A Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, é um método baseado em evidências científicas que ajuda a criança a aprender novas habilidades e a reduzir comportamentos que dificultam o desenvolvimento.
Apesar de ser mais conhecida pela importância no acompanhamento do transtorno do espectro autista (TEA), a abordagem também pode ser utilizada em outras situações que envolvem dificuldades de aprendizagem, comunicação ou comportamento. Vamos entender mais, a seguir.
O que é a terapia ABA e para que serve?
ABA é a sigla para Applied Behavior Analysis, expressão em inglês que significa Análise do Comportamento Aplicada.
Ela consiste em uma área da ciência que estuda como as pessoas aprendem novos comportamentos. A partir disso, os profissionais ensinam habilidades importantes e ajudam a reduzir comportamentos que podem atrapalhar o desenvolvimento da criança.
Atualmente, a terapia ABA é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por diversas entidades médicas internacionais como o tratamento com maior nível de evidência científica para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).
Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, diversos estudos mostram que a intervenção ajuda a criança a desenvolver a comunicação, melhorar a interação com outras pessoas, conquistar mais independência nas atividades do dia a dia e reduzir comportamentos que dificultam a aprendizagem e a convivência.
Para quem a terapia ABA é indicada?
A ABA é indicada principalmente para pessoas com autismo, independentemente do grau de suporte. As crianças pequenas costumam apresentar uma resposta muito positiva porque o cérebro ainda está em uma fase de grande desenvolvimento, mas adolescentes e adultos também podem se beneficiar do tratamento.
Dependendo da necessidade de cada pessoa, a terapia pode ajudar no desenvolvimento da fala, na interação social, na autonomia, na adaptação à escola, no controle das emoções e na redução de comportamentos que colocam a criança em risco ou dificultam a aprendizagem.
Como funciona o tratamento com a metodologia ABA na prática?
Na terapia ABA, cada paciente recebe um plano totalmente individualizado, criado de acordo com a idade, as habilidades que já desenvolveu e as dificuldades que ainda precisam ser trabalhadas.
Antes de iniciar o acompanhamento, a equipe médica faz uma avaliação completa para entender quais objetivos serão mais importantes naquele momento do desenvolvimento.
Segundo Bárbara, o tratamento costuma acontecer em algumas etapas.
1. Avaliação inicial
No começo, uma avaliação detalhada é necessária para identificar o que a criança já consegue fazer e quais habilidades ainda precisam ser estimuladas.
Durante a fase, o profissional também observa quais comportamentos podem dificultar o aprendizado, como a dificuldade para permanecer sentado durante uma atividade, a sensibilidade exagerada a sons ou a irritação diante de pequenas mudanças na rotina.
2. Plano de intervenção (PI)
Depois da avaliação, a equipe elabora um Plano de Intervenção, conhecido como PI. Nesse documento ficam definidos objetivos bem específicos para os próximos meses, sempre de uma forma que permita acompanhar a evolução da criança.
As metas podem ser simples, como responder quando alguém chama pelo nome, olhar para quem está falando ou aprender a fazer um gesto de despedida ao chegar ou sair da terapia.
3. Reforço positivo
O reforço positivo é um princípio que consiste em adicionar um estímulo desejável ou recompensador logo após a emissão de um comportamento
Na prática, sempre que a criança consegue realizar uma atividade ou faz um esforço para aprender uma nova habilidade, ela recebe uma recompensa que seja importante para ela, como um elogio, uma brincadeira, um brinquedo favorito ou qualquer outra atividade que desperte interesse.
Aos poucos, o cérebro aprende que repetir aquele comportamento traz uma experiência agradável, aumentando as chances de que ele aconteça novamente.
4. Aprender um passo de cada vez
Na terapia ABA, as habilidades são ensinadas aos poucos, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. Quando o objetivo é desenvolver uma tarefa mais complexa, como pedir água, por exemplo, o aprendizado é dividido em pequenas etapas para facilitar a compreensão e evitar frustrações.
Primeiro a criança aprende a olhar para a pessoa, depois faz um som, em seguida aprende a falar a palavra e, aos poucos, consegue fazer o pedido de forma espontânea. Cada conquista se transforma na base para aprender a seguinte, tornando o desenvolvimento mais natural e consistente.
Papel da equipe multidisciplinar na terapia ABA
Para que a criança tenha um bom desenvolvimento, vários profissionais precisam trabalhar juntos, conversar entre si e seguir os mesmos objetivos durante todo o tratamento. Cada um deles desempenha um papel diferente:
- Analista do comportamento: organiza todo o tratamento, define os objetivos, acompanha os resultados e orienta os profissionais que realizam as sessões;
- Fonoaudiólogo: trabalha o desenvolvimento da fala, da linguagem, da comunicação e também ensina formas alternativas de comunicação quando necessário;
- Terapeuta ocupacional: ajuda a criança a desenvolver a coordenação motora, a autonomia nas atividades do dia a dia e a lidar melhor com os estímulos do ambiente, como sons, texturas, cheiros e luzes;
- Outros profissionais: dependendo das necessidades da criança, também podem participar fisioterapeutas, psicomotricistas, musicoterapeutas e profissionais de equoterapia, ampliando os estímulos durante o tratamento.
De acordo com Bárbara, não adianta cada profissional trabalhar de forma separada, porque a criança aprende melhor quando recebe os mesmos estímulos em todos os ambientes e durante todas as terapias.
Quantas horas de terapia ABA o bebê precisa por semana?
Segundo Bárbara, a resposta depende das necessidades de cada criança. Como o cérebro infantil aprende rápido nos primeiros anos de vida, a repetição dos estímulos ajuda a fortalecer novas conexões e favorece o desenvolvimento.
A recomendação geral costuma variar entre 10 e 40 horas por semana. A quantidade de horas é definida depois da avaliação e leva em consideração as dificuldades apresentadas, os objetivos do tratamento e a intensidade dos atrasos no desenvolvimento.
Como identificar se a terapia ABA do seu filho é de qualidade?
Com o aumento na busca por tratamentos para o TEA nos últimos anos, o mercado de saúde passou por um processo de precarização. No Brasil, a profissão de analista do comportamento ainda não é devidamente regulamentada, o que exige dos pais um olhar muito atento e crítico para garantir que o serviço contratado seja ético e eficiente.
Segundo Bárbara, uma das principais falhas atuais é a colocação de estudantes ou profissionais sem experiência na função de aplicadores diretos da terapia, sem que haja uma retaguarda adequada.
Antes de escolher onde o filho será atendido, vale a pena observar alguns pontos que ajudam a identificar se o tratamento realmente tem qualidade:
- A equipe conta com um profissional qualificado: o tratamento deve ser acompanhado por um analista do comportamento com formação e experiência na área, responsável por planejar o atendimento e acompanhar a evolução da criança;
- Existe supervisão frequente: quando as sessões são feitas por aplicadores ou terapeutas, o trabalho precisa ser acompanhado de perto pelo supervisor, que analisa os resultados e faz os ajustes necessários no plano de tratamento;
- A família participa do processo: uma boa terapia também orienta os pais. A equipe deve explicar o que foi trabalhado durante a semana, ensinar como estimular a criança em casa e ouvir as dúvidas e observações da família;
- O atendimento é acolhedor e respeita a criança: a terapia nunca deve utilizar punições, causar medo ou gerar sofrimento. Um bom tratamento respeita o ritmo da criança, utiliza estratégias positivas de aprendizagem e acolhe tanto o paciente quanto a família durante todo o processo.
A equipe também deve explicar quais habilidades estão sendo trabalhadas, mostrar aos pais como continuar os estímulos em casa e ouvir como a criança se comporta no dia a dia.
Quando os responsáveis participam ativamente do tratamento e dão continuidade às atividades fora da clínica, a criança tem mais oportunidades de praticar o que aprendeu e generalizar as habilidades para diferentes situações da rotina.
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Perguntas frequentes
1. Por que a ABA é considerada o “padrão-ouro” para o autismo?
Porque é a abordagem terapêutica com o maior volume de evidências científicas comprovadas no mundo, mostrando resultados reais na evolução de crianças dentro do espectro.
2. A terapia ABA serve apenas para quem tem autismo?
Não. Apesar de famosa no tratamento do TEA, a ABA pode ser aplicada no manejo de TDAH, transtornos de aprendizagem, no ambiente escolar e até em treinamentos de grandes empresas.
3. A partir de qual idade a criança pode começar a terapia ABA?
Não há idade mínima. Se o bebê apresentar sinais de risco ou atrasos no desenvolvimento (mesmo antes de 1 ano), a intervenção baseada em ABA já pode e deve ser iniciada.
4. Por que a terapia ABA precisa de tantas horas por semana?
Porque o cérebro de uma criança autista precisa de mais repetição e intensidade para consolidar aprendizados e criar novas conexões neurais em comparação com crianças neurotípicas.
5. Quanto tempo dura o tratamento com a terapia ABA?
Não há prazo fixo. O tratamento dura o tempo necessário para que a criança minimize seus prejuízos e ganhe autonomia nas atividades diárias, podendo durar meses ou anos.
6. Qual a diferença entre a ABA e a terapia com psicólogo comum?
A psicologia tradicional costuma focar na fala e na elaboração interna de sentimentos no consultório. A ABA foca na observação direta do comportamento e na modificação de ações práticas do dia a dia, medindo o progresso por meio de dados e gráficos.
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