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  • Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    O delirium é um quadro neurológico caracterizado por confusão mental aguda, que surge de forma rápida e costuma variar ao longo do dia. Ele afeta a atenção, a consciência e o pensamento, sendo muito comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e pessoas com doenças graves. Por isso, é considerado uma emergência clínica.

    Apesar da alta frequência, o delirium ainda passa despercebido em muitos casos. A identificação precoce é fundamental, pois o quadro está associado a maior mortalidade, internações mais longas e risco de perda funcional e cognitiva, principalmente quando não tratado adequadamente.

    O que é delirium

    O delirium é uma disfunção cerebral aguda e geralmente reversível, que ocorre quando o cérebro não consegue lidar adequadamente com um estressor clínico, como uma infecção, cirurgia ou alteração metabólica.

    Diferentemente da demência, que é progressiva e crônica, o delirium:

    • Surge de forma abrupta (em horas ou dias);
    • Apresenta curso flutuante ao longo do dia;
    • Pode melhorar quando a causa é tratada.

    As principais características são:

    • Alteração do nível de consciência;
    • Dificuldade de manter a atenção;
    • Pensamento desorganizado;
    • Desorientação no tempo e no espaço.

    O delirium pode ocorrer isoladamente ou em pessoas que já têm demência, situação conhecida como delirium sobreposto à demência.

    Epidemiologia e importância clínica

    O delirium é extremamente comum no ambiente hospitalar. Estudos mostram alta incidência em:

    • Idosos hospitalizados;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI);
    • Pessoas no pós-operatório;
    • Pacientes com infecções ou doenças graves.

    Além do impacto imediato, o delirium está associado a:

    • Aumento da mortalidade;
    • Prolongamento do tempo de internação;
    • Maior risco de declínio funcional;
    • Piora cognitiva persistente;
    • Maior chance de institucionalização após a alta.

    Por esses motivos, o delirium é considerado um importante marcador de gravidade clínica.

    Causas e mecanismos do delirium

    O delirium resulta da combinação de fatores predisponentes e fatores precipitantes.

    Mecanismos fisiopatológicos

    Embora não exista um único mecanismo responsável, acredita-se que o delirium envolva:

    • Desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente acetilcolina e dopamina;
    • Inflamação sistêmica e inflamação do sistema nervoso;
    • Alterações metabólicas;
    • Redução da perfusão cerebral.

    Essas alterações levam a uma disfunção temporária do funcionamento cerebral.

    Principais causas precipitantes

    • Infecções (urinárias, respiratórias, sepse);
    • Distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos;
    • Hipóxia;
    • Dor mal controlada;
    • Privação de sono;
    • Uso ou retirada abrupta de medicamentos (sedativos, opioides, anticolinérgicos);
    • Procedimentos cirúrgicos.

    Fatores de risco

    Alguns pacientes são mais vulneráveis ao delirium. Os principais fatores de risco são:

    • Idade avançada;
    • Demência prévia;
    • Déficit visual ou auditivo;
    • Imobilidade;
    • Desnutrição;
    • Múltiplas comorbidades;
    • Uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia).

    Quanto maior a fragilidade do paciente, menor é o estímulo necessário para desencadear o quadro.

    Tipos clínicos de delirium

    Delirium hiperativo

    • Agitação psicomotora;
    • Inquietação;
    • Alucinações;
    • Comportamento agressivo.

    Delirium hipoativo

    • Sonolência excessiva;
    • Apatia;
    • Lentificação psicomotora;
    • Pouca interação com o ambiente.

    Esse subtipo é frequentemente subdiagnosticado e está associado a pior prognóstico.

    Delirium misto

    Alterna períodos de agitação com fases de hipoatividade ao longo do dia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do delirium é clínico e depende da observação cuidadosa do paciente.

    Os critérios incluem:

    • Início agudo;
    • Curso flutuante;
    • Alteração da atenção;
    • Alteração cognitiva adicional (memória, linguagem ou percepção).

    Ferramentas de triagem clínica auxiliam na detecção, principalmente em ambientes hospitalares.

    Exames complementares

    Exames laboratoriais e de imagem não confirmam delirium, mas são essenciais para identificar a causa subjacente, como:

    • Infecção;
    • Distúrbios metabólicos;
    • Hipóxia;
    • Sangramentos ou AVC.

    Tratamento do delirium

    O manejo do delirium se baseia em dois pilares principais: tratar a causa e controlar os sintomas.

    Tratamento da causa de base

    • Tratar infecções;
    • Corrigir distúrbios metabólicos;
    • Revisar e suspender medicamentos desnecessários;
    • Controlar dor e desconforto.

    Essa é a medida mais importante para a reversão do quadro.

    Manejo não farmacológico

    • Reorientação frequente do paciente;
    • Presença de familiares;
    • Estímulo ao ciclo sono–vigília;
    • Correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos);
    • Mobilização precoce.

    Tratamento medicamentoso

    Medicamentos são reservados para situações específicas, como:

    • Agitação intensa;
    • Risco para o paciente ou para a equipe;
    • Sofrimento importante.

    Nesses casos, antipsicóticos podem ser utilizados com cautela e avaliação individualizada.

    Prevenção do delirium

    A prevenção é uma das estratégias mais eficazes, especialmente em pacientes de risco.

    • Evitar polifarmácia;
    • Garantir hidratação e nutrição adequadas;
    • Estimular mobilidade;
    • Promover sono adequado;
    • Identificar precocemente sinais de confusão mental.

    Programas estruturados de prevenção reduzem significativamente a incidência de delirium hospitalar.

    Prognóstico

    O delirium é potencialmente reversível, mas o prognóstico depende de:

    • Rapidez no diagnóstico;
    • Controle da causa desencadeante;
    • Condição clínica prévia do paciente.

    Mesmo após a resolução do quadro, alguns pacientes, especialmente idosos, podem apresentar déficit cognitivo persistente.

    Perguntas frequentes sobre delirium

    1. Delirium é o mesmo que demência?

    Não. O delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva.

    2. Delirium pode ser prevenido?

    Sim. Medidas simples reduzem significativamente o risco, sobretudo em pacientes hospitalizados.

    3. Delirium é grave?

    Pode ser. Está associado a maior mortalidade e a diversas complicações.

    4. Todo paciente confuso tem delirium?

    Não, mas o delirium deve sempre ser considerado diante de confusão mental de início súbito.

    5. Idosos têm mais risco?

    Sim. A idade avançada é um dos principais fatores de risco.

    6. O delirium sempre melhora?

    Na maioria dos casos, sim, mas alguns pacientes mantêm sequelas cognitivas.

    7. Antipsicóticos curam o delirium?

    Não. Eles apenas controlam sintomas; a reversão depende do tratamento da causa.

  • Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    A doença de Graves é uma condição autoimune que afeta a glândula tireoide e provoca a produção excessiva de hormônios tireoidianos — situação conhecida como hipertireoidismo. Esse excesso hormonal acelera diversas funções do organismo e pode causar sintomas como perda de peso, palpitações, tremores, ansiedade e intolerância ao calor.

    Trata-se de uma das causas mais comuns de hipertireoidismo em adultos e, embora seja menos frequente em crianças, é a principal causa de hipertireoidismo nessa faixa etária quando ocorre. O reconhecimento precoce da doença e o acompanhamento adequado são fundamentais para controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo.

    O que é a doença de Graves

    Na doença de Graves, o próprio sistema imunológico passa a produzir anticorpos estimulantes do receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSH), conhecidos como TRAb. Esses anticorpos se ligam ao receptor e mantêm a glândula tireoide continuamente ativada.

    Como resultado, ocorre produção excessiva dos hormônios T3 e T4, além do crescimento difuso da glândula, o que se manifesta clinicamente como bócio. Por ser uma doença autoimune sistêmica, a doença de Graves também pode afetar outros tecidos, especialmente olhos e pele.

    Por que a doença acontece? (causas e fatores de risco)

    A doença de Graves tem origem autoimune e resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais. Pessoas com histórico familiar de doenças autoimunes apresentam maior risco de desenvolver a condição.

    Alguns fatores estão associados ao surgimento da doença, como:

    • Predisposição genética;
    • Tabagismo;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Sexo feminino, que apresenta maior incidência da doença.

    Em crianças e adolescentes, a doença pode surgir em qualquer idade, mas torna-se mais frequente com o avanço da idade e ocorre mais em meninas do que em meninos.

    Sintomas da doença de Graves

    Os sintomas decorrem do excesso de hormônios tireoidianos circulantes e podem variar de intensidade conforme a gravidade e a duração do hipertireoidismo.

    Sintomas gerais

    • Perda de peso, mesmo com apetite normal ou aumentado;
    • Palpitações e aumento da frequência cardíaca;
    • Tremores finos nas mãos;
    • Intolerância ao calor e sudorese excessiva;
    • Ansiedade, irritabilidade e insônia;
    • Fraqueza muscular e fadiga;
    • Alterações do ciclo menstrual em mulheres.

    Esses sintomas refletem o metabolismo acelerado causado pelos altos níveis de T3 e T4.

    Bócio

    Muitos pacientes apresentam bócio difuso, percebido como aumento da tireoide na base do pescoço. Esse aumento pode causar sensação de pressão local ou desconforto ao engolir.

    Oftalmopatia de Graves

    Uma manifestação característica da doença é a oftalmopatia de Graves, que resulta da inflamação dos tecidos ao redor dos olhos. Os sinais mais frequentes são:

    • Proptose (olhos mais projetados);
    • Retração das pálpebras;
    • Inchaço e vermelhidão ao redor dos olhos;
    • Sensação de areia ou irritação ocular.

    Essa manifestação pode ocorrer independentemente do controle hormonal e tende a ser mais comum em pessoas fumantes.

    Outras manifestações

    • Dermopatia de Graves, com espessamento da pele, geralmente nas pernas;
    • Alterações ósseas e acropatia (raras);
    • Complicações cardiovasculares, como arritmias.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da doença de Graves baseia-se na combinação de avaliação clínica com exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem.

    Exames laboratoriais

    • TSH suprimido (baixo);
    • Níveis elevados de T3 e T4 livres;
    • Presença de anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb), que confirmam a origem autoimune do hipertireoidismo.

    A identificação do TRAb aumenta a precisão diagnóstica e ajuda a diferenciar a doença de Graves de outras causas de hipertireoidismo.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia da tireoide, mostrando aumento difuso e maior vascularização;
    • Cintilografia da tireoide, com captação difusa de radioiodo, característica da doença de Graves.

    Tratamento da doença de Graves

    O tratamento possui três abordagens principais, e a escolha depende da idade do paciente, da gravidade da doença e de fatores individuais.

    Medicamentos antitireoidianos

    Fármacos como o metimazol reduzem a produção de hormônios tireoidianos e costumam ser a primeira opção, especialmente em crianças e adultos jovens. O tratamento pode ser necessário por períodos prolongados.

    Iodo radioativo

    O iodo radioativo destrói parte do tecido tireoidiano e reduz a produção hormonal. É um método eficaz, mas pode levar ao hipotireoidismo definitivo, exigindo reposição hormonal ao longo da vida.

    Cirurgia

    A tireoidectomia é indicada em situações específicas, como bócio volumoso, intolerância aos medicamentos ou quando outras opções não são adequadas.

    Prevenção e cuidados contínuos

    Não há uma forma específica de prevenir a doença de Graves, já que se trata de uma condição autoimune. Ainda assim, o acompanhamento regular é essencial para:

    • Monitorar os níveis hormonais;
    • Ajustar doses de medicamentos;
    • Identificar precocemente hipotireoidismo após tratamentos definitivos.

    O controle adequado reduz o risco de complicações cardíacas, ósseas e oculares associadas ao hipertireoidismo.

    Veja também: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes sobre doença de Graves

    1. A doença de Graves tem cura?

    Não há cura definitiva, mas o tratamento permite controlar o hipertireoidismo e suas complicações.

    2. Toda pessoa com hipertireoidismo tem doença de Graves?

    Não. Existem outras causas de hipertireoidismo, embora a doença de Graves seja a mais comum de origem autoimune.

    3. A oftalmopatia sempre ocorre?

    Não. Ela acomete apenas parte dos pacientes e é mais frequente em fumantes.

    4. O tratamento pode causar hipotireoidismo?

    Sim. Isso pode ocorrer principalmente após iodo radioativo ou cirurgia.

    5. Existe predomínio por sexo?

    Sim. A doença de Graves é mais frequente em mulheres.

    6. Gravidez interfere na doença?

    Sim. O controle rigoroso da função tireoidiana é fundamental antes e durante a gestação.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo a doença é identificada e tratada, menor o risco de complicações a longo prazo.

    Leia mais: Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto

  • Pernas inchadas no verão: por que acontece e como reduzir o desconforto

    Pernas inchadas no verão: por que acontece e como reduzir o desconforto

    Insolação, micoses e desidratação não são os únicos problemas que podem surgir durante os dias de verão. Com o calor intenso, o corpo precisa se adaptar para dar conta da temperatura alta — e uma delas é a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode favorecer o surgimento de inchaço nas pernas e nos pés.

    Com os vasos dilatados, a circulação fica mais lenta, principalmente quando a pessoa passa muito tempo em pé ou sentada. O resultado é aquela sensação de pernas inchadas, pesadas e apertadas, que normalmente piora ao longo do dia e melhora quando há descanso.

    Apesar de ser um incômodo comum e normalmente passageiro, é preciso ter atenção quando o inchaço é intenso ou frequente. Em alguns casos, ele pode indicar problemas circulatórios ou retenção de líquidos associada a outras condições de saúde. Vamos entender mais, a seguir.

    O que causa inchaço nas pernas no verão?

    O inchaço nas pernas é causado pela vasodilatação, um processo em que os vasos sanguíneos se dilatam para ajudar o corpo a dissipar o calor e manter a temperatura do corpo estável.

    Com os vasos mais dilatados, a circulação fica mais lenta — o que facilita o acúmulo de sangue e líquidos nas regiões mais baixas do corpo, de acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio.

    Ainda, o calor aumenta a permeabilidade dos vasos, permitindo que parte do líquido presente no sangue extravase para os tecidos ao redor. O resultado é a sensação de peso, aberto e inchaço nas pernas.

    Alguns fatores também podem intensificar o problema, como ficar muito tempo em pé ou sentado, consumir sal em excesso, beber pouca água e usar roupas muito apertadas.

    Quem tem mais risco de ficar com as pernas inchadas

    Algumas pessoas podem sentir os efeitos do calor de maneira mais intensa, especialmente quando existem fatores que dificultam o retorno de sangue e líquidos para o coração ou que favorecem a retenção de líquidos.

    Entre os grupos que precisam ter atenção, destacamos:

    • Idosos: com o envelhecimento, os vasos sanguíneos e as válvulas das veias perdem parte da eficiência, o que dificulta o retorno venoso e aumenta a chance de inchaço nas pernas;
    • Pessoas que ficam muito tempo na mesma posição: quem passa horas em pé ou sentado, como profissionais que trabalham em escritório ou motoristas, tende a apresentar mais inchaço, uma vez que a circulação nas pernas fica prejudicada;
    • Pessoas com sobrepeso ou obesidade: o excesso de peso exerce maior pressão sobre as veias das pernas, dificultando a circulação e favorecendo o acúmulo de líquidos.
    • Mulheres: alterações hormonais ao longo do ciclo menstrual, uso de anticoncepcionais, gravidez e menopausa favorecem a retenção de líquidos e tornam o inchaço mais comum;
    • Quem tem problemas circulatórios: quadros como insuficiência venosa, varizes e histórico de trombose aumentam significativamente o risco de pernas inchadas, principalmente no calor.
    • Pessoas com doenças crônicas: condições como insuficiência cardíaca, doenças renais, hepáticas ou alterações da tireoide podem causar retenção de líquidos e edema persistente.

    Segundo Marcelo, pessoas jovens e saudáveis não costumam apresentar inchaço significativo, independentemente do clima.

    Quando o inchaço merece atenção médica?

    Na maioria das vezes, o inchaço nas pernas no verão é passageiro e melhora com medidas simples, como repouso, hidratação e elevação das pernas. Mesmo assim, algumas situações servem como sinal de alerta e merecem avaliação médica, como:

    • Quando o inchaço surge de forma súbita, sem causa aparente, principalmente em apenas uma perna, pode indicar problema circulatório;
    • Quando o inchaço surge acompanhado de dor, pele avermelhada, endurecida ou quente ao toque, pois pode estar relacionado à inflamação, infecção ou trombose;
    • Inchaço nas pernas associado a falta de ar, cansaço excessivo ou dor torácica exige atendimento médico imediato, já que pode indicar comprometimento cardíaco ou pulmonar;
    • Quando o inchaço não melhora após alguns dias, mesmo com repouso, elevação das pernas e boa hidratação;
    • Sensação de pele extremamente esticada, brilhante ou dolorosa pode indicar retenção de líquidos mais importante;
    • Pessoas com histórico de doenças cardíacas, renais, hepáticas ou problemas circulatórios devem procurar orientação médica sempre que perceberem piora do inchaço;
    • Se o inchaço surgir após iniciar uma medicação, a avaliação médica é necessária para ajuste do tratamento.

    O que ajuda a reduzir o inchaço nas pernas?

    Nos dias mais quentes, você pode adotar algumas medidas simples para melhorar a circulação e reduzir o inchaço nas pernas, como:

    • Manter as pernas elevadas por alguns minutos ao longo do dia, acima do nível do coração;
    • Fazer caminhadas leves, alongamentos e movimentar os pés e tornozelos quando estiver sentado;
    • Beber bastante água ao longo do dia, o que ajuda a regular a retenção de líquidos;
    • Reduzir o consumo de sal, priorizando alimentos in natura;
    • Usar roupas e sapatos confortáveis;
    • Usar meias de compressão, quando indicado por um médico.

    Marcelo ainda complementa que a meia de compressão é indicada principalmente para quem tem doença venosa. Em situações em que o inchaço tem origem cardíaca ou renal, o benefício é menor e pode aumentar o desconforto térmico.

    Elevar as pernas realmente funciona?

    Se o inchaço nas pernas estiver relacionado ao calor ou à má circulação, elevar as pernas é uma das medidas mais simples para aliviar o problema.

    Quando as pernas ficam elevadas acima do nível do coração, a gravidade passa a ajudar o retorno do sangue e dos líquidos acumulados para o centro do corpo. Isso reduz a pressão dentro das veias, facilita a drenagem do excesso de líquido dos tecidos e alivia a sensação de peso e cansaço nas pernas.

    O ideal é elevar as pernas por cerca de 15 a 30 minutos, uma ou mais vezes ao dia. Uma dica é deitar e apoiar as pernas em almofadas ou encostar os pés na parede, o que costuma trazer um alívio rápido.

    Como aliviar o desconforto durante viagens e longos períodos sentado?

    Durante viagens longas ou períodos prolongados sentado, o desconforto e o inchaço nas pernas são comuns, mas podem ser aliviados com medidas como:

    • Flexionar e estender os pés, girar os tornozelos e contrair a panturrilha várias vezes ao longo do dia;
    • Em viagens de carro, parar a cada duas horas para andar alguns minutos. Em voos ou ônibus, levantar e caminhar pelo corredor;
    • Evitar cruzar as pernas por muito tempo, e priorizar manter os pés apoiados no chão;
    • Beber água ao longo do trajeto, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e café;
    • Elevar os pés após a viagem por alguns minutos.

    O inchaço nas pernas desaparece sozinho?

    Se o inchaço for causado pelo calor e esforço do dia, ele tende a desaparecer após o repouso noturno, uma vez que o corpo reabsorve o líquido quando você fica na posição horizontal e a temperatura diminui.

    No entanto, se ele persistir mesmo em dias frescos ou após o descanso, ele é um sintoma, não o problema em si, e deve ser avaliado por um angiologista ou clínico geral.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes

    1. É normal o inchaço piorar ao final do dia?

    Sim, a gravidade empurra o sangue e os líquidos para baixo enquanto você está de pé ou sentado. Ao final do dia, o acúmulo de horas sob o efeito da gravidade e do calor atinge o seu ápice.

    2. Posso usar meias de compressão no calor?

    Sim, desde que indicadas por um médico. Existem modelos modernos e mais leves feitos para o verão que ajudam a “espremer” o líquido de volta para a circulação

    3. Banho frio nas pernas ajuda?

    Sim, a água fria promove a vasoconstrição (o oposto do que o calor faz), ajudando a fechar os vasos e diminuir o volume de líquido extravasado.

    4. Quando devo procurar um angiologista com urgência?

    Se o inchaço vier acompanhado de dor forte, vermelhidão, calor em uma das panturrilhas ou se você sentir falta de ar súbita.

    5. Remédios diuréticos são recomendados para inchaço no calor?

    Nunca tome diuréticos por conta própria. Eles podem causar desidratação grave e desequilíbrio de sais minerais. O uso deve ser estritamente sob prescrição médica.

    6. Por que o inchaço nas pernas às vezes vem acompanhado de coceira?

    O acúmulo de líquido estica a pele e causa um processo inflamatório leve. O sangue estagnado também libera substâncias que irritam os nervos da derme, provocando a vontade de coçar, o que deve ser evitado para não criar feridas.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Os erros inatos da imunidade, também chamados de imunodeficiências primárias, são doenças genéticas que afetam o funcionamento do sistema imunológico. Essas alterações fazem com que o organismo tenha mais dificuldade para combater infecções, o que leva a quadros repetidos, mais graves ou causados por microrganismos pouco comuns.

    Embora cada uma dessas condições seja rara isoladamente, em conjunto elas formam um grupo relevante de doenças, muitas vezes diagnosticadas ainda na infância, mas que também podem ser identificadas apenas na vida adulta.

    Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para reduzir infecções graves, internações frequentes e possíveis sequelas.

    O que são erros inatos da imunidade

    Os erros inatos da imunidade são defeitos congênitos do sistema imunológico, ou seja, alterações presentes desde o nascimento. Eles podem comprometer a imunidade inata, que funciona como a primeira linha de defesa, ou a imunidade adaptativa, responsável por respostas mais específicas contra vírus, bactérias e outros microrganismos.

    Esses defeitos são causados por mutações genéticas que afetam moléculas, células ou vias essenciais para a defesa do organismo. Dependendo do componente afetado, podem estar comprometidos:

    • Células fagocitárias, como neutrófilos e macrófagos;
    • O sistema complemento;
    • Linfócitos T e/ou B;
    • A produção ou função de anticorpos (imunoglobulinas);
    • Mecanismos de sinalização imunológica.

    Por que os erros inatos da imunidade acontecem

    A principal causa dos erros inatos da imunidade é genética. Essas alterações podem ser herdadas de forma:

    • Autossômica dominante;
    • Autossômica recessiva;
    • Ligada ao cromossomo X.

    As mutações levam à ausência, redução ou mau funcionamento de proteínas fundamentais para a resposta imunológica. Nem sempre há histórico familiar evidente, já que algumas pessoas podem ser portadoras sem sintomas, ou a mutação pode surgir de forma espontânea.

    Principais tipos de erros inatos da imunidade

    Essas condições são classificadas de acordo com a parte do sistema imunológico afetada.

    Defeitos da imunidade humoral

    Afetam a produção ou a função dos anticorpos. São as imunodeficiências mais comuns e estão associadas principalmente a infecções bacterianas repetidas, especialmente das vias respiratórias.

    Defeitos da imunidade celular

    Envolvem alterações nos linfócitos T e predispõem a infecções virais, fúngicas e oportunistas, muitas vezes mais graves, sobretudo em crianças pequenas.

    Defeitos combinados

    Comprometem simultaneamente a imunidade humoral e celular. Costumam ser mais graves e se manifestam precocemente, geralmente nos primeiros meses de vida.

    Defeitos do sistema complemento

    Aumentam o risco de infecções bacterianas específicas e podem estar associados a doenças autoimunes.

    Defeitos de fagócitos

    Causam dificuldade na ingestão ou destruição de microrganismos, levando a infecções bacterianas e fúngicas recorrentes.

    Sintomas: quando suspeitar de erro inato da imunidade

    Os sinais variam conforme o tipo de imunodeficiência, mas alguns padrões são considerados alertas importantes:

    • Infecções respiratórias recorrentes, como sinusites, otites e pneumonias;
    • Infecções graves ou de difícil resolução;
    • Necessidade frequente de antibióticos, com resposta insatisfatória;
    • Internações repetidas por infecção;
    • Infecções causadas por microrganismos incomuns ou oportunistas;
    • Crescimento e ganho de peso inadequados em crianças;
    • Abscessos recorrentes e infecções de pele;
    • Histórico familiar de imunodeficiência.

    Em alguns casos, também podem estar presentes manifestações autoimunes, inflamatórias ou atópicas associadas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico dos erros inatos da imunidade combina avaliação clínica detalhada com exames laboratoriais específicos.

    Avaliação inicial

    A investigação começa com a análise de:

    • Número, tipo e gravidade das infecções;
    • Resposta a tratamentos prévios;
    • Presença de complicações infecciosas recorrentes.

    Exames laboratoriais de base

    Os exames iniciais costumam incluir:

    • Hemograma completo;
    • Dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA e IgM);
    • Avaliação da resposta a vacinas;
    • Quantificação de linfócitos T, B e células natural killer.

    Testes especializados

    Quando necessário, são realizados exames mais específicos, como:

    • Testes funcionais de fagócitos;
    • Avaliação do sistema complemento;
    • Painéis genéticos.

    O diagnóstico precoce é essencial para orientar o tratamento adequado e reduzir complicações.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo e da gravidade da imunodeficiência, mas algumas estratégias são comuns.

    Reposição de imunoglobulina

    Indicada em defeitos de anticorpos, ajuda a reduzir a frequência e a gravidade das infecções.

    Antibióticos profiláticos

    Em alguns casos, antibióticos são usados de forma preventiva para evitar infecções recorrentes.

    Transplante de células hematopoiéticas

    Nas formas mais graves, especialmente nas imunodeficiências combinadas, o transplante de medula óssea pode ser curativo quando realizado precocemente.

    Manejo de complicações

    Inclui tratamento imediato das infecções, suporte nutricional e monitoramento de doenças autoimunes ou inflamatórias associadas.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Prognóstico e acompanhamento

    O prognóstico varia conforme o tipo específico de erro inato da imunidade e a rapidez do diagnóstico. Em muitos casos, o tratamento adequado reduz significativamente infecções graves e melhora a qualidade de vida.

    Mesmo assim, o acompanhamento costuma ser contínuo, com avaliações periódicas da função imunológica e vigilância de possíveis efeitos a longo prazo.

    Perguntas frequentes sobre erros inatos da imunidade

    1. Os erros inatos da imunidade são contagiosos?

    Não. São condições genéticas e não são transmitidas entre pessoas.

    2. Imunodeficiências podem surgir na vida adulta?

    Sim. Algumas formas mais leves só se manifestam ou são diagnosticadas na idade adulta.

    3. Quais infecções sugerem imunodeficiência?

    Infecções recorrentes do trato respiratório, infecções graves ou causadas por microrganismos incomuns devem levantar suspeita.

    4. Tomar mais vacinas corrige a imunodeficiência?

    Não. A vacinação protege contra doenças específicas, mas não corrige o defeito imunológico.

    5. Toda pessoa com infecção frequente tem erro inato da imunidade?

    Não. Infecções são comuns, mas padrões repetitivos, graves ou atípicos merecem investigação.

    6. O transplante é sempre necessário?

    Não. Ele é reservado para formas graves, especialmente as imunodeficiências combinadas.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as estratégias de prevenção e manejo.

    Veja mais: Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite?

  • Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    A bursite é uma condição comum que causa dor e desconforto nas articulações, especialmente em regiões como ombro, quadril, joelho e cotovelo. Ela acontece quando uma bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido que funciona como um amortecedor entre ossos, tendões e músculos, fica inflamada.

    Esse processo inflamatório pode surgir após movimentos repetitivos, traumas ou sobrecarga da articulação, sendo mais frequente em adultos ativos, idosos e pessoas que realizam esforços físicos repetitivos. Quando identificada precocemente, a bursite costuma responder bem a tratamentos simples, evitando dor persistente e limitação funcional.

    O que é bursite

    A bursite é a inflamação de uma bursa sinovial, estrutura responsável por reduzir o atrito entre tecidos durante o movimento articular.

    Ela geralmente surge quando há:

    • Uso excessivo ou repetitivo da articulação;
    • Trauma direto sobre a região;
    • Pressão prolongada local;
    • Doenças inflamatórias ou metabólicas associadas.

    Quando a bursa inflama, ela aumenta de volume, torna-se sensível e dolorosa, o que pode dificultar movimentos simples do dia a dia.

    Principais causas de bursite

    A bursite pode ser desencadeada por diversos fatores, entre os mais comuns estão:

    • Movimentos repetitivos por longos períodos, comuns em atividades profissionais ou esportivas;
    • Traumas diretos, como quedas ou pancadas;
    • Pressão constante sobre a articulação, como ajoelhar sem proteção;
    • Envelhecimento, que favorece alterações degenerativas;
    • Doenças inflamatórias sistêmicas, como artrite reumatoide e gota;
    • Infecção bacteriana da bursa (bursite séptica), condição menos comum, porém mais grave.

    Atividades físicas intensas, posturas inadequadas e fatores ocupacionais aumentam significativamente o risco de desenvolver bursite.

    Onde a bursite é mais comum

    Algumas articulações são mais frequentemente afetadas pela bursite:

    • Ombro (bursite subacromial): dor ao elevar o braço;
    • Quadril (bursite trocantérica): dor lateral ao caminhar ou deitar sobre o lado afetado;
    • Joelho (bursite pré-patelar ou infrapatelar): dor ao ajoelhar ou subir escadas;
    • Cotovelo (bursite olecraniana): inchaço na parte posterior do cotovelo;
    • Calcanhar (bursite retrocalcânea): comum em corredores ou após uso inadequado de calçados.

    Sintomas da bursite

    Os sintomas variam de acordo com a articulação acometida e a intensidade da inflamação. Os sinais mais comuns são:

    • Dor localizada, que piora com o movimento;
    • Sensibilidade e aumento de calor na região;
    • Inchaço visível, principalmente em bursas superficiais;
    • Limitação dos movimentos por dor.

    Quando a bursite é causada por infecção, podem surgir sintomas gerais como febre, calafrios e mal-estar.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da bursite é, na maioria das vezes, clínico e baseado em:

    • Relato detalhado dos sintomas;
    • Identificação de fatores de risco;
    • Exame físico da articulação afetada.

    Exames complementares

    Alguns exames podem ser solicitados quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações:

    • Ultrassonografia, para visualizar líquido e inflamação da bursa;
    • Radiografia, para excluir outras causas de dor articular;
    • Ressonância magnética, em casos persistentes ou mais complexos;
    • Análise do líquido da bursa, quando há suspeita de bursite infecciosa.

    Tratamento da bursite

    O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas e tem como objetivo reduzir a inflamação, aliviar a dor e recuperar a função articular.

    Medidas iniciais

    • Repouso da articulação afetada;
    • Aplicação de gelo, especialmente nas fases iniciais;
    • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios, conforme orientação médica.

    Fisioterapia

    A fisioterapia tem papel essencial no tratamento, ajudando a:

    • Fortalecer a musculatura ao redor da articulação;
    • Melhorar a amplitude de movimento;
    • Corrigir padrões de movimento que sobrecarregam a bursa.

    Infiltração

    Em casos selecionados, quando a dor persiste apesar do tratamento conservador, podem ser realizadas infiltrações com corticosteroides para reduzir a inflamação local.

    Bursite infecciosa

    Quando há infecção confirmada, o tratamento envolve:

    • Antibióticos adequados;
    • Drenagem cirúrgica, em situações mais graves.

    Prevenção

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de bursite e evitar recidivas:

    • Evitar sobrecarga repetitiva das articulações;
    • Fazer pausas regulares em atividades prolongadas;
    • Manter boa postura e fortalecimento muscular;
    • Usar equipamentos de proteção, como joelheiras e cotoveleiras, quando indicado.

    O que esperar

    A maioria dos casos de bursite apresenta melhora significativa com tratamento conservador. Quando não tratada adequadamente ou em quadros crônicos, pode evoluir com dor persistente e limitação funcional, exigindo reavaliação médica e ajustes na abordagem terapêutica.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Perguntas frequentes sobre bursite

    1. Bursite é a mesma coisa que artrite?

    Não. A bursite é a inflamação de uma bursa, enquanto a artrite envolve a inflamação da articulação propriamente dita.

    2. Bursite pode se tornar crônica?

    Sim. Isso pode acontecer quando a causa mecânica ou postural não é corrigida.

    3. Compressa quente ajuda no início?

    No início, o gelo costuma ser mais eficaz para reduzir a inflamação. O calor pode ser útil em fases posteriores para relaxamento muscular.

    4. Toda bursite precisa de infiltração com corticoide?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador; infiltrações são reservadas para situações persistentes.

    5. Bursite infecciosa é comum?

    Não. É menos frequente, mas exige tratamento rápido e adequado.

    6. A bursite sempre causa inchaço visível?

    Nem sempre. Em bursas profundas, pode haver dor sem edema evidente.

    7. Bursite tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a maioria dos casos se resolve completamente.

    Veja também: Dor no joelho: o que pode ser, como saber se é grave e o que fazer

  • Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    O vírus Nipah é um vírus zoonótico emergente que vem chamando a atenção da comunidade científica e das autoridades de saúde ao redor do mundo. Identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia, ele é capaz de causar doença grave em humanos, com altas taxas de mortalidade e impacto significativo no sistema nervoso central.

    Embora os surtos tenham ocorrido principalmente no sul e sudeste da Ásia, o Nipah é considerado um vírus prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso se deve à combinação de fatores preocupantes: alta letalidade, possibilidade de transmissão entre pessoas e ausência de vacina ou tratamento antiviral específico aprovado até o momento.

    O que é o vírus Nipah

    O vírus Nipah pertence ao gênero Henipavirus e à família Paramyxoviridae. Trata-se de um vírus de RNA capaz de infectar humanos e diversos animais.

    Seu reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. Esses animais podem carregar o vírus sem apresentar sinais de doença, eliminando-o por meio de saliva, urina e fezes.

    Em determinadas situações, outros animais, como porcos, podem atuar como hospedeiros intermediários, facilitando a transmissão do vírus para humanos. Essa capacidade de atravessar barreiras entre espécies contribui para o potencial de emergência do Nipah.

    Transmissão

    A infecção humana pelo vírus Nipah pode ocorrer por diferentes vias:

    • Contato direto com morcegos infectados ou com seus fluidos corporais (saliva, urina ou fezes);
    • Consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou sucos expostos a secreções de morcegos;
    • Contato com animais infectados, como porcos;
    • Transmissão de pessoa para pessoa, descrita principalmente em ambientes domiciliares e hospitalares, por meio do contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    O período de incubação costuma variar entre 4 e 14 dias, embora haja relatos de intervalos mais longos.

    Sintomas

    A apresentação clínica do vírus Nipah é bastante variável, podendo ir de quadros leves até doença extremamente grave.

    Fase inicial

    Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem se confundir com outras infecções virais comuns, incluindo:

    • Febre;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dor de garganta;
    • Tosse;
    • Mal-estar geral.

    Evolução para formas graves

    Em parte dos pacientes, a doença evolui rapidamente para formas graves, com comprometimento respiratório e neurológico, como:

    • Dificuldade respiratória ou pneumonia;
    • Encefalite, com confusão mental, sonolência e alteração do nível de consciência;
    • Convulsões;
    • Coma.

    A taxa de letalidade observada nos surtos é elevada, variando aproximadamente entre 40% e 75%, dependendo do local, do acesso ao cuidado médico e da capacidade do sistema de saúde.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do vírus Nipah depende da combinação entre quadro clínico e histórico epidemiológico compatível, como permanência em áreas endêmicas ou contato com animais ou pessoas infectadas.

    A confirmação laboratorial é realizada por:

    • PCR, para detecção do RNA viral;
    • Testes sorológicos, como ELISA, para identificação de anticorpos em fases mais tardias da infecção.

    Por se tratar de um agente de alto risco biológico, a investigação deve ocorrer em laboratórios com nível adequado de biossegurança, e os casos suspeitos precisam ser notificados imediatamente às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico aprovado para o vírus Nipah.

    O manejo clínico é exclusivamente de suporte e pode incluir:

    • Suporte respiratório, com oxigenoterapia ou ventilação mecânica;
    • Monitoramento neurológico rigoroso;
    • Cuidados intensivos em ambiente hospitalar.

    Mesmo com suporte adequado, muitos pacientes evoluem com complicações graves ou podem apresentar sequelas neurológicas após a fase aguda.

    Prevenção

    Na ausência de vacina, a prevenção baseia-se na redução do risco de exposição ao vírus, incluindo:

    • Evitar contato com morcegos frugívoros e seus habitats;
    • Não consumir frutas ou sucos potencialmente contaminados;
    • Evitar contato direto com animais doentes;
    • Adotar medidas rigorosas de controle de infecção em ambientes hospitalares;
    • Isolamento de casos suspeitos durante surtos e rastreamento de contatos.

    Potencial de pandemia do vírus Nipah

    Apesar das preocupações frequentes na mídia, o vírus Nipah apresenta baixo risco pandêmico quando comparado a vírus respiratórios como o SARS-CoV-2.

    Isso ocorre porque o Nipah não é transmitido por aerossóis de forma ampla, exigindo contato direto com animais infectados, pessoas doentes ou alimentos contaminados por saliva ou urina de morcegos.

    Além disso, o Brasil não possui a espécie de morcego que atua como principal reservatório do vírus, presente sobretudo no sul e sudeste da Ásia, Austrália e leste da África. Nesses locais, o Nipah provoca surtos ocasionais, e o maior risco está relacionado a viagens ou contatos nessas regiões.

    Leia também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes sobre o vírus Nipah

    O vírus Nipah é contagioso?

    Sim. A transmissão entre pessoas pode ocorrer, especialmente por contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    Existe vacina contra o vírus Nipah?

    Não. Até o momento, não há vacina humana aprovada.

    A infecção sempre é fatal?

    Não, mas a taxa de mortalidade é elevada e varia conforme o surto e o acesso ao cuidado médico.

    O vírus Nipah pode causar epidemias?

    Sim. Já causou surtos regionais e é monitorado por seu potencial epidêmico.

    Como reduzir o risco de infecção?

    Evitar contato com animais silvestres, alimentos contaminados e seguir medidas de biossegurança em áreas de risco.

    Veja mais: Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores

  • Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Estresse, privação de sono e até o consumo exagerado daquele cafézinho são fatores que podem causar oscilações na pressão arterial, tanto em pessoas saudáveis quanto em quem convive com hipertensão.

    Mas, apesar de comum em algumas situações cotidianas, variações muito acentuadas ou frequentes merecem atenção, pois podem indicar que o organismo está reagindo de forma exagerada a estímulos que deveriam provocar apenas alterações leves.

    Quando a pressão sobe demais, cai rápido ou oscila sem motivo aparente, torna-se importante investigar a causa e avaliar se há risco de complicações cardiovasculares. Vamos entender, com a orientação de uma cardiologista, por que isso acontece e quando procurar ajuda médica.

    Afinal, o que significa uma pressão arterial oscilante?

    Uma pressão arterial oscilante significa que os números da pressão sobem e descem mais do que o esperado ao longo do dia. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é importante entender que a variação da pressão ao longo do dia é um mecanismo natural de adaptação do organismo. A pressão sofre influência do ritmo circadiano, o relógio biológico que funciona em ciclos de 24 horas.

    Durante o dia, ela tende a aumentar para garantir que o sangue chegue adequadamente aos órgãos diante de uma maior demanda de atividade. À noite, durante o sono, a pressão diminui de forma natural para permitir o ajuste do sistema cardiovascular.

    Quando, porém, as mudanças deixam de seguir um padrão previsível e começam a ocorrer de forma intensa, repetida ou sem relação com esforço, sono ou emoções, pode indicar que o sistema cardiovascular está reagindo de maneira exagerada a estímulos simples ou até perdendo a capacidade de manter a estabilidade da pressão.

    O que pode causar oscilação na pressão arterial?

    As oscilações da pressão arterial acontecem porque o organismo responde a diferentes estímulos ao longo do dia, segundo Juliana. Entre os principais fatores que podem provocar as variações, é possível destacar:

    • Atividade física, que aumenta a demanda de sangue para os músculos e eleva a pressão;
    • Estresse e emoções intensas, que liberam adrenalina e cortisol e contraem os vasos sanguíneos;
    • Consumo excessivo de cafeína, que estimula o sistema cardiovascular;
    • Alimentação rica em sal, que favorece a retenção de líquidos e aumenta a pressão;
    • Sono, período no qual a pressão naturalmente cai devido ao repouso do organismo;
    • Refeições muito volumosas, que direcionam maior fluxo sanguíneo para a digestão e podem causar leve queda da pressão.

    Além dos fatores naturais do dia a dia, algumas condições de saúde e situações específicas podem provocar oscilações que não fazem parte do funcionamento normal do organismo e devem ser investigadas:

    • Pressão alta mal controlada;
    • Apneia do sono;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Doenças renais;
    • Arritmias cardíacas;
    • Anemia;
    • Uso de medicamentos como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Pessoas com hipertensão em tratamento podem apresentar oscilações perigosas mesmo com valores aparentemente controlados, o que pode indicar necessidade de ajuste terapêutico ou investigação de causas associadas.

    Até que ponto a variação é normal?

    A variação é considerada normal quando acompanha o ritmo fisiológico do corpo. Porém, merece atenção quando:

    • Ultrapassa cerca de 10% a 20% para cima ou para baixo;
    • Ocorre sem motivo aparente;
    • Acontece repetidamente ao longo do dia;
    • Surge mesmo em repouso;
    • Não reduz durante o sono;
    • Vem acompanhada de sintomas como tontura, palpitações ou dor de cabeça.

    Oscilação na pressão arterial é perigosa?

    Sim, especialmente quando os valores sobem e descem de forma exagerada ou imprevisível. Nessas situações, o risco de complicações aumenta, incluindo:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Arritmias;
    • Tonturas e desmaios;
    • Quedas e traumatismos;
    • Agravamento da hipertensão;
    • Piora de doenças renais e cardíacas.

    Como aferir a pressão arterial em casa?

    O monitoramento deve ser feito com aparelhos de braço. Para uma medição correta:

    • Descanse por 5 minutos antes da medição;
    • Sente-se com costas apoiadas e pés no chão;
    • Mantenha o braço apoiado na altura do coração;
    • Evite café, cigarro e exercício 30 minutos antes;
    • Faça três medições, descartando a primeira;
    • Registre a média das duas últimas.

    O ideal é medir pela manhã e à noite, por sete dias seguidos, anotando os valores para avaliação médica.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure atendimento se houver:

    • Pressão acima de 180/120 mmHg;
    • Quedas bruscas com tontura ou desmaio;
    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Dor de cabeça súbita e intensa;
    • Alterações neurológicas;
    • Oscilações frequentes mesmo em repouso;
    • Mal-estar persistente.

    Como é feito o acompanhamento em casos de pressão oscilante?

    A avaliação pode incluir exames como:

    • MAPA, que registra a pressão por 24 horas;
    • MRPA, feita em casa, seguindo técnica padronizada.

    Com base nos resultados, o médico pode ajustar hábitos de vida, alimentação, atividade física e medicação, além de investigar causas associadas como apneia do sono e distúrbios hormonais.

    Veja também: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes

    Quais os principais sintomas de pressão oscilante?

    Tontura, dor de cabeça, palpitações, visão turva, fraqueza e mal-estar geral são comuns, embora nem sempre haja sintomas.

    Qual é o valor considerado normal de pressão arterial?

    A pressão normal é abaixo de 120/80 mmHg. Valores acima de 140/90 mmHg sugerem hipertensão e abaixo de 90/60 mmHg podem indicar hipotensão.

    Por que o aparelho de pulso não é recomendado?

    Porque é mais sensível à posição e ao movimento, aumentando o risco de erro. O aparelho de braço é mais confiável.

    Em qual braço devo medir a pressão?

    Inicialmente nos dois braços. Depois, utilize sempre o braço com maior valor.

    O estresse pode causar picos de pressão?

    Sim. Hormônios do estresse contraem os vasos e elevam a pressão, especialmente em pessoas sensíveis.

    Pressão oscilante pode ser temporária?

    Sim. Pode ocorrer em situações pontuais, mas oscilações persistentes devem ser investigadas.

    Leia mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Transplante de medula óssea: como é feito, indicação e como se tornar um doador 

    Transplante de medula óssea: como é feito, indicação e como se tornar um doador 

    Utilizada quando o organismo perde a capacidade de produzir células do sangue de maneira saudável, o transplante de medula óssea é uma alternativa para tratar doenças que comprometem o funcionamento da medula, como leucemias, mieloma múltiplo e falhas graves na produção celular.

    Mas afinal, o que é medula óssea? Ela consiste em um tecido esponjoso localizado no interior dos ossos, conhecido como tutano, responsável por fabricar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Segundo o oncologista Thiago Chadid, é ali que vivem as células-tronco hematopoéticas, capazes de dar origem a todas as células sanguíneas que garantem oxigenação adequada, defesa contra infecções e coagulação.

    Quando acontece algum defeito na produção das células, o corpo perde a capacidade de manter as suas funções vitais. Com o transplante, é possível substituir células doentes por células saudáveis, permitindo que o corpo volte a fabricar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas de forma equilibrada. Entenda mais, a seguir!

    O que é o transplante de medula óssea e quando é indicado?

    O transplante de medula óssea é um procedimento utilizado quando a medula perde a capacidade de produzir células do sangue de forma adequada. De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta é substituir uma medula doente ou insuficiente por células saudáveis, capazes de restaurar a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

    O tratamento pode ser feito de duas maneiras:

    • No transplante autogênico (autólogo), utilizam-se células saudáveis do próprio paciente, coletadas e preservadas antes da etapa de quimioterapia de alta intensidade;
    • No transplante alogênico, as células vêm de um doador compatível, que pode ser um familiar ou alguém inscrito no registro nacional de doadores.

    A indicação surge em doenças que comprometem de forma profunda o funcionamento da medula, como anemia aplástica grave, síndromes mielodisplásicas e diversos tipos de leucemias, nas quais há alteração da função e do ritmo de crescimento dos leucócitos.

    De acordo com Thiago, o tratamento funciona como um "reset", semelhante a reiniciar um computador, substituindo a medula comprometida por uma medula saudável.

    Quanto o transplante de medula óssea é indicado?

    O transplante de medula óssea é indicado quando a medula perde a capacidade de produzir células sanguíneas de forma adequada, seja por proliferação descontrolada, seja por falência progressiva. Segundo Thiago, ao lembrarmos que as células-tronco da medula dão origem a todos os tipos de células do sangue, é mais fácil compreender por que alterações nesse processo podem desencadear doenças graves.

    Uma mutação que interfere na diferenciação celular pode gerar células defeituosas, incapazes de exercer suas funções. Em muitos casos, isso resulta no surgimento de cânceres que se originam na própria medula óssea.

    Segundo o oncologista, em alguns casos, o transplante é feito com intenção curativa, buscando eliminar totalmente a doença. Em outros, o objetivo é controle dos sintomas, principalmente quando a medula está muito hiperprodutiva e provoca excesso de células doentes. Nessas situações, o transplante reduz a população de células malignas, melhora o bem-estar e prolonga a vida do paciente, mesmo que a cura definitiva não seja possível.

    Entre algumas das principais indicações de transplante de medula óssea, destacamos:

    Mieloma múltiplo

    O mieloma múltiplo é um tumor originado nas células responsáveis pela produção de imunoglobulinas, como o IgG. Uma mutação faz com que as células deixem de produzir anticorpos funcionais e passem a fabricar proteínas defeituosas, que não têm utilidade e se acumulam na corrente sanguínea, segundo Thiago.

    O excesso provoca sobrecarga nos rins e nos vasos, além de favorecer a proliferação desordenada dessas células dentro dos ossos, levando à corrosão óssea e a quadros de dor e fragilidade. É um processo resultante de uma diferenciação celular defeituosa, que gera uma proteína inútil e perda de função imunológica.

    Leucemias

    As leucemias são tumores que surgem quando há falha na diferenciação das células brancas: um neutrófilo, que deveria combater bactérias, ou um linfócito, que deveria combater vírus, passa a se desenvolver de forma anormal.

    A célula perde completamente sua função de defesa e se torna uma célula maligna cuja única atividade é proliferar. A multiplicação excessiva causa danos ao organismo, como Thiago explica.

    Existem dois tipos de leucemias, sendo elas:

    • Leucemias crônicas: surgem quando a célula ainda preserva parte da função original e se multiplica de forma mais lenta e gradual. Por isso, muitos casos evoluem de maneira silenciosa no início, permitindo que o organismo se adapte temporariamente à presença das células alteradas;
    • Leucemias agudas: ocorrem quando a célula perde completamente a capacidade funcional e passa a se multiplicar de forma acelerada e desordenada. A medula rapidamente se enche de células imaturas e inúteis, que impedem a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

    As leucemias agudas, por evoluírem em ritmo muito rápido, são quadros mais graves, com sintomas intensos desde o início — e exigem intervenção imediata para evitar complicações graves.

    Outras doenças da medula óssea

    Nem todos os problemas da medula óssea estão ligados ao excesso de proliferação celular. Na verdade, em quadros como mielofibrose, síndromes mielodisplásicas e algumas doenças mieloproliferativas, o que ocorre é uma falência progressiva da medula.

    É como se o tecido sofresse um envelhecimento precoce: as células-tronco deixam de se multiplicar como deveriam ou passam a morrer mais rapidamente, comprometendo a produção normal das séries sanguíneas.

    Quando a medula falha, o organismo começa a sentir sinais claros de desequilíbrio, como:

    • Anemia: queda da produção de glóbulos vermelhos, causando cansaço intenso, palidez, tonturas e falta de ar mesmo em esforços leves;
    • Redução da imunidade: diminuição dos glóbulos brancos, deixando o corpo mais vulnerável a infecções frequentes, graves ou de evolução rápida;
    • Problemas de coagulação: queda no número de plaquetas, levando a sangramentos fáceis, manchas roxas sem motivo aparente e maior risco de hemorragias.

    Linfomas

    Os linfomas são cânceres que surgem nos linfonodos e no sistema linfático, afetando células de defesa chamadas linfócitos. Eles podem ser classificados em linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin, cada um com comportamentos e respostas ao tratamento diferentes.

    Em muitos casos, a primeira abordagem envolve quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, dependendo do subtipo e do estágio da doença.

    O transplante de medula óssea costuma ser indicado quando o linfoma não responde totalmente ao tratamento inicial ou apresenta recaída após a primeira remissão. Nesses cenários, o transplante (autólogo ou alogênico) ajuda a restaurar uma medula saudável e intensifica as chances de controle prolongado da doença.

    Como é feito o transplante de medula óssea?

    O transplante é realizado em diversas etapas, desde o preparo do organismo até o acompanhamento prolongado após a infusão das células. Primeiro, é necessário entender se o procedimento será alogênico ou autólogo:

    Transplante alogênico

    No transplante alogênico, as células utilizadas vêm de outra pessoa — um familiar compatível ou alguém cadastrado no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), um banco de dados financiado pelo Ministério da Saúde com informações de possíveis doadores para quem precisa de transplante de medula óssea.

    O processo começa com exames que verificam a compatibilidade entre o sangue do doador e do paciente. A ideia é encontrar a combinação mais segura possível para diminuir o risco de rejeição e evitar que as células do doador ataquem órgãos do paciente.

    Quando a compatibilidade está confirmada, o doador passa por um procedimento no centro cirúrgico, sob anestesia, e a coleta dura cerca de duas horas. O médico faz várias punções com agulhas na parte posterior da bacia para aspirar a medula óssea. A retirada não causa problemas para a saúde do doador, de acordo com Thiago Chadid.

    Transplante autólogo

    No transplante autólogo, o paciente recebe de volta as próprias células saudáveis da medula. As células-tronco são coletadas da medula ou do sangue do próprio paciente e passam por aférese, um processo de filtragem que separa apenas as células saudáveis. Depois da coleta, o material é armazenado até o momento do transplante.

    Fase de condicionamento

    Na etapa seguinte, antes da infusão das células, o paciente é submetido a uma quimioterapia de alta intensidade, capaz de destruir a medula doente e eliminar células comprometidas.

    O período é conhecido como aplasia e, uma vez que a medula não está produzindo células, a pessoa fica extremamente vulnerável e apresenta risco elevado de infecções. Por isso, ela deve adotar cuidados muito rigorosos, como:

    • Não consumir alimentos crus;
    • Manter higiene minuciosa das mãos, do corpo e do ambiente;
    • Permitir visitas apenas com uso de máscara;
    • Permanecer em um espaço altamente protegido e livre de contaminantes.

    Como a imunidade fica praticamente zerada, qualquer pequena ferida pode se transformar em porta de entrada para infecções graves. Até situações simples do dia a dia exigem atenção redobrada, já que o organismo não consegue responder de forma adequada durante essa fase.

    Infusão das células-tronco

    Após o tratamento, as células previamente coletadas, sejam elas do doador ou do próprio paciente, são infundidas pela veia, de maneira semelhante a uma transfusão de sangue. Elas percorrem a circulação até alcançar o interior dos ossos, onde se instalam, se multiplicam e retomam a produção de células do sangue.

    O procedimento é indolor e não requer sala cirúrgica, já que as células entram pela corrente sanguínea e migram espontaneamente até a medula óssea, onde começam o processo de enxertia.

    Período de pega da medula

    A pega é a fase em que as células infundidas começam a se estabelecer no interior dos ossos e retomar a produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. O processo costuma levar de 10 a 30 dias, dependendo do tipo de transplante.

    Durante o intervalo, o risco de infecções e complicações é elevado, porque o sistema imunológico ainda não está funcional. Assim, o paciente permanece sob vigilância diária, com uso de antibióticos, antivirais e suporte transfusional quando necessário.

    Cuidados pós-transplante de medula óssea

    Depois da fase de pega, é iniciada uma fase prolongada de acompanhamento médico. Em casos de transplante alogênico, é necessário identificar sinais de doença do enxerto contra o receptor (quando as células do doador atacam o corpo do receptor), ajustar imunossupressores e monitorar rejeição.

    Quando o transplante é autólogo, o acompanhamento é voltado para recaídas, toxicidade dos medicamentos e recuperação hematológica.

    O paciente precisa manter consultas frequentes, evitar contato com agentes infecciosos, seguir rigorosamente a prescrição de remédios e adaptar alimentação, hidratação e rotina às orientações do médico.

    A recuperação completa do sistema imunológico pode levar meses ou até anos — a velocidade varia muito de pessoa para pessoa e depende do tratamento específico e do estado geral de saúde do paciente.

    Nesse período, vacinas são reorganizadas, exames são repetidos regularmente e qualquer sinal de infecção ou inflamação deve ser investigado. Com o tempo, o organismo volta a produzir células de defesa de forma adequada, restaurando o funcionamento saudável da medula óssea.

    Quais os possíveis riscos para o paciente e para o doador?

    No caso do paciente, os principais riscos surgem durante o período em que a medula deixa de funcionar após o preparo para o transplante. Com a queda da imunidade, a pessoa fica mais suscetível a infecções e precisa de monitoramento constante.

    Além disso, após a infusão das novas células, pode ocorrer uma reação em que as novas células reconhecem alguns tecidos do receptor como estranhos. A complicação, conhecida como doença enxerto contra hospedeiro, varia de intensidade e costuma ser controlada com o uso de medicamentos específicos.

    A rejeição do transplante é pouco frequente, mas pode acontecer. Por isso, a seleção cuidadosa do doador e o preparo adequado do paciente são etapas fundamentais.

    Para o doador, os riscos são muito baixos. A medula retirada se regenera naturalmente em poucas semanas, sem problemas à saúde geral. Antes da coleta, a pessoa passa por uma avaliação clínica detalhada para garantir segurança durante a anestesia e o procedimento.

    Após a doação, podem surgir desconfortos temporários, como dor na região da bacia, cansaço leve ou dor de cabeça, sintomas que costumam melhorar rapidamente com analgésicos simples.

    É possível curar doenças com transplante de medula óssea?

    A chance de cura varia conforme o tipo da doença, a compatibilidade do doador, a idade e o estado de saúde da pessoa. Em alguns casos, o transplante pode realmente levar à cura, e em outros, ajuda a controlar a doença por muitos anos, mantendo o quadro estável e permitindo boa qualidade de vida.

    No mieloma múltiplo, por exemplo, muitos pacientes vivem por décadas realizando transplantes em momentos específicos do tratamento. Já certas leucemias têm maior chance de cura quando o transplante é feito cedo, antes que a doença avance.

    A dificuldade está em eliminar totalmente todas as células doentes, porque mesmo após tratamentos intensos algumas podem permanecer no organismo, levando a recaídas em parte dos casos.

    Como se tornar um doador de medula óssea?

    Para se tornar doador de medula óssea, o caminho é simples, seguro e muito mais rápido do que você imagina. O cadastro é feito no REDOME, banco oficial brasileiro que reúne milhões de doadores em potencial. A partir do cadastro, os dados são cruzados sempre que um paciente precisa de um transplante e busca-se alguém compatível.

    Mas quem pode ser doador? As principais recomendações incluem:

    • Ter entre 18 e 35 anos (a idade limite para se cadastrar é 35 anos, porque doadores mais jovens oferecem melhor qualidade celular). Após o cadastro, o doador pode ser convocado para doação até completar 60 anos de idade;
    • Estar em boa saúde, sem doenças infecciosas transmissíveis ou condições que impeçam a doação;
    • Não ter histórico de câncer, doenças hematológicas, hepatites crônicas, HIV, entre outras contraindicações semelhantes às da doação de sangue.

    Depois do cadastro, são retirados cerca de 5 a 10 ml de sangue, o suficiente para realizar a tipagem HLA, que identifica características genéticas usadas para comparar com possíveis receptores. Depois da análise, seus dados entram no banco de doadores. A partir desse momento, você pode ser chamado a qualquer momento caso apareça alguém compatível.

    Quanto maior for o número de doadores cadastrados, maior será a possibilidade de alguém encontrar uma medula compatível e, com isso, ter acesso a um tratamento que realmente pode mudar o rumo de uma doença grave. Muitas vezes, o transplante é a única esperança de quem está lutando contra leucemias, mielomas e outras alterações que impedem o organismo de produzir células saudáveis.

    Para muitas famílias, a ligação do REDOME confirmando um doador compatível significa alívio, esperança e a possibilidade real de continuar. Por isso, é muito importante informar, desmistificar medos e incentivar o cadastro. Quando mais pessoas se dispõem a participar, mais vidas podem ser salvas.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    Quais são os tipos de doação de medula óssea?

    A doação pode ocorrer pela bacia, onde se encontram as maiores concentrações de células-tronco, ou pela circulação periférica, quando medicamentos estimulam a migração dessas células para o sangue. O método é escolhido pela equipe médica de acordo com as necessidades do transplante.

    No caso da coleta por aférese, o doador recebe medicamento que estimula as células-tronco durante alguns dias. Depois, ele fica conectado a uma máquina de aférese que retira apenas as células desejadas e devolve o restante. É semelhante a uma doação de sangue prolongada. A recuperação é praticamente imediata.

    Doar medula dói?

    Quando a coleta ocorre pela bacia, o doador recebe anestesia e não sente dor durante o procedimento. Depois, pode surgir desconforto leve, semelhante a uma contusão, que melhora em poucos dias.

    A coleta por aférese provoca sensação de pressão óssea por causa do medicamento que estimula a liberação das células-tronco, mas, novamente, é uma sensação temporária. A experiência costuma ser bastante tranquila.

    Onde fazer o cadastro para se tornar doador de medula óssea?

    O cadastro é realizado em hemocentros públicos e unidades credenciadas ao REDOME. O processo inclui preenchimento de ficha e coleta de pequena amostra de sangue para análise do perfil genético. Em menos de meia hora, a pessoa conclui tudo.

    O que significa “aplasia” durante o transplante de medula óssea?

    A aplasia corresponde ao período em que a medula fica totalmente inativa depois da quimioterapia preparatória. Durante alguns dias, o organismo não produz hemácias, plaquetas ou glóbulos brancos — então a pessoa fica extremamente vulnerável a infecções, sangramentos e cansaço intenso.

    Todas as medidas de proteção são reforçadas: alimentação cozida, higiene rigorosa, ambiente controlado, uso de máscara, restrição de visitas e monitorização constante. É um período bem delicado, mas temporário, até que as novas células iniciem a regeneração.

    O transplante sempre cura?

    Não, o transplante pode curar quando a doença é controlada previamente, a carga tumoral está baixa e o organismo recebe células altamente compatíveis. Em outras situações, o transplante controla o avanço da doença, prolonga a sobrevida e melhora a qualidade de vida. Mesmo quando não existe cura completa, o transplante pode oferecer muitos anos de estabilidade e retorno às atividades.

    O doador de medula óssea paga alguma coisa?

    O doador de medula óssea não paga por nada! O sistema de saúde cobre exames, coleta, transporte e todo o processo. O compromisso do doador é apenas a disponibilidade.

    Posso desistir depois de ser chamado?

    Tecnicamente sim, mas é importante lembrar que, quando alguém é convocado, há uma pessoa do outro lado aguardando um transplante urgente. Em muitos casos, é a única chance de tratamento, então a decisão de se cadastrar deve ser consciente e responsável.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    No Brasil, aproximadamente 10 mil novos casos de leucemia surgem todos os anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer.

    A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é o tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, representando cerca de 30% de todos os casos de câncer infantil.

    Conversamos com o oncologista Thiago Chadid para esclarecer como a leucemia se desenvolve, quais são os principais sinais de alerta, os fatores de risco envolvidos e como funcionam os tratamentos disponíveis atualmente.

    O que é leucemia?

    A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células do sangue, mais especificamente na medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas.

    Ela ocorre quando uma célula precursora sofre uma mutação genética e passa a se multiplicar de forma desordenada, originando células anormais que não cumprem adequadamente suas funções.

    As células defeituosas, normalmente da série branca, se acumulam na medula óssea e na corrente sanguínea, prejudicando a produção das células normais, como os glóbulos vermelhos, as plaquetas e os leucócitos saudáveis. Como resultado, o organismo passa a apresentar alterações na imunidade, maior risco de infecções, anemia e sangramentos.

    Vale apontar que, diferente de outros tipos de câncer, a leucemia não forma uma massa ou tumor sólido, pois se desenvolve nas células do sangue e da medula óssea, espalhando-se pela corrente sanguínea.

    Como surgem as leucemias na medula óssea

    Na medula óssea existem células precursoras, também chamadas de células-tronco hematopoéticas. Elas são responsáveis por produzir todas as células do sangue e dão origem a três grandes grupos, conforme aponta Thiago Chadid:

    • Série branca, que atua na defesa do organismo;
    • Série vermelha, que forma os glóbulos vermelhos, responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo;
    • Série plaquetária, que produz as plaquetas, importantes para a coagulação do sangue.

    A série branca está diretamente ligada ao sistema imunológico. A partir dessas células precursoras surgem vários tipos de células de defesa, entre elas os linfócitos, que se dividem principalmente em linfócitos T e linfócitos B.

    Os linfócitos T atuam de forma direta no combate a tumores, bactérias e outros agentes estranhos ao organismo. Já os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos, que ajudam a neutralizar infecções.

    Além dos linfócitos, existem outras células da série branca que participam de processos inflamlórios e reações alérgicas, formando um sistema de defesa bastante complexo.

    A leucemia surge quando ocorre uma mutação nas células precursoras da série branca. A partir dessa alteração, as células passam a se multiplicar de forma descontrolada e deixam de exercer corretamente a função de defesa.

    Quais os tipos de leucemia?

    As leucemias são classificadas em dois grandes grupos, de acordo com a linhagem acometida:

    • Leucemias mieloides, que afetam a linhagem mieloide, responsável pela formação de diferentes células do sangue, como neutrófilos, monócitos, eosinófilos, basófilos e plaquetas;
    • Leucemias linfoides, que atingem a linhagem linfóide, responsável pela produção dos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico.

    Além dessa divisão, as leucemias também são classificadas conforme a velocidade de evolução da doença, segundo Thiago:

    • Leucemias agudas, nas quais as células doentes se multiplicam rapidamente e os sintomas costumam surgir em pouco tempo;
    • Leucemias crônicas, que apresentam crescimento mais lento e podem permanecer assintomáticas por longos períodos.

    De acordo com o oncologista, as leucemias crônicas têm prognóstico mais favorável do que as agudas, pois evoluem de forma lenta. Já as leucemias agudas são mais graves, com multiplicação rápida e descontrolada das células, podendo causar complicações circulatórias e maior risco de trombose.

    Independentemente do tipo, todas as leucemias compartilham uma característica central: as células leucêmicas são disfuncionais.

    Mesmo quando o exame de sangue mostra um número elevado de leucócitos, essas células não são capazes de exercer adequadamente sua função de defesa, o que compromete o sistema imunológico.

    Além disso, as células anormais passam a ocupar espaço na medula óssea, prejudicando a produção das células saudáveis. Com o tempo, ocorre redução dos glóbulos vermelhos e das plaquetas, o que pode levar à anemia, sangramentos frequentes e aumento do risco de infecções.

    Fatores de risco para a leucemia

    Os fatores de risco para a leucemia ainda não explicam totalmente a origem da doença, mas diversos estudos indicam que determinadas condições e exposições aumentam a chance de desenvolvimento de alguns tipos específicos.

    Entre os principais fatores de risco conhecidos, o Ministério da Saúde destaca:

    • Exposição ao benzeno, substância presente na gasolina e amplamente utilizada na indústria química, associada à leucemia mieloide aguda e crônica e à leucemia linfoide aguda;
    • Radiação ionizante, como raios X e raios gama, especialmente quando relacionada a procedimentos médicos como a radioterapia. O risco varia conforme a idade, a dose e o tempo de exposição;
    • Quimioterapia, sobretudo algumas classes de medicamentos utilizadas no tratamento do câncer e de doenças autoimunes, relacionada principalmente à leucemia mieloide aguda e à leucemia linfoide aguda;
    • Exposição ao formaldeído, comum em ambientes industriais (química, têxtil, entre outras) e na área da saúde, como hospitais e laboratórios;
    • Trabalho na produção de borracha, associado ao aumento do risco de diferentes tipos de leucemia;
    • Exposição a agrotóxicos e solventes, além de infecção pelos vírus das hepatites B e C, fatores relacionados ao aumento do risco de leucemia;
    • Síndrome mielodisplásica e outras doenças do sangue, que podem evoluir para leucemia mieloide aguda;
    • Idade avançada, fator de risco importante para a maioria dos tipos de leucemia. A exceção é a leucemia linfoide aguda, mais frequente em crianças;
    • Tabagismo, associado principalmente ao aumento do risco de leucemia mieloide aguda.

    Segundo Thiago, a predisposição genética é relativamente rara, estimada em cerca de 4 a 5% dos casos de leucemia.

    Quais os sintomas de leucemia?

    A leucemia pode ser assintomática no início e ser descoberta em exames de rotina. À medida que evolui, podem surgir sintomas como:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Febre persistente;
    • Perda de peso e sudorese noturna;
    • Infecções frequentes e de difícil controle;
    • Sangramentos fáceis, hematomas e manchas na pele;
    • Anemia e queda das plaquetas.

    Nas leucemias agudas, a evolução pode ser muito rápida, ocorrendo em dias ou semanas. Em alguns casos, sem tratamento imediato, o quadro pode levar ao óbito em pouco tempo, segundo Thiago.

    Já nas crônicas, a doença costuma ser descoberta por acaso em check-ups e acompanhada por muitos anos, às vezes sem necessidade de tratamento imediato.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da leucemia começa, normalmente, com um hemograma, que pode mostrar alterações como aumento ou redução dos leucócitos, anemia e queda das plaquetas. Em alguns casos, também aparecem células imaturas no sangue.

    Para confirmar o diagnóstico, é necessário o exame da medula óssea, por meio do mielograma e, quando indicado, da biópsia de medula óssea. Eles permitem avaliar a quantidade, o tipo e o grau de maturação das células sanguíneas.

    Após a confirmação, podem ser realizados exames complementares, como imunofenotipagem, citogenética e testes moleculares, que identificam o subtipo da leucemia, alterações genéticas específicas e ajudam a definir o melhor tratamento.

    Tratamento de leucemia

    Nas leucemias agudas, o tratamento costuma ser mais agressivo e precisa ser iniciado rapidamente, segundo Thiago. Os principais métodos incluem:

    • Quimioterapia intensiva, com o objetivo de eliminar as células leucêmicas e permitir a recuperação da medula óssea;
    • Transplante de medula óssea, indicado em alguns casos para reduzir o risco de recaída e aumentar as chances de cura.

    Nas leucemias crônicas, o tratamento normalmente é mais brando e individualizado, podendo incluir:

    • Medicamentos orais, que ajudam a controlar a doença ao longo do tempo;
    • Terapias-alvo, como inibidores de tirosina-quinase e anticorpos monoclonais, que atuam diretamente nas células alteradas.

    Em alguns pacientes crônicos, principalmente nos estágios iniciais e sem sintomas, pode ser adotada apenas a estratégia de acompanhamento regular, sem necessidade de tratamento imediato.

    Acompanhamento pós-tratamento

    Após o tratamento da leucemia, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para identificar sinais precoces de retorno e lidar com possíveis efeitos tardios do tratamento, contribuindo para preservar a saúde e a qualidade de vida do paciente ao longo do tempo.

    De forma geral, o acompanhamento inclui:

    • Consultas médicas periódicas, voltadas à avaliação clínica e ao esclarecimento de dúvidas;
    • Exames de sangue regulares, utilizados para acompanhar o funcionamento da medula óssea e identificar alterações iniciais;
    • Exames complementares, solicitados quando há necessidade de investigação adicional;
    • Monitoramento de sintomas, como cansaço, febre ou sangramentos, que devem ser relatados ao médico;
    • Apoio psicológico e emocional, importante para lidar com os impactos físicos e emocionais da doença;
    • Atualização vacinal e cuidados gerais de saúde, com foco na prevenção de infecções e outras complicações.

    A rotina de acompanhamento pode variar conforme o tipo de leucemia, o tratamento realizado e as condições individuais de cada paciente, sempre seguindo orientação médica.

    É possível prevenir a leucemia?

    Na maioria dos casos, a leucemia não pode ser prevenida, pois muitas pessoas que desenvolvem a doença não apresentam fatores de risco conhecidos ou modificáveis, segundo o Ministério da Saúde.

    Mesmo assim, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, como:

    • Não fumar, já que o tabagismo aumenta o risco de leucemia mieloide aguda e de vários outros tipos de câncer;
    • Reduzir a exposição ocupacional a substâncias químicas, como solventes e agentes comprovadamente cancerígenos, sempre que possível;
    • Utilizar equipamentos de proteção individual no trabalho, para diminuir o contato com substâncias nocivas;
    • Buscar orientação em serviços de saúde, especialmente em casos de tratamento prévio com quimioterapia ou radioterapia.

    Leucemia tem cura?

    Nas leucemias crônicas, o foco do tratamento costuma ser o controle da doença, e não a cura definitiva. Muitos pacientes convivem com a leucemia por vários anos, mantendo boa qualidade de vida, de forma semelhante ao acompanhamento de doenças crônicas como diabetes ou hipertensão.

    Nas leucemias agudas, de acordo com o tipo da doença, o diagnóstico precoce e a resposta ao tratamento, pode haver possibilidade de cura, principalmente quando o transplante de medula óssea é indicado. Após um período prolongado sem sinais da doença, o paciente pode ser considerado curado.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    A leucemia é hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas uma pequena parcela das leucemias tem relação direta com fatores genéticos herdados. Ter um familiar com leucemia não significa, necessariamente, que a doença irá se desenvolver.

    A leucemia pode voltar após o tratamento?

    Em alguns casos, a leucemia pode reaparecer, situação conhecida como recaída. O risco varia conforme o tipo da doença, as alterações genéticas envolvidas e a resposta inicial ao tratamento. Por esse motivo, o acompanhamento médico após o término da terapia é fundamental.

    Leucemia é contagiosa?

    Não, a leucemia não é uma doença contagiosa e, portanto, não ocorre transmissão por contato físico, saliva, sangue ou convivência diária. É uma doença relacionada a alterações celulares internas.

    Leucemia pode afetar outros órgãos?

    As células leucêmicas circulam pelo sangue e podem se acumular em órgãos como baço, fígado e linfonodos, causando aumento de volume e desconforto. As complicações também podem ocorrer em razão de infecções ou sangramentos.

    Atividade física é permitida durante o tratamento de leucemia?

    A atividade física leve a moderada pode ser benéfica, desde que liberada pelo médico. Exercícios ajudam na recuperação, no controle do cansaço e no bem-estar emocional, respeitando sempre as limitações individuais.

    Quando procurar um médico por suspeita de leucemia?

    A procura por avaliação médica é indicada diante de sintomas persistentes como cansaço intenso, febre sem causa aparente, sangramentos frequentes, manchas roxas, infecções recorrentes ou alterações em exames de sangue de rotina.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    As escaras, também chamadas de úlceras por pressão ou lesões por pressão, são feridas na pele que surgem quando uma área do corpo permanece sob pressão contínua por tempo prolongado, geralmente sobre uma proeminência óssea.

    Essas lesões podem variar desde uma vermelhidão localizada até feridas profundas, com exposição de tecidos e, nos casos mais graves, até do osso.

    Esse tipo de lesão é frequente tanto em ambientes hospitalares quanto em cuidados domiciliares, especialmente entre pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes ou idosos em instituições de longa permanência.

    O que são as úlceras por pressão (escaras)

    As úlceras por pressão são lesões que acometem a pele e os tecidos subjacentes, causadas pela compressão prolongada entre uma superfície externa (como colchão ou cadeira) e uma estrutura óssea do corpo.

    Essa pressão contínua reduz a circulação sanguínea local, provoca dano celular progressivo e pode levar à morte do tecido, resultando em feridas de difícil cicatrização se não tratadas adequadamente.

    Como as escaras são formadas

    O surgimento da úlcera por pressão envolve a combinação de diferentes fatores:

    • Pressão contínua exercida sobre a pele;
    • Atrito entre a pele e superfícies como lençóis, cadeiras ou fraldas;
    • Condições clínicas do próprio paciente.

    Na maioria dos casos, a pressão ocorre pela permanência prolongada na mesma posição, seja deitado ou sentado. Esse contato constante prejudica a circulação, levando inicialmente a vermelhidão e inchaço. Se a pressão não for aliviada, a lesão pode evoluir para estágios mais graves.

    Principais fatores de risco

    • Imobilidade ou mobilidade reduzida (principal fator);
    • Desnutrição, que dificulta a cicatrização;
    • Redução da sensibilidade, impedindo a percepção de dor ou desconforto;
    • Umidade excessiva por urina, fezes ou suor, que fragiliza a pele.

    Na avaliação de uma lesão por pressão, é fundamental observar:

    • Integridade da pele;
    • Localização em áreas de maior risco;
    • Presença de dor;
    • Sinais de infecção;
    • Profundidade e gravidade da ferida.

    Classificação da úlcera por pressão (graus 1 a 4)

    As lesões por pressão são classificadas em quatro graus, conforme a profundidade e o comprometimento dos tecidos.

    Grau 1 (mais leve)

    • Vermelhidão persistente na pele;
    • Pode haver dor, inchaço e calor local;
    • A pele permanece íntegra.

    Grau 2

    • Perda da camada mais superficial da pele;
    • Lesão rosada ou avermelhada, podendo apresentar bolhas;
    • Aspecto semelhante a “carne viva”.

    Grau 3

    • Perda quase total das camadas da pele;
    • Exposição de tecido gorduroso;
    • Ainda não há exposição de músculos ou ossos.

    Grau 4 (mais grave)

    • Lesão profunda;
    • Exposição de músculos e/ou ossos;
    • Alto risco de infecção e complicações graves.

    Quando a lesão não é classificável

    Quando há necrose, com tecido escurecido ou enegrecido, não é possível determinar a profundidade real da lesão. Nesses casos, a remoção desse tecido é necessária para avaliação adequada.

    Tratamento: o que fazer e como cuidar

    O tratamento das úlceras por pressão envolve medidas combinadas, com o objetivo de evitar progressão da lesão e favorecer a cicatrização:

    • Redução dos fatores de risco;
    • Cuidados locais com a ferida;
    • Tratamento de infecções, quando presentes;
    • Otimização do estado nutricional;
    • Controle adequado da dor.

    Controle da dor

    A dor pode ser manejada com:

    • Analgésicos simples em casos leves a moderados;
    • Opioides em dores mais intensas, quando indicados e com orientação médica.

    Tratamento de infecção (quando indicado)

    Nem toda úlcera por pressão exige antibiótico. A maioria das feridas apresenta colonização bacteriana sem infecção ativa.

    O uso de antibióticos é indicado quando há sinais como:

    • Aumento de secreção ou mau cheiro;
    • Intensificação da dor;
    • Vermelhidão importante ao redor da ferida;
    • Febre ou sinais sistêmicos;
    • Suspeita de osteomielite (infecção do osso).

    Nutrição é parte do tratamento

    A desnutrição aumenta o risco de lesões e dificulta a cicatrização. Por isso, é essencial garantir:

    • Aporte adequado de proteínas;
    • Consumo suficiente de calorias;
    • Hidratação adequada.

    Medidas de prevenção (o que realmente ajuda)

    A prevenção é o aspecto mais importante no cuidado de pessoas com mobilidade reduzida.

    As principais estratégias incluem:

    • Uso de colchões e acessórios que reduzem a pressão;
    • Estímulo à mobilidade sempre que possível;
    • Mudança periódica de posição no leito ou na cadeira;
    • Controle da umidade, com higiene e trocas frequentes;
    • Avaliação diária das áreas de maior risco.

    Essas medidas simples são comprovadamente eficazes para reduzir a incidência e evitar a progressão das lesões.

    Confira: Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave

    Perguntas frequentes sobre escaras (úlcera por pressão)

    1. Úlcera por pressão é a mesma coisa que escara?

    Sim. “Escara” é um termo popular utilizado para se referir às lesões por pressão.

    2. Quem tem maior risco de desenvolver escaras?

    Pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes, idosos frágeis e pacientes hospitalizados por longos períodos.

    3. Vermelhidão na pele já é úlcera por pressão?

    Pode ser o estágio inicial (grau 1). Vermelhidão persistente sobre áreas ósseas é um sinal de alerta e deve ser tratada precocemente.

    4. Toda escara precisa de antibiótico?

    Não. Antibióticos são indicados apenas quando há infecção ativa ou suspeita de complicações, como osteomielite.

    5. A úlcera por pressão pode atingir o osso?

    Sim. No grau 4, pode haver exposição de músculo e osso, com risco elevado de infecção grave.

    6. O que mais ajuda a prevenir úlcera por pressão?

    Mudança frequente de posição, redução da pressão com colchões adequados e estímulo à mobilidade.

    7. A nutrição interfere na cicatrização?

    Sim. A desnutrição é um fator importante de risco e pode atrasar significativamente a cicatrização.

    Veja mais: Queimaduras: causas, tipos e o que fazer em cada situação