Vacina da gripe anual: como a imunização protege em todas as fases da vida

Aplicação da vacina da gripe no braço de um adulto em atendimento de saúde.

Todos os anos, normalmente entre os meses de abril e agosto, acontece a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Promovida pelo Ministério da Saúde, a iniciativa é importante para proteger a população antes do período de maior circulação do vírus Influenza.

A gripe é uma infecção respiratória aguda que pode evoluir para complicações graves, como pneumonia e problemas cardíacos, em qualquer faixa etária. Por isso, a imunização é recomendada para pessoas de todas as idades, contribuindo para reduzir a transmissão do vírus na comunidade e também para proteger quem tem maior vulnerabilidade a complicações, como crianças e idosos.

O que é a vacina da gripe e como ela funciona?

A vacina da gripe é um imunizante desenvolvido para proteger o organismo contra as cepas mais comuns do vírus Influenza A e B. Ela é composta por vírus inativados (mortos) ou apenas fragmentos de proteínas do vírus, que são incapazes de causar a doença.

Ao entrar em contato com as partículas, o organismo aprende a identificar o vírus e consegue produzir anticorpos específicos, que são proteínas de defesa capazes de reconhecer e combater o vírus caso a pessoa entre em contato com ele, o que reduz as chances da gripe evoluir para um quadro mais grave.

No Brasil, as versões mais comuns são a trivalente (disponível no SUS) e a quadrivalente (disponível na rede privada), que cobrem as cepas de maior circulação no hemisfério sul.

Importante: é importante ressaltar que o corpo leva, em média, de duas a três semanas depois da aplicação para atingir o nível ideal de proteção. É por isso que a vacinação deve ocorrer, idealmente, antes da temporada mais fria.

Por que tomar a vacina da gripe todos os anos?

O vírus Influenza é um dos organismos que mais sofre mutações na natureza. Ele pode modificar com frequência as características genéticas e as proteínas presentes em sua superfície, o que facilita a evasão do sistema imunológico e favorece o surgimento de novas variantes.

A cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora quais cepas do vírus estão circulando com mais força nos hemisférios norte e sul. Com base nos dados, a composição da vacina é atualizada anualmente. Portanto, o imunizante que você tomou em 2025 pode não reconhecer as variantes que estão circulando agora em 2026.

Para completar, a proteção da vacina da gripe não é permanente, e o nível de anticorpos no sangue começa a diminuir gradualmente alguns meses após a aplicação. Ao receber a nova dose, o corpo volta a produzir anticorpos contra as cepas mais recentes do vírus, aumentando a capacidade de defesa contra a infecção.

Quem deve se vacinar?

A vacina contra a gripe é recomendada para toda a população a partir dos seis meses de idade. No entanto, para fins de saúde pública e organização do SUS, a vacinação é dividida em dois grandes pilares: os grupos prioritários e a população geral.

Os grupos de risco e prioritários têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença, que podem levar à internação ou complicações respiratórias. De acordo com as diretrizes de 2025, ela está disponível durante o ano inteiro para:

  • Idosos com 60 anos de idade ou mais;
  • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos;
  • Gestantes;
  • Puérperas;
  • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas (como asma e DPOC);
  • Pessoas com deficiência permanente.

O Ministério da Saúde também recomenda a vacina para profissionais da saúde, educação, transporte, populações vulneráveis e funcionários do sistema prisional.

Atenção: se você não se enquadra em nenhum dos grupos, a vacinação ainda é extremamente recomendada na rede particular ou após a liberação das doses remanescentes pelo SUS, visando a proteção individual e coletiva.

Por que a vacina é tão importante em todas as idades?

A gripe é responsável por milhões de casos de infecção respiratória todos os anos em todo o mundo, e pode evoluir para quadros mais graves em todas as faixas etárias, principalmente quando não há proteção imunológica adequada.

Em algumas situações, a infecção pode levar a complicações como pneumonia, agravamento de doenças crônicas, inflamações cardíacas e até hospitalizações.

A vacinação anual ajuda o organismo a reconhecer o vírus com mais rapidez, aumentando a capacidade de resposta do sistema imunológico.

Benefícios para as crianças

Nas crianças, a gripe pode provocar sintomas intensos, como febre alta, tosse persistente, dores no corpo e cansaço. Em muitos casos, a infecção também pode causar complicações respiratórias, como bronquite e pneumonia. Uma vez que o sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, a vacinação contribui para proteger a saúde da criança.

A vacinação infantil também ajuda a diminuir a transmissão do vírus em ambientes coletivos, como creches e escolas. As crianças costumam ter contato frequente com outras pessoas, o que facilita a disseminação de vírus respiratórios. Com a imunização, o risco de surtos e de transmissão para familiares também tende a diminuir.

Proteção para idosos

Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações da gripe, pois com o avanço da idade, o sistema imunológico tende a apresentar menor eficiência, o que aumenta as chances da doença evoluir para mais quadros graves.

De acordo com estudos, a vacinação também contribui para diminuir o risco de agravamento de doenças já existentes, como problemas cardíacos e pulmonares.

Importância para pessoas com doenças crônicas

Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias e doenças renais, também apresentam maior risco de desenvolver complicações associadas à gripe.

A infecção pelo vírus Influenza pode agravar as condições e aumentar a necessidade de atendimento médico ou hospitalização, de modo que a vacina ajuda a reduzir o risco, protegendo o organismo contra as variantes do vírus com maior probabilidade de circulação durante cada temporada.

Mesmo adultos saudáveis devem tomar a vacina da gripe

Mesmo que esse grupo apresente um risco menor de complicações graves, a infecção pelo vírus Influenza ainda pode causar sintomas intensos, como febre alta, dores no corpo, fadiga, dor de cabeça e tosse persistente, que podem comprometer as atividades diárias por vários dias.

Além disso, adultos saudáveis podem transmitir o vírus para outras pessoas e, em alguns casos, a transmissão ocorre antes mesmo do aparecimento dos sintomas ou durante quadros leves da doença.

Ao se vacinar, a pessoa contribui para reduzir a circulação do vírus na comunidade e ajuda a proteger pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas, gestantes e quem convive com doenças crônicas.

Conceito de imunidade coletiva (efeito rebanho)

A imunidade coletiva, também chamada de efeito rebanho, acontece quando uma grande parte da população está protegida contra uma doença, principalmente por meio da vacinação. Quando muitas pessoas estão imunizadas, a circulação do vírus diminui e a transmissão entre as pessoas se torna mais difícil.

Na prática, isso significa que o vírus encontra menos oportunidades para se espalhar na comunidade. Como resultado, até mesmo as pessoas que não podem se vacinar ou que apresentam imunidade mais baixa acabam sendo indiretamente protegidas, como bebês pequenos e pessoas imunossuprimidas.

Por isso, quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor tende a ser a circulação do vírus e maior é a proteção coletiva.

Vacina da gripe causa efeitos colaterais?

Os efeitos colaterais da gripe normalmente são leves e temporários, e indicam que o sistema imunológico está respondendo e desenvolvendo proteção contra o vírus, e não que a pessoa contraiu a gripe. Os mais comuns incluem:

  • Dor no local da aplicação;
  • Vermelhidão no local da aplicação;
  • Inchaço no local da aplicação;
  • Sensibilidade no braço onde ocorreu a aplicação;
  • Febre baixa;
  • Dor de cabeça;
  • Cansaço;
  • Dor muscular;
  • Mal-estar geral.

Diferença entre a vacina trivalente e quadrivalente

A principal diferença entre a vacina trivalente e a vacina quadrivalente contra a gripe está no número de cepas do vírus Influenza incluídas na formulação.

A vacina trivalente é a utilizada nas campanhas do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela é desenhada para proteger contra as três cepas que a Organização Mundial da Saúde identifica como as de maior circulação no ano, sendo elas:

  • Duas variantes de Influenza A (como H1N1 e H3N2);
  • Uma variante de Influenza B.

Já a vacina quadrivalente (ou tetravalente) está disponível em clínicas particulares, e oferece uma proteção um pouco mais ampla. Ela contém as mesmas três cepas da trivalente, mas adiciona uma proteção extra:

  • Duas variantes de Influenza A;
  • Duas variantes de Influenza B (linhagens Victoria e Yamagata).

Apesar da diferença na quantidade de cepas incluídas, tanto a vacina trivalente quanto a quadrivalente são consideradas seguras e eficazes na prevenção da gripe e das complicações.

Onde se vacinar?

A vacina contra a gripe está disponível gratuitamente nas salas de vacinação do SUS em todo o país, para os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, basta levar o cartão de vacinação e um documento de identificação.

Durante a campanha nacional, muitas cidades também ampliam os pontos de vacinação, com atendimento em postos de saúde, unidades básicas de saúde (UBS) e centros de imunização municipais.

Para quem não faz parte dos grupos prioritários ou prefere outra formulação da vacina, como a quadrivalente, a imunização também pode ser realizada em clínicas particulares de vacinação, que costumam oferecer a vacina ao longo de todo o ano.

Importante: a ausência do cartão de vacinação não impede que você seja vacinado, mas se você o perdeu, é importante ir à UBS onde costuma se vacinar para fazer uma segunda via ou solicitar um novo em outra unidade. Ele é o documento que comprova a sua situação vacinal.

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Perguntas frequentes

1. Quem está gripado pode tomar a vacina?

Se for um resfriado leve sem febre, sim. Se houver febre, recomenda-se esperar a recuperação para não sobrecarregar o sistema imune.

2. Quanto tempo a vacina leva para fazer efeito?

O organismo demora de 2 a 3 semanas para produzir os anticorpos necessários após a aplicação.

3. Grávidas podem se vacinar?

Sim, a vacina é segura em qualquer fase da gestação e protege o bebê nos primeiros meses de vida.

4. Quem tem alergia a ovo pode tomar a vacina?

Pessoas com alergia leve podem tomar. Em casos de choque anafilático grave, a vacinação deve ser feita em ambiente médico ou com vacinas específicas sem ovo.

5. Posso tomar a vacina da gripe e a da COVID-19 no mesmo dia?

Sim, não há necessidade de intervalo entre a vacina da gripe e outras vacinas do calendário.

6. Como a gripe é transmitida?

Através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, e pelo contato das mãos com superfícies contaminadas levadas aos olhos, nariz ou boca.

7. O frio causa gripe?

O frio em si não causa o vírus, mas no inverno ficamos em ambientes fechados e com menos ventilação, o que facilita a propagação do Influenza.

8. Quais são os sinais de alerta para procurar um hospital?

Dificuldade para respirar, dor no peito, persistência de febre alta por mais de 3 dias ou confusão mental.

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