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  • Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Se tem um bebê a caminho, a futura mamãe já sabe que existe uma lista de cuidados que devem começar muito antes do parto. O pré-natal é o momento de acompanhar cada etapa da gestação, sendo importante para detectar precocemente qualquer alteração e reduzir os riscos de complicações.

    Mas afinal, quais exames no pré-natal são obrigatórios e quando devem ser feitos? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas.

    Como funciona o pré-natal?

    O pré-natal funciona como um conjunto de consultas e exames realizados durante toda a gestação, com o objetivo de monitorar a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê.

    Os exames no pré-natal que são obrigatórios são definidos pelo Ministério da Saúde e estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles ajudam a detectar infecções, anemias, diabetes gestacional, incompatibilidades sanguíneas e outros problemas que, se tratados a tempo, evitam complicações graves.

    Andreia também explica que o pré-natal avalia se a paciente já possui alguma comorbidade que pode se agravar durante a gravidez, além de condições específicas do feto ou da placenta. Se surgir alguma complicação, ela é tratada de forma imediata.

    Além dos exames no pré-natal, o acompanhamento também envolve orientações sobre alimentação, atividade física, vacinas e saúde mental, garantindo uma gestação mais tranquila e segura.

    Quando começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o acompanhamento assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto mais cedo começar, maiores as chances de detectar alterações e garantir um tratamento eficaz. A ginecologista Andreia Sapienza orienta a frequência de consultas:

    • Uma consulta por mês até 32 semanas;
    • Depois, uma consulta a cada 15 dias até 36 semanas;
    • E duas consultas por semana até o parto.

    O recomendado é que a gestante realize no mínimo sete a dez consultas ao longo da gravidez, de acordo com Andreia.

    Durante as visitas, o médico pede e acompanha os resultados dos exames obrigatórios, faz o controle de peso, pressão arterial, altura uterina e batimentos cardíacos do bebê, além de orientar sobre vacinas e preparo para o parto.

    Quais são os exames obrigatórios do pré-natal?

    Os principais exames solicitados no início do pré-natal e que são repetidos em momentos específicos da gestação incluem:

    Ultrassonografia

    O ultrassom obstétrico é um dos primeiros exames realizados na gestação, importante para confirmar a gravidez, a idade gestacional, o número de bebês e os batimentos cardíacos. Ele utiliza ondas sonoras para gerar imagens do útero e do bebê em tempo real, sem exposição à radiação.

    Andreia esclarece a frequência e objetivo de cada ultrassom:

    • 1º ultrassom (muito precoce): confirma se a gestação está localizada dentro do útero, verifica a presença do saco gestacional, batimentos cardíacos e viabilidade inicial da gravidez;
    • Ultrassom morfológico do 1º trimestre (11 semanas a 13 semanas e 6 dias): avalia translucência nucal, osso nasal e ducto venoso, marcadores que auxiliam no cálculo de risco para síndromes genéticas, como a Síndrome de Down;
    • Ultrassom morfológico do 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas): analisa detalhadamente a formação de cada órgão do bebê, detectando possíveis malformações estruturais.

    O ideal é que o ultrassom seja realizado pelo menos duas vezes no primeiro trimestre, podendo ser repetido com maior frequência conforme a necessidade clínica para monitorar a evolução da gestação.

    Tipagem sanguínea (ABO/Rh)

    A tipagem sanguínea identifica o grupo sanguíneo (A, B, AB ou O) e o fator Rh (positivo ou negativo), sendo importante para avaliar se há risco de incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Se a gestante tem Rh negativo e o pai Rh positivo, o médico solicita o exame Coombs Indireto para verificar se o organismo da mãe está produzindo anticorpos contra o sangue do bebê.

    Se ele nascer com Rh positivo, a mãe deve receber uma vacina específica (imunoglobulina anti-D) em até três dias após o parto, para evitar complicações em gestações futuras.

    Hemograma completo

    O hemograma completo é um dos exames mais importantes do pré-natal e avalia a quantidade e a qualidade das células sanguíneas, permitindo identificar anemia, infecções e outros distúrbios que podem surgir na gestação.

    A anemia ferropriva, por exemplo, é comum durante a gravidez, uma vez que o corpo precisa de mais ferro para formar o sangue do bebê. Se não for tratada, ela pode causar cansaço extremo, baixo peso fetal e parto prematuro.

    Urina tipo 1 e urocultura

    Durante a gravidez, as infecções urinárias são mais frequentes devido às alterações hormonais e à pressão do útero sobre a bexiga. O exame de urina tipo 1 e a urocultura são capazes de detectar bactérias e inflamações — e podem ser repetidos no primeiro e no terceiro trimestre da gestação.

    Exames sorológicos

    As sorologias são solicitadas para identificar HIV, sífilis, hepatites B e C, citomegalovírus (CMV), toxoplasmose e rubéola. As infecções, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem causar aborto espontâneo, malformações fetais, parto prematuro ou infecção congênita.

    O ideal é que os exames sejam feitos logo no início da gestação e repetidos conforme a recomendação médica.

    Glicemia em jejum

    A glicemia de jejum mede a quantidade de açúcar no sangue e ajuda a identificar diabetes gestacional — uma condição que ocorre em aproximadamente 4% das gestações e pode causar complicações como parto prematuro, excesso de líquido amniótico e bebês grandes demais para a idade gestacional.

    Para fazer o exame, a gestante precisa ficar de 8 a 12 horas em jejum, tomando apenas água. Em alguns casos, o médico também pode pedir a curva glicêmica, que mede como o açúcar no sangue se comporta após a ingestão de uma solução com glicose.

    Parasitológico de fezes

    O exame parasitológico de fezes é feito para detectar a presença de parasitas intestinais que podem afetar diretamente a saúde da gestante e do bebê. Infecções como giardíase, amebíase e verminoses, por exemplo, podem causar anemia, perda de peso, desnutrição e má absorção de nutrientes — condições perigosas durante a gestação, pois comprometem o desenvolvimento fetal.

    Função da tireoide (TSH e T4 livre)

    A função da tireoide no pré-natal é avaliada para garantir que a gestante produza hormônios em níveis adequados para o próprio metabolismo e para o desenvolvimento neurológico do bebê. A presença de alterações, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, pode causar aborto, parto prematuro, pré-eclâmpsia e comprometimento cognitivo fetal, mesmo antes de apresentarem sintomas evidentes.

    Teste de malária

    De acordo com orientações do Ministério da Saúde, o teste de malária é obrigatório para gestantes que vivem ou viajam para áreas de risco, especialmente na Região Amazônica. A doença pode ser grave durante a gravidez e causar aborto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A testagem deve ser feita mesmo sem sintomas.

    Exames indicados para o pai no pré-natal

    A saúde paterna também influencia no desenvolvimento do bebê, então é importante que o pai ou parceiro (adulto, jovem e adolescente) seja incentivado a participar do pré-natal e realizar exames de rotina, como:

    • Hemograma;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh;
    • Testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites B e C;
    • Eletroforese de hemoglobina;
    • Glicemia e lipidograma.

    Além de aproximar o pai do cuidado com o bebê, os exames ajudam a identificar infecções transmissíveis e evitam complicações na gestação.

    Exames complementares importantes

    Além da bateria de exames obrigatória, Andreia aponta alguns exames complementares importantes, como:

    • TOTG (teste oral de tolerância à glicose): feito no 2º trimestre, capaz de detectar o diabetes gestacional;
    • Streptococcus do grupo B: bactéria do canal vaginal que pode infectar o bebê no parto. Se detectada, é feita profilaxia com antibiótico no trabalho de parto;
    • Cardiotocografia e perfil biofísico fetal: usados para monitorar o bem-estar do bebê a partir da 28ª semana (mais útil depois da 34ª).

    Vacinas no pré-natal: quais são obrigatórias?

    Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher passa por uma série de alterações, o que a torna mais vulnerável a infecções. As vacinas recomendadas ajudam a proteger mãe e bebê de doenças graves, sendo elas:

    • Vacina contra tétano, difteria e coqueluche (dTPa): se a gestante nunca foi vacinada, deve iniciar o esquema o quanto antes. O foco principal é coqueluche, que causa surtos graves em bebês com menos de 1 ano;
    • Vacina contra hepatite B: indicada para gestantes não vacinadas anteriormente. São aplicadas três doses, garantindo proteção para mãe e bebê;
    • Vacina contra gripe (influenza): é recomendada para todas as gestantes, principalmente durante a campanha nacional de vacinação. A gripe pode causar complicações respiratórias mais graves na gravidez, e a imunização é segura em qualquer trimestre;
    • Covid-19: reduz o risco de formas graves da doença na gestante, que tem mais chance de complicações. Os anticorpos passam pela placenta e ajudam a proteger o bebê após o nascimento.

    Vírus sincicial respiratório: protege o bebê de bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida, causadas pelo VSR — um dos vírus que mais interna crianças pequenas. A recomendação atual é a vacinação entre 28 e 36 semanas de gestação, uma dose única a cada gravidez.

    De acordo com Andreia, o esquema vacinal depende do histórico da paciente, então o ideal é sempre seguir a orientação do médico obstetra.

    Pré-natal de alto risco: o que muda?

    Quando a mulher apresenta condições que aumentam o risco de complicações, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, idade materna avançada ou gravidez de gêmeos, o acompanhamento precisa ser ainda mais cuidadoso.

    Nesses casos, o pré-natal de alto risco inclui consultas mais frequentes, exames especializados e, quando necessário, o suporte de profissionais de diferentes áreas — como cardiologista, endocrinologista, nutricionista e obstetra especializado em medicina fetal.

    Segundo Andreia, também podem ser solicitados os seguintes exames:

    • Exames cardíacos e renais (para gestantes com hipertensão);
    • Ajuste de insulina e controle de glicemia (em caso de diabetes);
    • Anticoagulação (em caso de lúpus ou risco elevado de trombose);
    • Cerclagem (ponto cirúrgico no colo do útero, para prevenir o parto prematuro ou abortamento tardio em gestantes com incompetência istmocervical).

    O objetivo é monitorar de perto tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê, prevenindo situações que possam colocar a gestação em perigo. Com acompanhamento adequado, é possível reduzir complicações e garantir uma gravidez segura até o nascimento do pequeno.

    Veja mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Quando devo começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto antes começar, melhor será o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê. O início precoce permite detectar possíveis problemas logo no começo e ajustar hábitos de alimentação, suplementação e estilo de vida conforme as necessidades da gestação.

    Mesmo quem descobre a gravidez mais tarde deve procurar o médico imediatamente para iniciar o acompanhamento.

    2. É normal sentir enjoo, tontura e cansaço nas primeiras semanas de gravidez?

    Sim, os sintomas são comuns no início da gestação. Eles acontecem por causa das mudanças hormonais e do aumento da progesterona, que afeta o sistema digestivo e o equilíbrio do corpo. Apesar de desconfortáveis, eles tendem a melhorar a partir do segundo trimestre.

    Para aliviar os sintomas, o médico pode indicar ajustes na alimentação, fracionamento das refeições e hidratação adequada. Se os enjoos forem intensos e acompanhados de perda de peso, é importante avisar o especialista.

    3. Posso praticar atividade física durante a gravidez?

    Sim! A prática de exercícios leves e regulares é indicada na maioria das gestações saudáveis, como caminhadas, hidroginástica, yoga e alongamentos. Elas ajudam na circulação, reduzem dores nas costas e melhoram o bem-estar emocional.

    No entanto, procure conversar com o médico antes de iniciar qualquer atividade. O acompanhamento profissional garante segurança e evita sobrecarga física.

    4. É seguro fazer ultrassom com frequência?

    Sim, o ultrassom é um exame seguro de ser realizado com frequência, pois ele utiliza apenas ondas sonoras, sem radiação. Ele permite acompanhar o crescimento fetal, o desenvolvimento dos órgãos e a posição dentro do útero.

    A quantidade necessária deve ser determinada pelo médico, de acordo com as particularidades de cada gravide

    5. O que é considerado uma gravidez de alto risco?

    Uma gravidez é classificada como alto risco quando existem fatores que aumentam a probabilidade de complicações para a mãe ou para o bebê. Isso inclui doenças pré-existentes (como hipertensão, diabetes, lúpus ou problemas cardíacos), gestações múltiplas, histórico de partos prematuros, idade acima de 35 anos ou abaixo de 17, entre outros.

    Nessas situações, o acompanhamento deve ser mais frequente, com exames especializados e suporte de diferentes profissionais.

    6. Quais são os sintomas da pré-eclâmpsia?

    A pré-eclâmpsia é uma complicação grave caracterizada por pressão alta e presença de proteínas na urina após a 20ª semana de gestação. Os principais sintomas incluem:

    • Inchaço repentino nas mãos, rosto e pernas;
    • Forte dor de cabeça;
    • Visão turva ou embaçada;
    • Náuseas e tontura.

    A condição exige acompanhamento médico imediato, pois pode evoluir para eclâmpsia, que causa convulsões e risco de vida para a mãe e o bebê. O controle da pressão, repouso e medicamentos ajudam a evitar complicações e garantir a segurança até o parto.

    7. Como saber se estou com infecção urinária durante a gravidez?

    Os sintomas mais comuns de infecção urinária na gravidez são ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, urina turva ou com odor forte e, em casos mais graves, dor abdominal e febre.

    Durante o pré-natal, o exame de urina tipo 1 e a urocultura ajudam a detectar infecções mesmo sem sintomas. O tratamento é feito com antibióticos seguros para a gestação, que devem ser receitados por um médico.

    Veja mais: ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

  • Pré-eclâmpsia: o que toda gestante precisa saber 

    Pré-eclâmpsia: o que toda gestante precisa saber 

    A pré-eclâmpsia é uma das complicações mais temidas da gestação, e não sem motivo. Embora muitas vezes silenciosa, ela pode evoluir rápido e trazer riscos para a gestante e para o bebê.

    A condição costuma surgir a partir da 20ª semana de gestação e envolve aumento da pressão arterial associado à presença de proteína na urina. O acompanhamento rigoroso permite intervir no momento certo, reduzindo riscos graves como eclâmpsia, síndrome HELLP e problemas no desenvolvimento fetal. Entenda mais.

    O que acontece no corpo da gestante

    A pré-eclâmpsia provoca um estreitamento dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue. Isso pode gerar:

    • Inchaço nas mãos, rosto e pernas;
    • Perda de proteínas na urina (proteinúria), indicando sofrimento renal;
    • Alterações no fígado, como dor na parte superior do abdômen e aumento de enzimas;
    • Distúrbios de coagulação;
    • Redução do fluxo sanguíneo para a placenta, prejudicando o crescimento do bebê.

    Nos quadros graves, o cérebro também pode ser afetado, o que causa convulsões. Quando isso acontece, chamamos de eclâmpsia, o estágio mais perigoso da doença.

    Sintomas que merecem atenção imediata

    Mesmo que a gestante se sinta bem, a pré-eclâmpsia pode evoluir sem sinais evidentes. Ainda assim, alguns sintomas devem ser considerados alertas importantes:

    • Ddor de cabeça forte e persistente;
    • Visão turva, manchas na visão ou sensibilidade à luz;
    • Inchaço repentino no rosto, mãos ou pés;
    • Dor na parte superior do abdômen;
    • Náuseas e vômitos persistentes;
    • Falta de ar;
    • Diminuição da quantidade de urina.

    Como a pressão alta pode ser silenciosa, o pré-natal regular, com aferição de pressão, exames de urina e sangue, é muito importante.

    Como é feito o diagnóstico?

    A pré-eclâmpsia é diagnosticada quando a gestante apresenta:

    • Pressão arterial ≥ 140 x 90 mmHg em duas medições separadas
    • Proteinúria, ou seja, presença de proteína na urina

    Além disso, podem ser solicitados:

    • Outros exames laboratoriais;
    • Ultrassonografias para avaliar o bem-estar e crescimento fetal.

    Fatores de risco

    Algumas mulheres têm maior chance de desenvolver pré-eclâmpsia. Os principais fatores de risco são:

    • Primeira gestação;
    • Histórico pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia;
    • Pressão alta crônica;
    • Diabetes;
    • Obesidade;
    • Gravidez múltipla;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Doenças autoimunes ou problemas de coagulação.

    Possíveis complicações

    Quando não tratada, a pré-eclâmpsia pode evoluir para quadros graves, como:

    • Eclâmpsia (convulsões);
    • Síndrome HELLP;
    • Lesões em órgãos como rins, fígado e cérebro;
    • Descolamento prematuro de placenta.

    Para o bebê, há risco de:

    • Restrição de crescimento;
    • Baixo peso ao nascer;
    • Parto prematuro.

    Em situações extremas, há risco de óbito materno e fetal.

    Tratamento e cuidados

    Toda gestante com pré-eclâmpsia precisa de acompanhamento rigoroso em ambiente hospitalar ou unidade de alto risco. A doença é imprevisível e pode se agravar rapidamente.

    O tratamento depende da gravidade e da idade gestacional:

    • Casos leves: controle da pressão com medicamentos, repouso orientado, exames frequentes e vigilância médica constante;
    • Casos graves: pode ser necessário antecipar o parto para proteger mãe e bebê.

    A importância do pré-natal

    A melhor forma de evitar complicações é um pré-natal bem feito. É nele que a equipe consegue identificar alterações na pressão arterial, proteinúria e sinais precoces da doença.

    Com diagnóstico precoce e manejo adequado, a maioria das mulheres com pré-eclâmpsia pode ter uma gestação segura e um bebê saudável.

    Prevenção: o que pode ajudar

    Embora não exista forma garantida de evitar a pré-eclâmpsia, algumas medidas reduzem o risco, especialmente em gestantes de alto risco:

    • Suplementação de cálcio (se indicada pelo médico);
    • Uso de medicamentos preventivos sob orientação;
    • Pré-natal regular;
    • Controle de peso;
    • Manejo adequado de diabetes e pressão alta;
    • Hábitos de vida saudáveis e manejo do estresse.

    Veja mais: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes sobre pré-eclâmpsia

    1. A pré-eclâmpsia sempre causa sintomas?

    Não. Muitas vezes é silenciosa, por isso o pré-natal é tão importante.

    2. Toda pressão alta na gravidez é pré-eclâmpsia?

    Não. A pré-eclâmpsia exige também proteinúria ou outros sinais de comprometimento.

    3. Quem teve pré-eclâmpsia em uma gestação terá novamente?

    O risco é maior, mas não é regra. O acompanhamento precoce ajuda a prevenir complicações.

    4. Como a doença afeta o bebê?

    Pode prejudicar o crescimento, causar parto prematuro e reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta.

    5. A única cura definitiva é o parto?

    Sim. A placenta é parte central da doença. Após o parto, os sintomas costumam regredir.

    6. Pré-eclâmpsia pode acontecer no pós-parto?

    Sim. Pode surgir até 6 semanas após o parto.

    7. Exercícios ajudam a prevenir?

    Eles ajudam no controle do peso e da saúde geral, mas não garantem prevenção.

    Veja também: Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

  • Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    A diástase abdominal é uma condição muito comum, especialmente no período pós-parto, mas ainda pouco compreendida por grande parte das pessoas. Ela ocorre quando os músculos da parte da frente do abdômen se afastam além do normal, criando um espaço entre eles. Esse afastamento pode gerar alterações estéticas, desconforto e até impactar a postura e o equilíbrio corporal.

    Apesar de ser frequentemente associada à maternidade, a diástase também pode aparecer em homens e mulheres que nunca engravidaram. Saber identificar os sinais, entender por que ela acontece e buscar ajuda profissional são passos importantes para evitar complicações e recuperar a força do core de forma segura.

    O que é a diástase abdominal?

    A diástase dos músculos retos abdominais é o afastamento anormal das duas bandas musculares que formam a parede frontal do abdômen. Esse afastamento acontece quando a linha alba, uma faixa de tecido conjuntivo que une esses músculos, fica enfraquecida e alongada.

    Por que isso acontece?

    A causa mais comum é a gravidez. Conforme o útero cresce, a parede abdominal precisa se alongar para acomodar o bebê, o que pode afinar e fragilizar a linha alba. Depois do parto, esses músculos nem sempre voltam totalmente à posição original.

    Outros fatores também contribuem:

    • Obesidade;
    • Perda rápida de peso;
    • Fraqueza natural dos tecidos;
    • Postura inadequada ou esforço excessivo;
    • Pode ocorrer em homens, embora seja mais comum em mulheres.

    Como identificar

    O sinal mais comum é um abaulamento no centro da barriga, especialmente quando ocorre aumento da pressão abdominal, como ao tossir, levantar da cama ou durante alguns exercícios.

    A aparência pode ser de uma “barriguinha” persistente, mesmo em pessoas magras ou fisicamente ativas. A diástase em si não costuma gerar dor, mas pode contribuir para:

    • Desconforto abdominal;
    • Dores lombares;
    • Sensação de instabilidade no tronco.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com exame físico, avaliando a distância entre os músculos retos. Considera-se diástase quando:

    • A separação é maior que 2 cm, ou
    • Há abaulamento evidente à contração abdominal.

    Para confirmar o quadro e avaliar melhor a parede abdominal, o médico pode solicitar:

    • Ultrassom de parede abdominal;
    • Tomografia (quando necessário)

    Esses exames também ajudam a identificar a presença de hérnias associadas.

    Tratamento

    A boa notícia: a maior parte dos casos melhora sem cirurgia.

    Tratamento conservador (primeira escolha)

    • Fisioterapia especializada;
    • Exercícios específicos para fortalecimento profundo do core;
    • Reeducação postural;
    • Movimentos que não aumentem a pressão abdominal (evitar abdominais tradicionais).

    Nos casos leves, a melhora pode acontecer com o tempo, o fortalecimento adequado ou até de forma espontânea.

    Quando a cirurgia é indicada

    • Há separação muito grande;
    • Existe dor importante ou limitação funcional;
    • Há hérnia associada;
    • Não há melhora após tratamento conservador.

    O procedimento reconstrói a parede abdominal e aproxima novamente os músculos.

    Pode voltar ao normal?

    Sim. A recuperação depende:

    • Do tamanho da separação;
    • Do tempo desde o início da diástase;
    • Da adesão ao tratamento.

    Mas é importante lembrar que a diástase pode retornar com futuras gestações ou esforço excessivo que aumente a pressão abdominal.

    Como prevenir

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Controlar o ganho de peso na gravidez;
    • Manter postura adequada;
    • Fortalecer o core antes e depois da gestação;
    • Evitar levantar peso de forma incorreta;
    • Praticar exercícios orientados por profissionais capacitados

    Quando procurar um profissional

    Consulte um médico ou fisioterapeuta se você notar:

    • Abaulamento persistente na barriga;
    • Sensação de fraqueza no core;
    • Dificuldade de estabilizar o tronco;
    • Dor lombar associada;
    • Suspeita de hérnia.

    O diagnóstico precoce facilita o tratamento e melhora a função abdominal.

    Veja mais: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Perguntas frequentes sobre diástase abdominal

    1. Toda gestante terá diástase?

    Não. É comum, mas não acontece com todas as mulheres.

    2. A diástase causa dor?

    Ela não causa dor diretamente, mas pode contribuir para desconforto, dor lombar e instabilidade.

    3. Posso treinar normalmente com diástase?

    Pode, mas com adaptações. Alguns exercícios pioram o quadro, e a orientação de um profissional é essencial.

    4. Só cirurgia resolve a diástase?

    Na maioria dos casos, não. A fisioterapia é eficaz para muitos pacientes.

    5. Homens podem ter diástase?

    Sim. Embora mais comum em mulheres, homens também podem desenvolver o problema.

    6. Diástase e hérnia são a mesma coisa?

    Não. Mas podem ocorrer juntas.

    7. Quanto tempo leva para melhorar?

    Depende do caso. Com tratamento adequado, muitas pessoas veem melhora em semanas a meses.

    Leia mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero 

    Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero 

    Nem toda gravidez se desenvolve onde deveria. Em alguns casos, o embrião se implanta fora do útero — nas trompas, no colo uterino, nos ovários ou até no abdômen — dando origem à gravidez ectópica. Embora rara, essa condição é uma emergência médica que pode causar hemorragia interna e colocar a vida da mulher em risco se não for identificada e tratada rapidamente.

    A gravidez ectópica ocorre em cerca de 1% a 2% das gestações. Quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente, a maioria das mulheres se recupera bem e pode engravidar novamente no futuro.

    O que é a gravidez ectópica

    A gravidez ectópica acontece quando o embrião se desenvolve fora do útero — o local natural preparado para a gestação. A forma mais comum é a gestação tubária, quando o embrião se implanta nas trompas de Falópio. Porém, também pode ocorrer no colo do útero, nos ovários, no abdômen ou, mais raramente, em uma cicatriz de cesariana anterior.

    Apesar de rara, é perigosa porque o crescimento do embrião em um local inadequado pode romper vasos sanguíneos e causar hemorragias graves.

    Por que a gravidez ectópica acontece

    Em uma gravidez normal, o óvulo fertilizado percorre as trompas até o útero, onde se fixa. Na gravidez ectópica, algo interrompe esse trajeto, fazendo o embrião se implantar antes de chegar ao útero.

    Principais fatores de risco:

    • Infecções nas trompas (como gonorreia ou clamídia), que causam cicatrizes;
    • Cirurgias prévias nas trompas ou no útero (laqueadura, cesariana);
    • Endometriose, que provoca inflamações e aderências;
    • Tabagismo, que altera o funcionamento das trompas;
    • Tratamentos de fertilização (como FIV);
    • Idade acima dos 35 anos;
    • Uso de DIU — raro, mas aumenta o risco de ser ectópica caso ocorra gravidez;
    • Histórico anterior de gravidez ectópica.

    Mesmo assim, metade dos casos ocorre sem fatores de risco conhecidos.

    Sintomas de gravidez ectópica

    Mulheres em idade fértil com atraso menstrual e dor pélvica devem ser avaliadas para descartar essa condição. Os sintomas mais comuns são:

    • Dor abdominal ou pélvica (geralmente de um lado só);
    • Sangramento vaginal leve ou irregular;
    • Útero menor do que o esperado para a idade gestacional;
    • Mal-estar, tontura ou fraqueza.

    Se houver ruptura da trompa, a dor torna-se intensa e súbita, podendo vir acompanhada de dor no ombro, queda de pressão e desmaio — um quadro de emergência médica que exige atendimento imediato.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de sangue e ultrassonografia transvaginal.

    • Exame de β-hCG: confirma a gestação e avalia se o hormônio está subindo de forma adequada. Em gestações normais, o β-hCG dobra a cada dois dias. Se não ocorre esse aumento, há suspeita de anormalidade.
    • Ultrassonografia: se o hormônio estiver alto (acima de 2.000 mUI/mL) e não houver saco gestacional no útero, a suspeita de gravidez ectópica é forte.
    • O exame também pode identificar massas nas trompas ou em outros locais, mostrando onde o embrião está implantado.

    Quando o diagnóstico ainda não é conclusivo, a mulher é acompanhada com exames seriados até a confirmação.

    Tratamento

    A escolha do tratamento depende do estado clínico da paciente, do tamanho do saco gestacional e dos níveis de β-hCG.

    1. Tratamento com medicamentos

    Indicado quando o diagnóstico é precoce e a mulher está estável. Utiliza remédios que interrompem o crescimento do tecido gestacional, permitindo que o corpo o reabsorva naturalmente. É seguro e preserva a fertilidade.

    Durante o tratamento, deve-se evitar álcool, anti-inflamatórios e relações sexuais até a recuperação completa.

    2. Tratamento cirúrgico

    Necessário quando há risco de ruptura ou o tratamento medicamentoso não é viável. Pode ser feito por laparoscopia (minimamente invasiva) ou por cirurgia aberta em emergências.

    Opções cirúrgicas:

    • Salpingostomia: retirada apenas do tecido gestacional, preservando a trompa;
    • Salpingectomia: remoção total da trompa, se estiver muito danificada.

    3. Observação

    Em casos muito iniciais e estáveis, o médico pode apenas monitorar com exames, permitindo que o corpo elimine o tecido gestacional naturalmente.

    Prognóstico e prevenção

    Com o tratamento adequado, a maioria das mulheres se recupera completamente e pode engravidar novamente.

    Para reduzir o risco de recorrência:

    • Trate infecções ginecológicas precocemente;
    • Evite o cigarro;
    • Mantenha acompanhamento regular com o ginecologista;
    • Aguarde o período recomendado pelo médico antes de tentar nova gestação.

    Veja também: Ecocardiograma na gestação: por que é essencial para cuidar do coração da mãe e do bebê

    Perguntas frequentes sobre gravidez ectópica

    1. O que é uma gravidez ectópica?

    É uma gestação em que o embrião se desenvolve fora do útero, geralmente nas trompas de Falópio.

    2. Quais são os sintomas?

    Dor abdominal, sangramento leve, tontura e fraqueza. Se houver ruptura da trompa, a dor é intensa e pode causar desmaio.

    3. Como é feito o diagnóstico?

    Com o exame de β-hCG e o ultrassom transvaginal, que mostram a ausência de saco gestacional no útero e possíveis massas nas trompas.

    4. É possível tratar sem cirurgia?

    Sim, se o diagnóstico for precoce e a mulher estiver estável, o tratamento pode ser feito com medicamentos.

    5. A gravidez ectópica pode acontecer mais de uma vez?

    Sim, especialmente em mulheres com histórico anterior ou alterações nas trompas.

    6. Dá para engravidar novamente após uma gravidez ectópica?

    Na maioria dos casos, sim — principalmente quando o tratamento é feito cedo e há preservação das trompas.

    7. Como prevenir?

    Tratando infecções ginecológicas, evitando o cigarro e fazendo acompanhamento médico antes de tentar engravidar.

    Leia também: Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

  • Método contraceptivo após o parto: quais os mais indicados? 

    Método contraceptivo após o parto: quais os mais indicados? 

    Depois do nascimento do bebê, o corpo feminino experimenta uma série de mudanças físicas e hormonais. Aos poucos, os tecidos cicatrizam, o útero retorna ao tamanho habitual e os hormônios voltam a se estabilizar. É uma fase delicada, em que é comum surgir dúvidas sobre quando retomar o uso de contraceptivo após o parto.

    Primeiro, não é necessário esperar a menstruação voltar para iniciar um método. A ovulação pode acontecer antes dela, o que aumenta o risco de uma nova gravidez não planejada.

    Por isso, a escolha deve considerar fatores como tipo de parto, amamentação, tempo de recuperação e condições de saúde, mas sempre com orientação de um médico.

    Quando é seguro retomar a vida sexual após o parto?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, após o parto, seja normal ou cesárea, não é recomendado ter relações sexuais antes de completar seis semanas, cerca de 42 dias.

    O período é conhecido como puerpério e corresponde ao tempo necessário para que o útero e os tecidos íntimos cicatrizem e o corpo retorne ao estado pré-gestação.

    Antecipar a relação antes do período pode trazer alguns riscos, como dor, sangramentos e aumento do risco de infecções uterinas — especialmente em casos de parto cesárea.

    É possível engravidar logo após o parto?

    Mesmo antes da primeira menstruação, é possível engravidar novamente, especialmente se a mulher não estiver em amamentação exclusiva. O retorno da ovulação pode ocorrer de forma imprevisível, e por isso é fundamental adotar um método contraceptivo seguro assim que possível.

    De acordo com Andreia, a amamentação exclusiva até os seis meses pode funcionar como um método natural chamado amenorreia lactacional, que oferece eficácia de aproximadamente 80%.

    No entanto, não é um método totalmente seguro e deve sempre ser associado a outro método contraceptivo. A especialista ainda aponta que basta a introdução de fórmula, sucos ou até mesmo a redução na frequência das mamadas para a proteção cair significativamente.

    Quais métodos contraceptivos podem ser usados durante a amamentação?

    Segundo Andreia, durante a amamentação não se pode usar métodos que contenham estrogênio, pois o hormônio pode passar para o leite e prejudicar o bebê.

    As opções mais indicadas nesse período são:

    Métodos de barreira

    Os métodos de barreira funcionam criando uma proteção física que impede a entrada dos espermatozoides no útero. Eles não contêm hormônios, podem ser usados por qualquer mulher e são opções seguras durante a amamentação. Os mais indicados são:

    • Preservativo masculino e feminino;
    • Diafragma;
    • Esponja contraceptiva;
    • DIU de cobre.

    Métodos hormonais à base de progesterona

    Os métodos hormonais à base de progesterona utilizam versões sintéticas do hormônio para inibir a ovulação ou alterar o muco cervical, dificultando a chegada dos espermatozoides ao óvulo.

    Eles são considerados muito eficazes, podem ser de curta ou longa duração e são seguros para mulheres que estão amamentando, já que não contêm estrogênio. Os principais incluem:

    • DIU medicado (levonorgestrel, como o Mirena);
    • Implante subdérmico (etonogestrel);
    • Pílula contínua de desogestrel;
    • Injetáveis trimestrais de medroxiprogesterona.

    O DIU pode ser colocado logo após o parto?

    O DIU pode até ser colocado logo após o parto, mas Andreia aponta que não é o momento ideal, pois o útero ainda está voltando ao tamanho normal e há maior risco de expulsão.

    A recomendação é aguardar o resguardo de 42 dias e garantir que o útero já esteja próximo ao tamanho normal, oferecendo mais segurança e eficácia para o método contraceptivo.

    Métodos contraceptivos disponíveis no SUS após o parto

    O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos métodos contraceptivos gratuitos para o pós-parto, incluindo:

    • Preservativos masculinos e femininos;
    • DIU de cobre e hormonal;
    • Injetável mensal ou trimestral;
    • Anticoncepcionais orais (variações com progesterona).

    Também existem métodos definitivos, como a laqueadura. A escolha deve ser feita junto ao médico, levando em conta a saúde da mulher, a amamentação e as características de cada método.

    Veja também: Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil

    Quais cuidados devo ter ao reiniciar a vida sexual após o parto?

    Depois do parto, o corpo precisa de tempo para se recuperar, então é fundamental ter alguns cuidados para evitar riscos, como:

    • Respeitar os 42 dias de quarentena: tempo necessário para a cicatrização do útero e recuperação geral do corpo;
    • Usar preservativo desde a primeira relação: até que o método contraceptivo definitivo seja escolhido, a camisinha garante proteção contra gravidez e infecções;
    • Fazer consulta de revisão com o ginecologista: avaliação fundamental antes da liberação das relações e para discutir a contracepção ideal;
    • Observar sinais de alerta: dor intensa, sangramento fora do esperado ou secreção com odor devem ser investigados;
    • Não confiar apenas na amamentação: mesmo exclusiva, a amamentação não é 100% eficaz como contraceptivo.

    Confira: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes sobre contraceptivo após o parto

    1. O que é o puerpério?

    O puerpério é o período que vai do nascimento do bebê até, em média, 42 dias após o parto. Nesse tempo, o útero e os demais órgãos reprodutivos voltam ao estado normal, e o corpo da mulher passa por ajustes hormonais e físicos importantes.

    É justamente nessa fase que deve ser escolhida a estratégia de contracepção, pois uma gestação muito próxima pode aumentar riscos para a mãe e para o bebê.

    2. Quando posso voltar a ter relações sexuais depois do parto?

    A recomendação médica é esperar seis semanas (42 dias) após o parto, seja normal ou cesárea. O período, chamado de quarentena, resguardo ou puerpério, serve para que o útero e os órgãos reprodutivos voltem ao estado normal — reduzindo riscos de sangramento, dor e infecções. Antes desse tempo, as relações não são indicadas.

    3. Posso engravidar logo após o parto, mesmo sem menstruar?

    Sim, a ovulação pode voltar antes da primeira menstruação do pós-parto, e isso aumenta o risco de uma gravidez inesperada. Por isso, é importante escolher e iniciar um método contraceptivo assim que possível, principalmente após o período de resguardo.

    4. O DIU de cobre afeta a amamentação?

    Não. O DIU de cobre não libera hormônios, portanto não afeta o leite materno nem a saúde do bebê. É um dos métodos mais recomendados para mulheres que estão amamentando.

    5. É necessário usar anticoncepcional se estou no resguardo e sem relações?

    Se não houver atividade sexual durante o período de resguardo, não há risco de gravidez. No entanto, é importante lembrar que o corpo pode voltar a ovular antes mesmo da primeira menstruação pós-parto.

    Por isso, os médicos recomendam que a mulher já defina um método contraceptivo nessa fase, mesmo que ainda não tenha retomado as relações. Assim, quando a vida sexual voltar ao normal, não haverá intervalos sem proteção e o risco de uma gestação não planejada será reduzido.

    6. Quem fez laqueadura no parto precisa usar contraceptivo?

    A laqueadura feita no parto é um método definitivo e impede a gravidez de forma permanente. Porém, ela não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), por isso o uso de preservativo ainda pode ser importante em relações sem parceiro fixo ou com risco de exposição a ISTs.

    Leia mais: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

    Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

    O diabetes gestacional é uma alteração que acontece durante a gravidez, quando o corpo da mulher não consegue produzir insulina suficiente para controlar os níveis de açúcar no sangue. Ele normalmente aparece no segundo ou terceiro trimestre e, apesar do diagnóstico assustar, a endocrinologista Denise Orlandi aponta que ele é um sinal de alerta para cuidar da saúde da mãe e do bebê e, claro, fazer o tratamento de diabetes gestacional.

    “Após o diagnóstico, a gestante passa a ter um acompanhamento mais próximo com a equipe médica (obstetra e endocrinologista), além de orientações com nutricionista e até educador físico”, aponta a especialista. Isso inclui monitorar os níveis de glicose no sangue, fazer ajustes na alimentação e adotar um estilo de vida mais saudável.

    Com isso, é possível manter a glicemia sob controle e ter uma gestação saudável. Na maioria dos casos, a condição desaparece após o parto, mas exige cuidados durante toda a gravidez para proteger tanto a mãe quanto o bebê. Entenda mais, a seguir.

    O que é o diabetes gestacional e por que precisa de tratamento?

    O diabetes gestacional é definido como uma condição temporária em que a gestante, que não tinha diabetes antes, desenvolve níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue durante a gravidez.

    Ela acontece porque os hormônios produzidos pela placenta podem bloquear a ação da insulina, o hormônio que ajuda a glicose a entrar nas células para ser usada como energia. O corpo tenta compensar produzindo mais insulina, mas, se não consegue, o açúcar se acumula no sangue.

    Se não for tratado, a condição pode causar complicações sérias, como:

    • Para o bebê: macrossomia (bebê grande demais), hipoglicemia neonatal, desconforto respiratório e maior risco de obesidade e diabetes no futuro;
    • Para a mãe: risco de pré-eclâmpsia, cesárea, desenvolvimento de diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares a longo prazo.

    O diabetes gestacional pode surgir em qualquer mulher grávida, mas é mais comum em quem já tem fatores de risco como: sobrepeso, obesidade, histórico familiar de diabetes, idade materna acima de 30 anos ou gestações anteriores com complicações.

    Como é feito o tratamento de diabetes gestacional?

    O tratamento para o diabetes gestacional se baseia em quatro abordagens: mudanças no estilo de vida, que incluem alimentação equilibrada, a prática de exercícios, o monitoramento da glicemia e, quando necessário, o uso de medicamentos. O objetivo é manter a glicemia dentro dos níveis considerados seguros, reduzindo complicações para a mãe e o bebê.

    Alimentação saudável

    Manter uma alimentação equilibrada é o primeiro passo no tratamento do diabetes gestacional. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Sociedade Brasileira de Diabetes, a rotina alimentar deve ser individualizada, respeitando o peso da gestante, o trimestre da gestação e suas necessidades calóricas.

    Por isso, não é necessário realizar uma dieta restritiva, mas priorizar o consumo de alimentos in natura e ricos em fibras, como:

    • Frutas frescas: banana, laranja, pera, maçã, kiwi, morango;
    • Carnes magras: peixes, frango, ovo;
    • Vegetais: alface, tomate, rúcula, brócolis, abobrinha;
    • Leguminosas: feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha;
    • Laticínios: leite semi ou desnatado, iogurte natural, queijo branco;
    • Oleaginosas: castanha de caju, amendoim, avelãs, nozes e amêndoas;
    • Cereais integrais: arroz integral, pão integral, quinoa, aveia.

    Também é importante reduzir ao máximo o consumo de açúcares, doces, refrigerantes e alimentos ultraprocessados, já que eles provocam picos rápidos de glicose no sangue, favorecem o ganho de peso excessivo e não oferecem nutrientes de qualidade para a mãe nem para o bebê.

    “Uma nutricionista pode ajudar a montar um plano alimentar equilibrado, com foco em alimentos que mantenham a glicose estável. Pequenas mudanças já fazem uma grande diferença — como reduzir o açúcar simples, preferir alimentos integrais e fracionar melhor as refeições ao longo do dia”, esclarece Denise.

    Atividades físicas

    O movimento ajuda o corpo a usar a glicose como fonte de energia, reduzindo os níveis de açúcar no sangue e aumentando a sensibilidade à insulina. Além disso, praticar atividades físicas contribui para reduzir o estresse, melhorar a circulação e manter um ganho de peso saudável durante a gestação.

    Entre as atividades mais indicadas para gestantes com diabetes gestacional, é possível destacar:

    • Caminhadas leves;
    • Hidroginástica;
    • Bicicleta ergométrica;
    • Yoga ou pilates adaptado para gestantes;
    • Alongamentos.

    A indicação é realizar as atividades entre 20 a 30 minutos por dia, pelo menos 5 vezes por semana. Também deve-se evitar exercícios de alto impacto, atividades que exigem muito equilíbrio ou posição deitada de barriga para cima.

    A prática deve ser acompanhada por profissionais de saúde e interrompida se houver sinais de alerta, como sangramento vaginal, dor abdominal ou tontura.

    Monitoramento da glicemia

    Acompanhar os níveis de glicose no sangue pode ser feito em casa com o uso de aparelhos portáteis, como os glicosímetros. É recomendado que a gestante meça a glicemia em jejum e após as principais refeições, o que ajuda a identificar como o corpo reage à alimentação e se o tratamento está funcionando.

    Os valores de referência para o acompanhamento do diabetes gestacional são, em geral:

    • Glicemia de jejum abaixo de 95 mg/dL;
    • 1 hora após a refeição: abaixo de 140 mg/dL;
    • 2 horas após a refeição: abaixo de 120 mg/dL.

    Uso de medicamentos

    Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a glicemia, pode ser necessário recorrer a medicamentos, que são indicados pelo médico de forma individualizada.

    O mais utilizado é a insulina, aplicada por meio de injeções. As doses são calculadas conforme o peso da gestante, e as aplicações normalmente são feitas 2 a 3 vezes ao dia, antes das refeições e à noite.

    “O uso de insulina é seguro na gestação e não traz riscos para o bebê — pelo contrário, ela ajuda a garantir que o desenvolvimento dele ocorra da melhor forma possível”, explica Denise.

    Em algumas situações específicas, como dificuldade de acesso ou recusa ao uso de insulina, o médico pode avaliar o uso de metformina. Ele é administrado por via oral e tem como vantagem o fato de não causar ganho de peso significativo. No entanto, como atravessa a placenta, os efeitos a longo prazo sobre a criança ainda estão sendo estudados.

    Por isso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a metformina não deve ser a primeira escolha quando há disponibilidade de insulina.

    Leia também: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Cuidados após o parto

    Após o nascimento, na maioria dos casos, os níveis de glicose da mulher voltam ao normal. Porém, ela apresenta risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, o que torna importante alguns cuidados:

    • Reavaliação da glicemia: semanas após o parto, é importante realizar exames para verificar se os níveis de glicose voltaram ao normal;
    • Prevenção do diabetes tipo 2: mulheres que tiveram diabetes gestacional têm maior risco de desenvolver diabetes no futuro. Por isso, manter hábitos saudáveis de alimentação e atividade física continua sendo importante;
    • Atenção ao bebê: crianças de mães com diabetes gestacional podem nascer com peso maior que o esperado ou apresentar hipoglicemia nos primeiros dias de vida. Por isso, é recomendado manter o acompanhamento pediátrico;
    • Amamentação: além de todos os benefícios já conhecidos para o bebê, o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses ajuda a mãe a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e contribui para a perda de peso após a gestação;
    • Sono e descanso: sempre que possível, aproveitar os momentos de sono do bebê para descansar ajuda na regulação hormonal, na cicatrização do corpo e também no equilíbrio emocional da mãe.

    O pós-parto também é um momento de adaptação emocional e física para a nova mamãe, então ter apoio familiar e acompanhamento médico contínuo ajuda a mulher a atravessar a fase com mais tranquilidade.

    “Manter hábitos saudáveis após a gestação pode ser uma grande oportunidade de cuidar da saúde para a vida toda”, finaliza Denise.

    Perguntas frequentes sobre tratamento de diabetes gestacional

    1. Quais são os sintomas do diabetes gestacional?

    Na maioria das vezes, o diabetes gestacional não causa sintomas visíveis, o que torna os exames de pré-natal tão necessários. Algumas mulheres podem sentir mais sede, urinar com frequência ou apresentar cansaço excessivo, mas são sinais comuns na gravidez e nem sempre estão ligados ao diabetes. Por isso, apenas os exames de sangue podem confirmar o diagnóstico.

    2. Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente acontece entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). No exame, a gestante bebe uma solução açucarada e faz coletas de sangue em diferentes momentos para verificar como o corpo reage à glicose.

    Se os valores estiverem acima do recomendado, o médico confirma o diabetes gestacional. Em alguns casos, a glicemia de jejum já pode indicar a condição.

    3. O bebê pode nascer com diabetes?

    Não, o bebê não nasce com diabetes por causa do diabetes gestacional da mãe. O que pode acontecer é o bebê apresentar hipoglicemia (níveis de açúcar baixos no sangue) logo após o parto, já que durante a gestação ele produziu mais insulina em resposta à glicemia elevada da mãe.

    Mas com acompanhamento adequado, a alteração é temporária e costuma ser corrigida sem maiores complicações.

    4. O diabetes gestacional desaparece depois do parto?

    Na maioria das vezes, sim. Após o nascimento do bebê, os hormônios da gestação diminuem e os níveis de glicose tendem a voltar ao normal.

    No entanto, é fundamental fazer exames algumas semanas depois do parto para confirmar. Mesmo que a glicemia normalize, ainda há um risco maior de diabetes tipo 2 no futuro.

    5. É possível evitar o diabetes gestacional?

    Não existe uma forma totalmente capaz de evitar o diabetes gestacional, já que ele está ligado também a fatores hormonais da gestação, mas adotar hábitos saudáveis antes e durante a gravidez reduz muito o risco, como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras;
    • Evitar o consumo excessivo de açúcares, doces, refrigerantes e ultraprocessados;
    • Praticar atividade física regular antes e durante a gravidez, com exercícios leves e seguros;
    • Manter o peso adequado antes da gestação e controlar o ganho de peso durante os meses de gravidez;
    • Realizar o pré-natal corretamente, seguindo todas as orientações médicas e nutricionais;
    • Dormir bem e controlar o estresse, já que o excesso pode afetar o metabolismo;
    • Evitar o sedentarismo, procurando se movimentar ao longo do dia, mesmo que em pequenas caminhadas.

    6. O que causa diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional é causado por uma combinação de fatores hormonais e predisposição individual. Durante a gravidez, a placenta produz hormônios que reduzem a ação da insulina no corpo, o que é chamado de resistência insulínica. Isso é natural e serve para garantir energia suficiente para o bebê em crescimento.

    Porém, em algumas mulheres, o pâncreas não consegue produzir insulina extra suficiente para compensar essa resistência — e, como consequência, os níveis de glicose no sangue aumentam.

    Além disso, fatores como excesso de peso, idade materna acima de 30 anos, histórico familiar de diabetes, síndrome dos ovários policísticos e gestações anteriores com complicações podem aumentar o risco de desenvolver a condição.

    Leia também: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

  • Ecocardiograma na gestação: por que é essencial para cuidar do coração da mãe e do bebê 

    Ecocardiograma na gestação: por que é essencial para cuidar do coração da mãe e do bebê 

    A gravidez é um momento de intensas transformações no corpo da mulher e de grande expectativa para a chegada do bebê. Nesse período, cada exame de pré-natal é essencial para garantir que a gestação siga saudável. Entre eles, o ecocardiograma na gestação ganhou destaque, pois permite avaliar tanto o coração da mãe quanto o do bebê em formação.

    Indolor, seguro e feito por ultrassom, o exame ajuda a identificar alterações cardíacas precocemente, contribuindo para a prevenção de complicações e a escolha do tratamento mais adequado quando necessário.

    O que é o ecocardiograma?

    O ecocardiograma é um exame de imagem que utiliza ondas de ultrassom para mostrar o coração em tempo real. Ele não usa radiação, é indolor e totalmente seguro durante a gestação.

    Com ele, é possível avaliar o tamanho do coração, o movimento das válvulas, a força de bombeamento e o fluxo de sangue. Na gravidez, os principais tipos são:

    • Ecocardiograma transtorácico: feito colocando o aparelho sobre o peito da mãe, avaliando seu coração.
    • Ecocardiograma fetal: semelhante ao ultrassom de rotina, em que um gel é aplicado no abdome da gestante e o transdutor gera imagens detalhadas do coração do bebê.

    Leia também: Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Por que o ecocardiograma na gestação é importante?

    Para a mãe

    Durante a gestação, o coração da mulher trabalha mais, já que precisa bombear sangue para ela e para o bebê. O exame pode ser indicado em casos de:

    • Doença cardíaca já conhecida;
    • Sintomas como falta de ar, palpitações ou inchaço excessivo;
    • Histórico de pressão alta ou sopros no coração.

    O exame avalia válvulas, força do músculo cardíaco e circulação sanguínea, permitindo detectar alterações precocemente e orientar o tratamento adequado.

    Para o bebê

    O coração do bebê começa a se formar muito cedo e passa por várias etapas até estar completo. O ecocardiograma fetal ajuda a identificar malformações antes do nascimento, sendo recomendado especialmente em situações como:

    • Alterações suspeitas nos ultrassons de rotina;
    • Histórico familiar de cardiopatias congênitas;
    • Gestantes com diabetes, pressão alta, lúpus ou uso de certos medicamentos;
    • Gravidez de risco ou idade materna avançada;
    • Infecções virais durante a gestação, como rubéola.

    O exame pode ser feito a partir da 18ª semana, mas as melhores imagens costumam ser obtidas entre a 24ª e a 28ª semana.

    Como é feito o ecocardiograma na gestação?

    O procedimento é simples e semelhante ao ultrassom do pré-natal. A mãe permanece deitada, um gel é aplicado no abdome e o transdutor capta imagens em tempo real do coração do bebê.

    Não há necessidade de jejum e não existem riscos para a mãe ou o bebê.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Prevenção e cuidados gerais

    O ecocardiograma é uma parte do pré-natal que pode fazer diferença quando solicitado no momento certo. Algumas orientações incluem:

    • Manter o pré-natal em dia;
    • Relatar sintomas novos, como dor no peito, palpitações ou falta de ar;
    • Realizar todos os exames solicitados;
    • Seguir o tratamento indicado pelo médico para proteger mãe e bebê.

    Perguntas frequentes sobre ecocardiograma na gestação

    1. O ecocardiograma é seguro durante a gravidez?

    Sim. O exame é feito com ultrassom, não utiliza radiação e não traz riscos para a mãe nem para o bebê.

    2. Qual a diferença entre ecocardiograma fetal e transtorácico?

    O transtorácico avalia o coração da mãe, enquanto o fetal analisa o coração do bebê em formação.

    3. Quando o ecocardiograma fetal deve ser feito?

    Pode ser realizado a partir da 18ª semana, mas a janela ideal é entre a 24ª e a 28ª semana, quando as imagens são mais nítidas.

    4. Toda gestante precisa fazer ecocardiograma?

    Não necessariamente. Ele pode ser indicado para todas, mas é especialmente importante em casos de risco, como doenças cardíacas maternas ou suspeita de malformação no bebê.

    5. Preciso de algum preparo para o exame?

    Não. O ecocardiograma não exige jejum nem cuidados prévios.

    Leia também: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

  • Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças importantes, incluindo na forma como utiliza a glicose. Para ajudar no crescimento do bebê, a placenta libera hormônios que podem reduzir a ação da insulina, que é o hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue.

    Como consequência, o pâncreas precisa produzir quantidades maiores de insulina para compensar essa resistência. Contudo, quando ele não consegue dar conta da demanda, a glicose começa a se acumular no sangue, resultando no diabetes gestacional, uma condição que exige atenção devido aos riscos que pode causar ao bebê e à mãe.

    “Ele acontece porque o corpo da mulher passa por muitas mudanças hormonais — além do ganho de peso e da tendência genética que elas podem ter para o diabetes. A gravidez é um momento de maior resistência à insulina para a mulher, o que dificulta o controle do açúcar no sangue”, explica a endocrinologista Denise Orlandi.

    Esclarecemos, a seguir, as principais dúvidas sobre o diabetes gestacional, desde os sintomas, tratamento e como prevenir. Confira!

    Afinal, o que é diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento nos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez.

    Normalmente, ela é diagnosticada a partir do segundo trimestre, que é quando os os hormônios produzidos pela placenta aumentam a resistência à insulina. É uma adaptação natural para garantir que o bebê receba glicose o suficiente para se desenvolver, no entanto, em algumas pessoas, o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidade adequada, resultando no diabetes.

    A condição geralmente desaparece após o parto, mas representa um alerta importante para a saúde da mãe e do filho, já que ambos ficam mais propensos a desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    Causas da diabetes gestacional

    A causa principal do diabetes gestacional está associada à resistência insulínica provocada pelos hormônios da gravidez, mas alguns outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da condição, como:

    • Mudanças hormonais da gravidez, uma vez que a placenta produz hormônios que dificultam a ação da insulina;
    • Predisposição genética, de modo que mulheres com histórico familiar de diabetes têm mais chance de desenvolver a condição;
    • Excesso de peso;
    • Condições de saúde pré-existentes, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e resistência à insulina

    Fatores de risco da diabetes gestacional

    De acordo com a endocrinologista Denise Orlandi, alguns dos fatores de risco que aumentam a chance de ter diabetes gestacional incluem:

    • Idade materna acima de 25 anos;
    • Sobrepeso ou obesidade antes da gestação;
    • Histórico familiar de diabetes (pai, mãe ou irmãos);
    • Ter tido diabetes gestacional em gravidez anterior.
    • Já ter tido um bebê com mais de 4 kg ao nascer;
    • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP);
    • Histórico de parto prematuro, abortos ou complicações sem causa aparente.

    Quais os sintomas de diabetes gestacional?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional não manifesta sintomas evidentes, então muitas mulheres só descobrem a condição em exames de rotina do pré-natal. Quando os sintomas aparecem, podem incluir:

    • Sede excessiva.
    • Aumento da frequência urinária.
    • Cansaço.
    • Visão embaçada.

    Uma vez que os sintomas podem ser confundidos com sinais comuns da gravidez, é fundamental manter um acompanhamento pré-natal adequado, para identificar a condição precocemente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O rastreamento do diabetes gestacional faz parte do pré-natal e costuma ser realizado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação. Os exames mais utilizados no diagnóstico incluem:

    Curva glicêmica: é capaz de medir a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão. Nele, a gestante ingere uma solução açucarada e é feita uma nova coleta de sangue (normalmente após 1 ou duas horas) após a ingestão.

    Glicemia de jejum: é um exame de sangue feito após jejum de 8 horas. Ele mostra a quantidade de glicose circulando no sangue em repouso, sendo o primeiro passo para identificar alterações no metabolismo da gestante.

    Diabetes gestacional: valores de referência

    Os exames feitos no pré-natal têm limites específicos para indicar se a gestante apresenta ou não diabetes gestacional. Eles variam de acordo com o tipo de teste realizado.

    No teste de curva glicêmica, os valores de referência são:

    • Jejum: resultado deve ser menor que 92 mg/dL;
    • Após 1 hora da ingestão: deve estar abaixo de 180 mg/dL;
    • Após 2 horas: precisa estar inferior a 153 mg/dL.

    Se em qualquer momento os valores forem iguais ou superiores a 200 mg/dL, o quadro de diabetes gestacional já é confirmado.

    Já na glicemia de jejum isolada, os valores de referência são:

    • Entre 92 mg/dL e 100 mg/dL: resultado alterado, mas próximo ao limite, e exige repetição do exame;
    • Acima de 100 mg/dL: é fortemente sugestivo de diabetes, devendo também ser reavaliado em nova coleta.

    Tratamento de diabetes gestacional

    O tratamento do diabetes gestacional tem como principal objetivo manter a glicose dentro de níveis adequados, e envolve especialmente mudanças no estilo de vida:

    Dieta para diabetes gestacional

    Seguir uma dieta para diabetes gestacional adequada é uma das principais maneiras de controlar os níveis de glicose no sangue. O ideal é que a gestante priorize o consumo de alimentos in natura e ricos em fibras, como:

    • Frutas frescas (banana, laranja, pera, maçã, kiwi, morango);
    • Laticínios (leite semi ou desnatado, iogurte natural, queijo branco);
    • Oleaginosas (castanha de caju, amendoim, avelãs, nozes e amêndoas);
    • Leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha);
    • Carnes magras (peixes, frango, ovo);
    • Vegetais (alface, tomate, rúcula, brócolis, abobrinha);
    • Cereais integrais (arroz integral, pão integral, quinoa, aveia).

    Também é importante reduzir o consumo de açúcares, doces, refrigerantes e ultraprocessados, além de distribuir as refeições em pequenas porções ao longo do dia. Assim, é possível evitar picos de glicemia, controlar o peso e garantir energia constante para mãe e bebê.

    Exercícios físicos para diabetes gestacional

    A prática de atividade física, quando orientada pelo médico, contribui para para o bem-estar emocional, reduz o estresse e favorece o preparo do corpo para o parto.

    Caminhadas leves, hidroginástica e até mesmo aulas de yoga específicas para gestantes também podem ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina e a manter o peso sob controle.

    Remédios para diabetes gestacional

    Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos são suficientes para manter a glicemia em níveis adequados. No entanto, quando isso não acontece, o médico pode prescrever o uso de insulina para baixar o açúcar no sangue.

    Em alguns casos, pode ser indicado o uso de medicamentos via oral, como hipoglicemiantes, mas apenas um especialista pode definir a abordagem mais segura para a mãe e o bebê.

    Monitoramento da glicemia

    A gestante precisa realizar exames de sangue periódicos ou até medir a glicose em casa, com glicosímetro, conforme a orientação médica. O ideal é que o nível de açúcar no sangue seja verificado de quatro a cinco vezes por dia, de manhã em jejum e após as refeições.

    Isso permite ajustes imediatos no plano alimentar ou no tratamento sempre que necessário.

    O diabetes gestacional some depois do parto?

    Na maioria dos casos, sim. Contudo, a endocrinologista Denise Orlandi aponta que o risco não acabou.

    “A mulher deve continuar monitorando seus níveis de açúcar com exames periódicos, pois existe uma chance maior de desenvolver diabetes tipo 2 mais adiante”, explica.

    Riscos da diabetes gestacional

    Se não diagnosticada e tratada adequadamente, o diabetes gestacional pode causar complicações para a mãe e o bebê.

    Entre os riscos para o bebê, Denise ressalta:

    • Macrossomia (bebê muito grande);
    • Maior risco de parto cesárea ou traumatismos no parto;
    • Hipoglicemia logo após o nascimento;
    • Prematuridade;
    • Maior risco de obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta.

    Já para a mãe, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de:

    • Maior risco de pré-eclâmpsia (pressão alta grave);
    • Infecções urinárias e candidíase recorrente;
    • Necessidade de parto cesárea;
    • Maior chance de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

    “Por isso, é importante manter o acompanhamento médico mesmo depois da gestação”, complementa Denise.

    Leia também: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Como evitar a diabetes gestacional?

    Nem sempre é possível prevenir, mas algumas atitudes no dia a dia contribuem para diminuir o risco, como:

    • Manter peso saudável antes da gestação;
    • Praticar atividade física regular;
    • Seguir uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e proteínas magras;
    • Evitar ganho de peso excessivo durante a gravidez;
    • Fazer acompanhamento médico regular e seguir todas as orientações do pré-natal.

    “Mulheres que tiveram diabetes gestacional têm um risco até 50% maior de desenvolver diabetes tipo 2 nos anos seguintes, especialmente se não adotarem hábitos saudáveis. Por isso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e ter acompanhamento médico regular são atitudes importantes para prevenir o problema”, finaliza Denise.

    Leia também: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes sobre diabetes gestacional

    1. O diabetes gestacional pode acontecer em qualquer gravidez?

    Sim, qualquer gestante pode apresentar diabetes gestacional. Isso acontece porque, mesmo mulheres jovens, sem histórico familiar e com peso adequado, estão suscetíveis às alterações hormonais típicas da gestação que aumentam a resistência à insulina.

    Por isso, todas as grávidas devem passar pelos exames de rastreamento entre a 24ª e a 28ª semana, mesmo que não tenham risco aparente.

    2. Existe diferença entre diabetes gestacional e diabetes tipo 2?

    Apesar de ambos envolverem resistência à insulina e níveis elevados de açúcar no sangue, eles não são a mesma doença. O diabetes gestacional aparece apenas durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto.

    Já o diabetes tipo 2 é uma condição crônica, permanente, que exige tratamento contínuo. No entanto, ter diabetes gestacional aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    3. O diabetes gestacional pode causar parto prematuro?

    Sim, pode. O excesso de glicose no sangue pode levar a complicações como polidrâmnio (aumento do líquido amniótico), que favorece a ruptura precoce da bolsa e, consequentemente, o parto prematuro.

    Além disso, a necessidade de antecipar o parto pode ser indicada pelo médico em casos de macrossomia ou de risco para a saúde materna.

    4. Mulheres magras também podem ter diabetes gestacional?

    Sim! A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco de desenvolver diabetes gestacional, mas gestantes magras também estão suscetíveis, já que a condição não depende apenas do peso corporal, mas também de fatores hormonais e genéticos.

    Por isso, mesmo quem tem IMC considerado normal deve realizar os exames de rastreamento no pré-natal.

    5. Quem já teve diabetes gestacional pode ter novamente em outra gravidez?

    Sim. Mulheres que já tiveram diabetes gestacional em uma gravidez anterior têm mais chance de desenvolver o problema em outras gestações e também de apresentar diabetes tipo 2 no futuro.

    Nesse sentido, é importante manter hábitos saudáveis, priorizando uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o controle do peso.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar 

    7 cuidados que você deve ter antes de engravidar 

    Se você está pensando em aumentar a família, já deve saber que a decisão de engravidar envolve bastante organização e planejamento familiar, que são importantes para que a gestação aconteça de maneira mais tranquila e segura. Mas afinal, por onde começar?

    A ginecologista e obstetra Ana Paula Beck aponta alguns dos principais cuidados antes de engravidar — incluindo para mulheres com condições de saúde preexistentes, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e endometriose.

    Quais os principais cuidados antes de engravidar?

    A organização antes da gravidez contribui para que tanto o bebê quanto a mãe tenham mais conforto e segurança no processo, sendo possível reduzir o risco de condições como diabetes, pressão alta ou anemia — além de garantir melhores condições ao bebê e até aumentar as chances de engravidar.

    “O controle rigoroso dessas condições antes da gestação reduz significativamente o risco de complicações maternas e fetais, incluindo pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, malformações congênitas e óbito fetal”, explica Ana Paula.

    Os cuidados antes de engravidar vão além de suspender métodos contraceptivos: consultas médicas, hábitos saudáveis e acompanhamento psicológico são apenas algumas das medidas importantes para se preparar para a chegada do próximo membro da família. Confira, a seguir.

    Marque uma consulta com o seu ginecologista

    O primeiro passo antes de engravidar é marcar uma consulta com o ginecologista. Nela, o médico avalia sua saúde, o histórico da família e orienta sobre os cuidados necessários.

    Durante a consulta, podem ser discutidos:

    • Histórico de gestações anteriores;
    • Doenças crônicas (como pressão alta e diabetes);
    • Uso de medicamentos contínuos;
    • Condições ginecológicas como endometriose ou ovário policístico;
    • Saúde mental e bem-estar emocional.

    A conversa é o momento ideal para tirar dúvidas, falar sobre expectativas e entender quais mudanças podem ser necessárias antes da concepção.

    Realize exames recomendados antes da gravidez

    Além de conversar sobre o histórico de saúde e fazer um exame físico, Ana Paula explica que é recomendado realizar alguns exames laboratoriais, como:

    • Hemograma completo, que identifica anemia e possíveis alterações no sangue;
    • Sorologias para infecções, como HIV, hepatite B e C, sífilis, rubéola e varicela;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh, importante para prevenir complicações como a doença hemolítica do recém-nascido;
    • Glicemia de jejum, que avalia risco de diabetes;
    • Função tireoidiana (TSH), detecta alterações que podem afetar a fertilidade e a gestação;
    • Rastreamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;
    • Avaliação do histórico ginecológico e obstétrico, investiga ciclos menstruais, uso de contraceptivos, gestações anteriores e possíveis dificuldades;
    • Triagem para doenças genéticas, conforme histórico familiar ou origem étnica;
    • Rastreamento de ISTs, fundamental para prevenir transmissão ao bebê;
    • Revisão dos medicamentos em uso, pois alguns remédios precisam ser trocados antes da gravidez;
    • Suplementação nutricional, como ácido fólico, ferro e vitaminas, quando indicado pelo médico.

    Mantenha uma alimentação equilibrada

    Uma alimentação saudável é um dos principais cuidados antes de engravidar, pois ajuda a preparar o corpo para as mudanças intensas do período. Ela impacta diretamente na qualidade dos óvulos, no equilíbrio hormonal e, futuramente, no desenvolvimento do bebê.

    Nesse sentido, é recomendado investir em alimentos ricos em nutrientes, de preferência in natura, como:

    • Frutas e vegetais frescos: como laranja, morango, brócolis, cenoura e espinafre, que fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes que fortalecem o sistema imunológico e ajudam a prevenir deficiências nutricionais;
    • Proteínas magras: frango sem pele, peixe, ovos e leguminosas como feijão e lentilha são fundamentais para a formação dos tecidos e músculos;
    • Laticínios ricos em cálcio: leite, iogurte natural e queijos magros ajudam na saúde óssea da mãe e do bebê;
    • Cereais integrais e fibras: arroz integral, aveia e pão integral contribuem para o funcionamento do intestino e na saciedade;
    • Fontes de ferro: carne vermelha magra, feijão-preto e lentilha reduzem o risco de anemia, muito comum na gestação;
    • Ômega-3: encontrado em peixes como salmão e sardinha, importante para o desenvolvimento cerebral do bebê.

    Também como parte dos cuidados antes de engravidar deve-se evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, refrigerantes e fast-food — além de queijos e laticínios não pasteurizados e cafeína em excesso, que podem prejudicar a gestação.

    O controle de peso também é um fator necessário, segundo Ana Paula, pois tanto o baixo quanto o alto IMC estão associados a complicações gestacionais, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

    Faça suplementação de ácido fólico

    O ácido fólico é a vitamina mais importante no período pré-concepcional, e age diretamente na formação do tubo neural do bebê, estrutura que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. É importante que isso faça parte dos cuidados antes de engravidar.

    “A suplementação de ácido fólico (400–800 μg/dia) é fortemente recomendada para todas as mulheres em idade reprodutiva, iniciando pelo menos 1 mês antes da concepção, para reduzir o risco de defeitos do tubo neural”, esclarece a ginecologista Ana Paula.

    A especialista ainda complementa que o uso da forma ativa de ácido fólico (L-metilfolato) só é indicado em casos raros de deficiência genética na metabolização do folato. Para a maioria das mulheres, o ácido fólico convencional é suficiente.

    Atualize as vacinas

    A vacinação é faz parte dos cuidados antes de engravidar e é uma forma de proteção tanto para o bebê quanto para a mãe, pois evita complicações que poderiam comprometer o desenvolvimento da gravidez. Ana Paula aponta a necessidade de revisar e atualizar as vacinas, especialmente contra:

    • Rubéola e varicela: precisam ser aplicadas até pelo menos 1 mês antes da gestação. Caso a gestante contraia essas doenças grávida, o bebê pode sofrer malformações;
    • Hepatite B: previne infecção crônica no fígado e transmissão para o bebê no parto;
    • Tétano, difteria e coqueluche (Tdap): protege contra doenças graves que podem ser transmitidas ao recém-nascido;
    • Influenza (gripe): reduz complicações respiratórias, muito perigosas durante a gravidez.

    Em áreas com risco de Zika vírus, é fundamental ter orientação médica específica, como o uso de repelentes de inseto. Algumas vacinas, como as de vírus vivos (sarampo, caxumba, rubéola), também não devem ser aplicadas durante a gravidez, por isso precisam ser feitas antes da concepção.

    Adote um estilo de vida saudável

    Um estilo de vida saudável pode ajudar a prevenir problemas futuros. Além dos defeitos do tubo neural, hábitos saudáveis reduzem o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer:

    • Sono regular: dormir entre 7 e 9 horas ajuda na regulação hormonal;
    • Controle do estresse: técnicas como meditação, yoga e até hobbies relaxantes contribuem para o equilíbrio emocional;
    • Atividade física: exercícios moderados e orientados por um especialista, como caminhada, pilates e natação, melhoram a circulação e o bem-estar;
    • Abandono de vícios: fumar, beber álcool ou usar drogas aumenta risco de abortos espontâneos, parto prematuro e baixo peso do bebê.

    Revise o uso de medicamentos

    Revisar os remédios que usa faz parte dos cuidados antes de engravidar. Diversos medicamentos comuns podem ser prejudiciais durante a gestação, então é preciso revisar todos os remédios usados, sejam eles de prescrição, fitoterápicos ou até suplementos:

    • Analgésicos como o ibuprofeno não são recomendados;
    • Alguns antidepressivos precisam ser ajustados;
    • Fitoterápicos aparentemente inofensivos podem causar contrações uterinas. Sempre avise o médico na consulta pré-gestacional.

    Nunca interrompa um tratamento sem orientação médica. O ideal é conversar com o ginecologista ou clínico responsável para avaliar os riscos e, se necessário, substituir a medicação por alternativas seguras durante a gravidez.

    Mulheres com SOP e endometriose precisam de cuidados antes de engravidar adicionais?

    Mulheres que têm síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou endometriose precisam de uma preparação ainda mais cuidadosa antes de engravidar. Essas condições não impedem a gestação, mas precisam de alguns cuidados individualizados para que o processo seja seguro.

    No caso do SOP, é preciso ter atenção ao controle de peso, glicemia, pressão e colesterol — além da suplementação com ácido fólico, em doses que podem ser ajustadas de acordo com o IMC e as necessidades individuais.

    Já na endometriose, é recomendado avaliar a reserva ovariana, identificar o grau da doença, tratar sintomas e, se necessário, recorrer a técnicas como a fertilização in vitro. Mulheres com endometriose precisam de acompanhamento obstétrico mais próximo, devido ao risco maior de complicações na gravidez.

    Confira: Janela imunológica: como prevenir alergia alimentar em bebês

    A importância de acompanhamento psicológico

    A decisão de engravidar pode vir acompanhada de sentimentos de ansiedade, insegurança e até conflitos dentro do relacionamento. Muitas mulheres, inclusive, acabam se cobrando demais ou sentindo pressão da família, o que pode gerar um peso emocional difícil de carregar sozinha.

    Nesses momentos, conversar com um psicólogo pode ajudar a organizar os pensamentos, aliviar medos e tornar a experiência mais leve. Ter ao lado uma rede de apoio, formada por familiares, amigos próximos ou até grupos de gestantes, também faz toda a diferença, e traz acolhimento e segurança para a futura mamãe.

    Vale ressaltar que a consulta médica pré-concepcional não se limita apenas à saúde física: ela também considera o bem-estar emocional e social da mulher, incluindo a identificação de situações de violência doméstica. É fundamental que a gestação seja planejada em um ambiente saudável, onde a gestante se sinta acolhida e respeitada.

    Quando parar de usar o anticoncepcional?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, não há necessidade de aguardar um período específico depois de parar o anticoncepcional para tentar engravidar.

    “A fertilidade geralmente retorna rapidamente, e não há evidências de aumento de risco de malformações ou complicações obstétricas associadas à concepção imediata após a suspensão. Pode-se considerar aguardar um ciclo menstrual espontâneo para melhor datação gestacional, mas não é obrigatório”, finaliza a especialista.

    Leia também: Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Perguntas frequentes sobre cuidados antes de engravidar

    1. Por que o ácido fólico é tão importante antes e durante a gravidez?

    O ácido fólico é uma vitamina importante para a formação do tubo neural do bebê, que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. A suplementação adequada ajuda a prevenir malformações, como a espinha bífida e a anencefalia.

    O recomendado é começar a tomar pelo menos um mês antes da concepção (idealmente três meses), garantindo que o corpo já esteja preparado no início da gestação.

    2. Preciso suspender algum medicamento antes de engravidar?

    Sim, alguns remédios podem afetar a fertilidade ou prejudicar o desenvolvimento fetal. É importante revisar todos os medicamentos em uso com o médico, que pode avaliar se é necessário suspender, ajustar a dose ou substituir por opções mais seguras.

    3. O consumo de álcool e cigarro pode atrapalhar a gravidez?

    Com certeza! O cigarro prejudica a fertilidade, aumenta o risco de aborto e pode causar complicações na placenta. Já o álcool pode levar à Síndrome Alcoólica Fetal, que afeta o crescimento e o desenvolvimento do bebê.

    O ideal é suspender ambos ainda na fase de planejamento da gravidez, para proteger a saúde da mãe e a do futuro bebê.

    4. Posso praticar exercícios físicos durante a gravidez?

    Sim, a prática regular é recomendada, desde que com orientação médica. A gestante pode optar por atividades leves a moderadas, como caminhada, alongamento e pilates, que ajudam a controlar o peso, melhorar a circulação e favorecer o bem-estar emocional.

    Contudo, atividades de alto impacto ou com risco de queda devem ser evitadas.

    5. O que é o pré-natal e quando deve começar?

    O pré-natal é o acompanhamento médico da gestante ao longo de toda a gravidez. Ele serve para monitorar a saúde da mãe, o desenvolvimento do bebê e identificar precocemente qualquer risco ou complicação.

    O acompanhamento deve começar logo após a confirmação da gestação — de preferência ainda no primeiro trimestre, e seguir com consultas periódicas até o parto.

    6. Quais sinais indicam que posso estar grávida?

    O sintoma mais comum de gravidez é o atraso menstrual, mas não é o único. Muitas mulheres percebem também enjoos matinais, sensibilidade ou dor nos seios, cansaço, sono excessivo, aumento da vontade de urinar e até alterações no humor.

    Como eles podem variar bastante, a única forma de ter certeza é fazendo um teste de gravidez e confirmando com exames de sangue ou ultrassom solicitados pelo médico.

    7. Quando é o momento certo de procurar o ginecologista antes de engravidar?

    O ideal é marcar uma consulta de planejamento reprodutivo pelo menos três meses antes de começar a tentar. Nela, o médico revisa seu histórico de saúde, pede exames de rotina, verifica vacinas, orienta sobre alimentação e suplementos, além de avaliar possíveis riscos para a mãe e o bebê.

    8. É seguro ter relações sexuais durante a gestação?

    Na maioria dos casos, sim. Se a gravidez for saudável, o sexo não prejudica o bebê, já que ele está protegido pelo útero, pelo líquido amniótico e pela placenta.

    No entanto, em situações específicas, como risco de aborto, placenta baixa ou sangramentos, o médico pode orientar restrição. O mais importante é ouvir as recomendações do profissional e respeitar o conforto da mãe.

    Leia também: Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

  • Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Nos últimos anos, o Ozempic (semaglutida) se tornou o remédio preferido de quem quer perder peso ou controlar o diabetes tipo 2. Quando o assunto é gestação, no entanto, ele deve sair completamente de cena. Se você está grávida ou pensando em engravidar e está usando semaglutida, é bom entender por que esse medicamento não é recomendado nessa fase da vida.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, que explicou de forma clara os riscos do uso de Ozempic na gravidez. E acredite: é assunto sério.

    O que é Ozempic e por que ele preocupa durante a gravidez

    Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um remédio da classe dos agonistas do GLP-1, indicado inicialmente para tratar diabetes tipo 2. Ele ajuda a controlar a glicemia (açúcar no sangue) e também leva à perda de peso. Mas, como todo remédio, ele não serve para todo mundo, principalmente no caso de gestantes.

    “O uso de Ozempic não é recomendado durante a gravidez porque não há dados suficientes em humanos para garantir sua segurança, e estudos em animais demonstraram risco de mortalidade do embrião ou feto, anomalias estruturais e restrição de crescimento fetal”, alerta a Ana Paula Beck.

    Ou seja, mesmo que ainda não haja evidências claras em humanos, os testes feitos em animais já trouxeram vários alertas, e não vale a pena arriscar.

    Quais os riscos da semaglutida para o bebê?

    Entre os problemas observados nos estudos pré-clínicos (ou seja, em animais), estão:

    • crescimento fetal reduzido;
    • malformações em órgãos internos, como o coração;
    • alterações nos ossos da cabeça, coluna e costelas;
    • maior chance de abortos espontâneos.

    “Esses efeitos foram observados em ratos, coelhos e macacos, frequentemente em doses próximas ou inferiores àquelas utilizadas clinicamente em humanos”, explica a ginecologista.

    Ou seja, Ozempic ou Wegovy, remédio com o mesmo princípio ativo, não devem ser usados na gravidez.

    E se a mulher engravidar tomando Ozempic?

    Se você engravidou e estava usando Ozempic, não precisa entrar em pânico, mas é preciso agir rápido. De acordo com a ginecologista e obstetra, é recomendável suspender imediatamente o remédio.

    “A paciente deve ser orientada sobre a ausência de dados conclusivos em humanos, mas também sobre os riscos potenciais observados em modelos animais”.

    Além disso, o acompanhamento da gestação precisa ser ainda mais cuidadoso, com controle rigoroso do açúcar no sangue. Isso porque a hiperglicemia (quando a glicose sobe demais) também pode causar malformações no bebê.

    Quanto tempo antes de engravidar é preciso parar de usar o Ozempic?

    A semaglutida tem uma “meia-vida” longa, ou seja, ela fica bastante tempo no corpo mesmo após parar o uso. Por isso, a orientação da especialista é clara: “deve-se interromper o uso pelo menos 2 meses antes de uma gestação planejada, para garantir a eliminação adequada do fármaco antes da concepção”.

    Existem alternativas seguras para grávidas com diabetes ou obesidade?

    Sim! Há tratamentos seguros e eficientes para mulheres que têm diabetes tipo 2 ou obesidade e estão grávidas (ou pretendem engravidar).

    Para diabetes, a opção mais segura continua sendo a insulina, que, segundo Ana Paula Beck, não atravessa a placenta e tem perfil de segurança bem estabelecido. Em alguns casos, a metformina também pode ser considerada, mas a insulina é a primeira escolha.

    Já para perda de peso, o ideal é conversar com o médico, já que emagrecer não deve ser o foco durante a gravidez.

    Ozempic interfere na fertilidade feminina?

    Essa é uma dúvida comum, e a resposta, segundo a especialista, é tranquilizadora.

    “Estudos em animais não demonstraram impacto significativo da semaglutida sobre a fertilidade, embora tenham sido observadas reduções no ganho de peso e consumo alimentar maternos. Não há evidências em humanos de que a semaglutida afete negativamente ou positivamente a fertilidade feminina”, diz a médica.

    E durante a amamentação: pode tomar?

    Aqui também é melhor evitar. “Não há dados sobre a excreção da semaglutida no leite materno humano, nem sobre seus efeitos em lactentes. Portanto, não se recomenda o uso de análogos do hormônio GLP-1 (Ozempic, Wegovy, etc) durante a amamentação”, alerta a ginecologista.

    Na gravidez e no pós-parto, portanto, segurança vem sempre em primeiro lugar.

    Perguntas frequentes sobre Ozempic na gravidez

    1. Grávida pode usar Ozempic para controlar o peso?

    Não. O uso de Ozempic (semaglutida) é contraindicado na gravidez por falta de estudos em humanos e riscos observados em animais.

    2. Posso continuar com Ozempic se descobrir que estou grávida?

    Não. É necessário suspender o uso imediatamente e conversar com o médico para um acompanhamento cuidadoso.

    3. Quanto tempo antes de engravidar preciso parar o Ozempic?

    Pelo menos 2 meses antes da tentativa de gravidez, segundo orientação médica.

    4. Se usei Ozempic sem saber que estava grávida, meu bebê corre riscos?

    Ainda não há dados suficientes em humanos, mas é importante intensificar o acompanhamento médico e discutir os riscos com o obstetra.

    5. Ozempic pode causar má formação no bebê?

    Estudos em animais mostraram anomalias estruturais. Em humanos, não há confirmação, mas o risco não pode ser descartado.

    6. Existe algum remédio seguro para diabetes durante a gravidez?

    Sim, a insulina é a principal alternativa, pois não atravessa a placenta. Outros remédios podem ser indicados pelo médico, caso a caso.

    7. Posso usar Ozempic enquanto amamento?

    Não é recomendado, já que não há dados sobre a passagem da substância pelo leite materno.

    8. Ozempic atrapalha a fertilidade?

    Não há evidências de que interfira na fertilidade feminina.