O envelhecimento é um processo biológico natural que, mesmo em pessoas saudáveis, provoca mudanças graduais no funcionamento do organismo — incluindo no coração.
Com o passar dos anos, o músculo cardíaco pode perder parte da elasticidade, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas e o relaxamento entre os batimentos pode se tornar menos eficiente, o que influencia o enchimento adequado do coração.
Apesar de fazerem parte da vida, as mudanças ajudam a entender por que o coração ao envelhecer precisa de mais cuidados na terceira idade.
O que acontece com o coração no envelhecimento?
Mesmo em indivíduos saudáveis, o coração passa por alterações estruturais e elétricas naturais com o passar dos anos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, uma das principais mudanças ocorre no músculo cardíaco, que vai perdendo parte da elasticidade.
Com isso, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas, o que pode dificultar o enchimento e o relaxamento adequados entre os batimentos.
O coração também possui válvulas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão e em direção aos vasos sanguíneos. Com o envelhecimento, elas podem sofrer espessamento e calcificação, o que pode interferir no seu processo de abertura e fechamento.
Para completar, Juliana aponta que os batimentos cardíacos dependem de um sistema elétrico próprio do coração. As células chamadas de nó sinusal são responsáveis pela geração dos impulsos elétricos que comandam o ritmo cardíaco.
Em pessoas mais velhas, tanto essas células quanto as vias da condução elétrica também envelhecem, o que pode tornar o ritmo dos batimentos mais lento ou aumentar a chance de falhas no ritmo.
A pressão arterial e o ritmo cardíaco tendem a mudar com a idade?
Ao longo do tempo, os vasos sanguíneos tendem a ficar mais rígidos, um processo chamado arteriosclerose. Isso pode levar ao aumento da pressão arterial sistólica, enquanto a pressão diastólica pode permanecer estável, aumentando a diferença entre as duas.
Além disso, o ritmo cardíaco também pode sofrer mudanças. O ritmo dos batimentos cardíacos é controlado por estruturas presentes no coração, especialmente por uma estrutura chamada nó sinusal.
Com o envelhecimento, ele pode perder parte da capacidade de controle dos batimentos, o que aumenta o risco de arritmias. Por isso, a incidência de arritmias tende a aumentar com o avanço da idade.
Os efeitos do sedentarismo no envelhecimento
O coração é um músculo e, como qualquer outro, precisa de estímulos para funcionar bem. Em pessoas sedentárias, Juliana explica que o músculo cardíaco tende a sofrer atrofia e endurecimento mais rapidamente, já que não recebe estímulos regulares, o que compromete a sua capacidade de adaptação ao longo do tempo.
Por isso, a capacidade de bombear o sangue durante esforços físicos tende a diminuir de forma mais acentuada em indivíduos sedentários, se reduzindo progressivamente ao longo dos anos. Os vasos sanguíneos também tendem a ficar mais enrijecidos em quem não pratica atividades físicas.
Já no caso de pessoas ativas, o coração tende a preservar melhor a elasticidade, tanto do próprio músculo cardíaco quanto dos vasos sanguíneos. Como consequência, ele consegue bombear uma maior quantidade de sangue a cada batimento em comparação com um coração sedentário.
O que é natural do envelhecimento e o que é sinal de doença?
Existem algumas mudanças que são esperadas com o passar dos anos e, sozinhas, não costumam ser motivo de preocupação.
Por exemplo, Juliana conta que é comum haver uma redução da frequência cardíaca máxima, precisar de mais tempo de aquecimento antes de iniciar uma atividade física e perceber que a recuperação após o exercício fica um pouco mais lenta.
Por outro lado, alguns sinais de alerta devem ser avaliados por um profissional da saúde, como:
- Falta de ar muito intensa para um esforço leve;
- Tontura;
- Desmaios;
- Dor no peito;
- Palpitações frequentes;
- Inchaço excessivo no corpo.
Quais os exames cardíacos devem ser feitos a partir dos 60 anos de idade?
À medida que envelhecemos, alguns exames se tornam importantes para acompanhar como o coração e os vasos sanguíneos estão funcionando, como:
- Ecocardiograma;
- Ultrassom Doppler de carótidas;
- Holter;
- Testes de esforço, como o teste ergométrico ou a cintilografia
A indicação e a frequência dos exames devem ser definidas de acordo com a avaliação médica.
Hábitos que ajudam o coração a envelhecer de forma saudável
De acordo com Juliana, alguns hábitos podem ajudar a manter o coração saudável ao longo da vida, como:
- Prática regular de atividade física: incluindo exercícios aeróbicos, como caminhadas, corrida, bicicleta ou natação, e também treinos resistidos, como musculação, que ajudam a fortalecer os músculos, preservar a força e prevenir a perda muscular conhecida como sarcopenia;
- Alimentação equilibrada e nutritiva: com consumo adequado de vitaminas, proteínas e gorduras boas, priorizando alimentos naturais e evitando excessos, o que contribui para o bom funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos;
- Sono de qualidade: respeitando as horas necessárias de descanso, já que dormir bem ajuda a regular a pressão arterial, o metabolismo e os processos de recuperação do organismo;
- Vida social ativa e saudável: mantendo vínculos sociais, momentos de lazer e redução do estresse, fatores que também impactam positivamente a saúde cardiovascular.
Também vale ficar atento aos sinais de alerta que podem indicar algum problema no coração e manter as consultas médicas em dia, já que o acompanhamento regular ajuda a prevenir doenças, identificar alterações mais cedo e cuidar melhor da saúde do coração.
Leia mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir
Perguntas frequentes
É normal o coração bater mais devagar com a idade?
Sim, o sistema elétrico do coração pode ficar mais lento, o que reduz a frequência cardíaca máxima.
O exercício físico consegue reverter mudanças no coração?
O exercício não reverte completamente as mudanças naturais, mas ajuda a reduzir a velocidade das alterações. A prática regular melhora a circulação, preserva a força do músculo cardíaco e ajuda a manter os vasos mais flexíveis, o que contribui para um coração mais eficiente ao longo da vida.
Qual tipo de exercício é melhor para o coração?
A combinação de exercícios aeróbicos, como caminhada e bicicleta, com exercícios de força, como musculação, é a mais indicada.
Quem tem histórico familiar de doença cardíaca precisa de mais atenção?
Sim, o histórico familiar aumenta o risco e exige acompanhamento mais cuidadoso.
O estresse prolongado acelera problemas cardíacos?
Sim, o estresse crônico mantém o organismo em estado de alerta constante, elevando a pressão arterial e favorecendo inflamações, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Ficar muito tempo sentado faz mal para o coração?
Sim, permanecer longos períodos sentado reduz a circulação, favorece o ganho de peso e aumenta o risco de pressão alta e problemas cardíacos, mesmo em quem se exercita algumas vezes por semana.
É normal sentir o coração bater mais forte em algumas situações?
Em momentos de estresse, ansiedade ou esforço físico, isso pode acontecer. Porém, se for frequente ou acompanhado de outros sintomas, precisa de avaliação médica.
Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista
