Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • NIPT: o que é e quando fazer o teste que pode detectar Síndrome de Down

    NIPT: o que é e quando fazer o teste que pode detectar Síndrome de Down

    Durante a gravidez, vários exames fazem parte do acompanhamento pré-natal e ajudam a avaliar a saúde do bebê. Um deles é o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo), um teste de triagem que pode identificar alterações genéticas ainda no início da gestação, como a Síndrome de Down.

    O exame é feito a partir de uma simples coleta de sangue da gestante e analisa fragmentos do DNA do bebê que circulam na corrente sanguínea materna.

    Por ser um método não invasivo, o NIPT não oferece risco para o feto e tem se tornado cada vez mais utilizado para avaliar a probabilidade de algumas alterações cromossômicas durante a gravidez.

    O que é o exame NIPT?

    O NIPT é um exame de triagem feito durante a gravidez para avaliar o risco de algumas alterações genéticas no bebê, realizado através de uma simples coleta de sangue da gestante.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, durante a gestação, especialmente a partir de cerca de 8 semanas, começam a ocorrer pequenas trocas entre o sangue materno e o sangue do feto por meio da placenta. Nesse processo, pequenas quantidades de DNA do bebê, chamadas de DNA fetal livre, passam para a circulação da gestante.

    O NIPT utiliza tecnologia de sequenciamento genético para analisar esses fragmentos de DNA e verificar se o bebê possui a quantidade correta de cromossomos. O principal objetivo do exame é identificar o risco de trissomias, alterações que ocorrem quando o bebê apresenta um cromossomo a mais:

    • Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21);
    • Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18);
    • Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13).

    Além dessas, Andreia aponta que o exame também pode identificar algumas alterações relacionadas aos cromossomos sexuais, como:

    • Síndrome de Turner, quando há ausência de um dos cromossomos X;
    • Síndrome de Klinefelter.

    Por fim, o NIPT também pode informar o sexo do bebê e, em alguns casos, identificar o fator Rh fetal, o que pode ajudar na condução de gestações com incompatibilidade sanguínea.

    Vale destacar que o exame não é diagnóstico, mas sim um teste de triagem. Ele avalia a probabilidade de determinadas alterações genéticas, com uma precisão maior do que a avaliação feita apenas pelo ultrassom morfológico do primeiro trimestre.

    Qual a diferença entre NIPT e amniocentese?

    O NIPT e a amniocentese são exames utilizados durante a gestação para investigar possíveis alterações genéticas no bebê, mas são feitos de maneira diferente.

    No passado, quando era necessário analisar células fetais para investigar alterações genéticas, era preciso recorrer a exames invasivos, como a amniocentese.

    O procedimento consiste na retirada de uma pequena quantidade de líquido amniótico, por meio da introdução de uma agulha no útero, guiada por ultrassom. No líquido amniótico existem células do bebê, que podem ser analisadas em laboratório.

    De acordo com Andreia, apesar de seguro quando realizado por profissionais experientes, ele apresenta alguns riscos, como sangramento, infecção, ruptura das membranas e, em casos raros, aborto. Além da amniocentese, também eram realizados exames como:

    • Cordocentese, que coleta sangue diretamente do cordão umbilical;
    • Biópsia de vilo corial, que retira uma pequena amostra da placenta.

    O NIPT surgiu como uma alternativa menos invasiva para avaliar o risco de alterações cromossômicas no bebê, já que é feito com uma simples coleta de sangue.

    Quando o exame deve ser feito?

    O NIPT pode ser realizado a partir de 9 ou 10 semanas de gestação, quando já existe quantidade suficiente de DNA fetal circulando no sangue da gestante para que o teste seja feito com precisão.

    O NIPT não substitui outros exames importantes do pré-natal, como o ultrassom morfológico do primeiro trimestre, realizado entre 11 e 14 semanas. Na prática, muitas vezes o médico primeiro avalia o risco pelo ultrassom e, caso exista suspeita aumentada, indica o NIPT para uma investigação mais precisa.

    Quando o resultado do NIPT indica alguma alteração, normalmente é necessário realizar exames confirmatórios, muitas vezes invasivos, como a amniocentese.

    Para quem o NIPT é indicado? O NIPT pode ser realizado por qualquer gestante que deseje avaliar o risco de alterações cromossômicas no bebê, mas ele costuma ser mais indicado em situações nas quais existe maior chance de alterações genéticas, como:

    • Gestantes com idade materna avançada, normalmente a partir dos 35 anos;
    • Resultado alterado ou risco aumentado no ultrassom morfológico do primeiro trimestre;
    • Alterações em outros exames de triagem do pré-natal;
    • Histórico familiar de doenças genéticas ou cromossômicas;
    • Gestação anterior com alteração cromossômica, como Síndrome de Down.

    A indicação deve sempre ser feita pelo médico que acompanha o pré-natal, que irá avaliar o histórico da gestante e orientar sobre a necessidade do exame.

    Como entender o resultado do exame?

    O resultado do NIPT indica a probabilidade de o bebê apresentar determinadas alterações cromossômicas. Logo, por ser um exame de triagem, ele não confirma um diagnóstico, mas mostra se o risco é baixo ou aumentado:

    • Baixo risco (ou negativo): significa que a probabilidade de o bebé ter as síndromes testadas (Down, Edwards, Patau) é extremamente baixa, geralmente inferior a 0,01%;
    • Alto risco (ou positivo): indica que o exame detectou uma quantidade excessiva de fragmentos de DNA de um determinado cromossoma, sugerindo a presença de uma síndrome.

    Em casos de alto risco, o médico costuma recomendar exames confirmatórios, como a amniocentese ou a biópsia de vilo corial.

    Em outros casos, o exame pode apresentar resultado inconclusivo, que ocorre quando a quantidade de DNA fetal no sangue da mãe é insuficiente para a análise. Quando isso acontece, o médico pode orientar a repetição da coleta após algumas semanas.

    Importância do exame NIPT durante o pré-natal

    O exame NIPT permite identificar o risco de algumas alterações genéticas no bebê ainda no início da gravidez, sem colocá-lo em risco, ao contrário de alguns procedimentos invasivos.

    Mesmo quando não há possibilidade de intervenção médica durante a gestação, Andreia explica que a informação pode ter um papel importante no preparo da família.

    O diagnóstico precoce permite que os pais compreendam melhor a condição, busquem orientação de especialistas e se informem sobre os cuidados que a criança poderá precisar após o nascimento.

    Além disso, o conhecimento antecipado ajuda na organização do acompanhamento médico e no planejamento da rotina familiar, favorecendo uma adaptação mais tranquila para receber o bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre NIPT e sexagem fetal?

    A sexagem fetal comum apenas identifica o sexo do bebê. O NIPT, além do sexo, analisa a saúde dos cromossomos para detectar síndromes genéticas graves.

    2. Grávidas de gêmeos podem fazer o NIPT?

    Sim, a maioria dos testes modernos já consegue analisar gestações gemelares (monozigóticas ou dizigóticas), embora a precisão possa variar ligeiramente e alguns laboratórios não consigam identificar qual dos bebês apresenta a alteração em caso de resultado positivo.

    3. O NIPT substitui o ultrassom morfológico?

    Não, o NIPT analisa a genética, enquanto o ultrassom analisa a morfologia (formação dos órgãos, coração, membros). O bebê pode ter uma genética normal, mas apresentar uma má-formação física que só o ultrassom detecta. Os exames são complementares.

    4. O resultado do NIPT demora quanto tempo?

    Em média, o laudo fica pronto entre 7 a 10 dias úteis, pois muitas amostras são enviadas para laboratórios de genética especializados (alguns até fora do país).

    5. É necessário jejum para fazer o NIPT?

    Não. Por ser um exame de análise de DNA livre, a alimentação da mãe não interfere no resultado. Recomenda-se apenas estar bem hidratada para facilitar a coleta de sangue.

    6. Existe idade máxima para fazer o exame?

    Não há idade máxima para a gestante, mas o exame só faz sentido se realizado durante a gestação (preferencialmente antes da 24ª semana) para que os pais tenham tempo de planejar os cuidados pré e pós-natais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Depois de um parto cesárea, existe uma série de cuidados necessários para evitar problemas, em especial com a cicatriz. A cicatrização adequada ajuda a prevenir infecções, dor persistente, abertura dos pontos e até complicações internas, como a abertura dos pontos antes do tempo e a formação de abscessos.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais cuidados realmente fazem diferença no pós-operatório e quais sinais exigem atenção médica imediata. Confira!

    Como são feitos os pontos da cesariana?

    Na cesariana, o fechamento do corte é feito com cuidado e por etapas. Como a cirurgia atravessa várias camadas do abdômen, o médico primeiro sutura as partes internas, como o útero e a musculatura, e só depois fecha a pele.

    Na maioria das vezes, Andreia explica que o fechamento da pele é feito com pontos intradérmicos, que ficam “por dentro” da pele e não aparecem externamente. O fio utilizado costuma ser bem fino, quase invisível, e absorvível — isto é, o próprio corpo o reabsorve com o tempo, sem necessidade de retirar os pontos depois.

    Em alguns casos, o médico pode optar por pontos externos ou pelo uso de cola cirúrgica. A cola forma uma espécie de película protetora sobre o corte e vai se soltando sozinha ao longo dos dias. A escolha da técnica depende da avaliação do profissional e das características da pele de cada mulher.

    Quais os cuidados com a cicatriz da cesárea nas primeiras semanas?

    Nas primeiras semanas após a cesárea, a cicatriz fica avermelhada, elevada, endurecida e com sensibilidade, localizando-se na linha do biquíni (cerca de 10 cm). Em alguns casos, a cicatriz da cesárea pode ser vertical (feita da região pubiana em direção ao umbigo), embora seja menos comum atualmente.

    Nesse período, é importante manter alguns cuidados simples, como:

    1. Realize a higiene adequada todos os dias

    Segundo Andreia, a região deve ser lavada durante o banho, com água corrente e sabonete neutro. Não é necessário utilizar produtos específicos, antissépticos ou soluções especiais, salvo recomendação médica.

    A especialista também ressalta que não se deve aplicar corticoides, anti-inflamatórios tópicos ou outras substâncias sem orientação profissional.

    Após a lavagem, é importante secar bem a área com uma toalha limpa, dando leves toques, sem esfregar. A fricção excessiva pode sensibilizar a pele, que ainda está em processo de recuperação.

    2. Mantenha a cicatriz seca

    A umidade é um dos principais fatores que favorecem a proliferação de bactérias. Por isso, depois do banho, a região precisa estar completamente seca antes de vestir a roupa.

    O uso de roupas leves, preferencialmente de algodão, ajuda a evitar abafamento, suor excessivo e atrito sobre a cicatriz. As peças muito apertadas podem causar desconforto e aumentar a sensibilidade local.

    3. Evite atividades físicas intensas

    Durante a cesariana, Andreia explica que várias camadas são suturadas, incluindo a aponeurose, que é uma camada fibrosa resistente que recobre o músculo. A região pode ficar sensível a esforços intensos no período inicial.

    Por isso, vale evitar esforços intensos, exercícios abdominais, levantamento de peso ou movimentos bruscos que podem gerar tensão excessiva na região, o que aumenta o risco de dor, abertura de pontos ou alargamento da cicatriz.

    4. Usar o protetor solar na cicatriz

    A exposição ao sol pode escurecer a cicatriz, pois se trata de uma pele em processo de regeneração. Andreia recomenda o uso de protetor solar sobre a região e, sempre que possível, mantê-la coberta pela roupa, especialmente na praia ou na piscina.

    Com o tempo, a cicatriz tende a clarear. Com seis meses a um ano já está bastante clara, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Avaliação médica nas primeiras semanas

    Com 15 dias, Andreia aponta que já existe uma cicatrização inicial adequada, e é possível avaliar se houve soltura de pontos, abertura de algum trecho ou saída de secreção. Ainda assim, a cicatriz está em fase inicial de evolução.

    O que é normal na cicatriz da cesárea?

    Após a cesárea, a cicatriz passa por um processo natural de cicatrização que pode durar meses. Durante o período, é normal que a cicatriz da cesárea fique avermelhada, inchada, endurecida e com coceira nas primeiras semanas, evoluindo para uma cor mais clara com o tempo, muitas vezes ficando dormente ou com formigamento.

    Também pode haver uma leve sensação de repuxamento na região, principalmente ao se levantar, caminhar ou fazer movimentos mais amplos com o tronco. Isso acontece porque os tecidos internos ainda estão em fase de reorganização e cicatrização, algo esperado depois de uma cirurgia abdominal como a cesárea.

    Possíveis alterações no processo de cicatrização da pele

    Durante a cicatrização da cesárea, algumas alterações podem ocorrer e, na maioria das vezes, fazem parte da resposta natural do organismo.

    Uma das alterações mais comuns é a cicatriz hipertrófica, segundo Andreia, que fica mais elevada e endurecida, porém limitada à área do corte. Ela pode estar relacionada à tensão da pele, à resposta inflamatória individual ou à forma como o tecido cicatrizou.

    Em muitos casos, há uma melhora progressiva com o tempo, embora algumas situações precisem de acompanhamento.

    Também pode ocorrer a cicatriz quelóide, que ultrapassa os limites da incisão original e apresenta crescimento mais exuberante do tecido cicatricial. Andreia explica que a alteração está relacionada principalmente à predisposição genética e é mais frequente em pessoas com pele mais escura.

    Nesses casos, pode ser necessário tratamento específico, como infiltrações com corticoide ou outras abordagens indicadas pelo médico.

    Sinais de alerta para ficar atenta

    É importante procurar atendimento médico caso surjam sinais que indiquem possível infecção, como:

    • Saída de pus;
    • Vermelhidão intensa;
    • Aumento da dor;
    • Sensação de calor na região;
    • Febre.

    Também pode ocorrer a formação de seroma, segundo Andreia, que é o acúmulo de líquido claro sob a pele. Nem sempre ele indica uma infecção, mas precisa ser avaliado por um profissional para evitar complicações.

    De forma geral, a cicatriz deve permanecer plana, sem inchaço, calor excessivo ou secreção. Diante de qualquer alteração significativa, é fundamental procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para a cicatriz da cesárea fechar por fora?

    A camada externa da pele costuma fechar entre 7 a 10 dias. No entanto, a cicatrização completa dos tecidos internos (músculos e útero) leva de 6 a 12 meses.

    2. Quando pode voltar a dirigir depois da cesárea?

    Normalmente após 15 a 21 dias. O ponto principal é não sentir dor ao pisar no freio bruscamente e ter mobilidade para girar o tronco. Por isso, consulte o seu médico antes.

    3. Os pontos da cesárea caem sozinhos?

    Depende da técnica. Atualmente, muitos cirurgiões usam fios absorvíveis que o corpo absorve em algumas semanas. Se forem pontos externos tradicionais ou grampos, eles devem ser retirados pelo médico entre 8 e 12 dias.

    4. Qual a melhor posição para dormir após a cesárea?

    De barriga para cima ou de lado, com um travesseiro entre os joelhos e outro apoiando a barriga. Dormir de bruços não é recomendado nas primeiras semanas.

    5. Quando pode ter relações sexuais novamente?

    A recomendação padrão é aguardar o fim do puerpério (quarentena), cerca de 40 dias, para garantir que o colo do útero esteja fechado e a cicatrização interna avançada.

    6. Quantas camadas de tecido são cortadas na cesárea?

    São cortadas 7 camadas: pele, tela subcutânea (gordura), fáscia (capa do músculo), músculo (que é afastado), peritônio parietal, peritônio visceral e, por fim, o útero.

    7. Posso passar hidratante ou óleo diretamente na cicatriz recém-fechada?

    Apenas após a liberação médica, normalmente após 15 ou 20 dias. Antes disso, o excesso de umidade de cremes pode amolecer os tecidos e favorecer a abertura dos pontos ou a proliferação de fungos.

    8. Quanto tempo depois da cesárea posso engravidar novamente com segurança?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um intervalo de 18 a 24 meses. O tempo é necessário para que a cicatriz no útero recupere sua elasticidade total, reduzindo o risco de ruptura uterina em uma futura gestação.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    A decisão sobre como lidar com a dor durante o parto é pessoal e envolve encontrar um equilíbrio entre o conforto da mãe, a segurança do bebê e o progresso do trabalho de parto.

    A analgesia existe para tornar a experiência do parto mais confortável, sem necessariamente interferir na participação ativa da mulher naquele momento. Uma vez que cada gestação é única, a indicação pode variar conforme a evolução do parto, a intensidade da dor e também a preferência da gestante.

    Para entender melhor como a analgesia de parto funciona, quando costuma ser indicada e quais informações realmente fazem sentido, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Qual a diferença entre anestesia e analgesia?

    A diferença entre a anestesia e a analgesia está principalmente no grau de bloqueio da dor e da sensibilidade.

    A analgesia tem como objetivo reduzir ou aliviar a dor, mas sem eliminar totalmente a sensibilidade nem os movimentos. No parto normal, por exemplo, a analgesia costuma permitir que a mulher continue sentindo o corpo, consiga se movimentar e faça força quando necessário, só com menos dor.

    Já a anestesia provoca um bloqueio mais completo, que pode incluir dor, sensibilidade e até movimento, dependendo do tipo e da dose. Na cesariana, por exemplo, a anestesia é usada para que a mulher não sinta dor durante o procedimento cirúrgico.

    Mitos e verdades sobre analgesia no parto normal

    1. A anestesia faz o trabalho de parto parar

    Mito! Antigamente, eram utilizadas doses mais altas que realmente podiam reduzir a intensidade das contrações uterinas e até prolongar o trabalho de parto.

    Hoje, a técnica de “baixa dose” (low-dose) permite manter o útero funcionando normalmente, preservando as contrações necessárias para a progressão do parto, enquanto reduz principalmente a dor mais intensa.

    2. A gestante pode perder a capacidade de fazer força

    Verdade, mas é controlável. Em alguns casos, a sensibilidade pode diminuir a ponto de a mulher não perceber claramente o “reflexo de puxo”.

    No entanto, a equipe médica consegue orientar o momento adequado para fazer força, e o efeito da analgesia pode ser ajustado durante o período expulsivo para favorecer a participação ativa da mulher no parto.

    3. A analgesia causa dor nas costas para sempre

    Mito. A dor no local da picada é comum por 2 ou 3 dias. As dores crônicas nas costas após o parto normalmente estão ligadas à postura durante a gravidez, ganho de peso ou esforço físico, e não à agulha da anestesia.

    4. A medicação passa para o bebê e o deixa sonolento

    Mito. Na analgesia de parto, especialmente na técnica peridural (epidural), a medicação permanece concentrada no espaço ao redor da medula espinhal e praticamente não entra na corrente sanguínea materna. Logo, a quantidade que chega ao bebê é insignificante.

    5. Existe um “momento certo” (dilatação mínima) para pedir

    Mito. De acordo com Andreia, como a dor é um critério muito subjetivo, a analgesia pode acontecer em momentos diferentes do parto, dependendo de cada paciente.

    A decisão é individual e deve considerar o conforto materno. Não é necessário esperar atingir 4 ou 5 cm de dilatação se a gestante estiver com dor intensa ou sofrimento — o importante é que ela já esteja em trabalho de parto ativo e com avaliação médica adequada.

    6. Nem toda mulher consegue tomar a anestesia.

    Verdade. Existem contraindicações raras, como distúrbios de coagulação graves, infecções ativas nas costas ou algumas cirurgias prévias na coluna que impedem o acesso ao espaço epidural.

    Nesses casos, a equipe médica avalia alternativas para controle da dor e acompanha o parto com atenção redobrada.

    7. Analgesia pode ser aplicada novamente no final do parto

    Verdade. Na fase final do parto, quando ocorre a distensão do períneo e a cabeça do bebê já está saindo, Andreia aponta que o anestesista pode complementar a analgesia para aliviar a dor nessa região, que é diferente da dor das contrações.

    Em alguns casos, realiza-se um duplo bloqueio: além da peridural, utiliza-se uma raquianestesia em dose muito baixa, direcionada principalmente ao períneo. Isso acontece porque a raquianestesia pode bloquear fibras motoras, e a ideia é evitar que a paciente perca a motricidade.

    8. É impossível caminhar após tomar a anestesia

    Mito. Com a técnica da walking epidural, a dose é ajustada para bloquear a dor (fibras sensitivas), mas preservar o movimento das pernas (fibras motoras), permitindo que a mulher mude de posição.

    9. Analgesia pode afetar as contrações uterinas

    Verdade. Segundo Andreia, a analgesia pode provocar um pequeno desequilíbrio entre adrenalina e noradrenalina, o que pode influenciar as contrações uterinas. Com o alívio da dor, muitas vezes o corpo relaxa e o útero pode até contrair melhor.

    Em algumas situações, isso pode favorecer a evolução do parto. Já em outras, as contrações podem ficar um pouco mais lentas.

    Por isso, o obstetra acompanha as contrações de perto para garantir que elas continuem eficazes e não prejudiquem o andamento do trabalho de parto. Quando necessário, pode ser utilizada ocitocina para manter contrações adequadas em cada fase do parto.

    Quando a analgesia no parto normal é indicada?

    A analgesia no parto normal é indicada, principalmente, quando a mulher sente que a dor está forte demais e que os métodos naturais, como o banho quente, a massagem ou a bola, não estão mais dando conta de trazer alívio.

    Se você está em trabalho de parto e percebe que chegou ao seu limite, tem o direito de pedir ajuda com a medicação.

    Além da vontade da mãe, os médicos também podem indicar a analgesia em algumas situações para ajudar o parto a evoluir melhor, como nos casos de cansaço intenso ou dificuldade para relaxar.

    Às vezes, a dor impede o descanso ou o relaxamento, o que pode até interferir na evolução do trabalho de parto. O alívio da dor pode ajudar o corpo a responder melhor às contrações e tornar o processo mais tranquilo.

    Como a analgesia é aplicada?

    A analgesia de parto é aplicada no chamado espaço peridural, que fica ao redor da medula espinhal, conforme explica Andreia. O medicamento é administrado nessa região para bloquear principalmente as fibras responsáveis pela dor, sem necessariamente afetar a sensibilidade ou os movimentos.

    Para fazer o procedimento, o anestesista realiza uma punção na região lombar e introduz um cateter fino no espaço peridural. Por meio do cateter, o analgésico é liberado de forma gradual e contínua com a ajuda de uma bomba de infusão, que administra pequenas quantidades do medicamento ao longo do trabalho de parto.

    Andreia ressalta que o controle da dose e da velocidade de infusão é fundamental. Se a medicação for administrada em quantidade muito alta ou rapidamente, pode haver maior perda de sensibilidade ou até de movimento. Por isso, o objetivo é aliviar a dor sem impedir a participação ativa da mulher no parto.

    Existem contraindicações?

    A analgesia no parto normal é contraindicada em algumas situações pouco comuns, como:

    • Uso de anticoagulantes ou alterações importantes da coagulação, que aumentam o risco do procedimento;
    • Desvios acentuados na coluna ou cirurgias prévias na região, que podem dificultar a passagem do cateter.

    Nem sempre essas situações impedem a analgesia, mas podem deixar o procedimento um pouco mais delicado. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com cuidado pela equipe médica.

    Perguntas frequentes

    1. A analgesia pode atrasar o parto?

    Ela pode prolongar um pouquinho a fase final (de 15 a 30 minutos), mas, por outro lado, pode acelerar a dilatação inicial ao relaxar uma mãe que estava muito tensa pela dor.

    2. Se eu tomar a analgesia, ainda vou sentir as contrações?

    Você vai sentir a barriga endurecer e uma pressão, mas a dor aguda e “cortante” desaparece. A ideia é tirar o sofrimento, mas manter a sensação do seu corpo trabalhando.

    3. Qual a diferença entre peridural e raquianestesia?

    A raqui é uma picada única, age rápido (em 2-5 minutos), mas dura menos tempo. A peridural usa um cateter (um tubinho fino) que fica nas costas para mandar remédio o tempo todo, durando quantas horas o parto precisar.

    4. E se eu tiver tatuagem nas costas?

    Na maioria das vezes, não é problema. O anestesista tenta introduzir a agulha em um espaço sem tinta, ou faz um pequeno corte milimétrico na pele para a agulha não levar tinta para dentro.

    5. Pode tomar a analgesia se tiver escoliose?

    Pode, mas é importante avisar ao médico. A coluna torta pode dificultar um pouco o acesso ao espaço correto, mas o anestesista experiente consegue realizar o procedimento com segurança.

    6. A analgesia interfere na amamentação na primeira hora?

    Não. Como a medicação quase não passa para o bebê e a mãe permanece acordada e alerta, o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento acontecem normalmente.

    7. Quanto tempo demora para o efeito passar totalmente após o parto?

    Normalmente, entre 1 a 2 horas após a última dose. Você sentirá um formigamento nas pernas conforme a sensibilidade volta ao normal, e logo já poderá levantar e tomar banho (com ajuda, por segurança).

  • Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Depois de uma longa gravidez, não é apenas o bebê que precisa de cuidados no dia a dia. O resguardo pós-parto, conhecido como puerpério, é justamente a fase em que o corpo da mãe entra em processo de recuperação: o útero precisa voltar ao tamanho original, os hormônios passam por uma reorganização significativa e a cicatrização interna ocorre de forma gradual.

    As recomendações vão desde o descanso até receber orientações sobre quando retomar as relações sexuais, manter o acompanhamento médico e cuidar também da saúde emocional. É um período que exige paciência, atenção aos sinais do próprio corpo e, principalmente, uma rede de apoio presente.

    O que é o resguardo pós-parto e quanto tempo dura?

    O resguardo pós-parto, também chamado de puerpério, é o período de recuperação do corpo da mulher depois do nascimento do bebê. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é a fase em que o organismo vai voltando, aos poucos, ao que era antes da gravidez (pré-gravídica).

    A maioria dos ginecologistas costuma recomendar um período de resguardo entre cerca de 42 e 60 dias após o nascimento do bebê. O tempo é importante porque o útero ainda está se recuperando e precisa cicatrizar adequadamente antes da retomada completa das atividades.

    O que muda no corpo no pós-parto?

    A maioria das mudanças que aconteceram durante a gestação tende a regredir naturalmente no resguardo. Segundo Andreia, a principal exceção é a mama, que não volta exatamente ao que era antes, pois se desenvolve de forma mais completa durante a gravidez e, principalmente, com a amamentação.

    Durante a gestação, também ocorre aumento de até 40% do volume sanguíneo — além de maior retenção de líquidos, que o organismo elimina gradualmente o excesso. Algumas manchas na pele e linhas que surgiram nesse período tendem a clarear com o passar dos meses, embora nem sempre desapareçam totalmente.

    A região genital também passa por mudanças importantes, principalmente o útero:

    • Em condições normais, o útero tem tamanho parecido com o de uma pera, com volume entre 90 e 120 ml;
    • Durante a gravidez, ele pode chegar a três ou quatro litros;
    • No puerpério, ocorre a contração progressiva até o retorno ao tamanho habitual.

    Depois do parto e da saída da placenta, fica no útero uma área chamada ferida placentária, que corresponde ao local onde a placenta estava fixada. A região permanece aberta, precisa parar de sangrar e cicatrizar, e o fechamento ocorre naturalmente por meio das contrações do próprio útero.

    Quando o órgão se contrai, diminui de tamanho e comprime os vasos sanguíneos que estavam abertos, ajudando a interromper o sangramento.

    A amamentação também ajuda muito na fase, pois quando o bebê mama, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que estimula a contração do útero e facilita a saída do leite. Por isso, a amamentação é importante tanto para a alimentação do bebê quanto para a recuperação da mãe.

    O que pode e o que não pode fazer no resguardo

    Uma vez que o corpo está em um processo intenso de cicatrização interna, são necessários cuidados no resguardo para evitar complicações.

    O que pode fazer

    • Descansar sempre que possível, principalmente nos primeiros dias;
    • Levantar e caminhar de forma leve, conforme orientação médica, para ajudar na circulação;
    • Retomar atividades do dia a dia aos poucos, como tomar banho sozinha, se alimentar normalmente e dar pequenas voltas;
    • Iniciar caminhadas leves após cerca de 15 dias, se houver liberação médica;
    • Amamentar livremente, pois a amamentação ajuda o útero a se contrair e favorece a recuperação;
    • Manter acompanhamento médico, comparecendo à consulta de revisão pós-parto.

    O que não é recomendado

    • Ter relações sexuais antes de cerca de 40 a 45 dias, pois o útero ainda está em cicatrização e há maior risco de infecção;
    • Fazer exercícios intensos ou levantar peso, principalmente após cesariana;
    • Ignorar sinais de alerta, como febre, dor intensa, sangramento em grande quantidade ou odor forte nas secreções;
    • Deixar de cuidar da saúde emocional, caso apareça tristeza intensa ou desânimo que não melhora.

    Durante o puerpério, principalmente quando existe amamentação exclusiva no peito, Andreia explica que pode acontecer a amenorreia da lactação. Isso significa que a menstruação pode parar por um tempo e, na maioria dos casos, a ovulação também não acontece.

    É uma forma natural de o corpo evitar uma nova gravidez logo após o parto. Mesmo assim, não é um método totalmente seguro. A ovulação pode acontecer antes mesmo da primeira menstruação voltar. Por isso, quando houver retomada das relações sexuais, o ideal é usar um método contraceptivo adequado, com orientação médica.

    Cuidados com a cicatriz de cesárea no resguardo

    A cicatrização correta da cesárea é importante para evitar infecções, dor prolongada, abertura dos pontos e outras complicações, e isso envolve alguns cuidados importantes, como:

    • Lavar a região diariamente durante o banho com água e sabonete neutro. Não usar produtos ou pomadas sem orientação médica;
    • Secar bem a cicatriz após o banho, com toalha limpa e sem esfregar;
    • Manter a região seca, evitando umidade, suor e roupas muito apertadas. Prefira roupas leves, como peças de algodão;
    • Evitar esforço físico intenso, exercícios abdominais, peso e movimentos bruscos nas primeiras semanas;
    • Proteger do sol, usando protetor solar ou mantendo a área coberta, para evitar escurecimento da cicatriz;
    • Fazer acompanhamento médico, especialmente nas primeiras semanas, para avaliar a cicatrização e possíveis alterações.

    Nas primeiras semanas, a cicatriz costuma ficar avermelhada, um pouco elevada, endurecida e sensível, o que é esperado. Com o passar do tempo, a tendência é clarear e ficar menos perceptível, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Aspectos emocionais no resguardo pós-parto

    Além da recuperação física, Andreia lembra que a parte emocional também passa por muitas mudanças após o nascimento do bebê. Fatores como alterações hormonais, cansaço, noites mal dormidas e adaptação à nova rotina podem mexer (e muito) com o humor.

    Nos primeiros dias, muitas mulheres sentem maior sensibilidade, vontade de chorar sem motivo claro, ansiedade ou insegurança. A condição, conhecida como blues puerperal, costuma ser temporária e, na maioria dos casos, melhora com o passar das semanas, principalmente quando existe apoio familiar e descanso adequado.

    Veja alguns cuidados para ter com a saúde mental no período:

    • Priorizar o sono: dormir sempre que o bebê dormir ajuda a reduzir o cansaço e a instabilidade emocional;
    • Dividir as tarefas da casa: limpeza, comida e organização podem ficar com o parceiro, familiares ou rede de apoio;
    • Aceitar ajuda sem culpa: alguém pode segurar o bebê, levar comida ou ajudar na rotina;
    • Tomar um pouco de sol diariamente: cerca de 15 minutos já ajudam no humor e no sono;
    • Conversar sobre sentimentos: falar com o parceiro, amigas ou familiares pode aliviar a ansiedade;
    • Evitar cobrança por perfeição: adaptação leva tempo, e nem todos os dias serão fáceis;
    • Manter alimentação regular: ficar muitas horas sem comer pode aumentar irritação e cansaço;
    • Observar a duração dos sintomas: o baby blues costuma melhorar em 2 a 3 semanas; caso a tristeza continue ou piore, é importante avisar o médico.

    Como diferenciar o baby blues de depressão pós-parto?

    A depressão pós-parto é um quadro de tristeza profunda e persistente que pode surgir nas semanas ou meses após o nascimento do bebê. Ao contrário do baby blues, que costuma ser leve e passageiro, a depressão costuma surgir mais tardiamente, entre três e quatro semanas após o parto, e apresenta sintomas mais intensos e profundos.

    A condição pode se manifestar a partir de sintomas como:

    • Tristeza profunda e persistente;
    • Desânimo ou falta de energia;
    • Irritabilidade ou ansiedade frequente;
    • Dificuldade para dormir, mesmo quando o bebê dorme;
    • Falta de interesse pelas atividades do dia a dia;
    • Sensação de culpa ou incapacidade;
    • Dificuldade de conexão com o bebê.

    Mulheres com histórico de depressão, durante ou antes da gestação, ou com doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, apresentam maior risco e devem ser acompanhadas de perto por médico especialista, segundo Andreia. A depressão pós-parto pode ser tratada com acompanhamento psicológico, apoio familiar e, quando necessário, uso de remédios.

    Quando procurar o médico imediatamente no resguardo?

    No puerpério, se os seguintes sinais surgirem, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes:

    • Febre acima de 38 °C ou calafrios;
    • Sangramento muito intenso, com coágulos grandes ou aumento repentino do fluxo;
    • Dor forte e persistente no abdômen, na pelve ou na cicatriz;
    • Secreção com mau cheiro vaginal ou na cicatriz da cesárea;
    • Vermelhidão, inchaço, dor ou saída de pus na cicatriz;
    • Dor ou ardor ao urinar;
    • Inchaço intenso nas pernas, dor ou falta de ar;
    • Dor forte nas mamas, vermelhidão ou febre (pode indicar mastite);
    • Tristeza intensa, desespero, pensamentos negativos ou dificuldade de cuidar do bebê.

    As complicações podem surgir nas primeiras seis semanas, por isso qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Por que não pode ter relação no resguardo?

    Porque o colo do útero ainda está dilatado e existe uma ferida interna onde a placenta estava grudada. O contato íntimo pode levar bactérias para dentro do útero, causando uma infecção grave chamada endometrite.

    2. Posso lavar o cabelo no dia que chegar em casa?

    Sim, pois não há qualquer restrição científica sobre lavar o cabelo ou tomar banho completo. O importante é secar bem o corpo e, em caso de cesárea, secar a cicatriz com uma toalha limpa ou gaze.

    3. É normal sentir cólica enquanto o bebê mama?

    Sim. A sucção do bebê libera ocitocina, hormônio que faz o útero contrair para voltar ao tamanho normal e evitar hemorragias. É um sinal de que o corpo está funcionando bem.

    4. O que são os “lóquios” e quanto tempo duram?

    Os lóquios são secreções vaginais normais do pós-parto, compostas por sangue, muco e tecido uterino, que indicam a cicatrização do local onde a placenta estava inserida.

    O sangramento dura, em média, de 3 a 6 semanas, evoluindo de um fluxo intenso e vermelho vivo (primeiros dias) para tonalidades rosadas, acastanhadas e, finalmente, amareladas ou brancas.

    5. Quando pode voltar a dirigir?

    Em partos normais, após 15 dias, se não houver dor. Na cesárea, recomenda-se esperar 20 a 30 dias, pois movimentos bruscos no pedal podem causar dor ou afetar os pontos da cirurgia.

    6. Pode pintar o cabelo no resguardo?

    A maioria dos médicos recomenda esperar pelo menos 15 a 30 dias e priorizar tinturas sem amônia, especialmente se estiver amamentando, para evitar a absorção de substâncias químicas pelo bebê.

    7. Por que sinto tanto suor à noite?

    É a sudorese puerperal. O corpo está eliminando o excesso de líquido retido durante a gravidez e lidando com a queda drástica de estrogênio. É normal e passageiro.

    Confira: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    No Brasil, cerca de 12 milhões de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são registrados todos os anos — e os jovens e adolescentes representam quase 50% de todos os quadros. As ISTs são causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que podem ser transmitidas, principalmente, por meio da relação sexual sem preservativo.

    Diversas infecções podem permanecer silenciosas por longos períodos, sem causar sintomas perceptíveis, o que inclusive faz com que muitas pessoas não percebam que estão infectadas. Isso facilita a transmissão para outras pessoas e aumenta o risco de complicações mais sérias.

    Mas afinal, como reconhecer os sinais de alerta das ISTs? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender os tipos mais comuns de IST, os principais sintomas e quando procurar atendimento médico. Dá uma olhada!

    Quando desconfiar de uma infecção sexualmente transmissível?

    Nem sempre as infecções sexualmente transmissíveis provocam sintomas logo no início, o que torna comum a condição ser descoberta em exames de rotina ou quando surgem complicações. No entanto, o corpo pode dar sinais quando algo não está bem.

    A recomendação é ficar atento a qualquer mudança na região genital, anal ou bucal, especialmente após uma relação sexual sem preservativo, já que alterações como corrimento diferente do habitual, feridas, coceira, dor ou desconforto merecem avaliação.

    Quais os sinais de alerta para IST?

    Os sintomas de ISTs podem variar entre homens e mulheres, mas existem alguns sinais clássicos para ficar de olho, como:

    • Corrimento genital (uretral ou vaginal): diferente da secreção natural, o corrimento relacionado a IST costuma apresentar cor amarelada, esverdeada ou acinzentada, odor mais forte e pode vir acompanhado de coceira, ardência ou desconforto;
    • Feridas, bolhas ou úlceras: o aparecimento de feridas, com ou sem dor, representa um sinal importante de alerta, podendo surgir no pênis, na vulva, na vagina, no ânus e também na boca ou na garganta;
    • Verrugas genitais: pequenas elevações na pele que podem surgir isoladas ou agrupadas, normalmente indolores, embora possam causar coceira ou incômodo;
    • Dor ou ardor ao urinar: a sensação de queimação, ardência ou desconforto ao urinar é um sintoma frequente em infecções que atingem a uretra e deve ser investigado;
    • Dor durante a relação sexual ou no baixo ventre: nas mulheres, a dor profunda durante a relação íntima ou um desconforto persistente na região inferior do abdome pode indicar infecção que atingiu estruturas internas, como útero e trompas, quadro conhecido como doença inflamatória pélvica (DIP).

    Tipos mais comuns de IST (e os sintomas específicos)

    As ISTs consistem em um conjunto muito amplo de condições. De acordo com Andreia, elas vão desde infecções identificadas por exames de sangue, como HIV, hepatite B, hepatite C e sífilis, até aquelas diagnosticadas a partir da coleta de material dos órgãos genitais, como secreções, raspados de úlceras ou bolhas.

    Elas podem ser causadas por bactérias, vírus ou outros microrganismos, e cada uma age de maneira diferente no organismo. Veja algumas das mais comuns a seguir:

    Sífilis

    A sífilis é uma infecção causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. Ela costuma começar com uma ferida única e indolor na região íntima, na boca ou no ânus, que desaparece sozinha após alguns dias ou semanas.

    Mesmo quando a ferida some, a bactéria continua no corpo e pode evoluir para fases mais graves, causando manchas na pele, febre, queda de cabelo e, em estágios avançados, danos ao coração e ao sistema nervoso.

    A infecção tem cura, e o tratamento é feito com o uso de remédios antibióticos, geralmente à base de penicilina (benzetacil), administrada em uma ou três doses, dependendo do estágio da doença, de acordo com Andreia.

    Gonorreia

    A gonorreia é uma infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que costuma atingir principalmente a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta, sendo transmitida normalmente por meio da relação sexual sem preservativo.

    Ela pode provocar corrimento amarelado ou esverdeado, dor ou ardor ao urinar e, em alguns casos, desconforto durante a relação sexual. Nas mulheres, é comum a ausência de sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações.

    O tratamento da gonorreia é feito com antibióticos, sendo o esquema mais comum a combinação de uma dose única injetável, normalmente ceftriaxona, associada a uma medicação por via oral, como a azitromicina.

    Clamídia

    A clamídia é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e está entre as ISTs mais comuns, principalmente entre jovens e adultos com vida sexual ativa.

    Assim como ocorre na gonorreia, a transmissão costuma acontecer durante a relação sexual sem preservativo, e a infecção pode atingir a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta.

    Ela pode provocar corrimento, ardor ao urinar, dor pélvica ou desconforto durante a relação sexual, mas é bastante comum não haver sintomas, especialmente nas mulheres, o que pode atrasar o diagnóstico. Quando não tratada, a infecção pode causar inflamações no útero e nas trompas, aumentando o risco de infertilidade e dor pélvica crônica.

    O tratamento da clamídia também é realizado com o uso de antibióticos, sendo a azitromicina, em dose única, ou a doxiciclina, administrada por cerca de sete dias, as opções mais frequentemente prescritas pelo médico.

    HPV (Papilomavírus Humano)

    O HPV é um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual, inclusive pelo contato íntimo pele a pele, mesmo quando não há penetração. Existem muitos tipos diferentes do vírus: alguns causam verrugas genitais, enquanto outros estão associados ao risco de câncer, principalmente no colo do útero, mas também no ânus, pênis e garganta.

    Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas visíveis e pode ser eliminada naturalmente pelo organismo ao longo do tempo. Quando surgem lesões, elas costumam aparecer como verrugas na região genital ou anal.

    Vale apontar que não existe um medicamento capaz de eliminar totalmente o vírus, mas há tratamentos eficazes para as lesões, além da vacina, que é uma importante forma de prevenção.

    Herpes genital

    O herpes genital é causado pelo vírus herpes simples, geralmente o tipo 2, e é transmitido principalmente pelo contato sexual sem preservativo. A infecção costuma provocar pequenas bolhas doloridas na região íntima, que se rompem, formam feridas e depois cicatrizam.

    Após o primeiro contato com o vírus, ele permanece no organismo e pode causar novas crises ao longo da vida, principalmente em períodos de estresse, cansaço, doença ou queda da imunidade.

    Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento com medicamentos antivirais ajuda a controlar os sintomas, reduzir a duração das crises e diminuir o risco de transmissão.

    HIV

    O HIV é o vírus da imunodeficiência humana e ataca diretamente o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra infecções. A transmissão acontece principalmente por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.

    Nos primeiros dias ou semanas depois da infecção, a pessoa pode ter sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, mal-estar, dor no corpo e ínguas, mas muitas pessoas não apresentam sinais.

    Sem tratamento, o vírus pode evoluir para a AIDS, fase mais avançada da infecção. Atualmente, o tratamento com medicamentos antirretrovirais permite que a pessoa tenha qualidade de vida, controle a infecção e, quando a carga viral está indetectável, não transmita o vírus por via sexual.

    Hepatite B e hepatite C

    As hepatites B e C são infecções virais que afetam principalmente o fígado e podem ser transmitidas por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê. Muitas vezes não causam sintomas no início, o que pode dificultar a identificação precoce.

    Quando sinais aparecem, podem incluir cansaço excessivo, náusea, dor abdominal, urina escura e pele ou olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia.

    A hepatite B pode ser prevenida por meio de vacina, que está disponível gratuitamente no calendário nacional de vacinação para todas as idades. A hepatite C, por outro lado, não possui uma vacina, mas tem tratamentos antivirais que conseguem eliminar o vírus do organismo na maioria dos casos.

    Quanto tempo após a relação os sintomas aparecem?

    O intervalo entre o contato com o agente infeccioso e o surgimento dos primeiros sintomas é chamado de período de incubação, e cada infecção tem um tempo diferente para começar a apresentar sinais no corpo.

    Em algumas ISTs, como a gonorreia, os sintomas podem surgir poucos dias após a relação sexual, geralmente entre dois e dez dias. Já em outras, como a clamídia, os sinais podem aparecer após uma ou duas semanas — embora seja comum a pessoa não sentir nada no início.

    A sífilis, por exemplo, pode provocar a primeira ferida entre dez e noventa dias após o contato. No caso do HIV, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe entre duas e quatro semanas depois da exposição, mas muitas não percebem nenhuma alteração por um período prolongado.

    Existe ainda a chamada janela imunológica, que corresponde ao período em que a infecção já ocorreu, mas os exames laboratoriais ainda podem não detectar o vírus ou a bactéria. Por isso, Andreia aponta que é recomendado repetir os exames cerca de seis meses após uma exposição de risco.

    Como é feito o diagnóstico das ISTs?

    O diagnóstico das infecções sexualmente transmissíveis costuma ser simples e rápido, já que o SUS disponibiliza testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultados que podem sair em cerca de 30 minutos, o que facilita o início do tratamento quando necessário.

    Nos casos em que há sintomas como corrimento, feridas ou verrugas, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada e, se for preciso, pede exames complementares, como a coleta de secreção, exames de sangue ou, em algumas situações específicas, a realização de biópsia.

    De acordo com Andreia, atualmente, são utilizados testes biomoleculares, como o PCR, que permitem identificar o material genético dos microrganismos e confirmar o diagnóstico com maior precisão.

    O que fazer ao suspeitar de uma infecção?

    Antes de qualquer coisa, diante de uma suspeita, é fundamental manter a calma e buscar orientação médica. A maioria das infecções sexualmente transmissíveis tem tratamento, e quanto mais cedo for feita a avaliação, maiores são as chances de resolver a infecção sem complicações.

    Veja algumas orientações:

    • Não use medicamentos por conta própria, pois pomadas, antibióticos ou qualquer outro remédio podem até aliviar os sintomas por um tempo, mas não resolvem o problema e podem dificultar o diagnóstico correto;
    • Evite relações sexuais até ter um diagnóstico. Dar uma pausa no contato íntimo ajuda a proteger você e outras pessoas até que a situação esteja esclarecida;
    • Procure atendimento em um serviço de saúde, como uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que oferecem atendimento gratuito, sigiloso e orientação adequada;
    • Converse com parceiros recentes para informar sobre, pois mesmo sem sintomas a pessoa pode precisar de avaliação e tratamento.

    Andreia ainda lembra que, no caso do HIV, existe a profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste no uso de medicamentos após uma situação de risco e deve ser iniciada, preferencialmente, até 72 horas após a exposição.

    Também existe a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de contato com o vírus e disponível no SUS. É uma medicação oral diária e, mais recentemente, de formulações injetáveis de longa duração, que ainda estão em processo de ampliação de acesso.

    Como prevenir uma IST?

    A principal forma de prevenção das ISTs continua sendo o uso de métodos de barreira, como a camisinha masculina ou feminina, durante todas as relações sexuais. Caso surjam sintomas ou ocorra uma relação sem proteção, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes.

    Em muitas situações, Andreia aponta que exames são indicados apenas pela exposição ao risco, mesmo quando não há sintomas aparentes.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. O preservativo protege 100% contra todas as ISTs?

    Não. Apesar de ser o método mais eficaz, o preservativo não protege totalmente contra infecções que podem ser transmitidas pelo contato com a pele ou mucosas não cobertas, como o HPV, a herpes genital e a sífilis.

    2. Posso pegar uma IST no banheiro público ou na piscina?

    É extremamente improvável. Os agentes causadores das ISTs geralmente não sobrevivem fora do corpo humano ou no ambiente (como água clorada). A transmissão ocorre quase exclusivamente pelo contato sexual (oral, vaginal ou anal).

    3. Se eu tratar uma IST uma vez, fico imune a ela?

    Não, as infecções bacterianas como sífilis e gonorreia não geram imunidade. Você pode ser infectado e precisar de tratamento novamente quantas vezes for exposto à bactéria.

    4. O que acontece se eu não tratar uma IST?

    As consequências podem ser graves, incluindo infertilidade (DIP), complicações na gravidez, danos ao sistema nervoso, doenças cardiovasculares e maior facilidade em contrair outras infecções, como o HIV.

    5. O que é corrimento “normal” e quando ele indica uma IST?

    O corrimento normal é transparente ou esbranquiçado e sem cheiro. Se ele mudar de cor (verde, amarelo, cinza), ficar espesso como leite coalhado ou tiver odor forte (semelhante a peixe podre), é sinal de infecção e deve ser avaliado.

    6. Existe vacina contra quais ISTs?

    Atualmente, as vacinas disponíveis e altamente eficazes são contra o HPV (previne verrugas e câncer) e a hepatite B. Para as demais, como HIV, sífilis e herpes, a prevenção depende do uso de barreiras (preservativos).

    Leia mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    A trombofilia é uma condição caracterizada por uma maior tendência do organismo à formação de coágulos sanguíneos, chamados de trombos. Em condições normais, após cumprir a função de conter um sangramento, os coágulos são gradualmente dissolvidos pelas proteínas do sistema fibrinolítico, permitindo o restabelecimento adequado do fluxo sanguíneo.

    Quando o quadro está presente na gravidez, que por si só já é considerada um estado pró-coagulante, ocorre a associação de dois fatores que favorecem a coagulação. A combinação pode elevar ainda mais o risco de formação de trombos e, consequentemente, exigir um acompanhamento médico mais cuidadoso.

    Afinal, o que é trombofilia na gravidez?

    A trombofilia na gravidez consiste em uma tendência aumentada à formação de coágulos, durante um período em que o próprio organismo já se encontra naturalmente mais propenso à coagulação.

    Mas afinal, como ocorre a formação de trombose? O sangue possui um sistema de coagulação que funciona como um mecanismo de proteção. Quando existe uma lesão em um vaso sanguíneo, as plaquetas se dirigem ao local e se agregam, formando um tampão inicial.

    Em seguida, entram em ação proteínas da coagulação que reforçam esse tampão, formando um coágulo capaz de estancar o sangramento. Após a cicatrização do vaso, outro sistema do organismo, chamado sistema fibrinolítico, atua dissolvendo gradualmente esse coágulo, permitindo a normalização do fluxo sanguíneo.

    Em casos de trombose, o processo não acontece de forma adequada. O coágulo se forma dentro de um vaso sem a presença de uma lesão que justifique essa coagulação. Isso pode levar à obstrução parcial ou total da circulação sanguínea, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos.

    Por que a gestação aumenta o risco?

    Durante a gestação, o corpo naturalmente aumenta a capacidade de coagulação como um mecanismo de proteção contra sangramentos no parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Isso ocorre porque o organismo se prepara para o momento do nascimento, quando existe a possibilidade de perda sanguínea significativa.

    Além do aumento dos fatores de coagulação, acontece também uma redução relativa dos mecanismos naturais anticoagulantes e uma diminuição da atividade do sistema fibrinolítico, responsável por dissolver os coágulos. As mudanças tornam o sangue mais propenso à coagulação ao longo de toda a gravidez.

    Para completar, o crescimento do útero passa a comprimir as veias da pelve e dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue ao coração. A circulação mais lenta favorece a estase sanguínea, condição que pode contribuir para a formação de trombos, especialmente quando existe alguma predisposição, como na trombofilia.

    Quais os tipos de trombofilia na gravidez?

    A trombofilia pode ser hereditária ou adquirida, de acordo com Andreia.

    Na forma hereditária, existe uma alteração genética herdada dos pais que interfere no sistema de coagulação do sangue, deixando-o mais propenso à formação de coágulos. Normalmente, o organismo mantém um equilíbrio entre os mecanismos que estimulam e os que controlam a coagulação.

    Quando ocorre essa alteração genética, o equilíbrio pode ser prejudicado, favorecendo a coagulação excessiva.

    Na trombofilia adquirida, a pessoa não apresenta trombofilia inicialmente, mas pode desenvolvê-la ao longo da vida. Algumas infecções virais, por exemplo, podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que interferem na coagulação, provocando esse desequilíbrio.

    Por isso, um exame feito em um determinado momento pode apresentar resultado normal, mas alterações podem aparecer com o passar do tempo. É uma condição que pode mudar ao longo da vida, o que torna importante a avaliação médica e o acompanhamento conforme cada situação.

    Quais as causas de trombofilia na gravidez?

    As principais alterações genéticas associadas ao desenvolvimento da trombofilia hereditária incluem mutações e deficiências que interferem diretamente no sistema de coagulação, aumentando a predisposição à formação de trombos. De acordo com Andreia, as mais frequentes incluem:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Deficiência de antitrombina III;
    • Deficiência de proteína C;
    • Deficiência de proteína S;
    • Hiper-homocisteinemia.

    A forma adquirida mais conhecida é a síndrome antifosfolípide, caracterizada pela formação de anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico.

    Sintomas de trombofilia na gravidez

    A trombofilia na gravidez muitas vezes não provoca sintomas diretos, principalmente quando ainda não ocorreu a formação de trombos. Em muitos casos, a suspeita surge apenas após exames ou diante de complicações gestacionais.

    Quando investigar a trombofilia?

    O ideal é que a investigação ocorra antes da gestação, especialmente quando existe histórico familiar de trombose ou episódio prévio na própria paciente. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado de maneira precoce, segundo Andreia.

    Também vale procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Abortos de repetição ou perdas gestacionais sem causa definida;
    • Óbito fetal tardio ou complicações placentárias, como insuficiência placentária;
    • Pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento fetal sem explicação clara;
    • Planejamento de gestação em mulheres com fatores de risco conhecidos.

    Na prática, muitas pacientes não apresentam antecedentes, e os exames não são solicitados de rotina, já que possuem custo elevado e indicação mais direcionada a grupos de maior risco. Em muitos casos, a investigação acaba acontecendo somente após o surgimento de complicações obstétricas.

    Possíveis complicações na gravidez

    Nem toda gestante com trombofilia apresentará complicações. No entanto, Andreia aponta que o risco tende a ser maior do que na população geral devido à associação de fatores que favorecem a formação de trombos durante a gestação. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Trombose na gestante, principalmente nos membros inferiores: a trombofilia aumenta a chance de formação de coágulos nas veias, sobretudo nas pernas. A condição pode causar dor, inchaço, sensação de peso e, se não tratada, pode evoluir para complicações mais graves;
    • Aborto de repetição: ocorre normalmente no primeiro trimestre, quando pequenos coágulos impedem que o embrião se fixe ou receba nutrientes;
    • Óbito fetal tardio: perda do bebê após a 20ª semana, muitas vezes causada por infartos placentários (áreas da placenta que morrem por falta de sangue);
    • Restrição de crescimento fetal (RCF): o bebê não recebe nutrientes e oxigênio suficientes, nascendo com peso muito abaixo do esperado para a idade gestacional;
    • Pré-eclâmpsia: a má formação dos vasos placentários devido à trombofilia pode causar um aumento severo da pressão arterial da mãe, colocando ambos em risco;
    • Descolamento prematuro de placenta (DPP): a formação de trombos nos vasos que ligam a placenta ao útero pode causar o seu descolamento antes da hora, gerando hemorragia e risco de vida imediato;
    • Insuficiência placentária: a placenta “envelhece” precocemente e deixa de cumprir sua função de troca de gases e nutrientes.

    Qual exame detecta a trombofilia na gravidez?

    O diagnóstico da trombofilia é realizado por meio de exames de sangue específicos que avaliam o funcionamento do sistema de coagulação e identificam alterações capazes de aumentar o risco de formação de trombos.

    No caso da trombofilia adquirida, o organismo produz anticorpos que interferem no processo normal de coagulação. Os exames mais comuns são:

    • Anticoagulante lúpico;
    • Anticardiolipina IgG e IgM.

    Já nas trombofilias hereditárias, em que alterações genéticas transmitidas pelos pais que podem favorecer a coagulação excessiva, a investigação pode incluir:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Dosagem de antitrombina III;
    • Dosagem de proteína C;
    • Dosagem de proteína S;
    • Avaliação dos níveis de homocisteína.

    Em algumas situações, principalmente nas formas adquiridas, os resultados podem variar ao longo do tempo. Um exame normal não exclui totalmente a possibilidade de alterações futuras, o que pode justificar acompanhamento médico conforme o histórico clínico.

    Tratamento da trombofilia durante a gravidez

    Durante a gravidez, os anticoagulantes orais não são indicados devido ao risco de malformações fetais. Mesmo anticoagulantes mais recentes ainda não possuem evidências suficientes de segurança para uso rotineiro nesse período.

    Por isso, o tratamento costuma ser feito com heparina, geralmente a enoxaparina aplicada por injeção sob a pele. O medicamento é considerado seguro na gestação e ajuda a evitar a formação de trombos, principalmente na placenta, o que contribui para um bom funcionamento placentário e para o desenvolvimento saudável do bebê.

    Em alguns casos, o médico também pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico, principalmente quando existe síndrome antifosfolípide.

    Cuidados no parto

    O principal risco do uso de anticoagulantes é o sangramento, então os remédios podem ser suspensos antes do parto. De acordo com Andreia, o ácido acetilsalicílico costuma ser suspenso por volta de 36 semanas de gestação, porque seu efeito dura mais tempo no organismo. Já a heparina tem ação mais curta e normalmente é suspensa cerca de 24 horas antes do parto.

    Quando o parto é programado, fica mais fácil controlar a suspensão dos medicamentos. O parto vaginal não é contraindicado e, muitas vezes, pode até ter menor risco de sangramento que a cesariana. Ainda assim, pela necessidade de planejamento, a cesariana acaba sendo escolhida em alguns casos.

    Também é importante ter cuidado com a anestesia, principalmente a peridural ou a raquidiana, porque pode haver risco de sangramento se o anticoagulante não tiver sido suspenso corretamente. Em situações de urgência, podem ser utilizados fatores de coagulação ou plasma para reverter o efeito dos anticoagulantes e garantir mais segurança para a gestante.

    Quais são os cuidados no puerpério em casos de trombofilia?

    O puerpério, período que começa logo após o parto, é considerado uma fase de maior risco para trombose. Isso acontece porque o organismo ainda permanece em estado pró-coagulante, além da recuperação do parto, das alterações hormonais e da possível redução da mobilidade nos primeiros dias.

    Por isso, alguns cuidados são importantes, especialmente para quem tem trombofilia, como:

    • Manter o uso correto dos anticoagulantes (quando prescritos): muitas mulheres precisam continuar a anticoagulação após o parto por algumas semanas. O tempo e a dose dependem da avaliação médica individual;
    • Evitar ficar muito tempo parada: levantar, caminhar e movimentar as pernas ajudam a melhorar a circulação e reduzem o risco de trombose. Mesmo após cesárea, a mobilização precoce costuma ser recomendada, conforme orientação médica;
    • Hidratação adequada: beber água regularmente ajuda a manter o sangue menos viscoso e favorece a circulação;
    • Observar sinais de trombose: inchaço, dor ou vermelhidão nas pernas, falta de ar súbita ou dor no peito devem ser avaliados rapidamente;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento: o seguimento médico no pós-parto é essencial para ajustar medicações, avaliar riscos e orientar a recuperação;
    • Planejamento contraceptivo adequado: Alguns anticoncepcionais hormonais podem aumentar o risco de trombose. Por isso, a escolha do método deve ser feita com orientação médica.

    Com acompanhamento adequado e atenção aos cuidados, o puerpério costuma ser seguro mesmo em mulheres com trombofilia.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Ter trombofilia significa que terei uma trombose?

    Não necessariamente. A trombofilia é um fator de risco, não uma sentença. Muitas mulheres descobrem a condição e, com o tratamento adequado, nunca chegam a ter um evento trombótico (como TVP).

    2. As injeções de heparina prejudicam o bebê?

    Não, a heparina não atravessa a barreira placentária. Ela age apenas no sangue da mãe para garantir que o fluxo para a placenta continue livre de coágulos.

    3. Pode tomar anticoncepcional se tiver trombofilia?

    Métodos que contêm estrogênio são estritamente contraindicados para quem tem trombofilia, pois aumentam drasticamente o risco de trombose. O ideal são métodos de progesterona isolada ou DIU de cobre/prata.

    4. O que fazer para diminuir os riscos naturalmente?

    Manter o peso controlado, não fumar (o cigarro é o pior inimigo da circulação), manter-se hidratada e praticar atividades físicas regulares para auxiliar o retorno venoso.

    5. Quais são os sinais de alerta de uma trombose venosa profunda (TVP)?

    Os sintomas frequentes ocorrem geralmente em apenas uma das pernas: inchaço repentino, dor que parece uma cãibra forte, vermelhidão e calor na região afetada (comumente na panturrilha).

    6. Como diferenciar um inchaço comum da gravidez de uma trombose?

    O inchaço gestacional normal costuma ser bilateral (nas duas pernas) e melhora ao elevar os pés. A trombose quase sempre é unilateral e a dor é persistente, não melhorando com o repouso.

    7. O que é a embolia pulmonar e como ela se relaciona com a trombose?

    A embolia ocorre quando um pedaço do coágulo da perna se solta e viaja até os pulmões. Os sintomas são falta de ar súbita, dor no peito ao respirar e tosse seca. É uma emergência médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Se você está tentando engravidar, é normal a expectativa vir acompanhada de ansiedade depois de interromper o método contraceptivo — e mesmo uma pequena demora pode te levar a acreditar que existe algum problema. Mas, na prática, o processo reprodutivo depende de vários fatores que variam entre pessoas, ciclos e fases da vida.

    Mesmo em condições ideais, a concepção pode não acontecer imediatamente, e o tempo necessário para ter um bebê pode ser maior do que você imagina. Por isso, saber o que é considerado normal ajuda a reduzir a angústia e a identificar o momento adequado para procurar uma avaliação médica. Vamos entender mais, a seguir!

    Quanto tempo demora para engravidar?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é considerado normal conseguir engravidar de forma natural dentro de um ano para quem tem menos de 35 anos. Isso acontece porque a chance mensal varia e, muitas vezes, o corpo precisa de tempo para ajustar ovulação, qualidade dos gametas e outros fatores.

    A maioria dos casais saudáveis concebe nos primeiros seis meses de tentativas, sobretudo quando há relações frequentes ao longo do ciclo menstrual e uma rotina reprodutiva sem fatores de risco. Mas, para mulheres acima dos 35 anos, o tempo de espera recomendado é menor porque a reserva ovariana costuma cair de forma mais acelerada a partir dessa faixa etária.

    Com o passar dos anos, o número de óvulos disponíveis diminui e a qualidade também se altera, o que reduz as chances por ciclo e pode aumentar a dificuldade para engravidar.

    Por que a fertilidade cai com o passar do tempo?

    A fertilidade diminui com o passar do tempo porque o organismo muda de maneira natural. A mulher nasce com todos os óvulos que terá durante a vida, e a reserva tende a diminuir mês após mês. A queda fica ainda mais acelerada e evidente após os 35 anos, já que a qualidade dos óvulos também passa por alterações que dificultam a fecundação.

    As mudanças naturais do corpo tornam alterações genéticas mais comuns com o passar dos anos, o que pode aumentar o risco de perdas gestacionais muito no início. No corpo masculino, isso também acontece, só que de maneira mais lenta: o volume do sêmen diminui aos poucos, os espermatozoides passam a se mover com menos rapidez e a qualidade dessas células é afetada pela idade.

    Vale apontar que a saúde também interfere na fertilidade, e condições como endometriose, miomas, alterações da tireoide, hipertensão, diabetes e inflamações silenciosas são mais frequentes com o envelhecimento. O acúmulo de hábitos como tabagismo, álcool em excesso, noites mal dormidas, estresse crônico e sedentarismo também afeta o sistema reprodutivo.

    Qual é a probabilidade de engravidar em cada ciclo?

    A chance média de concepção em cada ciclo varia entre 15% a 20% para mulheres jovens e sem problemas de fertilidade. A gravidez só acontece quando vários passos do corpo funcionam juntos no momento certo, como ovulação, encontro do óvulo com o espermatozoide e implantação no útero. Se qualquer uma dessas etapas não ocorre como deveria, as chances de engravidar diminuem.

    Mesmo em mulheres férteis, alguns ciclos podem ocorrer sem ovulação, e a funcionalidade das tubas nem sempre é totalmente previsível, mesmo quando estão permeáveis.

    Se houver relação sexual no período fértil, os espermatozoides precisam atravessar o muco cervical, alcançar o útero e seguir até as tubas, onde encontrarão o óvulo. Nessa etapa também existem variáveis: o muco pode não estar adequado, os espermatozoides podem não chegar ao óvulo ou não conseguir penetrá-lo para realizar a fecundação.

    É por isso que médicos consideram um período de seis meses a um ano, e não um único ciclo. Com o passar do tempo, várias tentativas aumentam a chance da gravidez acontecer.

    Não consigo engravidar naturalmente, o que pode ser?

    Não conseguir engravidar naturalmente é mais comum do que parece e pode ter várias explicações. De acordo com Andreia, entre as causas que podem influenciar na fertilidade, 40% são exclusivamente femininas, 40% exclusivamente masculinas e 20% envolvem ambos os parceiros. Também existe a chamada infertilidade inexplicada, quando nenhum exame consegue apontar um motivo claro.

    O tempo necessário para engravidar varia conforme idade, frequência das relações e, sobretudo, estilo de vida, que influencia diretamente a qualidade dos gametas.

    Entre os hábitos que prejudicam a fertilidade:

    • Tabagismo;
    • Má alimentação;
    • Sedentarismo;
    • Consumo frequente de álcool.

    Fatores masculinos incluem:

    • Caxumba com orquite;
    • Varicocele;
    • Torção testicular prévia ou atrofia;
    • Infecções urogenitais não tratadas;
    • Exposição a calor excessivo na região escrotal;
    • Uso de anabolizantes;
    • Distúrbios hormonais;
    • Doenças crônicas como diabetes e hipertensão grave.

    Fatores femininos incluem:

    • Infecções pélvicas (clamídia e gonorreia);
    • Doença inflamatória pélvica;
    • Endometriose;
    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Adenomiose;
    • Miomas submucosos;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Hiperprolactinemia;
    • Doenças autoimunes;
    • Menopausa precoce.

    Quando procurar avaliação médica durante as tentativas?

    • Menores de 35 anos: após 12 meses sem sucesso;
    • 35 a 39 anos: após 6 meses;
    • 40 anos ou mais: avaliação imediata.

    A investigação só deve ser feita após o período recomendado de tentativas. Se houver dúvidas sobre período fértil ou frequência das relações, uma consulta inicial com ginecologista ou urologista pode ajudar.

    Como é feita a investigação?

    Na mulher:

    • Exames hormonais;
    • Ultrassom transvaginal;
    • Histerossalpingografia.

    No homem:

    • Espermograma (avalia quantidade, morfologia e motilidade).

    O especialista também avalia rotina, hábitos e histórico de saúde.

    Tratamentos para infertilidade

    Medidas iniciais:

    • Mudança de hábitos;
    • Ajuste de peso;
    • Suplementação orientada;
    • Indução da ovulação.

    Baixa complexidade:

    • Relação programada;
    • Inseminação intrauterina.

    Alta complexidade:

    • Fertilização in vitro (FIV);
    • Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

    Todos os métodos devem ser orientados por médico. Tentativas caseiras são contraindicadas e oferecem riscos.

    Leia também: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Perguntas frequentes

    Tentativas mensais contam desde quando?

    Contam quando há relações frequentes, especialmente no período fértil.

    Ciclos regulares mudam o tempo de espera?

    Com ciclos regulares, mantém-se a orientação de tentar por até um ano antes de investigar.

    Anticoncepcional altera o prazo?

    A fertilidade geralmente retorna em poucas semanas.

    Sobrepeso interfere?

    Sim. Pode afetar hormônios e ovulação.

    Após remover o DIU, quanto tempo para engravidar?

    A fertilidade retorna imediatamente.

    Quantos dias depois da menstruação posso engravidar?

    No período fértil, geralmente entre 10 e 14 dias em ciclos de 28 dias.

    Como saber o dia exato da concepção?

    Não é possível determinar exatamente. A estimativa é feita com base na última menstruação e no ultrassom inicial.

    Confira: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

  • Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Nem toda mulher se sente confortável menstruando todos os meses. Seja por condições de saúde ou por sintomas intensos, como cólicas e fluxo pesado, o ciclo pode interferir na rotina e na qualidade de vida — levando muitas pessoas a considerarem a suspensão da menstruação sob orientação médica.

    Mas, do ponto de vista biológico, tem algum problema em interromper o ciclo? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza para entender se a decisão é segura, em quais casos a suspensão é indicada e quais medidas podem tornar o período menstrual mais tranquilo

    Qual o papel do ciclo menstrual?

    O ciclo menstrual faz parte do funcionamento natural do corpo feminino durante a fase reprodutiva. Basicamente, a cada mês, o organismo se prepara para uma possível gravidez, com alterações hormonais que estimulam a ovulação e o espessamento do endométrio, camada interna do útero.

    Quando a gravidez não acontece, ocorre a descamação desse tecido, o que provoca a menstruação.

    Além da função reprodutiva, o ciclo também influencia vários aspectos da saúde, como humor, energia, pele, sono e até desempenho físico. Por isso, qualquer decisão sobre parar ou não de menstruar deve ser feita com acompanhamento médico, considerando também o bem-estar da mulher.

    Suspender a menstruação é seguro?

    Na maioria dos casos, a suspensão da menstruação com métodos hormonais é considerada segura quando há acompanhamento médico. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, parar de menstruar não costuma provocar desequilíbrio hormonal nem alterações prejudiciais ao organismo.

    Ou seja, se a mulher deseja interromper a menstruação, seja por escolha pessoal ou por alguma condição de saúde, isso normalmente não causa problemas para a fertilidade.

    Os contraceptivos usados para parar a descida de sangue não mudam a fertilidade de base. O que pode acontecer é a pessoa já ter infertilidade e não saber, simplesmente porque nunca tentou engravidar.

    De qualquer forma, vale sempre avaliar o histórico de saúde, fatores de risco cardiovascular, presença de doenças hormonais ou ginecológicas e o método escolhido. Cada organismo reage de um jeito, por isso a orientação profissional ajuda a garantir mais segurança e tranquilidade.

    Quando parar de menstruar pode ser indicado?

    A suspensão da menstruação pode ser indicada tanto por motivos médicos quanto pessoais. Entre as condições, Andreia aponta:

    • Endometriose, que costuma causar dor intensa e pode piorar com os ciclos menstruais;
    • Miomas uterinos, que podem aumentar o fluxo e provocar sangramentos prolongados;
    • Anemia causada por menstruação muito intensa ou frequente;
    • Cólicas menstruais fortes, que atrapalham rotina, trabalho ou estudos;
    • TPM muito intensa ou transtorno disfórico pré-menstrual, com sintomas físicos e emocionais marcantes;
    • Fluxo menstrual muito abundante ou irregular.

    Ela também pode ser considerada quando a menstruação afeta a qualidade de vida, a rotina profissional, a prática esportiva ou o conforto pessoal.

    Em todos os casos, é fundamental conversar com o ginecologista para entender o que faz sentido para o seu corpo e para a sua rotina.

    Como é feita a interrupção da menstruação?

    A interrupção da menstruação normalmente é feita com métodos hormonais, que atuam reduzindo o espessamento do endométrio ou bloqueando a ovulação, como aponta Andreia:

    • Pílula anticoncepcional contínua combinada (estrogênio + progesterona): usada sem pausa para evitar o sangramento mensal;
    • Pílula só de progesterona: que também pode reduzir ou suspender a menstruação, embora às vezes cause escapes;
    • Implante hormonal (como Implanon): que bloqueia a menstruação em muitas mulheres, mas pode provocar sangramentos irregulares após alguns meses;
    • DIU hormonal: considerado um dos métodos mais eficazes, principalmente o Mirena, que possui maior dose hormonal e costuma inibir melhor o endométrio;
    • DIU hormonal com menor dose (como Kyleena): que pode reduzir o fluxo, mas nem sempre bloqueia totalmente.

    Vale lembrar que o DIU de cobre não suspende a menstruação e pode até aumentar o fluxo. Ele não contém hormônios e age principalmente dificultando a fecundação, por isso não costuma bloquear o ciclo menstrual.

    Também existem outras formas de interromper a menstruação, mas normalmente são usadas apenas em situações específicas e por tempo limitado. Um exemplo são os análogos de GnRH, medicamentos que induzem uma espécie de menopausa temporária ao bloquear totalmente o eixo hormonal.

    Segundo Andreia, eles costumam ser usados antes de cirurgias ginecológicas, como em casos de miomas grandes com anemia importante. O objetivo é reduzir o sangramento, melhorar a anemia e até diminuir o volume dos miomas, facilitando o procedimento cirúrgico. Normalmente, o uso dura de três a seis meses.

    Diferença entre parar a menstruação e ter sangramentos de escape

    Nem todo sangramento durante o uso de contraceptivos significa menstruação. O sangramento de escape pode acontecer quando o endométrio fica muito fino por ação hormonal e pequenos vasos acabam sangrando.

    O sangramento costuma ser mais leve, irregular e sem os sintomas típicos do ciclo menstrual. Pode acontecer principalmente nos primeiros meses de uso ou com métodos que liberam apenas progesterona.

    É possível parar a menstruação que já desceu?

    Não é possível parar a menstruação imediatamente depois que ela já começou, pois é um processo natural de descamação do útero.

    No entanto, é possível reduzir o fluxo ou a duração com acompanhamento médico, usando medicamentos hormonais ou anti-inflamatórios, ou métodos contínuos como anticoncepcional para regular ciclos futuros.

    As opções devem sempre ser avaliadas por um médico, já que a escolha do tratamento depende do histórico de saúde, da causa do sangramento e do objetivo da paciente. Por isso, jamais se automedique!

    Existe idade ideal para parar de menstruar?

    Não existe uma idade única válida para todas, mas em adolescentes, Andreia aponta que é preciso ter cautela maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, principalmente em relação à massa óssea.

    Mesmo assim, quando há indicação médica ou necessidade contraceptiva, o acompanhamento especializado permite avaliar riscos e benefícios.

    Na vida adulta, a decisão tende a ser mais simples, desde que não haja contraindicações clínicas. Em qualquer fase, a avaliação individual continua sendo o fator mais importante.

    Mudanças no estilo de vida podem ajudar no ciclo menstrual

    O funcionamento do ciclo menstrual não depende apenas dos hormônios, de modo que os hábitos no dia a dia podem influenciar nos sintomas e na regularidade da menstruação. Pequenos ajustes na rotina já podem ajudar, como:

    • Prática regular de atividade física: ajuda na regulação hormonal, melhora cólicas, sintomas de TPM e disposição geral;
    • Alimentação equilibrada e menos inflamatória: priorizar alimentos naturais, reduzir ultraprocessados, açúcar e gorduras em excesso;
    • Sono de qualidade: dormir bem favorece equilíbrio hormonal e estabilidade emocional;
    • Controle do estresse: técnicas de respiração, terapia, meditação ou momentos de lazer podem reduzir sintomas físicos e emocionais do ciclo;
    • Hidratação adequada: contribui para funcionamento metabólico, redução de inchaço e bem-estar geral.

    Vale ressaltar que as mudanças de estilo de vida não substituem o tratamento médico quando há doenças ginecológicas, mas funcionam como um suporte. Em muitos casos, melhorar hábitos já traz alívio significativo e ajuda a tornar o ciclo mais tranquilo.

    Perguntas frequentes

    1. O sangue não fica “preso” ou “acumulado” no corpo?

    Não, quando você usa um método para interromper o ciclo, o hormônio impede que a parede do útero (endométrio) engrosse. Se essa camada não cresce, não há o que descamar. Portanto, não há sangue acumulado.

    2. Parar de menstruar afeta a fertilidade no futuro?

    Não. Assim que você interrompe o uso do método hormonal, o corpo retoma o eixo natural de ovulação. A fertilidade não é prejudicada pelo tempo em que você ficou sem menstruar.

    3. Posso parar a menstruação por conta própria?

    Não é recomendado. É preciso uma avaliação médica para saber qual hormônio é compatível com seu histórico de saúde (pressão alta, tabagismo, risco de trombose, etc.).

    4. Quanto tempo demora para o corpo se adaptar e parar totalmente?

    Em média, de 3 a 6 meses. Durante esse período, o útero está se ajustando à nova carga hormonal.

    5. Posso usar o coletor menstrual ou absorvente interno enquanto me adapto?

    Sim. Durante a fase de adaptação, onde podem ocorrer os escapes, você pode usar qualquer método de higiene menstrual (absorventes, coletores, calcinhas absorventes). O uso de hormônios não interfere no uso desses produtos.

    6. Como fica a TPM quando paramos de menstruar?

    Na maioria dos casos, a TPM melhora significativamente ou desaparece, pois os sintomas são causados pelas flutuações hormonais do ciclo natural. Com o método contínuo, os níveis hormonais ficam estáveis, evitando os altos e baixos emocionais e físicos

  • Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    No fim de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agora oferecida gratuitamente pelo SUS. O imunizante é indicado principalmente para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem limite de idade para a mãe.

    O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de internação nessa fase.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender qual o melhor momento para tomar a vacina, se ela é segura durante a gestação e as possíveis reações adversas. Confira!

    O que é o VSR (vírus sincicial respiratório)?

    O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções nas vias respiratórias, podendo afetar nariz, garganta, brônquios e pulmões.

    Ele pode infectar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser a principal causa de bronquiolite e pneumonia em bebês e crianças pequenas.

    Na maioria dos adultos e crianças maiores saudáveis, a infecção costuma provocar sintomas parecidos com resfriado, como coriza, tosse, febre leve e mal-estar.

    Já em recém-nascidos, prematuros, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou baixa imunidade, o quadro pode ser mais intenso, com falta de ar, chiado no peito e necessidade de acompanhamento médico.

    Por que ele é perigoso para bebês?

    O vírus sincicial respiratório tem a capacidade de fundir células infectadas, formando grandes massas celulares que prejudicam o funcionamento normal das vias respiratórias.

    Em bebês, as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e sensíveis, de modo que quando ocorre uma inflamação associada ao excesso de muco, esses pequenos canais podem obstruir com facilidade, dificultando a passagem do ar e tornando a respiração mais trabalhosa.

    Por consequência, o bebê pode apresentar chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para mamar, cansaço e, em casos mais intensos, queda na oxigenação.

    Isso aumenta o risco de bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    Como funciona a vacina do VSR na gravidez?

    A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer uma proteína do vírus chamada proteína F, usada por ele para entrar nas células.

    As vacinas mais recentes, como Abrysvo e a Arexvy, conseguem manter essa proteína em um formato mais vulnerável, chamado pré-fusão, o que facilita a produção de anticorpos eficazes contra a infecção.

    Quando aplicada na gestação, o organismo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção inicial, especialmente importante nos primeiros meses de vida, fase em que o risco de bronquiolite e complicações respiratórias costuma ser maior.

    Após o nascimento, Andreia explica que a amamentação continua oferecendo anticorpos, ajudando na proteção inicial. Do ponto de vista do bebê, isso é chamado de imunização passiva, pois os anticorpos foram produzidos pelo organismo materno.

    Quanto tempo dura a proteção do bebê?

    A proteção costuma durar principalmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê é mais vulnerável às infecções respiratórias. Segundo Andreia, mesmo que o pequeno entre em contato com o vírus, a tendência é desenvolver um quadro mais leve, com menor risco de internação.

    Em geral, a proteção é mais significativa nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Com o passar dos meses, os anticorpos maternos diminuem naturalmente, porque foram produzidos pelo corpo da mãe e não pelo sistema imunológico do bebê.

    Quando tomar a vacina do VSR na gravidez?

    A recomendação costuma ser a vacinação a partir de cerca de 28 semanas de gestação. Segundo Andreia, entre 28 e 34 semanas costuma ser uma janela bastante favorável, pois aumenta a chance de o bebê já nascer com anticorpos circulantes.

    Quando a vacina é aplicada muito próxima ao parto, parte do benefício intrauterino pode ser menor, embora ainda exista proteção após o nascimento, especialmente por meio da amamentação.

    Ainda assim, cada gestação deve ser avaliada individualmente. Mesmo quando o prazo ideal já passou, pode haver benefício, por isso a orientação médica continua sendo fundamental.

    Intervalo com outras vacinas

    Existe a recomendação de manter um intervalo mínimo de cerca de 15 dias entre a vacina contra o VSR e a DTPa (difteria, tétano e coqueluche), que faz parte do calendário da gestante. Andreia explica que a orientação ajuda a garantir uma boa resposta do sistema imunológico e a evitar sobreposição de reações.

    Outras vacinas importantes nesse período incluem gripe, covid e hepatite B, dependendo do histórico vacinal de cada gestante. O esquema final pode variar conforme cada caso, por isso a orientação médica é sempre importante.

    Existe alternativa à vacina VSR?

    Além da vacinação durante a gestação, existe a possibilidade de usar anticorpos monoclonais diretamente no bebê após o nascimento. Eles não são uma vacina, mas uma forma de proteção temporária contra o vírus sincicial respiratório.

    Os anticorpos funcionam como uma defesa pronta, ajudando a reduzir o risco de infecção grave e internações, principalmente em bebês mais vulneráveis, como prematuros ou crianças com problemas respiratórios e cardíacos.

    No entanto, a proteção tem duração limitada, já que o organismo do bebê não produz esses anticorpos por conta própria.

    Quando não há contraindicação, a vacinação materna costuma ser a primeira escolha, pois protege o recém-nascido desde o nascimento e ainda traz benefício para a gestante. A decisão final deve sempre ser feita com orientação médica, considerando cada caso.

    Quais os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos colaterais da vacina contra o VSR costumam ser leves e semelhantes aos de outras vacinas. A reação mais frequente é dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, que normalmente melhora em poucos dias.

    Também podem surgir sintomas gerais leves, como cansaço, dor muscular, dor de cabeça ou febre baixa. Em alguns casos, a pessoa pode sentir mal-estar passageiro ou sintomas parecidos com um resfriado leve.

    As reações mais intensas são raras, mas mesmo assim, qualquer sintoma persistente ou diferente do esperado deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Quais as vacinas da VSR disponíveis?

    A principal e única vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) recomendada e disponível para gestantes no Brasil é a Abrysvo, fabricada pela Pfizer.

    Ela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo SUS, mas também pode ser encontrada em clínicas particulares e grandes redes de farmácias.

    Para outros públicos, como idosos, existem vacinas específicas contra o VSR disponíveis, como a Arexvy (GSK), mas a indicação pode variar. Por isso, a avaliação individual com um profissional de saúde continua sendo fundamental.

    Perguntas frequentes

    1. A gestante corre risco ao pegar VSR?

    Normalmente, em adultos saudáveis, o VSR causa apenas um resfriado. No entanto, em gestantes, as alterações no sistema imunológico e na capacidade pulmonar podem tornar qualquer infecção respiratória mais desconfortável e, em casos raros, evoluir para pneumonia.

    2. A vacina é feita de vírus vivo?

    Não, a vacina disponível para gestantes (Abrysvo) é de proteína recombinante (não viva). Ela contém apenas uma parte da estrutura do vírus, o que significa que é impossível contrair a doença através da vacina.

    3. Preciso de pedido médico para vacinar?

    No SUS, o cartão de pré-natal atualizado que comprove a idade gestacional costuma ser suficiente. Na rede particular, algumas clínicas podem solicitar o pedido do seu obstetra.

    4. Se eu já tive VSR antes, preciso tomar a vacina?

    Sim, pois a imunidade natural após uma infecção por VSR é temporária e não garante que você terá anticorpos suficientes para proteger o bebê na próxima gestação.

    5. Tive um bebê prematuro antes de conseguir me vacinar. O que fazer?

    Se o parto ocorrer antes da janela de vacinação ou antes de completar 14 dias da aplicação, o bebê pode não ter recebido anticorpos suficientes. Nesse caso, o pediatra pode recomendar o uso do Nirsevimabe (um anticorpo pronto) diretamente na criança logo após o nascimento.

    6. Tomei a vacina na gravidez anterior. Preciso tomar de novo nesta gestação?

    Sim. Assim como a vacina da gripe e a dTpa (coqueluche), é recomendado tomar uma nova dose a cada gestação para garantir que os níveis de anticorpos estejam no auge para serem transferidos ao novo bebê.

    7. A vacina contra VSR substitui a vacina da gripe?

    Não, pois são vírus diferentes. A vacina do VSR protege especificamente contra o Vírus Sincicial Respiratório, enquanto a da gripe protege contra o vírus Influenza. Ambas são fundamentais no pré-natal.