É uma cena bastante comum na infância: durante uma brincadeira, a criança coloca um feijão, uma bolinha, uma peça de brinquedo ou outro item pequeno dentro do nariz.
Na maioria das vezes, o problema pode ser resolvido sem deixar sequelas. No entanto, tentar retirar o objeto de maneira inadequada pode empurrá-lo ainda mais para dentro da cavidade nasal, provocar sangramento ou dificultar a remoção.
Por isso, saber como agir nos primeiros minutos é fundamental. Baterias tipo botão e ímãs merecem atenção especial, pois podem provocar lesões graves e exigem atendimento médico imediato.
Por que isso acontece com tanta frequência?
Crianças pequenas, principalmente entre 2 e 5 anos, exploram o ambiente de diferentes maneiras. Além de levarem objetos às mãos e à boca, elas também podem colocá-los no nariz e nos ouvidos por curiosidade.
Entre os objetos encontrados com mais frequência estão:
- Feijões;
- Grãos de milho;
- Ervilhas;
- Miçangas;
- Bolinhas de brinquedo;
- Pedaços de papel;
- Espuma;
- Pedrinhas;
- Pequenas peças de brinquedos.
As baterias tipo botão e os ímãs representam situações de maior gravidade e precisam ser retirados com urgência.
Como perceber que há um objeto no nariz?
Em alguns casos, a própria criança conta o que aconteceu. Quando isso não ocorre, alguns sinais podem levantar a suspeita, como:
- Obstrução de apenas uma narina;
- Dificuldade para respirar por um lado do nariz;
- Dor ou desconforto nasal;
- Espirros;
- Sangramento discreto.
Quando o objeto permanece no nariz por vários dias, também podem surgir:
- Secreção com mau cheiro em apenas uma narina;
- Secreção amarelada ou esverdeada;
- Mau odor persistente;
- Sangramentos recorrentes.
A presença de secreção com odor desagradável em apenas um lado do nariz é um sinal clássico de corpo estranho nasal esquecido.
O que fazer imediatamente?
A primeira medida é manter a calma e tranquilizar a criança. Se ela estiver respirando normalmente e o objeto estiver apenas no nariz, geralmente não há obstrução imediata das vias respiratórias.
Em seguida:
- Oriente a criança a não mexer no nariz;
- Não permita que ela tente empurrar o objeto com o dedo;
- Observe qual narina está obstruída;
- Procure atendimento médico para que a retirada seja feita com segurança.
Se a criança apresentar tosse súbita, engasgo ou dificuldade para respirar, existe a possibilidade de o objeto ter se deslocado para a via respiratória. Nesse caso, é necessário procurar atendimento de emergência.
O que não fazer?
Algumas atitudes podem piorar a situação.
Não tente:
- Introduzir pinças, grampos, cotonetes ou outros instrumentos na narina;
- “Pescar” o objeto sem visualização e treinamento adequados;
- Empurrar o objeto com os dedos;
- Fazer várias tentativas seguidas de retirada;
- Irrigar o nariz com água ou soro;
- Pedir que a criança aspire o ar com força pelo nariz.
Objetos orgânicos, como feijões, ervilhas e milho, podem absorver líquido, aumentar de tamanho e ficar ainda mais presos. Além disso, tentativas repetidas podem provocar sangramento, inchaço e deslocar o corpo estranho para regiões mais profundas.
É possível retirar o objeto em casa?
Não é recomendado introduzir instrumentos na narina nem tentar puxar o objeto com pinças, mesmo quando ele parece estar próximo da entrada.
Uma opção de primeiros socorros descrita para alguns casos é a técnica conhecida como “beijo da mãe”, que utiliza uma pressão de ar suave para tentar expulsar o objeto.
Ela pode ser considerada quando:
- A criança está respirando normalmente;
- O objeto está em apenas uma narina;
- Não há suspeita de bateria ou ímã;
- O objeto não é pontiagudo;
- Não existe sangramento importante.
Caso a manobra não funcione na primeira tentativa ou a criança não colabore, não se deve insistir. O ideal é procurar atendimento médico.
Como funciona a técnica do “beijo da mãe”?
A técnica é realizada da seguinte maneira:
- O adulto explica à criança que dará um “beijo grande”;
- Fecha com o dedo a narina que está livre;
- Coloca a boca sobre a boca da criança, formando uma vedação;
- Sopra de maneira curta e firme, observando se o objeto sai pela narina obstruída.
A força deve ser semelhante à utilizada para encher um pequeno balão, sem sopros repetidos ou excessivos.
A técnica não deve ser realizada quando houver suspeita de bateria tipo botão, ímã, objeto pontiagudo, sangramento importante, dificuldade para respirar ou possibilidade de o item ter sido aspirado.
Quando procurar um pronto-socorro imediatamente?
Algumas situações exigem atendimento urgente.
Procure um serviço de emergência se houver:
- Dificuldade para respirar;
- Engasgo ou tosse intensa após a colocação do objeto;
- Suspeita de que o objeto foi aspirado;
- Sangramento importante;
- Dor intensa;
- Objeto pontiagudo;
- Suspeita de bateria tipo botão;
- Suspeita de um ou mais ímãs;
- Falha na primeira tentativa de pressão positiva;
- Impossibilidade de identificar qual objeto foi colocado.
Baterias e ímãs podem lesionar rapidamente os tecidos do nariz e não devem aguardar uma consulta eletiva.
Por que as baterias tipo botão são tão perigosas?
As baterias tipo botão representam uma emergência médica. Quando ficam presas na cavidade nasal, podem gerar uma corrente elétrica e provocar queimaduras graves nos tecidos em poucas horas.
Entre as possíveis complicações estão:
- Necrose da mucosa;
- Perfuração do septo nasal;
- Infecções;
- Lesões permanentes.
Por isso, a retirada deve ser feita o mais rápido possível por uma equipe de saúde. Baterias e ímãs precisam de remoção imediata devido ao risco de queimadura, necrose por pressão e perfuração da mucosa ou do septo nasal.
E os ímãs?
Os ímãs também exigem atenção especial.
Quando há um ímã em cada narina ou um ímã associado a outro objeto metálico, eles podem se atrair e comprimir o septo nasal entre eles.
Essa pressão pode provocar:
- Lesão da mucosa;
- Interrupção do fluxo de sangue no tecido;
- Necrose;
- Perfuração do septo nasal.
Assim como as baterias, os ímãs precisam ser retirados com urgência.
O que os médicos fazem no pronto-atendimento?
Inicialmente, o médico examina a cavidade nasal com iluminação adequada e instrumentos específicos.
Dependendo do tipo, do formato e da posição do objeto, podem ser utilizados:
- Técnicas de pressão positiva;
- Pinças apropriadas;
- Pequenos ganchos;
- Cateteres com balão;
- Equipamentos de aspiração.
Na maioria das vezes, a retirada é rápida. Entretanto, a primeira tentativa costuma ser a que oferece maior chance de sucesso. Por isso, o profissional avalia cuidadosamente qual técnica é mais adequada antes de iniciar o procedimento.
Em crianças muito pequenas, agitadas ou pouco colaborativas, pode ser necessária contenção adequada ou sedação para garantir a segurança durante a retirada.
São necessários exames?
Na maioria dos casos, não. Quando o objeto pode ser visualizado diretamente, o diagnóstico costuma ser feito apenas pelo exame físico.
Radiografias ou outros exames podem ser solicitados quando:
- Existe dúvida sobre o tipo de objeto;
- Há suspeita de bateria;
- O objeto não é visualizado diretamente;
- Existe suspeita de aspiração;
- A história não está clara.
Quando há dificuldade para visualizar o interior do nariz, o otorrinolaringologista também pode realizar uma nasofibroscopia.
Quais complicações podem ocorrer?
Se o objeto permanecer no nariz por muito tempo ou se houver tentativas inadequadas de retirada, podem surgir:
- Infecção;
- Inflamação da mucosa;
- Sangramentos repetidos;
- Secreção com mau cheiro;
- Feridas dentro do nariz;
- Perfuração do septo nasal, principalmente nos casos de baterias e ímãs;
- Aspiração para as vias respiratórias, embora isso seja incomum.
O risco depende do tipo de objeto, do tempo que ele permanece no local e das tentativas realizadas antes do atendimento.
Como prevenir esse tipo de acidente?
A prevenção é a melhor estratégia.
Alguns cuidados são:
- Manter objetos pequenos fora do alcance de crianças menores;
- Supervisionar as brincadeiras;
- Respeitar a indicação de idade dos brinquedos;
- Evitar brinquedos com peças pequenas na faixa etária de maior risco;
- Manter baterias tipo botão e ímãs em compartimentos bem fechados;
- Descartar baterias usadas em local seguro;
- Ensinar a criança a não colocar objetos no nariz, na boca ou nos ouvidos.
Também é importante verificar periodicamente brinquedos, controles remotos, chaves de carro e outros aparelhos que utilizam baterias pequenas.
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Perguntas frequentes sobre objetos no nariz
1. Meu filho colocou um feijão no nariz. O que devo fazer?
Mantenha a calma, impeça que a criança mexa no nariz e não introduza pinças ou cotonetes. Como o feijão pode absorver líquidos e aumentar de tamanho, não lave a narina. Procure atendimento caso ele não seja expelido por uma única tentativa segura de pressão positiva.
2. Posso usar uma pinça?
Não é recomendado. A pinça pode empurrar o objeto mais profundamente, provocar sangramento ou dificultar a retirada posterior.
3. O que é a técnica do “beijo da mãe”?
É uma manobra de pressão positiva na qual o adulto fecha a narina livre e sopra pela boca da criança para tentar expulsar o objeto pela narina obstruída. Ela deve ser utilizada apenas em situações apropriadas e nunca em casos de baterias, ímãs, objetos pontiagudos ou dificuldade respiratória.
4. Como saber se ainda existe um objeto no nariz?
Obstrução de apenas uma narina, secreção persistente com mau cheiro, sangramentos repetidos e dificuldade para respirar por um dos lados podem indicar que ainda existe um corpo estranho no local.
5. Quando devo levar a criança imediatamente ao hospital?
Quando houver dificuldade para respirar, tosse ou engasgo súbitos, sangramento importante, dor intensa, suspeita de aspiração ou presença de bateria, ímã ou objeto pontiagudo.
6. Como os médicos retiram o objeto?
A retirada pode ser feita com técnicas de pressão positiva ou instrumentos específicos, como pinças delicadas, ganchos, cateteres com balão e equipamentos de aspiração. Em alguns casos, pode ser necessária sedação.
7. Qual é o objeto mais perigoso quando fica preso no nariz?
As baterias tipo botão estão entre os objetos mais perigosos, pois podem causar queimaduras graves nos tecidos do nariz em poucas horas. Os ímãs também podem provocar lesões importantes, especialmente quando comprimem o septo nasal. Ambos exigem atendimento médico imediato.
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