Independentemente do tipo de trabalho, é normal vivenciar algum nível de cobrança, pressão e estresse no dia a dia, já que todos precisam lidar com responsabilidades, prazos, metas e desafios profissionais. Só que o desgaste não deve ser permanente nem continuar mesmo após os momentos de descanso, como depois do fim de semana, do feriado ou das férias.
Quando o estresse do trabalho se torna crônico e ultrapassa os limites do ambiente profissional, invadindo os momentos de lazer, o convívio familiar e até o sono, ele deixa de ser uma resposta natural às demandas e passa a representar um importante sinal de alerta para a saúde física e mental.
“Nem sempre o problema é falta de resiliência no trabalho. Às vezes, o ambiente realmente está adoecendo a pessoa”, complementa o psiquiatra Luiz Dieckmann.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome de Burnout é uma condição relacionada ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado de forma adequada.
Além do Burnout, ambientes profissionais marcados por excesso de cobranças, metas inalcançáveis, conflitos constantes, assédio moral, jornadas prolongadas e falta de reconhecimento também aumentam o risco de desenvolver ansiedade, depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.
Como saber se o ambiente de trabalho está me deixando doente?
1. Ansiedade extrema aos domingos
Se a simples chegada do domingo à noite ou a perspectiva de que a segunda-feira está se aproximando causa aperto no peito, taquicardia ou uma angústia profunda, é importante ficar atento.
O quadro, conhecido popularmente como Sunday Scaries, pode indicar que o cérebro passou a associar o ambiente de trabalho a uma ameaça, e não a um local saudável de produtividade.
2. Exaustão que o descanso não cura
Se mesmo após um fim de semana de descanso ou um período de férias, você continuar acordando sem energia e com a sensação de que a bateria está sempre no fim, o ambiente de trabalho pode estar consumindo as suas reservas físicas e emocionais.
3. Dores físicas sem uma causa aparente
Quando a sobrecarga emocional se mantém por muito tempo, podem surgir sintomas físicos mesmo sem uma doença que explique os sinais, como:
- Dores de cabeça ou crises frequentes de enxaqueca;
- Tensão muscular nos ombros, no pescoço e nas costas;
- Gastrite, refluxo, dor de estômago ou alterações no intestino;
- Resfriados e infecções frequentes devido à queda da imunidade.
Os sintomas acontecem porque o organismo permanece em estado de alerta por longos períodos, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina de forma contínua.
Aos poucos, o desequilíbrio sobrecarrega diversos sistemas do corpo, favorecendo inflamações, aumentando a tensão muscular, prejudicando a digestão e enfraquecendo o sistema imunológico.
4. Mudanças no sono e no apetite
A dificuldade para dormir, acordar várias vezes durante a madrugada ou passar a noite pensando em problemas do trabalho podem indicar que o estresse está ultrapassando a jornada de trabalho e interferindo no funcionamento normal do organismo.
Com o tempo, a falta de um sono reparador aumenta o cansaço, reduz a concentração, prejudica a memória e dificulta o controle das emoções.
5. Dificuldade para se concentrar e vontade de adiar tudo
Se tarefas simples passaram a exigir muito esforço, você demora para responder mensagens, esquece compromissos ou sente dificuldade para manter o foco, pode ser consequência do esgotamento mental e não apenas falta de organização.
6. Irritabilidade constante
Quando o estresse do trabalho já está afetando o controle das emoções e os relacionamentos, você costuma perder a paciência com facilidade, responder de forma mais ríspida, se irritar por motivos pequenos ou levar a tensão do escritório para dentro de casa.
Os familiares, amigos e até colegas de trabalho podem perceber mudanças no seu comportamento antes mesmo de você notar que está emocionalmente sobrecarregado.
7. Falta de interesse pelo trabalho
Quando tudo passa a parecer sem importância e você deixa de se importar com os resultados ou perde o entusiasmo por atividades que antes gostava de fazer, pode estar surgindo um dos principais sinais da síndrome de Burnout: o distanciamento emocional.
8. Vontade de se isolar
A necessidade de evitar o contato com as pessoas também pode indicar que o ambiente de trabalho está causando sofrimento emocional. Você passa a evitar conversas com os colegas, deixa de participar de almoços e confraternizações, mantém a câmera desligada em reuniões sem necessidade ou reduz ao máximo qualquer interação com a equipe.
Em muitos casos, o isolamento acontece porque o cérebro tenta se proteger de um ambiente que passou a ser associado ao estresse e ao desgaste constante.
Como saber se é síndrome de Burnout?
A síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico no trabalho. Diferentemente de um período de cansaço comum, os sintomas persistem por semanas ou meses e continuam mesmo depois do descanso, afetando o desempenho profissional, a saúde e a vida pessoal.
O diagnóstico deve ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, que avaliará o histórico do paciente, os sintomas e o impacto deles na rotina. Como o Burnout pode apresentar sinais semelhantes aos da ansiedade e da depressão, a avaliação profissional é necessária para identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado.
Quando procurar ajuda psicológica?
Vale a pena buscar acompanhamento psicológico quando você perceber:
- Tristeza, ansiedade, medo ou irritabilidade intensos e frequentes;
- Queda no rendimento no trabalho ou nos estudos;
- Dificuldade para se concentrar e realizar tarefas simples;
- Isolamento de amigos e familiares;
- Conflitos frequentes nos relacionamentos;
- Insônia, cansaço constante ou fadiga que não melhora com o descanso;
- Dores de cabeça, dores no estômago ou mudanças no apetite sem causa médica;
- Dificuldade para lidar com perdas, mudanças ou momentos difíceis da vida;
- Aumento do consumo de álcool, automedicação, compras compulsivas ou outros comportamentos de risco;
- Perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
- Vontade de se conhecer melhor, fortalecer a autoestima e aprender a estabelecer limites.
A terapia também pode ser indicada para quem deseja desenvolver o autoconhecimento, fortalecer a autoestima, aprender a impor limites, melhorar os relacionamentos e encontrar formas mais saudáveis de lidar com as emoções.
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Perguntas frequentes
1. Como a postura no trabalho afeta a saúde a longo prazo?
Ficar várias horas sentado ou em pé, sem uma postura adequada, pode causar dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de aumentar o risco de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), problemas na coluna, má circulação e varizes.
2. O que é a síndrome do “presenteísmo”?
É quando o funcionário continua indo ao trabalho, mas não consegue render como antes porque está com problemas de saúde física ou mental, muitas vezes provocados pelo próprio ambiente de trabalho.
3. Como o trabalho em turnos ou noturno afeta o relógio biológico?
Trabalhar à noite ou em turnos altera o relógio biológico do corpo e prejudica a produção de melatonina, o hormônio do sono. Com o tempo, isso pode causar insônia, cansaço constante e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
4. O plano de saúde corporativo cobre tratamentos de saúde mental?
Sim, os planos de saúde devem cobrir consultas com psiquiatras e sessões de psicoterapia quando previstas no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, algumas empresas também oferecem programas de apoio psicológico e telemedicina.
5. O estresse no trabalho pode causar queda de cabelo?
Sim, o estresse prolongado pode provocar o eflúvio telógeno, uma condição que aumenta a queda de cabelo. Em algumas pessoas, também pode favorecer o surgimento da alopecia areata.
6. O que é a “síndrome do impostor” desenvolvida no trabalho?
É a sensação constante de não ser bom o suficiente, mesmo tendo bons resultados. A pessoa acredita que as próprias conquistas aconteceram por sorte e vive com medo de ser considerada uma fraude, situação que pode ser agravada em ambientes muito competitivos ou com pouca valorização profissional.
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