O sistema cardiovascular é naturalmente afetado pelas mudanças que acompanham o envelhecimento — inclusive as artérias. Com o passar dos anos, elas tendem a perder elasticidade e se tornar mais rígidas, processo que pode dificultar a circulação do sangue e aumentar o risco de problemas cardíacos.
A rigidez, apesar de esperada com o avanço da idade, não acontece da mesma forma para todas as pessoas. O ritmo do processo depende de diversos fatores, como hábitos de vida, presença de doenças crônicas e cuidados com a saúde ao longo dos anos.
O que acontece com as artérias durante o envelhecimento?
Com o avanço da idade, as artérias passam por mudanças naturais na estrutura e no funcionamento. Segundo a cardiologista Juliana Soares, uma das principais alterações envolve a perda gradual da elasticidade, característica importante para que os vasos consigam se expandir e se contrair conforme o sangue circula pelo corpo.
Parte do processo acontece porque a elastina, proteína responsável pela flexibilidade das artérias, diminui ao longo dos anos e acaba sendo substituída por colágeno, que apresenta maior rigidez.
Além disso, Juliana aponta que pode haver depósito de cálcio nas paredes arteriais, fenômeno conhecido como arteriosclerose, que contribui para o endurecimento dos vasos.
Com isso, as artérias ficam menos capazes de absorver a pressão do sangue que sai do coração. Isso pode aumentar a pressão arterial e elevar o risco de problemas cardiovasculares, principalmente quando existem fatores como colesterol alto, diabetes, tabagismo e sedentarismo.
É possível evitar o endurecimento das artérias?
Um certo grau de enrijecimento das artérias acontece naturalmente com o avanço da idade. Contudo, o processo pode ser mais lento quando existe cuidado com a saúde desde cedo, segundo Juliana. O controle dos fatores de risco faz diferença importante para preservar a flexibilidade dos vasos ao longo do tempo.
Afinal, quais fatores aceleram o envelhecimento vascular?
A maioria dos fatores que podem acelerar o envelhecimento das artérias e favorecer o endurecimento dos vasos sanguíneos está associada ao estilo de vida e a condições de saúde que, quando não controladas, aumentam o desgaste do sistema cardiovascular ao longo do tempo.
Entre eles, Juliana aponta:
Inflamação crônica
A inflamação agride a parede dos vasos sanguíneos, facilita o acúmulo de cálcio e a formação de placas, contribuindo para o endurecimento arterial. Normalmente, ela está associada ao sedentarismo e à obesidade, que favorecem processos inflamatórios persistentes no organismo.
Colesterol elevado (especialmente LDL)
O colesterol ruim, o LDL, pode se depositar na parede das artérias ao longo do tempo. O acúmulo favorece a formação de placas de gordura, que reduzem a elasticidade dos vasos e dificultam a passagem do sangue.
Com a progressão desse processo, aumenta o risco de endurecimento arterial e de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.
Pressão arterial alta
A hipertensão provoca desgaste constante nas paredes das artérias, já que os vasos precisam suportar a passagem do sangue sob pressão mais elevada. Com o tempo, elas tendem a se tornar mais espessas e rígidas como forma de adaptação, o que reduz a capacidade de dilatação e compromete a circulação.
Ciclo de aumento da pressão arterial
Quando as artérias ficam mais rígidas, a circulação do sangue se torna mais difícil, o que faz com que o coração precise bombear com mais força para manter o fluxo adequado, elevando ainda mais a pressão arterial. Logo, se forma um ciclo em que a rigidez aumenta a pressão, e a pressão elevada acelera o envelhecimento das artérias.
Diabetes
Os níveis elevados de glicose no sangue podem danificar as paredes dos vasos sanguíneos e favorecer processos inflamatórios. Ao longo do tempo, isso contribui para o endurecimento arterial, reduz a elasticidade dos vasos e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Como o cardiologista avalia o envelhecimento das artérias?
A avaliação do envelhecimento vascular começa com a análise clínica, que inclui histórico de saúde, hábitos de vida, presença de doenças crônicas, exame físico, medida da pressão arterial e exames de sangue para verificar colesterol, glicemia e outros indicadores importantes.
Segundo Juliana, alguns exames específicos ajudam a avaliar a saúde das artérias com mais precisão:
- Ultrassom das artérias carótidas: identifica espessamento das paredes dos vasos, sinal de envelhecimento vascular;
- Velocidade da onda de pulso: exame que mede o grau de rigidez das artérias;
- Escore de cálcio coronariano (tomografia): detecta calcificação nas artérias do coração, indicador de risco cardiovascular.
Em geral, quanto maior a rigidez ou o nível de calcificação, maior tende a ser o comprometimento da saúde vascular.
O que pode ajudar a proteger as artérias?
Pequenas mudanças no estilo de vida ajudam a preservar a saúde das artérias e a reduzir o risco de endurecimento precoce dos vasos sanguíneos, como:
- Alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas ajuda a controlar colesterol e inflamação;
- Atividade física regular: exercícios melhoram a circulação, ajudam no controle da pressão e mantêm as artérias mais flexíveis;
- Controle da pressão, colesterol e glicemia: acompanhamento médico regular reduz o risco de danos vasculares;
- Evitar o tabagismo: o cigarro agride diretamente os vasos sanguíneos e acelera o envelhecimento vascular;
- Peso corporal adequado: excesso de peso favorece inflamação e sobrecarga do sistema cardiovascular;
- Sono de qualidade e menos estresse: descanso adequado ajuda na regulação hormonal e na saúde dos vasos.
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Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre arteriosclerose e aterosclerose?
A arteriosclerose é o endurecimento genérico das artérias pelo envelhecimento. A aterosclerose é um tipo específico onde há o acúmulo de placas de gordura e inflamação dentro dos vasos.
2. Como o sedentarismo acelera esse processo?
A falta de exercício reduz a produção de óxido nítrico, uma molécula que ajuda as artérias a relaxarem. Sem esse “estímulo de elasticidade”, o endurecimento progride mais rápido.
3. Quais são os riscos de ter artérias endurecidas?
O principal risco é a sobrecarga do coração, que precisa fazer mais força para bombear o sangue, podendo levar à insuficiência cardíaca, além de aumentar as chances de AVC e demência vascular.
4. Qual a relação entre o endurecimento das artérias e os rins?
Os rins são órgãos altamente vascularizados e sensíveis à pressão. Quando as grandes artérias endurecem, elas não conseguem amortecer a pressão do pulso cardíaco, que atinge os pequenos vasos renais com força excessiva, podendo causar insuficiência renal.
5. A genética determina quão rápido as artérias vão endurecer?
Segundo estudos, a genética contribui com cerca de 20% a 40% da variação na rigidez arterial. No entanto, a epigenética (como seus hábitos ativam ou desativam esses genes) desempenha um papel muito mais importante no envelhecimento vascular.
6. Bebidas alcoólicas prejudicam as artérias?
O consumo excessivo de álcool pode elevar a pressão arterial, alterar o metabolismo das gorduras e favorecer a inflamação. Isso aumenta o risco de envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos.
7. Mudanças no estilo de vida ainda ajudam depois dos 40 ou 50 anos?
Sim, nunca é tarde para cuidar da saúde cardiovascular. Um alimentação equilibrada, atividade física, controle de doenças e abandono do tabagismo continuam trazendo benefícios para as artérias em qualquer fase da vida.
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