Afta na boca: o que causa e como tratar em casa

Homem apontando afta na gengiva com vermelhidão e dor na boca

A afta na boca, também conhecida como estomatite aftosa, é uma pequena lesão arredondada, esbranquiçada ou amarelada, que surge nos lábios, língua ou bochechas. Apesar de normalmente não ser grave, a dor e a sensibilidade podem dificultar as tarefas simples do dia a dia, como comer, beber ou falar.

Na maioria das vezes, a afta aparece por causa de pequenos traumas, quedas na imunidade ou deficiências nutricionais, e tende a desaparecer sozinha em poucos dias. Mas se feridas são muito frequentes ou demoram a cicatrizar, pode ser necessário procurar orientação médica. Vamos entender mais, a seguir.

Afinal, o que é afta?

A afta é uma pequena ferida que aparece na parte interna da boca, como na língua, gengiva, bochechas ou lábios. Ela costuma ser arredondada, com o centro esbranquiçado ou amarelado e uma borda avermelhada ao redor, e pode causar bastante dor, principalmente ao falar, comer ou escovar os dentes.

Diferente do herpes, a afta não é contagiosa e ocorre sempre na parte interna da cavidade bucal, nunca do lado de fora dos lábios.

Quais os tipos de afta?

As aftas podem ser classificadas de acordo com o tamanho, a quantidade e a intensidade dos sintomas:

  • Afta menor (afta comum): é a mais frequente, sendo pequenas, arredondadas, superficiais e bastante dolorosas, mas não deixam cicatriz. Elas costumam desaparecer sozinhas em 7 a 14 dias;
  • Afta maior: é menos comum, porém mais intensa. As lesões são maiores, mais profundas, podem demorar mais para cicatrizar (até semanas) e, em alguns casos, deixam cicatriz. A dor costuma ser mais forte;
  • Afta herpetiforme: apesar do nome, não tem relação com herpes. Aparece em forma de várias pequenas lesões agrupadas, que podem se juntar e formar áreas maiores. Costuma ser bastante dolorosa e pode surgir com mais frequência em algumas pessoas

O que causa afta na boca?

A causa da afta na boca nem sempre é clara, mas ela pode surgir por diversos fatores do dia a dia, que irritam a mucosa ou deixam o organismo mais sensível:

  • Pequenos traumas locais, como mordidas acidentais, uso de aparelhos ortodônticos, próteses mal ajustadas ou escovação muito forte;
  • Períodos de estresse, cansaço extremo ou situações que reduzem a imunidade, facilitando o aparecimento das lesões;
  • Consumo frequente de alimentos mais ácidos, como abacaxi, kiwi e tomate, ou de comidas muito condimentadas, que podem irritar a mucosa da boca;
  • Deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, ferro, ácido fólico e zinco, que são importantes para a saúde da mucosa oral;
  • Alterações hormonais, que podem explicar o surgimento de aftas em alguns períodos específicos, como durante o ciclo menstrual.

Além disso, algumas pessoas têm uma predisposição natural a desenvolver aftas com mais frequência, o que pode estar relacionado a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade da mucosa oral.

Quando é preciso se preocupar?

Apesar das aftas serem comuns, vale a pena buscar orientação de um dentista ou clínico geral se:

  • A afta for excepcionalmente grande (maior que 1 cm de diâmetro) ou se surgirem várias feridas ao mesmo tempo;
  • A ferida demorar mais de 3 semanas para desaparecer completamente;
  • A dor for intensa e não apresentar melhora mesmo com o uso de analgésicos comuns ou pomadas tópicas;
  • O surgimento das lesões vier acompanhado de febre, mal-estar geral, cansaço excessivo ou gânglios inchados no pescoço (“ínguas”);
  • As aftas forem recorrentes, surgindo quase todos os meses, o que pode indicar deficiências vitamínicas, intolerâncias alimentares ou doenças inflamatórias intestinais;
  • Se a dor impedir completamente a hidratação, especialmente em crianças e idosos, devido ao risco de desidratação.

Nesses casos, o médico ou dentista poderá prescrever tratamentos mais específicos, como corticoides de uso local, ou solicitar exames de sangue para verificar os níveis de ferro, ferritina e vitaminas do complexo B.

O que é bom para afta na boca?

As aftas pequenas normalmente não precisam de tratamento e desaparecem sozinhas em até 15 dias, mas alguns cuidados podem acelerar o processo:

  • Manter a higiene bucal adequada, com escovação suave e uso de fio dental;
  • Fazer bochechos com água morna e sol, que ajudam a limpar a região e reduzir a inflamação;
  • Usar pomadas ou géis específicos para afta, que formam uma camada protetora e aliviam a dor;
  • Optar por alimentos mais frios e macios, que não irritam a lesão;
  • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
  • Evitar alimentos ácidos, muito quentes ou condimentados, que podem piorar a dor.

Em alguns casos, o médico ou dentista pode indicar medicamentos com ação analgésica, anti-inflamatória ou até suplementos vitamínicos, quando há deficiência nutricional envolvida.

Importante: evite usar bicarbonato de sódio puro diretamente sobre a afta, pois ele pode causar uma queimadura química na mucosa e piorar o tamanho da ferida, retardando a cicatrização.

Dicas para prevenir o surgimento de aftas

No dia a dia, pequenos ajustes nos hábitos podem reduzir drasticamente a frequência das crises de afta, como:

  • Usar escovas de cerdas macias e cabeça pequena para evitar machucar a boca;
  • Preferir cremes dentais sem lauril sulfato de sódio (LSS), caso tenha aftas frequentes;
  • Ajustar aparelhos ortodônticos ou próteses quando estiverem incomodando;
  • Observar alimentos que podem desencadear aftas, como os muito ácidos ou crocantes;
  • Manter uma alimentação rica em vitamina B12, ferro e ácido fólico;
  • Controlar o estresse com hábitos como atividade física e sono regular;
  • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
  • Evitar morder a parte interna da boca;
  • Não colocar objetos na boca, como canetas ou unhas.

Além dos cuidados diários, o recomendado é visitar o dentista a cada seis meses para realizar uma limpeza profissional e uma avaliação completa da boca. O profissional pode identificar precocemente alterações na mucosa e indicar o melhor tratamento, evitando que pequenos problemas se tornem recorrentes.

Perguntas frequentes

1. Quanto tempo demora para uma afta sumir?

Em média, de 7 a 15 dias. Se a lesão persistir por mais de 3 semanas, é fundamental procurar um médico ou dentista.

2. O que causa afta constante?

Pode ser sinal de imunidade baixa, estresse crônico, carências vitamínicas (principalmente B12 e Ferro) ou sensibilidade a certos alimentos e componentes de cremes dentais.

3. Afta na garganta é perigosa?

Geralmente não, mas é muito desconfortável. Pode dificultar a deglutição e, se vier acompanhada de febre, deve ser avaliada para descartar infecções como a amigdalite.

4. Bebês podem ter aftas?

Sim. Em bebês, é comum ocorrer devido a traumas com brinquedos ou infecções virais (como a estomatite). É importante consultar o pediatra para o manejo da dor.

5. Afta pode ser sinal de HIV?

Aftas muito grandes, múltiplas e que não cicatrizam podem ocorrer em diversas condições de imunossupressão, mas apenas um exame de sangue pode dar esse diagnóstico.

6. Qual a diferença entre estomatite e afta?

A afta é a lesão em si. A estomatite é o nome dado a qualquer inflamação ou infecção na boca que cause o surgimento de várias aftas ou feridas ao mesmo tempo.