Unha encravou? Saiba como prevenir e tratar o incômodo no pé

Pessoa cortando a unha do dedão do pé com alicate, ilustrando os cuidados com as unhas e a prevenção da unha encravada.

Quem já passou pela experiência de dar um passo e sentir uma dor aguda e latejante no dedão do pé sabe o quão limitante pode ser uma unha encravada. O quadro, também chamado de onicocriptose, aparece quando a borda da unha cresce e penetra na pele ao redor, provocando dor, vermelhidão, inchaço e, em alguns casos, até infecção.

Se a unha encravada não recebe os cuidados necessários, a condição pode evoluir rapidamente, tornando atividades rotineiras extremamente desconfortáveis, como caminhar, praticar exercícios, usar sapatos fechados ou até permanecer em pé.

Em situações mais avançadas, a região pode ficar bastante sensível ao toque, apresentar secreção e desenvolver uma inflamação persistente, o que aumenta o risco de complicações.

Afinal, por que a unha encrava?

A unha encravada pode surgir por diferentes motivos, mas, na maioria das vezes, está relacionada à forma como as unhas são cortadas e aos hábitos do dia a dia.

Em vez de crescer em linha reta para a frente, a lateral da unha começa a crescer para os lados, curvando-se e rompendo a barreira da pele ao redor. O corpo entende aquela borda da unha como um agente agressor e desencadeia uma resposta inflamatória na tentativa de proteger a região.

Entre algumas das possíveis causas da unha encravada, é possível destacar:

1. Corte incorreto das unhas

O hábito de arredondar os cantos das unhas ou cortá-las curtas demais é a principal causa da unha encravada. O espaço deixado nas laterais acaba sendo ocupado pela pele e, quando a unha cresce novamente, pode penetrar na região e provocar inflamação.

2. Uso de sapatos apertados ou de bico fino

Os calçados muito justos, como tênis apertados, chuteiras e sapatos de bico fino, exercem uma pressão constante sobre os dedos dos pés. A compressão faz com que a unha seja empurrada contra a pele, favorecendo o encravamento e aumentando o desconforto durante a caminhada ou a prática de atividades físicas.

3. Predisposição genética

As unhas naturalmente mais largas, espessas ou curvadas apresentam maior probabilidade de crescer em direção à pele. O formato dos dedos também pode influenciar no surgimento do problema, tornando algumas pessoas mais propensas a desenvolver episódios recorrentes de unha encravada ao longo da vida.

4. Traumas nos pés

As pancadas, os pisões e os impactos repetitivos podem alterar a forma como a unha cresce. Em alguns casos, a lesão afeta a estrutura da unha e faz com que ela passe a crescer de maneira irregular, aumentando o risco de penetração na pele.

A situação é comum em pessoas que praticam esportes de corrida, saltos ou mudanças frequentes de direção.

5. Excesso de suor

O suor excessivo mantém a pele ao redor das unhas constantemente úmida e mais sensível. A região fica mais macia e vulnerável, facilitando a entrada da borda da unha na pele. Além de favorecer o encravamento, a condição também pode aumentar o risco de irritações e infecções locais.

Sintomas de que a unha está infeccionada

Quando a unha encrava e rompe a pele, a região fica vulnerável à entrada de bactérias. Para identificar se o quadro evoluiu para uma infecção, fique atento aos seguintes sinais:

  • Dor muito intensa e latejante, mesmo quando você não está caminhando ou tocando no dedo;
  • Vermelhidão intensa que começa a se espalhar ao redor do dedo;
  • Inchaço evidente e endurecimento da pele em volta da unha;
  • Presença de pus (secreção amarelada ou esverdeada) saindo do local;
  • Calor local, ou seja, o dedo afetado fica visivelmente mais quente que os outros;
  • Formação de carne esponjosa (granuloma piogênico), que é um tecido avermelhado que sangra facilmente;
  • Febre baixa ou calafrios em casos mais graves, quando a infecção começa a se espalhar pelo corpo.

Como tratar a unha encravada em casa?

É recomendado tratar a unha encravada em casa apenas se o local estiver apenas inflamado, com pouca dor e vermelhidão, e sem sinais de infecção. Mas, se você tiver diabetes ou problemas de circulação, o ideal é ir direto ao médico.

Veja um passo a passo para aliviar o incômodo em casa:

1. Faça um escalda-pés com água morna

O escalda-pés ajuda a aliviar a dor, reduzir o inchaço e amolecer a unha e a pele ao redor da região afetada. O ideal é deixar o pé de molho em água morna por cerca de 15 a 20 minutos, de duas a três vezes ao dia. Algumas pessoas também optam por adicionar sal à água para aumentar a sensação de conforto durante o processo.

2. Afaste a unha da pele com cuidado

Após o escalda-pés, quando a pele estiver mais macia, é possível tentar levantar delicadamente a ponta da unha para reduzir a pressão sobre a pele. O procedimento deve ser feito com materiais limpos e sem forçar a região. Nunca tente cortar a parte encravada, pois pode piorar a situação.

Caso você sinta muita dor, sangramento ou dificuldade para manipular a unha, o mais seguro é procurar atendimento profissional.

3. Mantenha a região limpa e protegida

A limpeza adequada ajuda a reduzir o risco de infecção e favorece a recuperação da pele lesionada. Após a higienização, a aplicação de produtos recomendados por um profissional de saúde pode ajudar a proteger a região.

O uso de um curativo leve também pode ser útil para evitar o atrito com meias e calçados enquanto a área cicatriza.

Quando é necessário ir ao médico ou podólogo?

O acompanhamento profissional é necessário nas seguintes situações:

  • Sinais de infecção: presença de pus, dor intensa, vermelhidão que se espalha ou calor na região podem indicar infecção e exigem avaliação médica;
  • Diabetes ou problemas circulatórios: pequenas lesões podem evoluir para complicações mais graves;
  • Crescimento excessivo da pele: o surgimento de uma masa avermelhada, úmida e que sangra facilmente ao redor da unha indica um quadro mais avançado;
  • Problema recorrente: unhas que encravam com frequência podem estar relacionadas ao formato da unha ou do dedo e precisam de avaliação profissional;
  • Sem melhora após alguns dias: se a dor e o inchaço não melhorarem ou piorarem após 2 a 3 dias de cuidados em casa, procure atendimento médico.

Dicas para prevenir que a unha encrave de novo

É possível manter os pés saudáveis com a mudança de alguns hábitos simples no dia a dia, como:

  • Corte as unhas em linha reta: o correto é deixar a ponta da unha ligeiramente para fora da pele do dedo. Use uma lixa apenas para tirar as pontas afiadas que restarem, sem invadir as laterais;
  • Não corte as unhas curtas demais: quando a unha fica curta demais, a pele da ponta do dedo cria uma barreira. Ao crescer, a unha bate nessa pele e acaba perfurando-a. Deixe sempre uma pequena faixa branca visível;
  • Escolha sapatos confortáveis e do tamanho certo: evite usar sapatos de bico fino ou sapatos muito apertados no dia a dia. Dê preferência a calçados com espaço suficiente para mexer os dedos livremente. Para esportes de impacto, como corrida ou futebol, certifique-se de que o tênis é meio número maior;
  • Evite tirar a cutícula dos cantos dos dedos: a cutícula serve como uma barreira de proteção natural. Ao retirá-la excessivamente, principalmente nos cantos das unhas dos pés, você deixa a região desprotegida e mais propensa a inflamações que facilitam o problema;
  • Mantenha os pés sempre secos: a umidade constante amolece a pele e a torna mais frágil, facilitando a penetração da unha. Se você transpira muito nos pés, use meias de algodão, evite repetir o mesmo sapato dois dias seguidos e use talcos antissépticos;

Se você tem um formato de unha naturalmente muito curvado ou já teve unha encravada várias vezes, vale manter um acompanhamento com o podólogo. Ele pode aplicar órteses, pequenos dispositivos que corrigem o formato da unha, para forçá-la a crescer do jeito certo.

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Perguntas frequentes

1. Pode passar dipirona na unha encravada?

A dipirona em gotas ou comprimido ajuda a aliviar a dor provocada pela unha encravada, pois é um analgésico. No entanto, aplicar a dipirona líquida diretamente sobre a unha inflamada não cura o problema e não trata a causa do encravamento ou da infecção.

2. Quanto tempo demora para curar uma unha encravada inflamada?

Em casos leves tratados precocemente em casa, o alívio e a melhora da inflamação costumam acontecer entre 3 e 7 dias.

3. Pode colocar sal na unha encravada?

Colocar sal refinado puro diretamente na ferida não é recomendado, pois causa ardência extrema e pode irritar ainda mais o tecido.

4. Como funciona a cirurgia de unha encravada?

A cirurgia mais comum é a cantoplastia, feita no consultório médico com anestesia local, no dedo. O médico remove apenas a lateral da unha que está encravando e destrói a matriz da unha naquele pedaço para que aquela borda nunca mais volte a crescer.

5. O que fazer quando a unha do bebê encrava?

As unhas dos bebês são muito finas e macias, mas podem encravar pelo uso de macacões com pés apertados ou meias justas. O tratamento caseiro consiste apenas em fazer compressas de água morna e deixar os pés livres. Nunca tente cortar ou cutucar a unha do bebê. Se houver vermelhidão, leve ao pediatra.

6. Qual o melhor calçado para usar enquanto a unha está inflamada?

Durante a fase aguda de dor e inflamação, o ideal é usar sapatos totalmente abertos, como chinelos ou sandálias de tiras largas, que não encostem no dedão.

7. Tem problema colocar gelo na unha encravada?

O gelo pode ser usado envolto em um pano limpo (nunca direto na pele) por 10 a 15 minutos para ajudar a reduzir o inchaço e anestesiar temporariamente a dor aguda após uma topada, por exemplo.

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