Como identificar se o bebê precisa de óculos?

Bebê usando óculos de grau, sentado em uma cadeira, durante a infância.

Os problemas de visão podem estar presentes desde o nascimento, já que algumas alterações no desenvolvimento ocular se formam ainda durante a gravidez. É por isso que os primeiros cuidados com a saúde ocular acontecem logo nos primeiros dias de vida, com exames como o Teste do Olhinho.

Mas, com o passar dos meses, outras dificuldades para enxergar podem começar a ficar mais perceptíveis. Como a criança ainda não consegue dizer que está vendo tudo embaçado ou que não enxerga bem de longe, os pais precisam ficar atentos aos pequenos sinais do dia a dia. Vamos entender mais, a seguir.

Quais sinais indicam que o bebê precisa de óculos?

Conforme o bebê cresce, ele começa a prestar mais atenção nos rostos, acompanhar objetos com os olhos e tentar alcançar brinquedos que estão por perto.

Quando existe algum problema de visão, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, alguns comportamentos diferentes podem aparecer, como:

1. Aproximar muito os objetos do rosto

O bebê pode aproximar brinquedos, livros ou outros objetos do rosto para conseguir enxergar melhor os detalhes. Quando o comportamento acontece com frequência, pode indicar dificuldade para enxergar com nitidez, principalmente a determinadas distâncias.

2. Esfregar os olhos com frequência

É normal que o bebê esfregue os olhos quando está cansado ou com sono. Porém, quando isso acontece várias vezes ao longo do dia, pode ser um sinal de cansaço visual, irritação nos olhos ou esforço maior para conseguir enxergar.

3. Inclinar a cabeça para enxergar

Algumas crianças inclinam a cabeça para um dos lados ou viram o rosto sempre na mesma direção quando querem observar alguma coisa. O comportamento pode ser uma tentativa de encontrar uma posição em que consigam enxergar melhor e pode estar relacionado a alterações no alinhamento dos olhos ou na visão.

4. Apresentar desvio nos olhos

Nos primeiros meses de vida, pequenos desalinhamentos podem acontecer enquanto a visão ainda está amadurecendo. Quando um dos olhos permanece desviado para dentro ou para fora com frequência, contudo, o comportamento pode indicar estrabismo ou outra alteração no alinhamento ocular.

5. Apresentar sensibilidade à luz e lacrimejamento

Quando o bebê demonstra muito incômodo com a claridade, fecha os olhos em ambientes iluminados ou apresenta lacrimejamento frequente, os sinais podem estar relacionados a alterações na superfície dos olhos, na córnea ou a outras condições oculares.

6. Ter dificuldade para alcançar objetos

À medida que cresce, o bebê começa a usar a visão para calcular a distância dos brinquedos e coordenar os movimentos das mãos. Quando apresenta dificuldade frequente para alcançar objetos ou calcular onde eles estão, pode existir alguma alteração na visão ou na percepção de profundidade.

7. Apertar os olhos ou franzir a testa

Apertar os olhos ou franzir a testa com frequência pode ser uma tentativa de enxergar melhor. Se o comportamento acontece repetidamente, principalmente quando a criança tenta observar alguma coisa mais distante, vale procurar uma avaliação.

Importante: se os pais perceberem uma mancha ou um reflexo branco na pupila do bebê, inclusive em fotografias, é importante procurar atendimento oftalmológico rapidamente. O sinal é chamado de leucocoria e pode estar relacionado a diferentes alterações oculares que precisam ser investigadas.

Como é feito o teste de visão em bebês?

Como o bebê ainda não sabe falar ou responder aos tradicionais testes com letras, existem exames que não dependem das respostas e permitem avaliar a saúde dos olhos e identificar alterações visuais desde muito cedo, como:

Teste do olhinho

O teste do olhinho, também chamado de teste do reflexo vermelho, é realizado nos primeiros dias de vida e ajuda a identificar alterações importantes nos olhos. Durante o exame, o profissional utiliza um aparelho chamado oftalmoscópio para direcionar uma luz aos olhos do bebê e observar o reflexo produzido.

Quando o reflexo tem alterações, o bebê pode precisar de uma avaliação mais detalhada com um oftalmologista. O exame ajuda na identificação precoce de problemas que podem comprometer a visão, como a catarata congênita e outras condições oculares.

Exame com dilatação da pupila

Na consulta com o oftalmopediatra, podem ser usados colírios para dilatar as pupilas e permitir uma avaliação mais detalhada dos olhos. A dilatação também ajuda o médico a medir o grau com maior precisão, já que as crianças possuem uma grande capacidade de acomodação, ou seja, conseguem fazer um esforço natural para focar nas imagens.

Para descobrir se existe miopia, hipermetropia ou astigmatismo, o profissional pode utilizar diferentes exames:

  • Retinoscopia: o médico direciona uma luz para os olhos da criança e utiliza diferentes lentes para observar como o reflexo luminoso se comporta. Ele consegue identificar se existe algum grau que precisa ser corrigido;
  • Aparelhos de medição: também existem equipamentos capazes de avaliar o grau e o alinhamento dos olhos sem que a criança precise responder perguntas. Alguns aparelhos são portáteis e utilizam luzes ou sons para chamar a atenção do bebê durante o exame.

Com qual idade o bebê pode ir ao oftalmologista?

A avaliação da saúde dos olhos começa logo nos primeiros dias de vida, com o Teste do Olhinho. Além da triagem inicial, o acompanhamento oftalmológico ao longo da infância é importante para identificar alterações que podem aparecer conforme a visão se desenvolve.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomendam avaliações oftalmológicas periódicas desde os primeiros meses de vida, mesmo quando não existem sintomas aparentes, seguindo a orientação do pediatra e do oftalmologista.

Como escolher os óculos ideais para o bebê?

Os bebês se movimentam bastante, brincam, engatinham e provavelmente vão tentar tirar os óculos algumas vezes, então a armação precisa ser leve, resistente e adequada para o tamanho do rosto. Veja algumas dicas para escolher o melhor modelo:

  • Prefira uma armação leve e flexível: as armações feitas com materiais leves e flexíveis costumam ser mais confortáveis para os bebês, já que acompanham melhor os movimentos e diminuem o risco de machucar o rosto durante uma queda ou brincadeira;
  • Veja se os óculos encaixam bem no nariz: como o nariz do bebê ainda está em desenvolvimento, é importante que a armação fique bem encaixada, sem apertar e sem escorregar o tempo todo;
  • Use uma tira para manter os óculos no lugar: alguns modelos possuem uma faixa ajustável que fica atrás da cabeça e ajuda a impedir que os óculos caiam ou saiam do lugar. A tira pode ser bastante útil para os bebês menores, principalmente no começo da adaptação;
  • Escolha lentes leves e resistentes: quedas, batidas e brincadeiras fazem parte da rotina de qualquer bebê, por isso as lentes precisam ser leves e resistentes a impactos. O material deve ser escolhido de acordo com o grau e com as necessidades da criança, seguindo a orientação do profissional responsável.

No começo, é normal que o bebê tente tocar ou retirar os óculos algumas vezes enquanto se acostuma com o acessório. Com uma armação confortável, o grau correto e um pouco de paciência da família, a adaptação tende a ficar mais fácil ao longo do tempo.

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Perguntas frequentes

1. Com quantos meses o bebê começa a enxergar nitidamente?

A visão do bebê melhora gradativamente. Nos primeiros meses ele enxerga vultos e contrastes, mas a capacidade de focar em objetos e rostos com mais clareza e nitidez se desenvolve por volta dos 3 a 4 meses de vida.

2. Como saber se o estrabismo no bebê é preocupante?

O estrabismo passa a ser preocupante se for constante, se afetar apenas um dos olhos o tempo todo ou se persistir após os 4 meses de vida. Nesses casos, o bebê deve ser avaliado por um oftalmopediatra.

3. Quanto tempo dura o efeito do colírio de dilatação no bebê?

O efeito da pupila dilatada costuma durar entre 12 e 24 horas. Durante esse período, é recomendado proteger os olhos do bebê da luz solar direta.

4. Como limpar os óculos do bebê com segurança?

Lave as lentes com água corrente e sabão neutro, secando com um pano macio de microfibra. Evite álcool, produtos de limpeza domésticos ou esfregar na roupa, pois podem danificar os tratamentos da lente.

5. De quanto em quanto tempo é preciso trocar os óculos do bebê?

Geralmente a cada 6 meses ou 1 ano, dependendo do crescimento da criança e da evolução do grau. A troca deve ser feita sempre após a reavaliação do oftalmopediatra.

6. O bebê precisa usar os óculos o dia todo?

Depende da orientação médica. Em casos de graus elevados ou risco de olho preguiçoso, o uso deve ser contínuo durante todo o tempo em que o bebê estiver acordado.

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