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  • Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Dor no peito, palpitação e falta de ar são apenas alguns dos sinais que podem surgir durante uma crise intensa de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% a 26,8% da população no Brasil. O problema é que eles também são sintomas comuns do infarto do miocárdio, uma emergência médica que precisa de atendimento imediato.

    Por causa da semelhança entre os sintomas, muitas pessoas entram em pânico sem saber se estão diante de uma crise emocional intensa ou de um problema cardíaco real. Na dúvida, a principal recomendação é procurar atendimento médico para avaliação — mas existem algumas diferenças que podem te ajudar a diferenciar os quadros. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a crise de ansiedade parece um infarto?

    Durante uma crise de ansiedade ou de pânico, o corpo ativa o sistema nervoso autônomo, especialmente o chamado mecanismo de luta ou fuga. É um sistema de defesa natural, responsável por preparar o organismo diante de situações como ameaça ou perigo, mesmo quando a ameaça não é física e sim emocional ou imaginada.

    Quando o cérebro interpreta uma situação como perigosa, ele causa a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que provocam diversas reações físicas, como:

    • Aceleração do coração;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Respiração mais rápida;
    • Tensão muscular;
    • Maior fluxo sanguíneo para músculos.

    Como o coração, a respiração e a circulação são diretamente afetados, surgem sensações físicas intensas que podem lembrar problemas cardíacos, incluindo as palpitações, o aperto ou a dor no peito, a falta de ar, a tontura, o suor frio e a sensação de fraqueza.

    Quais os sintomas mais típicos do infarto?

    O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, acontece quando há uma redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Normalmente, placas de gordura ou coágulos bloqueiam as artérias coronárias, impedindo que o oxigênio chegue ao coração.

    Isso provoca físicos importantes que costumam surgir de forma gradual ou repentina, como:

    • Dor no peito forte e persistente, descrita muitas vezes como pressão, aperto, peso ou queimação;
    • Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, costas, mandíbula, pescoço ou até a região do estômago;
    • Falta de ar progressiva, mesmo em repouso ou com esforço mínimo;
    • Náusea, vômito ou sensação de indigestão, principalmente em mulheres;
    • Suor frio intenso, pele pálida e sensação de fraqueza;
    • Mal-estar geral que não melhora com repouso ou mudança de posição.

    A dor costuma durar vários minutos, podendo surgir em ondas ou permanecer contínua, e frequentemente piora com o tempo. Em alguns casos, pode haver tontura, sensação de desmaio ou ansiedade súbita associada ao quadro.

    Diferenças que ajudam a perceber cada situação

    Na dúvida, a melhor coisa a fazer é buscar atendimento médico para descartar um problema cardíaco. No entanto, alguns detalhes podem ajudar a diferenciar cada quadro.

    Em uma crise de ansiedade, ela costuma:

    • Surgir após estresse emocional, preocupação intensa ou situação de tensão;
    • Apresentar início relativamente rápido, muitas vezes acompanhado de sensação de medo ou alerta exagerado;
    • Melhorar com respiração lenta, técnicas de relaxamento ou mudança do foco mental;
    • Ter duração variável, frequentemente de minutos até cerca de uma hora;
    • Vir acompanhada de sensação de perda de controle, medo intenso ou pensamento catastrófico.

    Já um quadro de infarto apresenta:

    • Dor persistente no peito que não melhora com descanso ou relaxamento;
    • Sintomas físicos progressivos ou cada vez mais intensos;
    • Sinais associados como falta de ar, suor frio, náusea ou fraqueza marcante;
    • Presença de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardíaca.

    Também vale apontar que nem sempre os sintomas seguem um padrão. Mulheres, idosos, pessoas jovens ou com diabetes podem apresentar sinais menos típicos de infarto, como cansaço incomum, desconforto leve no peito, dor nas costas, enjoo persistente ou apenas falta de ar.

    Em algumas situações, a dor intensa no peito sequer aparece, o que pode atrasar a procura por atendimento.

    O que pode causar ansiedade?

    As causas da ansiedade não são totalmente explicadas, mas entende-se que ela ocorre por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais, como:

    • Estresse prolongado, preocupações constantes ou sobrecarga emocional;
    • Fatores genéticos ou histórico familiar de ansiedade;
    • Eventos traumáticos ou experiências difíceis;
    • Privação de sono, excesso de trabalho ou rotina desgastante;
    • Consumo elevado de cafeína, álcool ou outras substâncias estimulantes;
    • Algumas condições médicas e alterações hormonais.

    O que causa infarto?

    O infarto ocorre principalmente quando uma artéria coronária fica obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    A causa mais frequente é a aterosclerose, processo no qual placas de gordura se acumulam nas artérias ao longo do tempo, mas alguns fatores também aumentam o risco, como:

    • Pressão alta;
    • Colesterol elevado;
    • Diabetes;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Alimentação rica em gordura, açúcar e ultraprocessados;
    • Histórico familiar de doença cardíaca;
    • Estresse crônico e má qualidade do sono.

    Ansiedade pode causar um infarto?

    A ansiedade, por si só, normalmente não causa um infarto. No entanto, crises frequentes e estresse crônico podem contribuir indiretamente para problemas cardiovasculares.

    O aumento constante de adrenalina e cortisol pode elevar a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco e favorecer hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou tabaco. A longo prazo, os fatores podem aumentar o risco para para o desenvolvimento de hipertensão, arritmias, inflamação vascular ou maior propensão à formação de placas nas artérias.

    Além disso, durante uma crise intensa, a liberação abrupta de adrenalina pode provocar aceleração importante dos batimentos, elevação transitória da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas que já convivem com uma doença cardíaca ou fatores de risco relevantes, a sobrecarga pode desencadear sintomas ou agravar um quadro já existente.

    Como confirmar o diagnóstico?

    O diagnóstico do quadro é feito a partir de uma avaliação médica, principalmente quando existe dor no peito, falta de ar ou sintomas que podem lembrar um problema cardíaco. Na prática, a prioridade costuma ser descartar um infarto primeiro, já que se trata de uma situação potencialmente grave.

    Quando há suspeita de infarto, os médicos costumam pedir alguns exames:

    • Eletrocardiograma, que mostra como está o funcionamento elétrico do coração;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de lesão no músculo cardíaco;
    • Avaliação clínica, com perguntas sobre sintomas, histórico de saúde e fatores de risco;
    • Outros exames, como ecocardiograma ou cateterismo, quando existe necessidade de investigação mais detalhada.

    Se a suspeita maior for ansiedade, o diagnóstico costuma ser feito com base na conversa com o médico, na análise dos sintomas e na exclusão de problemas físicos. Muitas vezes ocorre encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra, para avaliar melhor a saúde emocional e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    A presença de dor no peito ou de sintomas que lembram problema cardíaco, como falta de ar, suor frio e palpitações intensa, precisa de atenção médica. Mesmo quando existe histórico de ansiedade, o ideal é não ignorar sinais físicos novos, intensos ou diferentes do habitual, pois ansiedade e problema cardíaco podem coexistir.

    Uma pessoa com histórico de ansiedade pode, sim, desenvolver uma condição cardíaca real, assim como um evento cardíaco pode desencadear ansiedade ou crise de pânico devido ao susto e ao estresse envolvidos. Por isso, não é recomendável assumir automaticamente que os sintomas são apenas emocionais sem uma avaliação adequada.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. O formigamento nas mãos é sinal de quê?

    Na ansiedade, o formigamento (nas mãos, pés e ao redor da boca) ocorre pela hiperventilação (respirar rápido demais). No infarto, é mais comum que o formigamento ocorra no braço esquerdo (embora também possa ser no direito), podendo ser acompanhado de sensação de fraqueza e peso também

    2. Ter uma crise de pânico pode causar um infarto na hora?

    Para uma pessoa com o coração saudável, é extremamente raro. O coração é um músculo forte feito para aguentar batimentos acelerados (como em um exercício físico). O risco existe apenas se a pessoa já tiver uma doença coronária grave preexistente.

    3. A dor de ansiedade dura quanto tempo?

    A duração varia. Muitas crises duram de alguns minutos até cerca de uma hora, embora a sensação residual possa permanecer por mais tempo.

    4. Exercício físico ajuda na ansiedade e no coração?

    Sim, a atividade física regular ajuda a controlar o estresse, melhora o humor, reduz fatores de risco cardiovascular e fortalece o coração.

    5. A ansiedade crônica entope as artérias?

    Não diretamente, mas o estresse constante libera cortisol e adrenalina, que aumentam a inflamação no corpo e a pressão arterial, o que, ao longo de anos, facilita o acúmulo de placas de gordura.

    6. Como é feito o tratamento de ansiedade?

    O tratamento de ansiedade costuma envolver psicoterapia, principalmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a entender e controlar pensamentos e reações emocionais. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios para reduzir os sintomas, além de orientar mudanças no estilo de vida, como atividade física, sono adequado e redução do estresse.

    7. Como aliviar a ansiedade no dia a dia?

    Algumas medidas simples ajudam bastante, como respirar de forma lenta e profunda, praticar atividade física regularmente, manter rotina de sono, reduzir cafeína, fazer pausas durante o dia e investir em momentos de lazer. Técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia também contribuem para aliviar os sintomas.

    8. Como é feito o tratamento de infarto?

    O infarto é uma emergência médica, em que é preciso restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rápido possível. Podem ser usados medicamentos, procedimentos como angioplastia com stent ou, em alguns casos, cirurgia.

    Após a fase aguda, o tratamento continua com acompanhamento médico, uso regular de remédios, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física orientada, controle do estresse e abandono do tabagismo.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    No Brasil, a incidência de infarto entre pessoas mais jovens tem aumentado. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos quase vinte anos, as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram — o que acende um alerta para a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

    Para se ter uma ideia, entre pessoas de 35 a 39 anos, as internações subiram 93,5%, passando de 9,3 casos por 100 mil habitantes para cerca de 18. Já entre jovens de 25 a 29 anos, os registros mais que triplicaram, saindo de 1,43 caso por 100 mil habitantes para quase 5 casos por 100 mil.

    O aumento é consequência de uma combinação de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, maior exposição ao estresse e crescimento de condições metabólicas em idades cada vez mais precoces.

    O que pode causar infarto em jovens?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, existem causas bem estabelecidas ligadas ao estilo de vida e a fatores genéticos que ajudam a explicar o aumento dos casos de infarto em jovens.

    1. Obesidade infantil e excesso de peso precoce

    O excesso de peso desde a infância favorece a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose, que hoje já aparece em adultos jovens.

    2. Sedentarismo e baixa atividade física

    Uma rotina marcada por muitas horas sentado, pouco exercício físico e ausência de movimento regular prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. A prática de atividade física ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol e pressão arterial — além de reduzir a inflamação no organismo, melhorar a circulação sanguínea e favorecer o equilíbrio hormonal.

    Mesmo exercícios moderados, como caminhadas, bicicleta ou atividades funcionais algumas vezes na semana, já trazem diversos benefícios para a saúde.

    3. Diabetes tipo 2 em idade precoce

    O diagnóstico de diabetes tipo 2 em idades precoces é um fator determinante para o comprometimento da saúde do coração. A glicose elevada provoca danos progressivos nos vasos sanguíneos, favorece a inflamação e acelera a aterosclerose. Sem diagnóstico e controle adequados, o risco de eventos cardíacos pode surgir décadas antes do esperado.

    4. Estresse crônico e rotina intensa

    O estresse constante influencia a pressão arterial, o sono, a alimentação e o equilíbrio do organismo. A liberação contínua de hormônios ligados ao estresse pode aumentar a inflamação e afetar a saúde cardiovascular. Com o tempo, o coração também sente os efeitos da sobrecarga.

    5. Consumo frequente de alimentos ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos, refrigerantes e produtos industrializados, costumam conter altos níveis de açúcar, gordura e sódio. O consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento do colesterol e o desenvolvimento da diabetes — além de contribuir para inflamação vascular e formação precoce de placas de gordura nas artérias, segundo Juliana.

    6. Predisposição genética

    De acordo com Juliana, a genética é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares na juventude.

    O colesterol alto, ou hipercolesterolemia familiar, impede a remoção adequada do LDL (colesterol ruim), mantendo níveis elevados desde a infância. Jovens com a condição podem desenvolver aterosclerose acelerada e apresentar infarto antes dos 30 anos quando não há diagnóstico precoce. O histórico familiar de infarto precoce também exige maior atenção preventiva.

    7. Tabagismo e o cigarro eletrônico

    O cigarro tradicional e o eletrônico podem causar inflamação nos vasos sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura e coágulos. Mesmo em pessoas jovens, o tabagismo aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração.

    8. Uso de drogas ilícitas

    De acordo com Juliana, algumas drogas, como a cocaína, podem provocar a contração das artérias do coração, elevar a pressão e causar infarto até em pessoas sem histórico cardíaco. O risco pode surgir de forma inesperada e grave.

    9. Uso de anabolizantes sem orientação médica

    Os anabolizantes podem causar o aumento do músculo cardíaco, alterar o colesterol e favorecer a formação de coágulos. Isso aumenta o risco de problemas cardíacos, inclusive o infarto em pessoas jovens.

    10. Consumo excessivo de bebidas energéticas

    As bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. O consumo em excesso pode aumentar a pressão arterial, provocar arritmias e funcionar como gatilho para problemas cardíacos, principalmente quando já existe predisposição.

    11. Doenças inflamatórias e autoimunes

    As doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. Além de afetar as articulações ou outros órgãos, ela também pode atingir as artérias, favorecendo o desgaste da parede dos vasos e o acúmulo de gordura.

    Com o tempo, isso acelera a formação de placas e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, principalmente quando não há controle adequado da doença.

    Vacinas não tem relação com aumento de casos de infarto

    Não existe uma relação de causa e efeito entre as vacinas e o aumento nos casos de infartos. Na verdade, é possível observar o oposto: o próprio vírus da COVID-19, por exemplo, é conhecido por causar inflamações severas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente o risco de trombose e problemas cardíacos em pessoas com o vírus.

    A imunização protege contra complicações graves da doença, reduz a intensidade da resposta inflamatória causada pelo vírus e, consequentemente, diminui o risco de eventos cardiovasculares associados à infecção.

    Quando a infecção ocorre sem proteção, a inflamação sistêmica pode favorecer a formação de coágulos, elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração. Assim, a vacina continua sendo uma das principais medidas para a proteção da saúde, inclusive do coração.

    Sinais de infarto para ficar atento

    Os sinais de infarto em jovens podem ser sutis ou até confundidos com ansiedade, dores musculares ou problemas digestivos. Mesmo assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando surgem de forma inesperada ou persistem:

    • Sensação de aperto, peso ou queimação que pode aparecer em repouso ou durante esforço;
    • Dificuldade para respirar sem motivo claro ou após atividades leves;
    • Desconforto que pode atingir braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago;
    • Sensação de coração acelerado, irregular ou batendo mais forte que o habitual;
    • Episódios de fraqueza, sensação de desmaio ou perda momentânea da consciência;
    • Mal-estar geral acompanhado de sudorese, enjoo ou sensação estranha no corpo;
    • Cansaço intenso e frequente, em explicação aparente, especialmente quando associada a outros sintomas.

    Na presença de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico imediatamente.

    Quando procurar avaliação cardiológica?

    É recomendável buscar avaliação se existe histórico familiar de infarto precoce, colesterol alto, pressão elevada, diabetes ou doenças cardíacas. Pessoas que fumam, utilizam anabolizantes, consomem energéticos com frequência ou levam uma rotina muito estressante podem se beneficiar do acompanhamento preventivo.

    Pessoas que pretendem iniciar uma rotina de atividades físicas ou desejam fazer um check-up cardiovascular também podem procurar o cardiologista.

    Vale ressaltar que a avaliação cardiológica não deve acontecer apenas quando surgem sintomas intensos. O acompanhamento preventivo ajuda a identificar fatores de risco precocemente e evita complicações no futuro — ainda mais em jovens com condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Como reduzir o risco de infarto ainda jovem?

    A prevenção de infarto e outros problemas do coração envolve uma série de mudanças na rotina, que podem melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gordura;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, pedalar, nadar ou fazer exercícios de força ajuda a controlar peso, pressão, colesterol e glicose;
    • Evitar o tabagismo: cigarro tradicional ou eletrônico aumenta o risco cardiovascular mesmo em pessoas jovens;
    • Controlar o estresse: descanso adequado, lazer, sono de qualidade e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir o impacto do estresse no coração;
    • Acompanhar o peso corporal: manter o peso saudável diminui o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto;
    • Monitorar pressão, colesterol e glicemia: exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente;
    • Evitar o uso de anabolizantes e drogas: essas substâncias podem provocar alterações cardíacas importantes;
    • Consumir álcool com moderação: o excesso pode elevar pressão arterial e prejudicar o coração;
    • Dormir bem: noites mal dormidas aumentam inflamação, estresse e risco cardiovascular;
    • Realizar acompanhamento médico regular: check-ups ajudam a prevenir, diagnosticar e tratar fatores de risco antes que evoluam.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?

    Muitas vezes é mais fatal porque o jovem ainda não desenvolveu a chamada circulação colateral — pequenos vasos que o corpo cria ao longo de décadas para compensar artérias parcialmente obstruídas. Quando ocorre o entupimento súbito, o dano ao músculo cardíaco é imediato e extenso.

    2. O estresse do trabalho pode causar infarto em quem é saudável?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com predisposição ou pequenas placas de gordura ignoradas, o estresse pode ser o gatilho para a ruptura das placas.

    3. Como diferenciar um ataque de ansiedade de um infarto?

    No infarto, a dor costuma ser uma pressão que não muda com a respiração. Na ansiedade, é comum a sensação de formigamento nas mãos e lábios. Na dúvida, é importante procurar um pronto-socorro. O eletrocardiograma é o único exame que dá a certeza.

    4. O uso de anticoncepcionais aumenta o risco cardíaco?

    Em mulheres jovens que fumam, a combinação de anticoncepcional e tabagismo aumenta significativamente o risco de trombose e infarto, devido à alteração na coagulação sanguínea.

    5. É possível ter um “infarto silencioso”?

    Sim. No infarto silencioso, o paciente não sente a dor clássica, apenas um mal-estar vago ou cansaço súbito. Muitas vezes o jovem só descobre que enfartou semanas depois, ao fazer um eletrocardiograma de rotina que mostra a cicatriz no músculo.

    6. O que é a “síndrome do coração partido”? Ela atinge jovens?

    Chamada de Cardiomiopatia de Takotsubo, a condição é um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco causado por um estresse emocional extremo (término de namoro, luto, perda de emprego). Os sintomas imitam um infarto e podem ocorrer em jovens, especialmente mulheres.

    7. O uso crônico de anti-inflamatórios aumenta o risco?

    O uso frequente e sem controle médico de alguns anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou diclofenaco) pode elevar a pressão arterial e aumentar levemente o risco de eventos trombóticos em pessoas predispostas.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    A raiva é uma das emoções mais comuns do dia a dia, presente em momentos de conflito, frustração e acúmulo de estresse. Na maioria das vezes, ela costuma ser pontual e não causa problemas maiores — mas quando é frequente e intenso, as crises podem desencadear reações físicas importantes no corpo.

    O cérebro e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados pelo sistema nervoso autônomo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, emoções intensas ativam um eixo neuro-hormonal chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de diversos hormônios na corrente sanguínea, como a adrenalina e a noradrenalina.

    Como resultado, elas provocam alterações que podem predispor ao surgimento de uma série de problemas, como arritmias, espasmos das artérias, ruptura de placas de gordura e formação de coágulos.

    Como a raiva afeta o coração?

    As crises de raiva provocam reações no organismo que aumentam a demanda de oxigênio pelo coração e alteram o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Para o corpo, a raiva funciona como uma situação de luta ou fuga, na qual o sistema nervoso libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, preparando o corpo para reagir rapidamente a uma ameaça percebida.

    Por consequência, os batimentos cardíacos se aceleram, aumenta a pressão arterial e os vasos sanguíneos se contraem. Segundo Juliana, o processo dificulta a passagem do sangue, prejudica a capacidade de relaxamento das artérias e pode causar disfunção da parede dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina, em especial, é um hormônio que altera a condução dos impulsos elétricos cardíacos, favorecendo o surgimento de arritmias e podendo provocar espasmo das artérias coronárias.

    Em alguns casos, o excesso de adrenalina pode desencadear a síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia induzida pelo estresse.

    Raiva pode causar um infarto?

    A resposta é sim. Quando os episódios de raiva são frequentes e intensos, o organismo é submetido repetidamente a picos de estresse, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam o risco de infarto e AVC.

    Em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco cardiovascular, o aumento da pressão arterial e dos batimentos do coração pode favorecer o rompimento de placas, a formação de coágulos e a interrupção do fluxo de sangue para o coração.

    Quem corre mais risco?

    O impacto da raiva sobre o coração é maior em pessoas que apresentam:

    • Hipertensão;
    • Placas de gordura nas artérias;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Transtornos de ansiedade ou estresse crônico.

    Segundo Juliana, o aumento da demanda de oxigênio, a elevação da pressão arterial e a maior propensão ao espasmo das artérias durante episódios de raiva podem ter consequências mais graves nessas pessoas.

    Estresse emocional frequente aumenta o risco a longo prazo?

    O estresse emocional crônico funciona como um estado inflamatório persistente no organismo, segundo Juliana. Esse processo inflamatório de baixo grau favorece a formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.

    Além disso, o estresse crônico eleva os níveis basais de cortisol, o que provoca alterações metabólicas importantes, como:

    • Resistência à insulina;
    • Manutenção da pressão arterial em níveis elevados;
    • Aumento do acúmulo de gordura visceral.

    Os fatores, em conjunto, aumentam o risco cardiovascular e promovem um desgaste contínuo do sistema cardiovascular.

    Como proteger o coração?

    A proteção do coração envolve tanto o controle dos fatores de risco quanto o cuidado com a saúde emocional. Juliana aponta algumas estratégias ajudam a reduzir o impacto do estresse e da raiva sobre o coração:

    • Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia bem controlados;
    • Praticar atividade física regularmente, o que torna o coração mais preparado para lidar com picos de adrenalina;
    • Adotar técnicas de manejo do estresse, como meditação, exercícios de respiração e relaxamento;
    • Buscar acompanhamento psicológico quando há dificuldade em lidar com emoções intensas.

    Em situações específicas, o uso de medicamentos, como betabloqueadores, pode ser indicado para reduzir os efeitos do excesso de adrenalina sobre o coração, sempre com orientação médica.

    Veja também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o período de maior risco após um acesso de fúria?

    De acordo com estudos, o risco de um ataque cardíaco é quase oito vezes maior nas horas seguintes a um episódio de raiva severa.

    2. Por que algumas pessoas sentem dor no peito quando se irritam?

    Isso geralmente ocorre porque a raiva aumenta a demanda de oxigênio do coração. Se as artérias não conseguem suprir essa demanda rapidamente, surge a angina (dor no peito por falta de oxigenação).

    3. Quais são os sinais de que a raiva está afetando meu coração agora?

    Numa crise de raiva, você pode sentir:

    • Palpitações ou batimentos irregulares.
    • Suor frio excessivo.
    • Falta de ar.
    • Pressão ou aperto no peito que irradia para o braço ou mandíbula.

    4. Quando devo procurar um médico?

    Se toda vez que você se irrita, sente tontura, dor de cabeça forte ou desconforto no peito, é hora de fazer um check-up. O cardiologista pode avaliar se sua resposta emocional está sobrecarregando seu sistema.

    5. Como diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto causado por raiva?

    A dor do infarto costuma ser uma pressão opressiva (como um peso) que não muda com a respiração, enquanto na ansiedade a dor costuma ser em pontadas e acompanhada de formigamento nas mãos e rosto. Na dúvida, procure atendimento médico.

    6. Qual é o exame que detecta se o estresse está prejudicando o coração?

    O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) por 24 horas e o Holter são exames normalmente indicados nesses casos. Eles registram como o coração e pressão reagem aos eventos reais do seu dia, incluindo momentos de irritação.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Resfriados, gripes, viroses intestinais, COVID-19 e dengue são apenas algumas das infecções causadas por vírus, que entram no organismo, se multiplicam e ativam uma resposta do sistema imunológico — que é importante para combater os microorganismos.

    No entanto, o processo também pode trazer efeitos colaterais importantes para o coração. Você sabia que uma infecção viral pode aumentar o risco de infarto?

    Isso ocorre porque, durante a infecção, o corpo entra em um estado inflamatório intenso. O sistema imune libera substâncias chamadas citocinas, que ajudam a combater o vírus, mas ao mesmo tempo causam um estresse significativo para o organismo, especialmente em pessoas com doenças crônicas, idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares.

    Como a infecção viral afeta o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que, por diferentes mecanismos, pode afetar o funcionamento do coração.

    Um dos primeiros efeitos é o aumento da demanda metabólica: a febre e a própria infecção aceleram o metabolismo, fazendo com que o coração precisem bater mais rápido e com mais força para atender ao maior consumo de oxigênio do corpo.

    Quando a pessoa já apresenta algum grau de entupimento nas artérias, o esforço adicional pode reduzir o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando à isquemia. Ao mesmo tempo, o sistema imunológico as citocinas, responsáveis por combater o vírus, mas que também provocam inflamação nos vasos sanguíneos.

    A inflamação pode danificar o revestimento interno das artérias e tornar instáveis placas de gordura que já existiam, aumentando a chance de ruptura. Além disso, durante a infecção, o sangue tende a ficar mais espesso, o que favorece a coagulação.

    Todo o processo é um mecanismo natural de defesa do organismo para evitar sangramentos, mas Juliana ressalta que ele eleva o risco de formação de coágulos, que podem obstruir uma artéria do coração, causando infarto, ou atingir o cérebro, provocando um AVC.

    Quais vírus estão mais associados a inflamações cardíacas?

    Diversos vírus podem afetar o coração, especialmente o músculo cardíaco e as estruturas que o envolvem. Entre os principais, se destacam:

    • Coxsackie B: causa clássica de miocardite, um processo inflamatório do músculo cardíaco, que acomete com frequência crianças e adultos jovens;
    • SARS-CoV-2 (COVID-19): apresenta grande capacidade de provocar inflamação do músculo cardíaco e formação de trombos, tanto na fase aguda da infecção quanto no período de recuperação;
    • Influenza (gripe): pode causar miocardite e descompensar doenças cardíacas pré-existentes, especialmente a insuficiência cardíaca;
    • Adenovírus: vírus comuns em infecções respiratórias, que também podem atingir o coração;
    • Parvovírus B19: frequentemente associado a resfriados e capaz de afetar o coração, sobretudo o pericárdio, a membrana que o reveste, causando pericardite.

    O risco de infarto é maior em pessoas com doenças cardíacas?

    Um coração saudável consegue lidar melhor com os efeitos da infecção, como o aumento da frequência cardíaca causado pela febre, segundo Juliana. No caso de pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, o quadro é mais delicado porque o coração já trabalha sob maior esforço.

    Nesses casos, qualquer aumento adicional da demanda, provocado pela inflamação, pela febre e pelo maior consumo de oxigênio, pode levar à descompensação do quadro, piora da função cardíaca e até a eventos graves, como insuficiência cardíaca aguda ou infarto.

    Além disso, a cardiologista explica que quem já apresenta placas de gordura nas artérias têm maior risco de ruptura dessas placas durante a infecção, o que eleva significativamente a chance de complicações cardiovasculares.

    Sintomas que podem indicar complicações após uma infecção

    Alguns sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo com complicações cardiovasculares, como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar desproporcional, inclusive em repouso ou com pequenos esforços;
    • Palpitações;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Episódios de desmaio ou perda de consciência.

    Como cuidar do coração após uma virose intensa?

    Durante uma infecção viral, o coração passa a trabalhar sob maior estresse. Por isso, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações cardíacas:

    • Manter repouso enquanto houver sintomas, como febre, dor no corpo, cansaço ou falta de ar;
    • Evitar exercícios físicos por alguns dias após a melhora, especialmente se a infecção foi intensa, pois o coração ainda pode estar sensível ao processo inflamatório;
    • Manter boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, já que a infecção tende a tornar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos;
    • Controlar a febre, pois temperaturas elevadas aumentam a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, sobrecarregando o músculo cardíaco;
    • Usar medicamentos apenas com orientação médica, evitando automedicação, especialmente anti-inflamatórios, que podem interferir na função cardiovascular;
    • Observar sintomas de alerta, como dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço nas pernas ou desmaio, que exigem avaliação médica imediata;
    • Manter acompanhamento médico, sobretudo em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca prévia, que apresentam risco maior de complicações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. Por que a febre sobrecarrega o coração?

    A febre acelera o metabolismo e eleva a frequência cardíaca. Com isso, o coração precisa bater mais rápido e com mais força, aumentando o consumo de oxigênio.

    Em pessoas com artérias já parcialmente obstruídas, esse esforço pode provocar isquemia e precipitar um infarto.

    2. O que são citocinas e por que elas são perigosas para o coração?

    As citocinas são substâncias liberadas pelo sistema imune para combater infecções. Em excesso, elas causam inflamação nos vasos sanguíneos, tornando placas de gordura mais frágeis e favorecendo sua ruptura, o que pode levar à formação de coágulos.

    3. Exercício durante uma virose é perigoso?

    Sim, a prática de atividade física durante infecções aumenta o risco de o vírus atingir o coração, causando miocardite e arritmias.

    4. Quanto tempo após uma infecção é seguro voltar a se exercitar?

    Depende da gravidade da infecção. Em geral, o recomendado é retomar atividades apenas após o total desaparecimento dos sintomas e, em casos mais intensos, com liberação médica.

    5. Arritmias podem surgir após uma infecção viral?

    Sim, a inflamação e a febre alteram o funcionamento elétrico do coração, favorecendo palpitações e batimentos irregulares.

    6. Quem fuma tem maior risco de infarto durante infecções?

    Sim, o cigarro já agride os vasos sanguíneos e, combinado com a inflamação da infecção, eleva ainda mais o risco de trombose e entupimento das artérias.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo

    Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e, na maioria das vezes, se desenvolvem de forma silenciosa, ao longo dos anos, sem provocar sintomas no início. Isso torna importante identificar cedo quem tem maior risco de sofrer eventos graves, como infarto ou AVC — e hoje, isso pode ser feito por meio do score de risco cardiovascular.

    A ferramenta é usada para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares em determinado período, normalmente nos próximos 10 anos, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    De forma geral, ela funciona como um “mapa de risco” que ajuda profissionais de saúde a decidir quando intensificar a prevenção, exames ou tratamento. Vamos entender mais, a seguir.

    Para que serve o score de risco cardiovascular?

    O score de risco cardiovascular serve para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver um evento cardiovascular, como infarto do miocárdio ou AVC, em um determinado período. Na prática, ele ajuda o médico a classificar o paciente em baixo, moderado ou alto risco, permitindo definir com mais precisão quais cuidados devem ser adotados.

    Por exemplo, pessoas com risco mais baixo costumam receber orientações focadas em hábitos de vida saudáveis, enquanto aquelas com risco elevado podem precisar de acompanhamento mais frequente, uso de remédios e controle mais rigoroso de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia.

    Além disso, o score de risco cardiovascular permite personalizar o tratamento, evitar intervenções desnecessárias e agir de forma mais precoce em quem realmente tem maior chance de apresentar complicações, contribuindo para a redução das doenças cardiovasculares ao longo do tempo.

    Como o cálculo do score de risco cardiovascular é feito?

    O cálculo do score de risco cardiovascular é feito a partir da combinação de informações clínicas e dados de exames simples, que apontam os principais fatores ligados ao desenvolvimento de doenças do coração e da circulação.

    De forma geral, entram no cálculo os seguintes fatores:

    • Idade;
    • Sexo;
    • Pressão arterial;
    • Colesterol total e frações, como LDL e HDL;
    • Presença de diabetes;
    • Tabagismo;
    • Histórico prévio de doença cardiovascular, em alguns modelos;
    • Uso de algumas medicações, dependendo do score utilizado.

    O exame de sangue e o checkup ajudam a compor o score de risco cardiovascular e são fundamentais para esse cálculo, segundo Juliana. Isso porque vários dos dados utilizados nos scores vêm diretamente dos exames laboratoriais e das medições feitas durante a avaliação clínica.

    Nos exames de sangue, por exemplo, são analisados o colesterol total, o LDL, conhecido como colesterol ruim, e o HDL, o colesterol bom. Já no check-up, entram medidas como a pressão arterial. Todas as informações são variáveis importantes que alimentam as calculadoras de risco e permitem uma estimativa mais precisa do risco cardiovascular.

    Juliana explica que as informações são inseridas em calculadoras específicas, como o score de Framingham, o ASCVD ou o SCORE europeu, que utilizam fórmulas matemáticas para gerar um percentual de risco. A partir do resultado, o paciente é classificado em faixas de baixo, intermediário ou alto risco, o que ajuda o médico a definir a melhor estratégia de prevenção.

    Como interpretar o resultado?

    A interpretação do score de risco cardiovascular é feita com base no percentual apresentado pela calculadora, que mostra a chance de a pessoa ter um problema cardiovascular, como infarto ou AVC, nos próximos anos.

    Os resultados são classificados em faixas de risco:

    • Baixo risco: indica menor probabilidade de eventos cardiovasculares. Nesses casos, a orientação costuma ser manter hábitos de vida saudáveis e acompanhamento de rotina;
    • Risco intermediário: aponta uma chance moderada, e pode exigir acompanhamento mais próximo, ajustes no estilo de vida e, em algumas situações, uso de medicações;
    • Alto risco: mostra uma probabilidade elevada de infarto ou AVC. Nessa faixa, o tratamento tende a ser mais intensivo, com controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol, da glicemia e, muitas vezes, uso de remédios específicos.

    Vale lembrar que o score não é um diagnóstico, mas apenas uma estimativa de risco. Por isso, o resultado precisa sempre ser avaliado pelo médico, considerando a história de saúde da pessoa e outros fatores que não entram diretamente no cálculo.

    Quando o cálculo pode ser solicitado?

    De acordo com Juliana, o cálculo do score de risco cardiovascular é indicado para todos os adultos, especialmente a partir dos 40 anos, mesmo quando não há sintomas. A avaliação ajuda a identificar riscos que ainda não se manifestaram clinicamente.

    Em pessoas mais jovens, o score pode ser solicitado principalmente quando há sintomas ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, como pais ou irmãos que tiveram infarto em idade muito jovem.

    Também existem scores específicos para indivíduos com diagnóstico de hipercolesterolemia familiar, um distúrbio genético do colesterol associado a um risco elevado de infarto e AVC. Nessas situações, a avaliação do risco é feita mais cedo para permitir cuidados antecipados e reduzir complicações ao longo do tempo.

    É possível reduzir o risco?

    É possível reduzir o risco cardiovascular a partir da adoção de hábitos mais saudáveis, como:

    Entre as medidas importantes para essa redução estão;

    • Prática regular de atividade física, adaptada à idade e às condições de saúde;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com redução de sal, açúcar e gorduras saturadas;
    • Interrupção do tabagismo e evitação da exposição ao fumo passivo;
    • Controle adequado da pressão arterial, com acompanhamento médico regular;
    • Controle dos níveis de colesterol total e frações, especialmente o LDL;
    • Controle da glicemia, principalmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
    • Manutenção do peso corporal adequado;
    • Redução do sedentarismo no dia a dia;
    • Uso correto e contínuo das medicações prescritas;
    • Acompanhamento médico periódico para reavaliação do risco cardiovascular.

    Assim, Juliana explica que o paciente pode, eventualmente, sair de uma faixa de alto risco para um risco moderado. As medidas atuam diretamente sobre os fatores que compõem o score de risco cardiovascular e contribuem para a redução da chance de infarto, AVC e outras doenças do coração ao longo do tempo.

    Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O que são doenças cardiovasculares?

    As doenças cardiovasculares são aquelas que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão e doença arterial periférica. Muitas delas se desenvolvem lentamente e podem permanecer sem sintomas por anos.

    2. O que significa ter baixo risco cardiovascular?

    Ter baixo risco cardiovascular significa que a chance de desenvolver infarto ou AVC nos próximos anos é menor. Mesmo assim, isso não exclui a necessidade de manter hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular, já que o risco pode mudar ao longo do tempo.

    3. Pessoas jovens podem ter score de risco cardiovascular alto?

    Podem, especialmente se tiverem fatores de risco importantes, como diabetes, colesterol muito elevado, tabagismo ou histórico familiar forte de doença cardiovascular precoce. Por isso, idade não é o único critério de atenção.

    4. Com que frequência o score deve ser reavaliado?

    A reavaliação costuma ser feita periodicamente, conforme orientação médica. Em geral, o score é recalculado após mudanças importantes no estado de saúde, início de tratamentos ou alterações significativas nos hábitos de vida.

    5. O score de risco cardiovascular é igual para homens e mulheres?

    Não exatamente. Alguns scores utilizam cálculos diferentes para homens e mulheres, pois o risco cardiovascular e a forma de apresentação das doenças podem variar conforme o sexo.

    6. Diabetes aumenta o risco cardiovascular?

    O diabetes é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares. Pessoas com diabetes têm maior chance de desenvolver infarto, AVC e outras complicações, mesmo quando não apresentam sintomas no início.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    O infarto agudo do miocárdio continua sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo: estima-se que, apenas em território brasileiro, mais de 300 mil pessoas sejam acometidas todos os anos. Sendo uma emergência grave, a forma como se age nos primeiros minutos pode definir se o paciente terá sequelas ou mesmo se sobreviverá.

    O problema é que, diante do susto e da falta de informação quando se suspeita de infarto, muitas pessoas cometem erros graves, como ignorar sintomas, tomar medicamentos por conta própria ou tentar dirigir até o hospital. Essas atitudes, em vez de ajudar, aumentam o risco de complicações fatais.

    Para esclarecer quais comportamentos evitar e quais ações tomar imediatamente, ouvimos a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, que reforça: “Diante de uma suspeita de infarto, agir rápido e corretamente faz toda a diferença para o prognóstico”.

    Suspeita de infarto: por que agir rápido pode salvar o coração

    O infarto ocorre quando há obstrução em uma ou mais artérias coronárias, que levam oxigênio ao coração. Sem esse suprimento, o músculo cardíaco começa a morrer em questão de minutos.

    “O maior erro é achar que os sintomas, como dor no peito, falta de ar e suor frio, vão passar sozinhos. O tempo é crucial durante um infarto. Quanto mais tempo o músculo do coração fica sem oxigênio, maior é o dano. Não espere para ver se melhora”, alerta Edilza.

    Estudos mostram que a mortalidade em casos de infarto agudo do miocárdio pode ser reduzida em até 47% quando o atendimento médico ocorre na primeira hora após o início dos sintomas, conhecida como “hora de ouro”.

    Erros mais comuns em uma suspeita de infarto

    A reação imediata de quem presencia um quadro suspeito de infarto é determinante. No entanto, segundo a especialista, ainda existem condutas equivocadas que atrasam o socorro e comprometem a recuperação.

    Entre os principais erros estão:

    • Ignorar os sintomas: muitas pessoas acreditam que a dor no peito é apenas “gastrite” ou “ansiedade”. Esse atraso pode ser fatal;
    • Tomar medicamentos sem orientação médica: “Nunca tome analgésicos, anti-inflamatórios ou qualquer outro remédio por conta própria. Alguns podem piorar o quadro, além de mascarar os sintomas”, destaca a cardiologista;
    • Dirigir até o hospital: o paciente pode perder a consciência no caminho e provocar um acidente;
    • Fazer esforço físico: andar rápido ou subir escadas só aumenta a necessidade de oxigênio do coração, já em sofrimento;
    • Oferecer comida ou bebida: qualquer ingestão pode atrapalhar, pois o paciente pode precisar de procedimentos imediatos, como cateterismo ou cirurgia de emergência.

    “Na suspeita de infarto, o ideal é sempre chamar o SAMU (192) ou o corpo de bombeiros para que o atendimento comece o mais rápido possível, ainda no local”, fala a cardiologista.

    Leia também: Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e tratamento

    O que fazer corretamente diante de suspeita de infarto

    Se os erros podem ser fatais, as ações corretas podem salvar uma vida. O protocolo básico recomendado por especialistas é claro:

    • Ligue imediatamente para o SAMU (192): esse deve ser sempre o primeiro passo. As equipes estão preparadas para iniciar o atendimento no local;
    • Mantenha a calma: tanto para o paciente quanto para quem ajuda, reduzir a ansiedade evita sobrecarga do coração;
    • Ajuste a posição: coloque a pessoa em uma posição confortável, de preferência sentada, com as costas apoiadas, para facilitar a respiração;
    • Deixe a equipe trabalhar: ao chegar, os socorristas precisam de espaço e objetividade nas informações.

    Lembre-se: quanto mais rápido o socorro especializado for acionado e iniciado, maiores são as chances de recuperação e de evitar sequelas. Por isso, reconhecer os sinais, agir com calma e chamar ajuda imediatamente são atitudes que podem salvar uma vida.

    Sintomas de infarto: típicos e atípicos

    O sintoma de infarto clássico é a dor no peito forte, descrita como pressão ou aperto, que pode irradiar para o braço esquerdo, costas, mandíbula ou estômago. Mas nem sempre o quadro é tão evidente. Mulheres, idosos e diabéticos podem apresentar sintomas de infarto mais discretos, como:

    • Falta de ar sem dor no peito;
    • Queimação no estômago;
    • Náusea ou vômito;
    • Fraqueza súbita ou tontura;
    • Suor frio sem esforço físico.

    Por isso, é essencial estar atento a qualquer mudança súbita no estado de saúde, mesmo que os sintomas pareçam “menos intensos”. Isso também reforça a importância dos exames de rotina, especialmente o ecocardiograma e o teste ergométrico, para identificar riscos e prevenir complicações.

    Confira: Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    Prevenção de infarto: como reduzir o risco?

    Agir corretamente diante de uma suspeita de infarto é fundamental, mas prevenir continua sendo a melhor estratégia. Fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo, aumentam exponencialmente as chances de infarto.

    Medidas preventivas incluem:

    • Manter alimentação balanceada, rica em vegetais e pobre em ultraprocessados;
    • Praticar atividade física regular;
    • Controlar peso corporal;
    • Abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool;
    • Realizar check-ups médicos periódicos.

    Essas ações não eliminam totalmente o risco, mas reduzem de forma significativa a probabilidade de um evento grave.

    Leia também: Cateterismo cardíaco: o que é, para que serve e como é feito

    Perguntas e respostas sobre suspeita de infarto

    1. Por que agir rápido em uma suspeita de infarto é tão importante?

    Porque o músculo do coração começa a morrer em minutos sem oxigênio. Atuar na chamada “hora de ouro” pode reduzir a mortalidade em quase 50%.

    2. Quais são os erros mais comuns que as pessoas cometem?

    Ignorar sintomas, tomar medicamentos por conta própria, tentar dirigir até o hospital, fazer esforço físico e oferecer comida ou bebida ao paciente.

    3. O que deve ser feito imediatamente?

    Chamar o SAMU (192), manter a calma, colocar a pessoa em posição confortável e deixar a equipe de socorro atuar sem interferências.

    4. Quais são os principais sintomas típicos de infarto?

    Dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braço, mandíbula, costas ou estômago, geralmente acompanhada de suor frio e falta de ar.

    5. E quais são os sintomas atípicos que também merecem atenção?

    Queimação no estômago, náusea, vômito, tontura, fraqueza súbita e falta de ar sem dor no peito — mais comuns em mulheres, idosos e diabéticos.

    6. O que pode ser feito para prevenir o infarto?

    Adotar hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, exercícios regulares, controle do peso, abandonar o cigarro, reduzir álcool e manter consultas médicas periódicas.

    Confira: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

  • Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração 

    Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração 

    A dor no peito é um dos sintomas que mais assustam e fazem as pessoas correrem para o pronto-socorro. E não é à toa, afinal, essa dor pode estar relacionada a um infarto, uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Mas nem sempre o coração está em colapso. Em muitos casos, trata-se de angina, um aviso de que o músculo cardíaco está sofrendo por falta de oxigênio, condição que também precisa de atenção médica.

    Enquanto a angina funciona como um alerta e indica que há obstrução parcial das artérias, o infarto acontece quando o bloqueio é tão intenso que parte do músculo cardíaco começa a morrer.

    O que é a angina?

    A angina é uma dor ou desconforto no peito causado pela redução temporária do fluxo de sangue para o coração. Normalmente surge em situações de esforço físico, estresse ou emoções intensas. A angina tem algumas características:

    • A dor costuma durar poucos minutos e melhora com repouso;
    • Pode irradiar para braço, pescoço, costas ou mandíbula;
    • Pode indicar a presença de placas de gordura (aterosclerose) nas artérias coronárias.

    A angina não é um infarto, mas mostra que o coração já está sofrendo e precisa de investigação médica.

    O que é o infarto?

    O infarto agudo do miocárdio ocorre quando uma artéria do coração é bloqueada totalmente e impede que o sangue chegue a uma parte do músculo cardíaco. Sem o sangue que fornece oxigênio, as células daquela região começam a morrer.

    • A dor é mais intensa e prolongada, não melhora apenas com repouso;
    • A pessoa também pode sentir falta de ar, suor frio, náusea e sensação de desmaio;
    • É uma emergência médica grave, que exige atendimento imediato para reduzir o risco de morte.

    Leia mais: Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração

    Principais diferenças entre angina e infarto

    Característica Angina Infarto
    Causa Redução temporária do fluxo de sangue Bloqueio total de uma artéria
    Dor Surge por causa de esforço/estresse, dura minutos Intensa, prolongada, mesmo em repouso
    Alívio Melhora com repouso ou medicamentos Não melhora com repouso
    Gravidade É um sinal de alerta e o médico precisa ser avisado É uma emergência com risco de morte

    Quando procurar ajuda?

    Em qualquer situação de dor no peito, é importante não ficar esperando para ver se melhora. Na dúvida, procure atendimento médico imediato, especialmente se a dor vier acompanhada de sintomas como falta de ar, suor frio, tontura ou náusea. O diagnóstico precoce de infarto pode salvar vidas.

    Perguntas frequentes sobre infarto e angina

    1. A angina pode virar infarto?

    Sim. A principal causa de angina é o depósito de placas de gordura nas artérias (aterosclerose). Se não tratada a tempo, a obstrução da artéria pode causar infarto.

    2. Existe diferença na dor da angina e do infarto?

    Sim. A angina costuma durar poucos minutos e melhorar com repouso, já o infarto pode causar dor mais intensa e prolongada, que não passa sem tratamento.

    3. Quem tem angina precisa de cirurgia?

    Nem sempre. O tratamento pode incluir remédios, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, procedimentos como cateterismo ou ponte de safena.

    4. O que fazer se a dor no peito aparecer em casa?

    Ligue imediatamente para o serviço de emergência (192) e evite dirigir sozinho para o hospital.

    5. Mulheres têm sintomas diferentes de infarto?

    Sim. Nas mulheres, os sinais podem ser menos típicos, como falta de ar, cansaço intenso, dor no estômago ou náusea.

    6. Quem já teve angina precisa de acompanhamento para sempre?

    Sim. A angina indica doença arterial coronariana, que é crônica e requer acompanhamento contínuo para evitar complicações.

    Leia mais: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

  • Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    A doença coronariana, ou doença arterial coronariana (DAC), é uma das principais causas de morte no mundo. Seu desenvolvimento acontece quando placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias coronárias.

    “Esse é um processo chamado aterosclerose. Com o tempo, essas placas podem endurecer e reduzir o fluxo de sangue, prejudicando a oxigenação do músculo cardíaco”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    A seguir, vamos entender o processo de desenvolvimento da doença coronariana, os fatores de risco e seus sintomas mais característicos. Acompanhe!

    O que é a doença coronariana e por que ela acontece?

    O coração depende de um suprimento constante de sangue rico em oxigênio para funcionar adequadamente. Esse papel é das artérias coronárias, que circundam o órgão como uma rede de abastecimento.

    Quando essas artérias sofrem estreitamento ou obstrução, o músculo cardíaco recebe menos oxigênio, comprometendo seu desempenho.

    Esse processo está intimamente relacionado à aterosclerose. Inicialmente, pequenas lesões nas paredes internas das artérias facilitam o depósito de colesterol LDL (“ruim”), células inflamatórias e restos celulares. Com o tempo, forma-se a chamada placa aterosclerótica.

    “Quando as placas crescem, o espaço dentro da artéria diminui, dificultando a passagem do sangue. Isso faz diminuir o fluxo sanguíneo e pode causar dor no peito (angina) durante esforços ou situações de estresse”, fala o médico.

    Mais perigoso ainda é quando a placa se rompe. Nesse caso, ocorre a formação de um coágulo (trombo) que pode bloquear a artéria de forma súbita, interrompendo totalmente o fluxo de sangue e resultando em um infarto agudo do miocárdio.

    Quais são os fatores de risco para doença coronariana?

    O desenvolvimento da doença coronariana é multifatorial. Alguns fatores são modificáveis, ou seja, podem ser controlados com mudanças de hábitos e tratamento, enquanto outros são não modificáveis, como idade e histórico familiar.

    Principais fatores de risco para doença coronariana:

    • Hipertensão arterial (pressão alta)
    • Colesterol elevado (LDL alto e HDL baixo)
    • Diabetes mellitus
    • Tabagismo
    • Obesidade e sobrepeso
    • Sedentarismo
    • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce
    • Estresse crônico
    • Envelhecimento (o risco aumenta com a idade)
    • Menopausa (nas mulheres, devido à queda de estrogênio)

    O cardiologista alerta: “Vale ressaltar que esses fatores podem atuar de forma somada, aumentando ainda mais a probabilidade de doença”.

    Sintomas da doença coronariana: como identificar sinais de comprometimento das artérias

    Na fase inicial, a doença coronariana pode ser silenciosa. Muitas pessoas só descobrem o problema durante exames de rotina ou após um evento agudo, como um infarto. Porém, alguns sinais podem indicar que as artérias já estão comprometidas.

    Entre os sintomas mais comuns estão:

    • Dor ou pressão no peito (angina), principalmente durante esforço físico ou situações de estresse
    • Falta de ar
    • Cansaço desproporcional
    • Dor irradiada para braço esquerdo, mandíbula, costas ou estômago
    • Sintomas atípicos em mulheres e diabéticos, como palpitações, náuseas, indigestão ou fadiga intensa

    Esses sintomas da doença coronariana devem sempre motivar uma investigação médica, especialmente se forem recorrentes.

    Como é feito o diagnóstico da doença coronariana?

    O diagnóstico da doença coronariana envolve uma combinação de avaliação clínica, análise de fatores de risco e exames complementares. O médico inicia com análise detalhada do paciente e exame físico, investigando sintomas, histórico familiar e hábitos de vida.

    Entre os exames mais utilizados estão:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração
    • Teste ergométrico (teste de esforço): avalia a resposta do coração durante exercício
    • Ecocardiograma de estresse: verifica alterações na função cardíaca sob esforço físico ou medicação
    • Cintilografia de perfusão miocárdica: identifica áreas do coração com menor irrigação sanguínea
    • Angiotomografia de coronárias: exame de imagem detalhado que mostra as artérias coronárias
    • Cateterismo cardíaco: exame invasivo que permite visualizar diretamente obstruções e, em alguns casos, realizar angioplastia (procedimento que desobstrui artérias entupidas com balão e stent).

    Esses exames não são, necessariamente, solicitados todos de uma vez. A escolha depende da gravidade dos sintomas, da presença de fatores de risco e da necessidade de confirmar ou descartar obstruções significativas.

    Em casos leves, muitas vezes os testes de esforço ou exames de imagem já fornecem informações suficientes. Já em situações mais graves, o cateterismo pode ser indicado para diagnóstico preciso e até intervenção imediata.

    Veja mais: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

    Prevenção e controle: mudanças de estilo de vida

    Grande parte dos fatores de risco para doença coronariana pode ser modificada. Isso significa que é possível reduzir consideravelmente as chances de desenvolver a condição ou, para quem já tem diagnóstico, controlar sua progressão.

    Medidas fundamentais incluem:

    • Alimentação saudável, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e pobre em sal, açúcar e gorduras saturada
    • Prática regular de atividade física (pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado, como caminhada)
    • Não fumar
    • Controle do peso corporal
    • Sono adequado
    • Controle rigoroso da pressão arterial, colesterol e glicemia
    • Redução do estresse

    O cardiologista reforça: “Esses cuidados não apenas reduzem o risco de desenvolver a doença, como também ajudam a estabilizar as placas já existentes e a evitar complicações”.

    Tratamento da doença coronariana: medicamentos e procedimentos

    O tratamento da doença coronariana é individualizado e pode envolver três pilares principais: ajustes no estilo de vida, uso de medicamentos e, em casos selecionados, procedimentos ou cirurgias.

    • Medicamentos: estatinas e outros redutores de colesterol, aspirina em baixa dose (quando indicada), betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio, inibidores da ECA ou ARBs, nitratos e ranolazina
    • Procedimentos minimamente invasivos: como a angioplastia com colocação de stent, que expande a artéria com um balão e mantém o fluxo aberto com uma pequena malha metálica
    • Cirurgia de revascularização miocárdica (bypass coronariano): indicada em casos mais graves, cria novos caminhos para o sangue chegar ao coração

    Em todos os cenários, o acompanhamento regular com o cardiologista é essencial, tanto para ajustar o tratamento quanto para indicar programas de reabilitação cardíaca após cirurgias, que incluem educação, aconselhamento e treinamento físico supervisionado.

    Confira: Triglicérides: do combustível do corpo ao risco para o coração

    Perguntas e respostas sobre doença coronariana

    1. O que é a doença coronariana?

    É uma condição em que as artérias coronárias ficam estreitas ou bloqueadas devido ao acúmulo de placas de gordura e colesterol (aterosclerose). Isso reduz o fluxo de sangue e oxigênio para o coração, podendo levar à angina ou ao infarto.

    2. Quais são os principais fatores de risco?

    Hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, histórico familiar, estresse crônico, idade avançada e menopausa nas mulheres.

    3. Quais sintomas exigem atenção?

    Dor ou pressão no peito, falta de ar, cansaço desproporcional, dor irradiada para braço, mandíbula, costas ou estômago. Mulheres e diabéticos podem apresentar sinais atípicos, como náusea, palpitações ou fadiga intensa.

    4. Como a doença é diagnosticada?

    O diagnóstico combina avaliação clínica e exames como eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma de estresse, cintilografia, angiotomografia ou cateterismo, dependendo do quadro clínico.

    5. É possível prevenir a doença coronariana?

    Sim. Alimentação equilibrada, atividade física regular, não fumar, controlar peso, pressão, colesterol e glicemia, dormir bem e reduzir o estresse são medidas fundamentais.

    6. Como é feito o tratamento?

    O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos (estatinas, aspirina, betabloqueadores, entre outros) e, em casos graves, procedimentos como angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização (bypass).

    Leia mais: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

  • Quantos infartos acontecem por ano no Brasil e o que aumenta esse risco 

    Quantos infartos acontecem por ano no Brasil e o que aumenta esse risco 

    Você já deve ter ouvido falar que o infarto é uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil, e isso não é exagero. Segundo o Ministério da Saúde, acontecem de 300 mil a 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio por ano no país. Além disso, aproximadamente em cada 5 a 7 casos, há morte.

    Esse número alto importa para todo mundo, porque o infarto não escolhe idade. Embora seja mais comum em pessoas mais velhas, alguns fatores de risco — muitos deles ligados ao estilo de vida — aumentam muito a probabilidade de pessoas jovens também sofrerem um infarto.

    O que é infarto agudo do miocárdio

    O infarto agudo do miocárdio acontece quando uma artéria do coração fica bloqueada por uma placa de gordura, coágulo ou outro impedimento, cortando ou reduzindo severamente o fluxo de sangue para parte do músculo cardíaco.

    Essa falta de sangue pode danificar ou matar células do coração e causa sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio e tontura. Quanto mais rápido chegar atendimento médico, maiores as chances de salvar o tecido cardíaco e reduzir danos.

    Fatores de risco: quem está mais vulnerável

    Pouca gente infarta por acaso. Há uma série de fatores que aumentam bastante as chances:

    • Tabagismo: um dos maiores inimigos do coração, prejudica os vasos, favorece placas de gordura nas artérias e provoca inflamação;
    • Colesterol alto: excesso de colesterol LDL e triglicerídeos altos elevam o risco de obstrução arterial;
    • Pressão alta: força os vasos, danifica artérias e facilita obstruções;
    • Diabetes: aumenta de 2 a 4 vezes o risco de infarto, devido ao impacto da glicose alta nos vasos;
    • Obesidade e gordura abdominal: aumentam inflamação e riscos metabólicos;
    • Sedentarismo: piora colesterol, pressão, glicemia e peso;
    • Histórico familiar: parentes próximos com infarto aumentam a vulnerabilidade;
    • Estresse, ansiedade e sono ruim: fatores psicossociais que também pesam no risco cardíaco.

    Outros fatores que merecem atenção

    • Idade: o risco cresce com o passar dos anos;
    • Sexo: homens têm infartos mais cedo; nas mulheres, o risco aumenta após a menopausa;
    • Condições socioeconômicas: acesso limitado à saúde e alimentação adequada aumenta a gravidade dos casos.

    O que você pode fazer hoje para evitar infartos

    • Parar de fumar ou não começar;
    • Praticar atividade física regular (caminhar, pedalar, nadar);
    • Manter alimentação equilibrada, com mais frutas, legumes e verduras;
    • Controlar glicemia, colesterol e pressão com acompanhamento médico;
    • Dormir bem e reduzir o estresse;
    • Fazer check-ups regulares, especialmente a partir dos 40 anos — antes, se houver histórico familiar.

    Perguntas frequentes sobre infarto no Brasil

    1. Quantos casos de infarto ocorrem por ano no Brasil?

    Estima-se que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto agudo do miocárdio anualmente.

    2. Quantas pessoas morrem por infarto no país?

    Em cada 5 a 7 casos de infarto, ocorre um óbito. A taxa de mortalidade é alta.

    3. Jovens também infartam?

    Sim. Internações por infartos em pessoas de 30 a 40 anos estão aumentando, especialmente em quem tem fatores de risco como sobrepeso, sedentarismo e histórico familiar.

    4. Ter diabetes realmente aumenta muito o risco?

    Sim. Pessoas com diabetes têm de 2 a 4 vezes mais chances de sofrer infarto.

    5. E o tabagismo? Qual é seu impacto?

    É um dos principais fatores de risco: fumar inflama e danifica os vasos, favorecendo o acúmulo de placas de gordura.

    6. Mudanças no estilo de vida realmente ajudam?

    Sim. Alimentação saudável, atividade física, controle de pressão, glicemia e colesterol, sono de qualidade e menos estresse reduzem significativamente o risco.

    7. O que fazer se alguém suspeita que está infartando?

    Diante de dor no peito intensa, irradiação para braço, mandíbula ou costas, falta de ar, suor frio ou náusea, procure atendimento de urgência imediatamente. Quanto mais rápido o atendimento, melhores as chances de recuperação.

  • Infarto ou angina? Saiba quais são os principais sinais e fique atento 

    Infarto ou angina? Saiba quais são os principais sinais e fique atento 

    A dor no peito é sempre um sinal de alerta. Entre as causas mais conhecidas estão a angina e o infarto agudo do miocárdio. Embora possam parecer semelhantes, não são a mesma coisa. Saber diferenciar se é infarto ou angina é essencial para procurar ajuda rapidamente.

    Ambas fazem parte da doença arterial coronariana, relacionadas à isquemia miocárdica (redução do fluxo de sangue e oxigênio ao coração). Mas existem diferenças fundamentais em como surgem, são diagnosticadas e tratadas.

    O que é angina e como ela acontece

    A angina é caracterizada por dor ou aperto no peito causado por um desequilíbrio transitório entre a oferta e a demanda de oxigênio ao coração. É um quadro geralmente passageiro, que não causa aumento nos marcadores de lesão cardíaca (como a troponina).

    Tipos de angina

    • Angina estável: aparece durante esforço físico (subir escadas, caminhar rápido) ou estresse emocional. Melhora com repouso ou medicação.
    • Angina instável: pode surgir em repouso, é mais imprevisível e representa risco elevado de evoluir para infarto.

    Sintomas mais comuns da angina

    • Aperto ou pressão no peito;
    • Dor que pode irradiar para braço, mandíbula, pescoço ou costas;
    • Alívio dos sintomas com repouso ou uso de remédios prescritos.

    Confira: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    O que é infarto

    O infarto acontece quando a isquemia é tão intensa e prolongada que causa morte das células do coração. Geralmente ocorre por obstrução súbita de uma artéria coronária por trombo, após ruptura de uma placa de gordura.

    O diagnóstico é confirmado por sintomas de isquemia + aumento de biomarcadores cardíacos (como troponina) e, muitas vezes, alterações no eletrocardiograma (ECG).

    Sintomas típicos do infarto

    • Dor forte no peito que dura mais de 20 minutos;
    • Dor que não melhora com repouso ou medicação;
    • Podem aparecer suor frio, falta de ar, náusea, tontura ou sensação de fraqueza intensa.

    Diferença entre angina e infarto

    • Angina: dor mais leve e curta, que melhora com repouso.
    • Infarto: dor intensa, prolongada e que não passa.

    Quando procurar atendimento? Sempre que houver dor forte no peito, diferente do habitual ou sem melhora com repouso, procure ajuda médica imediatamente.

    Exames e diagnóstico

    • Angina: pode ser investigada com teste ergométrico, ecocardiograma ou exames de imagem. Avaliação geralmente feita em consultório.
    • Infarto: exige diagnóstico de urgência, com eletrocardiograma e exames de sangue para confirmar lesão cardíaca.

    Tratamento da angina

    O tratamento se baseia em três pilares:

    • Mudança de hábitos: parar de fumar, controlar pressão, diabetes e colesterol, praticar exercícios, manter peso saudável.
    • Medicamentos: nitratos para crises, betabloqueadores, aspirina, estatinas e outros para prevenir complicações.
    • Procedimentos: angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização, indicados quando os sintomas persistem ou o risco é maior.

    Tratamento do infarto

    O infarto é uma emergência médica. O objetivo é desobstruir a artéria o quanto antes, para salvar o músculo cardíaco:

    • Angioplastia: idealmente em até 90 minutos após a chegada ao hospital.
    • Trombólise: uso de medicamentos que dissolvem o coágulo, indicada quando não há acesso imediato à angioplastia.

    Saiba mais: Infarto em mulheres: sintomas silenciosos para ficar atenta

    Fatores de risco e prevenção

    O que aumenta o risco

    • Pressão alta, colesterol elevado, diabetes;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo e obesidade;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas.

    O que fazer para prevenir

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Ter uma alimentação equilibrada;
    • Controlar pressão, glicemia e colesterol;
    • Evitar o cigarro;
    • Realizar consultas médicas de rotina.

    Em resumo: a angina é um alerta de que há falta de oxigênio no coração, mas sem morte celular. Já o infarto é a consequência mais grave, em que ocorre necrose do tecido cardíaco. Reconhecer os sinais e buscar ajuda imediata pode salvar vidas.

    Perguntas frequentes sobre angina e infarto

    1. Como saber se a dor no peito é infarto ou angina?

    A angina geralmente é mais leve, dura poucos minutos e melhora com repouso ou medicação. Já o infarto causa dor forte, prolongada, que não melhora com descanso e pode vir acompanhada de suor frio, falta de ar, náusea ou tontura.

    2. Angina pode virar infarto?

    Sim. A angina instável pode evoluir para um infarto, já que indica que o coração não está recebendo sangue de forma adequada.

    3. Existe exame específico para diferenciar angina e infarto?

    Sim. Na angina, os médicos podem solicitar testes de esforço, ecocardiograma ou exames de imagem. No infarto, o diagnóstico é feito com eletrocardiograma e exames de sangue que detectam lesão no coração, como a troponina.

    4. Quais são os sinais de alerta que exigem ajuda médica imediata?

    Dor intensa no peito ou diferente do habitual, que não melhora com repouso, especialmente se acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou desmaio, deve levar a uma busca imediata por atendimento médico.

    5. Quais hábitos ajudam a prevenir infarto ou angina?

    Praticar exercícios regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar pressão arterial, glicemia e colesterol, não fumar e realizar acompanhamento médico frequente são medidas fundamentais para reduzir os riscos.

    6. Quem já teve infarto pode ter angina depois?

    Sim. Muitas pessoas que já tiveram infarto podem apresentar angina, indicando que ainda há obstrução nas artérias do coração. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

    Leia mais: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto