7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

Gestante sentada na cama com mãos na barriga e uma na boca, representando enjoo e incômodos comuns na gravidez

Não é novidade que a gravidez provoca uma série de mudanças no corpo, e nem sempre é fácil entender o que faz parte do processo natural e o que pode indicar algum problema.

Os sintomas costumam surgir logo nas primeiras semanas, causando dúvidas especialmente em mamães de primeira viagem.

Para te ajudar, nós conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que é comum na gravidez, o que merece avaliação e quando você deve ir ao pronto-socorro. Confira!

Quais os sintomas comuns na gravidez?

Existem vários sintomas considerados fisiológicos na gravidez, ou seja, fazem parte das mudanças naturais do corpo e não indicam uma doença.

Segundo Andreia, cada gestante pode apresentar alguns sintomas e não outros, o que mostra como a experiência da gestação varia bastante de pessoa para pessoa.

Mas, no geral, alguns sintomas costumam ser esperados, como:

1. Dores nas costas e na virilha

As dores nas costas e na virilha costumam surgir por causa das mudanças corporais, crescimento do útero e deslocamento dos órgãos pélvicos.

No final da gestação, Andreia explica que ocorre aumento da curvatura lombar devido ao crescimento abdominal, além de maior frouxidão das articulações pelo acúmulo de líquidos.

Segundo a ginecologista, medidas como fisioterapia, exercícios na água e fortalecimento muscular podem ajudar a aliviar as dores. Em alguns casos, o uso de analgésicos pode ser indicado pelo médico.

Quando não é normal?

É importante procurar atendimento se a dor nas costas for muito intensa e que irradia para o abdômen, acompanhada de febre ou ardor ao urinar — o que pode indicar infecção urinária ou cálculos renais.

2. Cólicas e contrações

As cólicas leves podem aparecer principalmente no início, devido à adaptação do útero. Já no final da gestação, contrações irregulares e sem dor intensa costumam ser as chamadas contrações de treinamento (Braxton Hicks), que preparam o corpo para o parto.

Quando não é normal?

É importante procurar avaliação quando as cólicas ficam fortes, persistentes ou vêm acompanhadas de sangramento, perda de líquido ou dor intensa.

Contrações que seguem um ritmo (a cada 5 ou 10 minutos, por exemplo), dolorosas e que aumentam de frequência também merecem atenção, pois podem indicar início de trabalho de parto.

3. Náuseas e vômitos

As náuseas e vômitos são frequentes, sobretudo no primeiro trimestre, normalmente ligadas às alterações hormonais, principalmente ao aumento da progesterona. Na maioria das vezes são leves e melhoram com alimentação fracionada e alguns cuidados simples.

Segundo Andreia, a orientação costuma ser fazer refeições menores várias vezes ao dia, cerca de seis ou sete, com intervalos de duas horas e meia a três horas. Em vez de grandes refeições, divide-se o que já se consumia ao longo do dia.

Em alguns casos, Andreia aponta que também pode surgir hipersalivação, aquela sensação de saliva excessiva que antecede o enjoo, mesmo que a gestante não vomite.

Quando não é normal?

Vômitos são muito frequentes, que impedem a alimentação, causam perda de peso ou sinais de desidratação, como fraqueza intensa, tontura ou urina muito escura, precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Nesses casos, Andreia explica que pode ser necessária internação para hidratação venosa, medicação intravenosa e reposição de vitaminas. A condição é chamada hiperêmese gravídica e requer acompanhamento médico.

4. Inchaço

O volume de sangue no corpo da gestante aumenta em cerca de 50%, o que facilita a retenção de líquidos, então é comum notar os pés e tornozelos levemente inchados ao final do dia, especialmente no verão ou após longos períodos em pé.

Nesses casos, o recomendado é elevar as pernas sempre que possível, evitar ficar muito tempo na mesma posição, manter boa hidratação ao longo do dia e, quando indicado pelo médico, usar meias de compressão.

Quando não é normal?

Em caso de inchaço súbito e acentuado no rosto e nas mãos, vale procurar um médico. Se o inchaço vier acompanhado de dor de cabeça persistente ou visão embaçada, pode ser um sinal de pré-eclâmpsia (pressão alta na gestação).

5. Tontura

O sistema circulatório trabalha em dobro na gravidez, o que pode afetar a pressão arterial. Por isso, é comum ter tonturas leves ao levantar rápido demais causadas por estresse ou falta de sono.

Na maioria das vezes, os sintomas melhoram com hidratação adequada, alimentação regular, descanso e mudanças simples de hábito, como levantar devagar e evitar longos períodos em pé.

Quando não é normal?

A tontura passa a merecer atenção quando é intensa, frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, palpitações, falta de ar, desmaios ou aumento da pressão arterial.

Nessas situações, é importante procurar the médico para investigar possíveis alterações circulatórias ou outras condições que precisam de acompanhamento.

6. Dor de cabeça

A dor de cabeça pode ocorrer, especialmente em quem já possui histórico de enxaqueca, segundo Andreia. Nesses casos, alguns analgésicos, como dipirona ou paracetamol, podem ser usados na gravidez, conforme orientação médica.

Quando não é normal?

A dor de cabeça intensa, repentina, que não melhora com medicação ou associada à pressão alta exige avaliação rápida para descartar complicações hipertensivas.

7. Queda de pressão

A queda de pressão é relativamente comum, principalmente no segundo trimestre. A circulação passa por adaptações importantes, o que pode causar sensação de fraqueza, escurecimento da visão ao levantar rápido ou mal-estar passageiro.

De acordo com Andreia, medidas como meias de compressão, hidratação adequada, evitar longos períodos em pé e ambientes quentes ajudam a prevenir quedas de pressão. Ao sentir tontura, o ideal é sentar ou deitar para evitar desmaio.

Quando não é normal?

A queda de pressão merece avaliação quando provoca desmaios, tonturas muito frequentes, palpitações, falta de ar ou sensação intensa de fraqueza.

Também é importante investigar se os episódios passam a interferir na alimentação, na hidratação ou nas atividades do dia a dia, pois podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo.

Quando ir ao pronto-socorro?

Durante a gravidez, alguns sintomas precisam de avaliação urgente, pois podem indicar complicações que precisam de atendimento rápido. Por isso, é importante ir ao pronto-socorro no surgimento dos seguintes sintomas:

  • Sangramento vaginal em qualquer fase da gestação;
  • Perda de líquido pela vagina, principalmente se contínua;
  • Contrações regulares, fortes ou dolorosas antes do tempo esperado;
  • Dor abdominal intensa ou persistente;
  • Dor de cabeça forte que não melhora com analgésico simples;
  • Visão embaçada, pontos brilhantes ou escurecimento visual;
  • Inchaço súbito no rosto, mãos ou olhos;
  • Vômitos intensos com dificuldade para se alimentar ou beber líquidos;
  • Febre persistente;
  • Falta de ar, palpitações ou dor no peito;
  • Desmaio ou tontura intensa;
  • Diminuição ou ausência de movimentos do bebê após período em que já eram percebidos regularmente.

Na dúvida, o mais seguro sempre é buscar avaliação médica. O atendimento precoce ajuda a proteger a saúde do bebê e da mãe.

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Perguntas frequentes

1. Por que sinto uma dor aguda na virilha quando me viro na cama?

Isso geralmente é a dor no ligamento redondo. Eles sustentam o útero e, ao fazer movimentos bruscos, se esticam como um elástico, causando uma pontada rápida, mas inofensiva.

2. Dor ciática na gravidez é comum?

Sim, pois o peso da barriga e a mudança na postura podem comprimir o nervo ciático, causando dor que começa na lombar, passa pelo glúteo e desce pela perna.

3. Como saber se a contração é de treinamento ou de parto?

A de treinamento (Braxton Hicks) é irregular, indolor e passa quando você muda de posição. A de parto é rítmica (a cada 5 minutos, por exemplo), aumenta de intensidade e não para, mesmo que você descanse.

4. Sentir pressão na vagina é sinal de que o bebê vai nascer?

No final da gestação, o bebê encaixa na pelve, o que causa uma sensação de pressão e “choques” no colo do útero. Se não houver outros sintomas, é apenas o corpo se preparando.

5. Por que minhas gengivas sangram tanto ao escovar os dentes?

A gengivite gravídica ocorre devido ao aumento do volume sanguíneo e às alterações hormonais que tornam os tecidos da boca mais sensíveis e vascularizados. É normal, mas requer acompanhamento do dentista.

6. Como diferenciar o corrimento normal da perda de líquido amniótico?

O corrimento costuma ser viscoso e deixa uma mancha no fundo da calcinha. O líquido amniótico é fluido como água, geralmente transparente ou levemente esbranquiçado, e costuma molhar a calcinha de forma contínua, não parando mesmo que você troque a peça.

7. É normal sentir o rosto ou as bochechas muito quentes (fogachos)?

Sim, as ondas de calor não são exclusivas da menopausa. O aumento do metabolismo e as mudanças hormonais na gravidez dilatam os vasos sanguíneos, causando esses episódios de calor súbito e vermelhidão no rosto.

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