Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Em casos de emergências médicas, como condições que colocam a vida do paciente em risco, costuma ser necessária uma cirurgia imediata para evitar complicações graves, independentemente da fase da vida da pessoa. Mas o que acontece quando essas situações ocorrem durante a gravidez?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, quando se trata de uma emergência, a decisão sempre envolve avaliar os riscos e os benefícios, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Quando não há como esperar, a equipe médica avalia o momento da gestação, o tipo de cirurgia e as condições clínicas da gestante para reduzir ao máximo os riscos. Sempre que possível, o procedimento é planejado, mas, em situações urgentes, ele pode ser feito em qualquer fase da gravidez.

    É seguro realizar uma cirurgia durante a gravidez?

    A cirurgia pode ser realizada durante a gravidez quando há indicação, especialmente em situações de urgência ou emergência. Nesses casos, não operar pode trazer mais riscos do que o próprio procedimento.

    Em casos de emergência, a prioridade é a saúde da mãe, porque o bem-estar materno está diretamente ligado à segurança do bebê. Quando a gestante está estável, as chances da gestação evoluir bem são maiores.

    Quando a cirurgia na gravidez pode ser necessária?

    A cirurgia durante a gravidez costuma ser indicada em situações que não podem esperar, como aponta Andreia:

    • Trauma com sangramento interno (abdômen agudo hemorrágico): são situações graves, com risco de vida, que exigem intervenção rápida para controlar o sangramento;
    • Apendicite aguda: é a inflamação do apêndice que pode evoluir com complicações se não for tratada rapidamente;
    • Colecistite aguda: consiste em uma inflamação da vesícula biliar causada por cálculos. A presença de cálculos isoladamente não indica cirurgia, mas a inflamação sim;
    • Obstrução intestinal: é o bloqueio no intestino que impede a passagem do conteúdo intestinal;
    • Torções (como torção de ovário ou intestinal): comprometem a circulação local e podem levar à perda do órgão se não tratadas;
    • Problemas vasculares: são alterações que afetam o fluxo sanguíneo e podem causar isquemia;
    • Hérnia encarcerada: quando parte do intestino fica presa e não retorna para a posição normal, com risco de comprometimento da circulação e morte do tecido.

    A cirurgia também pode ser necessária em casos de infecções graves ou quando há comprometimento de algum órgão. Nesses cenários, agir rapidamente evita complicações maiores.

    Como o tempo de gestação influencia a cirurgia?

    A equipe médica avalia com cuidado o estágio da gestação e adapta o procedimento para cada fase, sempre pensando na segurança da mãe e do bebê.

    1. Primeiro trimestre

    A realização de cirurgias é evitada no primeiro trimestre da gravidez, pois o bebê ainda está formando os órgãos, então há mais cautela com os medicamentos e com o estresse da cirurgia, que podem interferir no desenvolvimento.

    Ainda assim, quando há urgência, o procedimento é realizado com monitoramento rigoroso por ultrassom, segundo Andreia.

    2. Segundo trimestre

    O segundo trimestre costuma ser a fase mais segura para realizar cirurgias, quando há possibilidade de planejamento. O bebê já passou pela fase inicial de formação, e Andreia explica que o risco de aborto ou de parto prematuro é menor em comparação com os outros períodos.

    3. Terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, o principal cuidado é com o risco de parto prematuro. O útero também está maior, o que pode dificultar alguns tipos de cirurgia, principalmente na região abdominal. Por isso, o procedimento exige ainda mais planejamento e experiência da equipe.

    Tipos de anestesia usados com gestantes

    Sempre que possível, Andreia esclarece que a preferência é pela anestesia regional, pois ela reduz a exposição do bebê aos medicamentos.

    Ainda assim, a anestesia geral pode ser necessária em casos de emergências complexas, o que exige um monitoramento rigoroso para garantir que a oxigenação e a circulação da mãe estejam perfeitas, já que isso influencia diretamente o aporte de oxigênio para o bebê.

    Como o bebê é monitorado durante o procedimento?

    O monitoramento do bebé durante uma cirurgia de emergência depende da idade gestacional, pois a forma como o feto responde ao estímulo e a sua viabilidade mudam ao longo da gravidez.

    De acordo com Andreia, antes das 24 semanas, o acompanhamento é feito via ultrassom antes e depois do procedimento. Depois disso, ​​ já é possível realizar a cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos e o bem-estar fetal.

    A partir de aproximadamente 24 semanas, o bebê já tem alguma chance de sobreviver fora do útero com suporte de UTI neonatal. Em casos de sofrimento fetal, pode ser necessário antecipar o parto.

    Segundo a ginecologista, durante toda a cirurgia, é fundamental garantir uma boa oxigenação e uma boa circulação materna, pois isso influencia diretamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o bebê.

    Cuidados para reduzir riscos no pós-operatório

    Para garantir que a gestação continue com segurança após a cirurgia, são necessários alguns cuidados, como:

    • Estabilidade da mãe: manter uma boa oxigenação e circulação é o mais importante, porque o bebê depende disso;
    • Controle de contrações: em alguns casos, podem ser usados medicamentos para evitar contrações e reduzir o risco de parto prematuro;
    • Maturação pulmonar do bebê: se houver risco de parto antecipado, a mãe pode receber medicação para ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê;
    • Prevenção de trombose: como a cirurgia e a gravidez aumentam o risco, são adotadas medidas para evitar a formação de coágulos.

    No geral, tudo é pensado para proteger a mãe e o bebê ao mesmo tempo, com uma equipe preparada e um acompanhamento próximo em todas as etapas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A anestesia geral pode prejudicar a formação do bebê?

    No primeiro trimestre, há maior cautela, mas as anestesias modernas são seguras. Sempre que possível, prefere-se a anestesia regional para reduzir a exposição fetal.

    2. O bebê sente dor durante a cirurgia da mãe?

    Não. Os medicamentos anestésicos que a mãe recebe também garantem que o bebê não sinta desconforto durante o procedimento.

    3. Pode-se fazer cirurgia por vídeo (laparoscopia) em gestantes?

    Sim, a laparoscopia é frequentemente preferida por ser menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida e menos manipulação do útero.

    4. Uma cirurgia pode causar aborto ou parto prematuro?

    Existe um risco aumentado, especialmente se houver infecção ou inflamação grave no abdômen, mas a equipe utiliza medicamentos para inibir contrações e proteger a gestação.

    5. Grávidas podem operar hérnias?

    Apenas se a hérnia estiver “encarcerada” (presa), o que pode interromper a circulação do intestino. Caso contrário, a recomendação é aguardar o nascimento.

    6. Posso amamentar logo após uma cirurgia de emergência?

    Se o bebê nascer nesse período, a amamentação depende da estabilidade da mãe e dos medicamentos usados, mas geralmente é estimulada assim que a mãe desperta.

    7. Grávidas podem usar dreno após a cirurgia?

    Sim, grávidas podem usar dreno após uma cirurgia, caso o procedimento seja estritamente necessário. Isso não prejudica o bebê e ajuda na recuperação mais rápida da gestante.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Durante um processo de emagrecimento, o organismo precisa se adaptar a um estado de menor ingestão calórica e diminuição da massa corporal, o que pode causar algumas alterações no ciclo menstrual.

    O corpo feminino é muito sensível a mudanças de peso, podendo interferir diretamente na produção e no equilíbrio dos hormônios que regulam a menstruação. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o emagrecimento interfere no ciclo menstrual?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em casos de obesidade, pode acontecer a desregulação do ciclo menstrual porque o excesso de gordura corporal aumenta a produção de hormônios, especialmente os androgênios.

    O desequilíbrio hormonal pode levar a ciclos irregulares, mais espaçados e, em alguns casos, até à ausência de ovulação, algo bastante comum em quadros como a síndrome dos ovários policísticos.

    Quando há uma redução de peso, seja pela diminuição da ingestão calórica ou pela perda de gordura corporal, a produção excessiva de hormônios tende a diminuir. Aos poucos, o organismo volta a funcionar de maneira mais equilibrada, o que favorece a regularização do ciclo menstrual e da ovulação ao longo do tempo.

    E quando o emagrecimento é excessivo?

    Em caso de emagrecimento rápido e intenso, o organismo pode entrar em um estado de economia de energia, no qual passa a priorizar funções essenciais para a sobrevivência, como a respiração, a circulação e o funcionamento dos órgãos vitais.

    Nesses casos, o corpo entende que não é um momento favorável para uma possível gestação. Como consequência, pode haver redução na produção de hormônios reprodutivos, diminuição ou ausência de ovulação e alterações no ciclo menstrual, como:

    • Atraso na menstruação;
    • Ciclos irregulares;
    • Fluxo menstrual mais fraco;
    • Ausência de menstruação (amenorreia).

    Apesar de ser uma resposta natural do corpo, isso também mostra que ele está sobrecarregado e com pouca energia disponível, o que precisa de um acompanhamento adequado.

    Segundo Andreia, o ideal é manter um peso equilibrado, com uma quantidade adequada de gordura corporal para garantir uma produção hormonal adequada.

    O uso de análogos de GLP-1 causa mudanças no ciclo menstrual?

    Segundo Andreia, no caso de pessoas que estão em tratamento com análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, as alterações no ciclo menstrual estão muito mais relacionadas ao peso do que diretamente ao medicamento.

    Eles atuam imitando a ação de um hormônio natural do intestino, o GLP-1, que participa do controle da fome e da saciedade. De acordo com estudos, os remédios podem promover um emagrecimento rápido e significativo, com perdas que podem ultrapassar 15% a 20% do peso corporal.

    Como a perda acelerada pode incluir não apenas gordura, mas também massa muscular, é necessário manter o acompanhamento médico, a prática de atividade física e uma alimentação adequada ao longo do tratamento.

    Alterações na absorção de anticoncepcionais orais

    Com o uso dos análogos de GLP-1, Andreia aponta que pode ocorrer interferência na absorção de diversos remédios, em especial nos contraceptivos hormonais, tanto os combinados (estrogênio + progesterona) quanto os que têm apenas progesterona.

    Isso pode acontecer por três mecanismos principais:

    • Esvaziamento gástrico mais lento, que pode alterar a absorção dos medicamentos;
    • Efeitos adversos, como náuseas, vômitos e diarreia, que também podem prejudicar a absorção;
    • Perda de peso, que pode melhorar a ovulação em mulheres que tinham infertilidade associada à obesidade.

    Por conta disso, Andreia explica que têm sido observados casos de gestações não planejadas em mulheres que utilizam essas medicações, fenômeno que ficou popularmente conhecido como “bebês de Ozempic”.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e as fabricantes orientam que, ao iniciar o uso ou aumentar a dose dos medicamentos, seja utilizado um método contraceptivo adicional, como o preservativo, ou que se opte por um método que não seja via oral, como:

    • Injetáveis mensais;
    • Adesivo transdérmico;
    • Anel vaginal;
    • Implante subcutâneo, como o Implanon;
    • DIU.

    Todos os métodos utilizam vias de administração diferentes da via oral e, por isso, não são afetados da mesma forma pelos remédios.

    Quando as mudanças na menstruação são preocupantes? Todas as alterações na menstruação devem ser investigadas, segundo Andreia, especialmente mudanças no fluxo, no intervalo entre os ciclos ou na duração da menstruação.

    Nem sempre a causa está relacionada ao peso ou ao uso de medicamentos. As alterações podem ocorrer devido a condições como distúrbios da tireoide ou alterações nos níveis de prolactina, por exemplo.

    O ideal é sempre realizar uma avaliação com exames de sangue e uma investigação clínica adequada. Caso nenhuma outra causa seja identificada e a pessoa esteja em uso dessas medicações, a ginecologista explica que aí sim possível considerar uma relação com o tratamento.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O Ozempic altera diretamente os hormônios femininos?

    Não diretamente. As mudanças ocorrem principalmente devido à perda de gordura corporal (que produz estrogênio) e à melhora da resistência à insulina, o que acaba recalculando o eixo hormonal da mulher.

    2. Perder peso ajuda a regularizar a menstruação em quem tem SOP?

    Sim, a perda de peso reduz a gordura abdominal e a resistência à insulina, fatores que costumam diminuir a ovulação em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos.

    3. É normal sentir mais cólicas durante o tratamento para emagrecer?

    Pode acontecer devido às mudanças inflamatórias no corpo e à rápida mobilização hormonal. Se a dor for intensa ou incapacitante, é necessário procurar o médico.

    4. Quanto tempo o ciclo leva para normalizar após a perda de peso?

    Normalmente, o corpo leva de 3 a 6 meses para se adaptar ao novo peso e estabilizar a produção hormonal.

    5. Posso usar Ozempic ou Wegovy tentando engravidar?

    Não. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, devido à falta de estudos de segurança no feto.

    6. O que é a amenorreia hipotalâmica no emagrecimento?

    É a interrupção da menstruação porque o cérebro detecta um déficit calórico extremo, “desligando” o sistema reprodutor para poupar energia para funções vitais.

    7. Como diferenciar um atraso por emagrecimento de uma gravidez?

    Não há como diferenciar apenas pelos sintomas, pois o atraso menstrual é comum a ambos. O ideal é realizar um teste de gravidez de farmácia ou de sangue (Beta-hCG) ao notar qualquer atraso superior a uma semana.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    O Brasil está entre os países com maiores taxas de gravidez na adolescência no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 44 bebês nascem por hora de mães adolescentes (de 10 a 19 anos), totalizando mais de 400 mil casos por ano.

    As taxas são mais elevadas nas regiões Norte e Nordeste, frequentemente associadas à vulnerabilidade social, à baixa escolaridade e à falta de acesso à educação sexual. Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre como utilizar métodos contraceptivos corretamente coloca jovens meninas em situações de risco que poderiam ser evitadas.

    A realidade não afeta apenas a saúde das mães e bebês, com maiores riscos de complicações como parto prematuro, anemia e baixo peso ao nascer, mas também compromete a educação, a vida social e as oportunidades futuras das adolescentes.

    O que aumenta o risco de gravidez na adolescência?

    Diversos fatores contribuem para a gravidez e o parto na adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde:

    • Casamento infantil, que reduz a autonomia da adolescente sobre o próprio corpo;
    • Baixas perspectivas de educação e emprego, fazendo com que a maternidade seja vista como alternativa;
    • Dificuldade de acesso e falta de informações sobre métodos contraceptivos;
    • Falta de autonomia ou recursos financeiros para obter métodos contraceptivos;
    • Estigma ou vergonha ao buscar métodos de prevenção;
    • Leis e políticas restritivas que dificultam o acesso de adolescentes a contraceptivos;
    • Abuso sexual infantil;
    • Violência sexual fora de relações afetivas;
    • Violência física ou sexual por parceiro íntimo;
    • Desigualdade de gênero, que aumenta a vulnerabilidade das meninas.

    Segundo a OMS, milhões de meninas em todo o mundo engravidam antes dos 18 anos, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social, falta de acesso à informação e ausência de apoio adequado. Os fatores não atuam de forma isolada, mas costumam acontecer juntos, o que aumenta o risco de uma gravidez não planejada.

    Impactos da gestação no desenvolvimento da adolescente

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a adolescência é uma fase de desenvolvimento, tanto físico quanto psicológico.

    A adolescente já convive com diversas transformações hormonais, instabilidade emocional e formação de personalidade, e uma gravidez pode trazer impactos importantes para a saúde, rotina e para os planos de vida.

    Além das questões físicas, a adolescente ainda está em processo de construção da identidade, dos planos e da autonomia da própria vida, e a maternidade pode antecipar responsabilidades para as quais ela, muitas vezes, ainda não se sente preparada.

    A gravidez também também pode implicar o abandono de projetos, o afastamento do grupo social e a sensação de isolamento. Sentimentos de ansiedade, culpa e depressão pós-parto são mais frequentes entre mães jovens, especialmente quando há falta de suporte familiar ou do parceiro, que, em muitos casos, também é adolescente.

    Para se ter uma ideia, dados do IBGE apontam que mães adolescentes têm menor probabilidade de concluir o ensino médio e maior chance de permanecer em situação de pobreza na vida adulta — um ciclo que, sem intervenção, tende a se repetir nas gerações seguintes.

    Riscos e complicações na gravidez na adolescência

    O corpo de uma adolescente está menos preparado para suportar uma gestação, o que aumenta a incidência de complicações, como:

    • Parto prematuro (quando o bebê nasce antes do tempo);
    • Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez);
    • Anemia;
    • Infecções;
    • Deficiências nutricionais;
    • Maior necessidade de intervenções médicas;
    • Dificuldades no trabalho de parto.

    Já para o bebê, os riscos estão ligados, principalmente, ao fato do corpo da mãe ainda está em desenvolvimento, como:

    • Nascimento prematuro (antes das 37 semanas);
    • Baixo peso ao nascer;
    • Maior necessidade de internação neonatal;
    • Dificuldades respiratórias ao nascer;
    • Maior risco de infecções;
    • Atrasos no desenvolvimento (em alguns casos).

    A mortalidade materna é proporcionalmente mais alta nessa faixa etária do que entre mulheres adultas, e os bebês nascidos de mães adolescentes apresentam maior risco de baixo peso ao nascer e de mortalidade infantil.

    Riscos emocionais e sociais

    A gravidez na adolescência também pode trazer impactos significativos no campo emocional e social, como ansiedade, medo, insegurança e sensação de sobrecarga. A maternidade exige disponibilidade emocional, estabilidade e capacidade de cuidado que ainda estão em formação nessa fase da vida.

    Quando a jovem não conta com uma rede de apoio e um ambiente de acolhimento, os riscos para a saúde mental e para o convívio social aumentam consideravelmente, como:

    • Ansiedade e insegurança: causadas pelas incertezas sobre o futuro e as novas responsabilidades;
    • Sobrecarga emocional: sensação de esgotamento ao tentar conciliar a própria juventude com os cuidados do bebê;
    • Depressão pós-parto: maior incidência em mães adolescentes devido ao estresse e isolamento;
    • Transtornos de humor: agravados pela pressão social e mudanças hormonais;
    • Evasão escolar: muitas adolescentes se afastam dos estudos por vergonha, pressão institucional ou pela dificuldade prática de conciliar a rotina escolar com a maternidade;
    • Isolamento social: o círculo de amizades tende a diminuir, enfraquecendo o senso de pertencimento e as referências típicas da idade;
    • Restrição ao ambiente doméstico: a jovem pode acabar confinada aos cuidados da casa e do filho, o que aprofunda sua vulnerabilidade.

    O acolhimento familiar e escolar é o fator principal para reduzir os riscos, assegurando que a adolescente continue tendo perspectivas de futuro e suporte emocional no dia a dia.

    Como é feito o pré-natal na adolescência?

    O pré-natal na adolescência segue os mesmos cuidados de qualquer gestação, mas precisa de uma atenção mais próxima e acolhedora. O acompanhamento deve começar o quanto antes, idealmente no primeiro trimestre, e inclui, no mínimo, seis consultas ao longo da gestação, sendo a primeira antes da 12ª semana

    Durante as consultas, são realizados exames laboratoriais, ultrassonografias, monitoramento do ganho de peso, controle da pressão arterial e avaliação do desenvolvimento fetal. Por conta da maior suscetibilidade a complicações como anemia, pré-eclâmpsia e parto prematuro, o cuidado costuma ser ainda mais rigoroso do que em gestações de mulheres adultas.

    O pré-natal também inclui a atualização da carteira de vacinação, a orientação sobre alimentação adequada e a suplementação de vitaminas, como ácido fólico e ferro, que são importantes para a saúde da mãe e do bebê.

    Cuidados além do pré-natal

    Para além do cuidado com a saúde, Andreia explica que também é importante cuidar do lado emocional e da realidade em que a adolescente vive.

    A jovem precisa se sentir acolhida e segura para falar sobre medos, dúvidas e dificuldades, e um espaço de escuta contribui para fortalecer a confiança no acompanhamento e ajudar na tomada de decisões mais conscientes ao longo da gestação.

    Muitas vezes, é nesse momento que surgem questões delicadas, como conflitos familiares, inseguranças em relação à maternidade ou até situações de vulnerabilidade que precisam de atenção.

    O acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, nutricionista e, quando necessário, educador social, também permite identificar vulnerabilidades que vão além da saúde física, como situações de violência doméstica, ausência de suporte familiar ou dificuldade de acesso à documentação e benefícios sociais.

    Muitas vezes, pequenas intervenções, como orientação sobre direitos, encaminhamento para serviços públicos ou apoio emocional, já fazem uma grande diferença no dia a dia da jovem. Quando há acolhimento, orientação e suporte, as chances de uma gestação mais tranquila e segura aumentam, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Como prevenir a gravidez na adolescência?

    As principais formas de prevenção da gravidez na adolescência envolvem medidas sobre educação sexual, métodos contraceptivos e apoio familiar e social.

    Atualmente, a camisinha (feminina e masculina) é um dos métodos contraceptivos mais acessíveis e pode ser retirada gratuitamente em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de prevenir uma gestação, ela é o único método que protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, gonorreia e herpes genital.

    Além da camisinha, existem outros métodos contraceptivos que podem ser utilizados para aumentar a proteção, como:

    Métodos contraceptivos de longa duração (LARC)

    Os métodos de longa duração são os mais recomendados para adolescentes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São eles:

    • DIU (cobre ou hormonal): oferece proteção por 5 a 10 anos e pode ser revertido a qualquer momento;
    • Implante subdérmico: consiste em um pequeno bastão inserido sob a pele do braço que libera hormônios gradualmente por 3 anos.

    Andreia aponta que métodos que não dependem do uso diário costumam ser mais seguros na prática, porque não precisam ser lembrados todos os dias.

    Métodos de curta duração

    Os métodos de curta duração são aqueles que dependem do uso frequente ou da lembrança da jovem, como tomar um comprimido todos os dias ou trocar o método em intervalos curtos.

    Por isso, podem ter uma eficácia menor na prática, especialmente quando há esquecimentos ou uso incorreto. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Pílula anticoncepcional: comprimido tomado todos os dias, no mesmo horário, para evitar falhas;
    • Adesivo contraceptivo: colado na pele e trocado uma vez por semana, liberando hormônios de forma contínua;
    • Anel vaginal: colocado dentro da vagina e trocado mensalmente, permanecendo por três semanas seguidas;
    • Injeção hormonal: aplicada mensalmente ou a cada três meses, dependendo do tipo, com ação prolongada sem necessidade de uso diário

    Apesar de funcionarem bem quando usados corretamente, os métodos precisam de atenção e regularidade. Por isso, é importante escolher aquele que melhor se encaixa na rotina, sempre com orientação de um profissional de saúde.

    Educação sexual como medida de prevenção

    A educação sexual é uma das principais medidas para prevenir casos de gravidez na adolescência, além de ajudar crianças e adolescentes a conhecerem o próprio corpo, entenderem limites e desenvolverem a noção de consentimento.

    Mais do que apenas oferecer informação, Andreia explica que é fundamental criar espaços de diálogo, nos quais adolescentes se sintam à vontade para tirar dúvidas e conversar abertamente sobre o tema, sem medo ou julgamento.

    Nas escolas, o mais comum é a educação reprodutiva, que aborda como ocorre a gravidez, o uso de métodos contraceptivos e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Ela também orienta quanto às seguintes questões:

    • Uso de preservativo (masculino ou feminino), que previne tanto a gravidez quanto às infecções sexualmente transmissíveis;
    • Uso combinado de preservativo com outro método contraceptivo, aumentando a proteção;
    • Vacinação contra o HPV;
    • Acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual.

    Apesar de muito importantes para a saúde pública, o diálogo sobre educação sexual é igualmente necessário para falar sobre relações saudáveis, respeito, limites e autocuidado.

    Com acesso a informações claras e acolhimento, os adolescentes conseguem fazer escolhas mais conscientes e seguras, desenvolvendo mais autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado gravidez na adolescência?

    É a gestação em meninas de 10 a 19 anos, classificada pela OMS como um problema de saúde pública devido aos riscos ampliados para a saúde materna e infantil.

    2. Quais os primeiros sinais de gravidez na adolescência?

    Os sinais são os mesmos de uma gestação adulta: atraso menstrual, mamas sensíveis, náuseas matinais, cansaço excessivo e variações de humor. Em adolescentes, o atraso pode ser confundido com a irregularidade hormonal comum da idade.

    3. É possível engravidar na primeira relação sexual?

    Sim, se a adolescente estiver em seu período fértil e houver penetração sem proteção, a gravidez pode ocorrer independentemente de ser a primeira vez.

    4. O que é período fértil?

    É a fase do ciclo menstrual, cerca de 14 dias após a menstruação, em que a ovulação acontece e a concepção é mais provável.

    5. O teste de farmácia é confiável para adolescentes?

    Sim, os testes de farmácia modernos têm alta precisão (cerca de 99%) se feitos após pelo menos um dia de atraso menstrual.

    6. Menor de idade pode ir ao ginecologista sozinha?

    Sim. De acordo com o Código de Ética Médica no Brasil, adolescentes têm direito ao sigilo e à privacidade, podendo ser atendidas sozinhas se demonstrarem maturidade para entender sua situação de saúde.

    7. Tomar pílula do dia seguinte evita gravidez sempre?

    Não. A pílula do dia seguinte é um método de emergência e sua eficácia diminui com o passar das horas. Ela não deve substituir os métodos contraceptivos regulares.

    8. É normal a menstruação atrasar na adolescência sem ser gravidez?

    Sim. Nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação), o ciclo pode ser irregular devido à imaturidade do eixo hormonal. No entanto, se houve relação sexual, o teste é indispensável.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Ao longo do ciclo menstrual, ocorre uma série de mudanças hormonais que preparam o corpo para uma possível gravidez. os hormônios atuam de forma coordenada para estimular o amadurecimento do óvulo e preparar o útero para a implantação.

    Durante esse processo, existe um período específico em que a fertilidade aumenta significativamente: a janela fértil.

    A ovulação marca o ponto central do intervalo, momento em que o ovário libera o óvulo, que permanece viável por cerca de 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver no organismo por até cinco dias, o período em que a gravidez pode ocorrer é ampliado.

    Se você está planejando ter um bebê, ou mesmo deseja conhecer melhor o próprio corpo e evitar uma gravidez não planejada, entender como a janela fértil funciona pode te ajudar a tomar decisões mais conscientes ao longo do ciclo.

    O que é janela fértil?

    A janela fértil é o período do ciclo menstrual em que as chances de engravidar são maiores. Ela acontece ao redor da ovulação, que é o momento em que o ovário libera um óvulo pronto para ser fecundado.

    Mesmo que o óvulo sobreviva por apenas cerca de 24 horas, os espermatozoides podem permanecer vivos no organismo por até cinco dias, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Por isso, a janela fértil não se limita a um único dia, mas a um intervalo que inclui alguns dias antes da ovulação e, em alguns casos, o dia seguinte.

    Na prática, isso significa que relações sexuais que acontecem alguns dias antes da ovulação ainda podem resultar em gravidez, já que os espermatozoides podem permanecer no trato reprodutivo aguardando a liberação do óvulo.

    Como calcular a janela fértil?

    O cálculo da janela fértil gira em torno do dia da ovulação. Como o óvulo sobrevive por cerca de 24 horas e os espermatozoides podem permanecer vivos por até 5 dias, o período fértil não se limita a um único dia, mas inclui alguns dias antes e o próprio dia da ovulação.

    Para calcular, o primeiro passo é entender a duração do ciclo menstrual, que corresponde ao intervalo entre o primeiro dia de uma menstruação e o dia anterior da próxima. A partir dessa duração, é possível estimar o momento da ovulação, que normalmente acontece cerca de 14 dias antes da próxima menstruação. Por exemplo:

    • Ciclo de 28 dias, a ovulação tende a ocorrer por volta do 14º dia;
    • Ciclo de 30 dias, por volta do 16º;
    • Ciclo de 31 dias, por volta do 17º dia.

    A partir disso, a janela fértil é calculada voltando cerca de 5 dias a partir da data da ovulação e incluindo o próprio dia em que ela ocorre. Assim, em um ciclo de 31 dias, por exemplo, a janela fértil costuma ficar entre o 12º e o 17º dia do ciclo. Andreia lembra que a contagem sempre começa no primeiro dia da menstruação, que é considerado o dia 1.

    A ginecologista aponta que, como o ciclo pode variar de um mês para o outro, a orientação mais comum é manter relações sexuais a cada 2 ou 3 dias, o que aumenta as chances de que haja espermatozoides viáveis durante a ovulação, sem gerar ansiedade com cálculos exatos.

    Sinais do corpo durante a janela fértil

    Durante a janela fértil, o corpo costuma apresentar alguns sinais naturais que indicam que a ovulação está próxima ou acontecendo, como:

    • Aumento do muco cervical, que fica mais transparente, elástico e escorregadio, semelhante à clara de ovo;
    • Aumento da libido;
    • Leve dor ou desconforto na parte inferior do abdômen (dor do meio);
    • Aumento discreto da temperatura corporal basal após a ovulação;
    • Resultado positivo nos testes hormonais de LH;
    • Possível sensibilidade nas mamas.

    Quantos dias dura a janela fértil?

    A janela fértil costuma durar entre 5 e 6 dias ao longo do ciclo menstrual, pois os espermatozoides podem sobreviver por até 5 dias dentro do organismo e o óvulo vive cerca de 24 horas após a ovulação

    Por isso, a janela fértil inclui:

    • Os 3 a 5 dias antes da ovulação;
    • O dia da ovulação;
    • E, em alguns casos, até 1 dia depois

    Na prática, mesmo que a ovulação aconteça em um único dia, o período fértil é mais longo por causa da sobrevivência dos espermatozoides.

    Como aumentar as chances de engravidar na janela fértil?

    Para aumentar as chances de engravidar durante a janela fértil, é importante alinhar o momento das relações com o período em que o corpo está mais propício à fecundação, além de adotar alguns cuidados simples no dia a dia, como:

    • Ter relações de 2 a 3 dias antes da ovulação, e não apenas no dia exato;
    • Manter uma frequência regular, preferencialmente em dias alternados (dia sim, dia não);
    • Observar o muco cervical, que fica transparente, elástico e semelhante à clara de ovo;
    • Utilizar testes de ovulação para identificar o aumento do hormônio LH;
    • Evitar lubrificantes comuns que podem prejudicar a mobilidade dos espermatozoides;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como ácido fólico e zinco;
    • Reduzir o estresse, já que ele pode interferir no equilíbrio hormonal.

    No geral, para quem está tentando engravidar, Andreia recomenda manter relações regulares por alguns meses antes de iniciar uma investigação. A chance de gravidez por ciclo, mesmo em condições ideais, gira em torno de 25%, então é normal que leve algum tempo para acontecer.

    Quem toma anticoncepcional tem uma janela fértil?

    Pessoas que tomam anticoncepcional hormonal corretamente não tem janela fértil, pois os métodos como a pílula, o adesivo, o anel vaginal e a injeção inibem a ovulação. Sem a liberação do óvulo, não existe o período fértil como ocorre em um ciclo natural.

    Além disso, os métodos também deixam o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides, e alteram o revestimento do útero, reduzindo as chances de implantação.

    No entanto, vale apontar que se o anticoncepcional não for usado corretamente, seja por esquecer comprimidos, tomar fora do horário ou interromper o uso, pode acontecer a ovulação. Nesses casos, existe risco de gravidez, mas não se trata de uma “janela fértil” previsível como em ciclos naturais.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como calcular a janela fértil em um ciclo de 28 dias?

    Em um ciclo regular de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre no 14º dia. A janela fértil compreende os 3 dias antes e os 3 dias depois dessa data.

    2. É possível engravidar fora da janela fértil?

    Biologicamente, não. A gravidez só ocorre se houver um óvulo disponível. No entanto, como a ovulação pode atrasar ou adiantar, é difícil ter 100% de certeza de quando a janela termina.

    3. O teste de ovulação de farmácia é confiável?

    Sim, ele é bastante preciso ao detectar o aumento do hormônio LH, que acontece cerca de 24 a 36 horas antes da ovulação.

    4. Quantas vezes devo ter relação na janela fértil para engravidar?

    O recomendado é manter relações em dias alternados (dia sim, dia não). Isso garante um bom estoque de espermatozoides sem diminuir a qualidade do sêmen.

    5. O que acontece com o corpo se o óvulo não for fecundado?

    O óvulo se desintegra, os níveis de hormônios caem e o revestimento do útero é descartado, resultando na menstruação.

    6. A amamentação impede a janela fértil?

    Nem sempre. Embora a amamentação exclusiva possa inibir a ovulação em algumas mulheres, ela não é um método contraceptivo garantido. A janela fértil pode retornar a qualquer momento.

    7. O que é a temperatura basal e como ela indica a janela fértil?

    A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar. Após a ovulação, ela sobe cerca de 0,3°C a 0,5°C devido à progesterona. Ela não avisa quando a janela começa, mas confirma que a ovulação já ocorreu.

    8. É possível ovular duas vezes no mesmo mês?

    Sim, mas isso acontece em um intervalo de 24 horas (o que pode gerar gêmeos bivitelares). O corpo não inicia um novo processo de ovulação dias depois, pois os hormônios da segunda fase do ciclo impedem uma nova liberação de óvulos.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    A menopausa é uma fase natural do corpo da mulher, que acontece quando os ovários deixam de produzir hormônios e a menstruação para de forma definitiva, sendo confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar. Por isso, não é esperado nenhum tipo de sangramento nesse período, e qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Na maioria das vezes, o sangramento pós-menopausa está ligado a mudanças comuns da fase, como o afinamento dos tecidos íntimos ou alterações hormonais. Mesmo assim, ele também pode ser um dos primeiros sinais de problemas no útero, incluindo alterações no endométrio que precisam ser investigadas.

    O que pode ser sangramento após a menopausa?

    O sangramento após a menopausa, independentemente da causa, precisa ser investigado por um médico. A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza aponta algumas das possíveis causas:

    1. Atrofia genital

    A atrofia genital é causada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio no corpo, em que os tecidos do útero e da vagina passam por um processo de afinamento. Consequentemente, Andreia explica que a região fica mais delicada, menos hidratada e com os vasos mais expostos, o que facilita pequenos sangramentos, principalmente após atrito ou até de forma espontânea.

    2. Hiperplasia endometrial

    A hiperplasia acontece quando o endométrio (revestimento interno do útero) cresce mais do que o esperado, normalmente por estímulo hormonal, principalmente do estrogênio sem o equilíbrio da progesterona. O excesso de tecido pode se desprender de forma irregular, causando sangramento.

    Apesar de não ser um quadro de câncer, a hiperplasia é considerada uma alteração que pode evoluir, por isso exige acompanhamento e tratamento adequado, segundo Andreia.

    3. Pólipo endometrial

    O pólipo é um crescimento benigno que se forma dentro do endométrio, como uma pequena verruga. Ele é uma alteração localizada, mas pode causar sangramentos, especialmente fora do padrão esperado. Na maioria dos casos, é benigno, mas costuma ser removido para confirmar o diagnóstico e resolver o sintoma.

    4. Terapia de reposição hormonal desregulada

    A terapia de reposição hormonal é utilizada para aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor e ressecamento. No entanto, quando não está bem ajustada, também pode causar episódios de sangramento. Isso ocorre, principalmente, quando há uso de estrogênio sem a quantidade adequada de progesterona para equilibrar o efeito no endométrio.

    Com isso, o endométrio pode ficar mais espesso do que o normal e se desprender de forma irregular, provocando o sangramento, mesmo após a menopausa.

    5. Câncer de endométrio

    O câncer de endométrio é uma causa menos frequente, mas que sempre deve ser investigada, uma vez que cerca de 90% dos casos têm como primeiro sinal o sangramento após a menopausa. É o tipo mais comum de câncer uterino e, quando diagnosticado precocemente, possui taxas de cura que podem superar 90% em estágios iniciais.

    Vale destacar que, entre as mulheres que apresentam sangramento, apenas cerca de 5% terão câncer. O sangramento precisa ser investigado justamente por ser um possível sinal inicial, mas, na maioria dos casos, a causa não é maligna.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do sangramento após a menopausa começa sempre com uma avaliação médica, para entender quando o sangramento começou, a quantidade, se houve outros episódios e se a mulher faz uso de terapia hormonal. Depois, o primeiro exame solicitado é o ultrassom transvaginal, que permite avaliar a espessura e o aspecto do endométrio.

    • Em mulheres que não usam reposição hormonal, o esperado é um endométrio de até 4 mm;
    • Em quem usa reposição, o valor pode chegar até 8 mm.

    Caso tenha alterações nos valores ou um aspecto irregular, podem ser solicitados exames complementares, como a histeroscopia, em que é introduzida uma microcâmera dentro do útero, permitindo visualizar diretamente o endométrio.

    Durante a histeroscopia, também é possível retirar um pequeno fragmento do tecido (biópsia) para análise. O exame é necessário para confirmar o diagnóstico e descartar ou identificar alterações como hiperplasia ou câncer.

    Tratamento de sangramento pós-menopausa

    O tratamento do sangramento após a menopausa depende diretamente da causa, e apenas um médico pode indicar as melhores medidas, que costumam incluir:

    • Pólipo endometrial: o tratamento é a retirada do pólipo, geralmente por histeroscopia, um procedimento com microcâmera dentro do útero. O material é enviado para análise, e, na maioria dos casos, trata-se de uma alteração benigna;
    • Atrofia genital: pode ser tratada com o uso de estrogênio, principalmente na forma vaginal, ajudando a recuperar a espessura e a saúde do tecido, reduzindo o risco de novos sangramentos;
    • Hiperplasia endometrial: o tratamento envolve o uso de progesterona, que pode ser por via oral ou por meio de dispositivos como o DIU hormonal (Mirena), que atua diretamente no endométrio;
    • Terapia de reposição hormonal desregulada: é necessário ajustar o tratamento, corrigindo doses, tipos de hormônios ou a forma de uso, restabelecendo o equilíbrio entre estrogênio e progesterona;
    • Câncer de endométrio: o tratamento é oncológico e varia conforme o estágio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia ou outros métodos específicos.

    Mesmo que o sangramento seja leve ou pare sozinho, a investigação ainda é obrigatória. Muitas vezes, o câncer de endométrio apresenta um pequeno sangramento que cessa por semanas antes de retornar.

    Quando ir ao médico?

    É importante ir ao médico imediatamente após notar qualquer tipo de sangramento, mesmo que seja apenas uma gota ou uma mancha rosada no papel higiênico.

    Na pós-menopausa, o corpo não deve mais apresentar descamação do endométrio (menstruação), então o sangramento é sempre considerada anormal e precisa de investigação.

    Se o sangramento vier acompanhado de tontura, fraqueza extrema, palidez ou dor abdominal aguda, procure atendimento de urgência. Caso seja apenas um escape leve, agende seu ginecologista o quanto antes (preferencialmente para a mesma semana).

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Sangramento tipo “borra de café” é preocupante?

    Sim. Embora indique sangue antigo e geralmente esteja ligado à atrofia ou pólipos, ele ainda conta como sangramento pós-menopausa e exige diagnóstico.

    2. O sangramento pode ser causado por infecção?

    Sim, infecções vaginais ou uterinas (endometrite) podem causar inflamação e levar a pequenos sangramentos acompanhados de corrimento.

    3. Miomas podem causar sangramento na menopausa?

    É raro, pois os miomas costumam regredir após a menopausa. Se houver sangramento por miomas nesta fase, o caso exige atenção redobrada.

    4. Existe algum remédio caseiro para parar o sangramento?

    Não, nenhum chá ou remédio caseiro substitui a investigação médica. Tentar tratar em casa pode mascarar um sintoma grave e atrasar o diagnóstico.

    5. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa (quando os hormônios começam a oscilar). A menopausa propriamente dita é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses seguidos sem sangramento.

    6. Por que a pele fica mais seca na menopausa?

    A queda do estrogênio reduz a produção de colágeno e de óleos naturais da pele. Isso a torna mais fina, menos elástica e mais propensa a coceiras e descamações.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    A coceira vaginal é um dos sintomas mais comuns do dia a dia e pode surgir em qualquer fase da vida da mulher, desde a infância até a pós-menopausa. Normalmente, ela é temporária e está associada a causas como o uso de produtos inadequados para a higiene íntima ou o contato com tecidos sintéticos.

    No entanto, quando persiste ou vem acompanhada de outros sintomas, como corrimento, ardência ou odor diferente do habitual, ela pode indicar uma condição que precisa de atenção médica.

    Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza sobre o que pode causar a coceira vaginal, quando é necessário procurar um médico e quais medidas ajudam a prevenir o desconforto.

    O que pode causar a coceira vaginal?

    As causas da coceira vaginal são variadas e vão desde infecções até reações a produtos de uso cotidiano. Entre elas, é possível destacar:

    1. Reações alérgicas ou irritativas

    O contato com determinados produtos pode irritar a pele sensível da vulva e provocar coceira, vermelhidão e ardência, mesmo sem a presença de infecção. Os principais agentes irritantes incluem:

    • Cremes e géis íntimos;
    • Desodorantes e sprays íntimos;
    • Absorventes perfumados ou com componentes sintéticos;
    • Sabonetes com fragrância ou pH inadequado;
    • Papel higiênico perfumado;
    • Tecidos sintéticos ou materiais que retêm calor e umidade na região;
    • Látex de preservativos, em mulheres com sensibilidade ao material.

    Vale destacar que, nesses casos, a coceira não indica infecção e, portanto, não responde ao uso de antifúngicos ou antibióticos. O alívio costuma vir com a simples identificação e retirada do produto irritante, aliada a uma higiene adequada.

    2. Doenças dermatológicas

    As doenças dermatológicas são condições que afetam a pele, os cabelos, as unhas e as mucosas do corpo. Em alguns casos, elas podem afetar a região vulvar e causar coceira pessoal, e precisam de diagnóstico médico para ter o tratamento adequado. Andreia aponta as mais comuns:

    • Líquen escleroatrófico: é uma doença inflamatória crônica da pele, mais frequente em mulheres no climatério e após a menopausa, mas que pode aparecer em qualquer fase da vida. Além da coceira, também pode causar ressecamento e esbranquiçamento da pele da vulva;
    • Psoríase na vulva: é uma doença da pele de origem imunológica que pode surgir na região genital, causando placas avermelhadas, irritação e coceira. É frequentemente confundida com infecções fúngicas, o que atrasa o diagnóstico correto;
    • Dermatite de contato: é uma reação inflamatória provocada pelo contato direto da pele com alguma substância irritante ou alérgena. Na região vulvar, pode causar coceira intensa, vermelhidão, inchaço e ardência.

    Como as doenças dermatológicas da região vulvar têm tratamentos bastante específicos, a avaliação médica é necessária para identificar a condição correta e indicar a abordagem mais adequada.

    3. Infecções por fungos

    Os fungos estão entre as causas mais comuns de coceira vaginal, uma vez que se proliferam com facilidade em ambientes quentes e úmidos e podem afetar tanto a mucosa interna da vagina quanto a pele externa da vulva.

    De acordo com Andreia, as principais infecções fúngicas relacionadas ao sintoma são:

    • Candidíase vaginal: é provocada pelo fungo Candida albicans, que já existe naturalmente no organismo, mas pode se multiplicar em excesso quando a flora vaginal entra em desequilíbrio. Além da coceira, costuma causar ardência e corrimento branco e grumoso, parecido com leite coalhado;
    • Tinea cruris (micose da virilha): é uma infecção fúngica que atinge a pele da virilha e da vulva externa, diferente da candidíase, que afeta a mucosa interna. Ela provoca coceira, vermelhidão e descamação da pele, sendo mais comum em climas quentes e úmidos. O uso de roupas justas e tecidos sintéticos favorecem o surgimento da condição.

    Apesar de ambas serem causadas por fungos, candidíase e micose da virilha são condições diferentes, de modo que o tratamento não é o mesmo. Em todos os casos, procure um médico antes de iniciar qualquer tratamento.

    4. Herpes genital

    O herpes genital é uma infecção causada pelo vírus herpes simples (HSV), normalmente pelo tipo HSV-2, embora o tipo HSV-1 também possa provocar a doença. A transmissão ocorre principalmente por meio do contato íntimo durante relações sexuais com uma pessoa infectada.

    De acordo com Andreia, o herpes genital pode causar coceira na região vaginal, principalmente no início da infecção, antes mesmo de qualquer lesão aparecer. Depois, costumam surgir pequenas bolhas agrupadas que podem romper e causar feridas dolorosas.

    Os sintomas costumam ser mais intensos no primeiro episódio e podem voltar ao longo da vida, especialmente em momentos de estresse ou queda de imunidade.

    5. Alterações da flora vaginal, como a vaginose citolítica

    A vaginose citolítica é uma alteração da flora vaginal causada pelo crescimento excessivo das bactérias chamadas Lactobacillus, também conhecidas como Lactobacillus de Döderlein.

    De acordo com Andreia, as bactérias fazem parte da flora vaginal normal e ajudam a proteger a região íntima contra infecções, mas quando ocorre uma proliferação exagerada, o excesso de acidez pode irritar a mucosa vaginal. Como consequência, aparecem sintomas semelhantes à candidíase, como a coceira vaginal intensa, ardência na região íntima e corrimento.

    A ginecologista explica que o tratamento também pode envolver creme vaginal, mas com uma substância totalmente diferente da utilizada no tratamento da candidíase. Por isso, como existem doenças com sintomas muito parecidos, o exame médico é importante para identificar corretamente a causa.

    6. Alterações hormonais

    As variações nos níveis de hormônios, principalmente do estrogênio, influenciam diretamente a saúde da mucosa vaginal e o equilíbrio da flora da região íntima.

    O estrogênio ajuda a manter a vagina hidratada, com boa elasticidade e com uma flora vaginal equilibrada. Quando ocorre uma queda ou mudança na quantidade desse hormônio, a mucosa vaginal pode ficar mais seca, fina e sensível, o que favorece a coceira na região íntima.

    Uma das situações mais comuns em que isso acontece é durante o climatério e a menopausa, fases em que há redução natural do estrogênio, além da gravidez e do período pré-menstrual.

    Parasitas podem causar coceira na vulva?

    Na maioria das vezes, parasitas como o oxiúro não costumam causar coceira vaginal.

    O oxiúro é um pequeno verme branco, parecido com uma linha fina, que vive no intestino. Durante a noite, as fêmeas saem pelo ânus para depositar ovos na região perianal — e é esse movimento do verme, junto com a presença dos ovos, que provoca coceira intensa na região anal, e não vaginal.

    Segundo Andreia, eventualmente pode acontecer alguma colonização próxima à região vaginal e provocar coceira, mas a coceira anal costuma ser tão intensa que normalmente não deixa dúvidas de que a causa principal está na região anal, e não na vaginal.

    Quando procurar um médico?

    A coceira vaginal ocasional, sem outros sintomas associados, muitas vezes se resolve sozinha com alguns ajustes simples, como trocar o sabonete íntimo ou evitar roupas muito justas. No entanto, vale procurar um ginecologista quando a coceira:

    • For intensa ou persistir por mais de alguns dias;
    • Vier acompanhada de corrimento com cor, cheiro ou consistência diferente do habitual;
    • Causar ardência, inchaço ou vermelhidão na região;
    • Aparecer junto com feridas, bolhas ou lesões visíveis na vulva;
    • Piorar após as relações sexuais;
    • Se repetir com frequência, mesmo após tratamentos anteriores.

    Além disso, mulheres grávidas devem buscar avaliação médica assim que notarem qualquer sintoma, sem esperar para ver se melhora. Algumas infecções, quando não tratadas durante a gestação, podem trazer riscos para a mãe e para o bebê.

    O mesmo vale para quem tem diabetes ou alguma condição que comprometa a imunidade. Nesses casos, infecções como a candidíase tendem a ser mais recorrentes e podem precisar de um tratamento mais prolongado.

    O que é bom para coceira vaginal?

    Antes de qualquer coisa, vale destacar que o tratamento da coceira vaginal depende da causa. Não existe uma única medida que consegue resolver todos os casos, já que diferentes condições podem provocar o sintoma. O tratamento pode envolver o:

    • Uso de medicamentos antifúngicos quando a coceira é causada por candidíase. O tratamento pode ser feito com comprimidos por via oral ou com cremes vaginais prescritos pelo médico;
    • Uso de antibióticos específicos nos casos de vaginose bacteriana ou outras alterações da flora vaginal, que também precisam de avaliação médica para diagnóstico correto;
    • Suspender produtos que possam causar irritação, como sabonetes perfumados, desodorantes íntimos, cremes, duchas vaginais e absorventes que provoquem alergia ou sensibilidade na pele da vulva;
    • Uso de medicamentos tópicos anti-inflamatórios ou dermatológicos, quando a coceira está relacionada a doenças de pele, como líquen escleroatrófico ou psoríase;
    • Tratamento de alterações hormonais, principalmente durante o climatério ou menopausa, que pode incluir hidratantes vaginais ou terapias hormonais indicadas pelo ginecologista;
    • Uso de medicamentos antiparasitários, caso a coceira esteja relacionada a infecções por parasitas, como o oxiúrus.

    Por isso, diante de uma coceira vaginal persistente, intensa ou acompanhada de outros sintomas, como corrimento, odor forte, dor ou irritação, o mais indicado é procurar avaliação médica.

    Como aliviar a coceira vaginal em casa?

    A coceira vaginal pode ser bastante desconfortável, mas algumas medidas podem ajudar a aliviar o incômodo em casa enquanto a causa não é identificada, como:

    • Manter a região íntima limpa e bem seca após o banho;
    • Usar roupas íntimas de algodão, que permitem melhor ventilação da região;
    • Evitar roupas muito apertadas ou tecidos sintéticos;
    • Evitar sabonetes perfumados, desodorantes íntimos e duchas vaginais;
    • Trocar roupas de banho molhadas o mais rápido possível;
    • Evitar coçar a região para não provocar irritação ou pequenas lesões na pele;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com menor consumo de açúcar e carboidratos em excesso.

    Os cuidados podem ajudar especialmente quando a coceira é causada por reações alérgicas ou irritativas, em que o agente causador já é suficiente para resolver o problema. Mas, quando a origem é uma infecção ou uma condição dermatológica, elas não substituem a avaliação médica.

    Como prevenir a coceira vaginal?

    Nem sempre é possível evitar a coceira vaginal, já que algumas causas, como alterações hormonais, independem dos hábitos do dia a dia. Mas, em alguns casos, pequenas mudanças podem ajudar a reduzir as chances da coceira aparecer, como:

    • Lavar a região íntima com água e sabonete neutro, sem usar esponjas;
    • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados na região íntima;
    • Usar roupas íntimas de algodão, folgadas e trocadas diariamente;
    • Evitar ficar muito tempo com roupas de banho molhadas;
    • Evitar leggings e calças muito justas, especialmente em dias quentes;
    • Optar por absorventes, papel higiênico e produtos íntimos sem fragrância;
    • Usar camisinha nas relações sexuais;
    • Reduzir o consumo de açúcar e carboidratos refinados na alimentação.

    Por fim, lembre-se de manter as consultas ginecológicas em dia, pois várias condições que causam coceira vaginal podem estar presentes sem sintomas evidentes por um longo período, e só são identificadas durante um exame de rotina.

    A recomendação geral é realizar ao menos uma consulta por ano, mas mulheres com histórico de infecções recorrentes ou outras condições ginecológicas podem precisar de acompanhamento mais frequente, conforme orientação médica.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se a coceira é por fungo ou bactéria?

    Normalmente, a candidíase (fungo) causa coceira intensa e um corrimento branco espesso, semelhante a coalhada. A vaginose (bactéria) costuma causar um odor forte e corrimento acinzentado, com coceira menos intensa. Só um exame clínico confirma com precisão.

    2. O que pode ser a coceira apenas na parte externa (vulva)?

    Pode ser uma dermatite de contato. O uso de calças muito justas, sabonetes novos, amaciantes de roupa agressivos ou absorventes externos pode irritar a pele sensível da vulva.

    3. Por que sinto coceira logo após a menstruação?

    O sangue menstrual altera o pH vaginal (deixa-o menos ácido). Isso pode desequilibrar a flora e causar um leve crescimento de fungos ou bactérias logo após o ciclo.

    4. Existe algum remédio caseiro que ajuda?

    O banho de assento com bicarbonato de sódio (1 colher de sopa para 1 litro de água morna) ajuda a aliviar a coceira da candidíase ao alcalinizar levemente a região, mas ele alivia o sintoma, não cura a infecção sozinho.

    5. A depilação total pode causar coceira?

    Sim, pois os pelos formam uma barreira de proteção. Além disso, o atrito da lâmina ou da cera causa microlesões que, ao cicatrizar ou ao nascer o pelo, geram coceira e irritação.

    6. Quando a coceira vaginal é considerada grave?

    Quando ela vem acompanhada de feridas, bolhas, inchaço excessivo, dor ao urinar ou febre. Nesses casos, a busca por um ginecologista deve ser imediata.

    7. Coceira na gravidez é normal?

    É comum devido às alterações hormonais que mudam o pH vaginal, mas deve ser sempre relatada ao obstetra para evitar que uma infecção suba para o colo do útero.

    Leia mais: Sabonete íntimo é necessário? Conheça os cuidados e quando usar

  • Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    O cisto no ovário é uma alteração relativamente comum no sistema reprodutor feminino, afetando cerca de uma em cada três mulheres em algum momento da vida. Eles ocorrem principalmente em mulheres em idade reprodutiva (15 a 35 anos) e pré-menopausa.

    A maioria dos casos é benigno e desaparece espontaneamente sem necessidade de tratamento, mas dependendo do tipo, do tamanho ou das características da lesão, pode ser necessário acompanhamento médico para descartar possíveis complicações.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que causa o cisto no ovário, como é feito o diagnóstico e em que casos ele pode ser maligno. Confira!

    O que é cisto no ovário?

    O cisto no ovário é uma estrutura semelhante a uma pequena bolsa cheia de líquido que se forma dentro ou na superfície do ovário. Na maioria dos casos, é uma alteração benigna que surge como parte do funcionamento normal do ciclo menstrual, e pode aparecer na fase reprodutiva da mulher.

    Durante a ovulação, acontece a formação de um folículo que pode assumir o aspecto de um pequeno cisto. A estrutura costuma desaparecer naturalmente após algumas semanas, sem causar qualquer problema ou sintoma.

    Mas, em situações menos comuns, podem surgir cistos considerados complexos, que apresentam estruturas internas, septações ou componentes sólidos. Nesses casos, existe a necessidade de investigação mais detalhada, pois alguns cistos complexos podem estar associados a tumores ovarianos, incluindo formas malignas.

    Tipos de cistos ovarianos

    Os cistos ovarianos podem ser classificados de acordo com a origem e as características observadas no ultrassom. Andreia aponta os seguintes:

    1. Cisto folicular (fisiológico)

    O cisto folicular é um dos tipos mais comuns de cisto no ovário e está diretamente ligado ao funcionamento normal do ciclo menstrual. Durante cada ciclo, um folículo se desenvolve no ovário para liberar um óvulo no momento da ovulação.

    Quando o folículo cresce, mas não se rompe no momento esperado, o líquido permanece em seu interior e forma um pequeno cisto.

    Frequentemente, o cisto folicular não provoca sintomas e desaparece espontaneamente no ciclo menstrual seguinte.

    2. Cisto de corpo lúteo

    O cisto do corpo lúteo aparece após a ovulação. O folículo que liberou o óvulo sofre modificações e passa a produzir progesterona para sustentar uma possível gestação, segundo Andreia.

    Em alguns casos, o corpo lúteo pode se fechar e acumular líquido ou até pequenas quantidades de sangue em seu interior, formando um cisto temporário, que desaparece espontaneamente após algum tempo.

    3. Cisto hemorrágico

    O cisto hemorrágico ocorre quando há sangramento dentro de um cisto funcional, como um cisto folicular ou de corpo lúteo. O sangue acumulado altera o aspecto do cisto no ultrassom e pode provocar dor abdominal ou pélvica.

    Apesar de causar desconforto em alguns casos, ele costuma se resolver naturalmente ao longo de algumas semanas, à medida que o organismo reabsorve o sangue presente no interior da estrutura.

    4. Endometrioma

    O endometrioma é um tipo de cisto associado à endometriose, uma doença em que o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora do local habitual.

    Quando o tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto que acumula sangue antigo, frequentemente chamado de “cisto de chocolate” devido ao aspecto escuro do conteúdo. Apesar de benigno, o endometrioma pode causar dor pélvica, cólicas intensas e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.

    5. Cistos benignos não fisiológicos

    Existem também cistos que não fazem parte do ciclo hormonal normal, mas que ainda são considerados benignos. Eles podem surgir por diferentes motivos e, muitas vezes, apresentam crescimento mais lento.

    Dependendo do tamanho, das características observadas no ultrassom e da presença de sintomas, o médico pode indicar apenas acompanhamento periódico ou, em alguns casos, a retirada cirúrgica da lesão.

    7. Tumores borderline

    Os tumores borderline são lesões ovarianas que apresentam baixo potencial de malignidade. Elas não são consideradas câncer invasivo, mas possuem características celulares que exigem maior atenção e acompanhamento médico.

    Os tumores podem crescer e causar alterações no organismo, como aumento do volume abdominal ou presença de líquido na cavidade abdominal. O tratamento normalmente envolve avaliação especializada e, em muitos casos, cirurgia.

    8. Tumores ovarianos malignos

    Os tumores malignos do ovário são menos frequentes quando comparados aos cistos benignos, mas precisam de uma investigação cuidadosa e tratamento adequado.

    Elas podem apresentar componentes sólidos, estruturas internas complexas ou alterações específicas nos exames de imagem. Quando há suspeita de malignidade, o médico pode solicitar exames complementares e indicar cirurgia para confirmação diagnóstica e tratamento, de acordo com Andreia.

    Quais os sintomas de cisto no ovário?

    O cisto no ovário normalmente não provoca sintomas e costuma ser identificado em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, eles tendem a estar relacionados ao aumento do tamanho do cisto ou a complicações. Os principais incluem:

    • Dor pélvica ou abdominal;
    • Sensação de pressão ou peso na região inferior do abdômen;
    • Distensão abdominal;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Alterações no ciclo menstrual;
    • Dor súbita e intensa quando ocorre ruptura do cisto;
    • Dor aguda associada à torção do ovário;
    • Náuseas ou mal-estar em casos de complicação.

    Segundo Andreia, os sintomas podem aparecer especialmente quando o cisto se rompe, quando cresce muito e provoca efeito de massa (distende o abdômen pela presença de um volume grande) ou, eventualmente, quando ocorre a torção do ovário.

    O que causa o cisto no ovário?

    A causa mais comum do cisto no ovário está relacionada ao próprio processo de ovulação. Durante o ciclo menstrual, os ovários formam folículos que contêm os óvulos. Em algumas situações, o folículo pode não romper ou pode se fechar após a ovulação, acumulando líquido e formando um cisto.

    Além do processo natural de ovulação, o cisto no ovário também pode surgir associado a algumas condições de saúde ou alterações no organismo, como:

    • Alterações hormonais: podem interferir no funcionamento normal do ciclo menstrual e favorecer a formação de cistos ovarianos, principalmente quando há irregularidade na ovulação;
    • Endometriose: ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Quando esse tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto chamado endometrioma;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): é uma condição hormonal caracterizada pela presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários, associada a alterações hormonais que podem afetar a ovulação.
    • Inflamações pélvicas: podem atingir os ovários e favorecer o surgimento de cistos ou outras alterações nas estruturas reprodutivas;
    • Tumores ovarianos benignos ou malignos, em situações mais raras.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do cisto no ovário é feito principalmente por meio do ultrassom pélvico ou transvaginal, de acordo com Andreia. O exame permite visualizar os ovários e identificar a presença de estruturas císticas.

    Além de detectar o cisto, o ultrassom ajuda a avaliar:

    • Tamanho;
    • Formato;
    • Conteúdo interno;
    • Espessura da parede;
    • Presença de estruturas sólidas.

    As características ajudam o médico a diferenciar cistos benignos de lesões que necessitam de investigação adicional. Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares, como exames laboratoriais ou ressonância magnética.

    Na suspeita de cistos malignos, a ginecologista explica que é necessário uma uma biópsia com exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico. A partir da avaliação microscópica do material, é possível determinar se a lesão é benigna, borderline ou maligna, além de orientar o tratamento mais adequado para cada caso.

    Tratamento de cisto no ovário

    O tratamento depende do tipo de cisto, do tamanho, dos sintomas apresentados e da idade da paciente. Segundo Andreia, muitos cistos desaparecem espontaneamente e apenas necessitam de acompanhamento com exames periódicos.

    Quando o cisto apresenta características benignas e não causa sintomas, o médico pode optar apenas pela observação.

    Em situações específicas, pode ser necessário tratamento medicamentoso ou cirurgia para retirada do cisto, principalmente quando há crescimento progressivo, dor intensa ou suspeita de malignidade.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A cirurgia pode ser indicada quando existem sinais que sugerem risco ou quando o cisto provoca sintomas importantes:

    • Cistos grandes, principalmente quando ultrapassam cerca de 5 a 10 cm;
    • Dor pélvica persistente ou intensa associada ao cisto;
    • Ruptura do cisto com sangramento importante;
    • Torção do ovário, situação de urgência que causa dor intensa;
    • Características suspeitas no ultrassom, como partes sólidas, septações espessas ou projeções internas;
    • Suspeita de tumor ovariano, quando há risco de malignidade.

    A cirurgia também pode ser considerada quando o cisto interfere na fertilidade ou quando está relacionado a doenças como a endometriose.

    Frequentemente, o procedimento é feito por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva realizada com pequenas incisões no abdômen. Em casos mais complexos ou quando existe suspeita de câncer, pode ser necessário um procedimento cirúrgico mais amplo.

    Remédio para desmanchar o cisto no ovário

    Não existe um medicamento que literalmente “desmanche” o cisto ovariano já formado. O próprio organismo tende a reabsorver o cisto naturalmente ao longo de alguns ciclos menstruais.

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode ser indicado em algumas situações, para impedir a ovulação e reduzir a formação de novos cistos funcionais. Mas, em todo caso, a indicação do remédio depende sempre da avaliação médica.

    Cisto no ovário impede a gravidez?

    Os cistos no ovário não costumam impedir a gravidez, uma vez que vários são fisiológicos e fazem parte do funcionamento normal do ciclo menstrual.

    Algumas condições associadas aos cistos podem afetar a fertilidade, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos. Mas ainda assim, muitas mulheres com as condições conseguem engravidar com acompanhamento médico adequado e tratamento quando necessário.

    É possível evitar o cisto no ovário?

    Nem sempre é possível evitar a formação de cistos no ovário, pois muitos deles surgem naturalmente durante o ciclo menstrual, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco ou facilitar a identificação precoce:

    • Realizar consultas ginecológicas regulares;
    • Fazer exames de rotina, como o ultrassom pélvico ou transvaginal quando indicado;
    • Utilizar métodos contraceptivos hormonais quando recomendados pelo médico, pois eles podem impedir a ovulação e diminuir a formação de cistos funcionais;
    • Tratar condições hormonais ou ginecológicas que possam favorecer o surgimento de cistos.

    O acompanhamento médico é importante para avaliar cada caso individualmente e indicar a melhor abordagem quando necessário.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Cisto no ovário é perigoso?

    Não na maioria das vezes. A maior parte é funcional e desaparece sozinha. O perigo surge se o cisto for muito grande, houver suspeita de malignidade ou se ele causar a torção do ovário

    2. Qual o tamanho de um cisto no ovário que precisa de cirurgia?

    Geralmente, cistos maiores que 5 a 10 centímetros, ou aqueles que apresentam características sólidas e crescem rapidamente, têm indicação cirúrgica.

    3. Quem tem cisto no ovário pode ter relação sexual?

    Sim, mas se o cisto for grande, a relação pode causar desconforto ou dor (dispareunia). Em casos de cistos volumosos, há um risco pequeno de ruptura durante o ato.

    4. O que acontece se o cisto no ovário romper?

    A ruptura causa uma dor súbita e aguda no baixo ventre. Em alguns casos, o corpo reabsorve o líquido, mas em outros, pode haver sangramento interno, exigindo observação médica imediata.

    5. Quem tem cisto no ovário pode tomar anticoncepcional?

    Sim, o anticoncepcional é frequentemente usado para evitar que novos cistos se formem, embora ele não trate o cisto que já está presente. Mas a prescrição deve ser feita apenas por um médico.

    6. O cisto no ovário pode virar câncer com o tempo?

    Um cisto benigno dificilmente se transforma em câncer. O que acontece é que um tumor pode ser confundido com um cisto simples no início, por isso o acompanhamento com exames de imagem é vital.

    7. Quem tem cisto no ovário pode fazer exercícios físicos?

    Na maioria dos casos, sim. No entanto, se o cisto for volumoso (acima de 5 cm), médicos recomendam evitar atividades de alto impacto ou saltos, devido ao risco de torção ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo. A condição ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste internamente o útero, cresce fora do local habitual, podendo provocar dor pélvica, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

    A doença se manifesta de formas diferentes em cada mulher e, em alguns casos, pode evoluir para formas mais complexas, como o endometrioma, um tipo de cisto que se forma no ovário a partir do acúmulo de tecido endometrial e sangue antigo, frequentemente associado à endometriose ovariana.

    Em muitos casos, o endometrioma é identificado durante exames de imagem, como o ultrassom, e pode surgir tanto em mulheres com sintomas quanto em pacientes que realizam investigação ginecológica de rotina.

    O que é endometrioma e como ele se forma?

    O endometrioma, popularmente conhecido como “cisto de chocolate”, é um tipo específico de cisto no ovário que surge como uma complicação da endometriose. Ele se desenvolve quando células semelhantes ao tecido endometrial se implantam na superfície ou no interior dos ovários e passam a responder aos estímulos hormonais do ciclo menstrual.

    A cada ciclo menstrual, as células também sofrem sangramento, assim como ocorre com o endométrio dentro do útero. No entanto, por estarem fora do local habitual, o sangue não encontra saída e se acumula progressivamente, formando uma cavidade preenchida por um líquido espesso, de coloração escura.

    Com o passar do tempo, o cisto pode crescer e comprimir o tecido ovariano saudável ao redor, reduzindo a reserva de folículos e prejudicando a função do ovário. Em casos mais avançados, o endometrioma pode afetar os dois ovários simultaneamente, agravando ainda mais o impacto sobre a fertilidade.

    Causas do endometrioma

    As causas exatas do endometrioma ainda não são completamente entendidas, mas acredita-se que o problema esteja relacionado aos mesmos mecanismos que levam ao desenvolvimento da endometriose.

    Uma delas é a menstruação retrógrada, um processo em que parte do sangue menstrual retorna pelas tubas uterinas e chega à cavidade pélvica. Os fragmentos de tecido endometrial podem se fixar nos ovários e passar a responder aos hormônios do ciclo menstrual.

    Com o tempo, os sangramentos repetidos desses focos podem levar ao acúmulo de sangue antigo dentro do ovário, formando o cisto característico do endometrioma.

    Além da menstruação retrógrada, outros fatores também podem estar envolvidos no surgimento da condição, como:

    • Predisposição genética;
    • Alterações no sistema imunológico;
    • Processos inflamatórios na região pélvica;
    • Fatores hormonais.

    A presença de endometriose é considerada o principal fator associado ao desenvolvimento do endometrioma.

    Quais os sintomas do endometrioma?

    O endometrioma nem sempre causa sintomas, especialmente no início. Mas, quando eles aparecem, costumam estar relacionadas à própria endometriose e ao processo inflamatório provocado pela doença. Os mais comuns incluem:

    • Dor pélvica (dor na parte baixa da barriga);
    • Cólica menstrual forte, que pode piorar com o tempo;
    • Dor durante ou após a relação sexual;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Sensação de peso ou pressão na parte inferior do abdômen;
    • Inchaço abdominal em alguns casos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em alguns casos, o cisto pode romper ou causar torção do ovário, causando uma dor súbita e muito intensa no abdômen. Nessas situações, a especialista explica que a paciente deve procurar atendimento médico rapidamente.

    Como é feito o diagnóstico do endometrioma?

    O diagnóstico do endometrioma costuma ser feito por meio da ultrassonografia pélvica ou transvaginal, que é um exame de imagem bastante utilizado na avaliação ginecológica.

    De acordo com Andreia, o endometrioma é considerado um cisto de ovário complexo, porque não corresponde a um cisto simples relacionado à ovulação. Ele possui um conteúdo espesso formado por sangue antigo, resultado dos sangramentos repetidos do tecido endometrial fora do útero.

    Por isso, o cisto apresenta características muito típicas no ultrassom, o que permite ao médico levantar uma forte suspeita diagnóstica durante o exame. Em muitos casos, apenas a ultrassonografia já é suficiente para identificar o cisto e orientar o acompanhamento.

    Depois da identificação, a abordagem do médico, seja apenas acompanhamento ou tratamento, depende de fatores como o tipo de cisto, o tamanho da lesão e os sintomas apresentados pela paciente.

    Qual o tratamento de endometrioma?

    O tratamento do endometrioma depende de fatores como tamanho do cisto, os sintomas apresentados e o desejo de engravidar da mulher.

    Quando o endometrioma é pequeno e não provoca sintomas importantes, o médico pode optar apenas pelo acompanhamento periódico com ultrassom. Nesse caso, o objetivo é observar se o cisto permanece estável ou se apresenta crescimento ao longo do tempo.

    Para mulheres que não estão tentando engravidar, pode ser indicado tratamento hormonal, normalmente com pílula anticoncepcional ou outros métodos hormonais. Ele ajuda a reduzir a atividade da endometriose e pode controlar os sintomas, como dor pélvica e cólicas intensas.

    Quando a cirurgia é indicada?

    De acordo com Andreia, a cirurgia é indicada em algumas situações específicas, como:

    • O endometrioma tem mais de 6 cm de diâmetro;
    • Há ruptura do cisto, causando dor aguda intensa;
    • A paciente está tentando engravidar, especialmente quando há indicação de cirurgia para tratar a endometriose;
    • O tratamento clínico não apresenta resposta adequada;
    • Existem sintomas persistentes, como dor pélvica importante.

    Durante o procedimento, o objetivo principal é retirar o cisto e preservar ao máximo o tecido saudável do ovário. Como o endometrioma é uma doença benigna, a retirada completa do ovário costuma ser evitada sempre que possível.

    Endometrioma pode voltar após o tratamento?

    Mesmo após uma cirurgia bem realizada, se a paciente voltar a menstruar, Andreia explica que existe risco de formação de um novo endometrioma. Isso acontece porque a condição está relacionada à endometriose, que pode continuar ativa ao longo dos ciclos hormonais.

    Durante a gravidez, por exemplo, o eixo hormonal fica temporariamente bloqueado e a menstruação não ocorre, o que reduz a chance de recorrência naquele período.

    Mas, depois do retorno dos ciclos menstruais, o risco volta a existir. A realização de um tratamento prévio não impede completamente o reaparecimento da doença. A endometriose tende a deixar de evoluir apenas após a chegada da menopausa.

    Endometrioma pode virar câncer?

    O endometrioma é uma condição benigna, não sendo considerada um câncer. Na grande maioria dos casos, o cisto permanece benigno ao longo do tempo e não evolui para um tumor maligno.

    Mas, em casos extremamente raros, o endometrioma pode se transformar em câncer de ovário, especificamente tipos como o carcinoma de células claras ou endometrioide. A situação é incomum e costuma estar associada a fatores como idade mais avançada, presença de endometriose de longa duração ou alterações suspeitas observadas em exames de imagem.

    Por isso, é necessário manter o acompanhamento ginecológico regular, com avaliação clínica e realização de exames de imagem, o que permite observar o comportamento do cisto ao longo do tempo, identificar possíveis mudanças e definir, quando necessário, o tratamento mais indicado.

    Endometrioma tem cura?

    O endometrioma pode ser tratado e removido, principalmente por meio de cirurgia quando há indicação. No entanto, ele está ligado à endometriose, uma condição crônica que pode reaparecer ao longo do tempo.

    Mesmo após a retirada do cisto, existe a possibilidade de surgirem novos focos de endometriose ou de ocorrer a formação de outro endometrioma, especialmente se a paciente continuar menstruando.

    Por esse motivo, o tratamento do endometrioma costuma ter como objetivo controlar os sintomas, evitar a progressão da doença e preservar a função dos ovários, especialmente em mulheres que desejam engravidar.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença exata entre endometriose e endometrioma?

    A endometriose é a doença onde o tecido endometrial cresce fora do útero. O endometrioma é uma consequência específica da doença: é um cisto que se forma nos ovários quando o tecido se instala ali. Portanto, quem tem endometrioma tem, obrigatoriamente, endometriose.

    2. Por que o endometrioma é chamado de “cisto de chocolate”?

    Porque o sangue acumulado dentro do cisto não tem para onde sair. Com o tempo, ele oxida e se torna marrom e espesso, ficando com o aspecto visual de chocolate derretido.

    3. É possível ter endometrioma e não sentir nenhuma dor?

    Sim. Algumas mulheres descobrem o cisto por acaso em exames de rotina. O tamanho do cisto nem sempre é proporcional à dor: cistos pequenos podem doer muito e cistos grandes podem ser silenciosos.

    4. Quem tem endometrioma pode engravidar naturalmente?

    Sim, é possível. Porém, o endometrioma pode dificultar a gestação por afetar a qualidade dos óvulos, impedir a ovulação ou causar obstruções nas tubas. Muitas mulheres precisam de ajuda especializada ou cirurgia prévia.

    5. A cirurgia para retirar o endometrioma prejudica a reserva ovariana?

    Existe esse risco. Ao retirar a cápsula do cisto, uma parte do tecido ovariano saudável (e seus óvulos) pode ser removida junto. Por isso, a decisão cirúrgica deve ser muito bem planejada, especialmente se a mulher deseja engravidar.

    6. Quem tem endometrioma pode praticar exercícios físicos?

    Sim, o exercício libera endorfinas (analgésicos naturais) e ajuda a reduzir os níveis de estrogênio no corpo. No entanto, durante crises de dor, atividades leves como ioga e caminhada são as mais recomendadas.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

  • Mastite: o que é, sintomas, o que causa e como tratar

    Mastite: o que é, sintomas, o que causa e como tratar

    Dor na mama, vermelhidão na pele, sensação de calor local e febre estão entre alguns dos principais sintomas da mastite, uma inflamação da mama que pode surgir especialmente durante o período de amamentação.

    Ela é relativamente comum no puerpério, especialmente nas primeiras semanas após o parto, quando o processo de adaptação da lactação ainda está acontecendo.

    A mastite lactacional é uma condição que pode afetar a amamentação, devido à dor, ao desconforto e ao processo inflamatório na mama. Em alguns casos, o incômodo é tão grande que a mãe acaba interrompendo o aleitamento antes do tempo recomendado.

    Afinal, o que é mastite lactacional?

    A mastite é uma inflamação do tecido da mama que pode surgir durante o período de amamentação. A condição costuma aparecer quando há acúmulo de leite na mama ou quando bactérias conseguem entrar no tecido mamário.

    Normalmente, a entrada ocorre por meio de fissuras ou pequenas feridas no mamilo, que são relativamente comuns nos primeiros quinze dias de aleitamento, fase em que a mama ainda está se adaptando à sucção do bebê.

    Durante a amamentação, a região do mamilo fica mais sensível e exposta ao atrito constante. Por esse motivo, pequenas lesões podem surgir com facilidade, criando uma porta de entrada para micro-organismos. Quando bactérias conseguem penetrar na mama, podem desencadear um processo inflamatório que causam os sintomas.

    Importante: apesar de mais comum em mulheres que estão amamentando (mastite lactacional), ela também pode ocorrer em mulheres fora do período pós-parto e, raramente, em homens.

    Causas mais comuns da mastite lactacional

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mastite pode surgir porque a região da mama ainda não está acostumada com o estímulo mecânico provocado pela sucção do bebê. Além disso, a saliva do recém-nascido possui um pH mais ácido, e o mamilo permanece constantemente exposto ao atrito e ao trauma causados pela amamentação.

    Como consequência, atrito e a acidez da saliva podem gerar pequenas rachaduras ou feridas nos mamilos, que funcionam como porta de entrada para bactérias, que podem ter origem na:

    • Pele da mulher, principalmente bactérias dos grupos Staphylococcus e Streptococcus;
    • Boca do bebê, incluindo cepas anaeróbias presentes na saliva do recém-nascido.

    Ao mesmo tempo, um quadro de ingurgitamento mamário (acúmulo excessivo de leite) pode causar uma inflamação interna. Quando a mama fica muito cheia e dura, os alvéolos (onde o leite é produzido) podem sofrer pequenas rupturas.

    As lesões liberam substâncias inflamatórias no corpo para tentar reparar o tecido, o que causa dor e inchaço. Se uma bactéria penetra em uma mama que já está inflamada pelo leite parado, Andreia aponta que a infecção se desenvolve muito mais rápido devido ao maior fluxo sanguíneo na região.

    Quais os tipos de mastite lactacional?

    De maneira geral, existem dois tipos principais de mastite, segundo Andreia.

    O primeiro é a mastite intersticial, em que as bactérias presentes na pele da mãe entram na mama por meio de fissuras no mamilo e causam infecção nos tecidos ao redor da glândula mamária. A manifestação costuma surgir mais cedo e aparece como uma área avermelhada, dolorida e relativamente bem localizada na mama.

    O segundo tipo é a mastite parenquimatosa, em que as bactérias presentes na boca do bebê podem entrar pelos ductos do leite e se instalar no interior da glândula mamária. Como a infecção ocorre em uma região mais profunda, nem sempre existem sinais visíveis na parte externa da mama.

    Muitas mulheres relatam dor profunda ou dor ao movimentar o braço, devido ao envolvimento da região do músculo peitoral. Também podem surgir sintomas gerais no corpo, como febre, mal-estar e sensação semelhante a um quadro gripal.

    Sintomas de mastite

    Os sintomas da mastite podem ser divididos entre sinais locais (na mama) e sistêmicos (no corpo todo). A intensidade e o tipo de sintoma variam conforme a região da mama afetada e o estágio da inflamação.

    Sinais inflamatórios na mama

    • Dor intensa na mama;
    • Sensação de calor na região;
    • Vermelhidão na pele;
    • Inchaço ou aumento do volume da mama;
    • Sensibilidade ou endurecimento da mama.

    Sintomas da mastite intersticial (inflamação ao redor das glândulas)

    • Área avermelhada bem delimitada na mama;
    • Dor localizada na região afetada;
    • Sensibilidade ao toque.

    Sintomas da mastite parenquimatosa (inflamação dentro da glândula mamária)

    • Dor profunda na mama;
    • Dor que pode irradiar para o braço ou para o peito;
    • Febre alta;
    • Calafrios;
    • Mal-estar generalizado;
    • Sensação semelhante a um quadro de gripe.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar atendimento médico na seguintes situações:

    • Os sintomas de leite empedrado não melhorarem após cerca de 24 horas de esvaziamento frequente da mama;
    • Surgir febre, calafrios ou sensação de grande cansaço e prostração;
    • A pele da mama ficar muito vermelha, brilhante ou quente;
    • Aparecer um ponto com pus ou área muito dolorida, o que pode indicar formação de abscesso;
    • A dor for intensa a ponto de dificultar ou impedir a amamentação.

    A avaliação profissional precoce ajuda a controlar a inflamação, reduzir a dor e evitar complicações durante a amamentação.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é especialmente clínico e costuma ser realizado pelo ginecologista, mastologista ou obstetra por meio de um exame físico, no qual o profissional observa sinais como aumento da temperatura local, presença de áreas endurecidas, dor e regiões de vermelhidão.

    Ele também analisa o histórico da amamentação, investigando a presença de fissuras no mamilo, dificuldades na pega do bebê ou episódios recentes de empedramento da mama.

    Com base na avaliação clínica, o médico também identifica o tipo de mastite, verificando se o processo inflamatório é mais superficial ou mais profundo. A diferenciação é importante para definir a melhor abordagem de tratamento e escolher o antibiótico mais adequado.

    Tratamento de mastite

    O tratamento pode variar de acordo com o tipo de mastite, segundo Andreia. Na maioria das situações, o objetivo é reduzir a inflamação, aliviar a dor e evitar que o quadro evolua para uma infecção mais grave.

    Uma das medidas mais importantes é manter o esvaziamento frequente da mama, seja por meio da amamentação ou da retirada manual do leite. O esvaziamento contribui para diminuir o acúmulo de leite, reduz a pressão dentro da mama e contribui para a melhora da inflamada.

    Além disso, o médico pode recomendar algumas medidas de cuidado, como:

    • Uso de analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar dor e desconforto;
    • Compressas mornas antes da amamentação para facilitar a saída do leite;
    • Compressas frias após a mamada para reduzir o inchaço;
    • Correção da pega do bebê durante a amamentação, quando necessário.

    Quando há infecção bacteriana, o tratamento inclui antibióticos prescritos pelo médico. Na mastite intersticial, Andreia explica que costumam ser indicados medicamentos que atuam contra bactérias da pele, como cefalosporinas.

    Já na mastite parenquimatosa, pode ser necessário usar antibióticos que combatem bactérias da boca do bebê, como a clindamicina.

    Em situações mais raras, a mastite pode evoluir para um abscesso mamário, que é uma coleção de pus dentro da mama, formada quando a infecção evolui de forma mais agressiva ou quando há atraso no diagnóstico e tratamento.

    Quando isso acontece, Andreia aponta que pode ser necessário realizar drenagem do local. Em algumas situações, é feita apenas uma punção para retirar o líquido acumulado. Em outras, pode ser colocado um pequeno dreno, chamado pigtail, que permanece na região para permitir a drenagem contínua.

    Quem tem mastite pode continuar amamentando?

    Na maioria dos casos, a amamentação pode e deve continuar mesmo durante o tratamento da mastite, pois manter a mama sendo esvaziada com frequência ajuda a reduzir o acúmulo de leite, aliviar a inflamação e acelerar a recuperação.

    A suspensão temporária da amamentação costuma ser indicada apenas em algumas situações específicas, como durante o uso de algum antibiótico que não seja compatível com a amamentação ou em casos de complicações, como um abscesso na mama. Mesmo assim, apenas um profissional de saúde pode avaliar cada caso e orientar a melhor decisão.

    Quando a amamentação direta estiver muito dolorosa ou não for possível naquele momento, pode ser recomendado retirar o leite manualmente ou com a ajuda de uma bomba. A medida ajuda a manter a mama esvaziada, evita o acúmulo de leite e mantém a produção até que a amamentação possa acontecer normalmente novamente.

    Como prevenir a inflamação nas mamas?

    Durante o aleitamento, alguns cuidados simples podem ajudar a proteger a mama e reduzir o risco de inflamação, como:

    • Cuidado com fissuras no mamilo, tratando pequenas feridas logo no início para evitar a entrada de bactérias;
    • Uso de lanolina para hidratar a região, ajudando a proteger a pele do mamilo e favorecer a cicatrização;
    • Uso de terapias como laser ou LED, que podem ajudar a reduzir inflamação e acelerar a cicatrização das fissuras;
    • Orientação adequada sobre a técnica de amamentação, garantindo que o bebê faça uma pega correta na mama;
    • Prevenção do ingurgitamento mamário, mantendo o esvaziamento frequente das mamas por meio da amamentação ou da retirada do leite quando necessário.

    Com orientação adequada e alguns cuidados no dia a dia, é possível reduzir bastante o risco de mastite durante a amamentação.

    Leia mais: APLV: o que é, sintomas e quando desconfiar da condição em um bebê

    Perguntas frequentes

    1. O bebê pode rejeitar o leite da mama com mastite?

    Pode acontecer. Às vezes, o leite da mama inflamada fica com um sabor levemente mais salgado devido ao aumento de sódio e cloreto. Se o bebê rejeitar, tente fazer a ordenha manual ou com bomba para garantir o esvaziamento.

    2. Como diferenciar o leite empedrado da mastite?

    O leite empedrado (ingurgitamento) é o acúmulo de leite que deixa a mama dura e dolorida. A mastite é quando esse quadro evolui para uma inflamação ou infecção, apresentando vermelhidão intensa, calor local e, muitas vezes, febre e mal-estar gripal.

    3. Existe algum remédio caseiro para curar a mastite?

    Não existe cura caseira para mastite infecciosa, a condição precisa de antibióticos. Porém, medidas caseiras como repouso, beber muita água e esvaziar a mama frequentemente são essenciais para o sucesso do tratamento médico.

    4. Posso usar compressa quente na mama inflamada?

    A compressa morna pode ser usada antes da mamada para ajudar o leite a fluir. No entanto, o uso excessivo pode aumentar o inchaço (edema). Após a mamada, alguns médicos recomendam compressas frias para reduzir a inflamação e a dor.

    5. O que é a apojadura e por que ela causa dor?

    A apojadura é a descida do leite, que ocorre cerca de 72 horas após o parto. A mama enche rapidamente porque os hormônios da placenta diminuem, liberando a produção plena de leite. Se a mama não for esvaziada, pode haver dor e ingurgitamento.

    6. Se eu tiver mastite em uma mama, posso amamentar na outra?

    Com certeza. Se a dor na mama afetada estiver insuportável, você pode amamentar normalmente na mama saudável e usar a ordenha (manual ou bomba) na mama com mastite até que a dor diminuia.

    7. Quem já teve mastite uma vez pode ter de novo?

    Sim, mulheres que tiveram mastite em uma gestação têm maior predisposição em lactações futuras. Isso pode ocorrer por características anatômicas dos ductos ou por áreas que cicatrizaram e ficaram mais sensíveis.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Durante a gestação, algumas substâncias, produtos e medicamentos que costumavam fazer parte do dia a dia da mulher podem representar riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Por causa das mudanças no organismo e da formação dos órgãos do feto, determinados componentes podem atravessar a placenta e interferir no processo.

    Neste guia, você vai entender o que grávidas não podem usar durante a gestação, quais produtos devem ser evitados e quais cuidados ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê ao longo de toda a gravidez. Dá uma olhada!

    Por que alguns produtos comuns podem ser perigosos na gravidez?

    O principal problema associado ao uso de alguns produtos durante a gestação está relacionado à permeabilidade da placenta. A placenta funciona como uma barreira de proteção entre a mãe e o bebê, só que ela não é totalmente capaz de impedir a passagem de todas as substâncias.

    Muitos medicamentos, compostos químicos e até algumas substâncias presentes em cosméticos podem atravessar a placenta e chegar à circulação do feto. Quando isso acontece, esses componentes podem interferir no desenvolvimento do bebê, especialmente durante as fases em que os órgãos e sistemas ainda estão em formação.

    Dependendo da substância e do momento da gestação, a exposição pode aumentar o risco de malformações ou até causar alterações no funcionamento dos órgãos, afetar o crescimento do bebê ou provocar complicações para a gravidez.

    O que deve ser evitado na gravidez?

    1. Medicamentos

    Nenhum medicamento deve ser usado por conta própria na gravidez, pois mesmo remédios comuns podem trazer riscos para o bebê, já que muitas substâncias conseguem atravessar a placenta.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é necessário evitar:

    • Anti-inflamatórios não hormonais: ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno, pois podem causar o fechamento precoce do canal arterial e hipertensão pulmonar no feto;
    • Remédios classificados como categoria D ou X: substâncias com evidências de risco ou contraindicação absoluta, como a talidomida (causadora de focomelia) e o propiltiouracil (que afeta a tireoide do bebê);
    • Antibióticos de classes contraindicadas: medicamentos que atravessam a placenta e podem interferir no desenvolvimento do bebê (devem ser substituídos por opções seguras prescritas pelo médico);
    • Remédios para pressão arterial sem indicação: especialmente os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que podem causar alterações na formação dos rins do feto.

    Como identificar medicamentos seguros?

    Andreia explica que uma forma importante de orientação é consultar a bula do medicamento. Toda bula possui uma seção chamada categoria de risco na gravidez, que indica o nível de risco que determinada substância pode representar para o feto.

    A classificação possui cinco categorias: A, B, C, D e X. Cada uma indica o nível de segurança ou de risco para o bebê.

    • Categoria A: inclui medicamentos considerados seguros e que, muitas vezes, são até recomendados durante a gravidez. Um exemplo são os suplementos vitamínicos, como o ácido fólico, fundamental para o fechamento do tubo neural do bebê;
    • Categoria B: também é considerada segura para uso na gestação, com estudos que não demonstram risco significativo para o bebê;
    • Categoria C: indica que não existem dados suficientes para afirmar se o medicamento é seguro ou não. Nesses casos, o uso deve ser feito com cautela e apenas quando realmente necessário;
    • Categoria D: existem evidências de risco para o feto, então o medicamento só deve ser utilizado em situações muito específicas e sempre com supervisão médica;
    • Categoria X: representa contraindicação absoluta durante a gravidez, pois já existem evidências científicas de que a substância pode causar danos graves ao feto.

    Um exemplo de medicamento da categoria D é o propiltiouracil, usado para tratar hipertireoidismo. Quando a gestante apresenta essa condição, Andreia esclarece que é necessário controlar a doença, porque o descontrole também pode trazer riscos para a gravidez.

    No entanto, o medicamento pode atravessar a placenta e afetar a tireoide do bebê, que normalmente não apresenta o problema. Por isso, quando necessário, ele pode ser utilizado em doses menores e com acompanhamento rigoroso, incluindo ultrassonografias para avaliar a tireoide fetal.

    2. Produtos de beleza

    Certos cosméticos e procedimentos estéticos também precisam de cuidado durante a gravidez, principalmente quando têm substâncias que podem ser absorvidas pela pele. Por isso, Andreia recomenda evitar:

    Cremes com retinol ou substâncias de alta absorção

    Os produtos dermatológicos com retinol ou derivados da vitamina A devem ser evitados. As substâncias podem ser absorvidas pela pele e, em alguns casos, estão associadas a riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Tinturas de cabelo com metais pesados

    Algumas tinturas capilares podem conter metais pesados, como chumbo ou mercúrio. Por precaução, muitas vezes recomenda-se evitar esse tipo de produto ou optar por tonalizantes, que costumam ter fórmulas mais suaves.

    Procedimentos estéticos

    Procedimentos estéticos mais invasivos, como aplicações injetáveis ou tratamentos dermatológicos intensos, geralmente não são recomendados durante a gravidez. Além da falta de evidências de segurança, o corpo da gestante passa por mudanças hormonais que podem alterar a resposta da pele.

    Maquiagens de procedência duvidosa

    O uso de maquiagens costuma ser considerado seguro na gravidez, mas você deve evitar produtos de origem desconhecida ou sem registro sanitário.

    Algumas fórmulas podem conter excesso de conservantes, fragrâncias ou metais pesados, substâncias que podem causar irritações na pele ou aumentar o risco de exposição a compostos potencialmente prejudiciais. Sempre que possível, o ideal é optar por marcas confiáveis e produtos dermatologicamente testados.

    3. Cigarro e exposição à fumaça

    O tabagismo pode prejudicar a circulação de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê, o que pode afetar o desenvolvimento fetal.

    Entre os possíveis efeitos estão o aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas respiratórios no recém-nascido. Além disso, bebês expostos ao cigarro durante a gravidez podem ter maior chance de apresentar dificuldades respiratórias e infecções nos primeiros meses de vida.

    Importante: mesmo quando a gestante não fuma, conviver com pessoas que fumam ou permanecer em ambientes com fumaça pode trazer riscos. O ideal é evitar locais onde haja cigarro e manter o ambiente sempre livre de fumaça.

    4. Cafeína em excesso

    Quando ingerida em grandes quantidades, a cafeína pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, que ainda não tem o organismo totalmente preparado para metabolizar a substância. O recomendado é limitar o consumo de bebidas que contêm cafeína, como café, chá-preto, chá-verde, refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas.

    5. Fitoterápicos

    Os fitoterápicos são feitos a partir de plantas e, mesmo sendo naturais, possuem substâncias ativas que podem provocar reações no corpo, assim como acontece com os medicamentos tradicionais. Na gravidez, várias das substâncias não foram suficientemente estudadas, então não é possível garantir a segurança de vários fitoterápicos para a gestante e para o bebê.

    Além disso, algumas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento de órgãos importantes durante a gestação. Por isso, o uso de fitoterápicos deve ser feito apenas com orientação médica.

    Chás com efeito medicinal

    Os chás preparados com plantas medicinais podem conter substâncias ativas capazes de provocar efeitos no organismo. Na gestação, algumas dessas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no desenvolvimento do bebê.

    A concentração dos compostos também pode variar muito de acordo com a forma de preparo, o que torna difícil controlar a quantidade ingerida, então o consumo frequente não é indicado sem orientação médica.

    Entre alguns dos chás que devem ser evitados, é possível destacar:

    • Chá de canela;
    • Chá de arruda;
    • Chá de boldo;
    • Chá de sene;
    • Chá de hibisco;
    • Chá de losna;
    • Chá de carqueja.

    Em caso de dúvida sobre qualquer tipo de chá ou planta medicinal, o mais seguro é sempre conversar com um profissional de saúde antes do consumo.

    O que fazer se usar algo proibido por engano?

    Se você utilizou algum medicamento ou produto da lista de contraindicados por descuido, mantenha a calma. O risco para o bebê depende de vários fatores, como a dosagem, o tempo de exposição e a idade gestacional.

    Nesses casos, siga algumas orientações:

    • Interromper o uso imediatamente, suspendendo o consumo ou a aplicação do produto assim que perceber o erro;
    • Consultar o obstetra e informar exatamente o que foi usado, a quantidade e por quanto tempo, para que o médico possa avaliar o risco real;
    • Identificar a substância, tendo em mãos a bula do medicamento ou o rótulo do cosmético para facilitar a análise médica;
    • Verificar a categoria de risco, permitindo que o médico consulte ferramentas e referências para saber se será necessário realizar exames extras, como uma ultrassonografia mais detalhada;
    • Evitar a automedicação para tentar corrigir o erro, já que o uso de outra substância sem orientação médica pode aumentar o risco.

    Na maioria das vezes, o uso isolado e acidental de substâncias de baixo risco, como alguns cremes ou um único comprimido de anti-inflamatório, não causa danos imediatos. Mesmo assim, a avaliação médica é importante para garantir a segurança da gestante e do bebê.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Probióticos são permitidos na gravidez?

    Sim, normalmente são considerados seguros para uso durante a gestação.

    2. Onde vejo se o remédio é seguro para o bebê?

    A forma mais rápida é consultar a seção “Categoria de Risco na Gravidez” na bula ou perguntar diretamente ao médico.

    3. Grávida pode usar protetor solar comum?

    Sim, o uso de protetor solar é indispensável, pois a pele da gestante tem maior tendência a manchas (melasma), mas prefira os indicados para o seu tipo de pele.

    4. Grávida pode usar hidratante com vitamina C?

    Sim. Diferente do retinol, a vitamina C tópica costuma ser segura e ajuda a prevenir manchas durante a gestação.

    5. Remédio para acne (uso tópico) é liberado?

    A maioria deve ser evitada, especialmente os que contêm ácido salicílico em altas concentrações ou derivados de vitamina A. Consulte o dermatologista antes.

    6. Grávida pode usar repelente?

    Sim, o uso é fundamental para prevenir doenças como o Zika vírus. Prefira repelentes aprovados pela ANVISA para uso em gestantes.

    7. Pode fazer tatuagem ou micropigmentação?

    Não é recomendado durante a gestação devido ao risco de infecções, reações alérgicas e à presença de metais pesados nas tintas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários