurezas que bloqueiam os poros.

    3. Qual a diferença entre acne, cravos e espinhas?

    A acne é a doença que causa excesso de oleosidade e obstrução dos poros. Os cravos são o estágio inicial, sem inflamação. Já as espinhas surgem quando esses poros entupidos inflamam, causando vermelhidão, dor e pus.

    4. A limpeza de pele resolve o problema dos cravos?

    A limpeza de pele ajuda a remover os cravos existentes, mas precisa ser combinada com tratamento contínuo em casa para evitar o reaparecimento.

    5. Quais são os principais tratamentos para cravos?

    Incluem produtos com ácidos como retinoico, salicílico e glicólico, além de peelings, laser, LED e, em casos mais graves, antibióticos ou isotretinoína oral.

    6. É seguro espremer os cravos em casa?

    Não é recomendado, pois pode causar infecções, inflamações e deixar cicatrizes permanentes.

    7. Como prevenir os cravos no dia a dia?

    Manter a pele higienizada duas vezes ao dia, remover maquiagem antes de dormir, usar protetor solar oil free e seguir uma rotina de skincare adequada.

  • Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Cólicas que não melhoram com analgésicos comuns, menstruações longas e volumosas e sensação de inchaço abdominal são alguns dos principais sintomas de adenomiose — uma condição ginecológica que afeta diretamente a qualidade de vida. Ela pode atingir entre 10% e 20% das mulheres em idade reprodutiva, sendo mais frequente entre os 30 e 50 anos.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre a doença, desde os sintomas até as formas de tratamento disponíveis.

    O que é adenomiose?

    A adenomiose é uma alteração benigna que ocorre quando a camada que reveste o interior do útero, o endométrio, cresce para dentro da parede muscular do útero, chamada miométrio.

    O tecido infiltrado continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, como se estivesse na cavidade uterina — ele se espessa, depois se rompe e sangra. No entanto, como está preso dentro da parede muscular, o sangue não tem por onde sair.

    Como resultado, ocorre um processo inflamatório dentro do músculo uterino, que pode desencadear os principais sintomas da condição, como cólicas menstruais intensas, sangramento aumentado e aumento do tamanho do útero.

    O que causa a adenomiose?

    A causa da adenomiose ainda não é totalmente conhecida, mas uma hipótese é que o endométrio penetre diretamente no miométrio, especialmente após situações que fragilizam a parede uterina — como gravidez, parto ou procedimentos cirúrgicos.

    Também se acredita que a adenomiose esteja associada a alterações hormonais (principalmente do estrogênio) e a fatores imunológicos. A condição é mais comum em mulheres entre 35 e 50 anos que já tiveram filhos, mas pode afetar mulheres de qualquer idade.

    Tipos de adenomiose

    • Difusa: forma mais comum. O tecido endometrial se espalha de maneira irregular pela parede do útero, sem formar nódulo bem delimitado. Provoca espessamento difuso do miométrio, deixando o útero aumentado e globoso.
    • Focal: a infiltração ocorre em um ponto específico do útero, formando uma lesão delimitada chamada adenomioma. Pode causar sintomas semelhantes à forma difusa, porém às vezes menos intensos por ser localizada.

    Qual a diferença entre adenomiose e endometriose?

    Segundo Andreia Sapienza, a adenomiose difere da endometriose em pontos importantes:

    • Endometriose: relacionada à menstruação retrógrada. Parte do sangue menstrual reflui para a pelve e o tecido endometrial implanta-se fora do útero, somado a falhas do sistema imunológico.
    • Adenomiose: há perda da integridade das camadas do próprio útero; o endométrio infiltra-se no miométrio, gerando alterações estruturais.

    Nos sintomas, a endometriose costuma estar mais associada à dor em diversos locais e momentos do ciclo; a adenomiose também causa dor, mas mais ligada ao período menstrual e frequentemente acompanhada de sangramento intenso e prolongado.

    Fatores de risco da adenomiose

    Qualquer mulher pode ter adenomiose, mas alguns fatores aumentam o risco (segundo a Febrasgo):

    • Idade entre 40 e 50 anos;
    • Primeira menstruação muito cedo (antes dos 10 anos);
    • Ciclos menstruais curtos (menos de 24 dias);
    • Uso prévio de anticoncepcionais hormonais ou tamoxifeno;
    • Sobrepeso ou obesidade (IMC elevado);
    • Ter tido mais de duas gestações;
    • Histórico de abortos;
    • Cirurgias anteriores no útero.

    Quais são os sintomas de adenomiose?

    • Sangramento menstrual intenso ou prolongado;
    • Cólica menstrual forte (dismenorreia);
    • Dor pélvica crônica;
    • Dor durante a relação sexual (dispareunia);
    • Sensibilidade abdominal ao toque.

    Aproximadamente um terço das mulheres com adenomiose é assintomático; o diagnóstico pode ocorrer em exames de imagem ou após cirurgia.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico e por imagem. Na avaliação, o útero pode estar aumentado, arredondado e mais macio. Para confirmação, utilizam-se:

    • Ultrassom transvaginal: exame de primeira escolha; identifica alterações na textura do miométrio e perda da definição da zona que separa endométrio do músculo uterino.
    • Ressonância magnética: indicada quando há dúvida diagnóstica ou associação com miomas; avalia com precisão a zona juncional.

    Em casos complexos, a confirmação definitiva pode ocorrer após cirurgia (análise histopatológica), mas, na prática, a imagem costuma ser suficiente para guiar o tratamento.

    Confira: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como é o tratamento de adenomiose?

    Depende dos sintomas e do perfil da paciente. De acordo com Andreia, uma abordagem frequente é o DIU hormonal (levonorgestrel), que reduz sangramento e dor e costuma trazer boa resposta.

    Se não houver melhora com tratamento clínico, persistirem dor e sangramento intenso ou houver desejo de solução definitiva, pode-se indicar histerectomia (retirada do útero). Essa decisão é preferida para mulheres que já tiveram filhos ou que têm certeza de que não desejam engravidar, pois é irreversível e geralmente não indicada para mulheres muito jovens.

    Para alívio das cólicas, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser prescritos para melhorar a qualidade de vida durante o tratamento.

    Quem tem adenomiose pode engravidar?

    É possível, mas pode ser mais desafiador. A infiltração do endométrio no miométrio pode tornar a parede uterina mais espessa e irregular, deixando o ambiente menos favorável à implantação do embrião. Para quem deseja engravidar, é essencial acompanhamento médico, hábitos saudáveis e, quando necessário, estratégias específicas de reprodução assistida.

    Quando procurar ajuda médica?

    A identificação pode ser difícil, pois os sintomas variam de intensidade. Procure avaliação se houver:

    • Sangramentos menstruais muito intensos;
    • Cólicas fortes que não melhoram com analgésicos comuns;
    • Dor pélvica frequente.

    Quanto antes investigar, maiores as chances de aliviar sintomas e iniciar o tratamento adequado.

    Perguntas frequentes sobre adenomiose

    1. A adenomiose pode virar câncer?

    Não. A adenomiose é benigna e não tem relação direta com câncer. Porém, como os sintomas podem se confundir com os de outras doenças uterinas, o acompanhamento médico é fundamental.

    2. Por que a adenomiose causa tanta dor?

    O tecido infiltrado no músculo uterino responde aos hormônios do ciclo, cresce e sangra “preso” no miométrio, gerando inflamação local e contrações mais intensas — resultando em cólicas fortes.

    3. A adenomiose pode causar infertilidade?

    Pode, mas não é regra. O útero pode ficar aumentado e o endométrio menos receptivo, dificultando a fixação do embrião. Ainda assim, muitas mulheres com adenomiose engravidam naturalmente. Em geral, o impacto sobre a fertilidade é menor do que o da endometriose em outros órgãos.

    4. O útero aumenta de tamanho por causa da adenomiose?

    Sim. A infiltração endometrial no miométrio pode aumentar e endurecer o útero, causando sensação de peso pélvico e inchaço abdominal.

    5. A adenomiose desaparece na menopausa?

    Na maioria dos casos, sim. Como é doença hormônio-dependente, tende a regredir após a menopausa. Em mulheres próximas dessa fase, pode-se focar no controle dos sintomas até a regressão natural.

    6. A pílula anticoncepcional oral ajuda na adenomiose?

    Em alguns casos, sim. Pílulas combinadas ou apenas com progesterona podem reduzir dor e sangramento ao modular os hormônios que estimulam o endométrio. Entretanto, para muitas mulheres, o DIU hormonal é mais eficaz a longo prazo.

    Leia mais: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

  • Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto 

    Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto 

    A expressão “coração partido” sempre foi associada a tristezas profundas, mas a medicina transformou essa metáfora em uma realidade clínica. Descoberta no Japão nos anos 1990, a síndrome do coração partido — nome popular da cardiomiopatia de Takotsubo — é uma condição em que o coração enfraquece temporariamente após um evento de estresse físico ou emocional intenso.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto explica: “O nome ‘coração partido’ surgiu porque costuma aparecer após fortes emoções. O coração fica momentaneamente enfraquecido e assume, nos exames de imagem, um formato parecido ao vaso japonês takotsubo, usado para pescar polvos”.

    Embora seja reversível na maioria dos casos, o quadro pode simular um infarto e gerar complicações graves, o que torna o diagnóstico rápido essencial.

    O que pode causar a síndrome do coração partido?

    O gatilho mais comum é uma descarga repentina de hormônios do estresse, como a adrenalina, que afetam o funcionamento do músculo cardíaco. Geralmente, surge após situações marcantes, como:

    • Perda de um ente querido;
    • Brigas ou separações;
    • Acidentes ou cirurgias;
    • Notícias impactantes;
    • Estresse prolongado ou sustos intensos.

    A síndrome do coração partido pode ocorrer mesmo em pessoas sem histórico prévio de doença cardíaca. No entanto, fatores como ser do sexo feminino (especialmente após a menopausa), ter idade mais avançada e histórico de estresse intenso aumentam a predisposição.

    Sintomas da síndrome do coração partido

    Os sinais clínicos são muito semelhantes aos de um infarto, o que explica a dificuldade no diagnóstico inicial.

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Mal-estar súbito;
    • Palpitações;
    • Em alguns casos, desmaio.

    Esses sintomas devem sempre ser avaliados em pronto-socorro, pois não é possível diferenciar a síndrome do coração partido de um infarto apenas pela percepção do paciente.

    Diferença entre síndrome do coração partido e infarto

    O desafio dos médicos está justamente em distinguir a síndrome do coração partido do infarto agudo do miocárdio. Giovanni esclarece: “Os sintomas são muito parecidos com os do infarto”.

    Segundo ele, a diferença é feita por exames: “Tanto o eletrocardiograma quanto os exames de sangue podem se alterar de forma semelhante, mas no cateterismo não há entupimento de artérias. E na ventriculografia e no ecocardiograma encontram-se as alterações características na contração do coração que formam a imagem do Takotsubo”.

    Ou seja, enquanto o infarto ocorre pelo bloqueio súbito de uma artéria coronária, na cardiomiopatia de Takotsubo não há obstrução. O coração apresenta uma alteração transitória da contratilidade, assumindo um formato típico comparado ao vaso japonês que inspirou o nome.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome do coração partido?

    O diagnóstico exige uma combinação de exames. O primeiro passo é descartar um infarto, já que os sintomas são praticamente idênticos. Entre os exames utilizados estão:

    • Eletrocardiograma (ECG): pode mostrar alterações semelhantes às do infarto;
    • Exames de sangue: podem apresentar elevação moderada da troponina, proteína liberada quando há lesão no músculo cardíaco;
    • Ecocardiograma: mostra as alterações típicas na contração do coração;
    • Cateterismo cardíaco: confirma a ausência de obstrução nas artérias coronárias.

    Em geral, um exame isolado não é suficiente. O ECG e a troponina levantam a suspeita de infarto, o cateterismo mostra que as artérias estão livres e o ecocardiograma revela o padrão característico do Takotsubo. Essa integração é fundamental para garantir o diagnóstico correto e o tratamento adequado.

    Tratamento da síndrome do coração partido: o coração pode voltar ao normal?

    A boa notícia é que, na maioria dos pacientes, a síndrome do coração partido é reversível. “O tratamento costuma ser de suporte clínico, com medicações para ajudar na recuperação da função cardíaca. Na maioria dos casos, o coração volta ao normal em semanas ou meses”, explica Giovanni.

    O manejo geralmente inclui medicamentos como betabloqueadores, diuréticos e, em alguns casos, anticoagulantes, sempre conforme avaliação médica. Repouso, controle dos fatores de risco e acompanhamento regular fazem parte da recuperação.

    Leia também: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Existe risco de complicações graves?

    Mesmo que muitas vezes tenha evolução benigna, a síndrome do coração partido não deve ser subestimada. “Apesar de ser reversível na maioria dos casos, pode haver complicações como arritmias, insuficiência cardíaca e, em situações raras, risco de morte. Por isso, precisa de avaliação e acompanhamento médico”, alerta Giovanni.

    As complicações decorrem do enfraquecimento súbito do músculo cardíaco, que pode comprometer a capacidade de bombeamento do sangue. Essa redução temporária pode causar acúmulo de líquido nos pulmões (edema agudo de pulmão), queda da pressão arterial ou choque cardiogênico. Além disso, arritmias graves aumentam o risco de eventos fatais.

    A síndrome do coração partido pode acontecer mais de uma vez?

    Embora rara, a recorrência é possível. “Por isso é importante acompanhamento médico regular, principalmente em pessoas que já tiveram o quadro ou têm familiares próximos que já tiveram”, destaca Giovanni.

    Pacientes diagnosticados devem manter acompanhamento clínico contínuo, não apenas durante a fase aguda. O seguimento ajuda a monitorar a saúde do coração, prevenir novos episódios e oferecer suporte em situações de estresse.

    Perguntas e respostas sobre a síndrome do coração partido

    1. O que é a síndrome do coração partido?

    É uma condição chamada cardiomiopatia de Takotsubo, em que o coração enfraquece temporariamente após um evento de estresse físico ou emocional intenso.

    2. Quais situações podem desencadear o problema?

    Ela pode surgir após perdas emocionais, separações, brigas, acidentes, cirurgias, notícias impactantes ou sustos intensos.

    3. Quem pode ter a síndrome do coração partido?

    Pode ocorrer em pessoas sem doença cardíaca prévia, mas é mais comum em mulheres após a menopausa e em pessoas acima dos 60 anos.

    4. Quais são os sintomas mais comuns?

    Dor no peito, falta de ar, palpitações, mal-estar súbito e, em alguns casos, desmaio.

    5. Como diferenciar de um infarto?

    Os sintomas são parecidos, mas o cateterismo mostra que não há entupimento nas artérias. O ecocardiograma revela alterações típicas na contração do coração que formam o padrão de Takotsubo.

    6. Existe risco de complicações?

    Sim. Apesar de reversível, pode causar arritmias, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão e, raramente, risco de morte.

    7. O coração pode voltar ao normal?

    Na maioria dos casos, sim. O tratamento é de suporte clínico, com medicamentos e acompanhamento médico, e a função cardíaca tende a se recuperar em semanas ou meses.

    8. A síndrome pode acontecer mais de uma vez?

    Sim, embora rara. O acompanhamento médico contínuo e o controle do estresse são fundamentais para prevenir recorrências.

    Leia mais: Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração

  • Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    Seja em aniversários, casamentos ou eventos corporativos, a variedade e a praticidade estão entre os principais benefícios do buffet. Como os alimentos ficam dispostos em mesas ou bancadas, cada pessoa pode se servir livremente, escolhendo os pratos e as quantidades que preferir.

    Isso agrada porque oferece a chance de cada um montar sua refeição de acordo com o gosto pessoal. No entanto, para quem está seguindo uma rotina saudável, pode ser desafiador escolher bem diante de tantas opções disponíveis. Afinal, como montar um prato saudável em buffet?

    Quais opções de carboidratos são melhores em buffets? Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com a nutricionista Hágata Ramos. Confira as orientações a seguir.

    O que significa montar um prato saudável em buffets?

    Montar um prato saudável em buffet significa organizar os alimentos de forma equilibrada, garantindo uma refeição completa — rica em nutrientes, que forneça energia, saciedade e prazer. Para isso, é importante incluir todos os grupos alimentares: carboidratos de qualidade, proteínas, gorduras boas, fibras, vitaminas e minerais.

    Uma boa referência é visualizar o prato dividido em partes, conforme recomenda Hágata:

    • 50% do prato com folhas e legumes coloridos, fontes de fibras, vitaminas e minerais. Quanto mais cores, maior a diversidade de nutrientes;
    • 25% do prato com alimentos energéticos, como arroz, massas, batata, batata-doce, mandioca ou outros tubérculos;
    • 25% com boas fontes de proteína, como carnes magras, frango, peixe, ovos ou leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha).

    Como montar um prato saudável em buffets?

    Comece pela salada

    Uma das estratégias mais eficazes é começar pela salada. Ela oferece fibras, vitaminas e minerais logo de início, prepara o estômago e ajuda na saciedade. Prefira vegetais crus e coloridos, como alface, rúcula, cenoura, beterraba e tomate. Evite molhos pesados — use azeite, limão ou vinagre.

    Uma dica prática: monte um prato de folhas verdes, cenoura ralada e tomate com um fio de azeite. Essa base já garante fibras e contribui para o equilíbrio da refeição.

    Equilibre os carboidratos

    Os carboidratos fornecem energia, mas devem ocupar apenas um quarto do prato. As melhores opções incluem:

    • Arroz (de preferência integral);
    • Batata-doce;
    • Mandioca;
    • Legumes cozidos.

    Evite combinações pesadas, como lasanha, batata frita e farofa no mesmo prato. Varie e combine com fibras para reduzir o índice glicêmico e aumentar a saciedade.

    Inclua fibras, vitaminas e minerais

    As fibras são fundamentais para o intestino e a saúde geral. Elas se dividem em:

    • Fibras solúveis: encontradas em aveia, chia, psyllium e frutas como maçã e laranja. Ajudam no controle da glicemia e reduzem o colesterol ruim;
    • Fibras insolúveis: presentes nas cascas das frutas, verduras cruas e farelo de trigo. Aumentam o volume fecal e previnem a constipação.

    Além disso, alimentam a microbiota intestinal, fortalecendo a imunidade e até influenciando o humor.

    Veja mais: Deficiências nutricionais em adultos: aprenda a identificar sinais no dia a dia e prevenir riscos

    Escolha boas fontes de proteína

    As proteínas garantem saciedade e ajudam na construção muscular. Prefira carnes magras, frango grelhado, peixe assado ou cortes bovinos com menos gordura. Para vegetarianos, leguminosas como feijão e lentilha são ótimas opções.

    Evite preparações fritas, empanadas ou com molhos cremosos. Prefira alimentos assados, grelhados ou cozidos para preservar o valor nutricional.

    Planeje antes de se servir

    Em buffets, é comum exagerar nas porções. Uma boa estratégia é dar uma volta pelo buffet antes de se servir. Assim, você visualiza as opções e planeja a refeição: escolha a base de vegetais, o tipo de carboidrato e a proteína que vai complementar o prato.

    “Os utensílios, como pratos e talheres, geralmente são grandes nesses restaurantes. Se não pensarmos antes, acabamos pegando comida demais”, alerta Hágata.

    Permita-se sobremesas na medida certa

    A sobremesa pode fazer parte da alimentação saudável, desde que com moderação. Frutas frescas, como laranja e mexerica, são excelentes opções — adoçam o paladar naturalmente e ainda fornecem fibras e vitaminas.

    “Após a refeição principal, o corpo já está saciado, então pequenas porções são suficientes para satisfazer o desejo de doce”, explica Hágata.

    Use estratégias para evitar exageros

    • Mastigue devagar, permitindo que o cérebro reconheça os sinais de saciedade;
    • Comece pela salada, que ajuda a controlar a fome;
    • Sirva porções moderadas — é sempre possível repetir, se necessário;
    • Mantenha boa hidratação, pois a água auxilia na digestão e potencializa o efeito das fibras.

    O acompanhamento de um nutricionista é essencial para personalizar escolhas e equilibrar a alimentação, especialmente em casos de condições como diabetes, hipertensão ou colesterol alto.

    Confira: 10 alimentos ricos em fibras para regular o intestino

    Perguntas frequentes sobre como montar um prato saudável em buffet

    1. Preciso evitar carboidratos para comer mais saudável?

    Não. Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo. Basta escolher os complexos — como arroz integral, batata-doce, quinoa ou mandioca — e controlar a quantidade (¼ do prato).

    2. Como equilibrar saladas e pratos quentes no mesmo prato?

    Use metade do prato para saladas e legumes e a outra metade para pratos quentes. Combine diferentes texturas, como folhas com vegetais crus e uma proteína grelhada. Essa divisão garante equilíbrio e variedade nutricional.

    3. Posso beber durante a refeição?

    Sim, em pequenas quantidades (100 a 200 ml). Prefira água e evite refrigerantes ou sucos industrializados, que contêm muito açúcar. O ideal é manter a hidratação ao longo do dia.

    4. Qual a quantidade ideal de proteínas por refeição?

    Depende do peso, idade e nível de atividade física, mas adultos saudáveis devem consumir entre 30 e 40 gramas por refeição principal. Prefira carnes magras, ovos, iogurtes e leguminosas.

    5. Preciso comer salada em todas as refeições?

    Sim, especialmente no almoço e jantar. Vegetais fornecem fibras, vitaminas e minerais essenciais. A constância no consumo é o que faz diferença para a saúde a longo prazo.

    6. Comer arroz e feijão todos os dias é saudável?

    Sim. A combinação clássica é completa e nutritiva: o arroz fornece energia e o feijão contribui com proteínas vegetais, fibras e minerais. O segredo é controlar as quantidades e equilibrar com vegetais e proteínas magras.

    Leia também: Compulsão alimentar ou exagero pontual? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda profissional

  • Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas 

    Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas 

    A anorexia nervosa é um dos transtornos alimentares mais graves e complexos, afetando não apenas a relação do paciente com a comida, mas também a sua saúde física, emocional e social. A perda significativa de peso, o medo intenso de engordar e a distorção da imagem corporal estão entre os sinais mais marcantes.

    Apesar de envolver diferentes áreas da saúde, como psiquiatria, psicologia e endocrinologia, a nutrição tem um papel central na recuperação. Segundo a nutricionista Fernanda Pacheco, a reconstrução da alimentação, feita de forma gradual e cuidadosa, é fundamental para restabelecer o equilíbrio, corrigir deficiências nutricionais e devolver qualidade de vida ao paciente com anorexia.

    Vamos entender nesta reportagem como é feito o tratamento da anorexia e como é a recuperação completa do quadro com a ajuda da nutrição.

    O que é anorexia nervosa

    A anorexia vai muito além de “comer pouco” ou “fazer dieta restritiva”. Trata-se de um transtorno alimentar reconhecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e marcado por três elementos principais:

    • Restrição alimentar severa;
    • Medo intenso de ganhar peso;
    • Distorção da autoimagem.

    “A pessoa pode se enxergar acima do peso, mesmo estando muito magra, e desenvolve comportamentos que levam a perdas importantes de nutrientes e energia, afetando todo o organismo”, enfatiza a nutricionista.

    Complicações da anorexia nervosa

    A anorexia impacta praticamente todos os sistemas do corpo. A falta de nutrientes compromete músculos, ossos, hormônios e até funções básicas, como a imunidade e o ciclo menstrual.

    • Desnutrição e perda de massa muscular;
    • Fraqueza óssea e risco de osteopenia/osteoporose;
    • Alterações hormonais, incluindo infertilidade temporária;
    • Problemas gastrointestinais, como constipação;
    • Queda da imunidade e maior suscetibilidade a infecções.

    Segundo Fernanda, o papel do atendimento de um nutricionista é corrigir as deficiências nutricionais. “A nutrição adequada ajuda a reverter a carência de vitaminas e minerais, restabelece o equilíbrio energético e contribui para a melhora de funções vitais, como o ciclo menstrual, a imunidade e a saúde óssea”.

    Porém, vale reforçar que o tratamento é multidisciplinar, sendo necessária também a consulta com psicólogos e médicos.

    Reintrodução alimentar: um processo gradual no tratamento da anorexia

    Um dos maiores desafios do tratamento nutricional é reintroduzir a alimentação de forma segura. Após longos períodos de restrição, o corpo não está preparado para receber grandes quantidades de comida de uma só vez.

    “A reintrodução é feita de forma gradual e planejada, respeitando a tolerância do paciente e evitando complicações metabólicas, como a síndrome da realimentação”, fala Fernanda.

    A síndrome da realimentação é uma complicação que pode surgir quando uma pessoa desnutrida retoma a alimentação de forma rápida e descontrolada. Nesses casos, a entrada súbita de nutrientes faz o corpo liberar insulina em excesso, o que pode reduzir drasticamente minerais importantes no sangue. Por isso, a reintrodução alimentar em pacientes com anorexia ou desnutrição deve ser sempre gradual e acompanhada por profissionais de saúde.

    O plano geralmente começa com pequenas porções de alimentos de fácil digestão, partindo do que o paciente já consegue comer. Aos poucos, a variedade e a quantidade vão aumentando até atingir um padrão alimentar balanceado.

    “Os nutrientes mais importantes são os que corrigem déficits graves e sustentam as funções vitais, como proteínas, carboidratos, além de vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, zinco e eletrólitos, como potássio e magnésio”, completa a nutricionista.

    O medo de ganhar peso: um dos maiores desafios

    O processo de tratamento da anorexia vai além do físico. O medo intenso de engordar acompanha quase todos os pacientes e exige muita sensibilidade do nutricionista.

    “O nutricionista busca mostrar que recuperar o peso não significa perder o controle sobre o próprio corpo, mas sim conquistar de volta saúde, energia e qualidade de vida”, indica Fernanda.

    Ela explica que o acompanhamento é feito passo a passo, com metas realistas e alcançáveis, sempre explicando ao paciente que cada mudança é planejada de forma segura, o que ajuda a reduzir a sensação de ameaça.

    Entre as estratégias mais usadas:

    • Incluir calorias extras em alimentos já aceitos pelo paciente;
    • Priorizar alimentos mais calóricos em pequenas porções;
    • Ajustar preparações de forma individualizada.

    Além disso, a nutricionista acrescenta que o aumento de peso deve ser progressivo e planejado, evitando riscos metabólicos e diminuindo a ansiedade em torno da recuperação da anorexia nervosa.

    “O ganho de peso não deve ser brusco, mas progressivo, geralmente de 0,5 a 1 kg por semana, o que diminui riscos metabólicos e a ansiedade em torno da recuperação”, detalha Fernanda.

    Acompanhamento contínuo e suporte familiar: pilares contra recaídas

    A anorexia é um transtorno marcado por recaídas frequentes, o que torna essencial um acompanhamento nutricional constante.

    “O foco é ajudar o paciente a estruturar uma rotina alimentar regular e equilibrada, evitando novos ciclos de restrição”, fala Fernanda. Nesse processo, o nutricionista atua identificando gatilhos, corrigindo crenças distorcidas sobre comida e observando sinais precoces de recaída.

    O suporte familiar também se torna indispensável, já que os maiores desafios acontecem em ambiente familiar, especialmente nos momentos de refeição.

    “O processo de recuperação não acontece apenas no consultório, mas principalmente no dia a dia do paciente. Muitas vezes, os momentos de comer são carregados de tensão e resistência, e a presença de familiares preparados para lidar com essas situações torna o ambiente mais acolhedor e menos conflituoso”.

    Ou seja, o apoio familiar não é apenas um complemento, mas um elemento ativo no tratamento, capaz de sustentar o paciente nos momentos de fragilidade e aumentar significativamente as chances de recuperação da anorexia nervosa.

    Leia também: Qual o papel do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares?

    Perguntas e respostas sobre anorexia nervosa

    1. O que é a anorexia nervosa?

    Anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave caracterizado por restrição severa de alimentos, medo intenso de ganhar peso e distorção da autoimagem. A pessoa pode se enxergar acima do peso mesmo estando muito magra.

    2. Quais complicações a anorexia pode causar?

    A doença afeta praticamente todo o organismo. Entre as complicações estão desnutrição, perda muscular e óssea, alterações hormonais, problemas gastrointestinais e queda da imunidade.

    3. Como funciona a reintrodução alimentar?

    Ela deve ser gradual e planejada, com pequenas porções e alimentos de fácil digestão. Esse cuidado evita complicações como a síndrome da realimentação e ajuda a corrigir déficits de nutrientes essenciais.

    4. Quais nutrientes são prioritários no início do tratamento?

    Proteínas, carboidratos, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, zinco, potássio e magnésio, fundamentais para funções vitais como saúde óssea, imunidade e equilíbrio energético.

    5. Por que o medo de ganhar peso é um desafio na recuperação?

    Porque gera resistência ao tratamento. O nutricionista precisa mostrar que o ganho de peso significa recuperar saúde e qualidade de vida, e não perder o controle sobre o corpo.

    6. Quanto peso se recomenda ganhar por semana?

    O aumento deve ser gradual, entre 0,5 e 1 kg por semana, para reduzir riscos metabólicos e diminuir a ansiedade do paciente.

    7. Como o acompanhamento nutricional ajuda a evitar recaídas?

    Ele cria uma rotina alimentar equilibrada, identifica gatilhos emocionais e observa sinais precoces de recaída, permitindo intervenções rápidas.

    8. Qual é o papel da família no tratamento?

    Apoiar o paciente nas refeições, reduzir a tensão à mesa, incentivar a adesão ao plano alimentar e reconhecer sinais de recaída. Esse suporte aumenta significativamente as chances de recuperação.

    Leia também: Compulsão alimentar ou exagero pontual? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda profissional

  • Cuidados paliativos: apoiar a vida desde o diagnóstico até o fim

    Cuidados paliativos: apoiar a vida desde o diagnóstico até o fim

    Quando uma doença grave irrompe na vida de alguém, ela atinge além do corpo, pois transforma rotinas, crenças, relações e expectativas. Em meio a tratamentos, medos e incertezas, cresce também a necessidade de acolhimento integral para o paciente e suas famílias. É aí que entram os cuidados paliativos.

    Os cuidados paliativos são uma abordagem que vai além do remédio, pois buscam cuidar da dor, do sofrimento emocional, das decisões difíceis e do significado de viver bem, em todas as fases da doença.

    O que são cuidados paliativos?

    Os cuidados paliativos são uma abordagem médica que busca melhorar a qualidade de vida de quem enfrenta uma doença grave, bem como apoiar suas famílias. Eles atuam para prevenir e aliviar o sofrimento — seja ele físico, emocional, social ou espiritual. A ideia é cuidar sempre, não desistir jamais.

    Princípios centrais dos cuidados paliativos

    • Valorizar a vida e compreender a morte como um processo natural;
    • Não antecipar nem adiar a morte;
    • Iniciar o cuidado o mais cedo possível, junto com outros tratamentos ativos;
    • Garantir o alívio da dor e dos sintomas difíceis;
    • Oferecer cuidado integral — corpo, mente, emoções e espiritualidade;
    • Manter o paciente ativo e com dignidade até onde for possível;
    • Dar apoio contínuo à família, inclusive durante o luto;
    • Atuar com equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros);
    • Manter comunicação clara e empática, permitindo decisões conscientes de paciente e familiares.

    Como os cuidados paliativos ajudam

    • Controle de sintomas: dor, fadiga, náuseas e outros desconfortos são aliviados;
    • Respeito à dignidade: o paciente vive o melhor possível, mesmo diante das limitações;
    • Apoio emocional e espiritual: acolhimento de medos, escuta e conforto;
    • Suporte familiar: acompanhamento e preparo para o luto;
    • Integração com outros tratamentos: os cuidados paliativos podem ocorrer junto a terapias que prolongam a vida, como quimioterapia ou radioterapia.

    Quem pode se beneficiar dos cuidados paliativos?

    Qualquer pessoa, de qualquer idade, com doença grave e potencialmente fatal pode se beneficiar de cuidados paliativos, independentemente do diagnóstico ou do tempo de vida esperado. Isso inclui casos de câncer, doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas, renais, entre outras.

    Os cuidados também se estendem às famílias e cuidadores — afinal, quem cuida também precisa de cuidado, suporte emocional e orientação prática.

    Hospice: um conceito de cuidado no final da vida

    O termo hospice não se refere a um local específico, mas a um modelo de cuidado voltado a pacientes em fase avançada da doença, geralmente com expectativa de vida de até seis meses.

    Nesse modelo, o foco é o acolhimento ativo, o alívio de sintomas e o suporte à família, especialmente no processo de morrer e no luto que o segue.

    Um cenário em crescimento

    No Brasil, os cuidados paliativos começaram a se estruturar nos anos 1990. Hoje, com o envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas, a demanda cresceu significativamente — e tende a dobrar até 2060.

    Embora ainda sejam muito associados a pacientes acima de 50 anos e ao câncer, os cuidados paliativos abrangem diversas doenças crônicas graves e podem beneficiar pessoas de todas as faixas etárias.

    De forma geral, cuidados paliativos não significam desistir do tratamento, mas sim afirmar que, em todos os momentos da vida, é possível cuidar, aliviar, apoiar e oferecer dignidade.

    Confira: Envelhecimento saudável: 6 hábitos para manter a autonomia

    Perguntas frequentes sobre cuidados paliativos

    1. Cuidados paliativos são sinônimo de desistir do tratamento?

    Não. Eles atuam em conjunto com tratamentos ativos, com foco na qualidade de vida, no controle de sintomas e no apoio integral.

    2. Quando começar os cuidados paliativos?

    O ideal é iniciar o quanto antes — desde o diagnóstico da doença grave —, não apenas no final da vida.

    3. Só pacientes com câncer se beneficiam?

    Não. Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas, renais, entre outras, também podem e devem receber cuidados paliativos.

    4. Quem compõe a equipe de cuidados paliativos?

    Profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, capelães e nutricionistas.

    5. Os pacientes perdem autonomia nos cuidados paliativos?

    Ao contrário. Um dos princípios é manter o máximo possível de autonomia, respeitando as escolhas e promovendo dignidade mesmo nas fases mais difíceis.

    6. A família também recebe apoio?

    Sim. Os cuidados paliativos oferecem suporte emocional, orientação e acompanhamento no luto para familiares e cuidadores.

    7. Como saber se um hospital ou ambulatório oferece cuidados paliativos?

    Pergunte se há uma equipe multidisciplinar especializada, programas de controle de dor e sintomas, suporte emocional e um plano de cuidado integral voltado à pessoa e à família.

    Leia mais: Polifarmácia: por que usar muitos remédios merece atenção

  • Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar 

    Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar 

    Nos últimos anos, a demência por corpos de Lewy (DCL) ganhou mais atenção entre médicos e pesquisadores. Apesar de ser a segunda causa mais comum de demência degenerativa depois do Alzheimer, ainda é pouco conhecida pelo público e muitas vezes confundida com outras doenças. Esse desconhecimento pode atrasar o diagnóstico e dificultar o início do tratamento adequado.

    A condição chama a atenção por sua combinação de sintomas, que incluem flutuações cognitivas marcantes, alucinações visuais vívidas, alterações no sono REM e sinais motores semelhantes ao Parkinson.

    A identificação desse padrão clínico faz toda a diferença para oferecer suporte ao paciente, proteger contra medicamentos que podem agravar os sintomas e garantir uma melhor qualidade de vida.

    O que é demência por corpos de Lewy (DCL)?

    A demência por corpos de Lewy é um tipo de demência progressiva marcada pelo acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína (os “corpos de Lewy”) no cérebro.

    Esse depósito afeta áreas envolvidas em atenção, percepção, controle motor e regulação do sono — daí a combinação de sintomas cognitivos, parkinsonismo, alucinações e flutuações do estado mental.

    Essas flutuações se manifestam como mudanças inesperadas no nível de atenção e lucidez ao longo do dia. Em alguns momentos, a pessoa pode estar bem lúcida e comunicativa; horas depois, parecer confusa ou desatenta, sem motivo aparente.

    Essa oscilação é uma característica típica da DCL e ajuda a diferenciá-la de outras demências, como o Alzheimer, que apresenta progressão mais constante.

    Sinais e sintomas característicos da demência por corpos de Lewy

    Os critérios clínicos atuais destacam quatro características principais, cuja presença aumenta a probabilidade de DCL:

    • Flutuações cognitivas: variações marcantes de atenção e alerta, com dias “bons” e “ruins” no desempenho;
    • Alucinações visuais recorrentes: geralmente bem formadas, como pessoas ou animais;
    • Parkinsonismo: rigidez, lentidão dos movimentos, marcha alterada;
    • Distúrbio comportamental do sono REM: o paciente vive os sonhos, falando, chutando ou se agitando durante o sono (confirmado por polissonografia).

    Outras manifestações comuns incluem hipersensibilidade a antipsicóticos, instabilidade postural com quedas, disautonomia (queda de pressão, constipação), depressão, ansiedade e sintomas visuais.

    Como se diferencia de Alzheimer e Parkinson?

    • Na DCL, as alucinações visuais e o distúrbio do sono REM surgem precocemente; no Alzheimer, aparecem em fases mais avançadas.
    • Em relação à demência associada ao Parkinson, vale a “regra de 1 ano”: se os sintomas cognitivos surgirem até um ano do início do parkinsonismo, a hipótese é DCL; se surgirem anos depois, é mais provável que seja demência por Parkinson.

    Diagnóstico de demência por corpos de Lewy

    O diagnóstico é um desafio, pois os sintomas se confundem com os do Alzheimer e do Parkinson. A confirmação depende da combinação de sinais clínicos e exames complementares.

    A avaliação começa com consulta detalhada, testes cognitivos e exame neurológico para investigar memória, atenção, presença de alucinações e sintomas motores. A polissonografia também pode ser solicitada para confirmar o distúrbio do sono REM, característico da DCL.

    Tratamento: o que funciona e o que evitar

    O tratamento combina medidas médicas e não medicamentosas, personalizadas conforme o quadro de cada paciente.

    Alguns medicamentos podem ajudar a melhorar atenção, comportamento e reduzir alucinações em parte dos casos. Outros aliviam a rigidez e a lentidão dos movimentos, embora com resposta variável.

    Além dos remédios, mudanças no dia a dia fazem diferença: manter rotinas bem definidas, ambientes iluminados e seguros, praticar fisioterapia e terapia ocupacional e garantir uma boa higiene do sono.

    O apoio e a orientação dos cuidadores são fundamentais, já que o manejo da doença exige adaptação constante.

    Atenção: pacientes com DCL são extremamente sensíveis a antipsicóticos. Quando o uso é indispensável, deve ser feito com cautela, em doses mínimas e sob vigilância médica rigorosa.

    Confira: Testes genéticos para remédios contra depressão: saiba o que são e como funcionam

    Evolução da doença: o que esperar ao longo do tempo

    A DCL é progressiva. As flutuações e sintomas psicóticos podem variar com o tempo, mas os sintomas cognitivos e motores tendem a se agravar gradualmente.

    O diagnóstico precoce permite planejar melhor o cuidado, ajustar medicações com segurança e oferecer suporte adequado ao cuidador e à família.

    Quando procurar avaliação médica?

    • Alucinações visuais recorrentes, especialmente em idosos;
    • Quedas e sinais de parkinsonismo sem diagnóstico confirmado de Parkinson;
    • Sonolência diurna com movimentos bruscos durante o sono;
    • Desempenho cognitivo que oscila muito ao longo do dia.

    Uma avaliação neurológica especializada é essencial para definir o diagnóstico e o tratamento adequados.

    Perguntas frequentes sobre demência por corpos de Lewy

    1. DCL é a mesma coisa que Alzheimer?

    Não. A DCL tem perfil clínico distinto, com alucinações visuais precoces, flutuações cognitivas e distúrbios do sono. Já o Alzheimer costuma começar com perda de memória mais típica e progressão linear.

    2. Quais exames confirmam a demência por corpos de Lewy?

    Não há um exame único definitivo. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames como testes cognitivos, polissonografia e avaliações neurológicas especializadas.

    3. Existem remédios que melhoram os sintomas?

    Sim. Alguns medicamentos podem melhorar atenção, cognição e sintomas motores, conforme a avaliação médica e a resposta individual de cada paciente.

    4. Por que se fala em hipersensibilidade a antipsicóticos?

    Pessoas com DCL podem reagir de forma grave a esses medicamentos, com rigidez acentuada, sonolência e piora da cognição. Se forem indispensáveis, devem ser usados por curto período, na menor dose possível e com acompanhamento rigoroso.

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