Dormir pouco e acordar bem: entenda a síndrome do sono curto  

Pessoa acordando cedo com aparência descansada depois de poucas horas de sono, sinal de que é um dormidor curto.

A maioria das pessoas precisa dormir entre sete e nove horas por noite para manter o corpo funcionando bem. No entanto, existe um grupo pequeno de indivíduos que parece funcionar perfeitamente com muito menos tempo de sono. Eles dormem quatro, cinco ou seis horas e ainda assim acordam bem-dispostos e produtivos.

Essas pessoas são conhecidas como dormidores curtos naturais (short sleepers). A condição é rara e tem relação com fatores genéticos. Mas é importante diferenciar quem realmente tem essa característica biológica, de dormidor curto, de quem simplesmente dorme pouco por rotina ou falta de tempo, o que pode trazer riscos à saúde.

O que é ser um dormidor curto?

O dormidor curto natural (natural short sleeper) são aquelas pessoas que precisam de menos horas de sono do que a média da população para se sentir descansadas.

Esses indivíduos costumam dormir entre 4 e 6 horas por noite, sem apresentar sinais de privação de sono.

Entre as características comuns estão:

  • Acordar naturalmente cedo;
  • Sentir-se descansado com poucas horas de sono;
  • Manter boa energia ao longo do dia;
  • Não precisar compensar com cochilos.

Pesquisas indicam que essa característica pode ter base genética.

A genética pode influenciar quanto precisamos dormir?

Sim. Estudos identificaram mutações em genes relacionados ao ciclo do sono em pessoas que naturalmente dormem menos.

Essas variações parecem permitir que o cérebro complete os processos restauradores do sono em menos tempo, mas é importante lembrar: esses casos são raros.

Qual é a quantidade de sono recomendada?

Adultos devem dormir, em média, 7 a 9 horas por noite. Dormir menos do que isso de forma crônica pode aumentar o risco de:

  • Doenças cardiovasculares;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Depressão;
  • Problemas cognitivos.

Por isso, a maioria das pessoas não se encaixa no perfil de dormidor curto natural.

Como diferenciar um dormidor curto de alguém com privação de sono?

Essa distinção é muito importante. Dormidores curtos naturais dormem pouco e acordam descansados, sem apresentar sonolência ao longo do dia. Também não precisam compensar sono nos fins de semana e mantêm boa concentração mesmo com 4 a 6 horas de sono.

Já quem dorme essa mesma quantidade de horas mas não é um dormidor curto costuma apresentar:

  • Cansaço frequente;
  • Sonolência durante o dia;
  • Dificuldade de concentração;
  • Irritabilidade;
  • Necessidade de dormir mais nos fins de semana.

Se esses sinais aparecem, provavelmente a pessoa está dormindo menos do que precisa.

Dormir pouco pode prejudicar a saúde?

Para a maioria das pessoas, sim.

A privação crônica de sono está associada a diversos problemas de saúde, como maior risco cardiovascular, alterações metabólicas, aumento da inflamação, redução da imunidade e prejuízo da memória e da atenção.

É por isso que dormir pouco regularmente não deve ser considerado normal.

É possível “treinar” o corpo para dormir menos?

Não.

Embora algumas pessoas tentem reduzir o tempo de sono para aumentar produtividade, o organismo continua precisando de descanso adequado.

A adaptação costuma ser apenas parcial, e muitas vezes ocorre às custas de:

  • Queda de desempenho cognitivo;
  • Aumento do estresse;
  • Maior risco de doenças ao longo do tempo.

Quando procurar ajuda médica?

Vale procurar avaliação se houver:

  • Dificuldade frequente para dormir;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Sensação de cansaço constante;
  • Dificuldade de concentração.

Esses sinais podem indicar distúrbios do sono.

Veja também: Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

Perguntas frequentes sobre dormidores curtos naturais

1. Algumas pessoas realmente precisam dormir menos?

Sim, mas isso é raro e geralmente tem base genética.

2. Dormir 5 horas por noite faz mal?

Para a maioria das pessoas, sim.

3. Dormidores curtos naturais precisam compensar o sono?

Não. Eles costumam manter energia normal.

4. É possível se tornar um dormidor curto?

Não. Essa característica parece ser genética.

5. Dormir pouco pode afetar o coração?

Sim. Estudos associam privação de sono a maior risco cardiovascular.

6. Cochilos compensam dormir pouco?

Podem ajudar temporariamente, mas não substituem o sono noturno adequado.

7. Dormir mais nos fins de semana resolve?

Não totalmente. O ideal é manter rotina regular de sono.

Veja mais: Dormir mal pode te deixar mais doente? Entenda os impactos do sono na saúde