Escape de xixi: quando ele costuma aparecer e como funciona o tratamento? 

Mulher com as mãos sobre a região da bexiga, representando sintomas de incontinência urinária ou escape de xixi

Normalmente associado ao envelhecimento, o escape de xixi pode acontecer em qualquer fase da vida e afetar tanto mulheres quanto homens, apesar de mais comum no público feminino.

Ele acontece quando a pessoa perde urina de forma involuntária, seja em pequenas gotas ou em maior quantidade, por causa de alterações que comprometem o funcionamento normal da bexiga, da uretra, dos músculos do assoalho pélvico ou dos nervos que controlam a micção.

Dependendo da causa, o problema pode aparecer apenas durante esforços, surgir junto com uma vontade intensa e repentina de urinar ou até combinar as duas situações.

Além do desconforto físico, a incontinência urinária também pode afetar a autoestima, a vida social e a confiança, fazendo com que várias pessoas deixem de praticar atividades físicas, viajar ou até sair de casa por medo de passar por situações constrangedoras.

O que é o escape de xixi e por que acontece?

O escape de xixi, conhecido como incontinência urinária, é a perda involuntária de urina. Ele acontece quando as estruturas responsáveis por segurar a urina no organismo, como os músculos do assoalho pélvico, os ligamentos e o esfíncter da uretra, passam por algum tipo de enfraquecimento, alteração anatômica ou falha no funcionamento da bexiga.

No Brasil, a incontinência urinária atinge cerca de 11% a 23% das mulheres adultas e pode chegar a 50% após os 75 anos. Mas, apesar de comum na população feminina, ela nunca deve ser considerada normal, independentemente da idade ou da rotina da mulher. Sempre que o xixi escapa de forma indesejada, existe uma causa que precisa ser investigada e, quando necessário, tratada.

Quando o escape de xixi costuma aparecer?

O escape de urina pode surgir em diferentes fases e situações ao longo da vida da mulher, variando de acordo com as mudanças do corpo e do estilo de vida:

1. Na gravidez e no pós-parto

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a gestação é o principal fator de risco para o surgimento do problema. O próprio fato de engravidar, devido ao peso do útero e às alterações hormonais, já aumenta a sobrecarga sobre a musculatura pélvica.

Caso o parto vaginal não receba a assistência adequada, o risco de lesões e flacidez pode aumentar. No entanto, quando bem assistido, o parto normal apresenta um nível de risco semelhante ao da cesariana.

2. A partir dos 40 anos e na menopausa

A partir dos 40 anos e durante a transição para a menopausa, o corpo feminino passa por uma queda natural nos níveis de estrogênio, acompanhada pela perda gradual de colágeno e elastina nos tecidos, incluindo os ligamentos da região pélvica.

A redução da sustentação dos tecidos e da massa muscular local pode deixar a perda urinária mais frequente com o passar dos anos.

3. Em pessoas jovens e praticantes de exercícios

Nas mulheres mais jovens, o escape pode surgir devido ao sedentarismo, já que a falta de atividade física pode contribuir para o enfraquecimento da musculatura pélvica.

Por outro lado, Andreia explica que o excesso também pode ser prejudicial, já que a prática de exercícios de alto impacto ou o hábito de carregar muito peso sem contrair e proteger adequadamente o assoalho pélvico podem aumentar a pressão sobre a bexiga e favorecer a perda involuntária de urina.

4. Fatores de risco, como peso, prisão de ventre e estresse

No dia a dia, alguns hábitos e condições podem influenciar o funcionamento do sistema urinário, como:

  • Excesso de peso: aumenta a pressão dentro do abdômen e, consequentemente, a sobrecarga sobre a bexiga;
  • Constipação (prisão de ventre): o esforço frequente para evacuar pode enfraquecer o assoalho pélvico ao longo do tempo;
  • Estresse: segundo a médica, a bexiga possui receptores de adrenalina, por isso as situações de estresse intenso podem estimular o órgão e favorecer as contrações involuntárias;
  • Uso de alguns medicamentos: pode interferir no funcionamento da bexiga e aumentar a vontade de urinar.

O uso de alguns medicamentos e o consumo excessivo de cafeína também podem irritar ou estimular a bexiga, aumentando a vontade de urinar e o risco de escapes.

Quais os tipos de incontinência urinária?

Incontinência urinária de esforço (ao tossir, rir ou se exercitar)

A incontinência urinária de esforço acontece quando a pessoa perde urina ao realizar movimentos que aumentam a pressão dentro do abdômen, como tossir, espirrar, dar risada, pular ou correr.

Conforme explica Andreia, o tipo pode ocorrer por dois motivos anatômicos principais: a hipermobilidade da bexiga, quando há perda do ângulo adequado entre a bexiga e a uretra devido à flacidez vaginal, ou a insuficiência uretral, quando a uretra não consegue suportar adequadamente o aumento da pressão interna.

Incontinência de urgência (vontade súbita e incontrolável)

Também chamada de urge-incontinência, a condição é caracterizada por uma vontade repentina, intensa e difícil de controlar de urinar, que muitas vezes provoca o escape antes mesmo de a pessoa chegar ao banheiro.

A ginecologista explica que o problema ocorre devido às contrações involuntárias da bexiga em momentos inadequados, mesmo quando não existe uma alteração na uretra. Uma das possíveis causas do sintoma é a infecção urinária, que pode irritar a parede da bexiga e aumentar a urgência para urinar.

Incontinência urinária mista

A incontinência urinária mista ocorre quando a pessoa apresenta uma combinação dos dois tipos anteriores, com escapes tanto durante os esforços físicos quanto diante de uma vontade repentina e intensa de urinar.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da incontinência urinária é clínico, feito a partir de uma conversa detalhada sobre o histórico da paciente, a rotina, a frequência dos escapes e as situações em que a perda de urina costuma acontecer.

O médico também pode perguntar sobre a quantidade de urina perdida, a presença de vontade urgente de ir ao banheiro e os possíveis fatores de risco.

Na maioria dos casos, o especialista solicita um exame de urina, principalmente para descartar ou confirmar uma infecção urinária. A infecção pode irritar a bexiga e causar sintomas como vontade frequente e urgente de urinar, ardência e até pequenos escapes.

Quando fazer o exame de urodinâmica?

Quando não existe uma infecção e os sintomas persistem, o médico pode indicar o estudo urodinâmico. Andreia Sapienza explica que o exame permite avaliar com mais detalhes o funcionamento da bexiga e da uretra, ajudando a identificar o tipo de incontinência e o mecanismo responsável pela perda de urina.

Durante o procedimento, são utilizados pequenos sensores para medir as pressões relacionadas ao funcionamento da bexiga. O exame acompanha como o órgão se comporta enquanto enche e durante o esvaziamento, permitindo observar possíveis alterações que podem estar relacionadas aos escapes de urina.

Quais são os tratamentos para o escape de xixi?

O tratamento varia de acordo com a causa da perda urinária e pode incluir medidas conservadoras, medicamentos ou cirurgia:

  • Fisioterapia pélvica e exercícios: indicada principalmente para a incontinência urinária de esforço, ajuda a fortalecer os músculos do assoalho pélvico, melhorando a sustentação dos órgãos da região e reduzindo os escapes de urina;
  • Remédios para relaxar a bexiga: usados principalmente na incontinência de urgência, ajudam a controlar a atividade da bexiga, diminuindo as contrações involuntárias e a vontade súbita e intensa de urinar;
  • Procedimentos como laser, radiofrequência e fios de PDO: são técnicas que estimulam a produção de colágeno e melhoram a qualidade dos tecidos da região íntima, podendo ajudar na melhora dos sintomas. A indicação deve ser avaliada pelo médico de acordo com o tipo de incontinência e as necessidades de cada paciente.

A cirurgia pode ser indicada nos casos de incontinência urinária de esforço mais intenso ou quando os tratamentos conservadores e a fisioterapia não apresentam o resultado esperado. Ela contribui para melhorar a sustentação da uretra e corrigir alterações anatômicas relacionadas à perda de urina.

Como prevenir a perda involuntária de urina?

A prevenção do escape de xixi envolve especialmente a adoção de hábitos saudáveis e o cuidado com a musculatura pélvica ao longo da vida:

  • Praticar exercícios para fortalecer os músculos do assoalho pélvico;
  • Aprender a contrair o assoalho pélvico corretamente durante as atividades físicas;
  • Manter o peso corporal adequado para reduzir a pressão sobre a bexiga;
  • Tratar a prisão de ventre e evitar fazer muita força para evacuar;
  • Manter uma alimentação equilibrada e rica em fibras para melhorar o funcionamento do intestino;
  • Evitar o consumo excessivo de café e de bebidas com cafeína;
  • Controlar o estresse, que pode aumentar a vontade de urinar;

A consulta regular com o ginecologista também é necessária para acompanhar a saúde da mulher, identificar possíveis fatores de risco para a incontinência urinária e iniciar o tratamento adequado quando necessário.

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Perguntas frequentes

1. Fazer xixi várias vezes ao dia é sinal de incontinência?

Pode ser. O normal é urinar entre 4 e 7 vezes por dia. Ir ao banheiro mais de 8 vezes ao dia ou acordar mais de 2 vezes à noite (noctúria) pode indicar bexiga hiperativa ou infecção urinária.

2. Tomar pouca água ajuda a evitar que o xixi escape?

Não, isso piora o problema. Beber pouca água deixa a urina mais concentrada e ácida, o que irrita as paredes da bexiga e pode provocar contrações involuntárias e infecções.

3. Como os exercícios de Kegel ajudam no controle do xixi?

Os exercícios de Kegel consistem na contração e no relaxamento consciente do assoalho pélvico. Eles fortalecem os músculos que dão suporte à bexiga e à uretra, aumentando o controle sobre a retenção da urina.

4. Qual médico deve ser consultado em casos de perda de urina?

O diagnóstico inicial e o tratamento podem ser conduzidos por um ginecologista ou por um urologista. A fisioterapeuta pélvica é a profissional indicada para a reabilitação muscular.

5. Quanto tempo demora para o tratamento com fisioterapia fazer efeito?

A resposta varia, mas a maioria das mulheres nota uma melhora significativa nos sintomas após 8 a 12 sessões semanais, desde que mantenha os exercícios diários recomendados para fazer em casa.

6. Segurar o xixi por muito tempo causa incontinência?

Sim, pode contribuir. O hábito frequente de adiar a ida ao banheiro estica excessivamente as paredes da bexiga, enfraquecendo a musculatura vesical e prejudicando a capacidade de contração ao longo do tempo.

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