A sensação de fraqueza com o uso de canetas emagrecedoras (medicamentos análogos do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro, é um dos efeitos mais comuns durante o tratamento. Ele acontece especialmente por erros alimentares que prejudicam a produção de energia no dia a dia.
Como os remédios atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico, é comum reduzir o consumo de alimentos, causando um déficit de energia que se manifesta através de cansaço, fraqueza e menor tolerância ao exercício — principalmente nas primeiras semanas ou após o aumento de dose, de acordo com a nutricionista Bárbara Yared.
Portanto, mesmo em um processo de emagrecimento, o recomendado é manter uma alimentação rica em carboidratos de qualidade, proteínas e nutrientes que asseguram um aporte mínimo de energia e nutrientes para o bom funcionamento do organismo.
Por que o uso de GLP-1 pode causar fraqueza?
As canetas emagrecedoras imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), que é liberado pelo intestino após a alimentação.
Ele atua no sistema nervoso central, aumentando a sensação de saciedade, além de retardar o esvaziamento gástrico, o que pode reduzir ainda mais a vontade de comer.
Com a ingestão menor de alimentos, é comum ocorrer uma redução no consumo de calorias e nutrientes essenciais, especialmente carboidratos e proteínas. Como os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, uma ingestão insuficiente pode levar a sintomas como cansaço, tontura e queda de disposição.
Bárbara ainda aponta que náuseas, vômitos ou diarreia, que podem ocorrer durante o uso dos agonistas de GLP-1, podem levar a uma desidratação leve e a alterações de eletrólitos. O desequilíbrio no organismo também contribui para a sensação de fraqueza, além de poder causar mal-estar, dor de cabeça e dificuldade de concentração.
Quais os erros comuns na dieta de quem usa análogos de GLP-1?
Com a falta de apetite, algumas escolhas alimentares no dia a dia acabam intensificando a sensação de fraqueza ao longo do tratamento, como:
- Comer muito pouco ao longo do dia: com menos fome, muitas pessoas ficam horas sem comer sem perceber. Isso faz a energia cair, principalmente em quem faz exercício, já que o corpo precisa de combustível para funcionar bem e se recuperar;
- Viver de “beliscos” ultraprocessados: a falta de fome leva a escolhas rápidas, como biscoitos, pão branco e doces. Apesar de práticos, eles têm pouca proteína e poucos nutrientes, e não sustentam a energia ao longo do dia;
- Beber pouca água e poucos eletrólitos: a hidratação acaba ficando de lado, ainda mais quando há náusea ou diarreia. Isso pode piorar sintomas como cansaço, tontura e mal-estar;
- Falta de vitaminas e minerais importantes: dietas com pouco ferro, vitamina B12 e folato podem piorar a disposição, principalmente em quem já tinha tendência à deficiência. Os nutrientes são importantes para a produção de energia e para a saúde como um todo.
“Em contextos de grande redução calórica, é comum a ingestão baixa de proteínas, ferro e vitaminas do complexo B, nutrientes diretamente ligados a energia, massa muscular e bem-estar”, explica Bárbara.
Como evitar o desânimo e a fadiga durante o tratamento?
Em qualquer processo de emagrecimento, Bárbara explica que ocorre perda de gordura e também de uma pequena quantidade de massa magra. Com o uso de análogos de GLP-1, isso também pode acontecer quando a ingestão de proteína é insuficiente e não há estímulo de força.
Nesse contexto, é importante adotar algumas medidas para evitar a fadiga, como:
- Garanta proteína suficiente ao longo do dia: incluir boas fontes como ovos, carnes, iogurte e leguminosas ajuda a preservar a massa muscular. Em geral, a recomendação é de 1,2 a 1,6 g por kg de peso ao dia, podendo ser maior para quem treina;
- Pratique exercícios de força regularmente: atividades como musculação ajudam a manter a massa muscular e melhoram a disposição;
- Faça refeições menores e nutritivas: prefira pequenas porções com boa combinação de proteína, carboidrato e gordura, evitando grandes volumes que podem piorar o enjoo;
- Mantenha o consumo de carboidratos: mesmo em menor quantidade, eles são importantes para dar energia, principalmente antes e depois do treino (ex: meia banana com iogurte ou torrada integral com queijo);
- Hidrate-se ao longo do dia: beber água ao longo do dia ajuda a evitar sintomas como cansaço, tontura e indisposição, que podem piorar durante o uso do medicamento.
Quando a suplementação é necessária?
A suplementação pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser vista como um complemento e não como substituto da alimentação, segundo Bárbara.
Ela costuma ser indicada quando, mesmo com ajustes na dieta, ainda existem sinais de deficiência ou quando exames mostram níveis baixos de nutrientes como ferro, vitamina B12 ou vitamina D. Nesses casos, a suplementação ajuda a corrigir o déficit e melhorar sintomas como cansaço e fraqueza.
Também pode ser útil quando há dificuldade em atingir a quantidade ideal de proteína apenas com a alimentação. Nessa situação, o uso de whey protein ou outra fonte proteica em pó pode ajudar a alcançar a meta diária de forma mais prática.
“A decisão idealmente é feita com avaliação nutricional e exames laboratoriais, para direcionar o que realmente precisa ser suplementado”, esclarece a nutricionista.
Quando ir ao médico?
É importante procurar um médico quando alguns sinais começam a aparecer ou persistir durante o tratamento:
- Cansaço constante e fraqueza: falta de energia que não melhora, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou queda no desempenho nos treinos;
- Mudanças no corpo e no bem-estar: queda de cabelo, unhas frágeis, piora do humor, queda da libido ou sono de baixa qualidade;
- Emagrecimento muito rápido: perda de peso acelerada, com redução visível de massa muscular (braços e pernas afinando demais);
- Sinais de deficiência nutricional: exames alterados ou sintomas que indiquem falta de nutrientes importantes.
A avaliação médica ajuda a ajustar a alimentação, o tratamento e, se necessário, incluir suplementação de forma adequada.
Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?
Perguntas frequentes
1. Por que o cansaço é mais forte nos primeiros dias após a aplicação?
É o período em que a concentração do medicamento no sangue está mais alta, intensificando a saciedade e, às vezes, as náuseas, o que dificulta a alimentação adequada.
2. O uso de GLP-1 pode causar hipoglicemia (açúcar baixo no sangue)?
Embora o mecanismo do GLP-1 raramente cause hipoglicemia sozinho em não diabéticos, a falta de alimentação prolongada pode baixar o açúcar no sangue, gerando tontura e tremores.
3. Por que sinto tontura ao levantar rápido durante o tratamento?
Isso pode ser sinal de desidratação ou queda na pressão arterial, ambos comuns quando a ingestão de líquidos e sais minerais diminui devido à falta de apetite.
4. O que comer para diminuir o enjoo e a fraqueza?
Priorize alimentos secos e de fácil digestão, como torradas integrais, frutas como banana e maçã, e carnes magras grelhadas. Evite gorduras e frituras, que retardam ainda mais a digestão.
5. Quanto de proteína devo comer por dia?
A recomendação varia, mas em dietas de emagrecimento com GLP-1, especialistas sugerem focar em pelo menos 1,2g a 1,6g de proteína por quilo de peso corporal, podendo ser maior em quem treina força.
6. Quando a fraqueza deixa de ser comum e vira um sinal de alerta?
Se você não consegue manter nenhum alimento no estômago por mais de 24h, sente confusão mental ou tem vômitos incoercíveis, procure um médico imediatamente.
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