Dor no peito, palpitação e falta de ar são apenas alguns dos sinais que podem surgir durante uma crise intensa de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% a 26,8% da população no Brasil. O problema é que eles também são sintomas comuns do infarto do miocárdio, uma emergência médica que precisa de atendimento imediato.
Por causa da semelhança entre os sintomas, muitas pessoas entram em pânico sem saber se estão diante de uma crise emocional intensa ou de um problema cardíaco real. Na dúvida, a principal recomendação é procurar atendimento médico para avaliação — mas existem algumas diferenças que podem te ajudar a diferenciar os quadros. Vamos entender mais, a seguir.
Por que a crise de ansiedade parece um infarto?
Durante uma crise de ansiedade ou de pânico, o corpo ativa o sistema nervoso autônomo, especialmente o chamado mecanismo de luta ou fuga. É um sistema de defesa natural, responsável por preparar o organismo diante de situações como ameaça ou perigo, mesmo quando a ameaça não é física e sim emocional ou imaginada.
Quando o cérebro interpreta uma situação como perigosa, ele causa a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que provocam diversas reações físicas, como:
- Aceleração do coração;
- Aumento da pressão arterial;
- Respiração mais rápida;
- Tensão muscular;
- Maior fluxo sanguíneo para músculos.
Como o coração, a respiração e a circulação são diretamente afetados, surgem sensações físicas intensas que podem lembrar problemas cardíacos, incluindo as palpitações, o aperto ou a dor no peito, a falta de ar, a tontura, o suor frio e a sensação de fraqueza.
Quais os sintomas mais típicos do infarto?
O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, acontece quando há uma redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Normalmente, placas de gordura ou coágulos bloqueiam as artérias coronárias, impedindo que o oxigênio chegue ao coração.
Isso provoca físicos importantes que costumam surgir de forma gradual ou repentina, como:
- Dor no peito forte e persistente, descrita muitas vezes como pressão, aperto, peso ou queimação;
- Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, costas, mandíbula, pescoço ou até a região do estômago;
- Falta de ar progressiva, mesmo em repouso ou com esforço mínimo;
- Náusea, vômito ou sensação de indigestão, principalmente em mulheres;
- Suor frio intenso, pele pálida e sensação de fraqueza;
- Mal-estar geral que não melhora com repouso ou mudança de posição.
A dor costuma durar vários minutos, podendo surgir em ondas ou permanecer contínua, e frequentemente piora com o tempo. Em alguns casos, pode haver tontura, sensação de desmaio ou ansiedade súbita associada ao quadro.
Diferenças que ajudam a perceber cada situação
Na dúvida, a melhor coisa a fazer é buscar atendimento médico para descartar um problema cardíaco. No entanto, alguns detalhes podem ajudar a diferenciar cada quadro.
Em uma crise de ansiedade, ela costuma:
- Surgir após estresse emocional, preocupação intensa ou situação de tensão;
- Apresentar início relativamente rápido, muitas vezes acompanhado de sensação de medo ou alerta exagerado;
- Melhorar com respiração lenta, técnicas de relaxamento ou mudança do foco mental;
- Ter duração variável, frequentemente de minutos até cerca de uma hora;
- Vir acompanhada de sensação de perda de controle, medo intenso ou pensamento catastrófico.
Já um quadro de infarto apresenta:
- Dor persistente no peito que não melhora com descanso ou relaxamento;
- Sintomas físicos progressivos ou cada vez mais intensos;
- Sinais associados como falta de ar, suor frio, náusea ou fraqueza marcante;
- Presença de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardíaca.
Também vale apontar que nem sempre os sintomas seguem um padrão. Mulheres, idosos, pessoas jovens ou com diabetes podem apresentar sinais menos típicos de infarto, como cansaço incomum, desconforto leve no peito, dor nas costas, enjoo persistente ou apenas falta de ar.
Em algumas situações, a dor intensa no peito sequer aparece, o que pode atrasar a procura por atendimento.
O que pode causar ansiedade?
As causas da ansiedade não são totalmente explicadas, mas entende-se que ela ocorre por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais, como:
- Estresse prolongado, preocupações constantes ou sobrecarga emocional;
- Fatores genéticos ou histórico familiar de ansiedade;
- Eventos traumáticos ou experiências difíceis;
- Privação de sono, excesso de trabalho ou rotina desgastante;
- Consumo elevado de cafeína, álcool ou outras substâncias estimulantes;
- Algumas condições médicas e alterações hormonais.
O que causa infarto?
O infarto ocorre principalmente quando uma artéria coronária fica obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.
A causa mais frequente é a aterosclerose, processo no qual placas de gordura se acumulam nas artérias ao longo do tempo, mas alguns fatores também aumentam o risco, como:
- Pressão alta;
- Colesterol elevado;
- Diabetes;
- Tabagismo;
- Obesidade e sedentarismo;
- Alimentação rica em gordura, açúcar e ultraprocessados;
- Histórico familiar de doença cardíaca;
- Estresse crônico e má qualidade do sono.
Ansiedade pode causar um infarto?
A ansiedade, por si só, normalmente não causa um infarto. No entanto, crises frequentes e estresse crônico podem contribuir indiretamente para problemas cardiovasculares.
O aumento constante de adrenalina e cortisol pode elevar a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco e favorecer hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou tabaco. A longo prazo, os fatores podem aumentar o risco para para o desenvolvimento de hipertensão, arritmias, inflamação vascular ou maior propensão à formação de placas nas artérias.
Além disso, durante uma crise intensa, a liberação abrupta de adrenalina pode provocar aceleração importante dos batimentos, elevação transitória da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração.
Em pessoas que já convivem com uma doença cardíaca ou fatores de risco relevantes, a sobrecarga pode desencadear sintomas ou agravar um quadro já existente.
Como confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico do quadro é feito a partir de uma avaliação médica, principalmente quando existe dor no peito, falta de ar ou sintomas que podem lembrar um problema cardíaco. Na prática, a prioridade costuma ser descartar um infarto primeiro, já que se trata de uma situação potencialmente grave.
Quando há suspeita de infarto, os médicos costumam pedir alguns exames:
- Eletrocardiograma, que mostra como está o funcionamento elétrico do coração;
- Exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de lesão no músculo cardíaco;
- Avaliação clínica, com perguntas sobre sintomas, histórico de saúde e fatores de risco;
- Outros exames, como ecocardiograma ou cateterismo, quando existe necessidade de investigação mais detalhada.
Se a suspeita maior for ansiedade, o diagnóstico costuma ser feito com base na conversa com o médico, na análise dos sintomas e na exclusão de problemas físicos. Muitas vezes ocorre encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra, para avaliar melhor a saúde emocional e indicar o tratamento mais adequado.
Quando procurar atendimento médico?
A presença de dor no peito ou de sintomas que lembram problema cardíaco, como falta de ar, suor frio e palpitações intensa, precisa de atenção médica. Mesmo quando existe histórico de ansiedade, o ideal é não ignorar sinais físicos novos, intensos ou diferentes do habitual, pois ansiedade e problema cardíaco podem coexistir.
Uma pessoa com histórico de ansiedade pode, sim, desenvolver uma condição cardíaca real, assim como um evento cardíaco pode desencadear ansiedade ou crise de pânico devido ao susto e ao estresse envolvidos. Por isso, não é recomendável assumir automaticamente que os sintomas são apenas emocionais sem uma avaliação adequada.
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Perguntas frequentes
1. O formigamento nas mãos é sinal de quê?
Na ansiedade, o formigamento (nas mãos, pés e ao redor da boca) ocorre pela hiperventilação (respirar rápido demais). No infarto, é mais comum que o formigamento ocorra no braço esquerdo (embora também possa ser no direito), podendo ser acompanhado de sensação de fraqueza e peso também
2. Ter uma crise de pânico pode causar um infarto na hora?
Para uma pessoa com o coração saudável, é extremamente raro. O coração é um músculo forte feito para aguentar batimentos acelerados (como em um exercício físico). O risco existe apenas se a pessoa já tiver uma doença coronária grave preexistente.
3. A dor de ansiedade dura quanto tempo?
A duração varia. Muitas crises duram de alguns minutos até cerca de uma hora, embora a sensação residual possa permanecer por mais tempo.
4. Exercício físico ajuda na ansiedade e no coração?
Sim, a atividade física regular ajuda a controlar o estresse, melhora o humor, reduz fatores de risco cardiovascular e fortalece o coração.
5. A ansiedade crônica entope as artérias?
Não diretamente, mas o estresse constante libera cortisol e adrenalina, que aumentam a inflamação no corpo e a pressão arterial, o que, ao longo de anos, facilita o acúmulo de placas de gordura.
6. Como é feito o tratamento de ansiedade?
O tratamento de ansiedade costuma envolver psicoterapia, principalmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a entender e controlar pensamentos e reações emocionais. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios para reduzir os sintomas, além de orientar mudanças no estilo de vida, como atividade física, sono adequado e redução do estresse.
7. Como aliviar a ansiedade no dia a dia?
Algumas medidas simples ajudam bastante, como respirar de forma lenta e profunda, praticar atividade física regularmente, manter rotina de sono, reduzir cafeína, fazer pausas durante o dia e investir em momentos de lazer. Técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia também contribuem para aliviar os sintomas.
8. Como é feito o tratamento de infarto?
O infarto é uma emergência médica, em que é preciso restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rápido possível. Podem ser usados medicamentos, procedimentos como angioplastia com stent ou, em alguns casos, cirurgia.
Após a fase aguda, o tratamento continua com acompanhamento médico, uso regular de remédios, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física orientada, controle do estresse e abandono do tabagismo.
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