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  • Sedentarismo faz mal ao coração? Veja em quanto tempo o risco aumenta

    Sedentarismo faz mal ao coração? Veja em quanto tempo o risco aumenta

    Apesar da praticidade, os dias atuais também aumentaram significativamente o tempo em que as pessoas permanecem paradas. A rotina com longas horas sentado no trabalho, nos estudos ou em frente a telas está diretamente ligada ao sedentarismo, que basicamente significa ficar tempo demais sem se mover.

    Isso faz o corpo gastar menos energia, o sangue circular mais devagar e o coração trabalhar com mais esforço — o que aumenta o risco de doenças cardíacas graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

    Mas afinal, como esse processo acontece e em quanto tempo? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares e reunimos as principais informações de como a falta de movimento afeta o coração e em quanto tempo os danos começam a aparecer.

    O que acontece com o coração quando o corpo permanece parado?

    A permanência prolongada em posição sentada ou deitada provoca uma redução imediata da atividade muscular. A contração dos músculos das pernas é muito importante para impulsionar o sangue de volta ao coração, de modo que, quando isso não acontece, a circulação fica lenta e o coração precisa bater mais forte para manter o sangue circulando.

    A falta de movimento também diminui o gasto de energia do corpo, o que favorece o acúmulo de gordura no sangue. Como consequência, ocorre o aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL), facilitando a formação de placas nas artérias e dificultando a circulação.

    Isso coloca o organismo em um estado de inflamação constante, alterando o funcionamento do coração e contribuindo para o endurecimento dos vasos sanguíneos.

    Devido a todos esses fatores, o corpo passa a receber menos oxigênio, a pressão arterial aumenta e as artérias envelhecem mais rapidamente. Para compensar a má circulação, o coração passa a bater mais vezes por minuto, aumentando o desgaste do músculo cardíaco.

    Por que o sedentarismo é tão prejudicial para o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a inatividade contribui para o aumento de peso e pode levar à obesidade, o que eleva o risco de doenças como diabetes tipo 2. Além disso, ela aumenta os níveis de colesterol, com redução do colesterol HDL e elevação do colesterol LDL, o que favorece a formação de placas nas artérias.

    A falta de movimento também está associada a um estado de inflamação crônica no organismo, aumentando o risco de problemas cardiovasculares. Para se ter uma ideia, um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC) apontou que passar mais de 10 horas por dia em comportamento sedentário pode aumentar significativamente o risco de insuficiência cardíaca e morte cardiovascular — mesmo entre pessoas que praticam exercícios regularmente.

    Quando o tempo parado começa a prejudicar o corpo?

    Quando a pessoa deixa de atingir a meta mínima recomendada de 150 minutos semanais de exercícios moderados, o corpo já começa a apresentar alterações negativas quase que imediatamente — na circulação, no funcionamento do coração e no metabolismo.

    A redução do estímulo físico faz com que o coração trabalhe com menor eficiência, diminuindo a capacidade de bombear sangue e distribuir oxigênio para os tecidos. Isso acontece mesmo em pessoas previamente saudáveis, indicando que o sistema cardiovascular depende do movimento contínuo para se manter em equilíbrio.

    Além disso, em termos de condicionamento físico, Juliana explica que é possível notar perda de capacidade cardiorrespiratória em poucas semanas — normalmente após uma ou duas semanas sem exercícios.

    Aliás, um estudo feito pela Universidade de Liverpool descobriu que apenas duas semanas de inatividade, mesmo em pessoas jovens e saudáveis, podem reduzir a massa muscular e causar alterações metabólicas que aumentam o risco de desenvolver doenças crônicas, como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e até morte prematura.

    Inatividade é perigosa mesmo para quem pratica atividades físicas

    O sedentarismo prolongado, que envolve passar muitas horas do dia sentado ou deitado, aumenta o risco de doenças cardiovasculares mesmo em pessoas que praticam atividades físicas regularmente. Isso porque o corpo precisa de movimento constante ao longo do dia para manter o funcionamento adequado do coração, do metabolismo e da circulação.

    Por isso, segundo Juliana, não adianta praticar uma hora de atividade física e passar o restante do dia em total inatividade. O ideal é fazer pequenas pausas durante o dia: levantar-se a cada 30 minutos, caminhar um pouco ou alongar-se já faz diferença para o organismo.

    Quanto de atividade física é recomendado?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos façam:

    • 150 a 300 minutos por semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada, como caminhadas rápidas, pedalar ou dançar;
    • ou 75 a 150 minutos semanais de atividade intensa, como corrida, HIIT ou esportes competitivos;

    A OMS também orienta incluir atividades de fortalecimento muscular, como musculação, pilates ou exercícios com peso corporal, em pelo menos dois dias da semana. Isso ajuda a proteger o coração, controlar o açúcar no sangue, fortalecer os ossos e prevenir doenças crônicas.

    Vale ressaltar que qualquer movimento conta: subir escadas, caminhar no trabalho, levantar-se com frequência e evitar longos períodos sentado também fazem parte da recomendação para manter o corpo saudável.

    Quem tem problemas cardíacos pode fazer atividades físicas?

    Na maioria dos casos, quem tem problemas cardíacos pode e deve fazer atividades físicas, desde que com orientação médica. O exercício regular é uma das principais formas de tratamento para melhorar a circulação, fortalecer o coração e reduzir o risco de novos eventos cardiovasculares.

    Juliana explica que o ideal é iniciar com atividades leves, em intensidade progressiva, com acompanhamento de um profissional de saúde e, preferencialmente, de um cardiologista.

    Quais os sinais de alerta do sedentarismo?

    Ficar por muito tempo sem se mover faz com que o corpo comece a apresentar sinais de que algo está errado, como:

    • Aumento da fadiga mesmo após atividades simples;
    • Sensação de pernas pesadas ou inchaço nos tornozelos;
    • Falta de ar ao subir poucos degraus;
    • Alterações no sono e dificuldade para descansar;
    • Palpitações cardíacas ou batimentos acelerados em repouso;
    • Ganho de peso mesmo com alimentação habitual;
    • Dores nas costas, rigidez muscular e perda de flexibilidade;
    • Queda de disposição mental, com dificuldade de concentração.

    A presença dos sintomas indica que o coração está trabalhando em excesso para suprir um corpo parado e metabolicamente lento. O organismo começa a operar em modo de economia de energia, reduzindo a circulação, acumulando gordura e limitando a entrega de oxigênio aos tecidos.

    Como reduzir o tempo parado no dia a dia?

    A redução do comportamento sedentário pode começar com algumas atitudes simples, como:

    • A cada 30 minutos sentado, levantar e caminhar por dois ou três minutos;
    • Utilizar escadas em vez de elevadores;
    • Levantar-se para atender telefonemas ou fazer reuniões em pé;
    • Estacionar o carro em vagas mais distantes para aumentar o tempo de caminhada;
    • Realizar alongamentos durante o expediente;
    • Fazer pequenas caminhadas após as refeições para estimular a digestão e a circulação;
    • Utilizar aplicativos ou alarmes para lembrar de se movimentar.

    Com o tempo, você pode incluir mais atividades na rotina, como caminhadas regulares ao ar livre, aulas de dança, hidroginástica, musculação leve ou bicicleta. O importante é começar com o que está ao seu alcance e manter a regularidade.

    Veja também: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna

    Perguntas frequentes sobre sedentarismo

    1. Caminhar só nos fins de semana é suficiente para evitar o sedentarismo?

    Em geral, realizar atividade física apenas em um ou dois dias da semana é melhor do que permanecer totalmente parado, mas não é o ideal para manter o coração saudável, pois o corpo precisa de estímulos contínuos. Quando a atividade ocorre apenas de forma pontual, os benefícios se perdem nos dias seguintes de inatividade.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda distribuir os minutos de exercício ao longo da semana justamente para manter o metabolismo ativo e reduzir o risco cardiovascular. Caminhadas regulares, mesmo curtas, feitas diariamente, são mais eficazes do que longas caminhadas apenas nos fins de semana.

    2. Sedentarismo engorda mesmo quando a pessoa se alimenta pouco?

    A falta de movimento reduz bastante o metabolismo, fazendo o corpo gastar menos calorias para manter as funções vitais. Logo, mesmo comendo pouco, o organismo passa a estocar gordura mais facilmente, principalmente na região abdominal.

    Além disso, o sedentarismo altera o equilíbrio hormonal, reduz a produção de substâncias que promovem a queima de gordura e aumenta a inflamação interna. Tudo isso facilita o ganho de peso.

    3. Quais são os primeiros sinais de que algo está errado com o coração?

    Os primeiros sinais costumam ser discretos, mas é importante ficar de olho em:

    • Falta de ar ao realizar atividades simples;
    • Cansaço excessivo;
    • Palpitações;
    • Dores ou pressão no peito;
    • Inchaço nas pernas e tornozelos;
    • Tontura;
    • Sensação de aperto no pescoço ou mandíbula.

    Os sintomas indicam que o coração está trabalhando com dificuldade para bombear o sangue.

    4. Quem tem hipertensão pode praticar atividade física?

    Quem tem hipertensão deve praticar atividade física, desde que com acompanhamento médico. Os movimentos regulares ajudam a controlar a pressão, aumentar a elasticidade das artérias e reduzir o uso de medicamentos. Os mais indicados são os exercícios aeróbicos, como caminhada e bicicleta. O sedentarismo, por outro lado, aumenta os níveis de pressão e sobrecarrega o coração.

    5. Qual é a melhor atividade para fortalecer o coração?

    As atividades aeróbicas, como caminhada rápida, corrida leve, natação, dança e pedalada, são as mais eficazes para fortalecer o coração, pois trabalham a respiração, aumentam a circulação de sangue e ajudam a reduzir a gordura nas artérias. O ideal é escolher algo que traga prazer, pois a constância é mais importante do que a intensidade.

    6. Atividades domésticas contam como exercício físico para o coração?

    Atividades como varrer, lavar, cuidar do jardim ou subir escadas ajudam a movimentar o corpo e evitar o sedentarismo. No entanto, para garantir proteção cardiovascular, é importante praticar exercícios estruturados, com tempo e intensidade suficientes para elevar levemente os batimentos cardíacos.

    Confira: 7 erros comuns que atrapalham a saúde do coração

  • O que você precisa saber sobre o seu tipo de sangue 

    O que você precisa saber sobre o seu tipo de sangue 

    Um simples exame pode fazer toda a diferença entre uma transfusão segura e uma reação grave: a tipagem sanguínea. Descoberto no início do século XX, o sistema ABO revolucionou a medicina ao mostrar que nem todo sangue é igual, e que misturar tipos incompatíveis pode ser perigoso.

    Mais do que uma informação de laboratório, o tipo sanguíneo é um dado vital. Ele orienta transfusões, cirurgias e até investigações genéticas e forenses. Conhecer o próprio tipo e entender como funciona a compatibilidade é uma forma de cuidar da saúde e ajudar a salvar vidas.

    O que são os grupos sanguíneos

    O sistema ABO divide o sangue em quatro tipos principais: A, B, AB e O. Essa classificação se baseia em duas substâncias:

    • Antígenos: presentes na superfície das hemácias (glóbulos vermelhos);
    • Anticorpos: que ficam no plasma (parte líquida do sangue).

    A combinação entre eles determina o tipo sanguíneo:

    Tipo de sangue Antígenos na hemácia Anticorpos no plasma
    A A Anti-B
    B B Anti-A
    AB A e B Nenhum
    O Nenhum Anti-A e Anti-B

    Esses anticorpos começam a ser produzidos por volta dos seis meses de idade. Por isso, recém-nascidos ainda não têm anticorpos próprios e precisam de atenção especial em transfusões.

    Como o tipo sanguíneo é determinado

    O tipo de sangue é herdado geneticamente dos pais. Cada pessoa recebe dois alelos, um do pai e outro da mãe, que podem ser IA, IB ou i.

    As combinações determinam o tipo sanguíneo:

    • Tipo A: IA + IA ou IA + i;
    • Tipo B: IB + IB ou IB + i;
    • Tipo AB: IA + IB;
    • Tipo O: i + i.

    Os alelos IA e IB são dominantes, enquanto o i é recessivo. Isso explica, por exemplo, como pais de tipos diferentes podem ter filhos com sangue distinto do deles.

    Por que é importante saber o tipo de sangue

    Antes de qualquer transfusão de sangue, é feita a tipagem sanguínea, que identifica o tipo e verifica a compatibilidade entre doador e receptor — uma medida essencial para evitar reações graves.

    O exame é feito com dois testes complementares:

    • Tipagem direta: identifica os antígenos nas hemácias;
    • Tipagem reversa: detecta os anticorpos presentes no plasma.

    Esse duplo controle garante segurança durante transfusões, cirurgias e emergências.

    Compatibilidade entre os tipos sanguíneos

    Em casos de urgência, saber quem pode doar para quem pode salvar vidas:

    Tipo de sangue Pode doar para Pode receber de
    O A, B, AB, O O
    A A, AB A, O
    B B, AB B, O
    AB AB A, B, AB, O

    O tipo O é chamado de doador universal, pois pode doar para todos. O tipo AB é o receptor universal, pois pode receber de qualquer tipo.

    Nos recém-nascidos com menos de 4 meses, há um cuidado especial: os anticorpos no sangue do bebê ainda vêm da mãe, por isso o tipo materno também é considerado nas transfusões.

    Relação com doenças e condições clínicas

    O tipo sanguíneo também está relacionado à saúde. Pesquisas mostram que certos tipos podem ter maior predisposição a doenças como tromboses, câncer, doenças cardíacas e infecções.

    Além disso, há situações de incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Quando os anticorpos maternos atacam as hemácias do feto, o bebê pode nascer com anemia e icterícia (pele amarelada). No caso do sistema ABO, essas reações costumam ser mais leves e tratáveis.

    Reações transfusionais

    Uma das complicações mais graves é a reação transfusional hemolítica, que ocorre quando o paciente recebe sangue incompatível. Os sintomas incluem:

    • Febre e calafrios;
    • Dor nas costas;
    • Urina escura;
    • Queda de pressão e insuficiência renal.

    Nessas situações, a transfusão deve ser imediatamente interrompida, e o sangue deve ser testado novamente para confirmar a compatibilidade.

    A importância do trabalho em equipe

    A segurança das transfusões depende do trabalho conjunto entre médicos, enfermeiros e profissionais do banco de sangue. Cada etapa — da coleta e análise até a aplicação — exige atenção rigorosa.

    Esse cuidado integrado garante que o paciente receba o sangue mais seguro e adequado, evitando complicações e salvando vidas todos os dias.

    Veja também: Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Perguntas frequentes sobre o sistema ABO

    1. O que é o sistema ABO?

    É a classificação dos tipos de sangue em A, B, AB e O, de acordo com os antígenos nas hemácias e os anticorpos no plasma.

    2. Como saber qual é o meu tipo de sangue?

    Através de um exame de tipagem sanguínea, feito em laboratórios ou bancos de sangue.

    3. Por que o sangue tipo O é considerado doador universal?

    Porque não possui antígenos A ou B, o que evita reações em receptores de outros tipos.

    4. O tipo sanguíneo pode mudar ao longo da vida?

    Não. O tipo é determinado geneticamente e permanece o mesmo.

    5. É perigoso receber sangue incompatível?

    Sim. Pode causar reações graves, com destruição das hemácias e risco de insuficiência renal.

    6. Qual tipo sanguíneo é mais raro?

    Depende da população, mas em geral o tipo AB negativo é o mais raro.

    7. O tipo sanguíneo influencia doenças?

    Alguns estudos mostram associação entre certos tipos e maior risco de trombose, úlceras ou doenças cardiovasculares.

    8. O que significa compatibilidade sanguínea?

    É a relação entre o tipo de sangue do doador e do receptor que garante transfusões seguras, sem reações adversas.

    Confira: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

  • Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite 

    Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite 

    Cansaço constante, irritabilidade e sensação de estar “no limite” são sinais que merecem atenção. A síndrome de Burnout, também chamada de esgotamento profissional, é uma condição emocional grave provocada pelo estresse prolongado e intenso relacionado ao trabalho.

    Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, ela não é apenas um estado de fadiga. O burnout representa o ponto em que o corpo e a mente não conseguem mais se recuperar, exigindo apoio psicológico e mudanças reais na rotina para evitar consequências sérias, como depressão e isolamento.

    O que é a síndrome de Burnout

    A síndrome de Burnout é um distúrbio emocional causado pelo estresse crônico no ambiente de trabalho. O termo vem do inglês burn out, que significa “queimar até o fim”, uma metáfora para o esgotamento físico e mental extremo.

    A pessoa afetada sente que não tem mais energia para lidar com as exigências do dia a dia e perde o prazer nas atividades que antes eram gratificantes.

    Quem pode ser afetado

    Embora qualquer pessoa possa desenvolver burnout, ele é mais frequente em profissionais sob pressão constante ou que trabalham diretamente com o público. Entre os mais afetados estão:

    • Profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos);
    • Professores;
    • Gestores e executivos;
    • Policiais e bombeiros;
    • Atendentes e profissionais de suporte ao cliente.

    Com o avanço da tecnologia e o trabalho remoto, tornou-se ainda mais difícil desconectar-se das demandas profissionais, o que aumenta o risco de esgotamento.

    Causas e fatores de risco

    Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome:

    • Desequilíbrio entre esforço e reconhecimento;
    • Jornadas longas e falta de pausas;
    • Ambientes competitivos e com cobranças excessivas;
    • Falta de apoio de chefes ou colegas;
    • Insegurança profissional;
    • Dificuldade em separar vida pessoal e profissional;
    • Perfeccionismo e autoexigência exagerada;
    • Sensação de não corresponder às expectativas.

    Esses fatores, quando persistentes, desgastam a capacidade de recuperação emocional e física do indivíduo.

    Principais sintomas

    O burnout afeta corpo e mente, gerando sintomas físicos, emocionais e comportamentais.

    Sintomas físicos

    • Cansaço extremo que não melhora com o descanso;
    • Dores de cabeça, musculares ou nas costas;
    • Problemas digestivos e dor abdominal;
    • Alterações no sono (insônia ou sono excessivo);
    • Pressão alta e palpitações.

    Sintomas emocionais e mentais

    • Irritabilidade e crises de ansiedade;
    • Sensação de fracasso, culpa ou impotência;
    • Falta de prazer no trabalho e nas atividades diárias;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Isolamento social e vontade de se afastar das pessoas.

    Consequências da síndrome de Burnout

    Sem tratamento, a síndrome de burnout pode evoluir para depressão, crises de pânico, dependência de substâncias e outras doenças mentais. O impacto vai além do trabalho, pois pode afetar relacionamentos, autoestima e qualidade de vida.

    O esgotamento também pode comprometer a saúde física, aumentar o risco de doenças cardiovasculares e provocar o afastamento das atividades por longos períodos.

    Diagnóstico da síndrome de Burnout

    O diagnóstico deve ser feito por profissionais de saúde mental, como psicólogos ou psiquiatras, com base nos sintomas e no histórico de exposição ao estresse profissional.

    Muitas pessoas não percebem que estão adoecendo e continuam tentando dar conta de tudo. O apoio de familiares e amigos, portanto, é importante para reconhecer os sinais e incentivar a busca por ajuda.

    Tratamento

    A recuperação da síndrome de burnout exige tempo, cuidado e mudanças de rotina. O tratamento pode incluir:

    • Psicoterapia, para identificar causas, reconhecer limites e desenvolver estratégias de enfrentamento;
    • Medicamentos, quando há sintomas de ansiedade, depressão ou distúrbios do sono;
    • Mudanças na rotina, com descanso adequado, lazer, exercícios físicos e hábitos saudáveis;
    • Apoio no ambiente de trabalho, com revisão de metas, redistribuição de tarefas e incentivo à comunicação aberta.

    Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas se recupera totalmente.

    Como prevenir

    A prevenção do burnout passa por autocuidado e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

    Medidas individuais

    • Estabelecer limites claros entre trabalho e descanso;
    • Fazer pausas regulares durante o dia;
    • Aprender a dizer não a demandas excessivas;
    • Manter atividade física, alimentação saudável e lazer;
    • Buscar apoio psicológico diante de sinais de sobrecarga.

    Medidas organizacionais

    As empresas também têm papel essencial na prevenção. Elas devem:

    • Promover ambientes saudáveis e colaborativos;
    • Incentivar diálogo e reconhecimento profissional;
    • Oferecer suporte emocional e programas de bem-estar.

    Confira: 7 dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Perguntas frequentes sobre a síndrome de Burnout

    1. O que é síndrome de burnout?

    É o esgotamento físico e emocional causado pelo estresse prolongado no trabalho.

    2. Quais são os primeiros sinais de burnout?

    Cansaço extremo, irritabilidade, insônia, desmotivação e sensação de incapacidade são os sintomas mais comuns.

    3. O burnout é considerado uma doença mental?

    A OMS o reconhece como um fenômeno ocupacional, mas ele pode levar a transtornos mentais se não for tratado.

    4. Qual profissional faz o diagnóstico?

    Psicólogos e psiquiatras são os profissionais indicados para avaliar e confirmar o quadro.

    5. O burnout tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado, descanso e mudança nas condições de trabalho, a recuperação é possível.

    6. Quais profissões correm mais risco?

    Profissionais da saúde, professores, gestores e atendentes estão entre os mais afetados.

    7. O que diferencia burnout de estresse comum?

    O estresse é uma resposta pontual a situações desafiadoras; o burnout é crônico e causa exaustão profunda e perda de motivação.

    8. Como prevenir o burnout?

    Estabelecer limites, cuidar da saúde física e emocional e buscar ajuda profissional diante dos primeiros sinais são as principais medidas preventivas.

    Leia mais: 7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse

  • Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato 

    Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato 

    Durante décadas, o sarampo foi considerado uma doença praticamente erradicada no Brasil. No entanto, a queda na cobertura vacinal nos últimos anos fez com que o vírus voltasse a circular e causasse novos surtos. Extremamente contagiosa, essa infecção viral pode provocar febre alta, manchas na pele e complicações graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas não vacinadas.

    Transmitido pelo ar e capaz de permanecer suspenso por horas, o sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas. A vacinação completa continua sendo a melhor forma de proteção — e também a principal maneira de evitar que o país volte a enfrentar grandes epidemias.

    O que é o sarampo

    O sarampo é uma doença infecciosa viral causada pelo paramixovírus, e se espalha facilmente pelo ar, através de gotículas expelidas ao tossir, falar ou espirrar. O vírus pode permanecer ativo no ambiente por várias horas, o que explica sua alta taxa de contágio.

    O período de incubação (tempo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas) varia de 8 a 12 dias. A pessoa infectada começa a transmitir o vírus cerca de dois dias antes dos primeiros sintomas e permanece contagiosa até quatro dias após o surgimento das manchas na pele.

    Sintomas e evolução da doença

    O sarampo apresenta um quadro clínico clássico, dividido em duas fases principais:

    Fase inicial (prodrômica)

    Dura de 3 a 4 dias e se assemelha a uma gripe forte, com:

    • Febre alta e progressiva, que atinge o pico no início do exantema;
    • Tosse seca e persistente;
    • Mal-estar, fraqueza e cansaço;
    • Dor de cabeça;
    • Coriza (nariz escorrendo);
    • Olhos vermelhos e sensíveis à luz (fotofobia).

    Um sinal característico nessa fase são as manchas de Koplik, pequenas manchas brancas e azuladas na parte interna das bochechas, consideradas um marcador típico da doença.

    Fase das manchas na pele (exantemática)

    Nesta etapa, surgem manchas avermelhadas e levemente elevadas (exantema morbiliforme), que:

    • Começam atrás das orelhas;
    • Espalham-se para rosto, pescoço, tronco, braços e pernas;
    • Podem se unir em algumas regiões;
    • Desaparecem após 3 a 4 dias, deixando a pele com manchas acastanhadas temporárias.

    Durante essa fase, o paciente costuma ter o pior estado geral, com febre alta, tosse forte e aspecto abatido.

    Complicações possíveis

    Embora seja conhecida como uma doença da infância, o sarampo pode causar complicações graves, especialmente em:

    • Crianças pequenas;
    • Gestantes;
    • Pessoas desnutridas;
    • Indivíduos com imunidade baixa.

    Complicações mais comuns

    • Otite média (infecção no ouvido);
    • Laringite e traqueobronquite;
    • Pneumonia viral ou bacteriana;
    • Diarreia intensa e desidratação;
    • Infecções oculares, podendo causar cegueira;
    • Encefalite (inflamação cerebral);
    • Panencefalite esclerosante subaguda — que aparece anos depois e causa deterioração progressiva do sistema nervoso.

    Diagnóstico

    O diagnóstico pode ser clínico, com base nos sintomas e sinais característicos. No entanto, recomenda-se confirmação laboratorial por meio de:

    • Exame de sangue (sorologia) para detecção de anticorpos IgM;
    • Teste de PCR, que identifica o material genético do vírus.

    Esses exames são importantes para confirmar o diagnóstico e monitorar surtos da doença.

    Tratamento

    Não existe um tratamento específico contra o vírus do sarampo. O cuidado é feito com medicações para alívio dos sintomas, repouso e hidratação.

    • Uso de antitérmicos e analgésicos, conforme orientação médica;
    • Vitamina A (palmitato de retinol), recomendada pela OMS para reduzir complicações, morbidade e mortalidade da doença.

    O acompanhamento médico é essencial, especialmente em crianças pequenas, para evitar desidratação e infecções secundárias.

    Situação atual

    O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Contudo, o vírus voltou a circular nos últimos anos devido à redução das taxas de vacinação.

    Durante a pandemia de covid-19, houve queda temporária nos casos, consequência do isolamento social. Mas, com o retorno da circulação de pessoas, os números voltaram a subir.

    Em abril de 2025, foram registrados 2.325 casos confirmados nas Américas, com quatro mortes — um aumento de 11 vezes em relação ao mesmo período de 2024.

    Diante disso, o Ministério da Saúde reintroduziu a dose zero (D0) da vacina contra sarampo em locais de maior risco, reforçando a importância da imunização.

    Prevenção

    A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo. A vacina contém vírus vivo atenuado e é aplicada da seguinte forma:

    • 1ª dose: aos 12 meses (tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola);
    • 2ª dose: aos 15 meses (tetraviral – sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

    Dose zero (D0)

    Devido ao aumento de casos, foi instituída uma dose adicional para crianças de 6 meses residentes em áreas de maior risco, como:

    • Roraima e Amapá;
    • Região Metropolitana de Belém e de São Paulo;
    • Municípios de fronteira e da Região Sul.

    Essa dose oferece proteção temporária, mas não substitui as doses do calendário regular.

    Cuidados com pessoas expostas ao vírus

    Quem teve contato com alguém com sarampo e não foi vacinado nem teve a doença deve seguir estas orientações:

    • Até 72 horas após a exposição: aplicar a vacina contra o sarampo;
    • Entre 3 e 6 dias após o contato: aplicar imunoglobulina humana, que oferece proteção temporária.

    Durante o período de contágio, recomenda-se isolamento respiratório, com uso de máscara, por pelo menos 4 dias após o início das manchas.

    Veja também: Escarlatina: uma infecção antiga que ainda exige atenção hoje

    Perguntas frequentes sobre sarampo

    1. O que é o sarampo?

    É uma infecção viral altamente contagiosa que provoca febre alta, manchas vermelhas na pele e pode causar complicações graves.

    2. Como o sarampo é transmitido?

    Pelo ar, através de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. O vírus pode permanecer suspenso por horas.

    3. Quais são os primeiros sintomas do sarampo?

    Febre alta, tosse seca, coriza, olhos vermelhos e pequenas manchas brancas na mucosa da boca (manchas de Koplik).

    4. Quando surgem as manchas na pele?

    Geralmente após 3 a 4 dias dos sintomas iniciais, começando atrás das orelhas e se espalhando pelo corpo.

    5. Existe tratamento para o sarampo?

    Não há tratamento específico. O cuidado é de suporte, com medicações para sintomas e vitamina A.

    6. Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?

    Todas as pessoas conforme o calendário: 1ª dose aos 12 meses e 2ª aos 15 meses; adultos não vacinados também devem se imunizar.

    7. O que é a dose zero da vacina?

    É uma dose adicional aplicada em crianças de 6 meses em áreas com maior risco de surtos.

    8. O sarampo pode matar?

    Sim. A doença pode causar pneumonia, encefalite e outras complicações graves, especialmente em crianças pequenas.

    Veja mais: Catapora: tudo o que você precisa saber sobre sintomas e prevenção

  • Crupe viral: entenda a infecção que causa tosse intensa nas crianças

    Crupe viral: entenda a infecção que causa tosse intensa nas crianças

    É comum que, durante a madrugada, pais sejam despertados pelo som de uma tosse seca, intensa e rouca — parecida com o latido de um cachorro. Esse é um dos sinais mais característicos do crupe viral, uma infecção respiratória que atinge principalmente crianças entre 1 e 6 anos.

    A doença, geralmente causada por vírus, inflama as vias aéreas superiores e pode causar rouquidão, dificuldade para respirar e um som agudo na inspiração (estridor). Embora assuste, o crupe costuma ter boa evolução e se resolve em poucos dias com tratamento adequado e observação médica.

    O que é o crupe viral

    O crupe viral é uma infecção respiratória comum na infância, provocada por inflamação na laringe e na traqueia, que são as partes do corpo responsáveis pela produção da voz e pela passagem do ar até os pulmões.

    Essa inflamação estreita as vias respiratórias, causando tosse seca e rouca, rouquidão e, em alguns casos, dificuldade para respirar.

    A condição é mais frequente em crianças pequenas, especialmente entre 1 e 6 anos, e tende a ser leve e autolimitada.

    Causas

    A principal causa do crupe é viral. Os agentes mais comuns são:

    • Vírus parainfluenza (principal responsável pela maioria dos casos);
    • Vírus da gripe (Influenza A e B);
    • Vírus sincicial respiratório (VSR);
    • SARS-CoV-2 (COVID-19), em casos mais recentes.

    Casos raros podem ter origem bacteriana, geralmente como infecção secundária após o quadro viral.

    Como a doença acontece

    O crupe geralmente começa como um resfriado comum, com:

    • Nariz escorrendo;
    • Dor de garganta leve;
    • Febre baixa.

    Após 12 a 48 horas, surgem os sintomas típicos:

    • Tosse latida e seca, parecida com som de cachorro;
    • Rouquidão;
    • Dificuldade para respirar, especialmente ao inspirar;
    • Estridor, um som agudo que piora quando a criança chora ou se agita.

    A maioria das crianças melhora em 3 a 7 dias, sem complicações. Em casos graves, podem surgir sinais de insuficiência respiratória, como:

    • Respiração acelerada;
    • Retrações no peito (a pele afunda ao respirar);
    • Cansaço extremo;
    • Lábios azulados (falta de oxigênio).

    Esses sintomas exigem atendimento médico imediato.

    Formas da doença

    O crupe pode variar conforme a extensão da inflamação:

    • Laringite: afeta apenas a laringe, causando rouquidão e tosse seca;
    • Laringotraqueíte: atinge também a traqueia e provoca os sintomas típicos do crupe;
    • Laringotraqueobronquite: inflama também os brônquios, com chiado no peito e respiração mais difícil.

    Há ainda o crupe espasmódico, que aparece de forma súbita, geralmente à noite, e dura pouco tempo. Ele pode estar relacionado a alergias ou refluxo gastroesofágico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, feito pelo médico pediatra com base na observação dos sintomas e no exame físico. Em geral, não são necessários exames complementares, mas em casos de dúvida o médico pode solicitar:

    • Radiografia do pescoço ou tórax;
    • Testes laboratoriais, quando há suspeita de infecção bacteriana ou de outro problema, como aspiração de corpo estranho.

    Tratamento

    Na maioria dos casos, o crupe é leve e melhora com cuidados simples em casa. O tratamento tem como objetivo reduzir a inflamação e aliviar a dificuldade para respirar. Os cuidados principais são os abaixo.

    1. Manter a criança calma

    O choro e o nervosismo pioram a respiração. É essencial deixá-la em um ambiente tranquilo, confortável e seguro.

    2. Inalação

    A nebulização com soro fisiológico ou ar umidificado ajuda a aliviar o desconforto. Se a criança ficar agitada com o procedimento, é melhor interromper e esperar que se acalme.

    3. Corticosteroides

    Medicamentos que reduzem a inflamação e o inchaço da garganta, melhorando a respiração em poucas horas. Uma dose única geralmente é suficiente. Pode ser administrada por via oral, injetável ou inalável, conforme a orientação médica.

    4. Epinefrina (adrenalina) inalável

    Indicada para casos mais graves, atua rapidamente, mas o efeito é temporário. Por isso, a criança deve ser monitorada no hospital após o uso.

    5. Oxigênio

    Utilizado quando há queda da saturação. Deve ser administrado de forma suave para não causar agitação.

    Nos casos mais graves, em que há risco de obstrução das vias respiratórias, pode ser necessária intubação hospitalar, feita por equipe especializada.

    Evolução e prevenção

    A maioria das crianças se recupera completamente em poucos dias, sem deixar sequelas. Quando o crupe é recorrente, ou seja, aparece várias vezes ao ano, é importante investigar possíveis causas associadas, como refluxo, alergias ou alterações anatômicas das vias respiratórias.

    Prevenção

    Não existe vacina específica contra o crupe, mas algumas vacinas ajudam a prevenir infecções que podem causá-lo:

    • Vacina contra influenza (gripe);
    • Vacina contra o sarampo;
    • Vacina contra a covid-19.

    Também é importante:

    • Lavar bem as mãos com frequência;
    • Evitar contato com pessoas gripadas;
    • Proteger a criança do frio intenso.

    Quando procurar um médico

    Busque atendimento imediato se a criança:

    • Tiver dificuldade para respirar, mesmo em repouso;
    • Apresentar lábios ou dedos azulados;
    • Estiver muito sonolenta, agitada ou confusa;
    • Não conseguir engolir líquidos ou ficar cansada para mamar ou falar.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre crupe viral

    1. O que é crupe viral?

    É uma infecção respiratória que inflama a laringe e a traqueia, causando tosse seca e rouca, mais comum em crianças pequenas.

    2. O crupe é contagioso?

    Sim. Ele é causado por vírus respiratórios e se espalha por gotículas eliminadas ao tossir ou espirrar.

    3. Quanto tempo dura o crupe viral?

    Geralmente de 3 a 7 dias, com melhora progressiva dos sintomas.

    4. Quando o crupe é grave?

    Quando há dificuldade intensa para respirar, cansaço, coloração azulada nos lábios ou confusão mental, situações que exigem hospitalização.

    5. A inalação ajuda a curar o crupe?

    A nebulização com soro fisiológico ajuda a aliviar o desconforto, mas não altera o curso da doença.

    6. Corticoides são seguros em crianças?

    Sim, quando usados corretamente e sob prescrição médica, são eficazes e seguros.

    7. Existe vacina contra o crupe?

    Não há vacina específica, mas as vacinas contra gripe, sarampo e covid-19 ajudam a prevenir infecções que podem causar o crupe.

    Veja mais: Pneumonia silenciosa em crianças: conheça as características da doença

  • Coqueluche: a ‘tosse comprida’ que pode ser perigosa para bebês 

    Coqueluche: a ‘tosse comprida’ que pode ser perigosa para bebês 

    Uma tosse seca, intensa e que parece não ter fim pode ser mais do que um simples resfriado. A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma infecção respiratória causada pela bactéria Bordetella pertussis. Ela provoca crises de tosse que podem durar semanas e, em casos graves, trazer risco à vida, especialmente em bebês que ainda não completaram o esquema de vacinação.

    Extremamente contagiosa, a doença ainda preocupa os especialistas. Estima-se que até 90% das pessoas não vacinadas que convivem com alguém infectado podem contrair a coqueluche. Por isso, a vacinação e o diagnóstico precoce são fundamentais para conter a transmissão e proteger os mais vulneráveis.

    O que é coqueluche

    A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana aguda que atinge as vias respiratórias e provoca tosse seca, intensa e prolongada. O agente causador é a bactéria Bordetella pertussis, que se espalha facilmente de pessoa para pessoa.

    A doença pode afetar qualquer idade, mas é especialmente perigosa em bebês com menos de 1 ano, que ainda não completaram o esquema vacinal.

    Como acontece a infecção

    A transmissão ocorre por gotículas eliminadas pela tosse ou espirro da pessoa infectada. Ao serem inaladas, essas partículas levam a bactéria até o revestimento interno das vias respiratórias (epitélio ciliado), onde ela se fixa e libera toxinas.

    Essas substâncias danificam os cílios das células respiratórias, responsáveis por limpar secreções e impurezas. O resultado é uma tosse intensa e persistente, característica da doença.

    Quem corre mais risco

    Embora qualquer pessoa possa contrair coqueluche, os bebês menores de 1 ano são os mais vulneráveis. Neles, a doença pode evoluir com complicações graves, como:

    • Pneumonia;
    • Pausas na respiração (apneia);
    • Coloração arroxeada dos lábios (cianose);
    • Dificuldade para respirar, o que pode levar à morte.

    Por isso, a vacinação das gestantes é muito importante. Ela protege o bebê nos primeiros meses de vida, antes que possa ser vacinado.

    Sintomas

    Os sintomas variam conforme a idade e a resposta ao tratamento, mas geralmente a doença evolui em três fases distintas.

    Primeira fase: catarral

    Se assemelha a um resfriado comum, com:

    • Coriza;
    • Febre baixa;
    • Espirros;
    • Tosse leve.

    Segunda fase: paroxística

    Começa após cerca de uma semana e dura de duas a seis semanas. A tosse se torna mais intensa, em crises repetidas e rápidas, seguidas de um som característico na inspiração, o “guincho”. Podem acontecer:

    • Vômitos após a tosse;
    • Cansaço extremo;
    • Dificuldade para respirar;
    • Em bebês, apneia e coloração arroxeada dos lábios.

    Terceira fase: convalescença

    Os sintomas diminuem gradualmente, e a tosse melhora aos poucos. Essa fase pode durar semanas ou até meses.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com base na história clínica e nos sintomas. Nos primeiros dias, a coqueluche pode se confundir com resfriados, dificultando a detecção.

    Para confirmar, o médico pode solicitar:

    • Cultura ou PCR para identificar a Bordetella pertussis;
    • Exames de sangue e radiografias, quando há suspeita de outras doenças respiratórias.

    O reconhecimento precoce é importante para iniciar o tratamento rapidamente e evitar a transmissão.

    Tratamento

    O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível, pois reduz a gravidade e o risco de contágio.

    Principais medidas de tratamento

    • Antibióticos, para eliminar a bactéria;
    • Repouso e boa hidratação;
    • Medicamentos para aliviar os sintomas;
    • Bebês menores de 6 meses ou prematuros têm maior risco de complicações (como apneia) e devem ser internados para acompanhamento hospitalar.

    Os demais pacientes são avaliados caso a caso, podendo receber tratamento ambulatorial.

    Isolamento

    Como a coqueluche é altamente contagiosa, o paciente deve ser mantido em isolamento, preferencialmente em quarto individual, durante os primeiros dias de antibiótico.

    Prevenção

    A vacinação é a principal forma de prevenção da coqueluche.

    No Brasil, ela está incluída na vacina pentavalente (DTP + Hib + Hepatite B), aplicada em:

    • Três doses, a partir dos 2 meses de idade;
    • Reforços aos 15 meses e entre 4 e 6 anos.

    Gestantes devem receber a vacina dTpa a partir da 20ª semana de gestação, garantindo a proteção do bebê após o nascimento.

    Mesmo quem já teve coqueluche pode se infectar novamente, pois a imunidade não é permanente. É essencial manter o calendário de vacinas atualizado e procurar o médico em casos de tosse persistente, principalmente em crianças pequenas.

    Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e vacinação, é possível controlar a disseminação da doença e proteger os mais vulneráveis.

    Veja mais: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido

    Perguntas frequentes sobre coqueluche

    1. O que é coqueluche?

    É uma infecção respiratória bacteriana causada pela Bordetella pertussis, conhecida pela tosse seca e intensa que pode durar semanas.

    2. Como a coqueluche é transmitida?

    Por gotículas eliminadas pela tosse ou espirro de pessoas infectadas.

    3. Quem corre mais risco?

    Bebês menores de 1 ano, principalmente os que ainda não completaram o esquema vacinal.

    4. A coqueluche tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e uso de antibióticos, a infecção é controlada e o paciente se recupera.

    5. A vacina protege totalmente?

    A vacina é muito eficaz, mas a imunidade diminui com o tempo, exigindo reforços conforme o calendário vacinal.

    6. Por que gestantes devem tomar a vacina?

    Porque os anticorpos da mãe são transferidos ao bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida.

    7. É possível pegar coqueluche mais de uma vez?

    Sim, pois a imunidade natural após a infecção não é permanente.

    Veja mais: Por que o bebê fica amarelinho? Entenda tudo sobre a icterícia neonatal

  • Carboidratos nos treinos: veja a importância e como incluir na dieta

    Carboidratos nos treinos: veja a importância e como incluir na dieta

    Se você pratica esportes ou treina com frequência, provavelmente sabe que os carboidratos são a principal fonte de energia durante atividades de moderada a alta intensidade — responsáveis por manter o desempenho e retardar a fadiga. Eles também garantem foco, disposição e recuperação muscular após o esforço, sendo úteis antes, durante e depois do treino.

    Tanto atletas quanto praticantes de atividades físicas precisam manter uma ingestão adequada de carboidratos nos treinos de acordo com o tipo, a duração e a intensidade do exercício. Sem um equilíbrio, o corpo perde eficiência, o rendimento cai e a recuperação se torna mais lenta.

    Para entender por que os carboidratos são tão indispensáveis para o desempenho esportivo, a nutricionista Serena Del Favero explica qual é a função do macronutriente no corpo, quais são os melhores tipos e em quais momentos do dia ou do treino eles devem ser consumidos para garantir energia, resistência e recuperação adequadas. Confira!

    O que são carboidratos e qual o papel deles no corpo?

    Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo durante atividades de moderada a alta intensidade. Isso significa que, quando você está correndo, pedalando, nadando ou levantando peso, é a glicose, derivada dos carboidratos, que alimenta os músculos e o cérebro.

    Durante o exercício, o corpo transforma o carboidrato em glicogênio, uma forma de energia armazenada nos músculos e no fígado. Quanto maiores os estoques de glicogênio, maior a capacidade de manter o desempenho e retardar a fadiga.

    “Além disso, eles preservam a função cognitiva em treinos e competições de longa duração e favorecem a recuperação ao acelerar a ressíntese de glicogênio no período pós-exercício”, explica Serena.

    Por que os carboidratos são importantes para quem treina?

    Durante o exercício, especialmente em treinos de alta intensidade ou longa duração, o corpo depende quase totalmente dos carboidratos, pois eles são a fonte de energia que o organismo utiliza mais rapidamente.

    Quando há pouco glicogênio disponível, a pessoa sente fadiga, queda de rendimento, dificuldade de concentração e, em casos extremos, pode até desmaiar. Para completar, os carboidratos ajudam na recuperação muscular pós-treino, pois reabastecem os estoques de glicogênio e otimizam a síntese proteica, acelerando a regeneração dos tecidos musculares.

    E quem faz dieta cetogênica?

    A dieta cetogênica, que restringe o consumo de carboidratos e prioriza gorduras, pode até funcionar para perda de peso em alguns casos, mas não melhora o desempenho esportivo. Isso porque, sem carboidratos suficientes, o corpo perde sua principal fonte de energia rápida.

    “A dieta cetogênica não costuma trazer ganhos de desempenho esportivo. Na melhor das hipóteses, o efeito é neutro — ou seja, não atrapalha, mas também não melhora. Porém, na maioria dos estudos, ela acaba prejudicando o rendimento, principalmente em atletas de alto rendimento”, complementa Serena.

    Além disso, quem pratica esportes intensos pode sentir mais fadiga, perda de força e dificuldade de recuperação muscular ao seguir esse tipo de dieta por muito tempo.

    Quais são os melhores tipos de carboidratos antes do treino?

    No geral, existem dois tipos de carboidratos, sendo eles:

    • Carboidratos simples: são rapidamente absorvidos pelo organismo, fornecendo energia quase imediata. Estão presentes em frutas, mel, açúcar, sucos e bebidas esportivas — ideais antes ou durante o treino, quando o corpo precisa de energia rápida;
    • Carboidratos complexos: são digeridos mais lentamente e liberam energia de forma gradual. Encontrados em batata-doce, arroz integral, aveia, quinoa e grãos, são recomendados para refeições principais e para o pré-treino de quem vai se exercitar por longos períodos.

    De acordo com Serena, a escolha antes do treino depende do tempo e da atividade realizada:

    • Refeição feita com antecedência de 2 a 4 horas: prefira carboidratos complexos, pois liberam energia de forma gradual, mantêm os níveis de glicose estáveis e ajudam na saciedade durante o exercício;
    • Treino em até 1 hora: opte por carboidratos simples, que são digeridos rapidamente, fornecendo energia imediata sem causar desconforto gastrointestinal.

    “Em ambos os casos, a tolerância individual deve ser respeitada para evitar problemas gastrointestinais e garantir melhor desempenho”, explica a nutricionista.

    E após o treino, existem benefícios?

    O consumo de carboidratos no pós-treino contribui para acelerar a recuperação, principalmente por favorecer a reposição das reservas de glicogênio muscular.

    Após o exercício, o corpo está em um estado ideal para absorver nutrientes — é o que chamamos de janela metabólica, que dura cerca de 30 a 60 minutos após o treino. Esse é o momento ideal para repor energia e iniciar o processo de recuperação muscular.

    Além do carboidrato, combine proteínas na alimentação para potencializar o resultado. Elas fornecem aminoácidos para reparar as microlesões musculares causadas pelo esforço físico, enquanto o carboidrato estimula a liberação de insulina, que melhora a absorção desses aminoácidos pelas células.

    Cortar carboidratos pode prejudicar o desempenho esportivo?

    No caso de pessoas que praticam atividades físicas, a falta de carboidratos pode prejudicar drasticamente o desempenho, fazendo com que o corpo:

    • Entre em catabolismo, quebrando massa muscular para obter energia;
    • Diminua o estoque de glicogênio, levando à fadiga precoce;
    • Comprometa a recuperação pós-treino;
    • Afete o sistema imunológico, aumentando o risco de adoecimento.

    Além disso, a falta de carboidratos pode afetar o humor e a concentração, especialmente em treinos longos ou competições.

    Quais alimentos ricos em carboidratos devem estar na dieta?

    Para um desempenho ideal, prefira carboidratos de boa qualidade — ricos em fibras, vitaminas e minerais. Alguns exemplos incluem:

    • Arroz integral, quinoa, batata-doce, mandioca;
    • Aveia, pão integral, macarrão integral;
    • Frutas (banana, maçã, uva, laranja, manga);
    • Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico);
    • Mel, melado e frutas secas (tâmara, uva-passa).

    Evite exageros em açúcares refinados e ultraprocessados, que podem causar picos de glicose e queda de energia logo depois.

    O que é “carbo load” e quando faz sentido fazer?

    O carbo load (ou carbohydrate loading) é uma estratégia usada para supercompensar os estoques de glicogênio antes de competições longas. “Ela faz sentido em provas de longa duração, acima de 90 minutos de exercício contínuo, como maratonas, triatlos e ciclismo de longa distância”, explica Serena.

    A técnica consiste em aumentar gradualmente o consumo de carboidratos 3 a 4 dias antes da prova, ao mesmo tempo em que se reduz a intensidade do treino. Isso faz com que os músculos armazenem mais glicogênio do que o normal, garantindo energia extra durante o evento.

    Vale lembrar que a técnica deve ser feita com acompanhamento profissional, especialmente em atletas de alta performance ou provas longas. Se feita de forma exagerada ou com alimentos pesados, pode causar desconforto gastrointestinal, inchaço e até prejudicar o rendimento.

    Leia também: Alimentação pré e pós-treino: guia completo para potencializar a musculação

    Perguntas frequentes sobre carboidratos nos treinos

    1. Fazer exercício em jejum ajuda a queimar mais gordura?

    O treino em jejum não é recomendado para todos e pode até reduzir o rendimento. O corpo realmente tende a usar mais gordura como fonte de energia quando está em jejum, mas isso não significa que você vá perder mais gordura corporal ao longo do tempo.

    Sem glicogênio suficiente, o desempenho cai, e o corpo pode até usar músculo como combustível. Para quem busca performance e recuperação, o ideal é comer algo leve antes do treino — especialmente se for de média ou alta intensidade.

    2. Carboidrato engorda ou é mito?

    O carboidrato por si só não engorda. O ganho de peso vem do excesso calórico, independentemente do nutriente. Além disso, os carboidratos têm papel vital na produção de energia e na manutenção da massa magra, evitando que o corpo use proteína muscular como combustível.

    A dica é escolher fontes de qualidade, como frutas, grãos integrais e tubérculos, e ajustar as quantidades conforme o gasto energético.

    3. Qual é a diferença entre carboidrato simples e complexo?

    Os carboidratos simples, como frutas, mel e pães brancos, são rapidamente digeridos e fornecem energia imediata — ideais para antes ou durante o treino. Já os complexos, como aveia, batata-doce e arroz integral, têm digestão mais lenta e liberam energia gradualmente, sendo ótimos para refeições principais e para manter a saciedade.

    4. Qual é o melhor horário para consumir carboidratos?

    O horário de consumo depende do seu objetivo e rotina. No pré-treino, os carboidratos servem como fonte de energia. Durante treinos longos, ajudam a manter a performance, e no pós-treino, contribuem para a recuperação muscular.

    Para quem busca emagrecer, concentrar carboidratos em torno do treino é uma boa estratégia. Já quem treina pesado precisa mantê-los distribuídos ao longo do dia.

    5. Quem faz treinos leves também precisa de carboidrato?

    Sim. Mesmo quem treina de forma leve, como caminhadas, yoga, pilates ou pedaladas curtas, precisa de carboidratos. Eles garantem energia suficiente para o corpo se manter ativo e ajudam na função cerebral. A diferença é apenas na quantidade, que pode ser menor.

    6. Quais sinais mostram que estou comendo pouco carboidrato?

    Alguns sintomas clássicos de falta de carboidratos na dieta incluem:

    • Falta de energia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dores de cabeça;
    • Queda de rendimento nos treinos;
    • Tontura;
    • Dificuldade de concentração;
    • Desejo intenso por doces.

    Esses sinais indicam que o corpo está sem glicose suficiente. O ideal é ajustar a dieta e incluir boas fontes de carboidrato ao longo do dia.

    Leia também: Como evitar cãibras musculares com a alimentação?

  • Síndrome do túnel do carpo: quando o punho começa a doer 

    Síndrome do túnel do carpo: quando o punho começa a doer 

    Dor, formigamento e dormência nas mãos podem parecer apenas sinais de cansaço, mas quando se tornam frequentes, podem indicar a síndrome do túnel do carpo, uma condição que atinge milhões de pessoas e pode comprometer movimentos simples, como segurar objetos ou digitar.

    Causada pela compressão de um nervo no punho, a doença é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos e em quem realiza atividades manuais repetitivas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a evitar a progressão e devolvem a mobilidade e o conforto das mãos.

    O que é a síndrome do túnel do carpo

    A síndrome do túnel do carpo (STC) ocorre quando o nervo mediano, que passa por uma estrutura estreita no punho chamada túnel do carpo, sofre compressão. Esse nervo é responsável pela sensibilidade e pelos movimentos do polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar.

    Quando pressionado, o nervo passa a funcionar incorretamente, provocando dor, formigamento, dormência e fraqueza. Os sintomas costumam começar à noite, mas com o tempo também aparecem durante o dia, especialmente em quem digita, costura, escreve ou usa o celular com frequência.

    A síndrome é comum e afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos, mas também pode ocorrer em homens e pessoas que mantêm o punho em posição fixa por longos períodos.

    Causas e fatores de risco

    A síndrome do túnel do carpo surge quando há aumento da pressão dentro do túnel do carpo, que comprime o nervo mediano.

    Principais causas e situações associadas:

    • Manter o punho dobrado por longos períodos, como ao dormir ou dirigir;
    • Movimentos repetitivos das mãos e punhos (digitar, bordar, tocar instrumentos, usar ferramentas);
    • Traumas ou fraturas no punho;
    • Presença de cistos ou tumores dentro do túnel;
    • Doenças crônicas, como diabetes, artrite reumatoide, artrose e hipotireoidismo;
    • Gravidez e retenção de líquidos, que causam inchaço na região;
    • Obesidade e menopausa;
    • Histórico familiar, indicando predisposição genética.

    Sintomas

    Os sintomas variam conforme a gravidade, mas geralmente incluem:

    • Formigamento ou dormência nos dedos e na mão;
    • Dor no punho, que pode irradiar para o antebraço;
    • Sensação de inchaço ou peso nas mãos, mesmo sem inchaço aparente;
    • Dificuldade para segurar objetos, abotoar roupas ou abrir potes;
    • Fraqueza e, em casos mais avançados, atrofia dos músculos da base do polegar.

    Os sintomas tendem a piorar à noite ou ao acordar, e muitas pessoas relatam alívio temporário ao sacudir as mãos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito pelo médico clínico, ortopedista ou neurologista, com base nos sintomas e no exame físico.

    Testes clínicos mais usados

    • Teste de Phalen: o punho é dobrado para observar se os sintomas aparecem;
    • Sinal de Tinel: o médico toca o nervo no punho; se houver formigamento ou sensação de choque, o teste é positivo.

    Exames complementares

    • Eletromiografia e estudo de condução nervosa: avaliam o funcionamento do nervo;
    • Ultrassonografia ou ressonância magnética: indicadas em casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de outras causas.

    Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico e definir o grau de compressão do nervo.

    Tratamento

    O tratamento depende da gravidade e pode ser sem cirurgia (conservador) ou cirúrgico.

    1. Tratamento não cirúrgico

    Indicado para casos leves, inclui:

    • Uso de talas de punho, principalmente à noite, para manter a posição neutra e reduzir a pressão sobre o nervo;
    • Fisioterapia, com alongamentos e fortalecimento dos músculos da mão e do punho;
    • Injeções de corticoides, que reduzem inflamação e aliviam a dor.

    Essas medidas costumam aliviar os sintomas e evitar a progressão da doença.

    2. Tratamento cirúrgico

    Em casos moderados a graves ou quando o tratamento conservador não traz melhora, é indicada a cirurgia de liberação do túnel do carpo.

    Durante o procedimento, o médico abre o ligamento que forma o túnel, aliviando a pressão sobre o nervo mediano. A recuperação é geralmente rápida, e a maioria dos pacientes recupera os movimentos e o alívio da dor.

    Prevenção

    Alguns hábitos simples ajudam a reduzir o risco de desenvolver a síndrome:

    • Evitar movimentos repetitivos por longos períodos;
    • Fazer pausas regulares durante o trabalho;
    • Alongar e fortalecer mãos e punhos;
    • Controlar doenças crônicas, como diabetes e hipotireoidismo;
    • Manter o peso saudável.

    O que esperar

    Quando tratada precocemente, a síndrome do túnel do carpo tem excelente prognóstico, e a maioria das pessoas recupera totalmente a função da mão.

    Sem tratamento, o nervo mediano pode sofrer danos permanentes, resultando em fraqueza e perda de movimentos finos.

    Leia mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes sobre síndrome do túnel do carpo

    1. O que é síndrome do túnel do carpo?

    É uma condição em que o nervo mediano, localizado no punho, é comprimido, causando dor, formigamento e fraqueza nas mãos.

    2. Quais são os primeiros sinais?

    Formigamento nos dedos, dormência e dor que piora à noite ou ao acordar.

    3. A síndrome do túnel do carpo tem cura?

    Sim. Casos leves melhoram com tratamento, e casos graves podem ser resolvidos com cirurgia.

    4. Quem corre mais risco de desenvolver a síndrome?

    Mulheres entre 40 e 60 anos, pessoas com doenças como diabetes ou artrite e quem faz movimentos repetitivos com as mãos.

    5. O uso de talas ajuda mesmo?

    Sim. Elas mantêm o punho na posição correta, aliviando a pressão sobre o nervo e reduzindo os sintomas.

    6. A fisioterapia é eficaz?

    Sim. Alongamentos e exercícios específicos fortalecem os músculos e ajudam a aliviar o desconforto.

    7. Quando a cirurgia é necessária?

    Quando há fraqueza persistente, dor intensa ou quando os sintomas não melhoram com o tratamento conservador.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • Miastenia gravis: conheça a doença que causa fraqueza muscular 

    Miastenia gravis: conheça a doença que causa fraqueza muscular 

    Sentir os músculos enfraquecerem ao longo do dia, com dificuldade para levantar os braços, falar ou até manter os olhos abertos, pode ser sinal de uma doença pouco conhecida, mas que tem tratamento. A miastenia gravis é uma condição rara e crônica que interfere na comunicação entre nervos e músculos, o que causa fraqueza progressiva.

    Apesar de não ter cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem que o paciente tenha uma vida ativa e independente. Com acompanhamento médico e alguns cuidados, é possível controlar os sintomas e evitar crises graves.

    O que é miastenia gravis

    A miastenia gravis é uma doença neuromuscular autoimune que causa fraqueza muscular variável, que piora com o esforço e melhora com o descanso.

    Ela ocorre porque o sistema imunológico, que normalmente defende o corpo contra infecções, passa a atacar por engano os receptores da acetilcolina, substância essencial para a contração dos músculos.

    O resultado é uma falha na transmissão dos sinais nervosos para os músculos, o que dificulta movimentos simples e reduz a força muscular.

    Causa da doença

    Na miastenia gravis, o corpo produz anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores de acetilcolina na junção entre o nervo e o músculo. Com menos receptores ativos, os sinais elétricos não chegam corretamente, e os músculos não conseguem responder aos comandos do cérebro.

    A doença é autoimune, ou seja, causada por um erro do próprio sistema de defesa. Em alguns casos, está associada a alterações na glândula timo, que pode estar aumentada ou apresentar tumores benignos (timomas).

    Fatores de risco

    A miastenia gravis pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum:

    • Em mulheres jovens, antes dos 40 anos;
    • Em homens acima dos 60 anos.

    Alguns fatores podem agravar os sintomas, como:

    • Infecções;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Exposição prolongada ao calor;
    • Uso de certos medicamentos, como antibióticos ou relaxantes musculares.

    Principais sintomas

    O sintoma mais característico é a fraqueza muscular que piora com o esforço e melhora com o repouso.

    A doença pode atingir diferentes grupos musculares, mas os músculos dos olhos são os mais frequentemente afetados. Entre os sintomas mais comuns estão:

    Região ocular

    • Queda das pálpebras (ptose), muitas vezes o primeiro e único sinal;
    • Visão dupla (diplopia).

    Rosto e boca

    • Dificuldade para falar, mastigar ou engolir.

    Pescoço e membros

    • Dificuldade para manter a cabeça erguida;
    • Fraqueza nos braços ou pernas, especialmente ao subir escadas ou carregar objetos.

    Respiração

    • Em casos graves, pode ocorrer falta de ar intensa, chamada crise miastênica — uma emergência médica que requer atendimento imediato.

    Os sintomas podem variar ao longo do dia e de pessoa para pessoa.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da miastenia gravis é feito pelo neurologista e combina a avaliação clínica com exames específicos.

    Principais exames utilizados

    • Exame físico e neurológico: avalia a força e a fadiga muscular;
    • Exames de sangue: detectam os anticorpos típicos da doença;
    • Eletromiografia: mede a atividade elétrica dos músculos;
    • Teste do edrofônio (ou similares): observa melhora temporária da força após o uso de medicamentos que aumentam a acetilcolina;
    • Tomografia ou ressonância do tórax: avalia possíveis alterações no timo.

    Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico e excluir outras causas de fraqueza muscular.

    Tratamento

    Embora não tenha cura definitiva, a miastenia gravis pode ser controlada com tratamento adequado, o que permite que a pessoa leve uma vida praticamente normal.

    Os principais objetivos são melhorar a força muscular e reduzir a ação do sistema imunológico sobre os nervos.

    As opções de tratamento são:

    • Medicamentos que aumentam a acetilcolina: melhoram a comunicação entre nervos e músculos;
    • Corticóides e imunossupressores: diminuem a resposta exagerada do sistema imunológico;
    • Cirurgia de retirada do timo (timectomia): indicada em alguns casos, especialmente quando há timoma;
    • Plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa (IVIg): usadas em crises ou casos graves, ajudam a remover anticorpos do sangue.

    Além disso, é essencial evitar fatores que agravam os sintomas, manter acompanhamento neurológico regular e seguir corretamente as orientações médicas.

    Quando procurar ajuda médica

    A pessoa deve buscar atendimento se apresentar:

    • Fraqueza que piora ao longo do dia;
    • Dificuldade para abrir os olhos, mastigar ou falar claramente;
    • Problemas para engolir ou respirar.

    A crise miastênica é uma emergência médica. Ela ocorre quando há fraqueza intensa dos músculos respiratórios, levando à dificuldade para respirar. Nesses casos, deve-se procurar socorro imediato para evitar insuficiência respiratória.

    Veja também: Esclerose múltipla: entenda a doença em que o corpo ataca o sistema nervoso

    Perguntas frequentes sobre miastenia gravis

    1. O que é miastenia gravis?

    É uma doença autoimune que afeta a comunicação entre nervos e músculos, provocando fraqueza que piora com o esforço e melhora com o descanso.

    2. Quais são os primeiros sintomas?

    Queda das pálpebras, visão dupla e fraqueza muscular que se agrava ao longo do dia.

    3. A miastenia gravis tem cura?

    Não há cura definitiva, mas o tratamento permite controle dos sintomas e boa qualidade de vida.

    4. A doença pode piorar com o tempo?

    Sim, se não for tratada. No entanto, o acompanhamento médico regular ajuda a evitar crises e complicações.

    5. O que é uma crise miastênica?

    É uma complicação grave, com fraqueza dos músculos respiratórios que causa falta de ar. Exige atendimento de urgência.

    6. Quem tem miastenia pode fazer exercícios?

    Sim, desde que sejam leves e supervisionados. O descanso entre as atividades é fundamental.

    7. A miastenia pode afetar a respiração?

    Sim, em casos graves. Por isso, sintomas de falta de ar devem ser tratados como emergência.

    Veja mais: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): o que é e como afeta a vida

  • Dermatite atópica: o que é, sintomas e cuidados 

    Dermatite atópica: o que é, sintomas e cuidados 

    A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é a forma mais comum de inflamação crônica da pele. Geralmente aparece ainda na infância e provoca coceira intensa, vermelhidão, descamação e ressecamento.

    Embora não seja contagiosa, a doença afeta profundamente a qualidade de vida. A coceira constante pode atrapalhar o sono, o convívio social e até causar infecções na pele. Com cuidados diários e acompanhamento médico, no entanto, é possível controlar as crises e viver bem.

    O que é a dermatite atópica

    A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada por ressecamento, coceira intensa e lesões vermelhas que podem descamar ou formar crostas. Com o tempo, a pele pode ficar mais espessa e marcada (liquenificação).

    Apesar de seu aspecto, não é contagiosa. O principal desafio está no desconforto e no impacto físico e emocional causado pelos sintomas.

    Por que a dermatite atópica acontece

    A doença surge da combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Essa interação altera a barreira cutânea, deixando a pele mais seca, sensível e propensa à entrada de substâncias irritantes e alérgenos.

    Principais causas e influências

    • Imunidade alterada: o sistema imunológico reage de forma exagerada a estímulos comuns, causando inflamação;
    • Histórico familiar: se um dos pais tem doenças atópicas (asma, rinite ou dermatite), o risco do filho é de até 50%; se ambos têm, pode chegar a 80%;
    • Fatores ambientais: clima seco e frio, poluição, poeira, tabagismo, sabonetes agressivos e tecidos sintéticos podem agravar o quadro;
    • Alimentação: em 10% a 30% dos pacientes, alergias alimentares (a ovos, leite, amendoim, soja ou trigo) podem desencadear crises.

    Essa associação com outras doenças alérgicas é chamada de tríade atópica — dermatite, asma e rinite. Quando essas condições aparecem em sequência, o fenômeno é conhecido como marcha atópica.

    Como reconhecer os sintomas

    Os sintomas variam conforme a idade e a gravidade do quadro.

    Em bebês:

    • Manchas avermelhadas no rosto, couro cabeludo e braços ou pernas (a área da fralda costuma ser poupada).

    Em crianças:

    • Lesões principalmente nas dobras do corpo, como atrás dos joelhos, cotovelos e no pescoço.

    Em adultos:

    • Pele mais espessa, seca e com lesões em mãos, pés, pescoço e rosto.

    Sintomas mais comuns:

    • Coceira intensa (piora à noite);
    • Pele seca e sensível;
    • Lesões que soltam líquido, formam crostas e descamam;
    • Feridas por coçar excessivamente;
    • Infecções secundárias, como as causadas pela bactéria Staphylococcus aureus.

    Como é feito o diagnóstico

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, feito pelo dermatologista a partir da avaliação da pele e do histórico do paciente.

    O médico pode levar em conta:

    • Idade de início dos sintomas;
    • Histórico familiar de asma, rinite ou alergias;
    • Intensidade da coceira;
    • Fatores que agravam as lesões (calor, suor, tecidos sintéticos, sabonetes, poeira).

    Os critérios de Hanifin e Rajka, amplamente usados, auxiliam no diagnóstico da doença. Em situações específicas, o médico pode solicitar testes de alergia, dosagem de IgE ou biópsia da pele, mas esses exames não são sempre necessários.

    Tratamento e cuidados

    O tratamento da dermatite atópica tem como objetivo controlar os sintomas, reduzir as crises e melhorar a qualidade de vida. Ele se baseia em três pilares principais:

    1. Prevenir os gatilhos

    • Evitar banhos muito quentes e demorados;
    • Preferir roupas de algodão em vez de tecidos sintéticos;
    • Evitar sabonetes agressivos e produtos com álcool ou perfume;
    • Reduzir contato com poeira, ácaros, pelos de animais e alimentos desencadeantes.

    2. Cuidar da pele todos os dias

    • Hidratar a pele: aplicar cremes ou pomadas hidratantes (emolientes) ao menos duas vezes ao dia, especialmente após o banho;
    • Banho rápido e morno: secar suavemente, sem esfregar, e aplicar o hidratante em até 3 minutos para evitar a perda de água.

    3. Controlar a inflamação e as crises

    • Cremes ou pomadas com corticoides: usados por períodos curtos para reduzir vermelhidão, coceira e inflamação;
    • Cremes não corticoides: indicados para áreas sensíveis, como rosto, axilas e virilha;
    • Novos medicamentos tópicos: ajudam em casos leves a moderados;
    • Medicamentos orais ou injetáveis: em casos graves, podem incluir imunossupressores, fototerapia (luz UV) ou terapias biológicas;
    • Antibióticos ou antivirais: usados quando há infecção secundária.

    O acompanhamento com o dermatologista e uma rotina de cuidados diários são fundamentais para manter a doença sob controle.

    Veja mais: Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

    Perguntas frequentes sobre dermatite atópica

    1. A dermatite atópica tem cura?

    Não, mas é possível controlar as crises com tratamento e cuidados diários.

    2. É contagiosa?

    Não. A dermatite atópica não é causada por vírus ou bactérias e não passa de pessoa para pessoa.

    3. O que piora a dermatite?

    Banhos quentes, clima seco, tecidos sintéticos, estresse e certos alimentos podem agravar os sintomas.

    4. Qual é o melhor hidratante para quem tem dermatite?

    Os hidratantes com ceramidas, ureia em baixa concentração e glicerina ajudam a restaurar a barreira da pele.

    5. Crianças com dermatite atópica podem levar uma vida normal?

    Sim. Com o tratamento adequado, é possível controlar bem a doença e evitar crises frequentes.

    6. É preciso fazer dieta restritiva?

    Apenas se houver alergias alimentares comprovadas. Dietas sem orientação médica não são recomendadas.

    7. A dermatite atópica melhora com o tempo?

    Em muitos casos, os sintomas diminuem ou desaparecem na adolescência ou na vida adulta.

    Leia também: Alergia à tatuagem existe? Saiba mais sobre sintomas e tratamentos