Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

Mulher sentada na cama segurando a região abdominal, representando dor na relação sexual e desconforto íntimo feminino.

Você já ouviu falar em dispareunia? O termo é usado para descrever a dor que surge durante a relação sexual, podendo aparecer no início da penetração ou mais profundamente, dependendo da causa.

É um problema relativamente comum, mas que precisa ser avaliado por um profissional da saúde, uma vez que pode estar relacionado a diferentes alterações do organismo, desde alterações hormonais e infecções até condições ginecológicas mais complexas.

Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais causas, como é feito o diagnóstico e quando procurar um médico.

Quais os tipos de dor na relação sexual?

A dor na relação sexual pode se manifestar de formas diferentes, variando conforme a região afetada e a causa do problema. Segundo Andreia, os tipos de dispareunia mais comuns são:

Dispareunia de superfície

A dispareunia de superfície é um tipo de dor na relação sexual que ocorre no início da penetração ou logo ao toque na entrada da vagina. A mulher costuma relatar ardor, queimação, incômodo, sensação de ferimento ou dor localizada na região mais externa da vagina durante a penetração.

Dispareunia de profundidade

A dispareunia de profundidade é a dor que surge durante a penetração profunda, normalmente sentida no fundo da vagina, e não no início da relação sexual.

Muitas mulheres descrevem a dor como uma cólica, pressão ou desconforto interno, que pode piorar em determinadas posições.

Ela acontece devido à movimentação dos órgãos pélvicos durante a penetração profunda. Quando existe alguma alteração nesses órgãos, uma movimentação que normalmente seria indolor passa a causar dor.

A dispareunia de profundidade sempre deve ser investigada, especialmente quando é intensa, frequente ou acontece em qualquer posição.

O que pode ser a dor na relação sexual?

A dor na relação sexual pode acontecer por diferentes questões, dependendo do tipo.

Segundo Andreia, as causas de dispareunia de superfície estão relacionadas a fatores que afetam a mucosa da vagina. A dor pode surgir desde a entrada da vagina ou durante a penetração inicial, devido a:

  • Fissuras na entrada da vagina;
  • Lesões traumáticas locais;
  • Verrugas ou outras lesões que causem atrito ou machucado;
  • Inflamação da mucosa vaginal por infecções vaginais;
  • Redução dos níveis de estrogênio, como ocorre na pós-menopausa;
  • Atrofia genital, com perda da elasticidade e do turgor da mucosa vaginal.

Nesses casos, o exame físico costuma ser suficiente para identificar ao menos uma causa sindrômica da dor, o que orienta a investigação e o tratamento.

Por outro lado, a dispareunia de profundidade está relacionada a alterações nos órgãos internos da pelve, como colo do útero, útero e ovários. As causas mais frequentes incluem:

  • Infecções ou inflamações pélvicas, como a doença inflamatória pélvica;
  • Tumorações;
  • Endometriose;
  • Miomatose uterina;
  • Cisto de ovário;
  • Abscesso de ovário.

Existem ainda as causas funcionais de dor na relação sexual, como o vaginismo, caracterizado por uma hipercontratura muscular que provoca dor intensa durante a penetração. Também há pacientes com hipersensibilidade na região.

Segundo Andreia, essas alterações podem estar relacionadas a aspectos traumáticos ou psíquicos, que precisam ser consideradas.

Quando procurar um médico?

O médico deve ser procurado sempre que a dor durante a relação sexual for frequente, persistente ou causar desconforto significativo. A dor no sexo não deve ser considerada normal, mesmo quando ocorre apenas em algumas posições ou em momentos específicos.

A avaliação médica é especialmente importante quando a dor surge de forma repentina, piora com o tempo, acontece em qualquer posição, vem acompanhada de sangramento, corrimento, ardor intenso, cólicas persistentes ou alterações no ciclo menstrual.

Ela também merece atenção quando a dor interfere no desejo sexual, provoca medo da relação ou impacta a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da dispareunia é feito por meio de avaliação clínica e conversa sobre os sintomas. O médico procura entender quando a dor surge, se aparece no início ou na penetração profunda, além da intensidade, frequência, posições que pioram ou aliviam o desconforto e a presença de outros sintomas associados.

Em seguida, é realizado o exame ginecológico, que permite avaliar a região da vulva, da vagina e do colo do útero, identificando sinais de inflamação, infecção, lesões, ressecamento ou alterações da mucosa. No caso da dispareunia de superfície, muitas vezes o exame físico já ajuda a identificar a causa.

Quando há suspeita de dispareunia de profundidade ou de alterações nos órgãos internos, o diagnóstico pode incluir exames complementares, como ultrassom pélvico transvaginal ou ressonância magnética da pelve.

Em algumas situações, também pode ser necessário investigar fatores funcionais ou emocionais, como alterações musculares, hipersensibilidade ou impacto psicológico, garantindo uma avaliação completa e um diagnóstico mais preciso.

Tratamento da dor na relação sexual

O tratamento da dor na relação sexual depende diretamente da causa do problema, que é identificada durante a avaliação médica. Entre algumas abordagens, é possível destacar:

  • Uso de medicamentos ou cremes vaginais específicos para tratar infecções vaginais e reduzir inflamações;
  • Tratamentos voltados ao ressecamento ou à atrofia vaginal, como o uso de estrogênio local para melhorar a elasticidade da mucosa;
  • Cremes cicatrizantes e regeneradores indicados para fissuras, irritações ou lesões traumáticas;
  • Medicamentos hormonais ou tratamento cirúrgico em casos de endometriose, miomas uterinos ou cistos ovarianos;
  • Fisioterapia do assoalho pélvico para tratar alterações musculares, como o vaginismo e a dor associada à contração involuntária;
  • Acompanhamento psicológico quando a dor está relacionada a fatores emocionais, traumáticos ou ao impacto na vida sexual.

Com o tratamento adequado, é possível reduzir a dor, melhorar a função sexual e preservar a qualidade de vida.

A importância de procurar ajuda médica

Antes de tudo, vale ressaltar que a dor durante a relação sexual não é normal e não deve fazer parte da vida íntima. Diversas mulheres sentem desconforto ou vergonha de falar sobre o assunto e, em alguns casos, a dor é normalizada, ignorada ou suportada em silêncio por medo, culpa ou falta de informação.

No entanto, a dor costuma ser um sinal de que algo não está bem no organismo, seja por alterações físicas, hormonais, inflamatórias ou emocionais. Quando não investigada, além de persistir, pode impactar o desejo, a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional.

Por isso, não hesite em procurar um médico para entender o que está acontecendo. O sexo deve ser uma experiência de prazer, conexão e bem-estar, nunca de dor ou sofrimento.

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Perguntas frequentes

1. O que é vaginismo e como ele causa dor?

O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos da vagina, que dificulta ou impede a penetração, causando dor intensa. Ele pode estar relacionado a fatores físicos, emocionais ou traumáticos e costuma exigir abordagem multidisciplinar.

2. Aspectos emocionais podem causar dor na relação sexual?

Sim. Ansiedade, medo, experiências traumáticas, histórico de abuso ou conflitos emocionais podem aumentar a tensão muscular e a sensibilidade, contribuindo para a dor durante a relação sexual.

3. Quando a dor na relação sexual se torna um sinal de alerta?

A dor se torna um sinal de alerta quando é intensa, frequente, piora com o tempo, ocorre em qualquer posição ou vem acompanhada de sangramento, corrimento anormal, febre ou alterações menstruais.

4. Lubrificantes ajudam a aliviar a dor?

Podem ajudar, especialmente quando a causa está relacionada ao ressecamento vaginal. No entanto, o uso de lubrificantes não substitui a investigação da causa da dor e não resolve problemas mais complexos.

5. Qual remédio tomar quando sente dor na relação?

Não existe um único remédio indicado para todos os casos de dor na relação sexual, e o tratamento depende da causa. Em algumas situações, podem ser usados cremes vaginais, antibióticos, antifúngicos, hormônios locais ou medicamentos para controle da dor, mas apenas com a orientação de um médico. Não se automedique!

6. Quem tem endometriose pode ter relação sexual?

Sim, pode. No entanto, muitas mulheres com endometriose sentem dor durante a relação sexual, especialmente na penetração profunda. O tratamento adequado da doença ajuda a reduzir a dor e a melhorar a qualidade da vida sexual, permitindo relações mais confortáveis.

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