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  • Hirsutismo: saiba mais sobre a condição que causa excesso de pelos em mulheres

    Hirsutismo: saiba mais sobre a condição que causa excesso de pelos em mulheres

    Encontrar pelos escuros no queixo, abdômen ou peito pode ser motivo de preocupação, especialmente quando eles aparecem em locais típicos de crescimento masculino. Esse quadro tem nome: hirsutismo.

    Embora muitas pessoas o associem apenas à estética, o hirsutismo é, na verdade, um sinal clínico que pode indicar alterações hormonais nas mulheres e merece avaliação médica. Entenda o que está por trás do problema, como é feito o diagnóstico e quais são os meios de fazer o tratamento.

    O que é hirsutismo

    O hirsutismo é o crescimento de pelos grossos e escuros (pelos terminais) em mulheres, em áreas onde normalmente os homens têm pelos, como:

    • Face;
    • Tórax;
    • Linha do abdômen;
    • Costas e região lombar;
    • Glúteos;
    • Parte interna das coxas;
    • Região genital externa.

    É diferente da hipertricose, em que o aumento de pelos ocorre de forma difusa e sem seguir o padrão masculino.

    Por que o hirsutismo acontece

    O hirsutismo está ligado à ação de hormônios androgênios (como a testosterona), que estimulam o folículo piloso e transformam o pelo fino e claro (velo) em um pelo grosso, escuro e longo.

    Essa resposta varia de pessoa para pessoa e depende de dois fatores:

    • Quantidade de androgênios circulantes no corpo;
    • Sensibilidade dos folículos a esses hormônios.

    Por isso, mulheres diferentes podem ter graus distintos de hirsutismo mesmo com níveis hormonais parecidos.

    Além disso, fatores étnicos influenciam: mulheres de ascendência mediterrânea, por exemplo, tendem a ter maior predisposição.

    O hirsutismo é uma doença?

    Não necessariamente. O hirsutismo não é uma doença, mas sim um sinal clínico que pode aparecer isoladamente ou estar relacionado a diferentes condições.

    As principais causas são:

    • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): é a causa mais comum, associada a alterações hormonais, ovulação irregular e resistência à insulina;
    • Hiperandrogenismo idiopático: leve excesso de hormônios androgênios mesmo com ciclos menstruais normais;
    • Hirsutismo idiopático: sem alteração hormonal, mas com folículos mais sensíveis;
    • Hipotireoidismo: pode aumentar a disponibilidade de testosterona no corpo;
    • Hiperplasia adrenal congênita (forma não clássica): alteração genética que interfere na produção hormonal;
    • Síndrome de Cushing ou tumores produtores de androgênios (ovarianos ou adrenais): causas raras, mas importantes;
    • Medicamentos: como esteroides anabolizantes, anticonvulsivantes, corticoides, antidepressivos e alguns antipsicóticos.

    Diagnóstico de hirsutismo

    O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada e exame físico. Um dos métodos mais usados é a escala de Ferriman-Gallwey, que atribui pontuações de 0 a 4 para o crescimento de pelos em nove áreas do corpo.

    O médico também pode solicitar:

    • Exames hormonais (como testosterona e outros androgênios);
    • Exames de imagem, para investigar ovários e glândulas adrenais;
    • Avaliação da função da tireoide.

    Esses exames ajudam a descobrir se o hirsutismo é isolado ou faz parte de uma condição hormonal.

    Leia também: Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos

    Tratamento do hirsutismo

    O tratamento depende da causa identificada e pode envolver:

    1. Tratamento da causa de base

    Quando há uma condição associada — como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou hipotireoidismo —, o tratamento adequado ajuda a controlar o excesso de pelos.

    2. Medidas cosméticas

    Métodos como depilação com lâmina, cera ou cremes depilatórios são opções simples. Já técnicas mais duradouras, como laser e luz pulsada, podem oferecer resultados mais permanentes.

    3. Tratamento com remédios

    Em alguns casos, o médico pode indicar remédios que reduzem a produção ou a ação dos hormônios androgênios. Esses tratamentos exigem acompanhamento médico e podem levar meses para apresentar resultados visíveis.

    O acompanhamento deve ser feito com dermatologista ou ginecologista, que definirão a melhor estratégia de acordo com o quadro de cada paciente.

    Perguntas frequentes sobre hirsutismo

    1. Hirsutismo é o mesmo que ter muitos pelos?

    Não. O hirsutismo é o crescimento de pelos grossos e escuros em áreas típicas masculinas. Já a hipertricose é o aumento difuso de pelos em qualquer parte do corpo.

    2. O excesso de pelos sempre indica doença?

    Nem sempre. Pode ser apenas uma característica genética, mas deve ser avaliado para descartar alterações hormonais.

    3. Laser e luz pulsada eliminam o problema?

    Essas técnicas reduzem o crescimento dos pelos, mas, se a causa for hormonal, o tratamento precisa ser combinado com acompanhamento médico.

    4. O hirsutismo tem cura?

    Depende da causa. Quando está ligado a fatores hormonais controláveis, como SOP, o quadro pode melhorar bastante com tratamento.

    5. Pílula anticoncepcional ajuda?

    Alguns anticoncepcionais podem reduzir os níveis de androgênios e, portanto, ajudar no controle dos pelos. Mas o uso deve ser prescrito por um médico.

    6. É possível tratar em casa?

    Não. Embora medidas cosméticas ajudem no controle estético, o diagnóstico e o tratamento das causas exigem acompanhamento profissional.

    Confira: Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil

  • Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

    Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

    Ir ao banheiro deveria ser algo natural — mas para muitas pessoas, é uma verdadeira batalha. A constipação intestinal, ou prisão de ventre, é um problema que afeta milhões de brasileiros e interfere na qualidade de vida.

    Ela acontece quando evacuar se torna difícil, infrequente ou a evacuação é incompleta, com aquela sensação de que o intestino não esvaziou por completo. Embora seja comum, não deve ser ignorada, pois pode ter várias causas e, em alguns casos, sinalizar doenças que precisam de tratamento.

    O que é prisão de ventre

    Os médicos consideram que existe constipação intestinal (prisão de ventre) quando, por pelo menos três meses seguidos, a pessoa apresenta dois ou mais dos seguintes sinais:

    • Menos de três evacuações por semana;
    • Fezes muito ressecadas e duras;
    • Esforço exagerado para evacuar;
    • Sensação de evacuação incompleta;
    • Sensação de “entupimento” na saída;
    • Necessidade de usar laxantes ou até manobras com as mãos para facilitar a evacuação.

    Tipos de prisão de ventre

    Constipação funcional

    É a mais comum. Não está ligada a uma doença específica, mas a hábitos de vida inadequados, como alimentação pobre em fibras, baixo consumo de líquidos, sedentarismo ou idade avançada.

    Ela se divide em três subtipos:

    • Trânsito normal: o intestino funciona, mas evacuar é difícil — geralmente melhora com fibras ou laxantes leves;
    • Trânsito lento: o intestino demora muito a movimentar as fezes;
    • Evacuação obstruída: o intestino produz as fezes, mas há dificuldade na saída.

    Constipação secundária

    Ocorre quando há uma causa definida, como alterações ou lesões no intestino, uso de certos medicamentos (como analgésicos opioides), doenças neurológicas (Parkinson, AVC, doença de Chagas) ou alterações hormonais e metabólicas, como diabetes e hipotireoidismo.

    Quem tem maior risco

    A prisão de ventre pode afetar qualquer pessoa, mas é mais frequente em:

    • Idosos, que têm maior risco de complicações;
    • Mulheres;
    • Pessoas que ingerem pouca água e fibras;
    • Sedentários;
    • Gestantes.

    Principais causas de prisão de ventre

    As causas se dividem em dois grandes grupos:

    • Funcionais: dieta pobre em fibras, falta de atividade física, postura incorreta no vaso sanitário, perda do reflexo de evacuação e abuso de laxantes;
    • Secundárias: tumores, prolapso retal, efeitos colaterais de medicamentos, doenças neurológicas e musculares, diabetes e hipotireoidismo.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico começa com uma conversa detalhada com o médico, que avalia a frequência das evacuações, o uso de remédios, a presença de outras doenças e os hábitos de vida.

    Depois, podem ser realizados exames físicos e complementares, como:

    • Exames de sangue e fezes;
    • Exames de imagem (raio X, colonoscopia ou enema opaco, quando necessário);
    • Testes de funcionamento intestinal, como tempo de trânsito intestinal, manometria e defecografia.

    Esses exames ajudam a diferenciar entre constipação funcional e causas mais complexas.

    Tratamento da prisão de ventre

    Na maioria dos casos, mudanças simples no estilo de vida já trazem alívio significativo:

    • Aumentar o consumo de fibras (frutas, verduras, legumes e cereais integrais);
    • Beber água ao longo do dia;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Criar uma rotina para ir ao banheiro, respeitando os sinais do corpo.

    Quando necessário, o médico pode indicar laxantes ou outros medicamentos para auxiliar na evacuação, sempre com acompanhamento profissional, já que o uso prolongado pode piorar o problema.

    Quando procurar o médico

    Procure ajuda médica se a prisão de ventre for persistente, se houver sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, dor abdominal intensa ou alterações súbitas no funcionamento intestinal. Esses podem ser sinais de doenças que exigem investigação.

    Confira: Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    Perguntas frequentes sobre prisão de ventre

    1. É normal evacuar só a cada dois ou três dias?

    Depende. Algumas pessoas têm ritmo intestinal naturalmente mais lento, mas se houver esforço, dor ou sensação de evacuação incompleta, pode indicar constipação.

    2. Laxantes podem ser usados todos os dias?

    Não. O uso contínuo pode tornar o intestino “preguiçoso”. Use apenas sob orientação médica.

    3. Água e fibras resolvem sempre?

    Na maioria dos casos, sim. A hidratação e uma dieta rica em fibras ajudam a regular o trânsito intestinal.

    4. Quais frutas ajudam a soltar o intestino?

    Mamão, ameixa, laranja com bagaço, abacate e kiwi são boas opções.

    5. É verdade que o café ajuda a ir ao banheiro?

    Em algumas pessoas, sim. A cafeína pode estimular o movimento intestinal, mas não deve ser usada como tratamento.

    6. A prisão de ventre pode causar hemorroidas?

    Sim. O esforço repetido para evacuar aumenta a pressão nas veias do reto, o que favorece o surgimento de hemorroidas.

    Leia também: 10 alimentos ricos em fibras para regular o intestino

  • Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

    Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

    A menopausa é uma fase natural da vida, marcada pelo fim do ciclo menstrual e pela queda dos hormônios femininos, principalmente estrogênio e progesterona. Ela costuma surgir por volta dos 45 e 55 anos — e as mudanças não afetam apenas a fertilidade, mas impactam diretamente várias funções do corpo, como a qualidade do sono.

    Alterações hormonais, ondas de calor, ganho de peso e até mesmo fatores emocionais podem prejudicar o descanso noturno, o que pode originar um quadro de insônia na menopausa. Ele se manifesta de diversas formas, e compromete diretamente o bem-estar e a qualidade de vida.

    Por que o sono na menopausa é tão afetado?

    A insônia é um dos principais problemas que podem surgir na menopausa. Inclusive, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que uma escala antiga usada pela medicina, chamada Escala de Kupperman, já apontava a insônia como o segundo sintoma mais intenso da menopausa, ficando atrás apenas das ondas de calor (ou fogacho).

    As ondas de calor podem atingir até 80% das mulheres na pós-menopausa e, muitas vezes, começam à noite. O ciclo é assim: sensação de calor súbito, a pessoa tira o cobertor, sente frio novamente e se cobre.

    Como consequência, há despertares constantes, o que interrompe o sono profundo e causa fadiga, irritabilidade e falta de disposição.

    Andreia esclarece que a insônia pode aparecer de três formas principais:

    • Dificuldade para pegar no sono;
    • Sono fragmentado (a pessoa dorme, mas acorda várias vezes, sem descanso reparador);
    • Despertar precoce (a pessoa dorme bem, mas acorda às 3 ou 4 da manhã e não consegue dormir de novo).

    Além disso, o metabolismo desacelera, o corpo acumula mais gordura abdominal e a probabilidade de apneia do sono aumenta. Isso significa mais ronco, pausas respiratórias e menos sono reparador. É por isso que é comum pessoas que relatam dormir, mas acordar cansadas.

    Como melhorar a insônia na menopausa?

    Higiene do sono

    A higiene do sono é o primeiro passo para tratar a insônia na menopausa – e envolve uma série de hábitos e cuidados diários que ajudam a melhorar a qualidade do sono. A ideia é criar um ambiente e uma rotina que favoreçam o adormecer e a manutenção de um sono profundo e reparador. Entre os hábitos, é possível destacar:

    • Evite telas antes de dormir: a luz azul de celulares, tablets e televisores estimula o cérebro e dificulta a produção natural de melatonina, o hormônio do sono;
    • Prefira refeições leves à noite: comer em excesso pode atrapalhar a digestão e deixar o corpo agitado. Prefira sopas, saladas ou proteínas leves;
    • Reduza cafeína e estimulantes: café, energéticos e chás pretos devem ser evitados no fim da tarde. As bebidas podem atrasar o início do sono;
    • Ajuste o ambiente do quarto: silêncio, escuridão e temperatura adequada são aliados poderosos para noites melhores;
    • Atividades relaxantes: ler um livro em papel, meditar ou ouvir músicas calmas ajudam a sinalizar ao corpo que é hora de desacelerar.

    De acordo com Andreia, apenas depois da adoção da higiene do sono é que se avaliam outras abordagens de tratamento, como o uso de medicamentos ou terapia de reposição hormonal.

    Atividades físicas

    A prática regular de atividade física é um dos maiores aliados da qualidade do sono, inclusive durante a menopausa. Ela ajuda a regular o metabolismo, reduzir o estresse e aumentar a sensação de bem-estar — fatores que facilitam o adormecer e tornam o sono mais reparador.

    Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é:

    • 150 minutos semanais de atividade física moderada (como caminhada rápida, bicicleta leve, hidroginástica); ou
    • 75 minutos semanais de atividade vigorosa (como corrida, natação, aulas de dança mais intensas);
    • Também é indicado fazer musculação ou exercícios de fortalecimento muscular pelo menos 2 vezes por semana.

    As atividades, distribuídas ao longo da semana, ajudam não apenas na qualidade do sono, mas também na saúde do coração, dos ossos e no controle do peso, fatores especialmente importantes nessa fase da vida.

    Reposição hormonal na menopausa

    A terapia de reposição hormonal é um tratamento médico que utiliza hormônios, normalmente estrogênio isolado ou associado à progesterona, para compensar a queda natural dos hormônios no corpo da mulher após a última menstruação.

    No caso específico da insônia, a reposição hormonal ajuda porque o estrogênio tem papel direto no cérebro. Durante a menopausa, ocorre a desocupação dos receptores de estrogênio, o que desequilibra a produção de neurotransmissores ligados ao sono. Ao repor o estrogênio, o equilíbrio é restaurado, facilitando um sono mais contínuo.

    No entanto, Andreia ressalta que a reposição hormonal não é solução isolada e deve vir acompanhada de cuidados com a higiene do sono.

    A TRH também deve ser avaliada caso a caso, levando em conta histórico familiar e fatores de risco, como câncer de mama, trombose ou doenças cardiovasculares.

    Uso de remédios para insônia na menopausa

    Se a paciente não apresenta melhora apenas com a higiene do sono e a reposição hormonal, o médico pode avaliar o uso de medicamentos.

    Uma das opções são os indutores do sono, que facilitam o início do adormecer e funcionam bem para quem tem dificuldade em pegar no sono. No entanto, Andreia aponta que eles têm pouca eficácia quando o problema está em manter o sono contínuo ou em evitar despertares precoces.

    Já algumas medicações antidepressivas, embora indicadas originalmente para outros quadros clínicos, também podem ser prescritas à noite como apoio adicional para melhorar o descanso.

    Importante: os benzodiazepínicos (como diazepam e alprazolam) são pouco recomendados, destaca Andreia, pois apresentam risco de dependência e tolerância. Por isso, só devem ser usados em situações muito específicas e por tempo curto, como em períodos de estresse intenso ou após um luto. O uso prolongado não é indicado!

    Em todos os casos, os medicamentos devem ser vistos como uma abordagem complementar e temporária — e nunca como a solução principal para os distúrbios do sono.

    Melatonina funciona?

    A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal e regulado pela incidência de luz na retina, sinalizando ao corpo a hora de dormir. É considerada uma alternativa interessante para melhorar a qualidade do sono, mas com algumas ressalvas.

    No Brasil, ela é registrada apenas como suplemento alimentar e em doses muito baixas (0,21 mg), praticamente sem efeito clínico. Para resultados eficazes, seriam necessárias doses em torno de 2 mg, cerca de dez vezes mais do que a quantidade liberada atualmente pela Anvisa.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, quando a dosagem é ajustada, a melatonina pode trazer benefícios, especialmente para pessoas acima dos 55 anos — faixa etária em que a produção natural começa a cair. Isso coincide com a idade típica da menopausa (entre 45 e 55 anos).

    Nessas situações, a suplementação pode ajudar a regular o sono de forma segura, desde que utilizada em doses adequadas e com orientação médica, ainda que não existam produtos oficialmente registrados no Brasil nessa concentração.

    Insônia na menopausa: quais hábitos podem ajudar?

    Mesmo em uma rotina agitada, é possível adotar algumas mudanças simples que ajudam a melhorar a qualidade do sono na menopausa, como:

    • Chás calmantes: infusões de maracujá, camomila ou melissa ajudam a reduzir a agitação e preparar o corpo para o descanso;
    • Alimentos ricos em triptofano: incluir banana, aveia e castanhas na alimentação, por exemplo, estimula a produção de serotonina, favorecendo o relaxamento;
    • Rotina consistente: manter horários fixos para dormir e acordar ajuda o organismo a criar um ritmo natural de descanso;
    • Controle de peso: cuidar da alimentação e praticar atividades físicas reduz o risco de apneia do sono e melhora o repouso noturno.

    Quando procurar ajuda médica?

    É comum que muitas mulheres tentem resolver a insônia por conta própria, mas nem sempre é suficiente. Procure atendimento médico se:

    • O problema persiste por mais de 3 meses, pois insônia crônica precisa de avaliação médica;
    • Há sinais de apneia do sono, como roncos intensos, pausas respiratórias e sonolência diurna;
    • Há impacto emocional e físico, como cansaço constante, queda de produtividade, irritabilidade e até depressão podem ser consequências da falta de sono.

    Leia mais: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Perguntas frequentes sobre insônia na menopausa

    1. Quais os sintomas da menopausa?

    Os sintomas da menopausa variam de mulher para mulher, mas os mais comuns são ondas de calor, suores noturnos, insônia, irregularidade menstrual, ressecamento vaginal, alterações de humor, ganho de peso e queda da libido. Além disso, muitas mulheres relatam dificuldade de concentração, fadiga e dores articulares.

    2. O ronco pode piorar na menopausa?

    O ronco é bastante comum nessa fase, justamente pelo ganho de peso e aumento do risco de apneia do sono. Além do incômodo para quem divide o quarto, ele compromete a qualidade do descanso, já que reduz o sono profundo. Nesse caso, é importante investigar a apneia e, se necessário, iniciar tratamento com orientação do médico.

    3. O estresse pode piorar a insônia na menopausa?

    Sim, pois o estresse eleva os níveis de cortisol, o hormônio do alerta, que dificulta o relaxamento e a indução ao sono. Durante a menopausa, como o corpo já está em desequilíbrio hormonal, qualquer fator emocional pode potencializar o quadro de insônia. Adotar técnicas de respiração, meditação guiada e até terapia cognitivo-comportamental ajudam a controlar o quadro.

    4. Dormir com ar-condicionado ajuda nas ondas de calor noturnas?

    Sim, manter o quarto em temperatura mais baixa ajuda a minimizar as ondas de calor. O ar-condicionado ou ventilador podem ser aliados, desde que usados de forma moderada para evitar ressecamento das vias respiratórias. O ideal é manter o ambiente fresco e estável durante a noite.

    5. A acupuntura pode ajudar no sono na menopausa?

    Pesquisas indicam que a acupuntura pode ajudar a diminuir a intensidade das ondas de calor e a controlar a ansiedade, dois sintomas que frequentemente atrapalham o sono na menopausa. Ela não substitui outros tratamentos, mas pode ser uma opção complementar para melhorar a qualidade do descanso e promover maior bem-estar.

    Confira: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Você já ouviu falar em metástase? O diagnóstico pode trazer um sentimento de insegurança e incerteza, especialmente em pacientes que estão em tratamento de câncer, mas entender como ela acontece é fundamental para enfrentar o momento com mais clareza.

    De maneira simples, a metástase indica um estágio crítico no desenvolvimento e progressão do câncer, e acontece quando células de um tumor maligno que surgiu em um local específico do corpo se disseminam para outras partes do corpo, como fígado, pulmão, ossos ou cérebro.

    Nesses casos, o tratamento precisa ser mais individualizado, levando em conta tanto o tipo de câncer inicial quanto os órgãos atingidos. O objetivo é controlar a doença, aliviar os sintomas e oferecer a melhor qualidade de vida possível. Entenda mais, a seguir.

    Afinal, o que é metástase?

    A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor primário e se espalham para outras regiões do corpo. De acordo com o oncologista Thiago Chadid, o deslocamento normalmente ocorre pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático, atingindo órgãos como fígado, pulmão, ossos ou cérebro.

    Vale destacar que nem todo tumor causa metástase – e é uma capacidade apenas do câncer maligno, que consegue invadir tecidos vizinhos e se espalhar pelo corpo. Tumores benignos, por outro lado, costumam ter células mais organizadas e um crescimento mais lento. Isso significa que, quando um câncer atinge a fase metastática, novas lesões tumorais passam a surgir em locais diferentes do tumor inicial.

    Como acontece a metástase no organismo?

    Segundo o Ministério da Saúde, a metástase acontece quando células cancerígenas se desprendem do tumor principal e conseguem acessar a circulação sanguínea, a linfa ou até cavidades do corpo, como a pleural e a peritoneal. A partir daí, elas encontram novos locais para se instalar e formar outros tumores.

    De acordo com Thiago, existem três principais formas de disseminação:

    • Pelo sangue (via hematogênica): a mais comum, em que células tumorais caem na corrente sanguínea e atingem órgãos distantes;
    • Pelo sistema linfático: células invadem vasos linfáticos e alcançam linfonodos próximos ou distantes;
    • Por disseminação celômica: mais rara, ocorre na cavidade abdominal, causando o chamado carcinoma peritoneal.

    Além disso, no caso do câncer de pulmão, pode ocorrer uma disseminação aérea, em que células tumorais se espalham pelas vias respiratórias, afetando outras áreas do próprio pulmão.

    Quais órgãos são mais atingidos pela metástase?

    As metástases podem surgir em qualquer local do corpo, no entanto, alguns locais tendem a ser mais comuns. De acordo com Thiago, existe um fenômeno chamado tropismo, que é a tendência de determinados tumores crescerem melhor em ambientes específicos.

    O oncologista e o Ministério da Saúde destacam os seguintes padrões:

    Tipos de câncer Órgãos mais comuns de metástase
    Câncer de mama Linfonodos, fígado, ossos e pulmões
    Câncer de pulmão Linfonodos, pulmão, glândulas suprarrenais, fígado, ossos e cérebro
    Câncer de estômago Linfonodos, fígado e peritônio
    Câncer de intestino (cólon e reto) Linfonodos, fígado, peritônio e, em alguns casos, pulmão
    Câncer de próstata Linfonodos e ossos
    Câncer de tireoide Pulmão e ossos
    Melanoma Fígado e cérebro
    Sarcoma Pulmões

    Quais os sintomas da metástase?

    Os sintomas de uma metástase variam de acordo com o órgão afetado. Muitas vezes, o paciente só descobre a metástase quando realiza exames de rotina ou quando o câncer apresenta sinais mais agressivos.

    Entre alguns dos sinais de alerta, é possível apontar:

    • Metástase óssea: dores intensas nas costas e pescoço, ossos fragilizados, compressão da medula, dificuldade de urinar;
    • Metástase cerebral: dores de cabeça, convulsões, sonolência, vômitos, alterações neurológicas e dificuldade de fala ou visão;
    • Metástase pulmonar: falta de ar, tosse persistente, dor torácica, chiado no pulmão, sangue no catarro, rouquidão;
    • Metástase no fígado: perda de apetite, emagrecimento, icterícia (pele e olhos amarelados), dor abdominal, febre, náuseas e vômitos.

    Se você já tratou um câncer e notar algum dos sintomas, isso não significa necessariamente que tenha metástase. Ainda assim, procure o médico rapidamente para investigar e, se houver confirmação, receber a orientação sobre o tratamento mais adequado.

    Como é feito o diagnóstico de metástase?

    O diagnóstico de metástase envolve uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem. Tomografia, ressonância magnética e PET-CT, por exemplo, ajudam a identificar novos focos tumorais no corpo, mas a confirmação definitiva vem da biópsia, onde uma amostra do tecido suspeito é analisada em laboratório.

    O oncologista Thiago Chadid explica que, por meio da análise histológica e molecular, é possível determinar se a célula encontrada pertence a um tumor já existente (ou seja, uma metástase) ou se ela se trata de um novo câncer primário.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Quais são os tratamentos para a metástase?

    O tratamento da metástase depende do tipo de câncer que deu origem ao tumor. Mesmo quando a doença se espalha para outros órgãos, a escolha do tratamento leva em conta o local onde começou. Normalmente, são usados medicamentos como quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.

    Em alguns casos, pode ser feita uma cirurgia para retirar metástases localizadas. Já a radioterapia é usada, na maioria das vezes, para controlar sintomas, como dor ou sangramento, mas em certas situações também pode ser indicada como tratamento do câncer com metástase.

    Metástase tem cura?

    Todo câncer metastático é considerado de estágio avançado, o que torna a cura mais difícil. Porém, como destaca Thiago, existem situações em que poucas metástases localizadas podem ser operadas ou tratadas.

    Além disso, o Ministério da Saúde ressalta que os avanços em quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia e drogas-alvo vêm permitindo controlar o câncer metastático por longos períodos. Nesses casos, mesmo sem falar em cura definitiva, o tratamento pode transformar a doença em algo crônico, possibilitando uma vida mais longa e com qualidade.

    É possível prevenir a metástase?

    A melhor forma de reduzir o risco de metástase é tratar o câncer o quanto antes. Quando diagnosticado precocemente, o tratamento pode incluir cirurgia associada a terapias complementares, como quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia. Elas têm como objetivo eliminar células tumorais que possam permanecer no organismo, evitando a recidiva da doença e o surgimento de metástases.

    Por fim, manter um estilo de vida saudável, com o controle de peso, alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool, também ajuda na prevenção do câncer em si — e, consequentemente, da metástase.

    Confira: Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer

    Perguntas frequentes sobre metástase

    1. A metástase pode surgir logo no início do câncer?

    Sim, o processo de metástase pode começar ainda em fases iniciais do câncer, quando algumas células já conseguem se desprender do tumor e viajar pela corrente sanguínea ou linfática. No entanto, isso acontece com maior frequência em estágios mais avançados.

    O que muda é que, no início, muitas vezes as células ainda não conseguem se instalar com sucesso em outros órgãos. Elas podem até circular, mas nem sempre encontram condições para crescer. Já em estágios avançados, a quantidade de células circulando aumenta e as chances de fixação em novos locais também.

    2. Metástase no fígado tem sintomas específicos?

    O fígado é um dos órgãos mais atingidos por metástases, especialmente em caso de câncer de mama, intestino ou pulmão. Quando isso acontece, o paciente pode apresentar sintomas como dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), perda de apetite, emagrecimento e fadiga intensa.

    No entanto, é importante ressaltar que muitas vezes a metástase hepática pode ser silenciosa, só sendo descoberta em exames de imagem de rotina. Por isso a importância do acompanhamento médico regular.

    3. Metástase no cérebro causa quais sintomas?

    Quando o câncer chega ao cérebro, os sintomas variam conforme a área afetada. O paciente pode apresentar dores de cabeça persistentes, convulsões, dificuldade de fala, alterações de visão, desequilíbrio, perda de memória ou até mudanças de comportamento.

    Os sinais muitas vezes podem ser confundidos com doenças neurológicas e, por isso, exames de imagem, como ressonância magnética, são fundamentais para esclarecer o diagnóstico.

    4. Uma cirurgia pode eliminar todas as metástases?

    Depende. Quando há poucas metástases em locais acessíveis, a cirurgia pode ser indicada e até oferecer chance de cura. Mas, na maioria das vezes, elas estão espalhadas por vários órgãos ou em áreas de difícil acesso, o que torna a cirurgia inviável. Nesses casos, o tratamento costuma ser feito com quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.

    5. Pacientes com metástase podem viver muitos anos?

    Apesar de a metástase indicar um estágio avançado de câncer, os avanços da medicina permitem que muitos pacientes vivam por longos períodos, mantendo a doença sob controle. Em diversos casos, o câncer metastático já é tratado como uma condição crônica, possibilitando anos de acompanhamento e estabilidade.

    O foco do tratamento não é apenas prolongar a vida, mas também garantir o bem-estar e a qualidade de vida. Com as terapias atuais, muitas pessoas conseguem continuar trabalhando, viajando, convivendo com a família e mantendo uma rotina próxima do normal.

    6. Metástase pode desaparecer sozinha?

    Não, uma vez instalada, a metástase não desaparece sem tratamento. O que pode acontecer é a doença ficar estável por longos períodos, sem crescimento significativo, especialmente em resposta a terapias eficazes.

    Em alguns casos, os exames mostram redução parcial do tamanho das metástases após tratamento, mas isso é resultado direto das intervenções médicas. Por isso, o acompanhamento contínuo é tão importante.

    Leia mais: Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno

  • Energético faz mal à saúde? Cardiologista explica 

    Energético faz mal à saúde? Cardiologista explica 

    Coloridas e com embalagens chamativas, as bebidas energéticas prometem energia instantânea e disposição para enfrentar um dia puxado no trabalho, nas aulas ou até para prolongar a diversão em uma noite de festas.

    O efeito vem da combinação de altas doses de cafeína com outras substâncias estimulantes, como taurina, guaraná e ainda grandes quantidades de açúcar. Isso levanta um alerta importante: será que o consumo de energético faz mal à saúde?

    A resposta é sim! Quando consumidos em excesso ou com frequência, as bebidas podem trazer sérias consequências para a saúde, que vão desde arritmias cardíacas até alterações no humor, como aumento da ansiedade e, em alguns casos, quadros de depressão.

    Para entender melhor os impactos no coração e na saúde mental, conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto. Confira!

    Afinal, do que é feito o energético?

    As bebidas energéticas são formuladas para estimular o sistema nervoso central, aumentando o estado de alerta e diminuindo a sensação de cansaço. Os ingredientes variam de marca para marca, mas em geral incluem:

    • Cafeína: principal estimulante, responsável pelo aumento da atenção e da energia;
    • Taurina: aminoácido que pode potencializar os efeitos da cafeína;
    • Glucuronolactona: substância que auxilia no metabolismo energético;
    • Extratos vegetais: como guaraná e ginseng, também estimulantes;
    • Açúcares ou adoçantes: para conferir sabor e energia extra;
    • Vitaminas do complexo B: envolvidas em processos metabólicos.

    De acordo com Giovanni, a cafeína é o componente com maior impacto cardiovascular. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) limita a concentração a 35 mg por 100 mL. Ou seja, uma lata de 250 mL pode conter quase 90 mg de cafeína, e algumas versões maiores ultrapassam os 200 mg.

    Energético faz mal à saúde? Veja os riscos

    O efeito imediato do energético até pode parecer positivo, afinal você consegue mais disposição, melhora na concentração e até um estímulo físico temporário. No entanto, a curto prazo, as bebidas podem acarretar uma série de consequências para a saúde. Giovanni aponta algumas delas:

    • Aumento da pressão arterial;
    • Frequência cardíaca acelerada;
    • Palpitações;
    • Ansiedade e tremores;
    • Insônia;
    • Alterações elétricas no coração, como o intervalo QT prolongado.

    Se o consumo for frequente ou em excesso, há um risco de arritmias graves, vasoespasmo (contração súbita e intensa da parede de um vaso sanguíneo) e até infarto em pessoas predispostas. Estudos mostram que, mesmo em indivíduos saudáveis, grandes doses podem causar sintomas desconfortáveis e até perigosos.

    Quem deve evitar o consumo de energéticos?

    O energético não é recomendado para os seguintes grupos:

    • Pessoas com doenças cardíacas, especialmente arritmias, QT longo, cardiomiopatias e doença coronariana instável;
    • Pessoas com hipertensão descontrolada, pois a cafeína pode elevar ainda mais a pressão;
    • Gestantes e lactantes;
    • Usuários de certos medicamentos, como descongestionantes, pré-treinos e substâncias estimulantes (pseudoefedrina, por exemplo).

    Crianças podem tomar energéticos?

    Crianças e adolescentes menores de 18 anos não devem tomar energéticos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria. Por ter menor peso corporal e metabolismo diferente, eles atingem rapidamente os limites seguros de cafeína por quilo.

    Segundo Giovanni, até pequenas doses podem causar sintomas incômodos, como insônia, agitação e palpitações.

    Inclusive, com a popularização dos energéticos para o público mais jovem, diversos países vêm adotando medidas restritivas. Em setembro de 2025, por exemplo, o governo do Reino Unido proibiu a venda de bebidas energéticas com mais de 150 mg de cafeína por litro para menores de 16 anos na Inglaterra.

    Segundo Giovanni, a proposta se apoia nas evidências de que as bebidas podem prejudicar o sono, o desempenho escolar, a saúde mental e até o coração dos jovens — além do marketing agressivo dirigido a esse público.

    “Em termos de saúde pública, é uma intervenção proporcional e coerente”, complementa o cardiologista.

    Pode misturar energético com álcool?

    Apesar de ser uma combinação comum em festas e baladas, o energético não deve ser misturado com álcool.

    Segundo Giovanni, o energético mascara a sensação de embriaguez, fazendo com que a pessoa beba mais sem perceber os efeitos do álcool. Isso aumenta a chance de intoxicação alcoólica, acidentes e comportamento de risco.

    Além disso, a soma dos efeitos pode resultar em:

    • Arritmias;
    • Crises hipertensivas;
    • Desmaios;
    • Eventos cardíacos graves, incluindo relatos fatais.

    Existe uma quantidade segura de consumo do energético?

    Para adultos saudáveis, diretrizes sugerem que até 400 mg de cafeína por dia (de todas as fontes, incluindo café, chá e refrigerante) podem ser tolerados. Uma dose única de até 200 mg também costuma ser considerada segura.

    No entanto, é preciso atenção:

    • Uma lata de energético pode variar de 80 mg a mais de 200 mg de cafeína;
    • Embalagens grandes podem conter duas ou mais porções, e muitas pessoas consomem tudo de uma vez.

    No caso de gestantes e lactantes, não há uma quantidade segura de energético, e o consumo não é recomendado, pois a cafeína e outras substâncias estimulantes presentes nessas bebidas podem ser prejudiciais ao bebê e à saúde materna.

    Sinais de alerta de que o energético está fazendo mal

    É importante reconhecer quando o organismo não está tolerando bem os energéticos. Por isso, fique atento aos seguintes sinais:

    • Palpitações ou “coração disparado”;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Tontura ou desmaio;
    • Ansiedade intensa;
    • Tremores;
    • Pressão muito alta;
    • Insônia persistente.

    Se houver dor torácica, batimentos irregulares ou perda de consciência, procure atendimento médico imediatamente.

    Confira: Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    Perguntas frequentes sobre se energético faz mal

    1. O que acontece no corpo logo após beber um energético?

    Quando você consome um energético, a cafeína é rapidamente absorvida no estômago e no intestino, atingindo a corrente sanguínea em cerca de 15 a 45 minutos.

    Nesse período, já é possível sentir o aumento da atenção, da disposição e da energia. A pressão arterial pode subir, o coração pode bater mais rápido e os níveis de adrenalina também aumentam.

    É por isso que muitas pessoas sentem uma “explosão de energia” quase imediata. No entanto, o efeito é temporário e, depois de algumas horas, pode surgir uma espécie de efeito rebote — quando o corpo fica cansado, irritado e até mais sonolento do que antes.

    2. Quanto tempo dura o efeito de um energético no organismo?

    O efeito estimulante da cafeína pode durar entre 4 e 6 horas, dependendo do metabolismo de cada pessoa. Já a meia-vida da cafeína (isto é, tempo que o corpo leva para eliminar metade da substância) varia de 3 a 7 horas em adultos saudáveis. Isso significa que, se você tomar um energético no fim da tarde, ainda pode ter dificuldade para dormir à noite.

    Em pessoas mais sensíveis ou em gestantes, esse tempo de eliminação é ainda maior, podendo ultrapassar 10 horas.

    3. Beber energético todos os dias é perigoso?

    O consumo diário de energético aumenta o risco de sobrecarga no sistema cardiovascular e de efeitos adversos cumulativos. De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, quem bebe energéticos frequentemente pode desenvolver palpitações, arritmias e pressão alta.

    Além disso, o organismo pode criar tolerância, exigindo doses cada vez maiores para sentir os mesmos efeitos, o que potencializa os riscos.

    4. Qual é a diferença entre energético e isotônico?

    O isotônico é feito para repor sais minerais e líquidos perdidos durante a prática de exercícios, ajudando na hidratação. Já o energético contém substâncias estimulantes, como cafeína, taurina e guaraná, que têm como objetivo aumentar o estado de alerta e reduzir o cansaço. Ou seja, o isotônico hidrata, enquanto o energético estimula o organismo.

    5. Energético engorda?

    Muitos energéticos contêm altas quantidades de açúcar — algumas latas chegam a ultrapassar 30 gramas, o equivalente a 6 colheres de chá. Isso representa calorias extras que, se consumidas com frequência, podem contribuir para o ganho de peso.

    6. Existe energético sem cafeína?

    Algumas marcas lançaram versões “sem cafeína”, mas ainda assim contêm outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. Portanto, não são totalmente livres de riscos.

    7. Existe limite seguro de latas por dia?

    Depende da concentração de cafeína em cada produto. Em geral, o recomendado é não ultrapassar 400 mg de cafeína por dia em adultos saudáveis. Isso significa, na prática, no máximo duas latas médias, lembrando que café, chá e chocolate também somam na conta.

    Leia também: Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto

  • Sente zumbido no ouvido? Veja o que pode ser, causas e como tratar 

    Sente zumbido no ouvido? Veja o que pode ser, causas e como tratar 

    Você já ouviu um zumbido no ouvido? O sintoma é comum especialmente após shows, baladas e ambientes barulhentos, onde o som alto pode lesionar as células auditivas da cóclea, causando zumbido normalmente temporário.

    Segundo dados do Instituto Nacional de Surdez e outras Desordens de Comunicação (NIDCD), cerca de 10 a 15% da população mundial já apresentou algum grau de zumbido.

    O barulho interno pode se manifestar de formas diferentes: algumas pessoas descrevem como um chiado leve, outras como um apito contínuo ou até mesmo como o som de cigarras. Em muitos casos, ele é passageiro e não apresenta grandes riscos, mas quando se torna persistente ou surge de forma súbita e intensa, merece atenção de um médico.

    Para entender melhor o que pode estar por trás do sintoma e quando procurar atendimento, conversamos com o médico otorrinolaringologista Giuliano Bongiovanni e esclarecemos as principais dúvidas. Confira!

    O que é o zumbido no ouvido?

    O zumbido no ouvido é a percepção de um som que não vem de nenhuma fonte externa. Ele pode se manifestar de diferentes maneiras, como:

    • Apito constante ou intermitente;
    • Chiado parecido com o som de uma panela de pressão;
    • Estalos ritmados;
    • Som de batidas ou pulsações;
    • Ruído semelhante ao mar ou ao vento.

    O zumbido pode ser temporário, surgindo após exposição a ruídos altos, ou persistente, indicando algum problema mais sério no ouvido ou no organismo.

    Vale ressaltar que o zumbido não é uma doença, mas um sintoma. Logo, entender a causa é importante para definir o tratamento adequado.

    O que pode ser o zumbido no ouvido?

    O zumbido pode ser causado por diversos fatores, desde condições auditivas até problemas de saúde geral. As principais incluem:

    • Exposição a sons altos: fones de ouvido em volume elevado, shows, baladas e ambientes barulhentos podem lesionar as células auditivas da cóclea, gerando zumbido temporário ou permanente;
    • Acúmulo de cera: o excesso de cerume pode obstruir o canal auditivo, causando sensação de ouvido tampado e zumbido;
    • Perda auditiva relacionada à idade: a presbiacusia, perda de audição natural do envelhecimento, é uma das principais responsáveis pelo surgimento de zumbido em idosos;
    • Doenças do ouvido interno: alterações como a doença de Ménière, otosclerose ou infecções podem provocar zumbido;
    • Problemas vasculares: o chamado zumbido pulsátil acontece quando há alterações na circulação sanguínea próxima ao ouvido e pode estar associado à hipertensão ou malformações vasculares;
    • Alterações na articulação temporomandibular (ATM): disfunções da mandíbula podem causar ruídos e zumbidos no ouvido;
    • Doenças metabólicas: diabetes, alterações da tireoide, colesterol elevado e hipertensão podem contribuir para o surgimento do sintoma;
    • Uso de medicamentos ototóxicos: alguns remédios, como antibióticos aminoglicosídeos, anti-inflamatórios e quimioterápicos, podem danificar o ouvido interno e causar zumbido.

    O estresse no dia a dia também pode piorar a forma como o paciente percebe o som, já que a relação psicológica com o sintoma intensifica o incômodo.

    Quando o zumbido no ouvido é preocupante?

    Nem sempre o zumbido no ouvido é sinal de algo grave. Segundo Giuliano, ele pode aparecer depois de festas ou shows com som alto e desaparecer em poucas horas ou após uma noite de sono.

    Porém, alguns sinais servem de alerta, como:

    • Zumbido súbito e intenso em apenas um ouvido;
    • Zumbido acompanhado de perda auditiva repentina;
    • Presença de tontura, vertigem ou desequilíbrio junto ao sintoma;
    • Barulho persistente que interfere no sono e na qualidade de vida.

    O zumbido crônico está presente em 6 a 20% dos adultos e pode afetar seriamente a saúde mental e o bem-estar do paciente se não for investigado. Por isso, no surgimento de qualquer um dos sintomas, procure atendimento médico.

    Diagnóstico do zumbido no ouvido

    O diagnóstico de zumbido no ouvido é feito a partir da avaliação clínica, considerando a história do paciente, os sintomas e fatores de risco como exposição a barulho, doenças como hipertensão ou diabetes, uso de certos medicamentos e histórico familiar.

    De acordo com Giuliano, a audiometria é o exame principal no diagnóstico, já que a perda de audição é uma das causas mais comuns do zumbido. Ela avalia a capacidade auditiva em diferentes frequências e ajuda a identificar se há algum grau de deficiência auditiva associado.

    Em alguns casos, uma ressonância da orelha interna pode ser solicitada para avaliar possíveis alterações no nervo auditivo ou estruturas internas, como tumores ou inflamações.

    Como tratar o zumbido no ouvido?

    Na maioria das vezes, é difícil descobrir e tratar exatamente a causa do zumbido. Ainda assim, existem algumas abordagens que podem reduzir a intensidade do sintoma e melhorar a qualidade de vida do paciente, como:

    Uso de remédios para zumbido no ouvido

    Alguns remédios podem ajudar a reduzir o zumbido, como o clonazepam, por exemplo, que diminui a atividade do nervo auditivo e pode deixar o zumbido menos intenso.

    Já o ginkgo biloba melhora a circulação de sangue na orelha interna, o que também pode trazer alívio, de acordo com Giuliano. Contudo, lembre-se que nenhum remédio deve ser tomado sem a orientação de um médico.

    Terapias sonoras

    As terapias sonoras usam sons externos para mascarar o zumbido — e isso faz o cérebro prestar menos atenção ao barulho interno e, com o tempo, pode reduzir a percepção do sintoma. Muitas pessoas relatam melhora quando convivem com o zumbido de forma crônica.

    Fisioterapia e relaxamento

    Se o zumbido vem de tensões nos músculos do pescoço ou da mandíbula, a fisioterapia pode ajudar a aliviar essas contraturas, com exercícios e técnicas de alongamento. O uso de relaxantes musculares também pode ser indicado nesses casos.

    Acupuntura e terapias complementares

    A acupuntura atua equilibrando fluxos de energia do corpo e, segundo alguns estudos, pode ajudar a reduzir a percepção do zumbido. Além dela, terapias alternativas como a meditação, a yoga e práticas voltadas ao controle do estresse também podem ajudar a diminuir o sintoma.

    Controle de doenças associadas

    Em alguns casos, o zumbido surge como consequência de doenças metabólicas ou cardiovasculares, como diabetes e hipertensão. Manter as condições sob controle, junto a hábitos saudáveis e consultas regulares, ajuda a reduzir a frequência e a intensidade do sintoma.

    Como prevenir o zumbido no ouvido?

    A melhor maneira de prevenir o zumbido no ouvido é cuidar da saúde auditiva no dia a dia. Isso envolve atenção a hábitos de escuta, ao ambiente e até ao estilo de vida, como:

    • Evitar sons muito altos, como em shows, boates e festas com som elevado;
    • Cuidar do volume dos fones de ouvido — o ideal é não ultrapassar 60% da potência máxima e limitar o uso contínuo a menos de 60 minutos por vez (regra dos 60/60);
    • Usar protetores auriculares em ambientes barulhentos, como obras, fábricas, aeroportos ou locais com ruído intenso;
    • Manter controle de doenças metabólicas, como hipertensão, diabetes e colesterol alto;
    • Evitar consumo excessivo de cafeína, álcool e nicotina;
    • Controlar o estresse com técnicas de relaxamento, sono adequado e atividades físicas;
    • Procurar atendimento precoce em casos suspeitos, se o zumbido surgir de forma súbita, for unilateral ou vier acompanhado de tontura e perda auditiva.

    Confira: Tipos de sinusite: veja as diferenças entre viral, bacteriana e fúngica

    Perguntas frequentes sobre zumbido no ouvido

    1. Quais alimentos podem piorar o zumbido no ouvido?

    Alguns alimentos e substâncias, especialmente quando em excesso, podem intensificar o barulho, como cafeína, bebidas alcoólicas, nicotina e alimentos muito industrializados. Já uma dieta equilibrada, com boa hidratação e consumo moderado de estimulantes, ajuda a controlar o sintoma.

    2. O zumbido no ouvido pode sumir sozinho?

    Em muitos casos, sim. Quando o zumbido é causado por exposição temporária a sons altos ou por fatores passageiros, como cansaço extremo, ele tende a desaparecer em poucas horas ou dias. Mas, se persistir, deve ser investigado por um médico.

    3. Crianças podem ter zumbido?

    O zumbido é mais comum em adultos e idosos, mas pode ocorrer em crianças por infecções, acúmulo de cera, problemas auditivos ou emocionais. É importante procurar um especialista para investigar.

    4. Zumbido no ouvido pode ser emocional?

    O fator emocional influencia na percepção do sintoma. Ansiedade, estresse e depressão podem agravar o incômodo, pois o cérebro foca no barulho interno e aumenta a sensação de desconforto. Embora nem sempre seja a causa, o estado psicológico pode piorar o quadro.

    5. Zumbido pode ser causado por acúmulo de cera?

    Sim. O excesso de cera pode dificultar a propagação do som e gerar ruídos internos. A remoção feita por um profissional costuma resolver o problema, mas nunca use hastes flexíveis, pois podem empurrar a cera e agravar a situação.

    Leia mais: Sinusite: o que é, causas, sintomas e como tratar

  • Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

    Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

    O delivery se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros. Seja pela praticidade, pela falta de tempo para cozinhar ou pelo aumento da oferta de restaurantes nos aplicativos, pedir comida pronta é uma realidade cada vez mais frequente. Mas surge uma questão importante: é possível manter uma alimentação equilibrada quando se recorre ao delivery com frequência?

    De acordo com a nutricionista Hagata Ramos, a resposta é sim, desde que haja atenção e planejamento. “Hoje muitos restaurantes oferecem opções saudáveis, o problema é que normalmente não são muito acessíveis”, ressalta.

    A seguir, mostramos como identificar escolhas mais adequadas, quais preparações evitar para um delivery saudável e de que forma montar pedidos equilibrados mesmo em refeições fora de casa.

    Como manter uma alimentação equilibrada com delivery frequente?

    Ao contrário da ideia de que pedir comida pronta é sinônimo de exagero, existem caminhos para manter uma rotina saudável. A chave está em escolher com consciência. Segundo Hagata, o delivery pode ser adaptado: é possível montar refeições completas e nutritivas se o consumidor souber analisar o cardápio.

    Ela explica que escolher bem começa pelo olhar crítico sobre a composição dos pratos, como “dar preferência a pratos com legumes, proteínas grelhadas, arroz integral e opções assadas ou cozidas em vez de frituras”.

    Para ela, a análise não deve se restringir apenas ao título “fit” ou “saudável” destacado nos aplicativos. É preciso checar os acompanhamentos, os molhos usados, o tipo de preparo e a variedade de grupos alimentares incluídos se a ideia é buscar um delivery saudável.

    “Pratos fit”: cuidado com os detalhes e saiba o que evitar

    Nos aplicativos, muitos restaurantes criaram linhas de pratos fit para atender à demanda de consumidores preocupados com a saúde. Mas nem sempre a promessa corresponde à realidade.

    “Temos que nos atentar à composição. Na lista de ingredientes devem constar alimentos que você reconhece como comida e de preferência sem aditivos, excesso de sódio, corantes e conservantes”.

    Nesse momento, é importante dar atenção aos detalhes da escolha:

    • Leia a lista de ingredientes: desconfie de nomes técnicos ou aditivos artificiais;
    • Observe o sódio: pratos industrializados ou prontos muitas vezes têm excesso de sal;
    • Evite conservantes e corantes: quanto mais natural, melhor para a saúde;
    • Priorize alimentos reconhecíveis: grãos, legumes, proteínas magras e preparações simples.

    “Se é uma pessoa que pede delivery com frequência, também é melhor evitar frituras, molhos muito cremosos, pratos com excesso de queijo, embutidos e alimentos muito processados”, reforça a nutricionista.

    O que não pode faltar em um delivery saudável e completo

    Para transformar o delivery em um aliado, alguns grupos alimentares são indispensáveis. A nutricionista sugere focar nesses grupos alimentares e opções listadas a seguir:

    • Proteína: frango, peixe, carne magra ou leguminosas (feijão, grão-de-bico, soja);
    • Vegetais: salada fresca ou legumes assados/cozidos;
    • Carboidrato: arroz integral, quinoa, batata, purês ou massas integrais.

    Ou seja, o segredo está em buscar variedade, respeitando a tríade proteína + vegetais + carboidrato. Isso garante saciedade, equilíbrio nutricional e energia ao longo do dia.

    Outro ponto de atenção são as bebidas. A substituição do refrigerante por sucos naturais já é um grande avanço, mas é preciso atenção. “Quem busca restrição calórica deve optar por sucos com mais água, como maracujá e acerola. O suco de laranja geralmente não é diluído em água e vai ser mais calórico”.

    Veja mais: Deficiências nutricionais em adultos: aprenda a identificar sinais no dia a dia e prevenir riscos

    Self-service x delivery: diferenças na montagem do prato

    Em restaurantes self-service há maior controle sobre as escolhas e a quantidade de cada alimento. Já no delivery, esse processo é limitado. “No delivery recebemos uma quantidade média, que temos que adaptar para a nossa necessidade”, explica Hagata.

    Isso significa que, no delivery, é ainda mais importante avaliar porções, observar o nível de saciedade e não consumir tudo apenas por estar no prato.

    “É comum pacientes que não têm uma boa noção de fome e saciedade e que, ao optarem por pratos prontos, acabam exagerando”.

    Com escolhas inteligentes, é possível manter uma alimentação equilibrada, mesmo em uma rotina corrida. Como ressalta Hagata, o segredo é adaptar as opções disponíveis, respeitar os sinais do corpo e não abrir mão do planejamento alimentar.

    Veja mais: 10 alimentos ricos em fibras para regular o intestino

    Perguntas e respostas sobre delivery saudável

    1. É possível manter uma alimentação equilibrada pedindo delivery com frequência?

    Sim. Com planejamento e atenção ao cardápio, é possível montar refeições completas e saudáveis, escolhendo preparações mais naturais e nutritivas.

    2. O que observar no cardápio para escolher melhor?

    Prefira pratos com legumes, proteínas grelhadas, arroz integral e opções assadas ou cozidas em vez de frituras.

    3. “Pratos fit” nos aplicativos são sempre saudáveis?

    Não. É preciso olhar os ingredientes: evitar excesso de sódio, conservantes, corantes e dar preferência a alimentos reconhecíveis, como grãos, legumes e proteínas magras.

    4. Quais preparações devem ser evitadas no delivery?

    Frituras, molhos muito cremosos, pratos com excesso de queijo, embutidos e alimentos muito processados.

    5. O que não pode faltar em um delivery saudável?

    A tríade proteína + vegetais + carboidrato. Exemplos: frango ou peixe, salada ou legumes e arroz integral ou batata.

    6. Bebidas também fazem diferença?

    Sim. Substituir refrigerantes por sucos naturais é melhor, mas, se tiver em restrição de calorias, é importante escolher sucos com mais água, como maracujá e acerola, e ter cautela com o de laranja, que é mais calórico.

    7. Quais as diferenças entre montar um prato no self-service e pedir delivery?

    No self-service há mais liberdade para ajustar porções e combinações. Já no delivery, a quantidade vem pré-definida, o que exige atenção aos sinais de fome e saciedade para evitar exageros.

    Confira: Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

  • Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    O infarto agudo do miocárdio continua sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo: estima-se que, apenas em território brasileiro, mais de 300 mil pessoas sejam acometidas todos os anos. Sendo uma emergência grave, a forma como se age nos primeiros minutos pode definir se o paciente terá sequelas ou mesmo se sobreviverá.

    O problema é que, diante do susto e da falta de informação quando se suspeita de infarto, muitas pessoas cometem erros graves, como ignorar sintomas, tomar medicamentos por conta própria ou tentar dirigir até o hospital. Essas atitudes, em vez de ajudar, aumentam o risco de complicações fatais.

    Para esclarecer quais comportamentos evitar e quais ações tomar imediatamente, ouvimos a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, que reforça: “Diante de uma suspeita de infarto, agir rápido e corretamente faz toda a diferença para o prognóstico”.

    Suspeita de infarto: por que agir rápido pode salvar o coração

    O infarto ocorre quando há obstrução em uma ou mais artérias coronárias, que levam oxigênio ao coração. Sem esse suprimento, o músculo cardíaco começa a morrer em questão de minutos.

    “O maior erro é achar que os sintomas, como dor no peito, falta de ar e suor frio, vão passar sozinhos. O tempo é crucial durante um infarto. Quanto mais tempo o músculo do coração fica sem oxigênio, maior é o dano. Não espere para ver se melhora”, alerta Edilza.

    Estudos mostram que a mortalidade em casos de infarto agudo do miocárdio pode ser reduzida em até 47% quando o atendimento médico ocorre na primeira hora após o início dos sintomas, conhecida como “hora de ouro”.

    Erros mais comuns em uma suspeita de infarto

    A reação imediata de quem presencia um quadro suspeito de infarto é determinante. No entanto, segundo a especialista, ainda existem condutas equivocadas que atrasam o socorro e comprometem a recuperação.

    Entre os principais erros estão:

    • Ignorar os sintomas: muitas pessoas acreditam que a dor no peito é apenas “gastrite” ou “ansiedade”. Esse atraso pode ser fatal;
    • Tomar medicamentos sem orientação médica: “Nunca tome analgésicos, anti-inflamatórios ou qualquer outro remédio por conta própria. Alguns podem piorar o quadro, além de mascarar os sintomas”, destaca a cardiologista;
    • Dirigir até o hospital: o paciente pode perder a consciência no caminho e provocar um acidente;
    • Fazer esforço físico: andar rápido ou subir escadas só aumenta a necessidade de oxigênio do coração, já em sofrimento;
    • Oferecer comida ou bebida: qualquer ingestão pode atrapalhar, pois o paciente pode precisar de procedimentos imediatos, como cateterismo ou cirurgia de emergência.

    “Na suspeita de infarto, o ideal é sempre chamar o SAMU (192) ou o corpo de bombeiros para que o atendimento comece o mais rápido possível, ainda no local”, fala a cardiologista.

    Leia também: Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e tratamento

    O que fazer corretamente diante de suspeita de infarto

    Se os erros podem ser fatais, as ações corretas podem salvar uma vida. O protocolo básico recomendado por especialistas é claro:

    • Ligue imediatamente para o SAMU (192): esse deve ser sempre o primeiro passo. As equipes estão preparadas para iniciar o atendimento no local;
    • Mantenha a calma: tanto para o paciente quanto para quem ajuda, reduzir a ansiedade evita sobrecarga do coração;
    • Ajuste a posição: coloque a pessoa em uma posição confortável, de preferência sentada, com as costas apoiadas, para facilitar a respiração;
    • Deixe a equipe trabalhar: ao chegar, os socorristas precisam de espaço e objetividade nas informações.

    Lembre-se: quanto mais rápido o socorro especializado for acionado e iniciado, maiores são as chances de recuperação e de evitar sequelas. Por isso, reconhecer os sinais, agir com calma e chamar ajuda imediatamente são atitudes que podem salvar uma vida.

    Sintomas de infarto: típicos e atípicos

    O sintoma de infarto clássico é a dor no peito forte, descrita como pressão ou aperto, que pode irradiar para o braço esquerdo, costas, mandíbula ou estômago. Mas nem sempre o quadro é tão evidente. Mulheres, idosos e diabéticos podem apresentar sintomas de infarto mais discretos, como:

    • Falta de ar sem dor no peito;
    • Queimação no estômago;
    • Náusea ou vômito;
    • Fraqueza súbita ou tontura;
    • Suor frio sem esforço físico.

    Por isso, é essencial estar atento a qualquer mudança súbita no estado de saúde, mesmo que os sintomas pareçam “menos intensos”. Isso também reforça a importância dos exames de rotina, especialmente o ecocardiograma e o teste ergométrico, para identificar riscos e prevenir complicações.

    Confira: Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    Prevenção de infarto: como reduzir o risco?

    Agir corretamente diante de uma suspeita de infarto é fundamental, mas prevenir continua sendo a melhor estratégia. Fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo, aumentam exponencialmente as chances de infarto.

    Medidas preventivas incluem:

    • Manter alimentação balanceada, rica em vegetais e pobre em ultraprocessados;
    • Praticar atividade física regular;
    • Controlar peso corporal;
    • Abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool;
    • Realizar check-ups médicos periódicos.

    Essas ações não eliminam totalmente o risco, mas reduzem de forma significativa a probabilidade de um evento grave.

    Leia também: Cateterismo cardíaco: o que é, para que serve e como é feito

    Perguntas e respostas sobre suspeita de infarto

    1. Por que agir rápido em uma suspeita de infarto é tão importante?

    Porque o músculo do coração começa a morrer em minutos sem oxigênio. Atuar na chamada “hora de ouro” pode reduzir a mortalidade em quase 50%.

    2. Quais são os erros mais comuns que as pessoas cometem?

    Ignorar sintomas, tomar medicamentos por conta própria, tentar dirigir até o hospital, fazer esforço físico e oferecer comida ou bebida ao paciente.

    3. O que deve ser feito imediatamente?

    Chamar o SAMU (192), manter a calma, colocar a pessoa em posição confortável e deixar a equipe de socorro atuar sem interferências.

    4. Quais são os principais sintomas típicos de infarto?

    Dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braço, mandíbula, costas ou estômago, geralmente acompanhada de suor frio e falta de ar.

    5. E quais são os sintomas atípicos que também merecem atenção?

    Queimação no estômago, náusea, vômito, tontura, fraqueza súbita e falta de ar sem dor no peito — mais comuns em mulheres, idosos e diabéticos.

    6. O que pode ser feito para prevenir o infarto?

    Adotar hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, exercícios regulares, controle do peso, abandonar o cigarro, reduzir álcool e manter consultas médicas periódicas.

    Confira: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

  • DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Com eficácia comparada à laqueadura, o DIU de cobre é um método contraceptivo de longa duração, que pode prevenir uma gravidez por até 10 anos. Por não conter hormônios, ele pode ser utilizado pela maioria das pessoas — inclusive aquelas que têm condições de saúde que contraindicam o uso de hormônios.

    Para entender como ele funciona, quando é indicado e as vantagens e desvantagens do método, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira, a seguir!

    O que é e como funciona o DIU de cobre?

    O DIU de cobre, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno objeto em formato de T, feito de plástico flexível e revestido por fios ou anéis de cobre. Ele é colocado dentro do útero por um profissional de saúde em um procedimento rápido, geralmente realizado no consultório.

    Assim como o DIU hormonal, o DIU de cobre não impede a ovulação, mas a pessoa não engravida porque as condições para fecundação e implantação não acontecem. O mecanismo de ação do dispositivo é o seguinte:

    • O cobre libera íons que criam um ambiente inflamatório controlado no útero, tornando-o hostil para os espermatozoides;
    • A inflamação impede que os espermatozoides sobrevivam tempo suficiente para chegar até o óvulo;
    • O muco cervical também fica mais hostil, dificultando ainda mais a mobilidade dos espermatozoides;
    • Além disso, caso ocorra fecundação, o endométrio (camada interna do útero) fica impróprio para a implantação do embrião.

    A duração do DIU varia de acordo com o modelo, podendo durar de 5 a 10 anos. Isso significa que não é necessário o controle diário com anticoncepcionais, e se a pessoa decidir engravidar, basta retirar o dispositivo — a fertilidade retorna rapidamente.

    Vale apontar que o DIU de cobre não é abortivo. Ele simplesmente dificulta que espermatozoides encontrem o óvulo e que um possível embrião se implante.

    Como é feita a colocação do DIU de cobre?

    A colocação do DIU de cobre é um procedimento simples, rápido e realizado no consultório do ginecologista.

    Durante o procedimento, a mulher fica deitada na posição ginecológica, e o médico utiliza um espéculo para visualizar o colo do útero. A região é higienizada e a cavidade uterina é medida para garantir que o DIU será posicionado corretamente.

    Depois, o dispositivo é introduzido cuidadosamente pelo colo do útero até o interior da cavidade uterina. Quando o DIU é liberado, ele se abre em formato de T e permanece ali, oferecendo proteção contraceptiva imediata.

    Ao final, ficam apenas dois fios finos no colo do útero, que servem para verificar se o dispositivo está no lugar e facilitar a retirada no futuro.

    Algumas mulheres podem sentir cólica ou desconforto durante a inserção, mas os sintomas normalmente são leves e passageiros. Após o procedimento, a recomendação é evitar relações sexuais e o uso de absorvente interno por alguns dias, além de retornar ao médico para acompanhamento.

    E a remoção?

    A remoção do DIU de cobre também é rápida e feita em consultório, sem necessidade de anestesia. O médico localiza os fios no colo do útero e puxa suavemente o dispositivo, que sai em poucos segundos. A mulher pode sentir apenas uma cólica leve e passageira.

    O DIU pode ser retirado a qualquer momento, seja porque terminou o prazo de validade, por desejo de engravidar ou por troca de método. A fertilidade retorna logo após a remoção, permitindo a gestação já no ciclo seguinte.

    Cuidados após a colocação do DIU de cobre

    Para reduzir quaisquer riscos de complicações, logo após a inserção, Andreia aponta que o recomendado é realizar um ultrassom para confirmar a posição correta do DIU.

    No primeiro ano, o ideal é repetir o exame a cada seis meses e, a partir do segundo ano, fazer a checagem anualmente ou sempre que houver sintomas como dor intensa ou sangramento anormal.

    Quando o DIU de cobre é indicado?

    O DIU de cobre é indicado especialmente para pessoas que desejam um método contraceptivo de longa duração. De acordo com Andreia, por não ter hormônio, o dispositivo pode ser utilizado pela maioria das pacientes — inclusive aquelas que têm doenças que contraindicam hormônios.

    O dispositivo pode ser inserido logo após o parto ou após um aborto, desde que não haja contraindicações específicas. Ele também é uma opção acessível, já que está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    De acordo com o Ministério da Saúde, o DIU de cobre pode ser usado até como contracepção de emergência, desde que seja colocado em até 5 dias após uma relação sexual desprotegida. Isso o torna mais eficaz que a pílula do dia seguinte, com a vantagem de continuar protegendo por anos.

    Vantagens do DIU de cobre

    • Tem eficácia superior a 99% e pode durar de 5 a 10 anos;
    • Não contém hormônios, não altera o ciclo menstrual, não engorda e não interfere na libido;
    • A fertilidade retorna imediatamente após a retirada;
    • Pode ser usado por mulheres com contraindicação de hormônios;
    • Está disponível gratuitamente pelo SUS;
    • Também pode ser usado como contracepção de emergência se colocado até 5 dias após a relação.

    Desvantagens do DIU de cobre

    Uma das principais desvantagens do DIU de cobre, de acordo com Andreia, é o aumento do fluxo menstrual e das cólicas. Como ele provoca uma reação inflamatória no útero, o fluxo tende a aumentar e, em mulheres que já têm cólicas, as dores podem se intensificar.

    Além disso, outras desvantagens devem ser consideradas, como:

    • O ciclo pode se prolongar, em alguns casos levando à anemia;
    • Existe maior risco relativo de infecção uterina;
    • Há chance rara de gravidez ectópica;
    • Pode ser expulso espontaneamente, sobretudo no primeiro ano.

    Outra complicação possível que Andreia destaca, e vale para todos os DIUs, é a perfuração uterina. Isso acontece quando o dispositivo atravessa a parede do útero e migra para a cavidade abdominal. O risco é baixo, mas requer atenção.

    Leia mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Possíveis efeitos colaterais

    • Sangramento irregular nos primeiros ciclos;
    • Menstruações mais longas e volumosas;
    • Cólicas menstruais mais fortes;
    • Corrimento ou desconforto leve (geralmente passageiro).

    Essas alterações são comuns nos primeiros meses, mas tendem a melhorar entre 3 e 6 meses. Se houver febre, dor intensa ou sangramento muito forte, é importante procurar atendimento médico.

    Quais as contraindicações do DIU de cobre?

    Apesar de ser seguro e indicado para a maioria das mulheres, o DIU de cobre não é recomendado em algumas situações específicas. Entre as contraindicações absolutas, estão:

    • Gravidez confirmada ou suspeita;
    • Câncer de colo do útero ou de endométrio;
    • Infecções genitais ativas;
    • Malformações uterinas que impeçam a colocação do DIU;
    • Alergia ao cobre;
    • Sangramentos uterinos de origem desconhecida.

    Já as contraindicações relativas incluem:

    • Doenças de coagulação;
    • Doenças relacionadas ao HIV em estágio avançado;
    • Histórico de doença trofoblástica gestacional.

    Confira: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre DIU de cobre

    1. O DIU de cobre é abortivo?

    Não. Ele age antes da fecundação e é classificado pela OMS como método não abortivo.

    2. O DIU de cobre altera o ciclo menstrual?

    Sim, pode aumentar o fluxo e a duração da menstruação. Em alguns casos, pode causar anemia.

    3. O DIU de cobre dói para colocar?

    Pode causar cólicas leves ou moderadas, mas geralmente passageiras.

    4. Qual é a eficácia do DIU de cobre?

    Tem eficácia superior a 99%, comparável à laqueadura, mas é reversível.

    5. Quanto custa o DIU de cobre?

    É gratuito pelo SUS. Na rede privada, custa de R$150 a R$600 com o procedimento incluso.

    6. DIU de cobre engorda?

    Não. Por não conter hormônios, não afeta o peso nem o metabolismo.

    7. O DIU de cobre pode sair sozinho?

    Raramente, e costuma ocorrer no primeiro ano de uso. É importante acompanhamento médico.

    8. O DIU de cobre pode ser usado no pós-parto?

    Sim, pode ser colocado logo após o parto, desde que não haja infecção ou complicações.

    Leia também: Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

  • Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Comum em bebês, especialmente os que nascem prematuros, a criptorquidia é uma condição em que um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal. Ela pode se resolver espontaneamente, ocorrendo a decida testicular até o 6º mês após o nascimento. Se a partir dessa data não se confirmar a decida testicular, há a indicação de tratamento cirúrgico.

    “É uma das mais comuns alterações da genitália masculinas identificadas, acometendo cerca de 1 a 4% dos meninos nascidos de gestação a termo e até 40% dos meninos nascidos prematuros”, explica a urologista pediátrica Veridiana Andrioli.

    Esclarecemos, a seguir, as principais dúvidas sobre a condição, como ela é identificada e as medidas de tratamento.

    O que é criptorquidia?

    A criptorquidia, também chamada de criptorquidismo, é uma condição em que um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal (saco onde deveriam estar) durante o desenvolvimento do bebê.

    Normalmente, os testículos se formam dentro do abdômen e descem para a bolsa escrotal ainda na gestação. Quando isso não acontece, o menino nasce com o testículo “fora do lugar”, que pode estar na virilha, no abdômen ou em outra posição anormal.

    É um problema relativamente comum em recém-nascidos — especialmente em prematuros, e precisa ser acompanhado de perto por um médico, pois pode afetar a fertilidade no futuro e aumentar o risco de câncer de testículo se não for tratado.

    A criptorquidia pode afetar os dois testículos?

    Sim, a criptorquidia pode afetar os dois testículos. O tipo mais comum é o unilateral, em que apenas um testículo não desce para a bolsa escrotal — e representa de 75% a 90% dos casos. Já a bilateral, quando os dois testículos ficam fora da bolsa, é menos frequente, mas pode acontecer em até 25% dos meninos diagnosticados.

    Quais são as causas da criptorquidia?

    Não existe uma única causa para a descida dos testículos, que pode ser influenciada por fatores hormonais, anatômicos e genéticos. A Sociedade Brasileira de Pediatria aponta alguns fatores:

    • Alterações anatômicas: como ausência de musculatura abdominal ou defeitos no canal inguinal;
    • Deficiência hormonal: falhas na produção ou resposta a hormônios que estimulam a descida do testículo;
    • Fatores genéticos: mutações ou síndromes específicas que afetam o desenvolvimento reprodutivo.

    A criança pode desenvolver criptorquidia depois de nascer?

    Sim, a condição também pode surgir após o nascimento. Nesse caso, é chamado de testículo ascendente, em que o testículo estava normalmente na bolsa escrotal, mas “sobe” com o crescimento da criança.

    Ela acontece porque o cordão espermático não cresce na mesma proporção do corpo, puxando o testículo para cima ou mesmo por ficar limitado por uma cicatriz, como por exemplo uma hérnia corrigida precocemente.

    Quais são os fatores de risco para a criptorquidia?

    Algumas condições aumentam as chances de um bebê nascer com criptorquidia, como:

    • Histórico familiar de criptorquidismo;
    • Idade materna avançada;
    • Exposição a substâncias químicas na gravidez (como pesticidas, por exemplo);
    • Diabetes ou obesidade materna;
    • Apresentação pélvica no parto;
    • Síndromes genéticas e alterações cromossômicas;
    • Prematuridade ou baixo peso ao nascer;
    • Doenças hormonais;
    • Paralisia cerebral.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de criptorquidia é clínico, feito durante o exame físico, em que o pediatra ou urologista verifica a presença dos testículos na bolsa escrotal. Quando apenas um testículo não é palpável, pode ser sinal de que ele não desceu ou de que se atrofiou.

    “Se a partir do 6º mês de vida após o nascimento (idade que deve ser corrigida para quem nasceu prematuro) o testículo não estiver localizado na bolsa, já está indicada a cirurgia”, conta a médica.

    “No caso de testículos não palpáveis, realiza-se a cirurgia por videolaparoscopia, buscando uma localização inguinal alta ou mesmo intra abdominal desse testículo. Por vezes, há a identificação de um cordão testicular pouco desenvolvido, o que pode corresponder a um testículo que atrofiou ou não se formou durante a gestação”, diz.

    Se nenhum dos dois testículos for palpável, a avaliação deve ser feita logo após o nascimento, para descartar alterações no desenvolvimento sexual. Se não houver problema hormonal ou genético, a laparoscopia também ajuda a localizar os testículos no abdômen e permite a correção cirúrgica.

    De acordo com Veridiana, não há indicação de exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância, já que eles não conseguem confirmar a posição do testículo nem mudam a conduta médica.

    Quais são as opções de tratamento da criptorquidia?

    O tratamento da criptorquidia geralmente é feito com uma cirurgia chamada orquidopexia, que reposiciona o testículo dentro da bolsa escrotal. O ideal é que ela seja realizada ainda no primeiro ano de vida, a partir do 6º mês de vida depois do nascimento para aumentar as chances de preservação da fertilidade e reduzir riscos futuros, como câncer de testículo.

    Quando o testículo não é palpável, o médico pode usar a laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que ajuda a localizar e corrigir o problema.

    O uso de hormônios (como hCG ou análogos de LHRH) foi uma prática do passado, mas a urologista pediátrica Veridiana Andrioli aponta que não é recomendado, pois apresenta baixa eficácia e não há comprovação de benefícios futuros para a fertilidade.

    Com qual idade a cirurgia deve ser feita?

    A cirurgia geralmente é indicada a partir do sexto mês, preferencialmente ainda no primeiro ano de vida, e não deve ser postergada além dos 18 meses. Quanto mais cedo for feita, maiores as chances de preservar a fertilidade e reduzir riscos futuros para a criança.

    Quando procurar um urologista pediátrico?

    Os pais devem procurar um urologista pediátrico sempre que houver dúvidas no exame físico, se o testículo não puder ser sentido ou se houver alterações no saco escrotal. Quando o bebê nasce sem o testículo na bolsa, a recomendação é marcar a consulta por volta dos 6 meses de idade para definir o tratamento.

    Criptorquidia pode se resolver sozinha?

    Sim! De acordo com Veridiana, em muitos casos, o testículo pode descer sozinho até o sexto mês de vida, considerando a idade corrigida em bebês prematuros. Se após esse período o testículo ainda não estiver na bolsa escrotal, a criança já tem indicação para avaliação cirúrgica.

    Quais os riscos da criptorquidia se não for tratada?

    • Infertilidade futura, devido ao comprometimento da função testicular;
    • Aumento do risco de câncer de testículo (mesmo após a cirurgia, o risco continua maior do que na população em geral);
    • Maior chance de torção ou trauma testicular;
    • Associação com hérnia inguinal;
    • Impactos psicológicos e de imagem corporal na adolescência.

    Confira: Fimose em crianças: quando é normal e quando a cirurgia é necessária

    Perguntas frequentes sobre criptorquidia

    1. A criptorquidia pode voltar depois do tratamento?

    Em alguns casos, pode acontecer de o testículo “subir” novamente após a cirurgia ou mesmo após ter descido sozinho nos primeiros meses de vida — e isso é chamado de testículo ascendente.

    Quando isso ocorre, a criança deve ser reavaliada pelo especialista, pois pode haver necessidade de uma nova cirurgia. Por isso, o acompanhamento médico ao longo da infância é tão importante, mesmo depois de a cirurgia já ter sido feita.

    2. Após a cirurgia, é preciso acompanhamento a longo prazo?

    Sim, o acompanhamento deve continuar mesmo após a correção. Durante a infância, o pediatra deve examinar regularmente os testículos e orientar os pais sobre sinais de alerta.

    Na adolescência, o jovem deve aprender a fazer o autoexame testicular para perceber nódulos ou mudanças cedo. Também é importante manter as consultas de rotina com o médico, pois quem teve criptorquidia tem mais risco de problemas no futuro.

    3. Crianças que tiveram criptorquidia têm mais risco de câncer de testículo?

    Sim, mesmo após a correção cirúrgica, homens que tiveram criptorquidia apresentam um risco maior de desenvolver câncer de testículo em comparação à população geral.

    No entanto, a cirurgia precoce reduz o risco e facilita a detecção de qualquer alteração, já que o testículo passa a estar em uma posição acessível para o autoexame. Por isso, o acompanhamento ao longo da vida é tão importante.

    4. Qual a diferença entre criptorquidia e anorquia?

    A criptorquidia é quando o testículo existe, mas não desceu para a bolsa escrotal. Já a anorquia é a ausência completa do testículo, ou seja, ele não chegou a se formar.

    O diagnóstico é importante porque, no caso da anorquia, não há como reposicionar o testículo por cirurgia. Em algumas situações, pode ser necessária a colocação de uma prótese testicular para fins estéticos e psicológicos na adolescência ou vida adulta.

    5. A criptorquidia pode causar dor?

    Na maior parte do tempo, a criptorquidia não causa dor e o bebê não sente desconforto por ter o testículo fora da bolsa.

    No entanto, a condição aumenta o risco de problemas dolorosos, como a torção testicular, quando o testículo se enrola no cordão espermático e causa dor forte, o que exige uma cirurgia imediata.

    6. Quais médicos tratam a criptorquidia?

    O diagnóstico inicial geralmente é feito pelo pediatra, que examina o bebê logo após o nascimento e durante as consultas de rotina. Caso haja suspeita de criptorquidia, a criança deve ser encaminhada ao urologista pediátrico ou ao cirurgião pediátrico, profissionais especializados no tratamento dessa condição.

    Em alguns casos, também pode ser necessária a avaliação de um endocrinologista pediátrico, especialmente se houver suspeita de alterações hormonais associadas.

    Leia também: Desfralde diurno: saiba a idade ideal para a criança controlar o xixi e quando procurar ajuda