Tag: gestação

  • Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    O início da gravidez pode trazer uma série de sentimentos diferentes, de felicidade até insegurança, mas também uma lista infinita de perguntas.

    Se você é mamãe de primeira viagem, é completamente normal se pegar pensando se aquela posição na hora de dormir pode prejudicar o bebê, por que o intestino de repente ficou tão lento ou se aquela tontura na academia é um sinal de alerta para algum problema.

    Para esclarecer alguns dos mitos e verdades comuns do período, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos tudo que você precisa saber, a seguir.

    1. Grávida pode dormir de barriga para cima ou para baixo?

    No início da gestação, você pode dormir na posição que achar mais confortável, inclusive de barriga para cima. No entanto, Andreia explica que a partir da 14ª ou 15ª semana de gravidez, o útero já cresceu o suficiente para se tornar pesado e migrar da pélvis para o abdômen. A partir do período, deitar de costas não é recomendado.

    Ao deitar de barriga para cima, o peso do útero comprime diretamente a veia cava, que é a principal veia responsável por trazer o sangue do resto do corpo de volta para o coração. Como as veias são muito maleáveis, elas se fecham facilmente sob pressão.

    Quando a veia cava é comprimida, o retorno do sangue diminui drasticamente, causando uma queda súbita na pressão arterial da mãe, chamada de hipotensão supina. Isso pode provocar tontura, mal-estar e até sensação de desmaio, mesmo que você esteja deitada.

    No caso das mulheres que gostam de dormir de barriga para baixo, ela não costuma ser um perigo direto para o bebê, mas pode ser incômoda com o avanço da gravidez, pois o peso do próprio corpo da mãe acaba pressionando o abdômen.

    Qual é a melhor posição para dormir na gravidez?

    As melhores posições para dormir na gravidez incluem:

    • Dormir de lado, de preferência sobre o lado esquerdo: costuma ser a posição mais confortável e recomendada na gravidez, porque ajuda na circulação sanguínea e melhora o fluxo de oxigênio e nutrientes que chegam até a placenta e o bebê;
    • Usar travesseiros como apoio: colocar um travesseiro entre os joelhos e outro para apoiar os braços pode fazer muita diferença no conforto durante a noite. Além de ajudar a alinhar a coluna, o apoio também reduz a pressão nas articulações e alivia as dores nas costas;
    • Apostar em uma posição na diagonal: para as mulheres que sentem falta de dormir de barriga para baixo, a ideia é ficar meio de lado e meio inclinada para frente, usando um travesseiro grande ou uma almofada de amamentação para apoiar o corpo. Assim, é possível ter uma sensação parecida com a de dormir de bruços, mas sem colocar peso sobre a barriga.

    Se ao deitar de costas você sentir tontura, o corpo começará a avisar de forma instintiva que a posição não está favorável. Caso isso aconteça, vire-se imediatamente para o lado esquerdo para restabelecer o fluxo sanguíneo e normalizar a pressão.

    2. Por que o intestino fica mais preso na gestação?

    A constipação, também conhecida como prisão de ventre, é uma das condições mais frequentes da gravidez e acontece especialmente por uma combinação de fatores hormonais e mecânicos.

    Segundo Andreia, o aumento da progesterona, hormônio importante para a gestação, relaxa a musculatura do útero, mas também deixa os movimentos do intestino mais lentos. Com isso, a digestão demora mais e o trânsito intestinal fica mais devagar.

    Conforme o bebê cresce, o útero também passa a ocupar mais espaço na barriga e acaba pressionando parte do intestino, dificultando ainda mais a passagem das fezes. Toda a lentidão do sistema digestivo também pode provocar outros sintomas bastante comuns na gravidez, como gases, sensação de barriga estufada, azia e refluxo.

    Como melhorar o trânsito intestinal?

    Andreia orienta algumas dicas para melhorar o funcionamento do intestino na gravidez:

    • Aumentar o consumo de fibras e manter uma excelente hidratação;
    • Fazer uma dieta fracionada (comer porções menores mais vezes ao dia) para diminuir o desconforto gástrico;
    • Consumir frutas cítricas ou seus sucos, que podem auxiliar no processo digestivo;
    • Praticar atividades físicas regulares, que estimulam o peristaltismo (movimento do intestino);
    • Manter uma rotina de horários para educar o organismo a esvaziar o intestino de forma habitual.

    Atenção ao reflexo gastrocólico

    O reflexo gastrocólico é um mecanismo fisiológico em que o estômago se comunica com o intestino. Assim que a comida entra no organismo, o corpo recebe o sinal de que o intestino deve se esvaziar para abrir espaço para o novo bolo alimentar.

    De acordo com a ginecologista, não é raro que algumas gestantes ignorem a vontade de evacuar por estarem fora de casa ou por desconforto em usar banheiros públicos. Porém, com o tempo, o hábito pode fazer com que o organismo perca parte da sensibilidade ao reflexo natural, piorando ainda mais a constipação.

    Por isso, a recomendação da médica é simples: quando sentir vontade, vá ao banheiro. O ideal é não prender o intestino e nem reduzir a ingestão de água para evitar urinar fora de casa.

    3. Inchaço na gravidez é normal? Quando se preocupar?

    O inchaço na gravidez é um sintoma comum e afeta principalmente nos pés e nas pernas, sendo ainda mais intenso no final do dia ou em épocas de muito calor. Ele acontece porque o volume de fluidos e sangue no corpo da grávida aumenta consideravelmente, e o peso do útero dificulta o retorno do sangue das pernas de volta para o coração.

    Contudo, Andreia explica que é preciso ficar alerta aos sinais de alerta que indicam um quadro patológico, como doenças renais ou pré-eclâmpsia:

    • Começou de forma muito súbita (de uma hora para a outra) ou ficou extremamente intenso;
    • Subiu para outras partes do corpo e começou a afetar o rosto (especialmente as pálpebras) e as mãos;
    • Vem acompanhado de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, pontos brilhantes na vista ou dor na boca do estômago.

    Nesses casos, procure imediatamente atendimento médico.

    Como aliviar o inchaço nas pernas na gravidez?

    Segundo a ginecologista, existem algumas medidas simples que ajudam a melhorar o fluxo de líquidos e trazem bastante alívio, como:

    • Beba bastante água: uma boa hidratação ajuda os rins a funcionarem melhor e favorece a eliminação do excesso de líquido acumulado no corpo;
    • Eleve as pernas: sempre que possível, descanse com os pés apoiados em almofadas ou mais elevados para melhorar a circulação;
    • Faça drenagem linfática: a técnica pode ajudar no inchaço, desde que seja adaptada para gestantes e liberada pelo obstetra;
    • Use meias de compressão corretamente: o ideal é colocar as meias ainda deitada, antes de levantar da cama, para ajudar a evitar o inchaço ao longo do dia.

    4. Gestante pode fazer musculação e pegar peso?

    Desde que a atividade seja avaliada, autorizada pelo obstetra e adaptada para a gestação, a musculação é considerada segura e pode trazer vários benefícios durante a gravidez.

    Como explica Andreia, o fortalecimento dos músculos abdominais, conhecido como fortalecimento do core, ajuda diretamente a aliviar as dores nas costas. Conforme a barriga cresce, a curvatura natural da coluna lombar aumenta, o que pode gerar mais sobrecarga e desconforto na região. Com a musculatura fortalecida, o corpo ganha mais sustentação e estabilidade.

    As mulheres que já tinham a musculatura mais forte antes da gravidez costumam sofrer menos com dores lombares. Já aquelas que não tinham o preparo também podem se beneficiar bastante do acompanhamento adequado, especialmente quando a musculação é associada à fisioterapia pélvica e global.

    Cuidados importantes durante o treino na gravidez

    Para que a musculação seja segura para você e para o bebê, existem dois limites importantes que precisam ser respeitados.

    Primeiro, o exercício pode ser moderadamente cansativo, mas se você notar que está suando excessivamente, com o coração muito acelerado e a respiração ofegante demais, pare o exercício. Os sinais indicam que a musculatura está competindo pelo oxigênio do corpo com a placenta, o que não pode acontecer.

    Segundo, sabe quando você vai fazer muita força para levantar um peso e, sem perceber, prende o ar e bloqueia a respiração? Isso se chama manobra de Valsalva, o que causa uma queda brusca de pressão, tontura e escurecimento da vista. Nas grávidas, o risco de desmaio é ainda maior.

    Na musculação para gestantes, o ideal é sempre manter a respiração contínua. A regra é soltar o ar pela boca no momento em que você faz força e puxar o ar pelo nariz quando relaxa o músculo. Nunca prenda a respiração.

    5. É seguro viajar de avião durante a gravidez?

    Se a sua gestação estiver correndo bem, sem riscos ou complicações, a viagem de avião é segura para a mãe e para o bebê. No entanto, existem alguns cuidados práticos que você precisa conhecer antes de comprar as passagens.

    Segundo Andreia, é recomendado evitar viagens muito tardias, como após a 33ª ou 34ª semana, pela maior probabilidade da gestante entrar em trabalho de parto e não ter assistência médica adequada a bordo, especialmente em voos longos.

    Além disso, a gravidez aumenta consideravelmente o risco de trombose, devido a alterações hormonais que engrossam o sangue e à microcompressão das veias pélvicas pelo útero.

    Por isso, em voos longos, para evitar que o sangue fique parado nas pernas, o ideal é levantar a cada 1 ou 2 horas e caminhar um pouco pelo corredor do avião, para ativar os músculos das panturrilhas e estimular a circulação sanguínea.

    Fazer pequenos movimentos com os pés e os tornozelos enquanto estiver sentada também pode ajudar a reduzir o inchaço e diminuir o risco de trombose durante a viagem.

    Se você tiver outros fatores de risco ou comorbidades (como pressão alta ou histórico familiar de trombose), o obstetra pode indicar o uso preventivo de medicação anticoagulante injetável em baixas doses. Normalmente, ela é utilizada alguns dias antes da viagem, durante o trajeto e logo após o retorno.

    Importante: mulheres com gestação de alto risco, histórico de parto prematuro recente ou hipertensão gestacional grave devem passar por uma avaliação criteriosa, pois podem ter contraindicação médica absoluta para voar.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    6. Por que a gravidez dá tanto sono e altera as noites de descanso?

    O sono durante a gravidez costuma mudar por uma combinação de fatores, segundo Andreia:

    • Aumento da progesterona: o hormônio causa uma sonolência excessiva e exaustão, muito comum no primeiro trimestre. O sintoma costuma melhorar no segundo trimestre e pode reaparecer no terceiro, especialmente no fim do dia;
    • Fatores mecânicos: no final da gravidez, o tamanho da barriga dificulta encontrar uma posição confortável. O peso do útero sobre a bexiga também aumenta a frequência urinária, fragmentando o sono devido às idas ao banheiro durante a noite;
    • Roncos e apneia do sono: o ganho de peso e o grande volume abdominal podem favorecer o surgimento de roncos e da apneia do sono. A própria progesterona também relaxa a musculatura da garganta, facilitando com que a base da língua caia ligeiramente para trás e obstrua a passagem do ar
    • Fatores emocionais: a ansiedade natural pela chegada do parto e do bebê também contribui para um sono mais leve, o que aumenta os despertares ao longo da noite e dificulta um descanso realmente reparador.

    Para melhorar a qualidade do descanso, a orientação é investir em uma boa higiene do sono, manter horários mais regulares para dormir e usar travesseiros como apoio entre as pernas e os braços, ajudando o corpo a ficar mais confortável durante a noite.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Grávida pode tomar café?

    Sim, mas com moderação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Febrasgo é limitar o consumo de cafeína a, no máximo, 200 mg por dia, o que equivale a cerca de duas xícaras pequenas (de 50 a 100 ml) de café coado.

    2. É normal ter corrimento na gravidez?

    Depende da cor e do cheiro. Um corrimento esbranquiçado ou transparente, fluido e sem odor é completamente normal e decorrente do aumento de hormônios e do fluxo sanguíneo na região pélvica.

    Se o corrimento for amarelado, esverdeado, acinzentado, tiver consistência de nata ou vier acompanhado de mau cheiro, coceira e ardência, pode indicar uma infecção (como candidíase ou vaginose bacterial) e deve ser tratado pelo obstetra.

    3. Grávida pode comer sushi e peixe cru?

    O ideal é evitar, pois o consumo de peixes e frutos do mar crus ou malcozidos aumenta o risco de infecções alimentares graves causadas por bactérias (como a Listeria) e parasitas.

    4. É seguro ter relações sexuais na gravidez?

    Sim, na grande maioria das gestações. Se a gravidez estiver correndo bem, sem complicações, o sexo é seguro e não machuca o bebê, que está protegido pelo líquido amniótico e pelo tampão mucoso do colo do útero.

    5. Grávida pode fazer tratamento estético (como botox ou peeling)?

    A maioria dos tratamentos deve ser suspensa. A aplicação de toxina botulínica (botox) e preenchimentos não é recomendada por falta de estudos de segurança em gestantes.

    6. É normal sentir cólica no início da gravidez?

    Sim, as cólicas leves são comuns. No primeiro trimestre, o útero está começando a se expandir e a se acomodar na pelve, e a vascularização da região aumenta, o que pode causar uma sensação parecida com a cólica menstrual leve ou fisgadas nas laterais do abdômen.

    7. Como evitar as manchas no rosto (melasma) na gravidez?

    O melasma gestacional surge devido à combinação dos hormônios da gravidez, que estimulam a produção de melanina, com a exposição solar. A melhor forma de prevenir é o uso diário e religioso de protetor solar com cor e FPS alto (mínimo 50), reaplicando ao longo do dia, além do uso de chapéus e óculos de sol.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • 7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    Não é novidade que a gravidez provoca uma série de mudanças no corpo, e nem sempre é fácil entender o que faz parte do processo natural e o que pode indicar algum problema.

    Os sintomas costumam surgir logo nas primeiras semanas, causando dúvidas especialmente em mamães de primeira viagem.

    Para te ajudar, nós conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que é comum na gravidez, o que merece avaliação e quando você deve ir ao pronto-socorro. Confira!

    Quais os sintomas comuns na gravidez?

    Existem vários sintomas considerados fisiológicos na gravidez, ou seja, fazem parte das mudanças naturais do corpo e não indicam uma doença.

    Segundo Andreia, cada gestante pode apresentar alguns sintomas e não outros, o que mostra como a experiência da gestação varia bastante de pessoa para pessoa.

    Mas, no geral, alguns sintomas costumam ser esperados, como:

    1. Dores nas costas e na virilha

    As dores nas costas e na virilha costumam surgir por causa das mudanças corporais, crescimento do útero e deslocamento dos órgãos pélvicos.

    No final da gestação, Andreia explica que ocorre aumento da curvatura lombar devido ao crescimento abdominal, além de maior frouxidão das articulações pelo acúmulo de líquidos.

    Segundo a ginecologista, medidas como fisioterapia, exercícios na água e fortalecimento muscular podem ajudar a aliviar as dores. Em alguns casos, o uso de analgésicos pode ser indicado pelo médico.

    Quando não é normal?

    É importante procurar atendimento se a dor nas costas for muito intensa e que irradia para o abdômen, acompanhada de febre ou ardor ao urinar — o que pode indicar infecção urinária ou cálculos renais.

    2. Cólicas e contrações

    As cólicas leves podem aparecer principalmente no início, devido à adaptação do útero. Já no final da gestação, contrações irregulares e sem dor intensa costumam ser as chamadas contrações de treinamento (Braxton Hicks), que preparam o corpo para o parto.

    Quando não é normal?

    É importante procurar avaliação quando as cólicas ficam fortes, persistentes ou vêm acompanhadas de sangramento, perda de líquido ou dor intensa.

    Contrações que seguem um ritmo (a cada 5 ou 10 minutos, por exemplo), dolorosas e que aumentam de frequência também merecem atenção, pois podem indicar início de trabalho de parto.

    3. Náuseas e vômitos

    As náuseas e vômitos são frequentes, sobretudo no primeiro trimestre, normalmente ligadas às alterações hormonais, principalmente ao aumento da progesterona. Na maioria das vezes são leves e melhoram com alimentação fracionada e alguns cuidados simples.

    Segundo Andreia, a orientação costuma ser fazer refeições menores várias vezes ao dia, cerca de seis ou sete, com intervalos de duas horas e meia a três horas. Em vez de grandes refeições, divide-se o que já se consumia ao longo do dia.

    Em alguns casos, Andreia aponta que também pode surgir hipersalivação, aquela sensação de saliva excessiva que antecede o enjoo, mesmo que a gestante não vomite.

    Quando não é normal?

    Vômitos são muito frequentes, que impedem a alimentação, causam perda de peso ou sinais de desidratação, como fraqueza intensa, tontura ou urina muito escura, precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

    Nesses casos, Andreia explica que pode ser necessária internação para hidratação venosa, medicação intravenosa e reposição de vitaminas. A condição é chamada hiperêmese gravídica e requer acompanhamento médico.

    4. Inchaço

    O volume de sangue no corpo da gestante aumenta em cerca de 50%, o que facilita a retenção de líquidos, então é comum notar os pés e tornozelos levemente inchados ao final do dia, especialmente no verão ou após longos períodos em pé.

    Nesses casos, o recomendado é elevar as pernas sempre que possível, evitar ficar muito tempo na mesma posição, manter boa hidratação ao longo do dia e, quando indicado pelo médico, usar meias de compressão.

    Quando não é normal?

    Em caso de inchaço súbito e acentuado no rosto e nas mãos, vale procurar um médico. Se o inchaço vier acompanhado de dor de cabeça persistente ou visão embaçada, pode ser um sinal de pré-eclâmpsia (pressão alta na gestação).

    5. Tontura

    O sistema circulatório trabalha em dobro na gravidez, o que pode afetar a pressão arterial. Por isso, é comum ter tonturas leves ao levantar rápido demais causadas por estresse ou falta de sono.

    Na maioria das vezes, os sintomas melhoram com hidratação adequada, alimentação regular, descanso e mudanças simples de hábito, como levantar devagar e evitar longos períodos em pé.

    Quando não é normal?

    A tontura passa a merecer atenção quando é intensa, frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, palpitações, falta de ar, desmaios ou aumento da pressão arterial.

    Nessas situações, é importante procurar the médico para investigar possíveis alterações circulatórias ou outras condições que precisam de acompanhamento.

    6. Dor de cabeça

    A dor de cabeça pode ocorrer, especialmente em quem já possui histórico de enxaqueca, segundo Andreia. Nesses casos, alguns analgésicos, como dipirona ou paracetamol, podem ser usados na gravidez, conforme orientação médica.

    Quando não é normal?

    A dor de cabeça intensa, repentina, que não melhora com medicação ou associada à pressão alta exige avaliação rápida para descartar complicações hipertensivas.

    7. Queda de pressão

    A queda de pressão é relativamente comum, principalmente no segundo trimestre. A circulação passa por adaptações importantes, o que pode causar sensação de fraqueza, escurecimento da visão ao levantar rápido ou mal-estar passageiro.

    De acordo com Andreia, medidas como meias de compressão, hidratação adequada, evitar longos períodos em pé e ambientes quentes ajudam a prevenir quedas de pressão. Ao sentir tontura, o ideal é sentar ou deitar para evitar desmaio.

    Quando não é normal?

    A queda de pressão merece avaliação quando provoca desmaios, tonturas muito frequentes, palpitações, falta de ar ou sensação intensa de fraqueza.

    Também é importante investigar se os episódios passam a interferir na alimentação, na hidratação ou nas atividades do dia a dia, pois podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo.

    Quando ir ao pronto-socorro?

    Durante a gravidez, alguns sintomas precisam de avaliação urgente, pois podem indicar complicações que precisam de atendimento rápido. Por isso, é importante ir ao pronto-socorro no surgimento dos seguintes sintomas:

    • Sangramento vaginal em qualquer fase da gestação;
    • Perda de líquido pela vagina, principalmente se contínua;
    • Contrações regulares, fortes ou dolorosas antes do tempo esperado;
    • Dor abdominal intensa ou persistente;
    • Dor de cabeça forte que não melhora com analgésico simples;
    • Visão embaçada, pontos brilhantes ou escurecimento visual;
    • Inchaço súbito no rosto, mãos ou olhos;
    • Vômitos intensos com dificuldade para se alimentar ou beber líquidos;
    • Febre persistente;
    • Falta de ar, palpitações ou dor no peito;
    • Desmaio ou tontura intensa;
    • Diminuição ou ausência de movimentos do bebê após período em que já eram percebidos regularmente.

    Na dúvida, o mais seguro sempre é buscar avaliação médica. O atendimento precoce ajuda a proteger a saúde do bebê e da mãe.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto uma dor aguda na virilha quando me viro na cama?

    Isso geralmente é a dor no ligamento redondo. Eles sustentam o útero e, ao fazer movimentos bruscos, se esticam como um elástico, causando uma pontada rápida, mas inofensiva.

    2. Dor ciática na gravidez é comum?

    Sim, pois o peso da barriga e a mudança na postura podem comprimir o nervo ciático, causando dor que começa na lombar, passa pelo glúteo e desce pela perna.

    3. Como saber se a contração é de treinamento ou de parto?

    A de treinamento (Braxton Hicks) é irregular, indolor e passa quando você muda de posição. A de parto é rítmica (a cada 5 minutos, por exemplo), aumenta de intensidade e não para, mesmo que você descanse.

    4. Sentir pressão na vagina é sinal de que o bebê vai nascer?

    No final da gestação, o bebê encaixa na pelve, o que causa uma sensação de pressão e “choques” no colo do útero. Se não houver outros sintomas, é apenas o corpo se preparando.

    5. Por que minhas gengivas sangram tanto ao escovar os dentes?

    A gengivite gravídica ocorre devido ao aumento do volume sanguíneo e às alterações hormonais que tornam os tecidos da boca mais sensíveis e vascularizados. É normal, mas requer acompanhamento do dentista.

    6. Como diferenciar o corrimento normal da perda de líquido amniótico?

    O corrimento costuma ser viscoso e deixa uma mancha no fundo da calcinha. O líquido amniótico é fluido como água, geralmente transparente ou levemente esbranquiçado, e costuma molhar a calcinha de forma contínua, não parando mesmo que você troque a peça.

    7. É normal sentir o rosto ou as bochechas muito quentes (fogachos)?

    Sim, as ondas de calor não são exclusivas da menopausa. O aumento do metabolismo e as mudanças hormonais na gravidez dilatam os vasos sanguíneos, causando esses episódios de calor súbito e vermelhidão no rosto.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados