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  • Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Leia também: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.

    Veja também: É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

  • Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    O infarto ainda é visto, no imaginário popular, como um problema masculino. Mas a realidade é bem diferente e preocupante. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no mundo. E o mais grave é que o infarto nelas pode se manifestar de forma diferente, com sinais discretos que passam despercebidos e atrasam o socorro.

    “O infarto em mulheres apresenta peculiaridades significativas que o diferenciam do infarto em homens, desde os sintomas até os impactos e desfechos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein. Entender essas diferenças é muito importante para agir rápido e salvar vidas.

    Por que o infarto em mulheres é diferente?

    Enquanto nos homens o sintoma mais típico é a dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo, nas mulheres os sinais podem ser mais discretos, e podem ser facilmente confundidos com ansiedade, indigestão ou cansaço.

    “Uma das distinções mais marcantes entre o infarto em mulheres e homens reside na apresentação dos sintomas”, explica a cardiologista. Isso ajuda a entender por que tantas mulheres demoram a buscar atendimento.

    Os 7 sintomas silenciosos do infarto feminino

    Mesmo que não haja dor forte no peito, as mulheres precisam ficar atentas a outros sinais. Conheça os mais comuns:

    • Fadiga persistente;
    • Desconforto na região do tórax;
    • Falta de ar;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura.

    “Esses sintomas menos proeminentes e muitas vezes pouco valorizados podem levar a um atraso significativo no diagnóstico e tratamento”, reforça a médica.

    Fatores de risco específicos para mulheres

    Alguns riscos são compartilhados com os homens, como pressão alta, colesterol alto, obesidade e tabagismo, mas outros afetam mais as mulheres ou têm impacto diferente nelas.

    • Diabetes: essa doença aumenta o risco cardiovascular de forma mais intensa nas mulheres.
    • Estresse e depressão: mais comuns nas mulheres, essas condições estão ligadas a um risco maior de infarto.
    • Doenças autoimunes: o lúpus e a artrite reumatoide, por exemplo, são mais comuns em mulheres e podem aumentar o risco de infarto.
    • Complicações na gravidez: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro são fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares em mulheres.
    • Menopausa: a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco cardiovascular.

    Diferença no infarto em mulheres e homens

    Nos homens, o infarto costuma ocorrer pelo rompimento de uma placa de gordura em uma grande artéria do coração, levando à formação de um coágulo.

    “Já nas mulheres, é mais comum haver problemas nos pequenos vasos sanguíneos do coração ou mesmo um infarto causado por uma condição chamada dissecção espontânea da artéria coronária, um ‘rasgo’ na parede da artéria que, embora rara, é mais frequente em mulheres jovens e de meia-idade”, explica a cardiologista.

    Por que o prognóstico pode ser pior nas mulheres?

    A médica explica que quatro fatores principais contribuem para a gravidade do infarto nas mulheres:

    • Atraso no diagnóstico: devido aos sintomas atípicos, o diagnóstico pode demorar a acontecer.
    • Maior número de comorbidades: mulheres tendem a ser mais velhas e ter mais doenças associadas no momento do infarto, e isso pode complicar o tratamento e a recuperação.
    • Baixa adesão à reabilitação cardíaca: menos mulheres são encaminhadas e participam desses programas de reabilitação cardíaca, que são essenciais para a recuperação.
    • Padrão de vida pós-infarto: as mulheres podem enfrentar mais desafios em retomar suas atividades diárias ou profissionais por conta de sequelas físicas e emocionais do infarto.

    Prevenção: o que você pode fazer

    As mulheres precisam conhecer seus fatores de risco e manter um estilo de vida saudável. Isso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento médico. E, sobretudo, não ignorar sinais incomuns que possam indicar problemas no coração.

    “Aumentar a conscientização sobre os sintomas atípicos, a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de uma abordagem personalizada no tratamento e prevenção é fundamental para mudar essa realidade”, conclui a cardiologista Juliana Soares.

    Confira: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres

    1. Quais são os sintomas mais comuns de infarto em mulheres?

    Fadiga, falta de ar, desconforto no peito, náuseas, tontura são os principais sinais.

    2. É verdade que mulheres têm menos dor no peito durante o infarto?

    Sim. Muitas não apresentam a dor clássica, o que dificulta o reconhecimento imediato.

    3. Mulheres jovens podem ter infarto?

    Sim, especialmente em casos de dissecção espontânea da artéria coronária (o “rasgo” na artéria) ou fatores de risco como estresse, depressão, diabetes e doenças autoimunes.

    4. O que devo fazer se sentir sintomas suspeitos?

    Procure atendimento médico imediato ou acione o SAMU pelo número 192.

    5. Menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim. A queda no estrogênio após a menopausa está associada a maior risco de problemas no coração.

    6. Quais fatores de risco são exclusivos das mulheres?

    Complicações na gravidez e impacto hormonal da menopausa.

    7. Como prevenir o infarto feminino?

    Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, fazer check-ups regulares e conhecer os sinais de alerta.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    O colesterol é muito importante para o corpo, mas em excesso pode ser perigoso. Quando está bem equilibrado, ajuda o organismo a funcionar direito, mas o colesterol alto aumenta o risco de doenças bem graves, como infarto e AVC.

    Neste texto, você vai entender o que é colesterol, os tipos e os principais fatores que contribuem para que ele fique alto, além de aprender o que fazer para resolver esse problema.

    O que é colesterol e por que ele é importante?

    O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo próprio organismo e também obtido pela alimentação. Apesar da fama ruim, ele é fundamental: está presente nas membranas das células, participa da produção de hormônios e é necessário para a saúde do corpo. No entanto, é preciso evitar a todo custo o colesterol alto.

    Tipos de colesterol: LDL, HDL e VLDL explicado

    Colesterol LDL: por que é considerado ruim?

    Quando está em excesso, o LDL se acumula nas artérias e pode formar placas que dificultam a passagem do sangue. Quando essas placas bloqueiam a passagem total do sangue é que acontecem infartos e AVC.

    Colesterol HDL: o protetor do coração

    Nem todo colesterol é ruim. O colesterol HDL tem o papel de “limpar” o excesso de colesterol nas artérias e ajudar a proteger o coração.

    VLDL

    O colesterol VLDL transporta triglicerídeos, outra gordura que faz mal ao coração. Quando há VLDL em excesso, sobram triglicérides circulando, o que predispõe ao acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

    Valores de referência para colesterol

    Exame Desejável para população geral Desejável para alto risco cardiovascular Desejável para risco muito alto
    Colesterol Total Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL
    LDL (colesterol “ruim”) Menor que 100 mg/dL Menor que 70 mg/dL Menor que 50 mg/dL
    HDL (colesterol “bom”) ≥ 40 mg/dL (homens) / ≥ 50 mg/dL (mulheres) Igual Igual
    Triglicerídeos Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL
    Não-HDL Menor que 130 mg/dL Menor que 100 mg/dL Menor que 80 mg/dL

    O que causa o colesterol alto?

    As causas do colesterol alto são várias. O problema pode acontecer tanto por maus hábitos de saúde ou por fatores genéticos. Entenda.

    Fatores genéticos

    Algumas pessoas nascem com maior tendência ao colesterol alto, mesmo estando dentro do peso ideal e fazendo uma alimentação saudável. Essa condição é uma herança genética chamada de hipercolesterolemia familiar e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros.

    Dieta rica em gordura saturada e trans

    Alimentos como fast-food, frituras, carnes gordurosas e produtos industrializados são grandes problemas, pois uma alimentação ruim pode aumentar o LDL em até 25%. E os riscos do colesterol alto são muitos, por isso é importante manter uma boa alimentação.

    Sedentarismo

    A falta de atividade física reduz o HDL, que é o colesterol bom, e dificulta o controle do colesterol ruim. Apenas 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana já fazem diferença.

    Tabagismo e álcool em excesso

    Fumar danifica as artérias e reduz o colesterol bom. O excesso de bebida alcoólica também aumenta os triglicérides, que é péssimo para o coração.

    Envelhecimento e hormônios

    Com o passar dos anos, o corpo tende a produzir mais colesterol. Após a menopausa, muitas mulheres apresentam aumento do LDL.

    Veja também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Doenças associadas

    Diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais ou hepáticas alteram o metabolismo e aumentam a chance de ter colesterol alto.

    Estresse

    O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que interfere no metabolismo das gorduras e pode aumentar os níveis de colesterol.

    Uso de remédios

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, alguns remédios, como corticóides, anticoncepcionais, diuréticos e betabloqueadores, podem contribuir para alterações do colesterol. “É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso ao investigar causas de colesterol alto”, alerta.

    Como prevenir o colesterol alto?

    O controle do colesterol começa com hábitos saudáveis. Veja os três pilares de prevenção do colesterol alto:

    • Alimentação balanceada: frutas, verduras, grãos integrais, azeite de oliva e peixes são ótimos para ajudar a manter o colesterol sob controle. Evite frituras, embutidos e alimentos industrializados.
    • Exercício físico: caminhar, pedalar, nadar ou dançar ajuda a melhorar os níveis de HDL e controlar o LDL. Lembre-se de ser constante na atividade física.
    • Acompanhamento médico: em alguns casos, pode ser necessário o uso de remédios (como as estatinas), sempre com orientação profissional. Se for o caso do colesterol por herança genética, outros remédios ainda mais específicos também podem ser usados.

    Manter o colesterol em ordem é um passo muito importante para uma vida longa e saudável. O colesterol e o estilo de vida estão muito relacionados.

    Confira: O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Perguntas frequentes sobre colesterol alto

    1. Colesterol alto tem sintomas?

    Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é silencioso. Só exames de sangue podem identificar o problema.

    2. Colesterol alto sempre precisa de remédio?

    Nem sempre. Mudanças na alimentação e no estilo de vida muitas vezes são suficientes, mas em alguns casos o médico pode indicar medicamentos.

    3. Qual o nível ideal de colesterol?

    Depende do histórico de saúde da pessoa. Em geral, o LDL deve ficar abaixo de 100 mg/dL. Mas para pessoas com risco cardíaco mais alto, esse número pode ser bem menor. O médico saberá dizer o melhor para cada caso.

    4. Crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto?

    Sim. Por isso, é importante criar bons hábitos desde cedo e, quando necessário, fazer exames de rotina.

    5. O que comer para baixar o colesterol?

    Alimentos ricos em fibras (aveia, frutas, leguminosas), ômega-3 (peixes, linhaça) e gorduras boas (abacate, azeite) ajudam no controle do colesterol.

    Leia mais: Sou magro e meu colesterol está alto: como isso é possível?

  • Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono pode ser sinal de algo mais sério do que simplesmente dormir pouco. A apneia do sono é uma condição que interrompe a respiração diversas vezes durante a noite, prejudicando a oxigenação do corpo e roubando a qualidade do descanso.

    Muito além do ronco alto e da sonolência diurna, a apneia tem impactos que preocupam os médicos, afinal, ela pode alterar o funcionamento do coração, elevar a pressão arterial e aumentar as chances de doenças mais sérias, como infarto e AVC.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, integrante do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, que explicou como a apneia do sono interfere na saúde do coração e por que merece tanta atenção.

    O que é apneia do sono

    A cardiologista explica que a apneia do sono é uma condição em que a respiração é interrompida durante o sono, o que leva a uma queda na oxigenação do organismo. Essas pausas podem acontecer várias vezes por noite e prejudicam profundamente a qualidade do descanso.

    “A fragmentação do sono também não permite com que os estágios mais profundos do sono sejam atingidos, levando a cansaço excessivo, fadiga e sonolência durante o dia”, conta a médica.

    Segundo a especialista, existem três tipos principais de apneia do sono:

    • Apneia obstrutiva do sono: a mais comum, causada pelo relaxamento dos músculos da garganta, que bloqueiam a passagem do ar.
    • Apneia central do sono: mais rara, ocorre quando o cérebro não envia os sinais corretos para a respiração.
    • Apneia mista do sono: mistura das duas situações.

    “Embora possa atingir qualquer idade, ela é mais frequente em homens acima dos 40 anos, especialmente quando há obesidade”, diz a médica.

    Como a apneia afeta o coração

    A cada pausa na respiração, o corpo entende que está sob estresse. “Essas paradas na respiração promovem liberação dos hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, aumentando a pressão arterial e podendo levar a aumento da frequência cardíaca”, detalha a cardiologista.

    Com o tempo e o ciclo se repetindo noite após noite, acontece uma sobrecarga contínua no coração. Isso aumenta o risco de pressão alta, arritmias, aterosclerose (formação de placas de gordura nas artérias), resistência à insulina, diabetes, infarto e AVC.

    “Além disso, as pausas respiratórias demandam um esforço maior do coração podendo levar a ao enfraquecimento do músculo cardíaco e consequentemente a insuficiência cardíaca, condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender as necessidades do organismo”, detalha a especialista.

    “Como esse processo se repete dezenas de vezes durante a noite em quem tem apneia do sono, isso promove uma sobrecarga contínua no coração”.

    Esse processo ajuda a entender por que a apneia está tão ligada a doenças cardíacas graves.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Sinais de alerta da apneia do sono

    Como desconfiar, afinal, da apneia do sono? Muitas vezes, quem nota primeiro os sintomas é quem dorme ao lado. “Pausas na respiração durante a noite, ronco alto e frequente, sono agitado e despertar várias vezes são alguns dos sinais”, afirma a especialista.

    Durante o dia, os sintomas também aparecem:

    • Acordar cansado;
    • Sonolência excessiva;
    • Dor de cabeça ao acordar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração.

    Diagnóstico de apneia do sono: como fazer

    O diagnóstico começa pela história clínica, associada a relatos de quem convive com a pessoa. O exame principal é a polissonografia, que avalia funções do organismo durante o sono, como atividade cerebral, respiração, nível de oxigênio, batimentos cardíacos e intensidade do ronco.

    “Como na maior parte das condições de saúde, quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados”, reforça a cardiologista.

    “Além do tratamento diminuir o risco de doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, ele também ajuda na prevenção de acidentes, visto que a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar esse risco”.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Tratamento de apneia do sono

    Hoje, pode-se usar alguns aparelhos ou dispositivos para tratar a apneia do sono, como o CPAP, que é um aparelho que envia ar sob pressão através de uma máscara nasal e mantém as vias aéreas sempre abertas. Há também outros aparelhos que podem ajudar, mas somente um médico pode indicar para cada caso.

    “Tratar a apneia ajuda a estabilizar a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo risco cardiovascular”, afirma a médica.

    Outra forma de tratar apneia é diminuir os fatores de risco para ela. Um dos principais é a obesidade.

    “O excesso de gordura na região do pescoço pode provocar obstrução das vias respiratórias durante o sono”, explica a especialista. Por isso, perder peso ajuda a controlar a apneia e a saúde cardiovascular.

    Além disso, a médica recomenda:

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Diminuir o consumo de álcool (que relaxa a garganta e piora a apneia);
    • Parar de fumar, já que o cigarro inflama as vias aéreas.

    Confira: Apneia do sono: quando o ronco é sinal de algo mais sério

    Perguntas frequentes sobre apneia do sono e coração

    1. Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Porém, quando o ronco vem acompanhado de pausas respiratórias, merece investigação.

    2. A apneia pode causar pressão alta?

    Sim. As pausas respiratórias ativam hormônios do estresse que elevam a pressão arterial.

    3. Quem tem apneia sempre precisa usar CPAP?

    O CPAP é um dos tratamentos mais comuns, mas a escolha depende de uma avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida já ajudam.

    4. Apneia pode levar a insuficiência cardíaca?

    Sim. O esforço extra exigido do coração ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo cardíaco.

    5. Existe cura para a apneia do sono?

    Não há uma cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas e previne complicações.

    6. Perder peso melhora a apneia do sono?

    De forma geral, sim. O emagrecimento reduz a obstrução das vias aéreas e pode diminuir muito os episódios.

    Confira: Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Sabia que não são apenas as vias respiratórias e as articulações que sofrem com a chegada dos dias frios? A queda de temperatura provoca uma série de respostas fisiológicas que sobrecarregam o coração, especialmente em pessoas que já têm alguma vulnerabilidade cardiovascular, de acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de infarto e de outras complicações cardíacas pode aumentar em até 30% durante o inverno. “Não é comentário ou coincidência que hospitais registrem aumento de atendimentos por infarto e descompensação cardíaca nos meses mais frios do ano”, comenta o cardiologista.

    Como é comum haver mudanças na rotina no inverno, como a redução da prática de atividades físicas, o aumento do consumo de alimentos calóricos e a menor ingestão de água, alguns fatores de risco cardiovasculares podem se tornar ainda mais difíceis de controlar.

    Por que o coração sofre mais no inverno?

    Com a queda nas temperaturas, o organismo ativa mecanismos de defesa para preservar o calor corporal e manter a temperatura interna estável. Um dos principais é a vasoconstrição, processo em que os vasos sanguíneos se contraem para diminuir a perda de calor pela pele.

    Como consequência, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue através dos vasos mais estreitos, o que pode aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    “Em hipertensos, isso é especialmente preocupante porque a pressão já está elevada e o frio pode levá-la a níveis perigosos. É por isso que o inverno é associado a maior incidência de sangramentos cerebrais (AVC hemorrágico) e infartos”, explica Giovanni.

    Ao mesmo tempo, o cardiologista explica que ocorre a ativação do sistema nervoso simpático, liberando hormônios que aceleram a frequência cardíaca e elevam a pressão arterial, como a adrenalina e noradrenalina.

    O sangue também tende a ficar mais espesso (maior viscosidade) e com maior tendência a coagular no frio, o que aumenta o risco de entupimento de artérias. Para completar, o frio pode provocar espasmos nas artérias coronárias, que são responsáveis por irrigar o coração, diminuindo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    O frio realmente aumenta o risco de infarto?

    O risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC) pode aumentar em até 30% nos dias frios e no inverno, segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde.

    “No Brasil, mesmo com invernos mais amenos que os europeus, também se observa essa sazonalidade. Cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre registram aumento de internações por infarto e AVC no período de junho a agosto”, aponta Giovanni.

    O risco costuma ser maior não exatamente nos dias mais frios, mas nas primeiras quedas de temperatura após períodos mais quentes, quando o organismo ainda não conseguiu se adaptar ao frio.

    O cardiologista destaca que os dias com grande variação de temperatura entre a manhã e à tarde também exigem mais do corpo e podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

    Quem faz parte do grupo de risco?

    O inverno pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos têm maior risco de sofrer complicações cardiovasculares durante o inverno, como:

    • Pessoas com hipertensão arterial;
    • Pessoas com histórico de infarto ou insuficiência cardíaca;
    • Pacientes com colesterol alto ou diabetes;
    • Idosos;
    • Fumantes;
    • Pessoas sedentárias;
    • Indivíduos com obesidade;
    • Quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares.

    “Quando o frio aumenta a demanda, exigindo mais trabalho para manter a temperatura e bombear o sangue pelos vasos contraídos, o coração comprometido pode não conseguir suprir essa demanda extra, desencadeando um infarto, uma descompensação da insuficiência cardíaca ou uma arritmia grave”, pontua o cardiologista.

    Como proteger o coração nos dias frios?

    Segundo Giovanni, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a sobrecarga do coração durante o inverno, como:

    • Agasalhar-se adequadamente, com atenção especial para a cabeça, o pescoço, as mãos e os pés, regiões onde a perda de calor costuma ser maior;
    • Evitar mudanças bruscas de temperatura, como sair rapidamente de ambientes aquecidos para o frio intenso;
    • Manter a casa aquecida, principalmente o quarto e o banheiro;
    • Não interromper os medicamentos cardiovasculares sem orientação médica, especialmente no caso de pessoas com hipertensão;
    • Seguir corretamente o tratamento prescrito, já que alguns pacientes podem precisar de ajuste nas doses dos medicamentos durante o inverno;
    • Evitar o consumo de álcool, pois a bebida provoca dilatação dos vasos e aumenta a perda de calor;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, mesmo com a menor sensação de sede provocada pelo frio;
    • Continuar praticando atividades físicas de forma regular e segura, respeitando as orientações médicas quando houver doenças cardíacas pré-existentes.

    Exercícios ao ar livre no frio são seguros?

    Para pessoas saudáveis, a prática de exercícios físicos no frio costuma ser segura, desde que alguns cuidados sejam adotados no dia a dia. Giovanni orienta o aquecimento prévio, por cerca de 10 a 15 minutos, pois ajuda o organismo a se adaptar gradualmente ao esforço físico. Também é recomendado:

    • Cobrir o nariz e a boca com um lenço ou uma máscara para ajudar a aquecer o ar antes que ele chegue aos pulmões;
    • Respirar pelo nariz, já que isso contribui para o aquecimento do ar inspirado;
    • Evitar os horários mais frios do dia, como a madrugada e o início da manhã.

    Para pessoas com doenças cardiovasculares, a recomendação é evitar exercícios intensos ao ar livre quando a temperatura estiver abaixo de 10 °C, dando preferência a ambientes fechados e climatizados durante o inverno. Também é importante não iniciar atividades físicas intensas sem avaliação médica.

    “Uma caminhada em ritmo moderado é muito diferente de correr ou fazer esforço intenso — o tipo de exercício importa tanto quanto a temperatura”, destaca Giovanni.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    Qualquer sinal de alerta cardiovascular no frio deve ser levado a sério e avaliado rapidamente. Giovanni comenta os principais:

    • Dor, pressão ou aperto no peito, mesmo que leve ou passageiro;
    • Dor irradiando para o braço esquerdo, a mandíbula, as costas ou o pescoço;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço ou até mesmo em repouso;
    • Palpitações, com o coração acelerado ou irregular de forma persistente;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Suor frio sem motivo aparente;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Para pessoas com hipertensão, pressão arterial muito acima do habitual.

    “Um sinal que muitas pessoas ignoram: dor em uma mandíbula ou dente sem causa dentária aparente, especialmente associada ao esforço no frio — pode ser angina atípica”, explica Giovanni.

    No caso de dor no peito intensa e súbita, o correto é ligar imediatamente para o SAMU (192) ou acionar o serviço de emergência mais próximo.

    Confira: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. A partir de qual temperatura o coração começa a correr risco?

    Não existe um número exato na tabela, mas estudos mostram que quando a temperatura média diária fica abaixo de 14°C, o corpo já começa a fazer um esforço cardiovascular significativamente maior para manter o calor interno.

    2. Sinto palpitações ou o coração acelerado no frio. Isso é normal?

    Até certo ponto, sim. O coração bate mais rápido no frio para acelerar a circulação e ajudar a produzir calor. No entanto, se as palpitações vierem acompanhadas de tontura, falta de ar ou dor no peito, você deve procurar um médico.

    3. Tomar banho muito quente logo após sair do frio faz mal para o coração?

    Pode ser perigoso para quem tem problemas cardíacos. A mudança brusca do ambiente gelado para a água muito quente causa uma dilatação rápida dos vasos (vasodilatação), o que pode fazer a pressão despencar repentinamente, provocando tonturas, desmaios ou arritmias.

    4. Quem toma remédio para pressão alta precisa mudar a dose no inverno?

    Apenas se houver orientação médica. Como a pressão tende a subir no frio, o médico pode ajustar a medicação após uma consulta. Nunca altere a dose ou interrompa o tratamento por conta própria, pois isso pode causar crises hipertensivas graves.

    5. O uso de aquecedores elétricos em casa ajuda a proteger o coração?

    Ajuda, pois mantém o ambiente em uma temperatura confortável, evitando que o corpo precisa fazer vasoconstrição constante. No entanto, lembre-se de manter uma bacia de água no quarto para o ar não ficar muito seco, o que prejudica as vias respiratórias.

    6. Por que as extremidades (mãos e pés) ficam tão frias?

    É um mecanismo de defesa. O corpo prioriza mandar o sangue quente para os órgãos vitais localizados no tórax e no abdômen (incluindo o coração). Por isso, ele “fecha” a circulação das pontas dos dedos, orelhas e nariz.

    7. Tomar a vacina da gripe ajuda a proteger o coração no frio?

    Sim, com certeza. Como as infecções respiratórias graves (como a gripe) causam uma inflamação intensa no corpo capaz de romper placas de gordura nas artérias, estar vacinado reduz drasticamente esse gatilho inflamatório, protegendo indiretamente o coração.

    8. Café ou chá preto bem quentes ajudam a proteger o coração nos dias frios?

    Bebidas quentes são ótimas para ajudar a aquecer o corpo, mas é preciso moderação com a cafeína. O café e o chá preto em excesso são estimulantes que podem aumentar os batimentos cardíacos e a pressão arterial, que já tendem a estar mais altos por causa do frio. Prefira chás de ervas sem cafeína, como camomila ou erva-doce.

    9. Por que urinamos mais no frio e como isso afeta o coração?

    Quando o corpo contrai os vasos sanguíneos periféricos para reter calor, mais sangue se concentra na região central do corpo.

    O organismo interpreta esse aumento de volume central como um sinal de que há excesso de líquido e estimula os rins a produzirem mais urina. Se você urina mais e não se hidrata adequadamente, o sangue fica mais denso, prejudicando a circulação.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    A primeira ideia que vem à mente quando surge uma dor no peito é um problema cardíaco, como infarto ou angina. Mas nem sempre a origem está exatamente no coração. Questões musculares, digestivas e até emocionais também podem provocar sintomas semelhantes.

    Para esclarecer quando a dor deve ser considerada um alerta sério, conversamos com o cardiologista Pablo Cartaxo. “A dor no peito é um sintoma que gera muita ansiedade, mas nem toda dor nessa região significa um problema no coração”.

    Quais são as possíveis causas da dor no peito?

    Um dos motivos mais frequentes para uma dor no peito é um problema osteomuscular, que envolve ossos, músculos ou articulações da região torácica. “Geralmente está ligada a esforço físico ou má postura”, destaca Pablo Cartaxo.

    Outra causa comum são os problemas gastrointestinais, frequentemente confundidos com dor cardíaca, sendo normalmente relacionados ao refluxo gastroesofágico. “Esses sintomas geralmente têm relação com a alimentação ou com a posição de deitar”, explica Cartaxo.

    Dor no peito e ansiedade também podem estar relacionadas. Crises de ansiedade e estresse ativam o sistema nervoso, liberando adrenalina e acelerando os batimentos cardíacos.

    Por fim, estão as causas cardíacas, que podem ser desencadeadas por esforço físico ou estresse e melhorar com repouso, podendo vir acompanhadas de suor frio, náuseas e sensação de morte iminente. Esse é o tipo de dor que deve ser considerado uma urgência médica.

    Confira: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Como é a dor típica de problema cardíaco?

    A dor cardíaca clássica está ligada à angina (falta de sangue e oxigênio no coração) ou ao infarto. Segundo Cartaxo, nesses casos, a dor causa “um aperto ou peso no centro do tórax, que pode irradiar para braços, mandíbulas ou costas, piorando com o esforço”.

    O médico alerta que outras doenças cardíacas também causam dor:

    • Pericardite: inflamação da membrana que envolve o coração. A dor piora ao deitar e ao respirar fundo, mas melhora quando a pessoa inclina o tronco para a frente.
    • Dissecção de aorta: emergência gravíssima. A dor surge de forma súbita, muito intensa, descrita como “rasgando” o peito e irradiando para as costas. Exige atendimento imediato.

    Segundo Pablo Cartaxo, um dos maiores mitos é acreditar que a dor no peito cardíaca é sempre insuportável. O cardiologista alerta: “A dor cardíaca pode se manifestar como um leve desconforto, uma pressão sutil ou até mesmo uma sensação estranha no peito”.

    Ele explica que mulheres, idosos e diabéticos muitas vezes apresentam sintomas atípicos, como dor abdominal, náuseas ou apenas mal-estar. Esses sinais discretos podem mascarar um infarto, tornando fundamental valorizar qualquer desconforto novo.

    Veja também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Sintomas que reforçam a suspeita de origem cardíaca

    Além da dor, outros sintomas são fortes indícios de problema no coração:

    • Falta de ar súbita ou ao realizar esforços leves;
    • Suor frio inesperado;
    • Náuseas, vômitos ou mal-estar geral;
    • Tontura ou sensação de desmaio iminente.

    Se esses sintomas estiverem presentes junto com a dor no peito, não deixe de procurar ajuda médica para uma avaliação detalhada.

    Leia mais: Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa

    Quando a dor pode não ser do coração?

    Esses sintomas citados acima normalmente relacionam a dor no peito a uma causa cardíaca, mas nem toda dor no peito tem relação com o coração. Algumas características ajudam a diferenciar:

    • Dor muscular: localizada, piora com movimento ou ao pressionar a região;
    • Dor digestiva: sensação de queimação que sobe do estômago ou piora após refeições;
    • Estresse e ansiedade: podem gerar dor no peito, palpitações e falta de ar.

    De qualquer forma, o recado do especialista é claro. “Na dúvida, procure ajuda. Interrompa o que estiver fazendo e repouse”, diz Cartaxo. “Se a dor for forte, nova ou vier com outros sintomas (falta de ar, suor), acione um serviço de emergência (SAMU 192) ou vá imediatamente a um pronto-socorro. Não dirija e nunca se automedique”.

    Exames que ajudam no diagnóstico

    O cardiologista explica que, assim que o paciente chega ao pronto-socorro com dor no peito, são realizados exames como o eletrocardiograma (ECG) e exames de sangue, como a troponina, para detectar danos no músculo cardíaco.

    “A partir daí, para uma investigação completa, o cardiologista pode solicitar exames de imagem como o ecocardiograma e a angiotomografia coronariana, ou testes para avaliar o coração em esforço, como cintilografia miocárdica. Em casos específicos, o cateterismo cardíaco pode ser necessário”.

    Confira:

    Perguntas Frequentes sobre dor no peito

    1. Toda dor no peito é do coração?

    Não. Ela pode ter origem muscular, digestiva, emocional ou respiratória.

    2. Como diferenciar dor cardíaca de muscular?

    A dor cardíaca é um aperto ou peso, muitas vezes irradiada para outras partes do corpo. Já a muscular é localizada e piora ao movimentar ou tocar a região.

    3. Dor no peito por ansiedade existe?

    Sim. A ansiedade pode causar dor torácica, mas essa causa só deve ser considerada após exames descartarem causas físicas.

    4. Dor cardíaca sempre é intensa?

    Não. Ela pode ser leve, discreta e até confundida com má digestão, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    5. Que exames ajudam a diagnosticar dor no peito?

    Eletrocardiograma, exames de sangue (troponina), ecocardiograma, tomografia e, em alguns casos, cateterismo.

    6. Existem diferenças da dor no peito entre homens e mulheres?

    Sim. Nas mulheres, os quadros de infarto muitas vezes não incluem dor torácica intensa. É mais comum aparecer cansaço extremo, dor nas costas, estômago ou mandíbula, além de náuseas.

    7. Quando procurar ajuda urgente?

    Se a dor for nova, intensa ou vier acompanhada de falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar, deve-se acionar o SAMU (192) ou ir ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

  • Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Dor no peito, palpitação e falta de ar são apenas alguns dos sinais que podem surgir durante uma crise intensa de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% a 26,8% da população no Brasil. O problema é que eles também são sintomas comuns do infarto do miocárdio, uma emergência médica que precisa de atendimento imediato.

    Por causa da semelhança entre os sintomas, muitas pessoas entram em pânico sem saber se estão diante de uma crise emocional intensa ou de um problema cardíaco real. Na dúvida, a principal recomendação é procurar atendimento médico para avaliação — mas existem algumas diferenças que podem te ajudar a diferenciar os quadros. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a crise de ansiedade parece um infarto?

    Durante uma crise de ansiedade ou de pânico, o corpo ativa o sistema nervoso autônomo, especialmente o chamado mecanismo de luta ou fuga. É um sistema de defesa natural, responsável por preparar o organismo diante de situações como ameaça ou perigo, mesmo quando a ameaça não é física e sim emocional ou imaginada.

    Quando o cérebro interpreta uma situação como perigosa, ele causa a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que provocam diversas reações físicas, como:

    • Aceleração do coração;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Respiração mais rápida;
    • Tensão muscular;
    • Maior fluxo sanguíneo para músculos.

    Como o coração, a respiração e a circulação são diretamente afetados, surgem sensações físicas intensas que podem lembrar problemas cardíacos, incluindo as palpitações, o aperto ou a dor no peito, a falta de ar, a tontura, o suor frio e a sensação de fraqueza.

    Quais os sintomas mais típicos do infarto?

    O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, acontece quando há uma redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Normalmente, placas de gordura ou coágulos bloqueiam as artérias coronárias, impedindo que o oxigênio chegue ao coração.

    Isso provoca físicos importantes que costumam surgir de forma gradual ou repentina, como:

    • Dor no peito forte e persistente, descrita muitas vezes como pressão, aperto, peso ou queimação;
    • Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, costas, mandíbula, pescoço ou até a região do estômago;
    • Falta de ar progressiva, mesmo em repouso ou com esforço mínimo;
    • Náusea, vômito ou sensação de indigestão, principalmente em mulheres;
    • Suor frio intenso, pele pálida e sensação de fraqueza;
    • Mal-estar geral que não melhora com repouso ou mudança de posição.

    A dor costuma durar vários minutos, podendo surgir em ondas ou permanecer contínua, e frequentemente piora com o tempo. Em alguns casos, pode haver tontura, sensação de desmaio ou ansiedade súbita associada ao quadro.

    Diferenças que ajudam a perceber cada situação

    Na dúvida, a melhor coisa a fazer é buscar atendimento médico para descartar um problema cardíaco. No entanto, alguns detalhes podem ajudar a diferenciar cada quadro.

    Em uma crise de ansiedade, ela costuma:

    • Surgir após estresse emocional, preocupação intensa ou situação de tensão;
    • Apresentar início relativamente rápido, muitas vezes acompanhado de sensação de medo ou alerta exagerado;
    • Melhorar com respiração lenta, técnicas de relaxamento ou mudança do foco mental;
    • Ter duração variável, frequentemente de minutos até cerca de uma hora;
    • Vir acompanhada de sensação de perda de controle, medo intenso ou pensamento catastrófico.

    Já um quadro de infarto apresenta:

    • Dor persistente no peito que não melhora com descanso ou relaxamento;
    • Sintomas físicos progressivos ou cada vez mais intensos;
    • Sinais associados como falta de ar, suor frio, náusea ou fraqueza marcante;
    • Presença de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardíaca.

    Também vale apontar que nem sempre os sintomas seguem um padrão. Mulheres, idosos, pessoas jovens ou com diabetes podem apresentar sinais menos típicos de infarto, como cansaço incomum, desconforto leve no peito, dor nas costas, enjoo persistente ou apenas falta de ar.

    Em algumas situações, a dor intensa no peito sequer aparece, o que pode atrasar a procura por atendimento.

    O que pode causar ansiedade?

    As causas da ansiedade não são totalmente explicadas, mas entende-se que ela ocorre por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais, como:

    • Estresse prolongado, preocupações constantes ou sobrecarga emocional;
    • Fatores genéticos ou histórico familiar de ansiedade;
    • Eventos traumáticos ou experiências difíceis;
    • Privação de sono, excesso de trabalho ou rotina desgastante;
    • Consumo elevado de cafeína, álcool ou outras substâncias estimulantes;
    • Algumas condições médicas e alterações hormonais.

    O que causa infarto?

    O infarto ocorre principalmente quando uma artéria coronária fica obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    A causa mais frequente é a aterosclerose, processo no qual placas de gordura se acumulam nas artérias ao longo do tempo, mas alguns fatores também aumentam o risco, como:

    • Pressão alta;
    • Colesterol elevado;
    • Diabetes;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Alimentação rica em gordura, açúcar e ultraprocessados;
    • Histórico familiar de doença cardíaca;
    • Estresse crônico e má qualidade do sono.

    Ansiedade pode causar um infarto?

    A ansiedade, por si só, normalmente não causa um infarto. No entanto, crises frequentes e estresse crônico podem contribuir indiretamente para problemas cardiovasculares.

    O aumento constante de adrenalina e cortisol pode elevar a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco e favorecer hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou tabaco. A longo prazo, os fatores podem aumentar o risco para para o desenvolvimento de hipertensão, arritmias, inflamação vascular ou maior propensão à formação de placas nas artérias.

    Além disso, durante uma crise intensa, a liberação abrupta de adrenalina pode provocar aceleração importante dos batimentos, elevação transitória da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas que já convivem com uma doença cardíaca ou fatores de risco relevantes, a sobrecarga pode desencadear sintomas ou agravar um quadro já existente.

    Como confirmar o diagnóstico?

    O diagnóstico do quadro é feito a partir de uma avaliação médica, principalmente quando existe dor no peito, falta de ar ou sintomas que podem lembrar um problema cardíaco. Na prática, a prioridade costuma ser descartar um infarto primeiro, já que se trata de uma situação potencialmente grave.

    Quando há suspeita de infarto, os médicos costumam pedir alguns exames:

    • Eletrocardiograma, que mostra como está o funcionamento elétrico do coração;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de lesão no músculo cardíaco;
    • Avaliação clínica, com perguntas sobre sintomas, histórico de saúde e fatores de risco;
    • Outros exames, como ecocardiograma ou cateterismo, quando existe necessidade de investigação mais detalhada.

    Se a suspeita maior for ansiedade, o diagnóstico costuma ser feito com base na conversa com o médico, na análise dos sintomas e na exclusão de problemas físicos. Muitas vezes ocorre encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra, para avaliar melhor a saúde emocional e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    A presença de dor no peito ou de sintomas que lembram problema cardíaco, como falta de ar, suor frio e palpitações intensa, precisa de atenção médica. Mesmo quando existe histórico de ansiedade, o ideal é não ignorar sinais físicos novos, intensos ou diferentes do habitual, pois ansiedade e problema cardíaco podem coexistir.

    Uma pessoa com histórico de ansiedade pode, sim, desenvolver uma condição cardíaca real, assim como um evento cardíaco pode desencadear ansiedade ou crise de pânico devido ao susto e ao estresse envolvidos. Por isso, não é recomendável assumir automaticamente que os sintomas são apenas emocionais sem uma avaliação adequada.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. O formigamento nas mãos é sinal de quê?

    Na ansiedade, o formigamento (nas mãos, pés e ao redor da boca) ocorre pela hiperventilação (respirar rápido demais). No infarto, é mais comum que o formigamento ocorra no braço esquerdo (embora também possa ser no direito), podendo ser acompanhado de sensação de fraqueza e peso também

    2. Ter uma crise de pânico pode causar um infarto na hora?

    Para uma pessoa com o coração saudável, é extremamente raro. O coração é um músculo forte feito para aguentar batimentos acelerados (como em um exercício físico). O risco existe apenas se a pessoa já tiver uma doença coronária grave preexistente.

    3. A dor de ansiedade dura quanto tempo?

    A duração varia. Muitas crises duram de alguns minutos até cerca de uma hora, embora a sensação residual possa permanecer por mais tempo.

    4. Exercício físico ajuda na ansiedade e no coração?

    Sim, a atividade física regular ajuda a controlar o estresse, melhora o humor, reduz fatores de risco cardiovascular e fortalece o coração.

    5. A ansiedade crônica entope as artérias?

    Não diretamente, mas o estresse constante libera cortisol e adrenalina, que aumentam a inflamação no corpo e a pressão arterial, o que, ao longo de anos, facilita o acúmulo de placas de gordura.

    6. Como é feito o tratamento de ansiedade?

    O tratamento de ansiedade costuma envolver psicoterapia, principalmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a entender e controlar pensamentos e reações emocionais. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios para reduzir os sintomas, além de orientar mudanças no estilo de vida, como atividade física, sono adequado e redução do estresse.

    7. Como aliviar a ansiedade no dia a dia?

    Algumas medidas simples ajudam bastante, como respirar de forma lenta e profunda, praticar atividade física regularmente, manter rotina de sono, reduzir cafeína, fazer pausas durante o dia e investir em momentos de lazer. Técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia também contribuem para aliviar os sintomas.

    8. Como é feito o tratamento de infarto?

    O infarto é uma emergência médica, em que é preciso restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rápido possível. Podem ser usados medicamentos, procedimentos como angioplastia com stent ou, em alguns casos, cirurgia.

    Após a fase aguda, o tratamento continua com acompanhamento médico, uso regular de remédios, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física orientada, controle do estresse e abandono do tabagismo.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    No Brasil, a incidência de infarto entre pessoas mais jovens tem aumentado. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos quase vinte anos, as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram — o que acende um alerta para a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

    Para se ter uma ideia, entre pessoas de 35 a 39 anos, as internações subiram 93,5%, passando de 9,3 casos por 100 mil habitantes para cerca de 18. Já entre jovens de 25 a 29 anos, os registros mais que triplicaram, saindo de 1,43 caso por 100 mil habitantes para quase 5 casos por 100 mil.

    O aumento é consequência de uma combinação de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, maior exposição ao estresse e crescimento de condições metabólicas em idades cada vez mais precoces.

    O que pode causar infarto em jovens?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, existem causas bem estabelecidas ligadas ao estilo de vida e a fatores genéticos que ajudam a explicar o aumento dos casos de infarto em jovens.

    1. Obesidade infantil e excesso de peso precoce

    O excesso de peso desde a infância favorece a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose, que hoje já aparece em adultos jovens.

    2. Sedentarismo e baixa atividade física

    Uma rotina marcada por muitas horas sentado, pouco exercício físico e ausência de movimento regular prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. A prática de atividade física ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol e pressão arterial — além de reduzir a inflamação no organismo, melhorar a circulação sanguínea e favorecer o equilíbrio hormonal.

    Mesmo exercícios moderados, como caminhadas, bicicleta ou atividades funcionais algumas vezes na semana, já trazem diversos benefícios para a saúde.

    3. Diabetes tipo 2 em idade precoce

    O diagnóstico de diabetes tipo 2 em idades precoces é um fator determinante para o comprometimento da saúde do coração. A glicose elevada provoca danos progressivos nos vasos sanguíneos, favorece a inflamação e acelera a aterosclerose. Sem diagnóstico e controle adequados, o risco de eventos cardíacos pode surgir décadas antes do esperado.

    4. Estresse crônico e rotina intensa

    O estresse constante influencia a pressão arterial, o sono, a alimentação e o equilíbrio do organismo. A liberação contínua de hormônios ligados ao estresse pode aumentar a inflamação e afetar a saúde cardiovascular. Com o tempo, o coração também sente os efeitos da sobrecarga.

    5. Consumo frequente de alimentos ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos, refrigerantes e produtos industrializados, costumam conter altos níveis de açúcar, gordura e sódio. O consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento do colesterol e o desenvolvimento da diabetes — além de contribuir para inflamação vascular e formação precoce de placas de gordura nas artérias, segundo Juliana.

    6. Predisposição genética

    De acordo com Juliana, a genética é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares na juventude.

    O colesterol alto, ou hipercolesterolemia familiar, impede a remoção adequada do LDL (colesterol ruim), mantendo níveis elevados desde a infância. Jovens com a condição podem desenvolver aterosclerose acelerada e apresentar infarto antes dos 30 anos quando não há diagnóstico precoce. O histórico familiar de infarto precoce também exige maior atenção preventiva.

    7. Tabagismo e o cigarro eletrônico

    O cigarro tradicional e o eletrônico podem causar inflamação nos vasos sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura e coágulos. Mesmo em pessoas jovens, o tabagismo aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração.

    8. Uso de drogas ilícitas

    De acordo com Juliana, algumas drogas, como a cocaína, podem provocar a contração das artérias do coração, elevar a pressão e causar infarto até em pessoas sem histórico cardíaco. O risco pode surgir de forma inesperada e grave.

    9. Uso de anabolizantes sem orientação médica

    Os anabolizantes podem causar o aumento do músculo cardíaco, alterar o colesterol e favorecer a formação de coágulos. Isso aumenta o risco de problemas cardíacos, inclusive o infarto em pessoas jovens.

    10. Consumo excessivo de bebidas energéticas

    As bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. O consumo em excesso pode aumentar a pressão arterial, provocar arritmias e funcionar como gatilho para problemas cardíacos, principalmente quando já existe predisposição.

    11. Doenças inflamatórias e autoimunes

    As doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. Além de afetar as articulações ou outros órgãos, ela também pode atingir as artérias, favorecendo o desgaste da parede dos vasos e o acúmulo de gordura.

    Com o tempo, isso acelera a formação de placas e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, principalmente quando não há controle adequado da doença.

    Vacinas não tem relação com aumento de casos de infarto

    Não existe uma relação de causa e efeito entre as vacinas e o aumento nos casos de infartos. Na verdade, é possível observar o oposto: o próprio vírus da COVID-19, por exemplo, é conhecido por causar inflamações severas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente o risco de trombose e problemas cardíacos em pessoas com o vírus.

    A imunização protege contra complicações graves da doença, reduz a intensidade da resposta inflamatória causada pelo vírus e, consequentemente, diminui o risco de eventos cardiovasculares associados à infecção.

    Quando a infecção ocorre sem proteção, a inflamação sistêmica pode favorecer a formação de coágulos, elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração. Assim, a vacina continua sendo uma das principais medidas para a proteção da saúde, inclusive do coração.

    Sinais de infarto para ficar atento

    Os sinais de infarto em jovens podem ser sutis ou até confundidos com ansiedade, dores musculares ou problemas digestivos. Mesmo assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando surgem de forma inesperada ou persistem:

    • Sensação de aperto, peso ou queimação que pode aparecer em repouso ou durante esforço;
    • Dificuldade para respirar sem motivo claro ou após atividades leves;
    • Desconforto que pode atingir braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago;
    • Sensação de coração acelerado, irregular ou batendo mais forte que o habitual;
    • Episódios de fraqueza, sensação de desmaio ou perda momentânea da consciência;
    • Mal-estar geral acompanhado de sudorese, enjoo ou sensação estranha no corpo;
    • Cansaço intenso e frequente, em explicação aparente, especialmente quando associada a outros sintomas.

    Na presença de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico imediatamente.

    Quando procurar avaliação cardiológica?

    É recomendável buscar avaliação se existe histórico familiar de infarto precoce, colesterol alto, pressão elevada, diabetes ou doenças cardíacas. Pessoas que fumam, utilizam anabolizantes, consomem energéticos com frequência ou levam uma rotina muito estressante podem se beneficiar do acompanhamento preventivo.

    Pessoas que pretendem iniciar uma rotina de atividades físicas ou desejam fazer um check-up cardiovascular também podem procurar o cardiologista.

    Vale ressaltar que a avaliação cardiológica não deve acontecer apenas quando surgem sintomas intensos. O acompanhamento preventivo ajuda a identificar fatores de risco precocemente e evita complicações no futuro — ainda mais em jovens com condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Como reduzir o risco de infarto ainda jovem?

    A prevenção de infarto e outros problemas do coração envolve uma série de mudanças na rotina, que podem melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gordura;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, pedalar, nadar ou fazer exercícios de força ajuda a controlar peso, pressão, colesterol e glicose;
    • Evitar o tabagismo: cigarro tradicional ou eletrônico aumenta o risco cardiovascular mesmo em pessoas jovens;
    • Controlar o estresse: descanso adequado, lazer, sono de qualidade e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir o impacto do estresse no coração;
    • Acompanhar o peso corporal: manter o peso saudável diminui o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto;
    • Monitorar pressão, colesterol e glicemia: exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente;
    • Evitar o uso de anabolizantes e drogas: essas substâncias podem provocar alterações cardíacas importantes;
    • Consumir álcool com moderação: o excesso pode elevar pressão arterial e prejudicar o coração;
    • Dormir bem: noites mal dormidas aumentam inflamação, estresse e risco cardiovascular;
    • Realizar acompanhamento médico regular: check-ups ajudam a prevenir, diagnosticar e tratar fatores de risco antes que evoluam.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?

    Muitas vezes é mais fatal porque o jovem ainda não desenvolveu a chamada circulação colateral — pequenos vasos que o corpo cria ao longo de décadas para compensar artérias parcialmente obstruídas. Quando ocorre o entupimento súbito, o dano ao músculo cardíaco é imediato e extenso.

    2. O estresse do trabalho pode causar infarto em quem é saudável?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com predisposição ou pequenas placas de gordura ignoradas, o estresse pode ser o gatilho para a ruptura das placas.

    3. Como diferenciar um ataque de ansiedade de um infarto?

    No infarto, a dor costuma ser uma pressão que não muda com a respiração. Na ansiedade, é comum a sensação de formigamento nas mãos e lábios. Na dúvida, é importante procurar um pronto-socorro. O eletrocardiograma é o único exame que dá a certeza.

    4. O uso de anticoncepcionais aumenta o risco cardíaco?

    Em mulheres jovens que fumam, a combinação de anticoncepcional e tabagismo aumenta significativamente o risco de trombose e infarto, devido à alteração na coagulação sanguínea.

    5. É possível ter um “infarto silencioso”?

    Sim. No infarto silencioso, o paciente não sente a dor clássica, apenas um mal-estar vago ou cansaço súbito. Muitas vezes o jovem só descobre que enfartou semanas depois, ao fazer um eletrocardiograma de rotina que mostra a cicatriz no músculo.

    6. O que é a “síndrome do coração partido”? Ela atinge jovens?

    Chamada de Cardiomiopatia de Takotsubo, a condição é um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco causado por um estresse emocional extremo (término de namoro, luto, perda de emprego). Os sintomas imitam um infarto e podem ocorrer em jovens, especialmente mulheres.

    7. O uso crônico de anti-inflamatórios aumenta o risco?

    O uso frequente e sem controle médico de alguns anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou diclofenaco) pode elevar a pressão arterial e aumentar levemente o risco de eventos trombóticos em pessoas predispostas.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    A raiva é uma das emoções mais comuns do dia a dia, presente em momentos de conflito, frustração e acúmulo de estresse. Na maioria das vezes, ela costuma ser pontual e não causa problemas maiores — mas quando é frequente e intenso, as crises podem desencadear reações físicas importantes no corpo.

    O cérebro e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados pelo sistema nervoso autônomo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, emoções intensas ativam um eixo neuro-hormonal chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de diversos hormônios na corrente sanguínea, como a adrenalina e a noradrenalina.

    Como resultado, elas provocam alterações que podem predispor ao surgimento de uma série de problemas, como arritmias, espasmos das artérias, ruptura de placas de gordura e formação de coágulos.

    Como a raiva afeta o coração?

    As crises de raiva provocam reações no organismo que aumentam a demanda de oxigênio pelo coração e alteram o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Para o corpo, a raiva funciona como uma situação de luta ou fuga, na qual o sistema nervoso libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, preparando o corpo para reagir rapidamente a uma ameaça percebida.

    Por consequência, os batimentos cardíacos se aceleram, aumenta a pressão arterial e os vasos sanguíneos se contraem. Segundo Juliana, o processo dificulta a passagem do sangue, prejudica a capacidade de relaxamento das artérias e pode causar disfunção da parede dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina, em especial, é um hormônio que altera a condução dos impulsos elétricos cardíacos, favorecendo o surgimento de arritmias e podendo provocar espasmo das artérias coronárias.

    Em alguns casos, o excesso de adrenalina pode desencadear a síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia induzida pelo estresse.

    Raiva pode causar um infarto?

    A resposta é sim. Quando os episódios de raiva são frequentes e intensos, o organismo é submetido repetidamente a picos de estresse, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam o risco de infarto e AVC.

    Em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco cardiovascular, o aumento da pressão arterial e dos batimentos do coração pode favorecer o rompimento de placas, a formação de coágulos e a interrupção do fluxo de sangue para o coração.

    Quem corre mais risco?

    O impacto da raiva sobre o coração é maior em pessoas que apresentam:

    • Hipertensão;
    • Placas de gordura nas artérias;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Transtornos de ansiedade ou estresse crônico.

    Segundo Juliana, o aumento da demanda de oxigênio, a elevação da pressão arterial e a maior propensão ao espasmo das artérias durante episódios de raiva podem ter consequências mais graves nessas pessoas.

    Estresse emocional frequente aumenta o risco a longo prazo?

    O estresse emocional crônico funciona como um estado inflamatório persistente no organismo, segundo Juliana. Esse processo inflamatório de baixo grau favorece a formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.

    Além disso, o estresse crônico eleva os níveis basais de cortisol, o que provoca alterações metabólicas importantes, como:

    • Resistência à insulina;
    • Manutenção da pressão arterial em níveis elevados;
    • Aumento do acúmulo de gordura visceral.

    Os fatores, em conjunto, aumentam o risco cardiovascular e promovem um desgaste contínuo do sistema cardiovascular.

    Como proteger o coração?

    A proteção do coração envolve tanto o controle dos fatores de risco quanto o cuidado com a saúde emocional. Juliana aponta algumas estratégias ajudam a reduzir o impacto do estresse e da raiva sobre o coração:

    • Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia bem controlados;
    • Praticar atividade física regularmente, o que torna o coração mais preparado para lidar com picos de adrenalina;
    • Adotar técnicas de manejo do estresse, como meditação, exercícios de respiração e relaxamento;
    • Buscar acompanhamento psicológico quando há dificuldade em lidar com emoções intensas.

    Em situações específicas, o uso de medicamentos, como betabloqueadores, pode ser indicado para reduzir os efeitos do excesso de adrenalina sobre o coração, sempre com orientação médica.

    Veja também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o período de maior risco após um acesso de fúria?

    De acordo com estudos, o risco de um ataque cardíaco é quase oito vezes maior nas horas seguintes a um episódio de raiva severa.

    2. Por que algumas pessoas sentem dor no peito quando se irritam?

    Isso geralmente ocorre porque a raiva aumenta a demanda de oxigênio do coração. Se as artérias não conseguem suprir essa demanda rapidamente, surge a angina (dor no peito por falta de oxigenação).

    3. Quais são os sinais de que a raiva está afetando meu coração agora?

    Numa crise de raiva, você pode sentir:

    • Palpitações ou batimentos irregulares.
    • Suor frio excessivo.
    • Falta de ar.
    • Pressão ou aperto no peito que irradia para o braço ou mandíbula.

    4. Quando devo procurar um médico?

    Se toda vez que você se irrita, sente tontura, dor de cabeça forte ou desconforto no peito, é hora de fazer um check-up. O cardiologista pode avaliar se sua resposta emocional está sobrecarregando seu sistema.

    5. Como diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto causado por raiva?

    A dor do infarto costuma ser uma pressão opressiva (como um peso) que não muda com a respiração, enquanto na ansiedade a dor costuma ser em pontadas e acompanhada de formigamento nas mãos e rosto. Na dúvida, procure atendimento médico.

    6. Qual é o exame que detecta se o estresse está prejudicando o coração?

    O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) por 24 horas e o Holter são exames normalmente indicados nesses casos. Eles registram como o coração e pressão reagem aos eventos reais do seu dia, incluindo momentos de irritação.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica