Chulé constante: causas simples do dia a dia e como acabar com o odor nos sapatos

Mulher retira a meia após o treino na academia, situação associada ao chulé e ao suor nos pés.

Má higiene, micose do pé e até o uso de medicamentos podem influenciar o surgimento do chulé, um quadro que provoca mau cheiro nos pés e pode se tornar frequente no dia a dia. Ele costuma aparecer quando o suor se acumula na pele e cria um ambiente quente e úmido, favorecendo a proliferação de bactérias responsáveis pelo odor característico.

Apesar de comum, ele pode se tornar um grande incômodo quando o mau cheiro aparece todos os dias, mesmo com os cuidados de higiene. Em alguns casos, basta tirar os sapatos para perceber que o odor continua ali, seja nos pés, nas meias ou no próprio calçado.

Mas afinal, como acabar com o chulé constante e evitar que o mau cheiro fique impregnado nos sapatos? O primeiro passo é entender de onde vem o odor e quais hábitos podem estar favorecendo o problema. Vamos entender mais, a seguir.

O que realmente causa o chulé (bromidrose plantar)?

O suor humano é formado principalmente por água e sais minerais e, sozinho, praticamente não tem cheiro. O odor desagradável aparece quando o suor entra em contato com os micro-organismos que vivem naturalmente na pele. Como os pés possuem muitas glândulas sudoríparas, a região pode acumular bastante umidade ao longo do dia.

Quando os pés passam muito tempo abafados dentro de meias e sapatos fechados, o ambiente fica quente e úmido, o que facilita a multiplicação de bactérias, como as do gênero Brevibacterium e a Staphylococcus epidermidis. Elas usam substâncias presentes no suor e resíduos da pele, como as células mortas, e produzem compostos responsáveis pelo cheiro forte.

Quanto mais tempo os pés ficam úmidos dentro das meias e dos sapatos, maiores são as chances de o cheiro ficar forte e persistente.

Causas simples do dia a dia que pioram o chulé

1. Usar o mesmo sapato dois dias seguidos

Ao longo do dia, o interior do calçado e a palmilha absorvem parte do suor dos pés e podem continuar úmidos mesmo depois que o sapato é retirado.

Quando o mesmo par é usado novamente sem ter secado e arejado bem, os pés voltam para um ambiente que já está úmido. Por isso, sempre que possível, vale alternar os calçados e deixá-los em um local ventilado antes de usar novamente.

2. Meias de tecido sintético e sapatos fechados de plástico

As meias e os sapatos também fazem diferença, pois alguns tecidos sintéticos podem dificultar a absorção do suor e a ventilação dos pés. O mesmo acontece com os calçados muito fechados e feitos de materiais pouco respiráveis.

Com pouca circulação de ar, o suor demora mais para evaporar e os pés permanecem úmidos por mais tempo. O resultado é um ambiente favorável para a multiplicação das bactérias relacionadas ao chulé. Dar preferência a meias que ajudem a controlar a umidade e a calçados mais ventilados pode ajudar.

3. Secar mal os pés após o banho (especialmente entre os dedos)

Não adianta lavar bem os pés e deixá-los úmidos logo depois. A região entre os dedos precisa de uma atenção maior porque pode permanecer molhada sem que a pessoa perceba.

Depois do banho, é importante passar a toalha com cuidado entre todos os dedos e esperar os pés secarem antes de colocar as meias e os sapatos. Além de ajudar no controle do chulé, manter a região seca também dificulta a proliferação de fungos relacionados às micoses.

4. Acúmulo de células mortas e falta de esfoliação

A pele dos pés passa por um processo natural de renovação e pode acumular células mortas, principalmente nas regiões que sofrem mais atrito. Os resíduos também podem servir de alimento para algumas das bactérias presentes na pele.

A higiene diária ajuda a remover o suor, as células mortas e outras sujeiras acumuladas. Você não precisa esfregar os pés com força ou fazer uma esfoliação agressiva todos os dias, basta lavar bem a região com água e sabonete e secá-la completamente.

Como acabar com o chulé nos pés?

Para diminuir a umidade dos pés, controlar a proliferação das bactérias e evitar que o mau cheiro volte, você pode adotar algumas medidas no dia a dia:

  • Lave os pés todos os dias: use água e sabonete e lave com atenção a sola, o calcanhar e os espaços entre os dedos para retirar o suor e as impurezas acumuladas;
  • Seque muito bem os pés: depois do banho, passe a toalha em toda a região, principalmente entre os dedos. Evite colocar as meias enquanto a pele ainda estiver úmida;
  • Troque as meias diariamente: não reutilize as meias usadas no dia anterior, mesmo que aparentemente estejam limpas. Elas acumulam suor, células mortas e micro-organismos;
  • Prefira meias que ajudem a controlar a umidade: materiais mais respiráveis ou desenvolvidos para afastar o suor da pele podem ajudar a manter os pés secos durante o dia;
  • Evite usar o mesmo sapato todos os dias: alterne os pares sempre que possível para que o interior de cada calçado tenha tempo suficiente para secar e arejar;
  • Deixe os sapatos em um local ventilado: depois de usá-los, mantenha os calçados abertos e em um ambiente arejado. Evite guardá-los ainda úmidos em armários fechados;
  • Higienize os calçados e as palmilhas: siga as orientações de limpeza de cada material e lave ou troque as palmilhas quando necessário, principalmente quando o odor já estiver impregnado;
  • Evite ficar muitas horas com os pés abafados: quando for possível, retire os sapatos por alguns períodos e dê preferência a calçados que permitam uma melhor circulação de ar;
  • Use talco ou antitranspirante próprio para os pés: os produtos específicos podem ajudar a controlar o excesso de umidade e, consequentemente, diminuir o ambiente favorável às bactérias;
  • Cuide das micoses: a coceira, a descamação, as rachaduras ou as alterações entre os dedos podem indicar uma infecção por fungos. É importante buscar a orientação de um dermatologista para receber o tratamento adequado.

Quando o mau cheiro continua muito forte mesmo com os cuidados de higiene, vale conversar com um dermatologista. A bromidrose persistente ou a transpiração excessiva podem precisar de uma avaliação e de um tratamento específico.

Como tirar o mau cheiro dos sapatos de forma prática

Quando o chulé fica impregnado nos sapatos, cuidar apenas dos pés pode não ser suficiente para diminuir o mau cheiro. O suor e a umidade também ficam acumulados nas palmilhas e no revestimento interno dos calçados, mantendo o ambiente favorável para as bactérias responsáveis pelo odor.

1. Deixe os sapatos arejarem depois do uso

Assim que chegar em casa, evite guardar o calçado imediatamente. Deixe-o aberto em um local seco e ventilado para facilitar a evaporação da umidade acumulada durante o dia.

2. Retire as palmilhas para secar

Quando for possível, retire as palmilhas e deixe-as secar separadamente. Como elas ficam em contato direto com os pés, podem acumular bastante suor. Se forem laváveis, faça a higienização de acordo com as orientações do fabricante.

3. Lave os calçados quando o material permitir

Alguns tênis e outros calçados podem ser lavados com água e sabão neutro. Antes da lavagem, confira as recomendações do fabricante para evitar danos ao tecido, à cola e a outros materiais.

4. Espere o sapato secar completamente

Nada de colocar o tênis ainda úmido. Além de deixar os pés abafados, a umidade favorece a proliferação dos micro-organismos relacionados ao mau cheiro. Por isso, espere o calçado secar completamente antes de usá-lo novamente.

5. Alterne os sapatos durante a semana

Usar o mesmo par todos os dias pode fazer com que o calçado não tenha tempo suficiente para secar. Sempre que possível, alterne entre dois ou mais pares para que cada um possa ficar arejando antes do próximo uso.

6. Troque as palmilhas quando necessário

Se o mau cheiro continuar mesmo depois da higienização, vale observar o estado das palmilhas. Quando estão muito desgastadas ou continuam com odor mesmo após a limpeza, a troca pode ajudar a deixar o calçado mais fresco.

7. Use produtos próprios para os calçados

Os sprays, os pós e outros produtos desenvolvidos para controlar o odor dos calçados podem ajudar no dia a dia. Use sempre de acordo com as orientações do fabricante e lembre que eles não substituem a limpeza e a secagem adequadas.

8. Evite guardar os sapatos suados em locais fechados

Depois de passar horas com os pés dentro do sapato, evite colocá-lo diretamente na sapateira ou no armário. Primeiro, deixe o calçado em um local ventilado até que esteja bem seco. Guardá-lo ainda úmido pode fazer com que o mau cheiro volte no próximo uso.

Onde guardar os sapatos para evitar a proliferação de fungos?

O ideal é deixar os sapatos secarem e arejarem completamente antes de guardá-los. Depois disso, eles podem ficar em uma sapateira ou em um armário limpo, seco e com alguma ventilação. Se o local costuma acumular umidade, os produtos próprios para controlar a umidade do ambiente também podem ajudar.

Não é necessário estabelecer um período específico, como 12 ou 24 horas, para deixar todos os sapatos fora do armário. O tempo de secagem varia de acordo com o material do calçado, a quantidade de suor, o clima e a ventilação do ambiente. O mais importante é conferir se o interior está realmente seco antes de guardar ou usar novamente.

Quando o chulé constante pode indicar uma micose ou problema de saúde?

Quando o chulé continua forte mesmo com a higiene e os cuidados para manter os pés e os sapatos secos, vale prestar atenção em outros sintomas. Em alguns casos, o mau cheiro persistente pode aparecer junto de problemas dermatológicos que precisam de tratamento específico, como a micose nos pés, também conhecida como pé de atleta ou tinea pedis.

Além do odor, ela pode provocar coceira, descamação, vermelhidão, ardência e pequenas rachaduras, principalmente entre os dedos. Como a pele fica machucada, também pode ficar mais vulnerável a infecções bacterianas.

A hiperidrose plantar, caracterizada pela transpiração excessiva nos pés, é um quadro que também pode favorecer o surgimento do chulé. A pessoa pode perceber que os pés e as meias ficam constantemente úmidos, mesmo quando não está calor ou não houve prática de atividade física. A umidade frequente cria um ambiente favorável para os micro-organismos relacionados ao mau cheiro.

Se o chulé persistir mesmo depois das mudanças de higiene e dos cuidados com os calçados, principalmente quando houver coceira intensa, descamação, rachaduras, vermelhidão, dor, feridas ou suor excessivo, é indicado procurar um dermatologista.

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Perguntas frequentes

1. Passar desodorante de axila nos pés ajuda a controlar o chulé?

Apenas se o produto for antitranspirante. O antitranspirante reduz a produção de suor, enquanto o desodorante comum só mascara o odor sem conter a umidade.

2. Colocar os sapatos no sol mata as bactérias?

Não totalmente. A luz solar ajuda a secar a umidade interior, porém o calor excessivo pode danificar o material do calçado e acelerar o desgaste da cola.

3. Lixar a sola dos pés semanalmente diminui o odor?

Lixar em excesso gera o efeito inverso. A agressão faz o corpo produzir uma camada de pele ainda mais grossa para se defender, aumentando a matéria orgânica para as bactérias.

4. Quanto tempo um sapato precisa ficar descansando após o uso?

O tempo mínimo recomendado é de 24 horas antes de voltar a calçar o mesmo par.

5. Pomadas antibióticas vendidas em farmácia tratam a bromidrose?

Apenas com prescrição médica. O uso inadequado de antibióticos na pele pode gerar resistência bacteriana e piorar o quadro.

6. Usar secador de cabelo nos pés após o banho é uma boa ideia?

Sim. O ar frio ou morno do secador garante a remoção total da umidade entre os dedos, reduzindo o risco de micoses e proliferação de bactérias.

7. O cheiro de chulé pode passar de uma pessoa para outra?

O odor em si não é transmissível, mas o uso compartilhado de calçados ou meias transfere fungos e bactérias entre os indivíduos.

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