Você já foi chamado de workaholic? O apelido pode até parecer um elogio, já que trabalhar muitas horas costuma ser associado ao comprometimento, à dedicação e ao sucesso profissional. No entanto, existe uma diferença (enorme!) entre gostar do próprio trabalho e sentir uma necessidade incontrolável de trabalhar e produzir o tempo todo.
O vício em trabalho, frequentemente chamado pelo termo em inglês workaholism, é caracterizado por uma compulsão para trabalhar que faz a pessoa colocar a carreira acima do descanso, da família, dos amigos e até da própria saúde.
Aos poucos, a dificuldade para se desligar das responsabilidades profissionais pode provocar ansiedade, esgotamento físico e mental, problemas nos relacionamentos e aumentar o risco de desenvolver a síndrome de Burnout e outros transtornos psicológicos.
O que é o vício em trabalho (workaholism)?
O vício em trabalho é uma necessidade compulsiva e difícil de controlar de trabalhar o tempo todo. Como o trabalho ocupa o primeiro lugar e deixa pouco espaço para o descanso e os momentos de lazer, ele acaba comprometendo a saúde física e mental, prejudicando os relacionamentos e reduzindo a qualidade de vida.
O nome surgiu da união das palavras work (trabalho) e alcoholism (alcoolismo), justamente para mostrar que o excesso de trabalho pode funcionar de maneira parecida com uma dependência.
A pessoa sente uma necessidade constante de produzir, cumprir tarefas e permanecer ocupada, além de experimentar culpa, ansiedade ou sensação de inutilidade sempre que tenta descansar.
O vício em trabalho é considerado um transtorno mental?
Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o vício em trabalho não é classificado como um transtorno mental oficial no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Mesmo assim, ele é reconhecido como um problema como um comportamento prejudicial para a saúde.
Em muitos casos, a dedicação exagerada ao trabalho também pode estar relacionada a outros problemas de saúde mental ou funcionar como uma forma de evitar sentimentos difíceis e conflitos pessoais, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Como saber se sou viciado em trabalho?
Uma boa forma de identificar o vício em trabalho é observar se alguns comportamentos fazem parte da rotina, como:
- Dificuldade para relaxar: sentir culpa ou ansiedade intensa sempre que não está trabalhando, inclusive durante fins de semana, feriados ou férias;
- Pensamentos constantes sobre o trabalho: continuar pensando ou falando sobre tarefas profissionais durante momentos de lazer ou encontros com a família;
- Isolamento social: reduzir o contato com amigos, familiares e atividades de lazer para dedicar mais tempo ao trabalho;
- Negligência com a própria saúde: pular refeições, dormir poucas horas ou deixar de cuidar da alimentação para conseguir realizar mais tarefas;
- Uso do trabalho como forma de fugir dos problemas: manter uma rotina cheia de compromissos para evitar lidar com frustrações, dificuldades emocionais ou sentimentos de tristeza.
Quando três ou mais comportamentos aparecem com frequência e começam a afetar a qualidade de vida, vale a pena procurar ajuda profissional para avaliar a situação.
Consequências para a saúde física e mental
No dia a dia, a mente e o corpo não podem viver em constante estado de alerta, e precisam de períodos de descanso para funcionar corretamente. Quando a rotina de trabalho ocupa praticamente todo o tempo e a energia, diversos problemas podem surgir:
Saúde mental
- Síndrome de Burnout: esgotamento profissional caracterizado por cansaço físico e mental intenso, perda de motivação e sensação de baixa capacidade para realizar as tarefas;
- Crises de ansiedade e pânico: resultado da pressão constante e da necessidade de manter um alto nível de produtividade;
- Depressão: favorecida pelo isolamento social, pela redução dos momentos de lazer e pela perda de interesse por atividades que antes davam prazer.
Saúde física
- Insônia crônica: dificuldade para iniciar o sono ou permanecer dormindo, já que a mente continua focada nas obrigações profissionais;
- Problemas cardíacos: níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, aumentam o risco de hipertensão, arritmias e infarto;
- Baixa imunidade: maior frequência de gripes, resfriados e outras infecções por causa do desgaste contínuo do organismo;
- Dores crônicas: dor de cabeça tensional, dores nas costas, no pescoço e nos ombros aparecem com frequência devido à tensão muscular e ao excesso de horas de trabalho.
Como tratar o vício no trabalho?
Para lidar com o workaholism, o primeiro passo é reconhecer que a dedicação excessiva deixou de ser saudável e passou a causar prejuízos na vida pessoal, nos relacionamentos e na saúde. A recuperação envolve mudanças na rotina, na forma de lidar com a produtividade e, muitas vezes, o acompanhamento de um profissional de saúde mental.
A psicoterapia, principalmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), costuma ser uma das abordagens mais indicadas para o tratamento. Durante as sessões, a pessoa aprende a identificar os pensamentos e comportamentos que alimentam a necessidade constante de trabalhar, desenvolve formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade e diminui a sensação de culpa ao descansar.
Também é importante estabelecer limites claros entre a vida profissional e a vida pessoal, a partir de medidas como:
- Defina um horário para começar e terminar o expediente e procure respeitá-lo todos os dias;
- Desligue o computador e o celular corporativo ao fim do trabalho sempre que possível;
- Evite responder e-mails, mensagens ou ligações profissionais fora do horário de expediente;
- Faça pausas ao longo do dia para descansar, levantar da cadeira e se alimentar com calma;
- Reserve momentos da semana para atividades de lazer, exercícios físicos e encontros com amigos ou familiares;
- Tire férias e folgas sem permanecer conectado às demandas do trabalho;
- Aprenda a dizer “não” quando a carga de trabalho ultrapassar os seus limites;
- Evite assumir mais tarefas do que consegue realizar de forma saudável.
Em casos onde o vício está associado à depressão crônica ou crises graves de ansiedade, o médico psiquiatra pode avaliar a necessidade do uso temporário de medicamentos para equilibrar os sintomas.
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Perguntas frequentes
1. O que causa o vício em trabalho?
O vício em trabalho pode surgir por vários motivos, como perfeccionismo, necessidade de aprovação, medo de perder o emprego, pressão por resultados e o hábito de usar o trabalho para fugir de problemas emocionais.
2. O vício em trabalho dá direito a afastamento pelo INSS?
O vício em trabalho, por si só, não garante afastamento pelo INSS. Porém, doenças relacionadas à sobrecarga, como síndrome de Burnout, depressão ou transtornos de ansiedade, podem justificar o afastamento após avaliação médica.
3. Qual é a diferença entre workaholism e work engagement?
A pessoa engajada gosta do trabalho, mas consegue descansar e aproveitar o tempo livre. Já quem tem vício no trabalho sente necessidade de trabalhar o tempo todo e costuma sentir culpa ou ansiedade quando para.
4. Quem trabalha em home office tem mais chance de desenvolver o vício?
Sim. Como não existe uma separação física entre o trabalho e a vida pessoal, fica mais fácil prolongar o expediente e continuar conectado fora do horário.
5. Quem é mais propenso a se tornar viciado em trabalho?
Pessoas perfeccionistas, muito competitivas, controladoras ou que dependem do sucesso profissional para se sentirem valorizadas têm maior risco.
6. Como ajudar alguém que é viciado em trabalho?
Converse sem julgamentos, explique como o excesso de trabalho tem afetado a saúde e os relacionamentos e incentive a procura por ajuda profissional.
7. Como estabelecer limites saudáveis trabalhando em home office?
Defina um horário rígido de início e término das tarefas, tenha um espaço físico exclusivo para trabalhar (evite trabalhar na cama) e guarde ou cubra o computador logo após o encerramento do expediente.
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