Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

Coleta de sangue para exame de colesterol e perfil lipídico, procedimento usado para avaliar níveis de gordura no sangue e saúde cardiovascular.

Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

Quem tem colesterol normal também se beneficia?

Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

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Perguntas frequentes

Por que emagrecer melhora o colesterol?

A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

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