Autor: Dr. Luiz Dieckmann

  • Técnicas de respiração ajudam mesmo a aliviar a ansiedade? 

    Técnicas de respiração ajudam mesmo a aliviar a ansiedade? 

    A sensação de aperto no peito, o batimento acelerado e a falta de ar são apenas alguns dos sintomas da ansiedade, que podem surgir a qualquer momento do dia e causar um grande desconforto físico e emocional. Mas, apesar das sensações intensas, o corpo já tem um mecanismo natural que contribui para reverter o estado de alerta: a respiração.

    Quando estamos ansiosos, a respiração costuma ficar curta e rápida, o que faz o cérebro entender que existe um perigo, mantendo o corpo em um estado de estresse. Com algumas técnicas de respiração, especialmente a diafragmática, é possível aliviar a crise e desacelerar o organismo aos poucos. Entenda mais, a seguir.

    Como a respiração influencia a ansiedade?

    Segundo o neurologista Luiz Dieckmann, quando o cérebro interpreta uma situação como ameaçadora, ele aciona o sistema nervoso responsável pela resposta de luta ou fuga. Isso faz com que a respiração se torne curta, rápida e concentrada na parte superior do peito.

    O problema é que a respiração superficial mantém o corpo em estado de alerta constante, criando um ciclo em que a ansiedade altera a respiração, e a respiração rápida diz ao cérebro que ele deve continuar ansioso.

    Ao praticar técnicas de respiração consciente, é possível interromper o ciclo da ansiedade com a ajuda do nervo vago, que percorre o corpo do tronco cerebral até o abdômen. Quando a respiração fica mais lenta e profunda, ocorrem os seguintes efeitos:

    • O nervo vago é estimulado e ativa o sistema nervoso parassimpático, que funciona como um freio para o estresse;
    • A oxigenação do corpo melhora, o que contribui para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio ligado ao estresse;
    • O ritmo cardíaco começa a desacelerar gradualmente, acompanhando o padrão mais calmo da respiração.

    A diferença entre respiração torácica e diafragmática

    A maioria das pessoas com ansiedade respira de forma mais superficial, usando principalmente o peito, o que é menos eficiente e pode aumentar o gasto de energia. O efeito positivo na ansiedade aparece quando a respiração passa a ser diafragmática, mais profunda e com o movimento do abdômen.

    Nesse tipo de respiração, o diafragma se movimenta melhor e permite que os pulmões se encham mais de ar, principalmente na parte de baixo, onde a troca de oxigênio é maior. Isso envia um sinal de segurança para o cérebro e ajuda a diminuir a sensação de alerta constante que acontece na ansiedade.

    Quais técnicas de respiração ajudam a controlar a ansiedade?

    Existem diversas formas de utilizar a respiração para acalmar a mente. Algumas são ideais para momentos de crise aguda, enquanto outras funcionam melhor como um treino diário para manter o equilíbrio. Veja algumas delas:

    1. Respiração diafragmática (abdominal)

    A respiração diafragmática é a base das outras técnicas porque ensina o corpo a respirar de forma mais eficiente. Em vez de usar apenas o peito, você passa a usar o diafragma, um músculo que fica abaixo dos pulmões. Quando ele se movimenta bem, a respiração fica mais profunda e o corpo recebe mais oxigênio, o que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

    Como fazer: sente-se ou deite-se com conforto. Coloque uma mão no peito e a outra na barriga. Inspire pelo nariz e observe a barriga subir, enquanto o peito fica quase parado. Depois, solte o ar devagar pela boca, sentindo a barriga descer.

    2. Técnica 4-7-8

    A técnica 4-7-8 ajuda a desacelerar o corpo rapidamente porque aumenta o tempo de expiração. Quando você solta o ar por mais tempo do que inspira, o organismo entende que pode relaxar, o que reduz o ritmo do coração e diminui a agitação mental.

    Como fazer: inspire pelo nariz contando até 4, depois segura o ar por 7 segundos e, por fim, solte o ar pela boca contando até 8.

    3. Respiração quadrada (box breathing)

    A respiração quadrada cria um ritmo constante para a respiração, o que ajuda a organizar o corpo e a mente. O padrão equilibrado entre inspirar, segurar e soltar o ar traz mais controle em momentos de tensão.

    Como fazer: inspire pelo nariz contando até quatro, segure o ar por quatro segundos, depois solte o ar lentamente também em quatro segundos e permaneça mais quatro segundos sem respirar. Em seguida, repita o ciclo por alguns minutos, mantendo o ritmo constante.

    4. Respiração com lábios franzidos

    A respiração com lábios franzidos ajuda a prolongar a saída do ar, o que desacelera a respiração e melhora a sensação de falta de ar. Ela também facilita o controle do ritmo respiratório em momentos de ansiedade.

    Como fazer: inspire pelo nariz normalmente. Ao soltar o ar, feche levemente os lábios, como se fosse apagar uma vela, e expire mais devagar do que inspirou.

    Quanto tempo demora para fazer efeito?

    Na maioria dos casos, o alívio dos sintomas físicos da ansiedade pode ser sentido em apenas 2 a 5 minutos de prática contínua. Segundo Luiz, elas atuam ainda mais rápido que os próprios medicamentos calmantes, utilizados para tratar a condição.

    Logo nos primeiros ciclos respiratórios, o cérebro começa a receber sinais de que o ambiente é seguro. Em poucos minutos, é comum notar a diminuição da frequência cardíaca, o relaxamento da tensão muscular e a redução da sensação de tontura.

    Importante: em um ataque de pânico, pode ser difícil contar os segundos, e o efeito pode demorar um pouco mais. O mais importante é não resistir à ansiedade e focar em soltar o ar mais devagar do que inspirar.

    Quando procurar ajuda médica?

    As técnicas de respiração podem ajudar a aliviar a ansiedade e o estresse no dia a dia, mas elas não substituem o tratamento médico ou psicológico quando a ansiedade se torna crônica ou incapacitante. Por isso, procure a orientação de um profissional nos seguintes casos:

    • A ansiedade é constante, dura mais de seis meses e começa a atrapalhar a rotina do dia a dia;
    • Você passa a evitar compromissos, trabalho ou interações sociais por medo de ter uma crise;
    • Surgem sintomas físicos intensos, como dor no peito frequente, problemas digestivos ou insônia persistente;
    • Aparece a sensação de perda de controle, com crises de pânico mais frequentes e dificuldade para se acalmar apenas com respiração;
    • Surgem pensamentos intrusivos, com preocupações excessivas que dominam a mente e dificultam a concentração.

    Se você sentir uma dor súbita no peito que se irradia para o braço ou mandíbula, acompanhada de suor frio, procure uma emergência médica imediatamente para descartar problemas cardíacos, pois os sintomas podem ser confundidos com uma crise de ansiedade intensa.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto que não consigo respirar fundo quando estou ansioso?

    Isso acontece devido à tensão nos músculos do peito e das costas. A ansiedade faz a respiração ficar curta, dando a falsa sensação de sufocamento.

    2. Qual a melhor posição para praticar?

    No início, deitar-se de costas ajuda a sentir melhor o movimento do diafragma. Com a prática, você conseguirá o mesmo efeito sentado com as costas retas.

    3. Respirar em um saco de papel ajuda?

    Embora popular em filmes, essa técnica não é mais a primeira recomendação médica para crises, pois pode causar queda de oxigênio.

    4. Quanto tempo devo dedicar por dia?

    Cerca de 5 a 10 minutos diários já são suficientes para “treinar” o sistema nervoso e reduzir a ansiedade basal.

    5. A respiração substitui o remédio para ansiedade?

    Não, ela é uma técnica complementar. Nunca interrompa o uso de medicamentos prescritos pelo seu médico sem orientação.

    6. Praticar meditação ou ioga ajuda a respirar melhor?

    Sim, ambas as práticas ensinam o controle consciente do fôlego (pranayamas), o que fortalece o diafragma e aumenta a capacidade pulmonar a longo prazo.

    7. Qual a diferença entre ansiedade comum e transtorno de ansiedade?

    A ansiedade comum é uma reação passageira a um evento (como uma prova). O transtorno acontece quando a preocupação é excessiva, desproporcional e persistente, impedindo a pessoa de realizar tarefas simples do dia a dia.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Indicados para o tratamento de transtornos como depressão, ansiedade e pânico, os antidepressivos são medicamentos que atuam diretamente no sistema nervoso central para regular o humor e as emoções. Eles contribuem para equilibrar substâncias químicas no cérebro chamadas neurotransmissores, só que o efeito não acontece imediatamente.

    Na verdade, com o início do tratamento, é comum se sentir frustrado ao perceber que, após os primeiros dias de uso, os sintomas de tristeza ou desânimo continuam presentes. Em alguns casos, aparecem apenas os efeitos colaterais, como náuseas, dores de cabeça e boca seca.

    Diferente de um analgésico, que faz efeito rápido, os antidepressivos precisam de um tempo para agir no organismo. Eles vão ajustando aos poucos o funcionamento do cérebro e a ação das substâncias que regulam o humor, por isso o resultado não aparece de um dia para o outro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como os antidepressivos atuam no cérebro?

    Os antidepressivos atuam no cérebro regulando substâncias químicas que participam diretamente do humor, das emoções e da resposta ao estresse, chamadas neurotransmissores. Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, os principais são a serotonina e a noradrenalina, substâncias diretamente ligadas ao humor e ao bem-estar.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, as substâncias costumam estar em baixas concentrações ou são reabsorvidas rápido demais. Para corrigir o desequilíbrio, os medicamentos agem de três formas principais:

    • O medicamento impede que o neurotransmissor seja reabsorvido rápido demais pelo neurônio, fazendo com que a serotonina ou a noradrenalina fiquem mais tempo ativas entre as células do cérebro;
    • Com mais das substâncias disponíveis, a comunicação entre os neurônios melhora, facilitando a transmissão de sinais ligados ao bem-estar e ao equilíbrio emocional;
    • Com o uso contínuo, o cérebro se adapta. Os receptores dos neurônios passam a funcionar melhor, ficando mais sensíveis e eficientes para captar os sinais químicos disponíveis.

    O processo químico ocorre poucas horas após a ingestão do comprimido, mas é comum que a melhora apareça de forma gradual, ao longo de algumas semanas de uso contínuo.

    Por que o alívio não é imediato?

    O alívio com o uso de antidepressivos não é imediato porque, segundo Luiz, o cérebro precisa de tempo para reorganizar as sinapses e equilibrar o sistema.

    • Nos primeiros dias, até acontece um aumento de neurotransmissores, como a serotonina, mas isso sozinho não é suficiente para melhorar os sintomas;
    • O cérebro precisa reorganizar a forma como as células se comunicam, fortalecendo as conexões entre os neurônios;
    • Os receptores, que são como sensores das células, também passam por um processo de ajuste para responder melhor aos sinais químicos;
    • O conjunto de mudanças acontece de forma gradual, ao longo de semanas.

    Durante o período, é normal que os sintomas ainda estejam presentes ou variem de intensidade, e que alguns efeitos colaterais apareçam antes da melhora, como dor de cabeça, boca seca e enjoo.

    Quanto tempo leva para sentir os primeiros resultados?

    De acordo com Luiz, o alívio real dos sintomas costuma levar de 2 a 4 semanas para começar a ser percebido. Na maioria dos casos, por volta de 21 dias.

    Alguns sintomas podem até apresentar melhora antes do prazo: por exemplo, a qualidade do sono costuma ser uma das primeiras mudanças positivas, já que algumas medicações possuem um efeito mais sedativo. Ao mesmo tempo, a ansiedade pode diminuir mais rápido com certos tipos de antidepressivos.

    No entanto, o humor e a tristeza profunda demoram um pouco mais de tempo para responder. Por isso, Luiz orienta ter paciência e persistência: mesmo que você sinta que o remédio não está funcionando nos primeiros dias, saiba que isso é perfeitamente normal e esperado.

    Sinais de que o antidepressivo está começando a fazer efeito

    Como o corpo e a mente levam um tempo para se ajustar, os sinais de melhora costumam ser sutis no início, aparecendo de forma gradual. Alguns deles incluem:

    • O sono começa a melhorar, com mais facilidade para dormir e sensação de descanso mais reparador ao acordar;
    • As tarefas do dia a dia ficam mais leves, exigindo menos esforço para atividades simples, como tomar banho ou arrumar a casa;
    • A irritação diminui, trazendo mais calma e paciência em situações que antes causavam estresse;
    • O interesse por pequenas coisas volta aos poucos, como ouvir música, ler ou conversar com alguém;
    • Os pensamentos ficam menos acelerados, com redução da preocupação excessiva e mais momentos de clareza mental.

    É importante notar que a melhora não costuma seguir uma linha reta, com dias melhores e dias piores ao longo do processo. No entanto, se após um período de 21 a 30 dias você não perceber nenhum dos pequenos sinais, o ideal é conversar com o médico para avaliar a necessidade de ajustar a dose.

    O que pode atrasar o efeito do medicamento?

    Os principais motivos que podem atrasar ou prejudicar o efeito do antidepressivo são:

    • Pular ou esquecer doses atrapalha o tratamento, porque o cérebro precisa de uma quantidade constante do medicamento no organismo para se estabilizar;
    • O consumo de álcool interfere no efeito do remédio, podendo reduzir a eficácia e aumentar sintomas como sonolência e tristeza no dia seguinte;
    • Alguns medicamentos e fitoterápicos podem interagir com o antidepressivo, dificultando a ação ou diminuindo o efeito no organismo;
    • Situações de estresse intenso ou crises emocionais podem fazer com que a melhora pareça mais lenta, já que fatores externos também influenciam o bem-estar;
    • Em alguns casos, a dose inicial pode ser baixa e precisar de ajuste médico para alcançar o efeito esperado.

    Se você sente que o tempo está passando e nada muda, não pare de tomar o remédio por conta própria. O ideal é anotar o que você está sentindo e levar as informações para a próxima consulta com o médico.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo vicia?

    Não. Ao contrário dos ansiolíticos (tarja preta), os antidepressivos não causam dependência química. O que existe é a necessidade de desmame gradual para o corpo não sentir a retirada brusca.

    2. Posso beber álcool socialmente durante o tratamento?

    O ideal é evitar, especialmente no início. O álcool pode potencializar efeitos colaterais e anular a eficácia do remédio, retardando a sua melhora.

    3. Vou engordar tomando antidepressivo?

    Depende da medicação. Alguns podem aumentar o apetite, enquanto outros são neutros ou até ajudam no controle da compulsão. Converse com seu médico sobre essa preocupação.

    4. Esqueci de tomar o remédio hoje, e agora?

    Tome assim que lembrar. Se já estiver perto da dose do dia seguinte, pule a dose esquecida e siga o horário normal. Nunca tome duas doses juntas.

    5. Vou ter que tomar o remédio para o resto da vida?

    Não necessariamente. O tratamento geralmente dura de 6 meses a 1 ano após a remissão total dos sintomas, mas cada caso é avaliado individualmente.

    6. Grávidas podem tomar antidepressivo?

    Sim, sob orientação médica. Existem opções seguras que protegem a saúde mental da mãe sem prejudicar o desenvolvimento do bebê.

    7. O que é a “síndrome de descontinuação”?

    É um conjunto de sintomas (tontura, dor de cabeça, irritabilidade) que o corpo sente quando o remédio é parado de uma vez, sem o desmame correto.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Esquizofrenia: o que é e como identificar os primeiros sinais 

    Esquizofrenia: o que é e como identificar os primeiros sinais 

    A esquizofrenia costuma ser lembrada com medo e estigma, mas o conhecimento atual mostra uma realidade muito diferente. Muitas pessoas diagnosticadas estudam, trabalham, mantêm vínculos afetivos e levam uma vida plena quando recebem o tratamento correto. Entender o que a doença é, reconhecer seus sinais e saber como funciona o cuidado ajuda a reduzir o medo e aproxima quem precisa de suporte.

    O que é esquizofrenia?

    A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que altera a forma como a pessoa pensa, sente, percebe o mundo e organiza o comportamento. Costuma começar no fim da adolescência ou no início da vida adulta. Surge pela soma de vários fatores, como predisposição genética, alterações neurobiológicas, infecções na infância e situações adversas importantes.

    Principais sintomas da esquizofrenia

    Sintomas positivos

    Representam um acréscimo ao funcionamento mental típico.

    • Delírios, como acreditar em algo sem base na realidade.
    • Alucinações, principalmente ouvir vozes quando não há fonte externa.
    • Pensamento desorganizado, dificuldade em seguir uma linha lógica.
    • Comportamentos agitados ou incoerentes.

    Sintomas negativos

    Indicam perda ou redução de funções importantes.

    • Menor expressão emocional.
    • Pouca motivação.
    • Redução da fala espontânea.
    • Dificuldade para iniciar tarefas do dia a dia.

    Essas manifestações podem ser confundidas com desinteresse ou preguiça, mas fazem parte da doença e têm base neurológica.

    Sintomas cognitivos

    Aparecem na rotina.

    • Dificuldade de concentração.
    • Falhas de memória recente.
    • Problemas para organizar atividades simples.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico e feito por um psiquiatra. A avaliação considera:

    • Quais sintomas estão presentes.
    • Há quanto tempo eles acontecem, geralmente seis meses ou mais.
    • Como afetam o funcionamento da pessoa.

    Exames de sangue ou imagem não confirmam a esquizofrenia. Eles servem apenas para descartar outras causas.

    Uma observação importante: um episódio psicótico isolado não define esquizofrenia. O diagnóstico depende da evolução ao longo do tempo.

    Sinais precoces que merecem atenção

    • Mudanças bruscas de comportamento.
    • Isolamento repentino.
    • Perda de interesse por atividades antes prazerosas.
    • Desconfiança excessiva.
    • Percepção de vozes ou sons inexistentes.

    Identificar cedo facilita o tratamento e melhora muito o prognóstico.

    Como é o tratamento da esquizofrenia?

    Medicamentos antipsicóticos

    São a base do manejo e reduzem delírios, alucinações e desorganização.

    • Antipsicóticos de primeira geração.
    • Antipsicóticos de segunda geração, mais modernos e com menos efeitos motores.

    A resposta costuma ser gradual. O psiquiatra ajusta doses e troca medicamentos quando necessário. Podem ocorrer efeitos colaterais como sonolência, rigidez ou ganho de peso, mas existem alternativas seguras.

    Psicoterapia

    A Terapia Cognitivo Comportamental ajuda a lidar com sintomas persistentes, identificar gatilhos, organizar rotina e treinar habilidades sociais.

    Reabilitação psicossocial

    Favorece autonomia e funcionamento diário.

    • Atenção multiprofissional.
    • Treinamento ocupacional.
    • Orientação familiar.
    • Ajustes de rotina, sono e autocuidado.

    Hábitos que ajudam

    • Manter sono regular.
    • Evitar álcool e drogas.
    • Atividade física leve.
    • Pequenas metas diárias.
    • Família bem informada e presente no cuidado.

    Vida a longo prazo

    Com tratamento contínuo, muitas pessoas trabalham, estudam, constroem família e levam vida independente. O maior risco é interromper o tratamento, pois isso aumenta a chance de recaídas.

    Por que ainda existe tanto estigma?

    Mitos ainda circulam:

    • Pessoas com esquizofrenia seriam violentas.
    • Não poderiam trabalhar.
    • Seriam imprevisíveis.

    A ciência mostra outra realidade:

    • Quem está em tratamento tem baixa taxa de violência.
    • Pode estudar, trabalhar e manter relações estáveis.
    • Pode planejar, assumir responsabilidades e ter autonomia.

    O estigma afasta do cuidado e atrasa o diagnóstico.

    Casos extremos não representam a maioria

    Situações raras de comportamento arriscado chamam atenção da mídia, como o episódio do rapaz que entrou na jaula de uma leoa e morreu. Esses casos não refletem o cotidiano de quem vive com esquizofrenia. Geralmente envolvem combinação de vários fatores:

    • Tratamento interrompido.
    • Sintomas psicóticos intensos.
    • Uso de substâncias.
    • Ausência de acompanhamento.
    • Estresse extremo.

    Casos assim são exceção. O que não aparece nos jornais são milhares de pessoas estáveis que vivem normalmente.

    Confira: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes sobre esquizofrenia

    1. A esquizofrenia tem cura?

    Não, mas o tratamento controla os sintomas e garante boa qualidade de vida.

    2. Esquizofrenia causa múltiplas personalidades?

    Não. Múltiplas personalidades pertencem a outro transtorno.

    3. O tratamento é só com remédios?

    Não. Medicamentos são essenciais, mas psicoterapia e reabilitação ajudam muito.

    4. A esquizofrenia pode surgir de repente?

    Pode, mas muitos apresentam sinais precoces.

    5. Quem tem esquizofrenia pode trabalhar?

    Sim. Muitas pessoas mantêm emprego, estudam e vivem de forma independente.

    6. Drogas podem desencadear esquizofrenia?

    Podem aumentar o risco, principalmente em pessoas predispostas.

    7. É possível prevenir?

    Não há prevenção garantida, mas evitar drogas e buscar ajuda cedo reduz bastante o impacto.

    Veja mais: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • Drogas Z: o que são, como funcionam e quando são seguras

    Drogas Z: o que são, como funcionam e quando são seguras

    Nos últimos anos, o nome zolpidem se tornou comum nas conversas sobre insônia. Esses medicamentos, conhecidos como “drogas Z”, foram apresentados como uma solução moderna e menos arriscada do que os calmantes tradicionais usados por gerações anteriores — os famosos benzodiazepínicos, como clonazepam, alprazolam e bromazepam.

    Mas será que as drogas Z cumprem essa promessa? Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann e a neurologista Paula Dieckmann, o segredo não está em demonizar ou glorificar os medicamentos, e sim em entender quando, como e por quanto tempo eles devem ser usados.

    O que são as drogas Z e para que servem

    As chamadas “drogas Z” são uma classe de medicamentos hipnóticos, usados para tratar a insônia e ajudar o corpo a adormecer. Os principais representantes são:

    • Zolpidem (de liberação imediata ou prolongada);
    • Zopiclona;
    • Eszopiclona.

    Elas foram desenvolvidas para promover o sono com menos efeitos colaterais do que os benzodiazepínicos. Atuam em áreas do cérebro ligadas ao relaxamento e ao sono, estimulando principalmente os receptores do adormecimento — e não aqueles ligados ao relaxamento muscular ou efeito anticonvulsivante.

    Assim, tendem a causar menos sonolência diurna, fraqueza muscular e menor risco de dependência em comparação com alguns benzodiazepínicos. Ainda assim, são medicamentos controlados, indicados apenas por tempo limitado e sob acompanhamento médico, pois também podem causar tolerância e dependência se usados de forma prolongada.

    Por que elas surgiram e o que mudou em relação aos benzodiazepínicos

    Durante décadas, fármacos como alprazolam (Frontal), bromazepam (Lexotan) e clonazepam (Rivotril) foram amplamente usados para ansiedade e insônia.

    “Essas drogas causam tolerância e dependência, o que significa que o corpo vai se acostumando e exigindo doses cada vez maiores”, explica a neurologista Paula Dieckmann.

    Foi nesse contexto que surgiram as drogas Z, com a promessa de menor risco de dependência e ação mais direcionada ao sono. No entanto, o psiquiatra Luiz Dieckmann faz um alerta:

    “Não existe remédio ruim, existe medicamento mal utilizado. Assim como os benzodiazepínicos não são vilões, as drogas Z também não são. Quando bem indicadas, na dose certa e pelo tempo adequado, podem ser aliadas valiosas no tratamento desses pacientes”.

    Riscos e cuidados no uso das drogas Z

    Apesar dos benefícios, o uso prolongado ou inadequado pode trazer riscos. Entre os efeitos colaterais descritos em estudos estão:

    • Sonolência excessiva no dia seguinte;
    • Tontura e confusão mental;
    • Alterações de memória;
    • Comportamentos automáticos (andar ou comer dormindo);
    • Dependência e tolerância com o uso prolongado.

    Esses medicamentos devem ser prescritos com cautela, especialmente em idosos, devido ao risco aumentado de quedas e prejuízos cognitivos. Jamais use sem orientação médica.

    Tratamentos alternativos e complementares

    Além dos medicamentos, há estratégias que melhoram o sono de forma natural e duradoura:

    • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para insônia — considerada o tratamento mais eficaz a longo prazo;
    • Atividade física regular;
    • Redução de cafeína, nicotina e álcool;
    • Rotina de sono consistente, com horários regulares para dormir e acordar.

    Essas medidas reduzem a necessidade de medicamentos e promovem um sono mais natural e restaurador.

    Leia mais: Tem insônia? Veja o que fazer para voltar a dormir bem

    Veja mais aqui:

     

    Perguntas frequentes sobre drogas Z

    1. O que são as drogas Z?

    São medicamentos hipnóticos usados para tratar insônia. Os principais são zolpidem, zopiclona e eszopiclona.

    2. Elas causam dependência?

    Sim. Embora o risco seja menor que o dos benzodiazepínicos, podem causar dependência se usadas por períodos longos ou sem supervisão médica.

    3. Posso tomar zolpidem todos os dias?

    Não sem orientação médica. O uso contínuo aumenta o risco de tolerância (necessidade de doses maiores) e dependência.

    4. Drogas Z são mais seguras que calmantes como Rivotril?

    Depende do caso. Elas têm menor potencial de dependência, mas podem causar sonolência diurna e outros efeitos. Ambas requerem acompanhamento profissional.

    5. O que é melhor para tratar insônia: remédio ou terapia?

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é o tratamento de primeira escolha para insônia crônica. Os medicamentos devem ser usados por tempo limitado e apenas quando indicados.

    6. Por que algumas pessoas fazem coisas dormindo ao usar zolpidem?

    Esse é um efeito colateral chamado automatismo do sono, quando a pessoa realiza ações (como andar ou comer) sem consciência. O uso precisa ser reavaliado imediatamente.

    7. É perigoso misturar drogas Z com álcool ou outros remédios?

    Sim. A combinação aumenta a sedação e pode causar confusão mental, quedas ou até parada respiratória.

    Veja também: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

  • Como o cérebro decide o que lembrar e o que esquecer 

    Como o cérebro decide o que lembrar e o que esquecer 

    Você já se perguntou por que algumas lembranças parecem eternas, enquanto outras somem em minutos? Há uma explicação científica para isso e, ao contrário do que muitos imaginam, esquecer faz parte de um cérebro saudável.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, o esquecimento não é uma falha, e sim um processo ativo que ajuda a manter o equilíbrio mental.

    “Durante o sono, principalmente na fase mais profunda, nós literalmente limpamos a nossa casinha”, explica o médico. Essa “faxina cerebral” é feita pelo sistema glinfático, uma descoberta recente da neurociência que ajudou os cientistas a entender melhor como o sono protege a memória.

    Lembrar e esquecer são duas faces da mesma moeda

    A memória humana não é uma biblioteca infinita, mas sim seletiva. O cérebro precisa decidir o que vale a pena guardar e o que deve ser apagado para evitar sobrecarga.

    Essa filtragem ocorre principalmente no hipocampo, estrutura responsável pela formação e consolidação das memórias. Ele atua como um curador interno, escolhendo quais experiências serão enviadas ao córtex cerebral, onde ficam armazenadas as lembranças de longo prazo.

    Segundo Dieckmann, as memórias com forte carga emocional têm prioridade. “Você precisa lembrar do seu primeiro beijo, mas não necessariamente do que almoçou na terça-feira passada”, comenta o psiquiatra.

    Durante o sono, o cérebro faz uma verdadeira faxina

    O esquecimento saudável acontece principalmente durante o sono profundo. É nesse momento que o sistema glinfático entra em ação — uma rede descoberta há pouco mais de 10 anos que funciona como o sistema linfático do cérebro.

    Enquanto dormimos, o sistema glinfático remove toxinas e resíduos metabólicos, além de “descartar” informações desnecessárias acumuladas durante o dia. Por isso, dormir bem não apenas melhora a memória, como também previne esquecimentos e protege o cérebro a longo prazo.

    Repetição e emoção: os segredos da lembrança duradoura

    O cérebro interpreta a repetição como um sinal de importância. É por isso que você lembra da letra de uma música antiga ou da senha do Wi-Fi que digita todos os dias. Segundo Dieckmann, informações repetidas ganham prioridade, pois o cérebro entende que aquilo merece ser reforçado.

    A emoção também é um fator determinante. Situações que envolvem alegria, medo ou surpresa fixam a lembrança com mais força no hipocampo. Isso explica por que recordamos eventos marcantes, mas esquecemos rotinas comuns.

    Confira: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

    Esquecer também é importante para a saúde mental

    Esquecer é tão importante quanto lembrar. O esquecimento ativo permite ao cérebro se adaptar a novas informações, evita o acúmulo de dados irrelevantes e reduz o estresse cognitivo.

    Ou seja: quando você esquece onde deixou as chaves, o cérebro não está “falhando”, mas priorizando o que considera mais útil para a sobrevivência, o aprendizado e o equilíbrio emocional.

    A memória é dinâmica: o hipocampo seleciona, o sistema glinfático limpa, o sono consolida e a emoção dá peso às recordações. Em resumo, esquecer é sinal de que o cérebro está funcionando bem — e que você está dormindo bem também.

    Veja mais aqui:

     

    Perguntas frequentes sobre memória

    1. O que é o sistema glinfático?

    É o sistema de drenagem do cérebro responsável por remover toxinas e resíduos durante o sono, ajudando na limpeza e manutenção da função cerebral.

    2. O hipocampo é o centro da memória?

    Ele é uma das principais estruturas envolvidas na formação e consolidação das memórias, mas o armazenamento de longo prazo ocorre no córtex cerebral.

    3. Dormir pouco atrapalha a memória?

    Sim. A privação de sono reduz a atividade do sistema glinfático e prejudica a consolidação da memória, aumentando o risco de esquecimentos.

    4. Repetir algo muitas vezes ajuda a decorar?

    Sim. A repetição indica ao cérebro que a informação é importante, fortalecendo as conexões neurais responsáveis pela memória de longo prazo.

    5. É normal esquecer coisas simples no dia a dia?

    Sim, especialmente quando estamos cansados, estressados ou distraídos. Esquecer pequenas coisas faz parte do funcionamento normal da memória.

    6. Quando o esquecimento deixa de ser normal?

    Quando se torna frequente, interfere na rotina e vem acompanhado de confusão mental. Nesses casos, é importante buscar avaliação médica.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas 

    Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas 

    Você já viu por aí alguém falando de uma vitamina para a memória que é capaz de turbinar a cognição e quis logo experimentar? Você foi enganado.

    “Existe uma crença de que existe uma vitamina milagrosa que melhorar ou previne este problema, mas não existe nenhuma vitamina em específico que vá curar perda de memória de ninguém”, explica a neurologista Paula Dieckmann.

    Venha entender mais o problema de tomar vitaminas sem orientação médica ou nutricional para melhorar a memória e o que de fato ajuda a manter o cérebro saudável.

    Quando as vitaminas importam de verdade

    A falta de vitaminas é, de fato, prejudicial para a memória. “Mas isso não quer dizer que a reposição delas para pessoas saudáveis vá ter algum tipo de benefício”, diz o psiquiatra.

    “Na nossa investigação médica, descartamos sempre a hipovitaminose, que são deficiências de vitaminas específicas que podem estar ligadas a algum problema”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Em outras palavras, não existe “vitamina mágica”. Agora, se faltar alguma, sim, isso pode ter impacto no funcionamento do cérebro, inclusive na memória.

    Veja quais vitaminas, quando em falta, podem afetar a memória:

    • Vitamina B12: deficiência de B12 está associada em vários estudos com prejuízo da memória, confusão mental e até demência reversível em idosos;
    • Ácido fólico (vitamina B9): participa de processos que mantêm o cérebro saudável; aliado com B12, contribui para evitar acúmulo de homocisteína (uma substância que, em excesso, pode ser danosa);
    • Vitaminas C, D e antioxidantes em geral: embora não haja evidência de que façam “explodir” a memória, baixos níveis de vitamina C ou D e de antioxidantes estão associados a declínio cognitivo em pessoas mais velhas.

    Esses déficits são corrigíveis com avaliação médica, exames de sangue, dieta adequada ou suplementação quando necessário.

    Fique atento ao que não funciona para a memória

    • A reposição de vitaminas em pessoas sem deficiência não garante memória superior, melhoria milagrosa ou proteção absoluta contra doenças como Alzheimer;
    • Muitos suplementos são promovidos na internet com promessas exageradas, sem respaldo científico rigoroso ou aprovação técnica;
    • Suplementos vitamínicos têm variação de composição, dosagem e pureza. Interações com outros remédios ou efeitos adversos podem existir — é importante usar sempre com orientação médica ou nutricional.

    “Existem inúmeras coisas que vemos na internet prometendo milagres que não existem”, alerta o psiquiatra.

    Confira: Tem insônia? Veja o que fazer para voltar a dormir bem

    Práticas que realmente ajudam sua memória

    Mesmo não havendo uma vitamina mágica, há medidas comprovadas para cuidar bem da memória:

    • Alimentação balanceada, rica em proteínas, frutas, vegetais e gorduras boas (como ômega-3);
    • Exercícios físicos regulares, que melhoram o fluxo sanguíneo cerebral e promovem saúde dos neurônios;
    • Sono de qualidade, pois durante o sono o cérebro consolida memórias;
    • Aprender coisas novas (idiomas, instrumentos, hobbies) para estimular a plasticidade cerebral;
    • Vida social ativa, com convívio entre amigos, família e estímulos cognitivos.

    Assista ao vídeo dos especialistas a respeito de vitaminas e memória:

    Perguntas frequentes sobre vitaminas e memória

    1. Existe alguma vitamina milagrosa para turbinar a memória?

    Não. Especialistas são unânimes: não há vitamina que garanta aumento cognitivo acima do normal em pessoas saudáveis, ou seja, pessoas que já têm níveis adequados de vitaminas.

    2. Se eu tiver deficiência de vitaminas como B12, posso melhorar a memória ao repor?

    Sim. Em casos de deficiência, como baixa B12, a reposição pode reverter prejuízos cognitivos. É por isso que exames médicos são tão importantes.

    3. Posso tomar suplementos apenas supondo que estou com deficiência de vitaminas?

    Não. É importante fazer exames antes para evitar a hipervitaminose, que também pode fazer mal à saúde. Lembre-se: suplementos não são garantia de memória melhor se seus níveis vitamínicos já estiverem normais.

    4. Vitamina D ou C ajudam?

    Em parte, sim, mas apenas se a pessoa tiver deficiência delas. Elas colaboram para a saúde geral do cérebro e, em pessoas com deficiência, podem melhorar aspectos cognitivos. Mas não substituem boas práticas como sono, alimentação e exercício.

    5. Qual é o papel das vitaminas do complexo B (B1, B6, B9, B12)?

    Essas vitaminas participam da produção de energia no cérebro, da manutenção dos neurônios, da regulação da homocisteína, da síntese de DNA e da condução nervosa. Tudo isso pode impactar a memória se houver deficiência.

    6. Há risco em tomar vitaminas demais?

    Sim. O excesso pode causar efeitos adversos. Além disso, suplementos não seguem o mesmo rigor médico dos medicamentos — por isso, a orientação de um médico ou nutricionista é essencial.

    Leia também: Anemia carencial: o que acontece quando faltam nutrientes no sangue

  • Dopamina: como ela pode ser responsável pelas suas decisões

    Dopamina: como ela pode ser responsável pelas suas decisões

    Se você pensa que todas as suas decisões são 100% racionais e tomadas com muita consciência, você está enganado. A dopamina, um neurotransmissor importante para o cérebro, também é capaz de influenciar suas decisões e hábitos.

    “Você sabia que muitas das suas decisões — o que você vai comer, com quem você vai sair — tem tudo a ver com a dopamina?”, diz a neurologista Paula Dieckmann.

    Venha entender mais sobre o tema e o que acontece quando a dopamina está desregulada no cérebro.

    O que é dopamina?

    O psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a dopamina é um neurotransmissor importantíssimo para o cérebro.

    “Todo mundo pensa que ela está ligada diretamente (e necessariamente) ao prazer, mas na verdade, ela está muito mais envolvida com a motivação e com a antecipação da recompensa que virá”.

    É importante dizer que a dopamina não atua sozinha, mas faz parte de várias vias dopaminérgicas responsáveis por motivar, antecipar recompensas, regular o humor, ajudar na atenção, nos movimentos e em decisões.

    Como a dopamina influencia decisões e hábitos

    Sinais associados a recompensas podem trazer respostas dopaminérgicas, sobretudo quando há expectativa ou surpresa.

    “Quando você vê uma comida gostosa ou quando você recebe uma notificação do celular de alguém que você gosta muito, tudo isso libera dopamina. Isso motiva você a agir, como comer, clicar, sair ou comprar. A dopamina ajuda o cérebro a calcular: ‘vale a pena ou não vale a pena fazer isso?’”, detalha a neurologista.

    Essa antecipação — que algo bom vai acontecer — gera motivação. E quando algo dá certo, o reforço dopaminérgico registra isso como algo a repetir.

    Quando o sistema dopaminérgico sai do equilíbrio

    Uma desregulação nesse sistema da dopamina pode levar a uma disfunção no sistema da recompensa e da motivação.

    “Transtorno por uso de substâncias e quadros depressivos são exemplos de condições psiquiátricas que podem estar associadas a uma disfunção do sistema dopaminérgico”, explica o psiquiatra.

    Ou seja, se há pouca dopamina ou se ela não está sendo usada direito, podemos sentir falta de motivação, desinteresse pelas coisas que antes nos davam prazer, bem como cansaço mental.

    Em outros casos, níveis muito altos ou desequilíbrio podem favorecer dependência, impulsividade ou alteração de humor.

    Confira: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Dicas práticas para manter a dopamina saudável

    Aqui vão algumas práticas simples que ajudam seu cérebro a equilibrar bem o sistema dopaminérgico:

    • Mantenha hábitos regulares de sono: uma rotina de sono consistente ajuda no humor, na atenção e na autorregulação. O sistema de recompensa é sensível à privação e ao estresse;
    • Faça exercícios físicos: caminhar, correr e praticar esportes podem modular dopamina e melhorar humor e motivação;
    • Procure atividades que você goste: como um hobby, música ou algo criativo. Recompensas naturais ajudam a manter o equilíbrio;
    • Evite estímulos extremos: como o uso excessivo de redes sociais, álcool em demasia e estimulantes, que forçam o sistema de dopamina de forma banal.

    Assista ao vídeo com a explicação dos especialistas sobre a dopamina:

    Perguntas frequentes sobre dopamina

    1. Dopamina é o mesmo que “hormônio da felicidade”?

    Não exatamente. Ela está envolvida no prazer, mas seu papel maior é motivar, dar antecipação de recompensa e induzir a ação — não apenas fazer você “se sentir feliz”.

    2. Se uma pessoa está sem vontade pra nada, isso pode estar ligado à dopamina?

    Sim. A baixa liberação ou desregulação dopaminérgica pode estar presente em quadros depressivos ou falta de motivação intensa.

    3. Comer chocolate libera dopamina?

    Sim — ver, comer ou imaginar algo prazeroso, como chocolate, pode recrutar circuitos de recompensa.

    4. Café, redes sociais e estimulação digital aumentam a dopamina?

    Sim, eles podem modular a dopamina e ativar circuitos de recompensa. Mas o uso excessivo pode levar à tolerância, em que se precisa de estímulos cada vez maiores para sentir o mesmo efeito.

    5. Dopamina está relacionada a doenças neurológicas?

    Sim. Doença de Parkinson (quando há redução na produção de dopamina), TDAH, dependência de substâncias e alguns transtornos de humor estão ligados a desequilíbrios dopaminérgicos.

    6. Dá para “testar” seus níveis de dopamina no dia a dia?

    Não de forma simples. Não existe exame de sangue cotidiano que revele exatamente o que o cérebro está fazendo. Médicos usam sinais clínicos e, em casos especiais, exames especializados.

    Leia mais: TOC não é só mania de limpeza: veja os sintomas reais do transtorno

  • TOC não é só mania de limpeza: veja os sintomas reais do transtorno 

    TOC não é só mania de limpeza: veja os sintomas reais do transtorno 

    Quando você escuta alguém dizer “acho que tenho TOC porque gosto de tudo limpinho”, provavelmente essa pessoa está usando a expressão de forma equivocada. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um problema de saúde mental sério, que gera sofrimento intenso e vai muito além da busca por organização.

    A neurologista Paula Dieckmann explica que TOC não é apenas gostar de tudo limpinho e organizado. “Muitas vezes as pessoas sabem que os comportamentos não fazem sentido algum, mas elas não conseguem parar”, conta.

    O que é TOC?

    O TOC é um transtorno psiquiátrico caracterizado por obsessões (pensamentos recorrentes, indesejados e intrusivos) e compulsões (rituais ou comportamentos repetitivos que a pessoa sente que precisa realizar).

    Embora as compulsões tragam um alívio temporário, logo toda aquela ansiedade retorna e gera um ciclo difícil de interromper. Esse transtorno afeta o dia a dia, os relacionamentos e a qualidade de vida da pessoa.

    Exemplos de rituais do TOC

    A neurologista explica que nem sempre o TOC se apresenta da mesma forma. Os rituais e pensamentos obsessivos variam de pessoa para pessoa, mas alguns exemplos são comuns:

    • Verificação exagerada: checar se a porta está trancada 10, 20 ou até 50 vezes;
    • Lavagem compulsiva: lavar as mãos repetidamente, muito além do necessário, por medo de contaminação;
    • Contagem e simetria: tocar ou contar objetos em ordem específica;
    • Rituais mentais: repetir frases ou pensamentos para evitar que algo ruim aconteça.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann reforça que os conteúdos das obsessões podem variar.

    “Podem ser sobre infecção, simetria, medo de agir e machucar alguém ou a si mesmo. Mas o ponto central é que tudo isso gera sofrimento importante para a pessoa”.

    TOC não é exagero

    Chamar o TOC de “mania” ou “exagero” é não reconhecer a gravidade do problema.

    “TOC não é exagero, nem mania de organização. É um transtorno que gera sofrimento real, com pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos difíceis de controlar”, explica a neurologista.

    Confira: Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Tratamento do TOC

    A boa notícia é que o TOC tem tratamento. As abordagens geralmente são:

    • Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a reduzir obsessões e compulsões;
    • Remédios, como antidepressivos específicos, que podem equilibrar neurotransmissores e ajudar nas obsessões e compulsões;
    • Apoio familiar e social, fundamentais para acolher a pessoa e ajudar no processo de recuperação.

    Falar sobre o TOC é essencial para quebrar preconceitos e encorajar quem sofre a procurar ajuda. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor é o sofrimento.

    Assista ao vídeo em que os especialistas contam mais sobre a condição: ver no Instagram

    Perguntas frequentes sobre TOC

    1. TOC é o mesmo que mania de limpeza?

    Não. O TOC pode até envolver comportamentos ligados à limpeza, mas é muito mais amplo. Envolve obsessões e compulsões que geram sofrimento e atrapalham a vida.

    2. Quem tem TOC percebe que algo está errado?

    Na maioria das vezes, sim. Muitas pessoas sabem que seus rituais são irracionais, mas não conseguem parar de repeti-los.

    3. O TOC tem cura?

    Não se fala em cura definitiva, mas o tratamento pode reduzir drasticamente os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.

    4. Crianças também podem ter TOC?

    Sim. O transtorno pode aparecer ainda na infância ou adolescência, e deve ser tratado desde cedo.

    5. O TOC é comum?

    Estima-se que entre 1% e 3% da população tenha TOC em algum momento da vida.

    6. O que acontece se o TOC não for tratado?

    Sem tratamento, os sintomas tendem a se agravar, causando maior sofrimento, prejuízo social, profissional e emocional.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Se obsessões e compulsões estão ocupando muito tempo do seu dia ou causando sofrimento intenso, é hora de buscar atendimento com um psiquiatra ou psicólogo.

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  • Testes genéticos para remédios contra depressão: saiba o que são e como funcionam 

    Testes genéticos para remédios contra depressão: saiba o que são e como funcionam 

    Encontrar o antidepressivo adequado costuma ser um caminho de tentativas e erros. Para muitos pacientes, o processo exige semanas até que a resposta clínica seja avaliada — período em que podem surgir efeitos colaterais, ajustes de dose e, às vezes, troca do medicamento. Com o avanço da medicina de precisão, surgiram os testes genéticos para antidepressivos, que prometem encurtar esse percurso.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, a ideia é analisar previamente como o organismo do paciente metaboliza e responde a diferentes remédios. “Esses testes funcionam como um mapa: mostram não só como o corpo processa o medicamento, mas também dão pistas de como o cérebro pode reagir”.

    Testes genéticos para antidepressivos: farmacocinéticos e farmacodinâmicos

    A farmacogenética estuda a relação entre genes e resposta a medicamentos. Na psiquiatria, o foco recai especialmente sobre os antidepressivos, usados em depressão, transtornos de ansiedade e outros quadros.

    Nesse contexto, avaliam-se dois conjuntos de genes:

    • Genes farmacocinéticos (metabolismo do fármaco);
    • Genes farmacodinâmicos (alvos e efeito do fármaco no sistema nervoso).

    A maior parte dos testes disponíveis hoje enfatiza os farmacocinéticos, pois analisam como o fígado “quebra” e elimina as substâncias. Os mais estudados são:

    • CYP2D6 e CYP2C19: codificam enzimas hepáticas que metabolizam muitos antidepressivos.

    Pessoas com variantes que aceleram o metabolismo podem eliminar o remédio rápido demais, reduzindo o efeito. Já variantes que lentificam o metabolismo elevam o risco de acúmulo e efeitos colaterais.

    Há também os farmacodinâmicos, que não tratam da metabolização, mas da ação no sistema nervoso, por exemplo:

    • SLC6A4 (transportador de serotonina);
    • HTR2A (receptor de serotonina).

    Esses marcadores ajudam a explicar por que algumas pessoas respondem melhor a certos fármacos ou têm maior propensão a determinados efeitos.

    Diretrizes internacionais e evidências de testes genéticos para antidepressivos

    De acordo com diretrizes do Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium (CPIC), já há recomendações claras para o uso clínico de resultados relacionados a genes de metabolismo (farmacocinéticos). Já os farmacodinâmicos exigem cautela porque:

    • O metabolismo se relaciona diretamente às concentrações do fármaco no sangue (mensuráveis);
    • O efeito cerebral envolve múltiplos mecanismos, ambiente e interação de vários genes simultaneamente.

    Assim, os achados farmacodinâmicos devem ser interpretados de forma complementar e sempre no contexto clínico.

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    Como funcionam os testes na prática

    Os testes genéticos para antidepressivos basicamente funcionam da seguinte forma:

    • Coleta: geralmente por saliva com swab bucal (ou sangue, quando indicado);
    • Análise: o laboratório pesquisa variantes nos genes de interesse;
    • Laudo: classifica fármacos e orienta ajustes que o médico irá interpretar.

    Relatórios comerciais costumam agrupar medicamentos em categorias:

    • Uso normal: sem variantes relevantes;
    • Uso com cautela: possível baixa eficácia ou maior risco de efeitos, exigindo ajuste de dose/monitorização;
    • Uso não recomendado: alta chance de ineficácia ou toxicidade.

    Exemplo: se um paciente é metabolizador ultrarrápido para um antidepressivo, a probabilidade de benefício é baixa — o que permite ajustar a escolha logo no início e evitar tentativas infrutíferas.

    Conclusão do especialista: “Os testes não dão uma resposta definitiva, mas encurtam o caminho até um tratamento mais eficaz, com menos tentativas frustradas e menos efeitos indesejados”.

    Perguntas e respostas sobre testes genéticos para antidepressivos

    1. O que são testes genéticos para antidepressivos?

    Exames que avaliam variações no DNA para entender como o corpo metaboliza e responde aos medicamentos. Ajudam a personalizar o tratamento e podem acelerar a escolha do antidepressivo mais eficaz.

    2. Quais genes costumam ser avaliados?

    Principalmente CYP2D6 e CYP2C19 (metabolismo) e marcadores como SLC6A4 e HTR2A (ação no sistema nervoso).

    3. Qual a diferença entre farmacocinéticos e farmacodinâmicos?

    Farmacocinéticos: mostram como e quão rápido o organismo metaboliza o fármaco.
    Farmacodinâmicos: indicam como o cérebro e os neurotransmissores reagem ao medicamento.

    4. Esses testes já são recomendados em diretrizes?

    orientações consolidadas para genes de metabolismo. Para os farmacodinâmicos, o uso é mais cauteloso e complementar.

    5. Como é feito o exame?

    Coleta simples e pouco invasiva, geralmente por saliva com cotonete estéril (ou por sangue, quando necessário).

    6. Qual o principal benefício para o paciente?

    Reduzir tentativas e erros, evitar longos períodos sem resposta, minimizar efeitos colaterais e chegar mais rápido ao tratamento adequado.

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  • Café: amigo do foco ou vilão da ansiedade? Descubra os efeitos no cérebro 

    Café: amigo do foco ou vilão da ansiedade? Descubra os efeitos no cérebro 

    Amado por uns e ignorado por outros, o café é uma das bebidas mais consumidas do mundo. Para muitos, é indispensável para começar o dia ou enfrentar a fadiga da tarde. Mas afinal: o café faz bem ou mal para a saúde mental? Dois especialistas ajudam a responder.

    A neurologista Paula Dieckmann explica que a cafeína atua bloqueando os receptores de adenosina — uma molécula que induz sono e relaxamento.

    “Quando a adenosina se liga aos seus receptores, você se sente relaxado e cansado. A cafeína, por sua vez, se encaixa nesses receptores, mas não os ativa — e ainda impede que a adenosina aja. Como resultado, há redução da sensação de fadiga, aumento do estado de alerta e maior disposição”, explica a médica.

    É por isso que, depois de um café, você pode se sentir mais focado, desperto e até de melhor humor.

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    Quando o café pode virar problema

    O psiquiatra Luiz Dieckmann lembra que o excesso pode trazer efeitos indesejados.

    “O consumo excessivo de café pode levar a efeitos adversos, que chamamos de cafeinismo: ansiedade, insônia e irritabilidade. E, com o uso contínuo, o cérebro pode acabar desenvolvendo tolerância, ou seja, você vai precisar de mais e mais cafeína para sentir o mesmo efeito de antes”, explica.

    Ou seja, se o café atrapalha o sono, aumenta a ansiedade ou causa irritação, pode ser hora de rever a quantidade consumida.

    Hoje, recomenda-se não ultrapassar 400 mg/dia de cafeína, que equivale a cerca de 3–5 xícaras de café filtrado.

    Café não é a única fonte de cafeína

    Quem resolve diminuir o café para evitar efeitos negativos deve ficar atento a outras fontes de cafeína.

    “Muita gente coloca toda a culpa no cafezinho, mas a cafeína está presente em mais de 60 plantas diferentes”, afirma o psiquiatra.

    Ele reforça: “Chá preto, chá mate, chá verde e várias outras bebidas também contêm cafeína. Então, não coloque a culpa só no cafezinho”, brinca o Dr. Dieckmann.

    Ou seja, mesmo sem café, é possível ingerir cafeína em quantidades significativas por meio de chás, refrigerantes e energéticos.

    Assista ao vídeo com a explicação dos médicos.

    Equilíbrio é o melhor caminho

    O café pode ser tanto amigo quanto inimigo. Em doses moderadas, melhora foco, disposição e humor. Em excesso, prejudica o sono, aumenta a ansiedade e pode causar tolerância.

    “Tudo o que é moderado pode ser bom. O café pode melhorar o humor e a atenção”, resume o psiquiatra.

    Perguntas frequentes sobre café e saúde mental

    1. O café pode ajudar na concentração?

    Sim, a bebida pode ajudar a pessoa a se concentrar melhor. A cafeína bloqueia a adenosina e aumenta o estado de alerta e favorece o foco e a disposição.

    2. Beber muito café pode causar ansiedade?

    Sim. O consumo exagerado pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade e insônia.

    3. Só o café contém cafeína?

    Não. Chás como mate, verde e preto, além de refrigerantes e energéticos, também contêm cafeína.

    4. O café vicia?

    O café pode levar à tolerância — o organismo se acostuma e precisa de doses maiores para o mesmo efeito. Mas isso não equivale à dependência de drogas ilícitas.

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