Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

Mulher idosa mede glicemia para monitorar risco de cetoacidose diabética

Enjoo persistente, dor abdominal, respiração ofegante e um hálito com cheiro de acetona podem parecer sintomas desconectados à primeira vista. No entanto, quando surgem em pessoas com diabetes, esses sinais podem indicar uma emergência médica grave: a cetoacidose diabética.

Essa condição exige diagnóstico rápido e tratamento imediato. Quando não reconhecida a tempo, pode evoluir para coma e até levar à morte. Por isso, entender como ela surge, quais são os sintomas e quando procurar ajuda faz toda a diferença para salvar vidas.

O que é a cetoacidose diabética?

A cetoacidose diabética é uma complicação grave que afeta pessoas com diabetes mellitus, sendo mais comum em indivíduos com diabetes tipo 1, embora também possa ocorrer no diabetes tipo 2.

Ela é caracterizada por três alterações principais:

  • Níveis muito elevados de glicose no sangue;
  • Aumento de corpos cetônicos;
  • Redução do pH sanguíneo, deixando o sangue ácido.

A condição acontece quando há deficiência de insulina. Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células para ser usada como energia. O corpo, então, passa a quebrar gordura como alternativa, produzindo cetonas, substâncias ácidas que se acumulam no sangue e levam ao desequilíbrio metabólico.

Principais sintomas da cetoacidose diabética

Os sintomas costumam surgir de forma rápida e progridem em poucas horas ou dias.

Sintomas iniciais (típicos do diabetes)

  • Sede excessiva;
  • Aumento da frequência urinária;
  • Perda de peso.

Sintomas associados à cetoacidose

  • Enjoo e vômitos;
  • Dor abdominal;
  • Fadiga intensa;
  • Confusão mental;
  • Hálito cetônico, com odor semelhante ao de acetona.

Em quadros mais graves, podem ocorrer:

  • Sonolência excessiva;
  • Lentificação;
  • Coma;
  • Necessidade de suporte ventilatório.

Alterações nos níveis de potássio também são comuns e podem levar a arritmias cardíacas, aumentando a gravidade do quadro.

Quais são as causas da cetoacidose diabética?

A cetoacidose diabética pode ocorrer tanto em pessoas já diagnosticadas com diabetes quanto ser a primeira manifestação da doença.

Principais fatores desencadeantes

  • Infecções, especialmente urinárias e pulmonares;
  • Uso inadequado ou interrupção da insulina;
  • Falha no tratamento medicamentoso.

A base do problema é sempre a deficiência de insulina, que pode ser:

  • Completa, no diabetes tipo 1;
  • Parcial, no diabetes tipo 2.

Sem insulina suficiente, o organismo entra em um estado de descompensação metabólica grave.

Como é feito o diagnóstico da cetoacidose diabética?

O diagnóstico é baseado em critérios laboratoriais bem definidos.

Critérios diagnósticos

  • Glicose no sangue maior que 250 mg/dL;
  • pH sanguíneo reduzido (acidose);
  • Presença de cetonas no sangue ou na urina.

Exames laboratoriais também costumam mostrar:

  • Alterações nos níveis de sódio e potássio;
  • Sinais de desidratação;
  • Redução da função renal em casos mais graves.

Tratamento da cetoacidose diabética

A cetoacidose diabética é uma emergência médica e deve ser tratada em ambiente hospitalar.

Primeira etapa: hidratação

A hidratação endovenosa vigorosa (soro na veia) é sempre a primeira medida após o diagnóstico, independentemente da gravidade inicial.

Uso de insulina

A insulina intravenosa só deve ser iniciada se os níveis de potássio estiverem adequados.

Se o potássio estiver abaixo de 3,5 mEq/L, ele deve ser corrigido antes da insulina.

Outras medidas importantes

  • Reposição de bicarbonato e fosfato, quando indicado;
  • Monitorização rigorosa dos sinais vitais;
  • Exames laboratoriais frequentes;
  • Gasometria a cada 2 horas, para acompanhar o equilíbrio metabólico.

Após a resolução da crise:

  • Reintrodução da dieta;
  • Retorno ao esquema de insulina subcutânea.

Como prevenir a cetoacidose diabética?

A prevenção está diretamente ligada ao controle adequado do diabetes.

Medidas essenciais

  • Uso regular das medicações prescritas;
  • Acompanhamento médico periódico;
  • Ajuste adequado das doses de insulina;
  • Vacinação em dia, para reduzir o risco de infecções;
  • Evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Reconhecer precocemente os sintomas e buscar atendimento rápido é fundamental para evitar complicações.

Prognóstico da cetoacidose diabética

A taxa de mortalidade varia entre 0,2% e 2,5%.

O prognóstico é pior em:

  • Idosos;
  • Pacientes com comorbidades importantes;
  • Pessoas com alterações neurológicas graves.

Por outro lado, pacientes que recebem tratamento precoce costumam apresentar boa recuperação, sem sequelas permanentes.

Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

Perguntas frequentes sobre cetoacidose diabética

1. Cetoacidose diabética é a mesma coisa que glicemia alta?

Não. A glicemia alta é um dos critérios, mas a cetoacidose envolve acidose e produção de cetonas.

2. Só quem tem diabetes tipo 1 pode ter cetoacidose?

Não. É mais comum no tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2.

3. Hálito com cheiro de acetona é sempre sinal de cetoacidose?

Não sempre, mas é um sinal de alerta importante em pessoas com diabetes.

4. A cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes?

Sim. Em alguns casos, o diagnóstico do diabetes acontece durante a crise.

5. Cetoacidose tem cura?

Sim. Com tratamento adequado e rápido, a crise é revertida.

6. Dá para prevenir completamente?

Nem sempre, mas o bom controle do diabetes reduz muito o risco.

7. Quando procurar atendimento médico?

Ao surgirem enjoo, vômitos, dor abdominal, confusão mental ou hálito cetônico.

Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?