Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

Exame de ultrassom ginecológico para avaliar possível cisto no ovário em paciente durante consulta médica.

O cisto no ovário é uma alteração relativamente comum no sistema reprodutor feminino, afetando cerca de uma em cada três mulheres em algum momento da vida. Eles ocorrem principalmente em mulheres em idade reprodutiva (15 a 35 anos) e pré-menopausa.

A maioria dos casos é benigno e desaparece espontaneamente sem necessidade de tratamento, mas dependendo do tipo, do tamanho ou das características da lesão, pode ser necessário acompanhamento médico para descartar possíveis complicações.

Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que causa o cisto no ovário, como é feito o diagnóstico e em que casos ele pode ser maligno. Confira!

O que é cisto no ovário?

O cisto no ovário é uma estrutura semelhante a uma pequena bolsa cheia de líquido que se forma dentro ou na superfície do ovário. Na maioria dos casos, é uma alteração benigna que surge como parte do funcionamento normal do ciclo menstrual, e pode aparecer na fase reprodutiva da mulher.

Durante a ovulação, acontece a formação de um folículo que pode assumir o aspecto de um pequeno cisto. A estrutura costuma desaparecer naturalmente após algumas semanas, sem causar qualquer problema ou sintoma.

Mas, em situações menos comuns, podem surgir cistos considerados complexos, que apresentam estruturas internas, septações ou componentes sólidos. Nesses casos, existe a necessidade de investigação mais detalhada, pois alguns cistos complexos podem estar associados a tumores ovarianos, incluindo formas malignas.

Tipos de cistos ovarianos

Os cistos ovarianos podem ser classificados de acordo com a origem e as características observadas no ultrassom. Andreia aponta os seguintes:

1. Cisto folicular (fisiológico)

O cisto folicular é um dos tipos mais comuns de cisto no ovário e está diretamente ligado ao funcionamento normal do ciclo menstrual. Durante cada ciclo, um folículo se desenvolve no ovário para liberar um óvulo no momento da ovulação.

Quando o folículo cresce, mas não se rompe no momento esperado, o líquido permanece em seu interior e forma um pequeno cisto.

Frequentemente, o cisto folicular não provoca sintomas e desaparece espontaneamente no ciclo menstrual seguinte.

2. Cisto de corpo lúteo

O cisto do corpo lúteo aparece após a ovulação. O folículo que liberou o óvulo sofre modificações e passa a produzir progesterona para sustentar uma possível gestação, segundo Andreia.

Em alguns casos, o corpo lúteo pode se fechar e acumular líquido ou até pequenas quantidades de sangue em seu interior, formando um cisto temporário, que desaparece espontaneamente após algum tempo.

3. Cisto hemorrágico

O cisto hemorrágico ocorre quando há sangramento dentro de um cisto funcional, como um cisto folicular ou de corpo lúteo. O sangue acumulado altera o aspecto do cisto no ultrassom e pode provocar dor abdominal ou pélvica.

Apesar de causar desconforto em alguns casos, ele costuma se resolver naturalmente ao longo de algumas semanas, à medida que o organismo reabsorve o sangue presente no interior da estrutura.

4. Endometrioma

O endometrioma é um tipo de cisto associado à endometriose, uma doença em que o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora do local habitual.

Quando o tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto que acumula sangue antigo, frequentemente chamado de “cisto de chocolate” devido ao aspecto escuro do conteúdo. Apesar de benigno, o endometrioma pode causar dor pélvica, cólicas intensas e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.

5. Cistos benignos não fisiológicos

Existem também cistos que não fazem parte do ciclo hormonal normal, mas que ainda são considerados benignos. Eles podem surgir por diferentes motivos e, muitas vezes, apresentam crescimento mais lento.

Dependendo do tamanho, das características observadas no ultrassom e da presença de sintomas, o médico pode indicar apenas acompanhamento periódico ou, em alguns casos, a retirada cirúrgica da lesão.

7. Tumores borderline

Os tumores borderline são lesões ovarianas que apresentam baixo potencial de malignidade. Elas não são consideradas câncer invasivo, mas possuem características celulares que exigem maior atenção e acompanhamento médico.

Os tumores podem crescer e causar alterações no organismo, como aumento do volume abdominal ou presença de líquido na cavidade abdominal. O tratamento normalmente envolve avaliação especializada e, em muitos casos, cirurgia.

8. Tumores ovarianos malignos

Os tumores malignos do ovário são menos frequentes quando comparados aos cistos benignos, mas precisam de uma investigação cuidadosa e tratamento adequado.

Elas podem apresentar componentes sólidos, estruturas internas complexas ou alterações específicas nos exames de imagem. Quando há suspeita de malignidade, o médico pode solicitar exames complementares e indicar cirurgia para confirmação diagnóstica e tratamento, de acordo com Andreia.

Quais os sintomas de cisto no ovário?

O cisto no ovário normalmente não provoca sintomas e costuma ser identificado em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, eles tendem a estar relacionados ao aumento do tamanho do cisto ou a complicações. Os principais incluem:

  • Dor pélvica ou abdominal;
  • Sensação de pressão ou peso na região inferior do abdômen;
  • Distensão abdominal;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Alterações no ciclo menstrual;
  • Dor súbita e intensa quando ocorre ruptura do cisto;
  • Dor aguda associada à torção do ovário;
  • Náuseas ou mal-estar em casos de complicação.

Segundo Andreia, os sintomas podem aparecer especialmente quando o cisto se rompe, quando cresce muito e provoca efeito de massa (distende o abdômen pela presença de um volume grande) ou, eventualmente, quando ocorre a torção do ovário.

O que causa o cisto no ovário?

A causa mais comum do cisto no ovário está relacionada ao próprio processo de ovulação. Durante o ciclo menstrual, os ovários formam folículos que contêm os óvulos. Em algumas situações, o folículo pode não romper ou pode se fechar após a ovulação, acumulando líquido e formando um cisto.

Além do processo natural de ovulação, o cisto no ovário também pode surgir associado a algumas condições de saúde ou alterações no organismo, como:

  • Alterações hormonais: podem interferir no funcionamento normal do ciclo menstrual e favorecer a formação de cistos ovarianos, principalmente quando há irregularidade na ovulação;
  • Endometriose: ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Quando esse tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto chamado endometrioma;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): é uma condição hormonal caracterizada pela presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários, associada a alterações hormonais que podem afetar a ovulação.
  • Inflamações pélvicas: podem atingir os ovários e favorecer o surgimento de cistos ou outras alterações nas estruturas reprodutivas;
  • Tumores ovarianos benignos ou malignos, em situações mais raras.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do cisto no ovário é feito principalmente por meio do ultrassom pélvico ou transvaginal, de acordo com Andreia. O exame permite visualizar os ovários e identificar a presença de estruturas císticas.

Além de detectar o cisto, o ultrassom ajuda a avaliar:

  • Tamanho;
  • Formato;
  • Conteúdo interno;
  • Espessura da parede;
  • Presença de estruturas sólidas.

As características ajudam o médico a diferenciar cistos benignos de lesões que necessitam de investigação adicional. Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares, como exames laboratoriais ou ressonância magnética.

Na suspeita de cistos malignos, a ginecologista explica que é necessário uma uma biópsia com exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico. A partir da avaliação microscópica do material, é possível determinar se a lesão é benigna, borderline ou maligna, além de orientar o tratamento mais adequado para cada caso.

Tratamento de cisto no ovário

O tratamento depende do tipo de cisto, do tamanho, dos sintomas apresentados e da idade da paciente. Segundo Andreia, muitos cistos desaparecem espontaneamente e apenas necessitam de acompanhamento com exames periódicos.

Quando o cisto apresenta características benignas e não causa sintomas, o médico pode optar apenas pela observação.

Em situações específicas, pode ser necessário tratamento medicamentoso ou cirurgia para retirada do cisto, principalmente quando há crescimento progressivo, dor intensa ou suspeita de malignidade.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia pode ser indicada quando existem sinais que sugerem risco ou quando o cisto provoca sintomas importantes:

  • Cistos grandes, principalmente quando ultrapassam cerca de 5 a 10 cm;
  • Dor pélvica persistente ou intensa associada ao cisto;
  • Ruptura do cisto com sangramento importante;
  • Torção do ovário, situação de urgência que causa dor intensa;
  • Características suspeitas no ultrassom, como partes sólidas, septações espessas ou projeções internas;
  • Suspeita de tumor ovariano, quando há risco de malignidade.

A cirurgia também pode ser considerada quando o cisto interfere na fertilidade ou quando está relacionado a doenças como a endometriose.

Frequentemente, o procedimento é feito por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva realizada com pequenas incisões no abdômen. Em casos mais complexos ou quando existe suspeita de câncer, pode ser necessário um procedimento cirúrgico mais amplo.

Remédio para desmanchar o cisto no ovário

Não existe um medicamento que literalmente “desmanche” o cisto ovariano já formado. O próprio organismo tende a reabsorver o cisto naturalmente ao longo de alguns ciclos menstruais.

O uso de anticoncepcionais hormonais pode ser indicado em algumas situações, para impedir a ovulação e reduzir a formação de novos cistos funcionais. Mas, em todo caso, a indicação do remédio depende sempre da avaliação médica.

Cisto no ovário impede a gravidez?

Os cistos no ovário não costumam impedir a gravidez, uma vez que vários são fisiológicos e fazem parte do funcionamento normal do ciclo menstrual.

Algumas condições associadas aos cistos podem afetar a fertilidade, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos. Mas ainda assim, muitas mulheres com as condições conseguem engravidar com acompanhamento médico adequado e tratamento quando necessário.

É possível evitar o cisto no ovário?

Nem sempre é possível evitar a formação de cistos no ovário, pois muitos deles surgem naturalmente durante o ciclo menstrual, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco ou facilitar a identificação precoce:

  • Realizar consultas ginecológicas regulares;
  • Fazer exames de rotina, como o ultrassom pélvico ou transvaginal quando indicado;
  • Utilizar métodos contraceptivos hormonais quando recomendados pelo médico, pois eles podem impedir a ovulação e diminuir a formação de cistos funcionais;
  • Tratar condições hormonais ou ginecológicas que possam favorecer o surgimento de cistos.

O acompanhamento médico é importante para avaliar cada caso individualmente e indicar a melhor abordagem quando necessário.

Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

Perguntas frequentes

1. Cisto no ovário é perigoso?

Não na maioria das vezes. A maior parte é funcional e desaparece sozinha. O perigo surge se o cisto for muito grande, houver suspeita de malignidade ou se ele causar a torção do ovário

2. Qual o tamanho de um cisto no ovário que precisa de cirurgia?

Geralmente, cistos maiores que 5 a 10 centímetros, ou aqueles que apresentam características sólidas e crescem rapidamente, têm indicação cirúrgica.

3. Quem tem cisto no ovário pode ter relação sexual?

Sim, mas se o cisto for grande, a relação pode causar desconforto ou dor (dispareunia). Em casos de cistos volumosos, há um risco pequeno de ruptura durante o ato.

4. O que acontece se o cisto no ovário romper?

A ruptura causa uma dor súbita e aguda no baixo ventre. Em alguns casos, o corpo reabsorve o líquido, mas em outros, pode haver sangramento interno, exigindo observação médica imediata.

5. Quem tem cisto no ovário pode tomar anticoncepcional?

Sim, o anticoncepcional é frequentemente usado para evitar que novos cistos se formem, embora ele não trate o cisto que já está presente. Mas a prescrição deve ser feita apenas por um médico.

6. O cisto no ovário pode virar câncer com o tempo?

Um cisto benigno dificilmente se transforma em câncer. O que acontece é que um tumor pode ser confundido com um cisto simples no início, por isso o acompanhamento com exames de imagem é vital.

7. Quem tem cisto no ovário pode fazer exercícios físicos?

Na maioria dos casos, sim. No entanto, se o cisto for volumoso (acima de 5 cm), médicos recomendam evitar atividades de alto impacto ou saltos, devido ao risco de torção ovariana.

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