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  • Gastrite: o que é, tipos, sintomas e como aliviar o desconforto

    Gastrite: o que é, tipos, sintomas e como aliviar o desconforto

    Mais comum em adultos, a gastrite é uma condição que afeta cerca de 70% da população, segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Ela está associada especialmente à circulação da bactéria Helicobacter pylori no país, ao uso frequente de anti-inflamatórios, ao consumo de álcool e ao ritmo de vida acelerado — que favorece o estresse e hábitos alimentares irregulares.

    Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e, em muitos casos, a inflamação pode permanecer silenciosa por longos períodos, sendo identificada apenas durante uma endoscopia. Quando aparecem, os sinais costumam envolver desconforto abdominal, queimação, náuseas e sensação de estufamento após as refeições, mas nem sempre surgem de forma intensa ou contínua.

    Para entender quais sinais merecem atenção e quando buscar avaliação médica, conversamos com a gastroenterologista Eleonora Gomes. Confira!

    O que é gastrite?

    A gastrite é uma inflamação da camada interna do estômago, chamada mucosa. Quando a região fica irritada, pode aparecer vermelhidão, inchaço e até pequenas feridas, que muitas vezes só são vistas na endoscopia.

    De acordo com Eleonora, quando são feitas biópsias do estômago, é possível observar células inflamatórias, como neutrófilos e linfócitos, que confirmam a presença de inflamação na mucosa e ajudam a definir o diagnóstico de gastrite.

    Quais os tipos de gastrite?

    Os tipos de gastrite são variados, porque qualquer fator capaz de causar inflamação no estômago pode gerar um quadro agudo ou crônico, segundo Eleonora.

    É importante notar que os termos usados para classificar a gastrite são frequentemente sobrepostos e não excludentes, pois eles descrevem diferentes aspectos da doença. A classificação pode ser feita pela duração, pela causa ou pelo aspecto visual da lesão.

    Gastrite aguda

    A gastrite aguda costuma aparecer de repente e vem acompanhada de sintomas mais intensos, que costumam surgir logo após o fator agressor, como:

    • Excesso de álcool;
    • Uso de anti-inflamatórios, como ibuprofeno e diclofenaco;
    • Intoxicação alimentar;
    • Infecções virais e bacterianas.

    A dor pode ser forte, muitas vezes localizada na parte superior do abdômen, e pode vir junto de enjoo, vômitos, queimação e sensação de estufamento logo após as refeições. A inflamação aparece porque a mucosa fica irritada de forma rápida, perdendo parte da proteção natural contra o ácido do estômago. Quando a causa é tratada, o quadro costuma melhorar em poucos dias.

    Gastrite crônica

    A gastrite crônica é aquela inflamação que permanece por bastante tempo no estômago e, em alguns casos, a pessoa sequer apresenta sintomas, segundo Eleonora.

    A causa mais frequente é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, mas também pode estar associada ao cigarro, ao consumo regular de álcool, ao uso prolongado de medicamentos ou a doenças autoimunes.

    Gastrite por Helicobacter pylori

    A gastrite causada pela H. pylori é uma das formas mais comuns da doença e acontece quando a bactéria se instala na mucosa do estômago, provocando uma inflamação contínua. A infecção costuma ocorrer ainda na infância e pode permanecer silenciosa por muitos anos, sem causar sintomas aparentes.

    Com o tempo, porém, a presença constante da bactéria enfraquece a proteção natural da mucosa e facilita o surgimento de irritações e feridas.

    Quando não tratada, a inflamação persistente pode evoluir para quadros mais sérios, como úlcera gástrica ou duodenal, já que a mucosa fica mais vulnerável ao ácido produzido pelo próprio estômago. Em uma parcela menor de pessoas, especialmente aquelas com histórico familiar de câncer gástrico ou com inflamação prolongada, a infecção pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de estômago.

    Gastrite autoimune

    A gastrite autoimune acontece quando o sistema imunológico passa a atacar as células da mucosa gástrica, causando inflamação contínua, afinamento progressivo da camada interna e dificuldade de absorção de nutrientes, especialmente vitamina B12. Com o tempo, a deficiência pode levar à anemia, cansaço intenso e outros sintomas relacionados à baixa produção de glóbulos vermelhos.

    O processo inflamatório prolongado também altera o ambiente do estômago, reduzindo a produção de ácido e deixando a mucosa mais vulnerável a mudanças estruturais. Quando não tratada, a gastrite autoimune aumenta o risco de alterações mais graves, como atrofia gástrica e até lesões pré-malignas, o que torna importante o acompanhamento médico.

    Gastrite erosiva

    A gastrite erosiva caracteriza-se pela presença de pequenas feridas ou erosões na mucosa do estômago, que deixam a superfície mais sensível e vulnerável. Pode ser causada por álcool, uso frequente de anti-inflamatórios, estresse físico intenso (como grandes cirurgias, queimaduras e traumas) ou por doenças graves que comprometem o fluxo sanguíneo para o estômago.

    Os sintomas costumam incluir dor, sensação de queimação e, em alguns casos, sangramento digestivo, que pode se manifestar como vômitos escuros ou fezes muito escuras. A evolução pode ser aguda, quando ocorre de forma súbita, ou crônica, quando as erosões persistem por mais tempo e surgem de maneira repetida.

    Gastrite enantematosa

    A gastrite enantematosa é uma inflamação da mucosa do estômago que aparece como uma vermelhidão e um leve inchaço, visíveis durante a endoscopia. O termo “enantematosa” descreve justamente essa cor mais avermelhada da mucosa. A inflamação pode estar em apenas uma região do estômago ou se espalhar por toda a superfície interna.

    Ela pode ter várias causas, como uso de medicamentos que irritam o estômago, consumo de álcool, refluxo biliar, infecção pela H. pylori ou até quadros de estresse prolongado, que deixam o estômago mais sensível. Em muitos casos, provoca sintomas como desconforto na parte superior do abdômen, queimação e sensação de estufamento após as refeições.

    Quais os sintomas da gastrite?

    Os sintomas de gastrite podem variar bastante de pessoa para pessoa, indo de desconforto leve até dor intensa:

    • Dor na parte superior do abdômen;
    • Enjoo após as refeições ou ao acordar;
    • Sensação de estufamento;
    • Queimação no estômago;
    • Arroto frequente;
    • Perda de apetite;
    • Vômito em casos mais intensos;
    • Mal-estar após refeições maiores.

    Se a dor na região do estômago irradiar para outras partes do abdômen, é bom investigar outras causas, pois o padrão da gastrite normalmente é mais localizado, segundo Eleonora.

    Em alguns tipos de gastrite, como a erosiva, pode ocorrer sangramento, que aparece como fezes muito escuras ou vômito com coloração semelhante a borra de café.

    Por fim, Eleonora lembra que algumas pessoas, especialmente em quadros crônicos, podem não apresentar sintomas — o que torna importante uma avaliação individualizada.

    Como é feito o diagnóstico de gastrite?

    O diagnóstico de gastrite é feito a partir dos sintomas relatados pela pessoa, como dor ou desconforto na parte superior do abdômen, náusea, sensação de estufamento e queimação. Na maioria dos casos, o médico consegue suspeitar do quadro apenas pela conversa e pelo exame físico, sem necessidade de exames adicionais.

    Segundo Eleonora, em pacientes jovens, quando já se suspeita fortemente de uma causa para os sintomas, como consumo elevado de álcool ou uso de anti-inflamatório, muitas vezes basta suspender o agente agressor e usar uma medicação para reduzir a acidez.

    Mas, quando há dúvida, o paciente é mais velho, os sintomas não melhoram com o tratamento inicial ou quando existe algum sinal de alerta, o médico pode solicitar uma endoscopia digestiva alta.

    O exame permite observar diretamente a mucosa do estômago, identificar inflamações, erosões, úlceras e, se necessário, coletar biópsias para confirmar a causa da gastrite, como infecção por Helicobacter pylori ou alterações autoimunes.

    Tratamento de gastrite

    O tratamento de gastrite pode variar de acordo com a causa da inflamação, mas, em todos os cenários, é fundamental interromper o fator agressor, como consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou anti-inflamatórios. Também é necessário controlar o tabagismo, uma vez que o cigarro irrita a mucosa do estômago, dificulta a cicatrização e aumenta o desconforto após as refeições.

    Mudanças no estilo de vida também fazem parte do tratamento, o que inclui uma alimentação leve, controle do estresse, intervalos regulares entre as refeições e escolha de porções menores ajudam a diminuir a irritação e prevenir crises de dor.

    Remédios para gastrite

    Quando há infecção por H. pylori, o médico costuma indicar uma combinação de antibióticos junto de um medicamento que reduz a acidez, permitindo que a mucosa se recupere, segundo Eleonora.

    Em muitos casos, remédios como omeprazol e pantoprazol são usados por algumas semanas para diminuir a produção de ácido e acelerar a cicatrização. Após o período indicado, o remédio é suspenso para que o estômago volte a funcionar normalmente. O uso prolongado sem orientação médica não é indicado.

    Quais alimentos devem ser evitados na gastrite?

    Enquanto o paciente está com sintomas, é importante evitar alimentos e bebidas que irritam o estômago e aumentam o desconforto. Os principais são:

    • Frituras e preparações ricas em gordura;
    • Bebidas alcoólicas;
    • Bebidas com gás, como refrigerantes e água com gás;
    • Alimentos muito temperados, com pimenta ou temperos fortes;
    • Alimentos ácidos, como alguns frutos cítricos e molhos mais ácidos.

    Eleonora ressalta que é importante mastigar bem os alimentos para facilitar a digestão, ingerir porções menores e fazer refeições mais frequentes, evitando encher demais o estômago.

    Gastrite tem cura?

    Depende da causa. Quando o fator desencadeante é identificado e tratado, como a infecção por H. pylori, o uso de anti-inflamatórios ou o consumo de álcool, a inflamação costuma regredir.

    Nos casos em que não é possível definir exatamente o motivo, a orientação é adotar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada, redução do consumo de álcool, abandono do tabagismo e controle adequado do estresse.

    Leia também: Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

    Perguntas frequentes

    Quem tem gastrite pode comer cuscuz?

    A maioria das pessoas com gastrite pode comer cuscuz sem problemas, porque o alimento é leve, tem boa digestibilidade e não costuma irritar a mucosa do estômago. O cuscuz de milho, em especial, é uma opção interessante para quem está com sensibilidade gástrica, já que não contém gordura e pode ser preparado apenas no vapor.

    Os cuidados devem ser com os acompanhamentos, como manteiga em excesso, queijo muito gorduroso ou carne pesada podem causar desconforto. Preparar o cuscuz com pouco óleo, evitar temperos fortes e consumir em pequenas porções ajuda a tornar a refeição mais segura.

    Em fases de dor intensa, vale observar a reação individual e ajustar a dieta conforme orientação médica ou nutricional.

    Quem tem gastrite pode tomar leite?

    O leite pode aliviar temporariamente a queimação porque neutraliza parte da acidez do estômago, mas o efeito é passageiro. Logo depois, ele estimula nova produção de ácido, o que pode piorar os sintomas em algumas pessoas.

    Por isso, quem tem gastrite deve ter cautela: pequenas quantidades podem ser toleradas, mas há casos em que o leite provoca dor, estufamento ou enjoo. Os derivados gordurosos, como queijos amarelos e creme de leite, são mais irritantes para o estômago.

    O ideal é observar a resposta individual e, quando necessário, optar por versões com menor teor de gordura. Em gastrites mais graves ou durante crises, muitos médicos recomendam limitar o consumo de leite até que os sintomas melhorem.

    Como aliviar a gastrite imediatamente?

    O alívio imediato pode ocorrer com medidas simples, como:

    • Comer uma pequena porção de alimento leve, como arroz, batata ou uma fruta menos ácida, reduz o contato do ácido com a mucosa irritada;
    • Sentar com o tronco mais ereto e evitar deitar logo após comer também diminui a queimação;
    • Tomar água em goles suaves ajuda a diluir a acidez;
    • Algumas pessoas sentem conforto com chás mornos de camomila ou erva-doce.

    Já os antiácidos são úteis para crises pontuais, mas não resolvem a causa da gastrite. Caso a dor seja muito forte, persista por horas ou venha acompanhada de vômito com sangue, fezes escuras ou perda de peso, é fundamental buscar atendimento médico rapidamente.

    Quem tem gastrite pode beber café?

    O café é um dos itens mais relacionados ao aumento de desconforto gástrico. A bebida estimula a produção de ácido e pode piorar a queimação, especialmente quando consumida em jejum ou em grande quantidade.

    Os cafés muito fortes, coados lentamente ou feitos com grãos mais escuros têm maior potencial de irritação. Algumas pessoas conseguem tolerar pequenas quantidades após as refeições, enquanto outras sentem dor mesmo com poucos goles. Em períodos de crise, o ideal é reduzir ou suspender temporariamente, substituindo por chás suaves.

    Água com gás piora a gastrite?

    Sim, porque o gás distende o estômago, aumentando a pressão interna e agravando a sensação de dor e queimação. Em muitos casos, a bebida também provoca arrotos repetidos, o que reforça a irritação. Durante crises, o ideal é evitar qualquer bebida gaseificada e optar por água natural.

    A gastrite pode causar dor no peito?

    Sim, embora não seja o sintoma mais típico. A dor no estômago pode subir para a região torácica e gerar sensação de aperto ou queimação, confundindo-se com problemas cardíacos. Sempre que houver dor no peito intensa, persistente ou associada a falta de ar, sudorese ou mal-estar, é fundamental descartar problemas cardiovasculares antes de atribuir o sintoma à gastrite.

    Veja também: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta 

  • Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Você já deve saber que o grau de obesidade é medido pelo índice de massa corporal (IMC), que compara peso e altura para indicar se a pessoa está dentro da faixa considerada saudável. Mas então, por que é tão importante medir a circunferência abdominal?

    O acúmulo de gordura na região abdominal não envolve apenas questões estéticas, estando diretamente relacionado a maior risco cardiovascular e a alterações metabólicas importantes.

    A circunferência da cintura permite identificar quando há excesso de gordura visceral, localizada entre órgãos como fígado e pâncreas, que é considerada uma das formas mais perigosas de acúmulo de gordura no corpo.

    Por que a gordura visceral é tão perigosa?

    A gordura visceral é aquela que se acumula dentro do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestinos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela é responsável por produzir substâncias inflamatórias e hormônios que alteram diretamente o funcionamento do organismo, mantendo o corpo em um estado de inflamação persistente.

    A liberação contínua das substâncias mantém o organismo em um estado de inflamação crônica, favorecendo aumento da pressão arterial, piora do colesterol e elevação da glicose circulante.

    Como a gordura visceral está localizada entre órgãos vitais, os ácidos graxos liberados chegam rapidamente ao fígado, estimulando maior produção de glicose e de lipoproteínas de muito baixa densidade, que contribuem para a formação de placas nas artérias.

    A cardiologista ainda explica que o conjunto de alterações aumenta a resistência à insulina, favorece o acúmulo de gordura no fígado e cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, aterosclerose, infarto e AVC.

    Importância da circunferência abdominal

    A medida da cintura abdominal é um indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo, segundo Juliana. Quanto maior a circunferência da cintura, maior tende a ser o acúmulo de gordura visceral e, por consequência, maior o risco de doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

    Mesmo pessoas com o peso aparentemente normal podem apresentar acúmulo significativo de gordura interna na região abdominal, o que aumenta a probabilidade de desenvolver hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto e um estado de inflamação crônica.

    “Existem indivíduos que estão com IMC dentro da faixa da normalidade, porém eles têm uma quantidade de gordura desproporcionalmente distribuída, tendo mais gordura visceral. Então, se a circunferência abdominal estiver acima dos limites, mesmo com peso normal e IMC dentro do adequado, há risco cardiovascular aumentado”, explica Juliana.

    Vale apontar que essas alterações surgem de maneira gradual e muitas vezes sem sintomas, à medida que o organismo permanece exposto a inflamação persistente, circulação comprometida e desequilíbrios metabólicos prolongados.

    Qual é a medida ideal para homens e mulheres?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os valores de referência são:

    Circunferência abdominal em mulheres

    • Ideal: menor que 80 cm;
    • Risco aumentado: entre 80 cm e 88 cm;
    • Alto risco: maior que 88 cm.

    Circunferência abdominal em homens

    • Ideal: menor que 94 cm;
    • Risco aumentado: entre 94 cm e 102 cm;
    • Alto risco: maior que 102 cm.

    O aumento da gordura visceral é influenciado por fatores que alteram o metabolismo e favorecem o acúmulo na região da cintura, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, consumo frequente de bebidas alcoólicas e sono de má qualidade.

    A genética e o envelhecimento também interferem na distribuição da gordura corporal, facilitando o acúmulo com o passar dos anos.

    Como medir a circunferência abdominal em casa?

    A medição da circunferência abdominal em casa é simples e pode ser feita com uma fita métrica comum. Veja o passo a passo:

    1. Tire os sapatos e deixe a região da cintura livre de roupas, para que a fita encoste diretamente na pele;
    2. Fique em pé, com postura ereta, pés paralelos e afastados na largura do quadril, braços relaxados ao lado do corpo e abdômen solto, respirando normalmente;
    3. Passe a mão abaixo das costelas até encontrar a última costela fixa (10ª costela). Faça uma marca leve com caneta;
    4. Toque a parte mais alta do osso do quadril (crista ilíaca) e faça outra marca;
    5. Encontre o ponto médio entre as duas marcações; é ali que a circunferência deve ser medida;
    6. Passe a fita métrica ao redor do corpo na altura do ponto médio, certificando-se de que ela esteja paralela ao chão e não aperte a pele;
    7. Inspire e solte totalmente o ar, mantendo o abdômen relaxado, e então faça a leitura olhando a fita na altura dos olhos;
    8. Retire a fita e anote o valor encontrado em centímetros para acompanhar a evolução ao longo do tempo.

    Como reduzir a circunferência abdominal?

    A gordura visceral responde diretamente a fatores metabólicos e hormonais do dia a dia, então a redução da circunferência abdominal depende de mudanças na alimentação, na rotina de exercícios e no controle do estresse. Juliana recomenda as estratégias mais adequados:

    • Educação alimentar com menor ingestão de carboidratos refinados e açúcares;
    • Reduzir o consumo de doces, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados;
    • Aumento do consumo de fibras e proteínas, que prolongam a saciedade e ajudam no controle da glicose;
    • Prática regular de exercícios aeróbicos de intensidade moderada a alta, como caminhada rápida, corrida ou natação, favorecendo a queima de gordura visceral;
    • Inclusão de exercícios de força, como musculação e treinos de resistência, que aumentam a massa muscular e melhoram a sensibilidade à insulina;
    • Gerenciamento do estresse e manutenção de sono adequado, medidas que ajudam a regular o cortisol e evitam o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Leia também: Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

    Perguntas frequentes

    A circunferência abdominal substitui o IMC?

    A circunferência abdominal não substitui completamente o IMC, mas é importante para complementar a avaliação. O IMC aponta a relação entre peso e altura, porém não indica onde a gordura está distribuída. Por exemplo, duas pessoas com IMC igual podem ter riscos diferentes, dependendo da presença de gordura visceral.

    Por isso, a circunferência da cintura é útil para identificar quem tem maior exposição ao risco, mesmo com peso aparentemente adequado.

    Por que o estresse aumenta a gordura abdominal?

    O estresse é responsável por elevar os níveis de cortisol, hormônio que favorece o acúmulo de gordura na cintura e aumenta o apetite, especialmente por alimentos calóricos. Quando o cortisol permanece alto por longos períodos, o organismo passa a armazenar mais gordura visceral, alterando a regulação da glicose, do colesterol e da pressão arterial.

    Beber álcool contribui para o aumento da barriga?

    O álcool interfere diretamente no metabolismo das gorduras, sobrecarrega o fígado e estimula o armazenamento de gordura na região abdominal.

    As bebidas alcoólicas também acrescentam calorias adicionais e favorecem o consumo exagerado de alimentos, criando um ambiente ideal para o aumento da circunferência abdominal.

    Reduzir a circunferência abdominal melhora o risco cardiovascular?

    Sim! Mesmo pequenas reduções já podem diminuir a pressão arterial, melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir triglicerídeos e diminuir a inflamação sistêmica.

    Como a gordura visceral é metabolicamente ativa, qualquer queda na sua quantidade reflete rapidamente em benefícios para o coração e para o metabolismo.

    Por que algumas pessoas têm tendência maior a acumular gordura na barriga?

    A predisposição ao acúmulo de gordura abdominal depende de fatores genéticos, hormonais e comportamentais. Algumas pessoas têm metabolismo que direciona mais gordura para a região da cintura, enquanto outras acumulam mais no quadril ou nas coxas. O envelhecimento e alterações hormonais, como a queda do estrogênio nas mulheres, também favorecem o aumento da gordura visceral.

    Quanto tempo leva para reduzir a circunferência abdominal?

    O tempo pode variar conforme alimentação, rotina de exercícios, sono e genética de cada pessoa. Alguns observam mudanças em poucas semanas, enquanto outras precisam de meses para notar redução significativa.

    O mais importante é manter consistência nas escolhas diárias, porque a gordura visceral responde de forma previsível ao conjunto de hábitos saudáveis, trazendo benefícios progressivos para o metabolismo e para o coração.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

  • Por que cuidar da mente também é cuidar do coração? Cardiologista explica

    Por que cuidar da mente também é cuidar do coração? Cardiologista explica

    Não é preciso apenas uma alimentação saudável e a prática de exercícios para manter o coração saudável. Na verdade, sabia que o equilíbrio emocional também influencia diretamente na pressão arterial, frequência cardíaca, liberação de hormônios e processos inflamatórios?

    Quando uma pessoa vive diariamente sob estresse, ansiedade ou tristeza, o organismo permanece em estado de alerta, aumentando os níveis de cortisol e adrenalina no corpo, sobrecarregando o sistema cardiovascular.

    O resultado é um risco maior de pressão alta, aumento dos batimentos e desgaste dos vasos, deixando o coração mais vulnerável a problemas no futuro.

    Como a saúde mental afeta a saúde do coração?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o organismo possui um eixo neuro-hormonal (hipotálamo-hipófise-adrenal), que orquestra a liberação de uma série de hormônios — incluindo os hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina.

    Quando ocorre alguma alteração emocional no dia a dia, como estresse ou nervosismo, os hormônios são liberados na corrente sanguínea, causando o aumento da pressão arterial, acelerando os batimentos cardíacos e preparando o corpo para situações de alerta. Eles também alteram a liberação de glicose, o que afeta diretamente a saúde cardiovascular.

    Além disso, em situações de estresse intenso, o organismo permanece em estado de luta ou fuga, causada pela ativação do sistema nervoso simpático. Quando a situação é constante, pode acontecer uma sobrecarga do sistema cardiovascular.

    Ansiedade e depressão podem aumentar o risco de doenças cardíacas?

    Tanto a depressão quanto a ansiedade estão associadas a um maior risco cardiovascular. Quando uma pessoa vive em estado de alerta constante, como ocorre na ansiedade, o corpo libera mais adrenalina, noradrenalina e cortisol, hormônios que elevam a pressão arterial, aceleram os batimentos e aumentam a inflamação no organismo.

    Quando o estado é constante, o coração fica sobrecarregado, favorecendo alterações metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    No caso da depressão, Juliana explica que a doença é reconhecida como um fator de risco independente para o desenvolvimento de doença arterial coronariana, associada a infarto e AVC.

    Nesses quadros, o organismo tende a permanecer em um padrão de inflamação contínua, que prejudica a saúde dos vasos sanguíneos e facilita a formação de placas de gordura nas artérias.

    Além dos efeitos químicos diretos, a ansiedade e a depressão favorecem um estilo de vida não saudável:

    • É comum que pessoas deprimidas ou muito ansiosas parem de se exercitar, o que é fundamental para um coração saudável;
    • Muitas vezes, elas recorrem a comidas não saudáveis (ricas em açúcar e gordura) como conforto;
    • O uso de cigarro e o álcool pode aumentar, hábitos que são terríveis inimigos do coração;
    • O cansaço e a falta de energia fazem com que seja mais difícil seguir os tratamentos médicos (como tomar remédios para pressão ou diabetes) de forma correta.

    Emoções intensas podem ser perigosas?

    De acordo com Juliana, emoções intensas ativam rapidamente os eixos neuro-hormonais do cérebro e o sistema nervoso autônomo, provocando uma liberação maciça de cortisol, adrenalina e noradrenalina na corrente sanguínea.

    Em pessoas com predisposição, especialmente aquelas que já apresentam placas nas artérias, o aumento súbito da pressão arterial e da frequência cardíaca pode servir como gatilho para um infarto.

    Em alguns casos mais raros, pode acontecer o enfraquecimento súbito do músculo cardíaco, conhecido como síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. Os sintomas são quase iguais aos de um infarto, com dor súbita e intensa no peito, falta de ar e arritmias.

    Mas, na maioria das vezes, a síndrome é transitória e o músculo cardíaco costuma voltar à sua forma e função normal dentro de algumas semanas (normalmente de 7 a 30 dias).

    Como é possível reduzir o risco cardíaco?

    Além da prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada, uma das principais medidas para reduzir o risco de problemas cardíacos é cuidar da saúde mental e emocional. Isso pode ser feito de diversas formas, como:

    • Praticar técnicas de relaxamento, como meditação ou respiração profunda;
    • Manter uma rotina de sono adequada e de boa qualidade;
    • Reservar momentos de lazer e descanso ao longo da semana;
    • Buscar apoio psicológico, seja por terapia ou acompanhamento especializado;
    • Uso de medicamentos, quando indicado pelo médico;
    • Manter um sono adequado, dormindo horas suficientes e garantindo um ambiente tranquilo;
    • Cultivar vínculos sociais positivos, com familiares, amigos ou grupos de convivência;
    • Reduzir o excesso de estímulos e sobrecarga no dia a dia, organizando melhor as demandas.

    Pequenos ajustes na rotina, acompanhados de atenção aos próprios limites, já podem fazer grande diferença ao longo do tempo. Mas é importante reconhecer que, em alguns momentos, lidar sozinho com a ansiedade, a tristeza profunda ou a sensação de esgotamento pode ser difícil.

    Se você começar a sentir que perdeu a capacidade de enfrentar o dia a dia, procure um serviço de emergência de saúde mental imediatamente ou ligue para o CVV no número 188.

    Confira: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes

    Como o sono ruim prejudica o coração?

    O sono é o momento em que o corpo regula hormônios, controla a pressão e estabiliza batimentos. Quando a pessoa dorme mal por vários dias, o organismo entra em desequilíbrio, aumentando inflamação, resistência à insulina e tensão muscular. A longo prazo, isso eleva o risco de hipertensão, obesidade, diabetes e doenças coronárias.

    Existe ligação entre burnout e problemas cardíacos?

    A síndrome de burnout mantém o organismo em estado de exaustão emocional e física, o que sobrecarrega o coração de forma contínua. O corpo passa semanas ou meses liberando hormônios de estresse, alterando o sono e prejudicando o metabolismo, fatores que elevam o risco de hipertensão, arritmias e eventos cardíacos importantes.

    Como diferenciar crises de ansiedade de problemas cardíacos?

    A crise de ansiedade costuma surgir de forma abrupta, acompanhada de medo intenso, mãos suadas, tremores e sensação de perda de controle, melhorando após alguns minutos.

    Já os problemas cardíacos tendem a causar dor mais contínua e profunda, que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas, além de não melhorar com respiração lenta.

    Como as sensações podem confundir, a avaliação médica é fundamental quando os episódios são repetidos, intensos ou acompanhados de fatores de risco.

    O coração pode sofrer com sobrecarga emocional sem que exista doença cardíaca?

    O coração pode reagir intensamente a períodos de estresse, susto, luto ou ansiedade prolongada, mesmo quando está estruturalmente saudável. Os batimentos acelerados, dor no peito e sensação de desmaio podem surgir sem lesão física, porque o corpo interpreta emoções fortes como ameaças reais.

    O mecanismo natural de defesa causa sintomas cardíacos que desaparecem quando o equilíbrio emocional retorna.

    Como o ambiente de trabalho influencia a mente e o coração?

    Os ambientes de trabalho muito exigentes, com prazos constantes e pouco tempo de descanso, mantêm o corpo em alerta contínuo. Isso aumenta o estresse, altera o sono e favorece comportamentos como comer rápido ou pular refeições. Com o passar dos meses, o coração sente o impacto da sobrecarga, que eleva pressão e desgaste cardiovascular.

    Leia também: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

  • Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

    Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

    Você já ouviu falar em gastrite nervosa? Diferente da gastrite tradicional, ela costuma causar azia, má digestão e desconforto durante períodos de ansiedade e estresse intenso — sem que exista qualquer sinal de inflamação ou alterações no estômago.

    A condição, conhecida como dispepsia funcional, não indica um quadro de gastrite de fato. Ela recebeu esse nome porque apresenta sintomas semelhantes, mas sem nenhuma lesão visível nos exames, como a endoscopia.

    O que acontece é uma alteração na forma como o estômago funciona e reage durante momentos de tensão, o que faz com que os sinais se manifestem mesmo em situações simples do dia a dia.

    O que é gastrite nervosa e por que ela acontece?

    A gastrite nervosa, ou dispepsia funcional, é um quadro que provoca sintomas gastrointestinais durante períodos de estresse, ansiedade ou tensão emocional.

    Diferente da gastrite tradicional, que pode ser confirmada por exames como a endoscopia, a gastrite nervosa não mostra feridas, irritações ou alterações na mucosa gástrica. O estômago está estruturalmente normal, mas funciona de um jeito mais sensível, reagindo de forma exagerada a situações do cotidiano.

    Quando uma pessoa passa por situações de nervosismo, o corpo libera hormônios do estresse que alteram o ritmo da digestão, deixam o estômago mais lento para esvaziar e aumentam a sensibilidade aos estímulos.

    Isso faz com que alimentos comuns, quantidades pequenas de comida ou até o ácido normal do estômago provoquem desconforto, dor, azia, sensação de peso e até náuseas.

    Basicamente, a condição acontece porque o estômago reage de forma mais intensa aos momentos de tensão, funcionando de maneira diferente e percebendo sinais normais como se fossem irritantes ou dolorosos.

    Quando o estresse diminui e os hábitos diários melhoram, como sono, alimentação e rotina, os sintomas tendem a reduzir de forma significativa.

    Quais os sintomas de gastrite nervosa?

    Os sintomas da dispepsia funcional são os mesmos da gastrite, só que eles são provocados por situações de ansiedade e estresse. Os principais incluem:

    • Dor ou queimação na parte alta da barriga;
    • Sensação de estômago pesado, mesmo após pequenas refeições;
    • Azia ou acidez aumentada;
    • Náuseas leves;
    • Estufamento e gases;
    • Sensação de comida “parada” no estômago;
    • Arrotos frequentes;
    • Desconforto que piora em dias de estresse, ansiedade ou sono ruim.

    “Às vezes, o paciente precisa interromper até a refeição no meio, não consegue terminar de comer ou, logo que termina, sente aquele estômago pesado, muito cheio. Às vezes nem comeu muito, mas tem essa sensação de estômago mais pesado. Pode ter uma hipersensibilidade ao ácido, às vezes até a sensação de refluxo”, explica a gastroenterologista Eleonora Gomes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da chamada gastrite nervosa é feito principalmente pela combinação dos sintomas com a avaliação clínica do médico. Normalmente, é realizada uma endoscopia digestiva alta para verificar se existe inflamação, úlcera ou qualquer alteração na mucosa do estômago.

    Quando a endoscopia e outros exames aparecem normais e os sintomas combinam com o quadro, o diagnóstico é confirmado por exclusão. A ideia é entender como o estômago está funcionando e identificar fatores emocionais e comportamentais que possam estar desencadeando o desconforto.

    Como tratar a gastrite nervosa?

    O tratamento da gastrite nervosa envolve principalmente mudanças de hábitos e controle do estresse, já que o problema não é causado por uma inflamação no estômago.

    De acordo com Eleonora, podem ser utilizados medicamentos que diminuem a secreção gástrica ou aceleram o esvaziamento gástrico, mas eles não resolvem a causa do quadro, apenas reduzem o desconforto causado pelos sintomas.

    A gastroenterologista aponta algumas mudanças de hábitos que podem ajudar:

    • Manter sono regular e reparador;
    • Reduzir o estresse e aprender técnicas de manejo emocional;
    • Praticar técnicas de respiração e mindfulness;
    • Realizar atividade física regular;
    • Entender a doença e identificar gatilhos emocionais e comportamentais;
    • Fazer alimentação equilibrada e em horários regulares;
    • Comer em ambiente tranquilo e com tempo para mastigar;
    • Evitar chegar com muita fome às refeições ou passar muitas horas sem comer;
    • Comer devagar e com atenção para evitar piora dos sintomas.

    Para diminuir os sintomas, Eleanora também recomenda distribuir as refeições ao longo do dia, nos mesmos horários e em quantidades menores, de preferência sem líquidos. Organizar as refeições com tranquilidade permite que elas caiam melhor no estômago.

    Remédios para gastrite nervosa

    Os remédios para gastrite nervosa mais usados são aqueles que reduzem a produção de ácido, como inibidores de bomba de prótons e antiácidos, além de remédios que aceleram o trânsito do estômago para evitar a sensação de alimento parado.

    Eles atuam apenas como apoio temporário para aliviar o desconforto, mas não tratam a causa principal dos sintomas, que está ligada ao estresse, à ansiedade e ao ritmo de vida. O uso de medicamentos deve ser feito apenas com a orientação de um médico. Não se automedique!

    Gastrite nervosa pode evoluir para um câncer?

    A gastrite nervosa não evolui para um câncer. Apesar dos sintomas intensos e incômodos, como dor, queimação, azia e sensação de estômago pesado, ela não provoca inflamação, feridas ou danos reais na mucosa do estômago.

    Nos exames, o órgão aparece normal, o que confirma que não existe uma lesão que possa se transformar em algo mais grave.

    Quando procurar um gastroenterologista?

    A consulta é indicada sempre que os sintomas forem frequentes, persistirem por semanas ou atrapalharem a rotina. Não é necessário buscar ajuda apenas para investigar uma gastrite tradicional. O gastroenterologista é o profissional mais preparado para avaliar e acompanhar casos de dispepsia funcional.

    Quanto à terapia ou ao apoio psicológico no tratamento, Eleonora explica que eles não são obrigatórios, mas, se o estresse ou a situação emocional estiver interferindo muito nos sintomas e na rotina, técnicas como terapia cognitivo-comportamental, manejo de estresse ou mindfulness podem reduzir a ansiedade e diminuir os gatilhos.

    Leia também: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Perguntas frequentes

    O que causa a gastrite nervosa?

    A gastrite nervosa acontece por causa da ligação direta entre mente e sistema digestivo, porque o estresse altera a liberação de hormônios e deixa o estômago mais lento, mais sensível e mais reativo. A digestão, que normalmente ocorre sem incômodo, passa a ser percebida como dor, peso ou acidez forte, já que o corpo fica em alerta durante os períodos de tensão.

    A pessoa pode sentir desconforto após pequenas refeições, perceber o ácido normal como algo agressivo ou ter a sensação de comida parada, mesmo sem alterações nos exames.

    A rotina também influencia: uma noite mal dormida ou um dia mais agitado, por exemplo, pode intensificar bastante o desconforto, porque o sistema nervoso está trabalhando de forma acelerada e interfere diretamente na forma como o estômago reage.

    A gastrite nervosa pode virar uma gastrite verdadeira?

    A dispepsia funcional não evolui para gastrite tradicional, porque não há inflamação da mucosa, e a sensibilidade exagerada se deve a fatores emocionais e comportamentais, o que afasta qualquer risco de transformação em outro tipo de doença gástrica.

    Qual é a diferença entre gastrite nervosa e refluxo?

    O refluxo envolve o retorno do ácido para o esôfago, irritando a mucosa e provocando queimação típica, algo que costuma ser confirmado por exames.

    A gastrite nervosa, por outro lado, surge de uma sensibilidade aumentada do estômago e do esôfago durante períodos de tensão, o que faz o corpo interpretar estímulos comuns, como o ácido normal ou o simples processo de digestão, como sinais de dor ou queimação — mesmo que nada esteja voltando para o esôfago.

    O álcool pode piorar os sintomas de gastrite nervosa?

    O álcool pode intensificar o desconforto gástrico, porque estimula a secreção ácida e interfere na motilidade do estômago, além de ser mais mal tolerado em períodos de estresse. A recomendação geral é evitar ou reduzir a ingestão durante as fases de sintomas mais fortes.

    Posso tomar café tendo gastrite nervosa?

    O café pode piorar os sintomas em algumas pessoas por aumentar a acidez ou acelerar o funcionamento do sistema digestivo. Porém, a sensibilidade varia muito, e o mais importante é observar como o corpo reage, reduzindo ou ajustando o consumo apenas quando houver piora clara do desconforto.

    A gastrite nervosa pode causar arrotos?

    O excesso de arrotos é comum durante os quadros porque o estômago fica mais lento e a pessoa pode engolir mais ar durante momentos de ansiedade, o que aumenta a sensação de pressão interna. O ar precisa ser liberado, o que provoca arrotos frequentes ao longo do dia.

    A ansiedade também deixa a respiração mais rápida e superficial, favorecendo ainda mais a entrada de ar no trato digestivo, o que reforça a impressão de estufamento e desconforto. Quando o corpo volta a um estado mais calmo e o estômago retoma seu ritmo natural, a tendência é que os arrotos diminuam de forma gradual.

    Como aliviar a gastrite nervosa?

    A forma de aliviar a gastrite nervosa envolve cuidados simples no dia a dia, todos voltados para acalmar o sistema digestivo e diminuir a sensibilidade que surge em períodos de tensão:

    • Reduzir o estresse diário com pausas, respiração lenta, relaxamento e mindfulness;
    • Comer devagar, mastigando bem e evitando refeições em ambientes tensos ou com pressa;
    • Fazer refeições menores ao longo do dia, sem longos intervalos sem comer;
    • Evitar grandes volumes de comida de uma só vez, especialmente à noite;
    • Priorizar horários regulares para as refeições, criando previsibilidade para o estômago;
    • Evitar líquidos em excesso durante as refeições, para não aumentar o desconforto;
    • Praticar atividade física regular, mesmo que leve, para melhorar a ansiedade e a digestão;
    • Buscar orientação médica para avaliar a necessidade de medicamentos de alívio temporário.

    Confira: Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro

  • Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

    Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

    Dificuldades de concentração, dores de cabeça frequentes e cansaço excessivo são apenas alguns sinais que podem indicar um quadro de síndrome de burnout, comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes.

    A condição, que surge quando o corpo permanece em estado de alerta por longos períodos, provoca um desgaste emocional e físico capaz de interferir em diversos aspectos da saúde — especialmente no sistema cardiovascular.

    O organismo passa a liberar grandes quantidades de hormônios do estresse, como cortisol, adrenalina e noradrenalina, que, com o tempo, podem gerar uma sobrecarga contínua no coração e nos vasos sanguíneos.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como o estresse crônico afeta a saúde cardíaca, os principais sinais que indicam quando o organismo está sobrecarregado e como proteger o coração, mesmo com uma rotina corrida. Confira!

    Afinal, o que é síndrome de burnout?

    A síndrome de burnout, conhecida também como síndrome do esgotamento profissional, é um quadro emocional marcado por exaustão intensa, estresse persistente e desgaste físico significativo decorrente de rotinas profissionais extremamente exigentes, competitivas ou de grande responsabilidade.

    O quadro aparece com maior frequência em pessoas que trabalham sob pressão contínua e que lidam diariamente com demandas elevadas, como profissionais da saúde, educação, segurança pública, comunicação e diversas outras áreas.

    De acordo com o Ministério da Saúde, a condição também pode surgir quando o trabalhador é exposto a metas excessivamente complexas ou a demandas que despertam a sensação de incapacidade para cumpri-las. A pressão constante para alcançar resultados inalcançáveis favorece um desgaste emocional profundo, que pode evoluir para quadros de depressão.

    Como o estresse crônico altera o funcionamento do coração?

    Além de afetar a saúde mental, diminuir a imunidade e comprometer o equilíbrio hormonal, o estresse crônico também prejudica o funcionamento do sistema cardiovascular.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante uma situação de estresse constante, o corpo entra em um estado conhecido como luta e fuga. A resposta provoca alterações em uma série de hormônios associados ao estresse, em especial o cortisol, além de mudanças na liberação de catecolaminas, como adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina).

    Como preparação para a reação de luta ou fuga, ocorrem alterações metabólicas amplas, com picos glicêmicos, liberação acentuada de glicose, vasoconstrição das artérias e aceleração dos batimentos cardíacos. Isso pode levar a uma frequência cardíaca continuamente elevada, aumentando a probabilidade de arritmias e impondo maior esforço ao músculo do coração ao longo do tempo.

    Além disso, alterações hormonais frequentemente se associam a comportamentos de enfrentamento pouco saudáveis, como compulsão alimentar, sedentarismo, aumento do consumo de álcool e tabagismo.

    Para completar, a cardiologista aponta que o estresse prolongado desencadeia um estado inflamatório sistêmico crônico, considerado fator de risco para a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), aumentando a probabilidade de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    Riscos do estresse crônico para o coração

    Sem tratamento adequado, o estresse prolongado no dia a dia pode desencadear:

    • Aumento sustentado da pressão arterial;
    • Frequência cardíaca constantemente elevada;
    • Maior probabilidade de arritmias;
    • Inflamação crônica que favorece aterosclerose;
    • Formação acelerada de placas de gordura nas artérias;
    • Redução da flexibilidade dos vasos sanguíneos;
    • Maior risco de infarto do miocárdio;
    • Aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC).

    O burnout também pode interferir no sono, já que o corpo permanece em estado de alerta e tem dificuldade para relaxar. A dificuldade para dormir e o descanso de má qualidade mudam o equilíbrio dos hormônios, aumentam o cortisol e fazem a fome oscilar ao longo do dia, favorecendo o consumo de alimentos mais calóricos.

    O aumento de peso também pode surgir por causa do cansaço extremo, que reduz a disposição para se mover e manter uma rotina ativa. O sono de má qualidade e o ganho de peso são fatores de risco para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares.

    Sinais cardiovasculares associados ao burnout

    É fundamental observar como o corpo reage ao estresse, porque alguns sinais podem indicar que o coração já está sendo afetado, especialmente em períodos de grande pressão no trabalho ou burnout. Entre os sintomas, Juliana aponta:

    Sintomas emocionais

    • Exaustão profunda;
    • Irritabilidade;
    • Ansiedade;
    • Dificuldade de concentração.

    Sintomas físicos

    • Taquicardia;
    • Palpitações;
    • Sensação de coração acelerado ou irregular;
    • Dor no peito;
    • Tontura;
    • Sudorese intensa mesmo em repouso.

    Como identificar a síndrome de burnout?

    A síndrome de burnout costuma se manifestar por meio de um conjunto de sintomas emocionais, mentais e físicos que vão se acumulando ao longo do tempo. A pessoa pode perceber um aumento do nervosismo, sensação de esgotamento, mal-estares frequentes e dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia.

    Entre alguns dos sintomas para identificar a condição, o Ministério da Saúde aponta:

    • Cansaço muito grande, físico e mental;
    • Dificuldade para se concentrar;
    • Sensação de que não consegue fazer nada direito;
    • Dor de cabeça frequente;
    • Mudanças no apetite;
    • Sentimentos de insegurança e fracasso;
    • Alterações de humor ao longo do dia;
    • Problemas para dormir;
    • Pensamentos negativos constantes;
    • Vontade de se isolar;
    • Sensação de derrota ou desânimo profundo.

    O diagnóstico da síndrome de burnout é feito por um profissional especialista após análise clínica do paciente. O psiquiatra ou o psicólogo são os especialistas que conseguem identificar o quadro, entender como ele afeta a rotina e indicar o tratamento mais adequado para cada pessoa.

    Como é feito o tratamento de burnout?

    O tratamento da síndrome de burnout começa, na maior parte das vezes, com sessões de psicoterapia, e em alguns casos pode incluir o uso de medicamentos, como antidepressivos ou ansiolíticos, quando indicado pelo médico.

    A melhora costuma aparecer entre um e três meses, embora algumas pessoas precisem de um período maior, dependendo da gravidade do quadro e do ritmo de recuperação.

    Segundo Juliana, o principal foco do tratamento é diminuir o que causa estresse no dia a dia, com ajustes nos horários, na rotina de trabalho e nos limites pessoais. A redução da pressão diária ajuda o corpo a voltar ao equilíbrio, porque os níveis de cortisol e de outras substâncias ligadas ao estresse começam a se normalizar.

    A recuperação também envolve mudanças simples no estilo de vida, como fazer atividade física com regularidade, dormir bem e manter uma alimentação mais organizada.

    Como proteger o coração mesmo tendo uma rotina estressante?

    A proteção do coração pede cuidados em diferentes frentes, segundo Juliana. A rotina precisa ser ajustada, com sono de boa qualidade, prática regular de atividade física, exercícios de relaxamento, respiração mais consciente e organização do tempo ao longo do dia.

    A imposição de limites no dia a dia, tanto no trabalho quanto nos estudos, também é importante, porque aceitar tarefas em excesso aumenta a sobrecarga e piora o estresse.

    A busca por apoio profissional faz parte do cuidado: profissionais de saúde podem auxiliar na recuperação do burnout, enquanto um cardiologista deve ser procurado quando surgem sintomas relacionados ao coração.

    Juliana finaliza ressaltando que a vulnerabilidade feminina merece uma atenção especial, pois mulheres apresentam maior chance de desenvolver problemas cardiovasculares quando vivem longos períodos de estresse intenso, o que torna o cuidado ainda mais necessário para esse grupo.

    Leia também: 7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse

    Perguntas frequentes

    O burnout pode desencadear infarto?

    A inflamação crônica, a pressão arterial elevada e a formação acelerada de placas nas artérias criam um cenário altamente favorável ao infarto, porque o coração passa longos períodos funcionando acima do limite.

    Com o tempo, a sobrecarga constante reduz a capacidade do músculo cardíaco de se recuperar, agrava o desgaste natural dos vasos e facilita a ruptura de placas, que podem bloquear totalmente a passagem do sangue, causando o infarto.

    O burnout aumenta o risco de AVC?

    A pressão arterial constantemente elevada e o acúmulo de placas que estreitam os vasos sanguíneos elevam de maneira significativa a probabilidade de obstruções capazes de interromper o fluxo de sangue para o cérebro. A resposta inflamatória do organismo, mantida por longos períodos, também facilita a formação de coágulos que podem migrar e causar um bloqueio súbito.

    A combinação de inflamação, alteração hormonal e sobrecarga cardíaca transforma o burnout em um fator importante para o aumento do risco de AVC.

    Quando procurar ajuda médica?

    A presença de dor no peito, falta de ar súbita, palpitações intensas, tontura forte ou desmaio exige atendimento imediato. A busca por acompanhamento psicológico ou psiquiátrico também deve acontecer assim que surgirem sinais de exaustão persistente, dificuldade para dormir ou perda significativa de motivação, pois tratar o burnout cedo protege o coração e o bem-estar geral.

    Como o cortisol afeta o coração?

    O cortisol funciona como um sinal de alerta para o corpo, mas quando permanece elevado por muito tempo passa a causar danos. O hormônio estimula a liberação de glicose no sangue, aumenta a pressão arterial e interfere no metabolismo, criando um ambiente de inflamação contínua.

    Tudo isso exige esforço constante do coração e favorece o surgimento de hipertensão, arritmias e até eventos mais graves, como infarto.

    Burnout pode afetar a memória?

    Sim, pois o excesso de cortisol prejudica áreas do cérebro responsáveis por atenção, memória e tomada de decisões. A pessoa pode esquecer tarefas simples, perder o fio da conversa com facilidade e ter dificuldade para organizar pensamentos.

    A perda de clareza mental é resultado direto do desgaste prolongado, que afeta tanto o raciocínio quanto a capacidade de foco e aprendizado.

    Pessoas jovens também podem ter burnout?

    Sim, porque a síndrome não está ligada apenas à idade, mas à intensidade do estresse e da pressão vivida no dia a dia. Pessoas mais jovens, especialmente estudantes universitários, trabalhadores em início de carreira e profissionais que acumulam várias funções, podem desenvolver burnout devido à cobrança interna, jornadas longas e dificuldade para estabelecer limites.

    Como prevenir a síndrome de burnout?

    Uma forma prática e eficaz de evitar a síndrome de burnout é adotar hábitos que reduzam o estresse diário e tornem a rotina mais leve. Quando o corpo e a mente contam com períodos reais de descanso e atividades que trazem bem-estar, o risco de esgotamento diminui de forma importante.

    Entre as estratégias mais recomendadas estão:

    • Criar metas pequenas e possíveis, tanto na vida profissional quanto na pessoal;
    • Reservar momentos para estar com amigos e familiares, fortalecendo vínculos positivos;
    • Inserir atividades prazerosas na semana, como passeios, refeições fora de casa ou cinema;
    • Diminuir a convivência com pessoas muito negativas ou que alimentam reclamações constantes;
    • Dividir preocupações e sentimentos com alguém de confiança;
    • Praticar exercícios com regularidade, seja caminhada, corrida, bicicleta, academia, natação ou qualquer atividade que mova o corpo;
    • Evitar álcool, cigarro e outras substâncias que aumentam a confusão mental e pioram o cansaço;
    • Nunca usar remédios sem orientação médica, para não mascarar sintomas e atrasar o cuidado correto.

    Confira: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • Quando o alimento vai pelo caminho errado: entenda a pneumonia aspirativa 

    Quando o alimento vai pelo caminho errado: entenda a pneumonia aspirativa 

    A pneumonia aspirativa é uma das complicações respiratórias mais comuns em pacientes vulneráveis, especialmente idosos, pessoas com dificuldade para engolir ou indivíduos que usam sedativos. Ela acontece quando alimentos, saliva, secreções ou até conteúdo do estômago descem pelo caminho errado e chegam aos pulmões.

    Dependendo do material aspirado, o pulmão pode reagir com inflamação imediata ou desenvolver uma infecção mais lenta e persistente.

    Apesar de soar assustadora, a pneumonia aspirativa tem sinais bem característicos e diversas formas de prevenção, principalmente para quem já tem risco aumentado de broncoaspiração.

    O que é pneumonia aspirativa?

    A pneumonia aspirativa ocorre quando substâncias da boca ou do estômago entram nas vias aéreas inferiores, carregando:

    • Bactérias
    • Ácidos estomacais
    • Partículas alimentares
    • Óleos laxantes ou outros líquidos

    Ela pode se manifestar de duas formas, que às vezes acontecem juntas:

    Pneumonite química

    Reação inflamatória causada pela aspiração de substâncias irritantes, mesmo sem infecção bacteriana.

    Pneumonia bacteriana por aspiração

    Infecção pulmonar causada pela entrada de bactérias presentes na saliva ou no conteúdo gástrico.

    Causas

    A pneumonia aspirativa geralmente é consequência da entrada de saliva, secreções ou conteúdo gástrico nos pulmões. Isso é mais comum em pessoas com condições que dificultam a deglutição ou diminuem o nível de consciência.

    Principais fatores de risco:

    • Redução do nível de consciência (anestesia, sedativos, convulsões, parada cardíaca)
    • Doenças neurológicas (como sequelas de AVC)
    • Refluxo gastroesofágico
    • Dificuldade no fechamento da glote ou esfíncter esofagiano (intubação, endoscopia, câncer de cabeça e pescoço, uso de sonda)
    • Má higiene bucal
    • Idade avançada
    • Parada cardíaca

    Principais sintomas

    Os sintomas variam conforme o tipo de aspiração:

    Pneumonite química

    • Início súbito
    • Falta de ar
    • Tosse
    • Queda da saturação
    • Aumento da frequência cardíaca
    • Possível febre baixa

    Pneumonia bacteriana por aspiração

    • Evolução mais lenta
    • Falta de ar
    • Tosse com catarro de odor forte
    • Febre
    • Sintomas semelhantes aos de uma pneumonia comum
    • Pode evoluir para abscessos, pneumonia necrotizante e empiema

    Diagnóstico

    O diagnóstico começa pela avaliação clínica, considerando:

    • Sintomas respiratórios
    • Histórico de broncoaspiração
    • Condições de risco

    Exames de imagem

    Radiografias ou tomografias de tórax ajudam a identificar:

    • Áreas de consolidação (manchas no pulmão)
    • Sinais de inflamação ou infecção

    Esses achados, associados ao histórico, ajudam a confirmar o diagnóstico.

    Tratamento

    O tratamento depende da gravidade e do tipo de aspiração.

    Medidas iniciais

    • Oxigenoterapia quando há queda de saturação
    • Aspiração de secreções das vias aéreas
    • Hidratação e suporte respiratório

    Antibióticos

    São usados devido à frequente presença de bactérias na aspiração, principalmente quando há suspeita de pneumonia bacteriana.

    Casos graves

    • Intubação orotraqueal
    • Ventilação mecânica

    Essas medidas ajudam a proteger a via aérea e garantir oxigenação adequada.

    Prevenção

    A prevenção é fundamental, especialmente para pacientes acamados ou com dificuldade de engolir.

    Medidas recomendadas:

    • Manter a cabeceira elevada
    • Reduzir o uso de sedativos
    • Ajustar a consistência alimentar com apoio da fonoaudiologia
    • Avaliar risco de engasgos e broncoaspiração
    • Usar sonda nasoenteral em casos de grande dificuldade para engolir
    • Garantir boa higiene oral para reduzir bactérias na saliva

    Veja também: Refluxo silencioso: o que é, principais sintomas e como identificar

    Perguntas frequentes sobre pneumonia aspirativa

    1. Pneumonia aspirativa é grave?

    Pode ser. Dependendo do material aspirado e da condição do paciente, pode evoluir rapidamente e exigir internação.

    2. Todo engasgo causa pneumonia aspirativa?

    Não. Pequenos engasgos são comuns. A pneumonia ocorre quando o material aspirado alcança o pulmão e causa inflamação ou infecção.

    3. Quais pacientes têm mais risco?

    Idosos, pessoas com doenças neurológicas, usuários de sedativos e quem tem refluxo severo.

    4. Pneumonite química precisa de antibiótico?

    Nem sempre, mas o médico avalia caso a caso, porque a aspiração pode ter componentes bacterianos.

    5. Má higiene bucal aumenta o risco?

    Sim. O acúmulo de bactérias na boca aumenta a chance de infecção ao aspirar secreções.

    6. A pneumonia aspirativa é contagiosa?

    Não. Ela não é transmitida entre pessoas.

    7. Pode acontecer durante o sono?

    Sim, especialmente em pessoas com refluxo, uso de sedativos ou dificuldade para engolir.

    Veja mais: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

  • Pressão alta: 10 atividades físicas para incluir na rotina

    Pressão alta: 10 atividades físicas para incluir na rotina

    Não é novidade que treinar regularmente contribui para controlar o peso, melhorar o funcionamento do coração e ajudar na circulação do sangue, mas será que pessoas com pressão alta podem praticar atividades físicas normalmente? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender os benefícios do treino para regular a pressão arterial e quais cuidados são necessários. Dá uma olhada!

    Quem tem pressão alta pode fazer atividade física?

    A prática de atividades físicas é recomendada para todas as pessoas, independentemente da idade, incluindo quem convive com hipertensão. Quando realizada de forma regular e consistente, ela contribui para reduzir a pressão arterial, melhorar a circulação sanguínea e aumentar a eficiência do coração.

    Contudo, Juliana aponta que a prática deve ser feita após avaliação médica e com supervisão, uma vez que cada pessoa apresenta um padrão diferente de resposta ao esforço. O exercício é, em muitos casos, parte do tratamento da hipertensão, desde que conduzido com cuidado.

    Quais as modalidades recomendadas para quem tem pressão alta?

    A maioria das modalidades aeróbicas e de força leve a moderada são consideradas seguras e eficazes para quem tem pressão alta, desde que haja avaliação médica prévia. As mais recomendadas incluem:

    1. Caminhada em ritmo confortável a moderado;
    2. Corrida leve, quando a pressão está controlada;
    3. Bicicleta ergométrica ou ciclismo ao ar livre;
    4. Natação;
    5. Hidroginástica;
    6. Dança;
    7. Musculação leve a moderada, com cargas progressivas;
    8. Pilates;
    9. Yoga focado em posturas suaves e controle respiratório;
    10. Alongamentos.

    A escolha depende do nível de condicionamento, do controle da pressão e da preferência pessoal, sempre com orientação profissional para ajustar intensidade, duração e frequência dos treinos.

    Benefícios da atividade física para pressão alta

    Primeiro de tudo, vale lembrar que o coração é um músculo, e por isso reage muito bem quando recebe estímulo de forma regular.

    Quando a pessoa se movimenta com frequência, o coração aprende a trabalhar de um jeito mais eficiente, batendo com mais força e precisando fazer menos esforço para mandar sangue para todo o corpo. Com o tempo, isso ajuda a manter a pressão arterial mais estável ao longo do dia.

    A prática constante, de acordo com Juliana Soares, também estimula a vasodilatação e facilita o caminho do sangue pelos vasos, diminuindo a resistência que o coração enfrenta a cada batimento.

    Para completar, a atividade física ainda melhora o funcionamento do metabolismo, favorece a perda de peso de forma gradual e reduz o acúmulo de gordura, o que contribui para:

    • Melhora do controle glicêmico, que influencia diretamente a saúde vascular;
    • Diminuição da sobrecarga no coração durante atividades comuns;
    • Melhora da circulação periférica;
    • Redução de marcadores inflamatórios ligados à hipertensão;
    • Diminuição do risco de infarto e AVC;
    • Melhora do padrão de sono, fator importante para manter a pressão controlada;
    • Sensação maior de disposição e bem-estar ao longo do dia

    Pessoas com hipertensão podem fazer treinos de força?

    O treino de força pode ser feito por pessoas com pressão alta, desde que com orientação profissional adequada. Segundo Juliana, durante esforços muito intensos, é comum prender a respiração involuntariamente, o que provoca aumentos rápidos e expressivos da pressão arterial, gerando picos pressóricos indesejados.

    Por isso, esse tipo de treino deve ser realizado com cargas moderadas, priorizando um número maior de repetições com menor peso, mantendo o movimento contínuo e a respiração bem controlada. É importante ainda que o treino de força não seja realizado em dias consecutivos, permitindo que o corpo tenha tempo adequado para recupera

    Importante: exercícios como levantamento de peso muito intenso ou atividades de explosão devem ser evitados, porque a demanda física muito alta e rápida provoca aumentos bruscos da pressão arterial, podendo gerar picos pressóricos que, para quem já tem hipertensão, podem ser bastante prejudiciais, segundo a cardiologista.

    Cuidados para a prática de atividades físicas

    Antes de tudo, é importante verificar se a pressão está controlada antes do treino. Se ela estiver muito alta, Juliana recomenda que a prática não seja feita. Uma recomendação usada como referência é evitar qualquer esforço quando a pressão ultrapassa valores como 180 por 110 (18 por 11), já que isso aumenta o risco de mal-estar e picos pressóricos durante a atividade.

    A orientação envolve checar a pressão em casa sempre que possível, principalmente se a pessoa está começando uma rotina de exercícios ou quando percebe sintomas como dor de cabeça, tontura ou sensação de pressão na nuca. A ideia é garantir que o corpo esteja em condições seguras para receber o esforço físico.

    Durante o exercício, o ideal é que o treino seja confortável a ponto de permitir que a pessoa consiga conversar. Juliana aponta a importância de evitar prender a respiração durante o esforço e se manter bem hidratado, com uma garrafa de água sempre ao lado.

    Depois do treino, o recomendado é diminuir o ritmo gradualmente e realizar alongamentos, permitindo que o corpo retorne aos poucos ao estado de repouso. Os cuidados ajudam a evitar tontura, queda brusca da pressão e desconfortos após a atividade.

    Preciso continuar tomando remédio mesmo fazendo exercício físico?

    A maioria das pessoas com hipertensão precisa continuar tomando remédio mesmo fazendo exercício físico, porque a medicação e a atividade atuam de maneiras diferentes no controle da pressão.

    A movimentação regular contribui para melhorar a circulação, fortalecer o coração e reduzir a resistência dos vasos, mas os benefícios aparecem de forma gradual. Já o remédio age diretamente nos mecanismos que mantêm a pressão controlada, garantindo segurança no dia a dia e durante o próprio treino.

    Por isso, o exercício não substitui a medicação! O que pode acontecer, em algumas situações, é o médico reduzir as doses ou ajustar os horários quando a pressão se mantém controlada por longos períodos. Mas isso deve ser feito a partir de acompanhamento e exames, e não por conta própria.

    Quais sinais indicam que é importante interromper o treino?

    Existem alguns sinais que, se aparecerem durante o treino, são um sinal de alerta para interromper a atividade imediatamente e buscar auxílio médico, porque podem indicar um risco cardiovascular. Entre os principais sinais de alerta, Juliana destaca:

    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço;
    • Tontura súbita ou sensação de desmaio;
    • Desmaio;
    • Batimentos irregulares ou muito acelerados;
    • Dor de cabeça súbita e muito intensa.

    Confira: Treino full body: o que é, para quem é indicado e como montar

    Perguntas frequentes

    Quem tem hipertensão pode treinar todos os dias?

    A possibilidade de treinar diariamente depende do controle da pressão e do tipo de atividade escolhida. A prática aeróbica moderada costuma ser segura para a maioria das pessoas e pode ser feita quase todos os dias, desde que o corpo esteja se sentindo bem e sem sintomas.

    Com orientação médica, é possível ajustar a intensidade, o tempo e o intervalo entre os treinos, garantindo que o organismo responda de forma saudável. Se você apresentar sinais de cansaço extremo, tontura ou palpitação, é um sinal alerta para reduzir o ritmo ou descansar mais um dia.

    Qual horário é mais seguro para treinar com pressão alta?

    A manhã e o final da tarde costumam ser períodos mais confortáveis para quem convive com hipertensão, porque a temperatura tende a ser mais amena e o corpo se adapta melhor ao esforço.

    O ideal é evitar horários muito quentes, que favorecem desidratação e aumentam a sobrecarga cardíaca. A regularidade importa mais do que o horário específico; o objetivo é treinar sempre que o corpo estiver bem e a pressão estiver controlada.

    Como saber se a intensidade do treino está adequada?

    A regra prática envolve observar se o corpo consegue sustentar uma conversa curta durante o esforço. Quando isso acontece, a intensidade costuma estar moderada e segura.

    Caso seja difícil falar, respirar ou manter o ritmo sem desconforto, o treino provavelmente está acima do ideal para quem tem hipertensão.

    O que fazer quando a pressão subir muito durante exercícios leves?

    A primeira medida se a pressão subir muito é interromper a atividade e descansar em um ambiente calmo. A hidratação e a respiração lenta costumam ajudar a estabilizar o corpo. Caso a pressão permaneça alta ou os sintomas continuem, é fundamental buscar atendimento e informar o médico, que pode ajustar a medicação ou revisar o tipo de treino.

    Por que algumas pessoas sentem dor de cabeça após treinar?

    A dor de cabeça pode surgir por diversos motivos, como desidratação, esforço excessivo, noite mal dormida ou até alimentação inadequada antes do treino. Quando a pessoa convive com hipertensão, a dor de cabeça pode indicar que a pressão subiu durante o esforço.

    Nesses casos, é recomendado interromper o exercício, beber água e medir a pressão se possível. Caso a dor seja intensa, súbita ou acompanhe outros sintomas, é importante buscar avaliação médica.

    É normal sentir palpitações durante o exercício?

    A sensação de batimentos mais acelerados é normal, porque o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio aos músculos. O que não deve acontecer são palpitações muito desreguladas, desconfortáveis ou acompanhadas de falta de ar, tontura ou dor no peito.

    A palpitação intensa pode estar relacionada a desidratação, esforço além do limite ou alterações cardíacas que precisam de investigação médica.

    Leia também: Férias acabando? Saiba como voltar a treinar sem se machucar

  • Boca seca, olho seco: entenda mais sobre a síndrome de Sjögren

    Boca seca, olho seco: entenda mais sobre a síndrome de Sjögren

    A síndrome de Sjögren é uma das doenças autoimunes mais frequentes entre adultos, especialmente mulheres na meia-idade, e costuma ser lembrada pelos sintomas de olhos e boca secos. Embora esses sinais pareçam simples, o impacto no dia a dia pode ser significativo, desde dificuldade para engolir alimentos secos até irritação persistente nos olhos. Em alguns casos, a doença vai além das glândulas e afeta pulmões, rins, pele e articulações.

    Com o avanço da reumatologia, essa síndrome passou a ser melhor compreendida — tanto na sua origem quanto no tratamento. Hoje, é possível aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar muito a qualidade de vida do paciente, principalmente quando o diagnóstico é feito cedo.

    O que é a síndrome de Sjögren?

    A síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar as glândulas lacrimais e salivares, provocando olhos e boca secos. Ela pode ser:

    • Primária: ocorre isoladamente
    • Secundária: aparece junto de outras doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide

    É mais comum entre 45 e 55 anos e afeta muito mais mulheres do que homens.

    Principais sintomas

    A síndrome de Sjögren se manifesta de duas formas principais:

    Doença exócrina (mais comum)

    Afeta diretamente olhos e boca.

    Sintomas oculares:

    • Sensação de areia nos olhos
    • Coceira e vermelhidão
    • Visão embaçada
    • Sensibilidade à luz (fotofobia)

    Sintomas bucais:

    • Dificuldade para engolir alimentos secos
    • Alterações no paladar
    • Maior risco de cáries e infecções
    • Aumento das glândulas salivares

    Mais de 85% dos pacientes têm esses sintomas.

    Doença extraglandular (menos comum)

    Pode afetar vários órgãos e sistemas.

    Sintomas dermatológicos:

    • Pele seca
    • Fenômeno de Raynaud
    • Vasculite cutânea

    Sintomas musculoesqueléticos:

    • Dores articulares
    • Fadiga
    • Miosite leve

    Sintomas pulmonares:

    • Tosse seca
    • Irritação das vias aéreas
    • Redução da função pulmonar

    Sintomas gastrointestinais:

    • Dificuldade para engolir
    • Refluxo
    • Hepatite autoimune

    Sintomas renais:

    • Nefrite intersticial
    • Distúrbios urinários

    Sintomas ginecológicos:

    • Secura vaginal
    • Dor nas relações sexuais
    • Coceira

    Pessoas com Sjögren têm risco aproximadamente 9 vezes maior de desenvolver linfoma do que a população geral.

    Causas

    A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas a doença parece resultar de uma combinação de:

    • Predisposição genética
    • Possíveis gatilhos, como infecções virais ou exposição a substâncias químicas

    Esses fatores podem levar a um ataque do sistema imune às glândulas lacrimais e salivares, causando inflamação, infiltração de linfócitos e redução da produção de lágrimas e saliva.

    Diagnóstico

    O diagnóstico se baseia em:

    • Avaliação dos sintomas
    • Exames de sangue com autoanticorpos
    • Exames de urina para avaliar função renal
    • Exames de imagem das glândulas salivares (ultrassom, ressonância)

    Em alguns casos, pode ser necessária biópsia das glândulas salivares para confirmação.

    Alterações hematológicas, como anemia ou baixa contagem de plaquetas e leucócitos, podem estar presentes.

    Tratamento

    O tratamento depende da gravidade e dos órgãos afetados.

    Para sintomas exócrinos (olhos e boca secos)

    • Saliva artificial
    • Colírios lubrificantes
    • Medidas de hidratação e proteção ocular

    Para sintomas sistêmicos

    Usa-se medicação imunossupressora, como:

    • Hidroxicloroquina
    • Azatioprina
    • Metotrexato
    • Corticoides

    Esses medicamentos são reservados para casos moderados a graves, quando outros órgãos estão envolvidos.

    Veja também: Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Sjögren

    1. A Síndrome de Sjögren tem cura?

    Não, mas os sintomas podem ser controlados com tratamento adequado.

    2. Toda pessoa com síndrome de Sjögren terá olhos e boca extremamente secos?

    A secura é comum, mas a intensidade varia bastante entre os pacientes.

    3. A doença sempre afeta outros órgãos além das glândulas?

    Não. A maioria tem apenas sintomas exócrinos, mas casos sistêmicos podem ocorrer.

    4. Existe relação com artrite reumatoide?

    Sim. O Sjögren pode ser secundário a outras doenças autoimunes, incluindo artrite e lúpus.

    5. O tratamento é para a vida toda?

    Como é uma doença crônica, o acompanhamento contínuo é necessário.

    6. O risco de linfoma é realmente maior?

    Sim, embora ainda seja um desfecho incomum, o risco é cerca de 9 vezes maior.

    7. Mudanças no dia a dia ajudam?

    Sim. Hidratação adequada, uso regular de lubrificantes oculares e evitar ambientes muito secos podem aliviar bastante os sintomas.

    Confira: Dor e rigidez nas articulações? Pode ser artrite reumatoide

  • PCR ultrassensível: o que é, para que serve e valores de referência

    PCR ultrassensível: o que é, para que serve e valores de referência

    Quando o organismo está convivendo com algum processo inflamatório ou infeccioso, ele aciona mecanismos de defesa para controlar o problema, como ocorre com o aumento da proteína C reativa no sangue.

    Produzida pelo fígado, ela circula rapidamente pela corrente sanguínea e funciona como um sinal de que o sistema imune está em alerta, mesmo quando você não apresenta sintomas.

    Como pequenas variações do marcador já podem indicar inflamações discretas, o exame de PCR ultrassensível se tornou importante para detectar alterações mínimas, avaliar risco cardiovascular e acompanhar doenças que envolvem inflamação contínua no corpo.

    O que é a proteína C reativa ultrassensível?

    A proteína C reativa é uma proteína produzida pelo fígado e liberada na corrente sanguínea quando o organismo enfrenta um processo inflamatório ou infeccioso, mesmo que muito discreto. Ela é usada para avaliar a possibilidade de existir alguma infecção ou inflamação não visível, além de avaliar o risco que uma pessoa tem de desenvolver doenças cardiovasculares.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o exame PCR ultrassensível utiliza um método mais sensível para detectar a presença da PCR mesmo em concentrações muito baixas.

    Para que serve o exame PCR ultrassensível?

    O exame PCR ultrassensível serve para identificar uma inflamação crônica de baixo grau no organismo, algo que muitas vezes não causa sintomas, mas está fortemente associada ao desenvolvimento e rompimento de placas de gordura nas artérias (processo chamado aterosclerose) — o que podem levar a situações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    Por isso, ele é usado como um marcador de risco cardiovascular, ajudando a estimar a probabilidade de ocorrer um evento cardíaco mesmo em quem não apresenta sinais evidentes de doença.

    A avaliação permite identificar pessoas que, mesmo com exames tradicionais aparentemente normais, podem estar vivendo um processo inflamatório contínuo que eleva de forma discreta o risco para o coração.

    Para complementar, o PCR ultrassensível é útil para monitorar a resposta ao tratamento da inflamação, que pode incluir desde mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos.

    Importante: o resultado do PCR não mostra qual é a causa da inflamação ou da infecção, apenas indica que o organismo está reagindo a algum processo inflamatório. Por isso, o médico precisa avaliar o valor encontrado junto do histórico de saúde da pessoa e, se necessário, solicitar outros exames para identificar a origem do problema de forma precisa.

    Como o exame é feito?

    O exame PCR ultrassensível é simples e feito por meio de uma coleta de sangue, realizada em laboratório ou unidade de saúde. A amostra é enviada para análise, onde técnicas mais sensíveis conseguem identificar quantidades muito pequenas da proteína C reativa circulando no organismo.

    Na maior parte dos casos, não é necessário fazer jejum para o exame, apesar de alguns serviços possam solicitar conforme o protocolo interno. O ideal é que a coleta seja feita quando a pessoa estiver sem sinais de infecção, febre ou inflamação recente, porque qualquer quadro agudo eleva temporariamente o valor e interfere na interpretação.

    O resultado é liberado em unidades de miligrama por litro (mg/L), e a interpretação deve sempre feita por um médico, considerando o contexto clínico, fatores de risco associados, histórico pessoal e outros exames que compõem a avaliação cardiovascular.

    Valores de referência do PCR ultrassensível

    A interpretação do PCR ultrassensível é feita a partir da quantidade da proteína C reativa no sangue, medida em miligrama por litro (mg/L). A leitura dos valores ajuda a entender se há uma inflamação discreta no organismo e qual é o risco cardiovascular associado.

    Os resultados do exame costumam ser avaliados em duas situações diferentes:

    Indicadores relacionados ao risco cardiovascular

    • Abaixo de 0,1 mg/dL: risco baixo;
    • Entre 0,1 e 0,3 mg/dL: risco intermediário;
    • Acima de 0,3 mg/dL: risco elevado.

    Indicadores relacionados a infecções ou inflamações agudas

    • Entre 1,0 e 5,0 mg/dL: quadro compatível com infecções virais ou inflamações leves;
    • Entre 5,1 e 20,0 mg/dL: sugestivo de infecções bacterianas ou inflamações sistêmicas;
    • Acima de 20,0 mg/dL: associado a infecções graves, queimaduras extensas ou traumas importantes.

    É importante ressaltar que a interpretação de qualquer exame laboratorial, incluindo a PCR, deve sempre ser feita por um médico, correlacionando os resultados com o histórico clínico e outros exames do paciente.

    Com que frequência o exame deve ser feito?

    A frequência do exame varia de pessoa para pessoa e depende dos fatores de risco, do estado de saúde e do tipo de acompanhamento necessário, segundo Juliana.

    No começo, o médico costuma pedir o PCR ultrassensível para entender o risco cardiovascular inicial, junto com outros exames. Depois, o teste pode ser repetido para verificar se o tratamento e as mudanças de hábitos estão funcionando.

    Assim, o PCR ultrassensível pode ser feito novamente ao longo do acompanhamento, sempre junto dos exames de rotina.

    Qual a diferença entre PCR comum e PCR ultrassensível?

    De acordo com Juliana, a diferença principal está na sensibilidade do exame. A proteína C reativa aparece no sangue quando o organismo enfrenta inflamação ou infecção, mas a capacidade de detectar pequenas quantidades varia conforme o tipo de teste.

    O PCR comum só identifica valores acima de um certo limite, funcionando melhor para investigar inflamações ou infecções agudas.

    Por outro lado, o PCR ultrassensível detecta quantidades muito pequenas da proteína, permitindo avaliar inflamação crônica de baixo grau ligada ao risco cardiovascular. Por isso, o objetivo de cada exame é diferente.

    Quais fatores podem causar o aumento do PCR ultrassensível?

    Os fatores de risco ligados às doenças cardiovasculares costumam gerar inflamação contínua no organismo, segundo Juliana, o que aumenta a PCR ultrassensível:

    • Diabetes e resistência à insulina;
    • Sedentarismo;
    • Hipertensão;
    • Obesidade;
    • Tabagismo;
    • Doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, lúpus e vasculites;
    • Infecções bacterianas ou virais.

    Como reduzir o PCR ultrassensível?

    Primeiro de tudo, para reduzir os níveis de PCR, é necessário tratar a causa responsável pela inflamação — seja uma infecção ou uma doença autoimune, com antibióticos ou anti-inflamatórios, conforme indicado pelo médico.

    Ao mesmo tempo, adotar mudanças no estilo de vida ajuda a controlar a inflamação de baixo grau que costuma elevar o PCR ultrassensível ao longo do tempo, como:

    • Prática regular de atividade física, mesmo em intensidade moderada;
    • Alimentação rica em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite e alimentos naturais;
    • Redução do consumo de ultraprocessados, açúcar e gordura saturada;
    • Perda de peso quando há excesso, especialmente da gordura abdominal;
    • Abandono do cigarro;
    • Controle da glicemia e da resistência à insulina;
    • Sono adequado e rotina de descanso regular;
    • Melhora do estresse por meio de lazer, meditação, respiração ou terapia;
    • Uso de medicações orientadas pelo médico, como estatinas, quando necessário.

    Vale destacar que apenas um médico pode prescrever tratamentos ou medicamentos para reduzir a inflamação. Não se automedique!

    Leia também: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    Perguntas frequentes

    Por que o PCR ultrassensível é importante para o coração?

    A formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose) ocorre quando há inflamação contínua no endotélio. A PCR ultrassensível funciona como um alerta para esse tipo de inflamação discreta, mostrando que o organismo pode estar construindo um ambiente de risco para aterosclerose, rompimento de placas e eventos como infarto ou AVC.

    A interpretação permite planejar medidas de prevenção de forma mais precisa.

    O PCR ultrassensível pode estar alto mesmo sem sintomas?

    A inflamação de baixo grau costuma acontecer de forma silenciosa, sem febre, dor ou qualquer sinal claro de que o organismo está reagindo a algum estímulo. A PCR ultrassensível consegue identificar alterações inflamatórias que não costumam causar sintomas imediatos, mas aumentam o risco cardiovascular com o passar dos anos.

    A pessoa pode se sentir bem, trabalhar normalmente e não apresentar nenhum desconforto, e ainda assim ter um valor de PCR mais alto por causa dessa inflamação discreta que atua de forma contínua nos vasos sanguíneos.

    Infecções pequenas podem alterar o exame?

    Qualquer infecção recente, desde resfriados até inflamações dentárias, pode aumentar a PCR temporariamente. O sistema imunológico libera proteínas inflamatórias para combater o agente infeccioso, e isso aparece no exame.

    Por isso, o valor só deve ser interpretado quando a pessoa estiver bem, sem sintomas e sem sinais de infecção recente. Quando existe dúvida sobre o momento da coleta, o médico pode orientar a repetição do exame para evitar interpretações erradas.

    A PCR ultrassensível pode ajudar a identificar risco em pessoas com exames normais?

    Existem pessoas com colesterol e glicemia dentro da normalidade, mas que mantêm inflamação mínima e contínua, o que a PCR ultrassensível permite identificar.

    Quando o valor está alto, mesmo com outros exames normais, isso indica que o organismo já enfrenta uma inflamação contínua que favorece a formação e a instabilidade de placas dentro das artérias. Assim, o médico consegue orientar mudanças mais específicas para proteger o coração a longo prazo.

    O consumo de álcool pode alterar o PCR ultrassensível?

    O álcool, quando consumido em excesso, aumenta a inflamação no fígado, no estômago e nos vasos sanguíneos, criando um ambiente que sobrecarrega todo o organismo.

    A longo prazo, ocorre elevação da PCR e crescimento do risco cardiovascular, já que a inflamação contínua afeta a pressão, o metabolismo e o funcionamento dos tecidos.

    Até o uso moderado, se for frequente, pode influenciar a resposta inflamatória e manter o corpo em estado de alerta permanente. A redução do álcool costuma ser acompanhada de queda da PCR, melhora do bem-estar, sono mais estável e recuperação gradual das funções metabólicas.

    Confira: Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

  • Claudicação intermitente: por que a dor nas pernas ao caminhar merece atenção 

    Claudicação intermitente: por que a dor nas pernas ao caminhar merece atenção 

    Aquela dor nas pernas que aparece quando você caminha e melhora depois de alguns minutos parado pode não ser cansaço ou falta de preparo físico. Em alguns casos, esse desconforto é um sinal de que o sangue não está chegando bem aos músculos, um alerta importante de que algo pode estar acontecendo com a circulação das pernas.

    A claudicação intermitente é justamente esse sintoma: uma dor que vai e volta conforme o esforço. Ela costuma ser consequência da doença arterial obstrutiva periférica, um problema relacionado ao acúmulo de placas nas artérias, muito comum em fumantes, pessoas com diabetes ou colesterol elevado.

    O que é a claudicação intermitente?

    A claudicação intermitente é caracterizada por dor ou desconforto muscular durante a caminhada ou atividade física, que melhora com o repouso. Ela está frequentemente associada à doença arterial obstrutiva periférica, causada pelo acúmulo de placas de aterosclerose nas artérias das pernas.

    Quando fazemos exercício, os músculos precisam de mais oxigênio. Se o fluxo de sangue está reduzido, surge a dor, um dos sinais clássicos da má circulação.

    Diabetes e tabagismo são dois dos fatores que mais aumentam o risco desse problema.

    Principais sintomas

    O sintoma mais conhecido é: dor nas pernas ao caminhar, que melhora com descanso. Essa dor costuma piorar progressivamente conforme o esforço.

    Durante o exame físico, o médico pode observar:

    • Pés mais frios
    • Pulsos fracos nas pernas
    • Coloração pálida ou arroxeada

    Em casos avançados, pode haver:

    • Dor mesmo em repouso
    • Úlceras de difícil cicatrização
    • Gangrena

    Nem sempre a presença de placas nas artérias gera sintomas visíveis — muitas pessoas só descobrem a doença ao realizar exames.

    Causas e fatores de risco

    A claudicação intermitente surge principalmente devido à doença arterial obstrutiva periférica, cuja origem está na formação de placas ateroscleróticas que estreitam as artérias.

    Os fatores de risco incluem:

    • Idade avançada
    • Histórico familiar
    • Tabagismo
    • Diabetes
    • Pressão alta
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Sedentarismo
    • Dieta inadequada
    • Consumo excessivo de álcool

    Esses fatores contribuem para lesões na parede arterial que levam à inflamação e ao acúmulo de placas, dificultando a passagem do sangue.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é baseado em:

    • Queixa típica de dor durante o esforço
    • Melhora com repouso
    • Exame físico com pulsos diminuídos e alterações na cor ou temperatura dos pés

    Exames complementares podem ser usados quando há dúvida ou para descartar outras causas.

    Doppler arterial

    Avalia o fluxo sanguíneo nas artérias.

    Arteriografia

    Mostra com detalhes onde há estreitamento ou obstrução.

    Úlceras e gangrena também podem aparecer como sinal de doença arterial obstrutiva periférica avançada.

    Tratamento

    O tratamento envolve controlar fatores de risco e melhorar a circulação.

    Estilo de vida e medidas iniciais

    • Parar de fumar (a mais importante de todas as medidas)
    • Caminhadas regulares, idealmente supervisionadas
    • Controle do diabetes e pressão arterial
    • Redução de peso
    • Alimentação equilibrada

    Medicações

    Para estabilizar as placas ateromatosas e reduzir complicações:

    • Ácido acetilsalicílico (AAS)
    • Estatinas

    Intervenções médicas

    Indicadas para casos mais graves:

    • Colocação de stent para abrir a artéria
    • Endarterectomia, cirurgia para remover placas

    Quando o fluxo sanguíneo está muito comprometido, essas medidas podem ser essenciais para salvar o membro.

    O que esperar da doença

    O prognóstico costuma ser bom quando o tratamento é seguido corretamente. A maioria dos pacientes:

    • Melhora com exercícios
    • Reduz sintomas com mudanças de hábito
    • Controla a progressão da doença

    Nos casos graves, ou quando não há adesão ao tratamento, pode ocorrer piora da circulação, aumentando o risco de amputação.

    Confira:
    Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Perguntas frequentes sobre claudicação intermitente

    1. Claudicação intermitente é uma doença?

    Não. É um sintoma da doença arterial obstrutiva periférica.

    2. A dor sempre aparece na panturrilha?

    É mais comum nessa região, mas pode ocorrer nas coxas ou nádegas, dependendo da artéria afetada.

    3. Parar de fumar ajuda mesmo?

    Ajuda muito. É a medida mais eficaz para evitar a progressão da doença.

    4. Exercícios pioram a condição?

    Não. Caminhadas supervisionadas fazem parte do tratamento.

    5. A condição tem cura?

    Não exatamente, mas o tratamento controla bem os sintomas e evita complicações.

    Veja mais:
    Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição