Autor: Dra. Juliana Soares

  • Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    A falta de ar que surge aos poucos, o cansaço que não melhora com o descanso e até episódios de tontura podem parecer sintomas inespecíficos. Mas, em alguns casos, esses sinais silenciosos escondem uma condição séria: a hipertensão pulmonar.

    Trata-se de uma doença em que a pressão dentro das artérias dos pulmões aumenta de forma anormal, e isso sobrecarrega o coração e compromete a oxigenação do organismo. Quando não diagnosticada e tratada da maneira certa, pode evoluir para insuficiência cardíaca e trazer riscos importantes à saúde.

    O que é a hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão arterial na artéria pulmonar, vaso responsável por levar o sangue do coração aos pulmões para oxigenação.

    Com o aumento dessa pressão, o lado direito do coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. Ao longo do tempo, isso leva ao espessamento (hipertrofia) e à dilatação das câmaras direitas, reduzindo a capacidade do coração de funcionar adequadamente e podendo evoluir para insuficiência cardíaca direita.

    Principais sintomas da hipertensão pulmonar

    Nos estágios iniciais, a hipertensão pulmonar pode causar sintomas leves ou até passar despercebida. Com a progressão da doença, os sinais tornam-se mais evidentes.

    Sintomas mais comuns

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço excessivo;
    • Tontura ou vertigem.

    Sintomas em fases mais avançadas

    • Dor no peito durante atividades físicas;
    • Desmaios;
    • Inchaço nas pernas;
    • Aumento do volume abdominal por acúmulo de líquido.

    Outros sintomas podem aparecer conforme a doença de base que levou à hipertensão pulmonar.

    Quais são as causas da hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é classificada em cinco grupos principais, de acordo com sua causa.

    Grupo 1: Hipertensão arterial pulmonar

    Pode ser:

    • De causa desconhecida (idiopática);
    • Genética;
    • Associada ao uso de drogas ou toxinas;
    • Secundária a doenças hepáticas, reumatológicas, cardiopatias congênitas ou esquistossomose.

    Grupo 2: Doenças do lado esquerdo do coração

    Inclui insuficiência cardíaca e doenças das válvulas cardíacas.

    Grupo 3: Doenças pulmonares e hipóxia

    Relacionada a doenças como enfisema e doenças pulmonares intersticiais.

    Grupo 4: Obstruções das artérias pulmonares

    Como ocorre no tromboembolismo pulmonar crônico.

    Grupo 5: Mecanismos multifatoriais ou pouco esclarecidos

    Casos em que a causa não é totalmente definida ou envolve vários fatores.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com falta de ar progressiva ou sem causa aparente, cansaço persistente e episódios de desmaio.

    Exames mais utilizados

    • Ecocardiograma transtorácico: exame inicial para estimar a pressão da artéria pulmonar e avaliar alterações do coração. Valores de pressão sistólica da artéria pulmonar acima de 35 mmHg em adultos jovens e 40 mmHg em idosos sugerem hipertensão pulmonar;
    • Eletrocardiograma: avaliação rápida da função cardíaca;
    • Espirometria e exames de imagem do tórax: análise da função pulmonar;
    • Exames laboratoriais: investigação de doenças reumatológicas e esquistossomose.

    Tratamento da hipertensão pulmonar

    O tratamento envolve uma combinação de medidas clínicas e medicamentosas, adaptadas à causa e à gravidade da doença.

    Medidas gerais

    • Restrição de sódio na dieta em pacientes com insuficiência cardíaca;
    • Exercícios físicos orientados;
    • Oxigenoterapia, quando indicada.

    Tratamento medicamentoso

    • Vasodilatadores, como bloqueadores de canais de cálcio e sildenafila;
    • Anticoagulantes em casos de tromboembolismo pulmonar;
    • Diuréticos para reduzir inchaço nas pernas e acúmulo de líquido abdominal.

    O acompanhamento em centros especializados é fundamental para o melhor controle da doença.

    Leia também: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes sobre hipertensão pulmonar

    Hipertensão pulmonar é a mesma coisa que pressão alta comum?

    Não. A hipertensão pulmonar afeta as artérias dos pulmões, enquanto a pressão alta comum envolve as artérias do corpo como um todo.

    A hipertensão pulmonar tem cura?

    Depende da causa. Em muitos casos, não há cura, mas o tratamento pode controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

    Falta de ar sempre significa hipertensão pulmonar?

    Não. A falta de ar tem muitas causas. Por isso, a avaliação médica é essencial para identificar a origem do sintoma.

    Quem tem hipertensão pulmonar pode fazer exercícios?

    Sim, desde que orientado por um médico. A atividade física adequada pode trazer benefícios.

    A doença pode evoluir para insuficiência cardíaca?

    Sim. Se não tratada, a hipertensão pulmonar pode levar à insuficiência cardíaca direita.

    Confira: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

  • Infecções podem afetar as válvulas do coração: saiba o que é endocardite infecciosa

    Infecções podem afetar as válvulas do coração: saiba o que é endocardite infecciosa

    A endocardite infecciosa é uma condição rara, mas potencialmente fatal, que afeta diretamente o coração. Apesar de pouco conhecida pelo público geral, ela exige atenção médica imediata, já que pode agravar rapidamente e causar danos irreversíveis às válvulas cardíacas e a outros órgãos.

    Mais comum em pessoas idosas e em pacientes com doenças prévias ou dispositivos cardíacos, a endocardite infecciosa está frequentemente relacionada a infecções bacterianas que alcançam a corrente sanguínea. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são decisivos para reduzir o risco de complicações e mortalidade.

    O que é a endocardite infecciosa?

    A endocardite infecciosa é uma inflamação das válvulas cardíacas, geralmente causada por bactérias, sendo os casos por fungos mais raros.

    Ela ocorre com maior frequência em homens idosos e em pessoas com fatores de risco, como:

    • Próteses valvares
    • Dispositivos cardíacos implantáveis
    • Doenças valvulares prévias
    • Hemodiálise
    • Pressão alta
    • Diabetes

    A infecção compromete o funcionamento normal das válvulas do coração e pode levar a complicações sistêmicas graves.

    Causas

    A maioria dos casos de endocardite infecciosa é causada por bactérias, principalmente:

    • Estreptococos
    • Estafilococos
    • Enterococos

    A doença se desenvolve quando há uma lesão prévia nas válvulas cardíacas, o que facilita a adesão de microrganismos. Esses agentes podem entrar na corrente sanguínea por diferentes vias, como:

    • Procedimentos dentários
    • Cirurgias
    • Uso de substâncias injetáveis
    • Presença de dispositivos médicos

    Após a adesão das bactérias à válvula lesionada, forma-se uma estrutura chamada vegetação, que prejudica o funcionamento da válvula e pode liberar pequenos fragmentos (microêmbolos). Esses microêmbolos podem obstruir vasos sanguíneos menores, causando inflamação e interrupção do fluxo sanguíneo em diferentes órgãos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da endocardite infecciosa variam conforme a gravidade da infecção e resultam tanto da presença de bactérias no sangue (bacteremia) quanto do comprometimento das válvulas cardíacas.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Febre
    • Calafrios
    • Mal-estar geral
    • Fadiga

    Com a progressão da doença, pode surgir:

    • Aparecimento de um novo sopro cardíaco
    • Piora de um sopro já existente

    Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar:

    • Dor no peito
    • Falta de ar intensa
    • Desconforto respiratório mesmo em repouso

    Lesões características

    Algumas alterações cutâneas podem surgir, como:

    • Lesões de Janeway: manchas indolores nas palmas das mãos e plantas dos pés
    • Nódulos de Osler: nódulos avermelhados e dolorosos nos dedos

    Quando os microêmbolos atingem o sistema nervoso central, podem ocorrer complicações graves, como:

    • Abscessos cerebrais
    • Acidente vascular cerebral (AVC)
    • Meningite

    Diagnóstico

    O diagnóstico da endocardite infecciosa é feito pela associação dos sintomas com os achados do exame físico feito pelo médico e exames complementares.

    O principal exame é o ecocardiograma, que permite avaliar o funcionamento do coração e identificar vegetações nas válvulas.

    Tipos de ecocardiograma

    • Ecocardiograma transtorácico: mais acessível e geralmente o primeiro a ser realizado;
    • Ecocardiograma transesofágico: mais sensível, porém mais invasivo.

    Além disso, a hemocultura é fundamental para identificar o microrganismo causador da infecção e orientar o tratamento antibiótico.

    Em casos de dor torácica, pode ser solicitado um eletrocardiograma, principalmente para descartar outras condições, como infarto.

    Tratamento

    O tratamento da endocardite infecciosa baseia-se no uso de antimicrobianos intravenosos.

    Assim que há suspeita clínica da doença, inicia-se a antibioticoterapia empírica, sem aguardar os resultados das hemoculturas, com foco nos microrganismos mais comuns.

    Após a identificação do agente infeccioso e do antibiograma, o esquema antibiótico é ajustado conforme a sensibilidade do microrganismo.

    Tratamento cirúrgico

    A troca da válvula acometida pode ser necessária nos casos de:

    • Insuficiência valvar grave;
    • Infecções extensas;
    • Embolizações frequentes.

    Prognóstico

    O prognóstico da endocardite infecciosa varia conforme:

    • O microrganismo envolvido;
    • A rapidez do diagnóstico;
    • A presença de insuficiência cardíaca.

    Infecções causadas por estafilococos e associadas a insuficiência cardíaca costumam apresentar maior mortalidade.

    Nos casos mais leves, quando tratados adequadamente, os pacientes podem evoluir bem e não apresentar sequelas permanentes.

    Leia também: Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    Perguntas frequentes sobre endocardite infecciosa

    1. A endocardite infecciosa é contagiosa?

    Não. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Procedimentos dentários podem causar endocardite?

    Sim, especialmente em pessoas com válvulas cardíacas doentes ou próteses valvares.

    3. Toda endocardite precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária em situações específicas.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O tratamento com antibióticos costuma durar várias semanas, geralmente em ambiente hospitalar.

    5. A doença pode voltar?

    Sim, especialmente se os fatores de risco persistirem.

    6. Quem já teve endocardite precisa de cuidados especiais?

    Sim. O acompanhamento cardiológico regular é fundamental.

    7. A endocardite pode levar à morte?

    Sim, principalmente se não for diagnosticada e tratada precocemente.

    Veja mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Álcool aumenta a pressão arterial? Saiba como ele afeta o coração

    Álcool aumenta a pressão arterial? Saiba como ele afeta o coração

    Pessoas que convivem com problemas cardiovasculares, como hipertensão e insuficiência cardíaca, já sabem que uma das principais orientações para manter o coração estável é reduzir o consumo de álcool. A recomendação existe porque o álcool pode aumentar a pressão nas artérias, alterar o ritmo do coração e favorecer retenção de líquidos, o que piora os quadros cardíacos.

    Para se ter uma ideia, em algumas pessoas, mesmo pequenas quantidades já são suficientes para descompensar o organismo. Mas você sabe por que isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como o álcool afeta a pressão e o ritmo cardíaco. Confira!

    Como o álcool afeta o coração?

    Mesmo em pequenas quantidades, o consumo de álcool pode trazer riscos importantes para a saúde cardiovascular. O coração é um dos órgãos mais sensíveis aos efeitos das bebidas, e as consequências vão desde alterações nos batimentos até risco de condições crônicas.

    Alterações na pressão arterial

    Um dos efeitos mais imediatos do álcool no corpo é a vasodilatação, que é o processo de dilatação das artérias, de acordo com Juliana. Ele pode causar uma redução inicial e temporária da pressão arterial, que é passageira.

    No entanto, em um segundo momento, ocorre um efeito rebote, com aumento progressivo da pressão. Isso se deve à ativação do sistema nervoso simpático e à modificação de vias envolvidas no controle da pressão arterial. Como consequência, é instalado um quadro de vasoconstrição persistente, o que pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

    O risco é ainda maior entre pessoas que já têm predisposição genética ou outros fatores associados, como obesidade, estresse e má alimentação.

    Risco de arritmias

    O álcool aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, responsável pelas reações de luta ou fuga. Segundo Juliana, o estímulo leva à liberação de hormônios como adrenalina, o que acelera os batimentos cardíacos (taquicardia) e eleva o risco de batimentos irregulares, resultando em arritmias.

    Além disso, tanto o álcool quanto seus metabólitos interferem no funcionamento dos canais de sódio, potássio e cálcio nas células do músculo cardíaco — canais responsáveis por gerar e conduzir impulsos elétricos que mantêm o ritmo dos batimentos. A interferência pode criar uma espécie de “curto-circuito” no coração, favorecendo o surgimento de arritmias.

    Para completar, o álcool possui ação diurética, o que intensifica a perda de potássio e magnésio. A queda dos minerais torna as células cardíacas mais instáveis, aumentando ainda mais o risco de distúrbios do ritmo.

    Danos ao músculo cardíaco

    O uso crônico de álcool, especialmente em grandes quantidades, pode levar à cardiomiopatia alcoólica — uma condição em que o músculo do coração enfraquece e perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente. O quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca, que precisa de acompanhamento médico contínuo e, em alguns casos, o uso de remédios específicos.

    Juliana relembra que, segundo a literatura médica, uma ingestão média diária de cerca de 80 gramas de álcool por um período mínimo de cinco anos pode estar relacionada ao desenvolvimento de cardiomiopatia alcoólica. A quantidade equivale, aproximadamente, a cinco ou seis doses de bebida alcoólica por dia, considerando que uma dose contém em torno de 14 gramas de álcool.

    Vale destacar que mulheres tendem a apresentar maior suscetibilidade a desenvolver cardiomiopatia alcoólica com quantidades menores, devido a diferenças metabólicas que existem.

    Álcool pode interagir com medicamentos?

    O álcool interfere no metabolismo de diversos remédios, inclusive dos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares. A interação pode tanto potencializar quanto reduzir os efeitos dos remédios, além de aumentar o risco de efeitos colaterais.

    Segundo Juliana, tanto o álcool quanto grande parte das medicações são metabolizados no fígado. O uso simultâneo pode sobrecarregar o órgão e provocar sintomas como mal-estar, tontura, desmaios e outros desconfortos. Em quadros mais graves, pode prejudicar seriamente o funcionamento do fígado.

    Existe uma quantidade segura de álcool?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe quantidade ou forma de consumo de álcool considerada totalmente segura, pois qualquer dose pode aumentar o risco de problemas de saúde, como diversos tipos de câncer, mesmo em consumo leve e moderado.

    Juliana explica que o álcool apresenta tanto efeitos imediatos quanto crônicos sobre o sistema cardiovascular. A curto prazo, pode alterar a frequência dos batimentos cardíacos, provocando arritmias e aumento da pressão arterial.

    Já o consumo prolongado e em grandes quantidades aumenta o risco de desenvolvimento da cardiomiopatia alcoólica, que enfraquece o músculo do coração e pode evoluir para insuficiência cardíaca.

    Alguns tipos de bebida são mais prejudiciais que outros?

    O etanol, forma química do álcool etílico, é o principal responsável pelos efeitos nocivos do consumo de bebidas alcoólicas, inclusive no que diz respeito à saúde cardiovascular. Segundo Juliana, a quantidade de álcool consumido é mais relevante do que o tipo de bebida.

    Durante muito tempo, o vinho foi associado a possíveis benefícios por conter compostos antioxidantes como resveratrol e taninos. No entanto, não há evidências científicas robustas de que alguma bebida alcoólica ofereça proteção significativa ou seja mais segura do que outra.

    O risco está diretamente relacionado ao volume consumido e à frequência de consumo, independentemente da origem alcoólica.

    O coração se recupera completamente ao parar de beber?

    Quando uma pessoa para de beber, o coração pode se recuperar parcial ou totalmente, mas Juliana explica que o grau de recuperação depende de vários fatores, como tempo de uso, quantidade ingerida e extensão dos danos gerados ao longo dos anos.

    Em aproximadamente quatro semanas de abstinência já é possível observar uma melhora na saúde, principalmente na pressão arterial. No entanto, em casos de cardiomiopatia alcoólica, o processo de recuperação tende a ser mais lento, gradual e proporcional à gravidade das lesões no músculo cardíaco.

    Quando procurar atendimento médico?

    A recomendação é procurar atendimento médico ao primeiro sinal de alteração no ritmo dos batimentos cardíacos ou de qualquer outra condição cardiovascular. Os principais sinais de alerta incluem:

    • Palpitações frequentes ou sensação de “coração acelerado” em repouso;
    • Tontura, desmaios ou sensação de desfalecimento;
    • Dor no peito ou pressão na região torácica;
    • Falta de ar ao realizar esforços leves;
    • Inchaço nas pernas ou nos pés;
    • Cansaço excessivo, mesmo em atividades simples.

    Pessoas que fazem uso frequente de álcool e apresentam pressão alta, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou já tomaram medicamentos para o coração devem conversar com um médico sobre os riscos. Quanto mais cedo for feita a avaliação, maiores as chances de evitar complicações graves.

    Como parar de beber?

    Para algumas pessoas, parar o consumo de bebidas alcóolicas por conta própria é mais simples — elas reduzem aos poucos, estabelecem metas e criam novas rotinas que não envolvem bebida. Para outras, pode ser necessário apoio contínuo, acompanhamento terapêutico, uso de medicações ou participação em grupos de apoio, e não é um problema procurar ajuda e acolhimento nesse momento.

    O processo envolve, muitas vezes, reconhecer que o álcool deixou de ser algo esporádico ou social e passou a ocupar um espaço maior do que deveria na vida, afetando a saúde, os relacionamentos, o sono, o humor e até a autoestima.

    Com o acompanhamento psicológico, é possível entender gatilhos, padrões e mecanismos internos que alimentam o uso do álcool e, assim, desenvolver medidas saudáveis para lidar com emoções difíceis, frustrações, cobranças externas e conflitos pessoais, que muitas vezes estão por trás do impulso de beber.

    Ter uma rede de apoio ao redor, seja profissional ou familiar, também ajuda muito a recuperar autonomia, qualidade de vida e uma relação mais saudável consigo mesmo.

    Veja mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    Beber socialmente também faz mal?

    Sim, principalmente se o consumo for regular. O “uso social” pode parecer inofensivo, mas quando se repete frequentemente, eleva o risco de pressão alta, arritmias e outros problemas cardiovasculares. Mesmo que não se perceba sintomas, o álcool pode estar provocando alterações silenciosas no coração.

    Como saber se o álcool já afetou meu coração?

    Alguns sinais de alerta para ficar de olho são cansaço excessivo, falta de ar, inchaço nas pernas, palpitações, tontura, dor no peito e desmaios.

    Porém, em muitos casos, os danos causados pelo álcool podem ser silenciosos, de modo que a melhor forma de avaliar é fazer exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e avaliação clínica com um cardiologista.

    Quais são os principais sinais de abstinência do álcool?

    Os sinais variam de acordo com o grau de dependência e o tempo de uso, mas incluem:

    • Tremores;
    • Suor excessivo;
    • Ansiedade;
    • Irritabilidade;
    • Náusea;
    • Vômitos;
    • Dor de cabeça;
    • Taquicardia;
    • Insônia;
    • Em casos mais graves, alucinações e convulsões.

    Os sintomas surgem porque o organismo estava adaptado à presença constante do álcool e precisa de tempo para reequilibrar suas funções.

    A abstinência pode ser perigosa?

    Sim! Em quadros graves, a abstinência alcoólica pode evoluir para uma condição séria chamada delirium tremens, caracterizada por confusão mental, febre, alucinações e convulsões, e é uma emergência médica que exige internação imediata. Por isso, a interrupção do álcool deve ser feita com acompanhamento médico, especialmente em casos de dependência severa.

    Energéticos são perigosos para o coração?

    Sim, especialmente para pessoas com predisposição a arritmias, hipertensão ou doenças cardíacas. Os energéticos combinam doses elevadas de cafeína com outras substâncias estimulantes (como taurina e guaraná), o que pode causar taquicardia, aumento da pressão arterial e, em casos extremos, crises de arritmia ou até infarto. O risco é ainda maior quando o energético é bebido junto com álcool.

    Quem toma diurético para pressão alta precisa beber mais líquidos?

    Em geral, sim. Os diuréticos aumentam a eliminação de líquidos e eletrólitos pelo organismo, e isso pode levar à desidratação e à perda de potássio e sódio, o que afeta diretamente o funcionamento do coração. Assim, é importante manter a hidratação e seguir as orientações médicas sobre reposição de líquidos e minerais.

    Veja mais: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

  • Neuralgia do Trigêmeo: entenda mais sobre a ‘pior dor do mundo’

    Neuralgia do Trigêmeo: entenda mais sobre a ‘pior dor do mundo’

    Descrita muitas vezes como “a pior dor do mundo”, a neuralgia do trigêmeo é um dos quadros de dor facial mais intensos e incapacitantes na medicina. O impacto na rotina é profundo, pois atividades simples como falar, mastigar ou até sentir o vento no rosto podem desencadear crises fortes, de início súbito e muito dolorosas.

    Embora seja uma condição rara, a neuralgia do trigêmeo merece atenção porque pode evoluir com piora progressiva e exige diagnóstico especializado.

    O que é a neuralgia do trigêmeo?

    A neuralgia do trigêmeo é uma condição crônica marcada por episódios de dor intensa e súbita, descrita como choques elétricos, e que atinge regiões inervadas pelo nervo trigêmeo.

    Esse nervo é responsável pela sensibilidade e parte dos movimentos da face, como mandíbula, maxila e região ao redor dos olhos.

    A dor costuma ocorrer de um lado do rosto e é mais frequente em mulheres e pessoas acima de 50 anos.

    Principais sintomas

    A neuralgia do trigêmeo se manifesta por crises de dor facial muito intensa. Entre os sinais mais característicos estão:

    • Dor aguda, em choque ou pontadas;
    • Início abrupto, com pico logo nos primeiros segundos;
    • Duração de segundos a poucos minutos;
    • Dor localizada em bochechas, mandíbula, maxila, dentes, gengivas, lábios ou região dos olhos;
    • Possível dor residual mais leve após a crise.

    A frequência dos episódios varia bastante: alguns pacientes têm poucas crises por dia, enquanto outros apresentam muitos episódios ao longo de horas.

    Causas

    A dor geralmente é causada pela compressão do nervo trigêmeo, muitas vezes por vasos sanguíneos próximos à sua origem no crânio. Outras causas possíveis são:

    • Tumores cerebrais que comprimem o nervo;
    • Ativação anormal do nervo trigêmeo;
    • AVC que afeta a área de origem do nervo (menos comum).

    Fatores de risco:

    • Pressão alta;
    • Enxaqueca;
    • Esclerose múltipla.

    Gatilhos que costumam desencadear crises:

    • Tocar o rosto;
    • Falar;
    • Mastigar;
    • Escovar os dentes;
    • Sentir vento frio;
    • Dar risada.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, ou seja, feito em consultório por um médico, baseado na descrição da dor e no padrão das crises. Para identificar a causa, especialmente compressões ou lesões estruturais, exames de imagem são muito importantes.

    Exames que podem ser solicitados

    • Ressonância magnética (mais eficaz para avaliar compressão do nervo);
    • Tomografia ou angiotomografia, quando a ressonância magnética não é possível.

    Tratamento

    O tratamento é direcionado a reduzir a frequência e a intensidade das crises, com foco tanto em prevenção quanto em alívio imediato.

    Tratamento com remédios (primeira escolha)

    Os medicamentos mais usados são:

    • Carbamazepina
    • Oxcarbazepina

    Outras opções podem ser indicadas em casos específicos.

    Terapeutas de resgate

    Utilizadas em crises intensas:

    • Lidocaína;
    • Fenitoína;
    • Sumatriptano.

    Opções cirúrgicas

    Indicadas quando a pessoa não responde ao tratamento com remédios (casos refratários).

    Prognóstico: o que esperar da condição

    O prognóstico varia, pois muitos pacientes conseguem períodos prolongados sem dor, enquanto outros apresentam crises recorrentes que impactam significativamente a qualidade de vida.

    O acompanhamento com neurologista é essencial para ajustar o tratamento e melhorar o controle dos sintomas.

    Confira: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta

    Perguntas frequentes sobre neuralgia do trigêmeo

    1. A neuralgia do trigêmeo é curável?

    Não há cura definitiva, mas muitos pacientes têm excelente controle dos sintomas com medicamentos ou cirurgia.

    2. A dor sempre ocorre do mesmo lado?

    Na maioria dos casos, sim. A neuralgia é tipicamente unilateral.

    3. A neuralgia do trigêmeo está relacionada à enxaqueca?

    Não diretamente, mas pessoas com enxaqueca têm maior risco de desenvolver a condição.

    4. Escovar os dentes pode desencadear crises?

    Sim. Estímulos leves, como falar, mastigar ou tocar a face, podem provocar dor.

    5. Como diferenciar dor de dente de neuralgia do trigêmeo?

    A neuralgia provoca dor súbita, elétrica e muito intensa, diferente da dor contínua típica de problemas dentários.

    6. Quais exames confirmam a doença?

    A ressonância magnética ajuda a identificar causas estruturais, mas o diagnóstico é essencialmente clínico.

    7. Quando a cirurgia é indicada?

    Quando o paciente não responde aos medicamentos ou tem efeitos colaterais importantes.

    Veja mais: Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

  • O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Considerada um dos principais e crescentes problemas de saúde pública no Brasil, a obesidade é uma doença crônica caracterizada por um acúmulo de gordura no corpo que excede os níveis considerados normais e saudáveis, responsável por desencadear uma série de reações biológicas dentro do organismo.

    Uma delas é a inflamação crônica de baixo grau, que está associada ao desenvolvimento de outras doenças graves, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Em quadros de obesidade, o consumo constante de mais calorias do que o corpo gasta faz com que as células de gordura (adipócitos) aumentem drasticamente de tamanho. Quando estão sobrecarregadas, elas sofrem estresse e passam a liberar substâncias químicas na corrente sanguínea, conhecidas como citocinas pró-inflamatórias.

    As substâncias sinalizam ao sistema imunológico que existe um problema, de modo que ele interpreta a alteração como uma ameaça e envia células imunológicas para o tecido adiposo, criando um ambiente de constante ativação.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a interação entre células de gordura sobrecarregadas e células de defesa gera uma liberação contínua de mediadores inflamatórios, que entram na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado de inflamação de baixo grau.

    A inflamação se torna crônica porque o estímulo não desaparece: a gordura segue produzindo sinais de estresse, o sistema imunológico continua reagindo e o corpo inteiro passa a conviver com um processo inflamatório silencioso que, ao longo do tempo, contribui para várias doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Como a inflamação aumenta o risco de doenças?

    A inflamação associada à obesidade cria um ambiente interno de alerta contínuo, que desgasta os órgãos e altera o funcionamento normal do corpo. A circulação constante de substâncias inflamatórias interfere em vários sistemas ao mesmo tempo, abrindo caminho para problemas metabólicos e cardiovasculares. Isso acontece por vários mecanismos, como:

    • A inflamação altera as paredes das artérias (endotélio), deixando o vaso sanguíneo mais vulnerável;
    • A facilidade para a entrada de colesterol ruim aumenta, favorecendo o acúmulo de placas de gordura;
    • Formação de placas instáveis torna o vaso mais propenso a ruptura, o que pode causar infarto ou AVC;
    • Liberação de substâncias como interleucina 6 e TNF-alfa prejudica a ação da insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2;
    • Proteína C reativa, estimulada pela inflamação, eleva a chance de formação de coágulos.

    A combinação de paredes vasculares fragilizadas, colesterol elevado, resistência à insulina e maior tendência a coágulos cria um cenário que favorece doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e outras complicações crônicas.

    Mesmo pessoas com poucos quilos a mais podem estar com inflamação?

    De acordo com Juliana, o ponto central não é somente a quantidade de peso, mas o local onde a gordura se concentra. A gordura localizada entre os órgãos, chamada gordura visceral, é metabolicamente ativa, libera substâncias inflamatórias de forma constante e aumenta o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares. Mesmo um leve acúmulo nessa região já pode estimular um estado de inflamação de baixo grau.

    Portanto, o risco não depende apenas do número de quilos acumulados, mas da distribuição corporal e do impacto da gordura na função dos órgãos internos.

    Como é feita a detecção da inflamação?

    A forma mais usada para medir a inflamação de baixo grau é o exame de proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), de acordo com Juliana. A PCR-us consegue identificar pequenas elevações na inflamação, algo muito comum em quadros de obesidade, especialmente quando há acúmulo de gordura visceral.

    A avaliação clínica também ajuda, já que o profissional de saúde considera o histórico de saúde, hábitos, medidas corporais e presença de doenças associadas.

    Vale apontar que a simples elevação de um marcador não confirma, isoladamente, uma inflamação relevante, mas o padrão de substâncias alteradas, aliado ao excesso de gordura corporal, dá fortes indicações de que o organismo está em estado de alerta contínuo.

    Como diminuir a inflamação da obesidade?

    A perda de peso é uma das principais medidas para reduzir a inflamação relacionada à obesidade, porque diminui a sobrecarga das células de gordura, reduz a liberação de substâncias inflamatórias e melhora o funcionamento de vários sistemas do organismo.

    A redução de apenas 5 a 10% do peso corporal já provoca queda importante nos marcadores inflamatórios e melhora a sensibilidade à insulina, de acordo com estudos.

    Como a obesidade é uma doença multifatorial, o tratamento envolve uma série de abordagens diferentes, como:

    • Alimentação baseada em alimentos naturais, com variedade de frutas, verduras, legumes, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva, sementes e oleaginosas, que fornecem compostos com ação anti-inflamatória;
    • Redução do consumo de ultraprocessados, açúcar refinado, gordura trans, frituras e bebidas adoçadas, evitando estímulos que mantêm o organismo em estado de alerta;
    • Prática regular de atividade física, fundamental para diminuir gordura visceral, melhorar a circulação e fortalecer a função das artérias;
    • Sono adequado, já que noites mal dormidas elevam hormônios ligados à inflamação e dificultam o controle metabólico;
    • Manejo do estresse, importante para reduzir a liberação contínua de cortisol e favorecer o equilíbrio do organismo;
    • Acompanhamento médico, incluindo avaliação para uso de medicamentos quando indicado, com o objetivo de auxiliar no controle do peso e da inflamação.

    Segundo Juliana, a dieta com propriedades anti-inflamatórias pode ajudar muito no controle da inflamação causada pela obesidade. A dieta mediterrânea é considerada uma das mais completas nesse sentido, porque reúne alimentos naturais que atuam diretamente na redução de mediadores inflamatórios.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a obesidade?

    A obesidade é uma doença multifatorial, causada por uma combinação de fatores biológicos, ambientais, emocionais e sociais. A alimentação rica em ultraprocessados, a rotina sedentária, o sono insuficiente e o estresse prolongado favorecem o acúmulo de gordura. A genética também influencia, pois altera o modo como o corpo armazena energia.

    2. O que é gordura visceral e por que ela preocupa?

    A gordura visceral é aquela que envolve órgãos internos, como fígado, intestino e pâncreas. O acúmulo provoca inflamação contínua, altera hormônios importantes e aumenta o risco de diabetes, hipertensão e doenças do coração. A identificação ocorre por exames clínicos e é um dos principais marcadores de risco para complicações metabólicas.

    3. Como a prática de atividade física ajuda no controle da obesidade?

    A prática regular de atividade física diminui gordura visceral, aumenta a massa muscular e melhora a sensibilidade à insulina. O movimento fortalece o sistema cardiovascular, reduz estresse e melhora o sono, fatores que influenciam diretamente no controle do peso. Mesmo atividades leves, como caminhada, já oferecem benefícios importantes quando realizadas com frequência.

    4. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    A obesidade está relacionada ao risco maior de alguns tipos de câncer, como mama, colorretal, fígado e pâncreas. A inflamação crônica, a alteração de hormônios e o excesso de gordura visceral criam um ambiente que favorece o crescimento de células anormais.

    5. Por que algumas pessoas têm dificuldade em perder peso?

    A dificuldade pode surgir devido a fatores hormonais, genéticos, emocionais, ambientais e comportamentais. A presença de inflamação, resistência à insulina e gordura visceral torna o processo mais lento. O corpo tende a manter o peso habitual, o que exige constância e acompanhamento profissional para superar barreiras biológicas e psicológicas.

    6. A cirurgia bariátrica é indicada para todos?

    A cirurgia bariátrica é indicada apenas para casos selecionados, normalmente quando há obesidade grave ou presença de doenças associadas que colocam a vida em risco. O procedimento reduz o tamanho do estômago ou modifica o trajeto do alimento, facilitando perda de peso e melhora de condições metabólicas. A decisão exige avaliação criteriosa e acompanhamento de longo prazo.

    Leia também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Dormir pouco aumenta o apetite? Saiba como o sono afeta os hormônios do apetite

    Dormir pouco aumenta o apetite? Saiba como o sono afeta os hormônios do apetite

    Durante um sono de qualidade, o organismo é capaz de reparar tecidos, consolidar memórias e reduzir sinais de inflamação que acumulamos ao longo do dia. O descanso adequado também influencia diretamente a liberação dos hormônios que controlam o apetite, afetando a forma como o corpo lida com a fome e a saciedade.

    Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, ele causa um desequilíbrio nesses mensageiros químicos, desregulando o controle alimentar e aumentando o risco de ganho de peso.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como funciona o mecanismo e de que forma o sono interfere na sensação de fome, no armazenamento de gordura e no risco de desenvolver doenças metabólicas.

    Qual a relação entre o sono e o controle da fome?

    Durante o sono, o organismo passa por um dos períodos mais importantes de regulação metabólica, e um dos processos diretamente influenciados por ele é o controle da fome. A privação de sono interfere nos mecanismos responsáveis por equilibrar saciedade e apetite, alterando a forma como o corpo interpreta suas necessidades energéticas, segundo Juliana.

    Quando dormimos, o cérebro ajusta hormônios e neurotransmissores para indicar que o corpo precisa de menos energia durante o descanso e de mais energia ao despertar.

    Mas, quando o sono é curto ou de má qualidade, o cérebro entra em estado de alerta, interpreta o cansaço como falta de energia e estimula maior ingestão de alimentos para compensar o desequilíbrio.

    De acordo com a cardiologista, o córtex pré-frontal, responsável por decisões racionais e controle dos impulsos, fica menos ativo, reduzindo nossa capacidade de avaliar escolhas alimentares com clareza. Ao mesmo tempo, a amígdala, região ligada às emoções e ao sistema de recompensa, torna-se mais ativa, ampliando a busca por estímulos prazerosos.

    Com o cérebro cansado e precisando de energia rápida, cresce a preferência por alimentos que fornecem combustível imediato, como carboidratos simples, açúcar e gordura.

    Quais os hormônios responsáveis por regular o apetite?

    O controle do apetite depende de dois hormônios principais, e o sono interfere diretamente no funcionamento de cada um deles:

    • Grelina: produzida no estômago, é responsável por sinalizar fome. Quando o sono é pouco, os níveis de grelina aumentam, provocando sensação de fome mais intensa e mais frequente;
    • Leptina: conhecida como o hormônio da saciedade, é produzida pelas células de gordura e informa ao cérebro quando já ingerimos energia suficiente. Com sono insuficiente, os níveis de leptina diminuem, fazendo o cérebro interpretar que ainda falta energia, mesmo após a alimentação.

    Em conjunto, os desequilíbrios fazem a falta de sono aumentar o hormônio da fome e diminuir o da saciedade, levando a pessoa a comer mais e sentir menos satisfação depois das refeições.

    Sono de má qualidade pode afetar o peso e a saúde do coração

    Com a desregulação dos hormônios que controlam fome e saciedade, aumenta a ingestão de alimentos, principalmente carboidratos e doces — o que favorece o ganho de peso. A obesidade, por sua vez, eleva a sobrecarga do coração e aumenta o risco de problemas cardiovasculares.

    O sono também é o momento em que a pressão arterial e os batimentos cardíacos diminuem de forma natural. Quando não dormimos bem, o corpo continua em alerta e aciona o sistema nervoso simpático, ligado à resposta de luta e fuga. Isso faz o cortisol subir, aumenta a pressão, acelera o coração e deixa a inflamação mais intensa.

    Com o tempo, ocorre um desgaste do sistema cardiovascular, aumenta o risco de hipertensão e diminui a capacidade de recuperação do organismo durante a noite.

    Qual a quantidade ideal de sono?

    A quantidade ideal de sono varia conforme a idade, porque cada fase da vida tem necessidades diferentes. Mas, no geral, Juliana aponta:

    • Adolescentes: 8 a 10 horas por noite;
    • Adultos jovens e adultos: 7 a 9 horas;
    • Idosos: 7 a 8 horas.

    Dormir menos de 6 horas de forma contínua aumenta o risco de hipertensão, diabetes, ganho de peso e doenças cardiovasculares. Por outro lado, dormir muito além do recomendado também pode indicar algum desequilíbrio no organismo, como depressão, apneia ou fadiga extrema.

    O mais importante é manter uma rotina regular e sentir que o corpo acorda descansado, com energia e sem sonolência excessiva durante o dia.

    Como melhorar a qualidade do sono?

    Algumas medidas importantes ajudam a melhorar a qualidade do sono e a manter o equilíbrio hormonal ao longo do dia:

    • Manter regularidade no horário de deitar e acordar, inclusive em fins de semana. A rotina ajusta o relógio biológico e facilita que o corpo reconheça o momento certo de relaxar e despertar;
    • Praticar higiene do sono, evitando telas por pelo menos 2 horas antes de dormir. A luz azul de celulares, computadores e televisão interfere na produção de melatonina, hormônio que sinaliza ao corpo que está na hora de descansar;
    • Dormir em ambiente escuro, silencioso e com temperatura adequada, criando condições que favorecem um sono profundo e contínuo. Algumas medidas podem ajudar, como cortinas blackout ou ventilação leve;
    • Evitar substâncias estimulantes, como cafeína, no fim da tarde e à noite. O efeito estimulante pode permanecer por horas e atrasar o início do sono;
    • Evitar refeições pesadas próximas ao horário de deitar; o ideal é que a última refeição seja feita cerca de 3 horas antes do sono, para que a digestão não atrapalhe o descanso.

    Quando procurar ajuda médica?

    A procura por ajuda médica é importante quando a dificuldade para dormir começa a interferir na rotina, na saúde física ou no bem-estar emocional. Por isso, fique de olho nos seguintes sinais:

    • Existe dificuldade frequente para iniciar ou manter o sono, mesmo com hábitos adequados;
    • O cansaço persiste durante o dia, com sonolência excessiva, dificuldade de concentração ou lapsos de memória;
    • Há roncos intensos, pausas na respiração durante a noite ou sensação de sufocamento ao acordar;
    • O sono é fragmentado, acompanhado de despertares constantes ou sensação de sono “não reparador”;
    • Irritabilidade, ansiedade ou alterações de humor relacionadas ao cansaço contínuo;
    • O uso de cafeína ou estimulantes aumenta porque a pessoa não consegue manter energia ao longo do dia;
    • Existe ganho de peso associado ao sono ruim, com aumento do apetite e preferência por alimentos calóricos.

    O acompanhamento médico permite identificar causas como apneia, distúrbios hormonais, depressão, ansiedade, uso de medicações ou hábitos que interferem no descanso. A avaliação adequada ajuda a recuperar a qualidade do sono, prevenir complicações e melhorar a saúde.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    1. O que caracteriza um sono de qualidade?

    A qualidade do sono envolve profundidade, continuidade e descanso real ao despertar. Uma noite bem dormida permite que o organismo reduza a inflamação, reorganize hormônios, repare tecidos e estabilize funções vitais.

    A pessoa adormece com facilidade, permanece dormindo por horas suficientes e acorda com sensação de energia, sem sonolência excessiva ao longo do dia. A regularidade também importa, porque o corpo precisa de ritmo para manter o equilíbrio biológico.

    2. O que causa dificuldade para dormir?

    A dificuldade para dormir pode surgir por fatores emocionais, como ansiedade, preocupação e estresse, ou por hábitos inadequados, como uso de telas até tarde, consumo de cafeína à noite, ambiente quente, ruído ou luz excessiva.

    Casos de dor crônica, a apneia do sono e distúrbios hormonais também influenciam na qualidade do sono.

    3. Dormir demais faz mal?

    O excesso de sono pode indicar desequilíbrios, como depressão, apneia, anemia ou doenças metabólicas. A duração acima de 10 horas, quando repetida por longos períodos, costuma ser sinal de que o organismo está sobrecarregado ou lutando contra alguma condição médica. A investigação clínica é importante para identificar a causa.

    4. O que é higiene do sono?

    A higiene do sono reúne uma série de práticas que facilitam o descanso, como manter horários regulares, evitar telas à noite, reduzir luzes fortes, criar ambiente silencioso e fresco, e evitar refeições pesadas no período noturno. A adoção constante dos hábitos melhora a qualidade das horas dormidas e reduz os despertares ao longo da noite.

    5. Por que a luz prejudica o sono?

    A exposição à luz, especialmente à luz azul emitida por celulares, computadores e televisões, reduz a produção de melatonina, hormônio que prepara o corpo para dormir. A luz informa ao cérebro que ainda é dia, atrasando o horário natural do sono e dificultando o início do descanso.

    6. Como criar um ambiente ideal para dormir?

    O ambiente ideal inclui quarto escuro, silencioso e com temperatura amena. A organização do espaço, a escolha de colchão confortável, o uso de cortinas blackout e a retirada de estímulos visuais reduzem interrupções e favorecem sono profundo. A sensação de segurança e conforto também influencia a qualidade do descanso.

    7. A prática de atividade física ajuda a dormir melhor?

    A prática regular de atividade física melhora o humor, reduz o estresse, regula hormônios e aumenta a sensação de relaxamento ao final do dia. O movimento constante também ajuda a equilibrar o ciclo sono-vigília.

    A orientação mais comum é evitar exercícios intensos próximo ao horário de dormir, porque o corpo leva um tempo para voltar ao estado de calma. Após o jantar, fazer caminhadas leves à noite podem favorecer a transição para o sono.

    Leia também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Por que o horário da refeição importa? Entenda a relação com o ritmo circadiano

    Por que o horário da refeição importa? Entenda a relação com o ritmo circadiano

    Você já se perguntou por que a hora em que você come parece afetar mais do que apenas a sua digestão? A resposta está no ritmo circadiano, um relógio interno que dita quando o corpo deve acelerar ou desacelerar.

    A alimentação funciona como um dos sinais que informam ao organismo se ele deve produzir energia, armazenar nutrientes, liberar hormônios ou iniciar processos de reparo.

    E o horário da refeição tem tudo a ver com isso. No caso de pessoas com horários desregulados, o organismo acaba recebendo sinais confusos ao longo do dia, o que pode afetar o metabolismo: a digestão fica menos eficiente, a sensibilidade à insulina diminui e a tendência ao acúmulo de gordura aumenta, principalmente na região abdominal.

    A seguir, a cardiologista Juliana Soares explica como o relógio biológico reage quando a rotina alimentar foge do ciclo natural do dia e se existe um melhor horários para comer. Confira!

    Afinal, o que é ritmo circadiano e como ele afeta o metabolismo?

    O ritmo circadiano funciona como um relógio biológico interno que organiza as atividades do organismo ao longo de 24 horas. Ele coordena grande parte dos processos fisiológicos e metabólicos do corpo, definindo quando devemos estar em estado de alerta e quando devemos descansar.

    Segundo Juliana, a luz é o principal sinal que ajusta esse relógio: ao atingir os olhos, informa ao cérebro se é dia, período em que precisamos de metabolismo acelerado, ou se é noite, momento destinado à desaceleração e ao reparo dos tecidos.

    Ao longo do dia, o metabolismo trabalha de forma mais intensa. O corpo gasta energia, realiza digestão com mais eficiência e responde melhor à insulina. Já durante a noite, o organismo reduz o ritmo, direciona energia para recuperação celular e prepara órgãos e sistemas para o próximo ciclo.

    A alternância é fundamental para manter equilíbrio hormonal, regular o apetite, proteger o coração e sustentar um metabolismo saudável.

    Por que o horário das refeições pode afetar o coração?

    O sistema cardiovascular segue um ritmo que acompanha o ritmo circadiano. Durante o dia, Juliana explica que a pressão arterial tende a estar mais alta e a frequência cardíaca mais elevada, porque estamos ativos. Já no sono, ocorre o chamado descenso noturno — uma queda natural da pressão arterial que permite ao coração descansar e recuperar forças.

    Quando fazemos refeições muito pesadas à noite, o organismo é obrigado a manter-se ativo para direcionar fluxo sanguíneo ao estômago e realizar a digestão. Com isso, a pressão arterial e os batimentos permanecem elevados justamente no período em que deveriam diminuir. O esforço extra coloca o coração sob estresse e reduz a capacidade de recuperação durante a madrugada.

    Com o tempo, isso pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, porque o coração passa noites seguidas trabalhando acima do que deveria.

    Comer muito tarde também interfere nos hormônios?

    A liberação e a sensibilidade à insulina, hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja usada como fonte de energia, seguem um ritmo ao longo do dia.

    Segundo Juliana, pela manhã o corpo responde melhor à insulina, porque a luz sinaliza que precisamos estar ativos e utilizar energia. À noite, essa sensibilidade diminui naturalmente, já que o organismo se prepara para descansar.

    Por isso, uma refeição rica em carboidratos ingerida no almoço é metabolizada com mais eficiência. Quando consumida perto do horário de dormir, ela passa por um processo diferente: as células respondem menos à insulina e deixam mais glicose circulando no sangue.

    Como consequência, o excesso tende a ser convertido em gordura visceral, que se acumula entre os órgãos e está associada a maior risco de formação de placas nas artérias, contribuindo para infarto e AVC.

    O cortisol, hormônio ligado ao estresse, também segue o ritmo circadiano: atinge o pico pela manhã e diminui à noite para facilitar o sono. Quando comemos tarde, sobretudo açúcar ou grandes quantidades, o organismo interpreta como estresse metabólico e mantém o cortisol elevado durante a noite.

    O cortisol alto à noite atrapalha a produção de melatonina, prejudica o sono, dificulta o descanso profundo e desorganiza o metabolismo. Com o tempo, esse padrão pode impactar peso, glicemia, pressão arterial e saúde cardiovascular.

    Existe um melhor horário para realizar as refeições?

    Como o metabolismo acompanha o ritmo circadiano, os melhores horários para comer são pela manhã e no período do almoço. Juliana reforça que o jantar deve ser feito, idealmente, até 3 horas antes de dormir, permitindo que o organismo realize a digestão antes de entrar no ritmo mais lento da noite.

    O ideal é evitar a ingestão de alimentos muito perto do horário de deitar, porque isso sobrecarrega a digestão, interfere no sono e desorganiza o funcionamento metabólico, que deveria estar voltado para descanso e reparo.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    1. Comer tarde pode afetar o sono?

    Sim, pois o corpo precisa manter-se ativo para digerir a refeição pesada, o que eleva batimentos cardíacos, aumenta cortisol e atrapalha a liberação da melatonina, hormônio do sono. A digestão intensa perto de dormir dificulta a entrada nas fases profundas de descanso, deixando o sono leve e fragmentado.

    2. Comer tarde aumenta o risco de diabetes?

    O risco aumenta porque a sensibilidade à insulina diminui à noite. Quando ingerimos carboidratos no período noturno, a glicose circula por mais tempo, exigindo mais trabalho do pâncreas. Com o tempo, esse padrão pode favorecer resistência à insulina.

    3. Beliscar antes de dormir faz mal?

    Mesmo pequenas porções podem interferir no sono, porque ativam o processo digestivo e elevam levemente a glicose e o cortisol. Se for necessário comer, o ideal é algo leve, com proteína ou gordura boa, e evitar açúcar ou carboidratos simples.

    4. O jejum prolongado pode desregular o ritmo circadiano?

    Depende do tipo de jejum. O jejum natural, alinhado ao ritmo circadiano (como jantar por volta das 19h, dormir às 22h e acordar às 7h) funciona bem para o organismo e favorece a manutenção das células.

    Já jejuns desordenados, como pular o café da manhã, passar muitas horas sem comer e concentrar a maior refeição à noite, desregulam o relógio biológico. Nesses casos, o corpo é obrigado a lidar com uma carga metabólica elevada justamente no período em que deveria estar desacelerando, o que prejudica equilíbrio e recuperação.

    5. Como alinhar alimentação e ritmo circadiano em rotina corrida?

    O mais importante é manter uma rotina previsível: fazer as maiores refeições durante o dia, ter lanches práticos para evitar longos períodos sem comer e deixar o jantar mais leve ajudam o corpo a seguir o ciclo natural. Ajustes simples, como reduzir telas à noite e manter um horário fixo para dormir, também contribuem para esse equilíbrio.

    6. É verdade que comer mais cedo melhora o controle da glicemia?

    Sim! Pela manhã e no início da tarde, o corpo está mais sensível à insulina, o que facilita o uso da glicose como fonte de energia. O hábito de comer mais tarde, especialmente carboidratos, mantém a glicose elevada por mais tempo e aumenta o risco de acúmulo de gordura visceral. Por isso, refeições antecipadas costumam melhorar o controle glicêmico.

    7. A sensação de “acordar estufado” pode estar relacionada ao horário da refeição?

    Pode, pois comer tarde faz com que parte da digestão aconteça durante o sono, quando o metabolismo está lento. Isso causa a sensação de estufamento, azia, refluxo e inchaço pela manhã. Ajustar o jantar para horário mais cedo costuma melhorar o desconforto rapidamente.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    A esclerodermia, também chamada de esclerose sistêmica, é uma doença autoimune rara que chama atenção pela maneira como altera o corpo: tecidos que deveriam ser flexíveis tornam-se rígidos, como se desenvolvessem uma espécie de “cicatriz interna”.

    Apesar de incomum, quem tem a condição precisa ter um acompanhamento especializado, já que pode atingir desde a pele até pulmões, coração e rins.

    O que é esclerose sistêmica (esclerodermia)?

    A esclerose sistêmica é uma doença reumática rara que afeta o tecido conectivo, responsável por sustentar e ligar órgãos do corpo. O principal processo dessa doença autoimune é a fibrose, ou seja, o endurecimento progressivo dos tecidos, que pode atingir pele, vasos sanguíneos e órgãos internos.

    Principais formas da doença

    • Esclerodermia localizada: acomete pele e tecido subcutâneo.
    • Esclerose sistêmica limitada: espessamento cutâneo principalmente em extremidades.
    • Esclerose sistêmica difusa: comprometimento mais amplo da pele e maior risco de envolvimento de órgãos internos.

    A doença é mais comum em mulheres entre 40 e 50 anos e tem maior prevalência em pessoas descendentes de povos africanos.

    Como ocorre em outras doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a atacar o tecido conectivo, gerando inflamação e levando à fibrose, um processo semelhante ao de cicatrização, o que deixa o tecido espesso e rígido.

    Principais sintomas

    A esclerose sistêmica pode se manifestar de formas muito diferentes entre os pacientes. Entre os sinais mais comuns estão:

    Fenômeno de Raynaud

    Presente em cerca de 95% dos casos, costuma ser o primeiro sintoma. A circulação das mãos e pés se altera com frio ou estresse, fazendo os dedos ficarem pálidos ou arroxeados.

    Também pode ocorrer em pessoas sem doenças reumatológicas (cerca de 15% da população geral).

    Sintomas cutâneos

    São os mais marcantes:

    • Inchaço e vermelhidão iniciais
    • Espessamento progressivo da pele
    • Rigidez e perda da elasticidade

    Essas alterações variam conforme o tipo de esclerodermia e podem dificultar movimentos.

    Sintomas musculoesqueléticos

    • Dores articulares
    • Dores musculares
    • Contraturas e tendinites
    • Limitação de movimentos devido ao endurecimento da pele

    Sintomas gastrointestinais

    Muito frequentes e variados:

    • Dificuldade de abrir a boca
    • Boca seca
    • Dificuldade para engolir
    • Refluxo gastroesofágico
    • Esvaziamento gástrico lento, com distensão e sensação de saciedade precoce
    • Constipação

    Sintomas pulmonares

    Representam a principal causa de mortalidade.

    Decorrem principalmente de:

    • Fibrose pulmonar
    • Pressão alta pulmonar

    Sintomas:

    • Falta de ar
    • Cansaço
    • Tosse
    • Dor no peito

    Casos avançados podem exigir oxigênio suplementar.

    Sintomas cardíacos

    Menos frequentes, mas graves:

    • Pericardite
    • Arritmias
    • Derrame pericárdico
    • Dilatação cardíaca secundária à pressão alta pulmonar

    Sintomas renais

    O quadro mais importante é a Crise Renal Esclerodérmica, marcada por:

    • Aumento súbito da pressão arterial
    • Piora rápida da função renal
    • Urina espumosa ou com sangue

    Causas

    A esclerose sistêmica não tem causa única, mas resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais.

    Fatores genéticos

    • Histórico familiar de doenças autoimunes
    • Presença de certos marcadores genéticos

    Fatores ambientais

    Podem atuar como gatilhos:

    • Infecções virais (citomegalovírus, Epstein-Barr, parvovírus B19)
    • Exposição à sílica
    • Contato com solventes orgânicos

    A combinação desses fatores é considerada essencial para o início da doença.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, feito em consultório médico, baseado na avaliação detalhada dos sintomas, exame físico e exames complementares.

    Exames que auxiliam

    • Autoanticorpos específicos: ajudam a definir subtipo e entender o que esperar da doença.
    • Exames de sangue: anemia é comum; outras alterações dependem do órgão afetado.
    • Espirometria: identifica padrão restritivo em casos de fibrose pulmonar.
    • Endoscopia digestiva: avalia refluxo e alterações no esôfago ou estômago.

    Tratamento

    A esclerose sistêmica não tem cura, mas o tratamento adequado controla sintomas, reduz complicações e melhora a qualidade de vida.

    Imunossupressores

    São a base do tratamento, por reduzirem a atividade autoimune e retardarem a evolução da fibrose. A escolha depende do padrão de acometimento de cada paciente.

    Tratamentos direcionados por manifestação

    • Medicações para refluxo
    • Tratamento da hipertensão pulmonar
    • Cuidados com a pele
    • Fisioterapia para manter mobilidade
    • Tratamento específico do fenômeno de Raynaud

    O cuidado sempre deve ser individualizado e exige seguimento regular.

    Veja também: Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes

    Perguntas frequentes sobre esclerose sistêmica

    1. Esclerose sistêmica tem cura?

    Não. Mas o tratamento adequado controla a doença e pode evitar complicações.

    2. Esclerodermia e esclerose sistêmica são a mesma coisa?

    O termo “esclerodermia” é amplo; inclui formas localizadas e sistêmicas. A esclerose sistêmica é o tipo que pode afetar órgãos internos.

    3. O fenômeno de Raynaud sempre significa esclerodermia?

    Não. Ele ocorre em até 15% da população geral sem doenças autoimunes.

    4. A doença sempre afeta órgãos internos?

    Não. Depende da forma: a esclerose sistêmica difusa tem maior risco; a localizada geralmente não afeta órgãos.

    5. O que causa o endurecimento da pele?

    A produção excessiva de colágeno, resultado da inflamação autoimune.

    6. A doença é hereditária?

    Não é hereditária no sentido clássico, mas há predisposição genética.

    7. O tratamento sempre usa imunossupressores?

    Na maioria dos casos sim, mas a escolha depende do tipo e da gravidade da doença.

    Veja mais: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

  • Susto faz mal ao coração? Cardiologista explica

    Susto faz mal ao coração? Cardiologista explica

    Quantas vezes você já disse que quase morreu de susto? Em situações inesperadas, o coração acelera, as pernas ficam bambas e a respiração fica mais curta. A reação não é exagero do corpo, mas uma resposta fisiológica diante de uma possível ameaça.

    Em alguns casos, ela pode ser tão intensa que realmente achamos que vamos morrer. Mas afinal, será que isso é possível? Vamos entender a seguir!

    Mas o que é um susto e para que ele serve?

    Um susto é uma resposta imediata do organismo diante de algo que o cérebro interpreta como ameaça ou perigo repentino — o que pode ser um barulho, uma imagem inesperada, alguém que surge do nada ou até uma situação que ativa memórias de risco.

    Quando isso acontece, a cardiologista Juliana Soares explica que o corpo ativa uma reação automática, chamada de resposta de luta ou fuga, liberando hormônios como adrenalina e noradrenalina. Eles promovem um redirecionamento do sangue no corpo, direcionando-o para órgãos como os músculos, o coração e o cérebro, justamente para preparar o organismo para correr ou lutar.

    Por isso, em milésimos de segundo, o coração acelera, a pressão arterial pode subir e a respiração muda (daí a expressão “meu coração quase saiu pela boca”). Tudo isso acontece de maneira automática, sem que a pessoa tenha tempo para pensar ou racionalizar o que está acontecendo.

    Basicamente, é o organismo tentando garantir que você tenha energia e capacidade imediata para reagir ao que o cérebro entende como perigo.

    Por que o coração acelera durante o susto?

    O coração acelera durante o susto porque o corpo precisa reagir de forma muito rápida. Quando o cérebro identifica um risco, ele libera adrenalina e noradrenalina, que aumentam a frequência dos batimentos e a força de contração do coração para levar mais sangue, oxigênio e energia para órgãos como músculos, cérebro e pulmões.

    Com isso, o organismo fica preparado para correr, se defender, reagir ou tomar uma atitude imediata. O aumento dos batimentos é uma parte natural da resposta de luta ou fuga, que existe para proteger a vida em situações de perigo, mesmo quando o susto acontece em situações que não representam ameaça real.

    Isso é perigoso para a saúde?

    Para a maioria das pessoas, um susto não representa perigo para a saúde. Mas, para quem já tem problemas cardíacos ou predisposição, Juliana explica que a descarga de adrenalina pode provocar um pico de pressão arterial e desencadear arritmias, aumentando o risco de complicações como:

    • Aumento importante da frequência cardíaca;
    • Piora súbita da pressão arterial;
    • Ruptura de placa de gordura dentro de uma artéria;
    • Formação de coágulo e obstrução do fluxo sanguíneo;
    • Possibilidade real de infarto ou arritmia grave.

    Segundo Juliana, o infarto por estresse pode acontecer de duas maneiras. Em pessoas que já têm o comprometimento das artérias, durante o momento do susto, o aumento repentino da frequência cardíaca e da pressão arterial podem causar o rompimento de uma placa — o que leva a obstrução de uma artéria e, consequentemente, a um infarto.

    Ele também pode acontecer devido a uma condição chamada síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. Ela é rara, mas pode ser grave porque provoca um enfraquecimento temporário do músculo do coração.

    Nessa situação, Juliana explica que ocorre uma descarga muito alta de adrenalina e noradrenalina, que altera o funcionamento do coração e reduz sua capacidade de bombear sangue. Os sintomas são praticamente iguais aos de um infarto comum, como dor no peito, falta de ar, palpitação, tontura e até desmaio. A diferença é que ela não provoca obstrução das artérias, sendo súbita, transitória e reversível após o tratamento correto.

    Pessoas com ansiedade ou pressão alta sentem o susto de forma mais intensa?

    De acordo com Juliana, quem tem pressão alta já convive com valores mais elevados no dia a dia, e a descarga de adrenalina no momento do susto pode fazer a pressão subir ainda mais, atingindo níveis perigosos. Isso aumenta o risco de sintomas mais fortes e, em alguns casos, até de complicações cardiovasculares.

    Já pessoas ansiosas costumam ter um sistema nervoso simpático mais sensível, então, quando o susto acontece, a resposta de alerta pode durar mais tempo, com coração acelerado, tremores e sensação de falta de ar que demoram a passar. Em algumas situações, a reação exagerada pode até evoluir para uma crise de pânico.

    Como o organismo volta ao estado de repouso

    O primeiro passo depois de um susto é se afastar do ambiente que desencadeou o mal-estar. Em seguida, você pode adotar respirações lentas e profundas para ajudar o corpo a desacelerar e recuperar o equilíbrio — além de manter uma boa hidratação, o que favorece o relaxamento do organismo.

    Depois que o susto passa, o sistema nervoso parassimpático entra em ação para desfazer a resposta de luta ou fuga e trazer o corpo de volta ao equilíbrio. Os batimentos cardíacos começam a desacelerar em poucos minutos, normalmente entre 5 e 10 minutos após o estímulo que causou o susto.

    Já a sensação de nervosismo, tremor ou corpo “ainda em alerta” pode levar um pouco mais de tempo para desaparecer completamente. Em média, entre 20 e 30 minutos o organismo costuma voltar ao estado normal.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure atendimento médico imediato nas seguintes situações:

    • Coração acelerado por mais de 30 minutos;
    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Sudorese intensa sem motivo aparente;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente.

    Os sinais podem indicar alguma complicação desencadeada pelo pico de adrenalina, como arritmia, piora da pressão arterial ou até início de um quadro cardíaco agudo.

    A avaliação médica é importante para descartar problemas maiores e garantir que o coração volte ao funcionamento normal de maneira segura.

    Veja mais: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

    Perguntas frequentes

    Como diferenciar um susto de um infarto de verdade?

    O susto tende ao melhorar espontaneamente em minutos, de modo que os batimentos desaceleram e o desconforto diminui.

    Em casos de infarto, a dor no peito costuma ser forte, como um aperto, não passa com o tempo, pode irradiar para braço, costas ou mandíbula. A pessoa também pode sentir falta de ar, suor frio, náusea e tontura.

    Assim, se você apresentar sintomas persistentes ou intensos, trate como uma urgência e procure atendimento médico!

    O que fazer para acalmar o coração mais rápido?

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar o coração acelerado, como:

    • Afastar-se do estímulo que causou o susto;
    • Sentar ou deitar com conforto;
    • Respirar lenta e profundamente (por exemplo, inspirar 4 segundos e expirar 6 segundos por alguns minutos);
    • Beber água;
    • Ficar em ambientes tranquilos, com pouca luz;
    • Focar no relaxamento muscular.

    Um susto isolado faz mal para o coração a longo prazo?

    Para pessoas sem doença cardíaca, um susto isolado não costuma deixar sequelas, pois o organismo foi feito para lidar com picos de estresse e retornar ao equilíbrio. O problema acontece quando os picos são muito frequentes e existem fatores de risco, como estresse crônico, sono ruim, sedentarismo e tabagismo.

    O coração pode “pular batidas” depois do susto?

    O coração pode apresentar batimentos irregulares logo após um susto porque a adrenalina age diretamente no nó sinusal, que é o marcapasso natural do coração. Ele torna o ritmo mais excitável e pode provocar batimentos extras ou a sensação de que o coração está falhando por alguns segundos.

    O susto pode causar desmaio?

    O susto pode causar desmaio porque o cérebro pode receber menos sangue por alguns segundos no pico do estresse. A circulação muda muito rápido e o corpo pode desligar por um instante como forma de proteção. Depois, a pressão tende a normalizar, o sangue volta a circular bem no cérebro e a pessoa acorda sozinha.

    No entanto, se o desmaio vier acompanhado de dor torácica intensa, falta de ar intensa ou demora para recuperar a consciência, é fundamental buscar atendimento médico imediato.

    Veja também: Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

  • 6 alimentos que são saudáveis, mas quando em excesso, podem acrescentar muitas calorias à dieta 

    6 alimentos que são saudáveis, mas quando em excesso, podem acrescentar muitas calorias à dieta 

    Falar de alimentação saudável sem falar de quantidade é deixar de lado metade da história. Muitos alimentos nutritivos têm alta densidade calórica: ou seja, concentram muita energia em pouco volume. Isso significa que, mesmo sendo ricos em fibras, proteínas e gorduras boas, podem elevar o consumo total de calorias do dia quando exageramos na porção.

    A seguir, veja seis exemplos de alimentos saudáveis que pedem atenção especial na hora de servir!

    1. Oleaginosas e amendoim

    Castanhas, nozes, amêndoas, pistache e amendoim oferecem gorduras boas, fibras e minerais importantes para o coração. Em 30 g, a média é de 170 kcal, com 15 g de gorduras, 5 a 6 g de proteínas e cerca de 5 g de carboidratos. A armadilha está no tamanho da porção: um punhado generoso pode facilmente triplicar as calorias. O ideal é separar a quantidade antes de comer e evitar consumir direto do pacote.

    2. Ovos inteiros

    O ovo é completo e versátil e integra a lista de alimentos saudáveis. Cada unidade grande fornece cerca de 70 a 80 kcal, com 6 g de proteína e 5 g de gordura. Duas unidades somam em torno de 150 kcal, valor que aumenta rapidamente quando entram queijo e manteiga. Uma dica é optar por preparos feitos com mais claras do que gemas, já que as claras não contêm gordura e têm apenas 17 calorias cada uma.

    3. Azeite de oliva

    O azeite extravirgem é uma das principais fontes de gorduras monoinsaturadas, associadas à boa saúde cardiovascular. Mas cada colher de sopa (14 ml) tem 120 kcal e 14 g de gordura. Como o líquido se espalha fácil, o “fio” generoso pode se transformar em três colheres sem perceber. Use medidores ou borrifadores e combine o azeite com limão ou vinagre para temperar sem excessos.

    4. Abacate

    O abacate é fonte de gorduras boas, potássio e fibras e é normalmente considerado parte dos alimentos saudáveis. Em 100 g, a média é de 160 kcal, com 15 g de gordura, 2 g de proteína e 9 g de carboidratos. Apesar de promover saciedade, ele é calórico e pode pesar no cardápio se usado em grandes quantidades. Prefira fatias pequenas ou meio abacate por vez e complete com saladas e vegetais crus, que dão volume com menos calorias.

    5. Granola

    A granola mistura cereais, oleaginosas e mel, combinação nutritiva, mas calórica. Em meia xícara (45 g), são encontradas facilmente 200 kcal, 30 g de carboidratos, 6 g de gordura e 5 g de proteína. O problema está no “olhômetro”: tigelas caseiras costumam dobrar a porção e ainda receber frutas secas, mel e iogurte integral. Meça a quantidade e substitua parte por aveia e frutas frescas para reduzir o impacto calórico.

    6. Chocolate amargo

    O chocolate amargo contém mais cacau e antioxidantes, mas também é concentrado em calorias. Em 30 g (dois quadradinhos), há em média 170 kcal, 12 g de gordura e 13 g de carboidratos. Um pequeno pedaço é suficiente para matar a vontade de doce sem comprometer a dieta. O segredo é definir a porção antes de abrir a embalagem e reservar o momento para saborear com calma.

    Equilíbrio é a chave para uma alimentação saudável

    Alimentos saudáveis e densos em nutrientes podem ser aliados, desde que consumidos nas quantidades certas. Controlar porções, ajustar o preparo e prestar atenção ao que acompanha cada refeição faz diferença na soma final de calorias do dia.

    Mais importante do que eliminar esses itens é integrá-los de forma equilibrada a um plano alimentar ajustado ao seu peso, idade e nível de atividade física. Reavaliar porções com o apoio de um profissional ajuda a manter a nutrição adequada, o controle do peso e o prazer à mesa, tudo no mesmo prato.

    Leia mais: Canetas emagrecedoras: como evitar deficiências nutricionais?

    Perguntas e respostas

    1. Alimentos saudáveis também podem engordar?

    Sim. Mesmo alimentos ricos em nutrientes, como castanhas, azeite ou abacate, têm alta densidade calórica, ou seja, concentram muita energia em pouco volume. Quando o consumo ultrapassa o tamanho da porção ideal, as calorias se acumulam rapidamente, o que pode dificultar o controle do peso mesmo em uma dieta equilibrada.

    2. Qual é o erro mais comum ao consumir alimentos como oleaginosas, azeite e granola?

    O principal erro é não medir a quantidade. Comer direto do pacote, usar o “fio de azeite” sem dosar ou encher a tigela de granola são hábitos que dobram ou triplicam a ingestão calórica sem perceber. Separar a porção antes de consumir e usar colheres medidoras ajuda a manter o controle.

    3. O ovo e o abacate são realmente calóricos?

    Sim, mas isso não significa que devem ser evitados. O ovo tem em média 70 a 80 kcal por unidade e o abacate, cerca de 160 kcal a cada 100 g. Ambos fornecem nutrientes importantes, como proteínas, gorduras boas e potássio. O segredo é ajustar a quantidade!

    4. A granola e o chocolate amargo são boas opções, mas quanto é demais?

    São alimentos nutritivos, porém densos em energia. Meia xícara de granola tradicional pode ter 200 kcal, e dois quadradinhos de chocolate amargo, cerca de 170 kcal. Comer além disso, especialmente somando outros ingredientes calóricos (mel, frutas secas, iogurte integral), pode ultrapassar facilmente o necessário para uma refeição leve.

    Veja também: Projeto verão: dá para emagrecer rápido até o final do ano?