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  • Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Na reta final da gravidez, que acontece a partir da 28ª semana, tudo parece ganhar um ritmo diferente. E não é para menos: o bebê cresce rápido, a barriga fica mais evidente e o corpo trabalha dobrado para dar conta de tantas mudanças ao mesmo tempo.

    Nesse momento, os cuidados são ainda mais importantes para garantir a saúde e bem-estar do neném e da futura mãe.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais mudanças do terceiro trimestre de gravidez, sintomas comuns e os exames mais recomendados. Confira!

    Quando começa o terceiro trimestre de gravidez?

    O terceiro trimestre de gravidez começa na 28ª semana e marca a fase em que o corpo intensifica o preparo para o nascimento. A partir desse ponto, o útero cresce de maneira mais acelerada, o bebê ganha peso rapidamente e a gestante pode perceber mudanças mais evidentes na respiração, no sono e no nível de cansaço diário. A compressão dos órgãos internos se torna maior, o que explica os principais sintomas do trimestre.

    Ao mesmo tempo, o bebê entra em um período decisivo de desenvolvimento: pulmões, cérebro e sistema nervoso passam por etapas finais de maturação, e os movimentos se tornam mais fortes e definidos.

    Por isso, mantenha as consultas regulares, o acompanhamento do crescimento fetal e os cuidados simples, como hidratação frequente e descanso, pois eles ajudam a atravessar essa etapa com mais conforto, enquanto o corpo se prepara para o parto.

    Sintomas comuns do terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, os sintomas da gravidez tendem a ficar mais intensos porque o bebê cresce rapidamente e o útero ocupa grande parte do abdômen. Nessa fase, é comum apresentar:

    • Falta de ar em atividades leves;
    • Azia e queimação mais frequentes;
    • Cansaço aumentado;
    • Sono irregular;
    • Inchaço nas pernas e nos pés;
    • Maior vontade de urinar;
    • Dores nas costas;
    • Contrações de treinamento (Braxton Hicks);
    • Aumento do corrimento;
    • Sensação de pressão na região pélvica;
    • Movimentos fetais mais fortes e regulares.

    Vale apontar que, nessa fase, o crescimento acelerado do bebê aumenta a pressão sobre diversos órgãos e estruturas, o que pode gerar outros desconfortos frequentes.

    As veias da pelve e do reto ficam mais comprimidas, aumentando o risco de hemorroidas, especialmente se você também tem prisão de ventre. O retorno venoso das pernas também fica mais lento, favorecendo o inchaço, a sensação de peso e as varizes.

    Quando os sintomas não são normais?

    Quando algo passa do limite do esperado, o principal sinal é o incômodo intenso da gestante. Andreia ressalta que cada sintoma precisa ser avaliado individualmente, mas alguns pontos merecem atenção especial:

    • Se o inchaço nas pernas vier junto com inchaço no rosto, é preciso investigar pressão alta, já que a doença hipertensiva da gestação costuma aparecer no fim da gravidez;
    • Quando a azia impede o sono ou provoca vômitos, a medicação costuma ser necessária para aliviar o desconforto;
    • A falta de ar geralmente é leve, mas piora ao deitar de barriga para cima, porque o útero comprime a veia cava; por isso, recomenda-se dormir de lado ou com a cabeceira elevada.

    Existem ainda condições que tornam tudo mais intenso, como a gestação de gêmeos ou excesso de líquido amniótico, que aumentam o tamanho da barriga e podem deixar a falta de ar acima do normal. Nesses casos, o acompanhamento deve ser direcionado às comorbidades associadas, sempre respeitando as necessidades de cada gestante.

    Como o corpo muda durante o terceiro trimestre de gravidez?

    No terceiro trimestre, o corpo passa por transformações aceleradas para acompanhar o ritmo de crescimento do bebê. Depois de atingir pouco mais de um quilo nos primeiros seis meses, o feto praticamente triplica de peso nos três meses finais, podendo chegar a aproximadamente três quilos ao término da gestação, de acordo com Andreia Sapienza.

    Com isso, o organismo materno precisa se ajustar de forma contínua para acomodar o aumento de volume dentro do abdômen. A barriga cresce de maneira mais evidente, o útero ocupa quase toda a cavidade abdominal e o tronco passa a se projetar para a frente, modificando o eixo da coluna.

    Isso altera a postura, aumenta a curvatura lombar e exige maior esforço dos músculos das costas, que ficam mais suscetíveis à dor e ao cansaço.

    Paralelamente a isso, também ocorrem as seguintes mudanças:

    • A musculatura abdominal se estende ao máximo, o que favorece a abertura das fibras e a formação de diástase;
    • O útero elevado pressiona o estômago e o diafragma, causando azia, refluxo e sensação de falta de ar ao realizar pequenas atividades;
    • Os intestinos ficam mais comprimidos e lentos, o que contribui para episódios de prisão de ventre e gases;
    • A pelve passa por maior relaxamento ligamentar, preparando o corpo para o parto, o que pode desencadear dor no púbis e desconforto nos quadris;
    • A circulação mais intensa e o aumento do volume sanguíneo favorecem sensação de calor constante;
    • A pele do abdômen se distende rapidamente, provocando coceira e aumentando o risco de estrias;
    • O peito cresce ainda mais, com maior sensibilidade e possível saída de colostro.

    Andreia ainda aponta que uma mudança importante é o aumento da placenta, que acompanha o crescimento do bebê. Há uma relação proporcional entre os dois: conforme o feto ganha peso, a placenta também se expande. Em uma gestação a termo, ela pode chegar a aproximadamente 900 gramas.

    Como está o bebê no terceiro trimestre?

    Na fase final da gestação, o bebê passa por um período de crescimento muito rápido. É quando ele ganha peso, fortalece os órgãos e se prepara para nascer. Inclusive, o pequeno já reage ao ambiente e movimenta o corpo com mais força e coordenação, sendo possível observar:

    • Resposta a variações de luz;
    • Surgimento de fios de cabelo na cabeça;
    • Chutes mais fortes e movimentos de alongar e flexionar braços e pernas;
    • Dedos que agarram com mais firmeza;
    • Acúmulo de gordura que deixa braços e pernas mais arredondados;
    • Ossos cada vez mais firmes;
    • Circulação plenamente estruturada;
    • Sistema musculoesquelético pronto;
    • Desenvolvimento acelerado de pulmões, cérebro e sistema nervoso.

    No começo do terceiro trimestre, ele costuma medir cerca de 35 centímetros e pesar entre 1 e 2 quilos. Quando chega a hora do nascimento, normalmente tem entre 46 e 51 centímetros e um pouco mais de 3 quilos.

    De acordo com Andreia, no final da gravidez, o ideal é prestar atenção diária aos movimentos do bebê. A recomendação mais usada é o mobilograma: a gestante observa os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora, já que o bebê alterna períodos de sono e vigília nesse intervalo. Uma dica é comer algo leve antes, porque a alimentação costuma estimular a movimentação.

    Exames recomendados no terceiro trimestre de gravidez

    A partir das últimas semanas de gestação, o pré-natal se torna mais cuidadoso para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Segundo Andreia, alguns exames passam a ser especialmente importantes nessa fase, como:

    • Sorologias repetidas no final da gestação: HIV, sífilis e hepatite C;
    • Hemograma para avaliar anemia e outras alterações hematológicas;
    • Urocultura para investigar infecções urinárias, mesmo quando assintomáticas;
    • Exames complementares conforme comorbidades maternas, como diabetes;
    • Pesquisa de estreptococo do grupo B entre 35 e 36 semanas, por meio de coleta com swab na entrada da vagina e do ânus.

    Como diferenciar as contrações de treinamento e do trabalho de parto?

    É normal, no período final da gravidez, apresentar contrações de treinamento, conhecidas como Braxton Hicks. Elas deixam a barriga dura, mas não causam dor e não seguem um ritmo. Aparecem de forma espaçada e desaparecem sozinhas.

    Já as contrações de trabalho de parto doem, ficam ritmadas, ganham intensidade com o passar do tempo e não cessam. Se durarem cerca de uma hora com esse padrão, é importante procurar atendimento.

    Quais cuidados favorecem o bem-estar durante o terceiro trimestre?

    As recomendações de alimentação e hidratação seguem as mesmas ao fim da gravidez, sempre priorizando uma dieta baseada em alimentos in natura, com variedade de verduras, legumes e frutas.

    A ingestão de água também deve ser reforçada, com pelo menos 2-3 litros por dia.

    Para mulheres que desejam um parto espontâneo, permanecer ativa dentro dos limites habituais pode favorecer o início natural do trabalho de parto.

    Importante: o consumo de álcool deve ser zero, pois não existe dose considerada segura durante a gestação.

    Sinais que exigem atenção médica no terceiro trimestre

    • Contrações fortes e regulares que não param após uma hora;
    • Rompimento da bolsa com saída de líquido em grande quantidade;
    • Sangramento vaginal intenso;
    • Bebê muito quieto mesmo após alimentação e observação.

    Para gestantes com pressão alta ou outras condições, podem existir sinais extras definidos pelo médico, como dor de cabeça intensa, alterações na visão ou dor abdominal forte.

    Veja também: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    É normal sentir falta de ar no terceiro trimestre?

    Sim, a falta de ar leve é comum, mas se for intensa ou acompanhada de dor e tontura, procure atendimento médico.

    Como saber se o bebê está se mexendo o suficiente?

    Observe os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora. Após alimentação leve, eles tendem a ficar mais evidentes.

    O que é estreptococo do grupo B?

    É uma bactéria comum na flora genital que pode ser transmitida ao bebê no parto. O teste identifica colonização para prevenir complicações.

    Como aliviar dor lombar e azia?

    Para dor lombar, alterne posições e faça alongamentos leves. Para azia, evite refeições grandes e não se deite logo após comer.

    Posso fazer atividade física no terceiro trimestre?

    Sim, com liberação médica e priorizando exercícios leves. Interrompa qualquer atividade que cause dor ou mal-estar.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    A trombose venosa profunda, conhecida pela sigla TVP, é a formação de um coágulo de sangue dentro de uma veia profunda, normalmente nas pernas. Ela pode acontecer em qualquer fase da vida, mas é especialmente frequente durante a gravidez, devido às mudanças naturais que ocorrem no corpo feminino.

    As veias profundas são responsáveis por levar o sangue de volta ao coração e, quando um coágulo se forma ali, a circulação sanguínea é prejudicada. O maior risco surge quando parte do coágulo se solta e viaja pela corrente sanguínea, podendo alcançar os pulmões e causar uma embolia pulmonar, uma condição grave que exige atendimento imediato.

    No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a trombose na gravidez corresponde a aproximadamente 1% das causas de morte materna.

    Por que a trombose venosa profunda é mais comum na gravidez?

    Na gravidez, as mudanças que ocorrem no corpo feminino, principalmente na circulação e nos hormônios, podem favorecer a formação de coágulos. O processo envolve alguns fatores, sendo eles:

    Hipercoagulabilidade

    O sangue da mulher se torna naturalmente mais espesso durante a gravidez, porque o organismo aumenta a produção de fatores de coagulação, como uma forma de prevenir hemorragias importantes durante o parto. É um mecanismo de proteção, mas a mudança favorece a formação de coágulos.

    Estase venosa

    Com o crescimento do útero, há uma pressão direta sobre as veias da pelve e sobre a veia cava inferior, responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a compressão dificulta o retorno venoso, fazendo com que o sangue circule de forma mais lenta — o que aumenta o risco de trombose, especialmente no último trimestre.

    Alterações hormonais

    O aumento dos hormônios da gravidez, como a progesterona e estrogênio, provoca o relaxamento das paredes das veias. Com isso, as veias ficam mais dilatadas e menos eficientes para impulsionar o sangue, contribuindo para a lentidão da circulação e aumentando o risco de trombose.

    Quais os fatores de risco?

    Algumas mulheres apresentam risco aumentado de desenvolver trombose venosa profunda durante a gravidez, especialmente quando possuem um ou mais dos fatores a seguir:

    • Histórico pessoal de trombose;
    • Histórico familiar de trombose;
    • Doenças que aumentam a coagulação do sangue;
    • Obesidade;
    • Gravidez múltipla;
    • Necessidade de repouso prolongado.

    As situações pedem mais atenção durante o pré-natal, com avaliação do risco de forma individual e definição das melhores medidas para prevenir a trombose.

    Sintomas de trombose na gravidez

    Os sintomas de trombose durante a gravidez costumam aparecer, principalmente, nas pernas. O sinal mais comum é dor em uma perna só, normalmente acompanhada de inchaço, segundo Andreia.

    No geral, é importante observar:

    • Dor em uma perna só, na maioria das vezes;
    • Inchaço mais evidente em apenas uma perna;
    • Dor diferente do habitual, que não melhora com o repouso;
    • Sensação de dor muscular profunda, que não parece uma câimbra comum;
    • Endurecimento da musculatura da perna afetada;
    • Inchaço que não oscila ao longo do dia e não desaparece pela manhã;
    • Desconforto que pode melhorar levemente ao elevar a perna, mas não desaparece;
    • Dor localizada, que surge exatamente onde está a trombose, como na panturrilha, na coxa ou na região da bacia.

    Durante a gravidez, o diagnóstico pode ser mais difícil porque o inchaço e as dores nas pernas já são comuns, especialmente no último trimestre. Por isso, o principal alerta é quando uma perna fica visivelmente mais inchada e dolorida que a outra, com sintomas que persistem ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico de trombose na gravidez?

    O diagnóstico de trombose na gravidez é feito a partir da avaliação dos sintomas e do histórico da gestante.

    Em caso de suspeita, Andreia explica que o exame indicado para confirmar o diagnóstico é o ultrassom com Doppler, que avalia o fluxo de sangue nas veias das pernas e, quando necessário, também nas veias do abdômen. O exame é seguro para a gestante e para o bebê, além de não utilizar radiação.

    A ginecologista também destaca que exames de sangue, como o D-dímero, não costumam ajudar durante a gravidez, já que esse marcador biológico fica naturalmente elevado no período. Por isso, o resultado pode confundir e não confirma nem descarta trombose na gestação.

    Tratamento de trombose na gravidez

    O tratamento de trombose na gravidez é feito a partir da aplicação de injeções diárias de heparina, um medicamento que atua impedindo a formação e o crescimento de coágulos no sangue. Ele é considerado seguro durante a gestação, pois a heparina não atravessa a placenta e não oferece riscos ao bebê.

    Na maioria dos casos, é utilizada a heparina de baixo peso molecular, aplicada diariamente sob a pele. Segundo Andréia, o tratamento costuma ser mantido até o fim da gravidez e, em muitos casos, também durante o puerpério, período em que o risco de trombose ainda permanece elevado.

    A ginecologista também explica que medicamentos anticoagulantes de uso oral, comuns fora da gestação, não são indicados para grávidas, pois não possuem segurança comprovada no período.

    Então, mesmo que o uso de injeções cause desconforto, elas continuam sendo a opção segura para tratar a trombose durante a gravidez e no pós-parto.

    Por que o risco de trombose é prolongado no puerpério?

    Mesmo com o nascimento do bebê, o organismo da mulher não volta ao normal imediatamente.

    Os níveis de estrogênio no puerpério ainda permanecem elevados, o que mantém o sangue mais propenso à coagulação. O corpo também está se recuperando do parto, que pode causar lesões nos vasos sanguíneos, principalmente em casos de cesariana.

    Para completar, a redução da mobilidade nos primeiros dias após o parto podem fazer com que a mulher se movimente menos, o que favorece a circulação mais lenta nas pernas.

    Como evitar a trombose na gravidez?

    Apesar do aumento do risco durante a gravidez, a trombose pode ser prevenida a partir de algumas medidas, como aponta Andreia:

    • Movimentar as pernas ao longo do dia;
    • Evitar ficar muito tempo sentada ou em pé sem se movimentar;
    • Elevar as pernas ao final do dia;
    • Usar meia elástica, inclusive modelos próprios para gestantes.

    Em situações de risco mais elevado, pode ser indicada a prevenção com medicação. Nesses casos, o médico pode prescrever uma dose preventiva de heparina, menor do que a dose usada no tratamento da trombose, aplicada diariamente durante a gestação e também no puerpério.

    Mas, vale apontar que a decisão de usar heparina preventiva é sempre médica, baseada em critérios e evidências científicas, e deve ser discutida entre a gestante e o obstetra.

    As medidas sem remédio são indicadas para todas as gestantes, enquanto a heparina preventiva é reservada apenas para quem apresenta risco aumentado.

    No pré-natal, o obstetra avalia os fatores de risco, como histórico prévio de trombose, histórico familiar ou a presença de algumas doenças. Em alguns casos, o cirurgião vascular também participa dessa avaliação, por meio de interconsulta.

    Grávidas podem usar aspirina para prevenir a trombose?

    Em algumas situações, o uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses é indicado por outros motivos, como a prevenção da pré-eclâmpsia ou em casos de restrição de crescimento fetal de origem placentária.

    Apesar da aspirina ajudar a evitar a formação de coágulos, a heparina continua sendo a opção mais eficaz e segura para prevenir e tratar a trombose durante a gravidez.

    Em casos específicos, o médico pode indicar a associação entre AAS e heparina, nas a decisão sempre é médica e leva em conta os riscos e benefícios de cada gestante, já que cada situação precisa ser avaliada de forma individual.

    Trombose na gravidez afeta o bebê?

    As complicações da trombose afetam o desenvolvimento da gestação, pois o coágulo reduz o fluxo de oxigênio e nutrientes para a placenta. Isso pode comprometer o crescimento do bebê, aumentar o risco de parto prematuro e, em situações mais graves, levar a complicações maternas que exigem acompanhamento e tratamento imediatos.

    Quem já teve trombose pode engravidar?

    Mulheres com histórico de trombose podem engravidar, desde que tenham acompanhamento médico adequado desde o início da gestação. Isso permite adotar medidas de prevenção, como mudanças de hábitos e, em alguns casos, o uso de medicação segura durante a gravidez.

    Com o controle correto e a prevenção adequada, a maioria das mulheres que já teve trombose consegue ter uma gestação segura, reduzindo bastante o risco de uma nova trombose, finaliza Andreia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O que fazer em caso de suspeita de trombose?

    Procure atendimento médico imediato (obstetra ou pronto-atendimento). Não massageie a região, pois isso pode desprender o coágulo.

    2. Qual o maior risco da trombose não tratada?

    O maior risco é a Embolia Pulmonar, que ocorre quando o coágulo se solta e viaja até os pulmões, o que pode ser fatal se não tratado rapidamente.

    3. Posso amamentar usando heparina?

    Sim, a heparina de baixo peso molecular é compatível com a amamentação e não passa para o leite materno em quantidades significativas.

    4. O que é trombofilia?

    É uma condição (genética ou adquirida) que faz com que o sangue da pessoa tenha uma tendência natural maior a coagular. Muitas mulheres só descobrem que têm após uma trombose ou perdas gestacionais.

    5. O uso de meias de compressão é obrigatório para todas as gestantes?

    Não é obrigatório, mas é altamente recomendado para quem passa muito tempo em pé ou sentada, ou que já possui varizes. Elas ajudam o sangue a subir, combatendo a “estase” (sangue parado). O uso deve ser indicado por um médico.

    6. Posso praticar musculação ou exercícios de impacto se tiver risco de trombose?

    Os exercícios de baixo impacto (caminhada, hidroginástica, natação) são os melhores durante a gravidez. Se você já tem um diagnóstico de trombose ativa, o exercício deve ser suspenso até que o médico libere, para evitar que o coágulo se desloque.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Conhecida como gravidez oculta, a gravidez silenciosa é uma situação rara em que a mulher não percebe que está grávida, ou porque não apresenta os sintomas mais típicos, como náuseas, ou porque eles são tão leves que acabam sendo confundidos com outras condições.

    Diferente do que se imagina, o corpo costuma dar diversos sinais quando uma gravidez está acontecendo. No entanto, uma combinação de fatores hormonais, ausência de sintomas clássicos e o estado emocional da gestante pode dificultar o descobrimento da gravidez, principalmente nos primeiros meses.

    A situação pode ser um risco tanto para a mãe quanto para o bebê, uma vez que não há um acompanhamento pré-natal adequado para avaliar a saúde dos dois.

    “Gravidez silenciosa” não existe na medicina

    O termo se tornou popular nas redes sociais e em relatos de casos curiosos, mas, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, academicamente ele não é reconhecido.

    Na prática clínica, quando uma gestação chega próxima ao parto sem que a mulher tenha consciência dela, os médicos tratam o evento sob uma perspectiva emocional e psicológica.

    Na maioria dos casos, Andreia aponta que ocorre um quadro de negação da gravidez. Não é um transtorno psiquiátrico, mas uma forma de defesa da mente diante de uma gestação não planejada, não desejada ou que provoca conflitos profundos em relação ao parceiro.

    Nesses casos, o corpo pode até indicar uma gravidez, mas o cérebro “bloqueia” a percepção deles, sendo um quadro que deve ser trabalhado em psicoterapia.

    O que pode dificultar o descobrimento da gravidez?

    A gravidez silenciosa se manifesta de formas diferentes em cada mulher. Apesar de incomum, a condição pode estar relacionada a fatores individuais que acabam mascarando sinais comuns da gestação, como enjoos, sensibilidade nas mamas e cólicas abdominais.

    De acordo com Andreia, o bebê humano é grande em relação ao corpo da mãe, então é muito raro que ele não seja perceptível fisicamente. Ainda assim, alguns fatores podem contribuir para que a gravidez passe despercebida por um período, como:

    1. Primeira gravidez

    Em mulheres na primeira gravidez, a percepção dos movimentos do bebê costuma demorar mais, já que ainda não existe familiaridade com as sensações provocadas pelo feto em desenvolvimento.

    Nos primeiros meses, os movimentos podem ser leves e facilmente confundidos com gases, contrações intestinais ou cólicas, o que dificulta o reconhecimento da gestação.

    2. Ciclos menstruais irregulares

    A ausência de menstruação é um dos principais sintomas de gravidez. O sangramento acontece quando o útero elimina o revestimento interno preparado para receber um embrião que não foi fecundado.

    Quando a gestação acontece, o processo é interrompido, pois o organismo passa a manter a produção hormonal necessária até a formação completa da placenta, geralmente ao fim do primeiro trimestre.

    No entanto, mulheres que convivem com ciclos irregulares podem não estranhar a ausência de sangramento e demorar a suspeitar da gravidez. A condição, conhecida como amenorreia secundária, por ser causada por ansiedade e estresse, uso inadequado de anticoncepcionais ou condições hormonais, como síndrome dos ovários policísticos.

    3. Presença de sangramento

    Em alguns casos, a mulher pode apresentar sangramentos recorrentes e confundir com a menstruação. Porém, durante a gestação, a perda de sangue podem acontecer por diferentes razões e não indicam a presença de um ciclo menstrual ativo:

    • Sangramento de nidação: surge no início da gestação, quando o embrião se fixa na parede do útero. o processo pode provocar um pequeno sangramento, geralmente leve e de curta duração;
    • Gravidez ectópica: ocorre quando o óvulo fecundado se desenvolve fora do útero, mais frequentemente nas trompas. Além de sangramento, pode causar dor e requer acompanhamento médico;
    • Hematoma subcoriônico: acontece quando há um acúmulo de sangue entre o saco gestacional e a parede do útero, provocando sangramentos leves ou moderados. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido com o tempo e a gestação segue normalmente;
    • Hematoma placentário: ocorre quando há um pequeno descolamento entre a placenta e o útero, formando uma área de sangramento. Dependendo do tamanho e da localização, pode causar desde sangramentos leves até quadros que exigem maior atenção;
    • Placenta de inserção baixa: acontece quando a placenta se fixa em uma região mais baixa do útero, próxima ao colo. A posição pode favorecer episódios de sangramento ao longo da gestação, especialmente no segundo e terceiro trimestres, já que o útero cresce e essa área sofre mais tensão.

    Segundo Andreia, para que exista menstruação, é necessário que o ciclo hormonal esteja ativo, algo que não ocorre fisiologicamente durante a gravidez.

    Mesmo nos raros casos em que surgem sangramentos ao longo da gestação, eles normalmente não seguem um padrão regular. Quando há relatos de sangramento mensal, isso deve ser considerado um sinal de alerta.

    4. Sintomas típicos ausentes ou confundidos

    Quanto maior a produção do hormônio beta-hCG pela placenta, maior tende a ser a intensidade dos sintomas da gravidez. Contudo, algumas mulheres produzem quantidades menores desse hormônio ou reagem de forma diferente às alterações hormonais, o que faz com que sinais comuns sejam mais leves.

    Quando isso acontece, os sintomas podem ser facilmente confundidos com estresse, cansaço, mudanças na rotina ou outros problemas de saúde, atrasando a suspeita da gestação.

    De forma inconsciente, negar a possibilidade da gravidez também pode influenciar no processo — ainda mais se a gestação não foi planejada ou desejada.

    Vale apontar que isso não significa que o bebê não esteja se desenvolvendo. Na verdade, o organismo apenas reage de forma diferente às alterações hormonais da gestação.

    Sintomas de gravidez silenciosa (que você não deve ignorar)

    Mesmo pequenos sinais devem levantar suspeita de gravidez, segundo Andreia, especialmente:

    • Atraso menstrual, mesmo em mulheres com ciclos irregulares;
    • Sensibilidade ou aumento das mamas;
    • Náuseas leves ou desconforto no estômago;
    • Sonolência excessiva ou cansaço fora do habitual;
    • Alterações no apetite ou no paladar;
    • Inchaço abdominal persistente;
    • Mudanças de humor sem causa aparente

    Na presença de qualquer um dos sinais, vale fazer um teste de gravidez para esclarecer a situação e, em caso de resultado positivo, procurar atendimento médico o quanto antes.

    O pré-natal é muito importante para avaliar a saúde da mulher e do bebê ao longo da gestação.

    Riscos de não perceber a gravidez no início

    Quando a gravidez não é identificada logo nos primeiros meses, a rotina costuma seguir normalmente, o que pode incluir hábitos e situações que não são indicados, como:

    • Uso de medicamentos que não são indicados durante a gravidez;
    • Consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias sem saber da gestação;
    • Falta de exames importantes para avaliar o desenvolvimento do bebê;
    • Não uso de suplementos indicados, como o ácido fólico;
    • Maior risco de complicações que poderiam ser prevenidas com orientação médica.

    Para completar, quando o pré-natal não é feito, a mulher não recebe informações importantes sobre alimentação, uso de vitaminas, vacinas e cuidados do dia a dia, além de perder a chance de acompanhar de perto a saúde do bebê ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. É possível estar grávida e a barriga não crescer?

    Sim, em casos muito raros. Isso depende da estrutura física da mulher, da posição do útero e do bebê, e também de fatores psicológicos que influenciam a postura e a percepção do corpo.

    2. O teste de farmácia ou de sangue pode falhar nesses casos?

    Os testes de gravidez, tanto o de farmácia quanto o de sangue, costumam ser confiáveis quando realizados no momento adequado, mas podem falhar se forem feitos muito cedo, antes de o organismo produzir quantidade suficiente do hormônio beta-hCG.

    3. Posso menstruar durante a gravidez?

    Não é possível menstruar durante a gravidez, pois, do ponto de vista fisiológico, a menstruação corresponde à descamação do endométrio, que é o revestimento interno do útero.

    Quando a gestação acontece, o tecido é mantido justamente para proteger e sustentar o desenvolvimento do bebê, o que impede a ocorrência da menstruação.

    4. Por que algumas mulheres não sentem enjoos?

    A sensibilidade ao hormônio beta-hCG pode variar, de modo que algumas produzem menos hormônio ou simplesmente têm um organismo que reage de forma mais discreta à gestação.

    5. O que é a “pseudociese” e como ela se diferencia da gravidez silenciosa?

    A pseudociese é a gravidez psicológica, onde a mulher apresenta sintomas sem estar grávida. A gravidez silenciosa é o oposto: há um feto, mas a mulher não percebe os sintomas. Ambas envolvem componentes emocionais profundos.

    6. O que causa sangramento na gravidez se não é menstruação?

    Pode ser o sangramento de nidação (implantação do embrião), hematomas no útero ou problemas na placenta. Qualquer sangramento deve ser relatado ao médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.

    Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?

    1. Idade

    Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.

    2. Infecções sexualmente transmissíveis

    As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.

    3. Hábitos de vida prejudiciais

    O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.

    Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.

    4. Doenças crônicas

    A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.

    Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.

    5. Doenças autoimunes

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

    Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.

    6. Peso corporal em excesso

    O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.

    O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.

    Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.

    7. Baixo peso extremo

    O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.

    Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.

    Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?

    De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.

    A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.

    Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.

    Quando é importante investigar a fertilidade?

    A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.

    A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.

    Como é feita a investigação da fertilidade?

    A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.

    No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:

    • Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
    • Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
    • Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.

    Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?

    Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.

    2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?

    Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.

    3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?

    Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.

    4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?

    Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.

    5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?

    Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.

    6. Quando procurar ajuda especializada?

    É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.

    7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?

    Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.

    8. É possível engravidar após os 40 anos?

    Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    As mudanças hormonais intensas que acontecem após o parto, junto com a privação de sono e as exigências constantes do cuidado com o recém-nascido, podem favorecer o surgimento da depressão pós-parto — uma condição que afeta diretamente o bem-estar da mãe, o vínculo com o bebê e a rotina familiar.

    Ela pode se manifestar nas primeiras semanas após o parto ou aparecer de forma mais tardia, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o que torna importante ficar atento aos principais sintomas. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é depressão pós-parto e por que acontece?

    A depressão pós-parto é um transtorno de saúde mental que pode surgir após o nascimento do bebê e se caracteriza por tristeza persistente, desânimo, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e sensação de culpa.

    A condição pode ser causada por uma combinação de fatores, como:

    • Queda abrupta dos hormônios após o parto, como estrogênio e progesterona
    • Privação de sono e cansaço físico intenso;
    • Sobrecarga emocional e exigências constantes do cuidado com o recém-nascido;
    • Histórico de depressão, ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos;
    • Episódios de tristeza ou depressão durante a gestação;
    • Falta de apoio familiar ou do parceiro/parceira;
    • Conflitos conjugais ou familiares;
    • Gestação não planejada ou não desejada;
    • Dificuldades financeiras ou situações de vulnerabilidade social;
    • Experiências difíceis durante a gravidez, parto traumático ou complicações obstétricas;
    • Problemas de saúde do bebê após o nascimento.

    Vale lembrar que a depressão pós-parto não é sinal de fraqueza, falta de amor ou incapacidade como mãe. É uma condição de saúde real, que pode afetar qualquer mulher, independentemente de preparo, desejo pela maternidade ou apoio das pessoas ao redor.

    Por isso, é fundamental procurar ajuda o quanto antes, o que permite aliviar os sintomas, cuidar da própria saúde emocional e viver o vínculo com o bebê de forma mais leve e segura.

    Fatores de risco para a depressão pós-parto

    Segundo Andreia, os principais fatores de risco para a depressão pós-parto são:

    • Histórico prévio de depressão;
    • Episódios depressivos durante a gestação;
    • Presença de outros transtornos psiquiátricos;
    • Gestação não planejada ou não desejada;
    • Ausência de rede de apoio familiar ou do parceiro;
    • Situações de maior vulnerabilidade social.

    O histórico de depressão anterior é considerado o fator de risco mais importante para o desenvolvimento da depressão pós-parto.

    Quais os principais sintomas de depressão pós-parto?

    Os sintomas da depressão pós-parto vão além de uma tristeza comum, e podem incluir uma melancolia intensa, desânimo profundo, falta de energia para lidar com a rotina diária e uma tristeza constante, muitas vezes acompanhada de angústia e sensação de desespero.

    Além disso, a presença dos sinais abaixo também pode indicar depressão pós-parto:

    • Perda de interesse ou prazer nas atividades do dia a dia;
    • Falta de interesse por atividades, pessoas ou situações que antes traziam prazer;
    • Pensamentos sobre morte ou suicídio;
    • Pensamentos ou impulsos de machucar o bebê;
    • Perda ou ganho de peso sem motivo aparente;
    • Aumento ou diminuição do apetite;
    • Dormir demais ou dificuldade para dormir;
    • Insônia frequente;
    • Inquietação ou sensação constante de indisposição;
    • Cansaço intenso, mesmo sem esforço físico;
    • Sentimento excessivo de culpa;
    • Dificuldade de concentração e para tomar decisões;
    • Ansiedade e preocupação excessiva.

    Diante de qualquer um dos sinais, especialmente quando persistem ou ficam intensos, é fundamental buscar ajuda médica e apoio emocional.

    Como diferenciar o baby blues da depressão pós-parto?

    O baby blues é um quadro leve e transitório, caracterizado por tristeza passageira, que costuma surgir entre a primeira semana e cerca de 7 a 10 dias após o parto. Segundo Andreia, o período coincide com as intensas alterações hormonais do puerpério.

    A tristeza aparece e desaparece espontaneamente e, na maioria dos casos, se resolve até aproximadamente 40 a 42 dias após o parto, acompanhando o fim do puerpério, que pode se estender até cerca de 60 dias.

    Apesar de lembrar um quadro depressivo, o baby blues é leve, autolimitado e não exige tratamento medicamentoso. O apoio da família, uma rede de suporte adequada e, em alguns casos, acompanhamento psicológico costumam ser suficientes.

    A depressão pós-parto costuma aparecer mais tarde, geralmente a partir de três semanas após o parto. Diferente do baby blues, os sintomas são mais intensos e bem definidos. Em vez de melhorar com o tempo, eles tendem a continuar ou até piorar após o fim do puerpério.

    Quando procurar ajuda?

    A ajuda médica deve ser procurada quando surgirem sinais como:

    • Tristeza intensa ou persistente por mais de duas semanas;
    • Choro frequente e sem motivo aparente;
    • Desânimo profundo e falta de energia para a rotina;
    • Ansiedade excessiva ou sensação constante de angústia;
    • Sentimento de culpa intenso ou sensação de incapacidade;
    • Dificuldade para dormir ou se alimentar;
    • Isolamento e afastamento de familiares e amigos;
    • Falta de interesse pelas atividades do dia a dia;
    • Dificuldade de criar vínculo com o bebê;
    • Sensação de não conseguir cuidar de si ou do recém-nascido;
    • Pensamentos de machucar a si mesma ou ao bebê.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da depressão pós-parto é feito a partir da conversa com a mãe e da avaliação dos sintomas. Durante as consultas após o parto, o médico pergunta sobre o humor, o sono, o apetite, o nível de cansaço, a presença de tristeza constante, ansiedade, culpa e dificuldade de se conectar com o bebê.

    Também podem ser usados questionários simples, que ajudam a identificar sinais de depressão. O mais importante é observar se os sintomas duram mais de duas semanas e se estão atrapalhando a rotina e os cuidados com o bebê.

    Diferente do baby blues, que melhora sozinho com o tempo, a depressão pós-parto tende a persistir ou piorar. Quando há suspeita, o médico orienta o acompanhamento adequado para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

    Como é feito o tratamento de depressão pós-parto?

    O tratamento da depressão depende da intensidade dos sintomas e das necessidades de cada mulher, mas, na maioria dos casos, envolve uma combinação de:

    • Psicoterapia: ajuda a mulher a entender e lidar com os sentimentos do pós-parto, como culpa, medo, insegurança e cansaço emocional, além de auxiliar na adaptação à nova rotina. Pode ser indicada sozinha ou junto a outros tratamentos;
    • Uso de antidepressivos: em casos moderados ou mais intensos, a medicação pode ser necessária. Existem antidepressivos considerados seguros na gestação e na amamentação, como fluoxetina e sertralina, sempre com acompanhamento médico;
    • Rede de apoio e suporte familiar: o apoio do parceiro, da família e de pessoas próximas ajuda a reduzir a sobrecarga, oferecendo ajuda prática com o bebê e apoio emocional no dia a dia;
    • Acompanhamento médico regular: consultas periódicas permitem avaliar a evolução dos sintomas, ajustar o tratamento e oferecer suporte contínuo, conforme a necessidade;
    • Cuidados com o descanso e a rotina: dormir sempre que possível, aceitar ajuda e diminuir a sobrecarga diária contribuem para o bem-estar emocional, mesmo não substituindo o tratamento médico;
    • Apoio psicológico no pós-parto: grupos de apoio e acompanhamento psicológico específico ajudam a mulher a se sentir acolhida, diminuem o isolamento e fortalecem a recuperação.

    Quando há o diagnóstico, Andreia explica que o tratamento é importante tanto durante a gestação quanto no puerpério e na amamentação. Manter a depressão sem tratamento costuma representar um risco maior do que o uso de medicações adequadas nesse período.

    A ginecologista destaca que muitas mulheres interrompem o tratamento por medo de usar medicamentos durante a gravidez, mas isso aumenta de forma significativa o risco de recaída depressiva. Por isso, o acompanhamento médico e o uso das medicações devem ser mantidos pelo tempo indicado pelo profissional de saúde.

    Importância do acompanhamento pós-parto

    Após o parto, é comum que a mulher esteja envolvida em tantas mudanças físicas e emocionais que acaba não percebendo o que está acontecendo, o que torna importante o acompanhamento médico para realizar o diagnóstico da depressão.

    Segundo Andreia, as consultas de revisão pós-parto, geralmente realizadas por volta de 15 e 42 dias após o nascimento, são importantes para avaliar a recuperação física e emocional.

    Além disso, manter uma comunicação próxima entre a equipe de saúde, a mulher e a pessoa que convive mais de perto com ela ajuda a perceber mudanças de comportamento, como tristeza constante, dificuldade para amamentar, falta de apetite, isolamento ou dificuldade para cuidar do bebê.

    Embora muitas mulheres que desenvolvem depressão pós-parto já tenham tido episódios anteriores, a condição também pode surgir sem nenhum histórico. Por isso, atenção, conversa aberta e uma rede de apoio presente fazem diferença para identificar o problema mais cedo e iniciar o tratamento adequado.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. A depressão pós-parto pode afetar o bebê?

    Quando não tratada, a condição pode interferir no vínculo entre mãe e bebê e dificultar os cuidados diários. Com tratamento adequado, é possível proteger a saúde emocional da mãe e o desenvolvimento do bebê.

    2. É seguro usar antidepressivos durante a amamentação?

    Existem antidepressivos considerados seguros durante a gestação e a amamentação, quando usados com orientação médica. O risco de não tratar a depressão costuma ser maior do que o risco do uso adequado da medicação.

    3. Por quanto tempo dura o tratamento?

    O tempo de tratamento varia para cada mulher. Algumas precisam de acompanhamento por alguns meses, enquanto outras podem necessitar de tratamento por mais tempo, conforme orientação médica.

    4. É normal sentir culpa durante a depressão pós-parto?

    Sim, o sentimento de culpa é muito comum e pode aparecer como a sensação de não estar sendo uma boa mãe ou de não conseguir dar conta da rotina. Contudo, o sentimento faz parte do quadro e não reflete a realidade.

    5. A depressão pós-parto pode surgir meses depois do nascimento?

    Sim, o quadro pode aparecer meses depois, especialmente quando a mulher passa a enfrentar cansaço acumulado, sobrecarga emocional e falta de apoio.

    6. Mudanças bruscas de humor são normais no pós-parto?

    Algumas mudanças leves podem ocorrer devido às alterações hormonais, mas oscilações intensas e persistentes, com sofrimento emocional importante, merecem avaliação médica.

    7. A depressão pós-parto pode causar sintomas físicos?

    Além dos sintomas emocionais, podem surgir dores no corpo, falta de energia, alterações no apetite, sensação constante de cansaço e mal-estar sem causa aparente.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    A placenta é um órgão temporário que se forma durante a gravidez, responsável por conectar o feto ao organismo materno por meio do cordão umbilical, permitindo a troca de substâncias entre mãe e filho ao longo da gravidez.

    A posição da placenta é avaliada rotineiramente durante o pré-natal e, na grande maioria dos casos, não representa qualquer risco. Mas, em situações específicas, a posição pode influenciar diretamente a evolução da gestação, a escolha do tipo de parto e as chances de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as posições da placenta e quando essa localização merece maior atenção.

    O que é placenta e para que ela serve?

    A placenta é um órgão que se desenvolve no útero durante a gravidez e conecta o bebê ao organismo da mãe por meio do cordão umbilical. Ela permite a passagem de oxigênio e nutrientes do sangue materno para o bebê e, ao mesmo tempo, ajuda a eliminar substâncias que o feto não precisa.

    A placenta também produz hormônios que ajudam a manter a gravidez e a preparar o corpo da mulher durante a gestação. Ela funciona como uma proteção parcial, mas não bloqueia totalmente a passagem de medicamentos, álcool ou outras substâncias. Após o nascimento do bebê, a placenta se desprende do útero e é eliminada.

    De acordo com Andreia, por reunir tantas funções essenciais, a placenta pode ser considerada um verdadeiro órgão multifuncional — e alterações em suas características podem estar associadas a diversas condições clínicas.

    Quais as posições possíveis da placenta?

    No início da gestação, quando o útero ainda é pequeno, não é possível definir com precisão a posição final da placenta, segundo Andreia. Isso porque a placenta não se desloca após a implantação, permanecendo fixada no local de inserção. O que muda ao longo da gravidez é o crescimento do útero.

    No início da gestação, o útero é pequeno, com volume em torno de 70 cm³, mas pode chegar a quase 5 litros ao final da gravidez. Com esse crescimento, a placenta também aumenta de tamanho e pode parecer mudar de posição no ultrassom, mesmo permanecendo fixada no local onde se implantou.

    Entre as posições que a placenta pode assumir estão:

    Placenta baixa (placenta prévia)

    A placenta baixa ocorre quando a placenta se implanta próxima ao colo do útero. Durante o início da gestação, a localização pode ser temporária, pois o crescimento do útero pode afastar a placenta do colo ao longo do tempo. Por isso, até cerca de 28 semanas, utiliza-se o termo placenta baixa.

    Quando a placenta permanece na posição após o período e passa a atingir ou cobrir o orifício interno do colo do útero, recebe o nome de placenta prévia. A condição pode aumentar o risco de sangramentos durante a gravidez e interferir na via de parto, exigindo acompanhamento mais cuidadoso.

    No geral, ela é classificada de acordo com a relação da placenta com o orifício interno do colo do útero:

    • Placenta prévia centro total: a placenta recobre completamente o orifício interno do colo uterino. Nessa situação, o parto vaginal é contraindicado, e a cesariana é normalmente indicada;
    • Placenta prévia centro parcial: a placenta cobre apenas parte do orifício interno do colo. Ainda assim, há risco elevado de sangramento com a dilatação cervical, sendo a cesariana geralmente recomendada;
    • Placenta prévia marginal: a placenta encosta na borda do orifício interno, sem recobri-lo. Dependendo da evolução da gestação e da ausência de sangramentos, o parto vaginal pode ser considerado em agora selecionados;
    • Placenta prévia lateral: a placenta está próxima ao orifício interno, mantendo uma distância de até cerca de 7 cm. Em muitos casos, a posição permite parto vaginal, desde que não haja sangramento e o acompanhamento seja rigoroso.

    Segundo Andreia, o principal risco da placenta prévia é o sangramento. Quando isso acontece, o fornecimento de oxigênio para o bebê pode ser prejudicado, tornando a situação grave.

    O cuidado pode incluir repouso, de acordo com a intensidade do sangramento, e, em alguns casos, internação. O exame de toque vaginal não é indicado quando há diagnóstico de placenta prévia, pois pode provocar o descolamento da placenta.

    Placenta anterior

    A placenta anterior está localizada na parede frontal do útero, mais próxima da parede abdominal da gestante. Em geral, não causa complicações, mas pode atrasar a percepção inicial dos movimentos fetais e, em alguns casos, exigir maior cuidado durante a cesárea.

    Placenta posterior

    Na placenta posterior, a inserção ocorre na parede de trás do útero. A posição costuma permitir que os movimentos fetais sejam percebidos mais precocemente e, na maioria das vezes, não está associada a riscos adicionais.

    Placenta fúndica

    A placenta fúndica está inserida no fundo do útero, considerado um local habitual e favorável. Normalmente, não interfere na evolução da gestação nem no tipo de parto, sendo associada a baixo risco de complicações.

    Como ocorre o descolamento de placenta?

    O descolamento de placenta ocorre quando a placenta se separa, total ou parcialmente, da parede uterina antes do nascimento do bebê. É considerada uma condição grave, que pode causar sangramento intenso e comprometer o fornecimento de oxigênio ao feto, exigindo avaliação e intervenção imediatas.

    Quais exames avaliam a placenta durante a gravidez?

    A avaliação da placenta durante a gravidez é feita principalmente por exames de imagem realizados ao longo do pré-natal, como a ultrassonografia. Durante o exame, Andreia explica que são avaliados aspectos como a localização, a espessura, o grau de maturidade e a presença de calcificações.

    Quando se identifica placenta prévia centro total ou centro parcial, a gestação passa a ser considerada de alto risco, já que a condição está entre as principais causas de sangramento no segundo e no terceiro trimestres da gravidez.

    Quando a condição da placenta representa risco para o bebê?

    A condição da placenta pode representar risco para o bebê quando dificulta a passagem de oxigênio e nutrientes ou aumenta o risco de sangramentos durante a gravidez ou o parto. As situações podem comprometer o crescimento fetal, o bem-estar do bebê e a segurança do nascimento.

    O risco costuma ser maior nos casos de placenta prévia, quando a placenta fica próxima ou cobre o colo do útero, facilitando sangramentos que podem reduzir o oxigênio que chega ao bebê. O descolamento de placenta também é grave, pois a placenta se solta antes do nascimento, interrompendo a troca de oxigênio e nutrientes.

    Por isso, o acompanhamento pré-natal e a avaliação da placenta ao longo da gestação são importantes para identificar problemas cedo e reduzir riscos para o bebê.

    Como a posição da placenta pode afetar a via de parto?

    A posição da placenta define se o colo do útero estará livre para a passagem do bebê no momento do nascimento. Na maioria das gestações, a placenta se insere em regiões altas do útero e não interfere na possibilidade de parto vaginal.

    Porém, nos casos de placenta prévia, especialmente quando a placenta recobre parcial ou totalmente o orifício interno do colo uterino, o parto vaginal pode provocar sangramento importante — sendo normalmente indicado o parto cesárea.

    Segundo Andreia, a cesariana costuma ser programada entre 37 e 39 semanas de gestação, quando o risco de a gestante entrar em trabalho de parto espontaneamente e apresentar sangramentos é menor. Ainda assim, o momento ideal pode variar, pois a decisão depende de como cada gestação evolui ao longo do pré-natal.

    Quais sinais de alerta relacionados à posição da placenta?

    Os principais sinais de alerta relacionados a posições anormais da placenta:

    • Sangramento vaginal, especialmente indolor, no segundo ou terceiro trimestre da gestação;
    • Sangramentos recorrentes ou em grande quantidade;
    • Diminuição ou alteração dos movimentos fetais;
    • Dor abdominal intensa ou dor súbita associada a sangramento;
    • Contrações uterinas associadas a sangramento.

    Diante de qualquer sangramento durante a gravidez, especialmente após a metade da gestação, é fundamental procurar atendimento médico.

    É possível prevenir problemas relacionados à posição da placenta?

    Na maioria das vezes, não é possível prevenir alterações na posição da placenta, pois a implantação ocorre de forma natural no início da gravidez. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos e a identificar problemas precocemente, como:

    • Realizar o pré-natal regularmente;
    • Fazer os exames de ultrassom nas datas indicadas;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sangramento vaginal;
    • Evitar o tabagismo durante a gestação;
    • Seguir orientações médicas sobre repouso, quando indicado;
    • Evitar esforços físicos excessivos em casos de placenta baixa ou prévia;
    • Manter acompanhamento próximo com o obstetra ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Em que momento a posição da placenta começa a ser avaliada?

    A posição da placenta costuma ser observada desde os primeiros exames de ultrassom. No entanto, no início da gravidez, o útero ainda é pequeno, o que impede uma definição precisa da localização final. A avaliação se torna mais confiável conforme a gestação avança.

    A placenta pode mudar de lugar durante a gravidez?

    A placenta não se desloca depois de se implantar. O que acontece é o crescimento do útero, que altera a relação da placenta com o colo uterino. Por isso, uma placenta considerada baixa no início pode deixar de ocupar uma posição preocupante ao longo da gestação.

    Quais são as posições normais da placenta?

    As posições mais comuns e seguras da placenta incluem a placenta anterior, posterior, fúndica e lateral, desde que estejam em regiões altas do útero e longe do colo uterino. Nessas situações, a gravidez costuma evoluir normalmente, sem problemas relacionados à placenta.

    Placenta prévia sempre exige cesariana?

    Na maioria dos casos, principalmente quando há recobrimento parcial ou total do colo uterino. Em formas laterais ou marginais, o parto vaginal pode ser considerado em situações selecionadas, desde que não haja sangramentos e o acompanhamento seja cuidadoso.

    Gestantes com placenta prévia podem ter relação sexual?

    Em casos de placenta prévia, o médico pode orientar a suspensão das relações sexuais, especialmente se houver histórico de sangramento. A recomendação varia conforme cada situação.

    A posição da placenta interfere nos movimentos do bebê?

    A posição da placenta pode influenciar a forma como a gestante sente os movimentos do bebê. Quando a placenta fica na parte da frente do útero, os movimentos podem ser percebidos mais tarde ou de maneira mais suave. Com o passar da gravidez, essa diferença costuma diminuir.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    No Brasil e no mundo, cada vez mais mulheres estão escolhendo esperar mais alguns anos para viver a maternidade.

    Para se ter uma ideia, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos (Seade) mostram que a quantidade de gestações em mulheres com mais de 40 anos aumentou 64% entre 2010 e 2022.

    Como parte do planejamento familiar, que ajuda a mulher a decidir com mais calma quando deseja engravidar, é comum considerar alternativas para preservar a fertilidade ao longo do tempo, e uma delas é o congelamento de óvulos.

    Ela permite guardar óvulos em uma fase de maior qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura. Para entender como o procedimento funciona, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Afinal, o que é o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é um procedimento médico que permite preservar a fertilidade feminina para o futuro. A técnica consiste em coletar e congelar óvulos em uma fase em que ainda apresentam boa qualidade, para que possam ser utilizados no futuro.

    A opção é usada tanto por mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais quanto por aquelas que precisam passar por tratamentos médicos que podem afetar a fertilidade.

    Segundo Andreia, a decisão pode partir da própria mulher ou surgir após orientação médica, a depender do contexto clínico e dos objetivos reprodutivos.

    Com o passar do tempo, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem de forma natural. A mulher já nasce com um número limitado de óvulos e, ao longo dos anos, a reserva vai sendo reduzida, especialmente após os 35 anos, o que pode dificultar uma gravidez futura.

    Com o congelamento, é possível preservar óvulos em uma fase mais favorável da vida reprodutiva, reduzindo os impactos do envelhecimento natural sobre a fertilidade

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O processo do congelamento de óvulos é dividido em etapas bem definidas, como:

    1. Estimulação ovariana

    Durante cerca de 10 a 14 dias, a mulher utiliza medicamentos hormonais, normalmente injetáveis, para estimular os ovários a produzirem mais óvulos no mesmo ciclo. Nesse período, são realizados exames de sangue e ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos hormônios.

    Segundo Andreia, é um tratamento de alto custo e que exige acompanhamento rigoroso por equipe especializada.

    2. Acompanhamento médico

    Ao longo da estimulação, o médico avalia a resposta do organismo, garantindo que os óvulos estejam se desenvolvendo adequadamente e que o procedimento ocorra com segurança. Isso é feito por meio de exames de ultrassom e testes hormonais, o que permite avaliar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos medicamentos quando necessário.

    3. Coleta dos óvulos

    Quando os óvulos atingem o tamanho e a maturidade ideais, a coleta é realizada por meio de um procedimento invasivo, com aspiração guiada por ultrassonografia, como explica Andreia.

    Caso a resposta ovariana seja muito baixa, o procedimento pode ser cancelado, pois a coleta de poucos óvulos não justifica os riscos envolvidos. Em geral, a mulher recebe alta no mesmo dia.

    4. Avaliação em laboratório

    Após a coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório, onde passam por uma análise criteriosa. Os especialistas avaliam quais óvulos estão maduros e em condições adequadas para serem congelados, assegurando maior qualidade no armazenamento.

    5. Congelamento dos óvulos

    Os óvulos selecionados são congelados por meio de uma técnica chamada vitrificação. O método utiliza temperaturas extremamente baixas e um congelamento rápido, o que ajuda a preservar a estrutura e a qualidade das células.

    6. Armazenamento

    Depois de congelados, os óvulos são armazenados em tanques de nitrogênio líquido, em condições controladas e seguras. Eles podem permanecer preservados por muitos anos, até que a mulher decida utilizá-los para tentar engravidar.

    Quantos óvulos costumam ser coletados no procedimento?

    A quantidade de óvulos coletados no procedimento pode variar bastante de uma mulher para outra. Em média, costumam ser coletados entre 8 e 15 óvulos por ciclo, mas esse número depende de fatores como idade, reserva ovariana, resposta aos hormônios e condições de saúde.

    Em mulheres mais jovens, geralmente a resposta à estimulação é melhor, o que pode resultar em um número maior de óvulos. Já em idades mais avançadas, a quantidade pode ser menor, e em alguns casos pode ser indicado realizar mais de um ciclo de estimulação para aumentar as chances de sucesso no futuro.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    O congelamento de óvulos é indicado em diferentes situações, principalmente quando há o desejo de preservar a fertilidade para o futuro. Entre as principais, Andreia destaca:

    • Desejo de adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou financeiras, sem abrir mão da possibilidade de engravidar no futuro;
    • Ausência de um parceiro no momento, apesar do desejo de ter filhos em outra fase da vida;
    • Necessidade de iniciar tratamentos médicos, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias ginecológicas, que podem comprometer a função ovariana;
    • Diminuição da reserva ovariana identificada em exames, mesmo em mulheres mais jovens;
    • Histórico familiar de menopausa precoce, o que pode indicar risco aumentado de perda antecipada da fertilidade;
    • Doenças ginecológicas, como endometriose, que podem afetar a qualidade ou a quantidade dos óvulos ao longo do tempo.

    Efeitos colaterais do congelamento de óvulos

    Podem surgir alguns efeitos colaterais, principalmente durante a fase de estimulação dos ovários. Nesse período, a mulher pode sentir dor de cabeça, inchaço na barriga e nos membros, além de uma sensação de peso ou desconforto no baixo ventre.

    Após a coleta dos óvulos, esse inchaço costuma diminuir aos poucos e, na maioria dos casos, desaparece entre cinco e 14 dias, especialmente após a chegada do próximo ciclo menstrual.

    Existe limite de idade para congelar os óvulos?

    Não existe um limite de idade fixo para realizar o congelamento de óvulos, segundo Andreia, mas é fundamental considerar que a resposta ovariana diminui progressivamente com o passar dos anos. A mulher nasce com um número limitado de óvulos, que já começa a reduzir ainda durante a vida intrauterina.

    Portanto, quanto mais jovem a mulher, melhor costuma ser a qualidade dos óvulos. De modo geral, o recomendado é realizar o congelamento até os 35 anos de idade.

    Após essa idade, o procedimento ainda pode ser realizado, mas a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir com o tempo, o que pode reduzir as chances de sucesso. Por isso, a avaliação médica individual é fundamental para orientar sobre o melhor momento e as reais possibilidades de cada mulher.

    Quais as taxas de sucesso do congelamento de óvulos?

    Diversos fatores podem influenciar nas taxas de sucesso, segundo Andreia. Quando há um parceiro fixo, é possível realizar a fertilização e optar pelo congelamento do embrião.

    Na ausência de parceiro, os óvulos são criopreservados e a fertilização ocorre apenas no futuro. Durante os processos de congelamento e descongelamento, parte dos óvulos pode não sobreviver, embora as técnicas atuais apresentem índices elevados de preservação.

    Vale destacar que o congelamento de óvulos não garante uma gravidez futura. O caminho até a gestação envolve várias etapas, cada uma com suas próprias taxas de sucesso, incluindo a coleta dos óvulos, a fertilização, a implantação do embrião no útero e a evolução da gravidez.

    Mesmo após um teste positivo, ainda existe risco de aborto espontâneo, que ocorre em cerca de 25% das gestações, inclusive em mulheres sem fatores de risco conhecidos.

    Riscos do congelamento de óvulos

    Os riscos do congelamento de óvulos são considerados baixos, principalmente quando o procedimento é realizado por uma equipe especializada. Ainda assim, como qualquer tratamento médico, podem existir alguns pontos de atenção:

    • Inchaço abdominal, dor de cabeça e sensação de peso no baixo ventre durante a estimulação dos ovários;
    • Desconforto após a coleta dos óvulos;
    • Pequeno risco de sangramento ou infecção após a punção;
    • Em casos raros, síndrome de hiperestimulação ovariana, condição potencialmente grave, caracterizada por aumento exagerado dos ovários.

    Por isso, é importante que o procedimento seja realizado em uma clínica especializada, com equipe médica experiente e acompanhamento adequado em todas as etapas, garantindo mais segurança para a paciente

    Existem contraindicações?

    Não existem contraindicações absolutas para o congelamento de óvulos, mas algumas situações exigem uma avaliação médica mais cuidadosa antes do procedimento, como:

    • Gravidez em curso;
    • Condições de saúde que estejam descompensadas;
    • Presença de cistos ovarianos de grande volumes;
    • Casos de reserva ovariana muito baixa.

    Além disso, mulheres que precisam iniciar com urgência um tratamento oncológico podem não ter tempo suficiente para realizar a estimulação hormonal necessária para a coleta dos óvulos. Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada, considerando o estado de saúde, o momento de vida e a orientação de uma equipe médica especializada.

    Quanto custa o congelamento de óvulos?

    O custo do congelamento de óvulos no Brasil varia bastante, podendo ficar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, além da taxa anual de manutenção, que costuma girar em torno de R$ 1,5 mil. O valor final depende da clínica escolhida e dos medicamentos hormonais necessários para o procedimento.

    De acordo com Andreia, o processo inclui despesas com hormônios, exames, acompanhamento médico, procedimento de coleta e taxa de manutenção mensal dos óvulos congelados, que ficam armazenados em clínicas especializadas.

    Todos os fatores devem ser discutidos de forma detalhada antes da decisão, permitindo uma escolha consciente e alinhada às expectativas reais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como é feita a seleção do óvulo para uma tentativa de engravidar?

    Quando a mulher decide utilizar os óvulos congelados, eles são descongelados em laboratório e avaliados pelos embriologistas. Apenas os óvulos que sobrevivem bem ao descongelamento e apresentam boa aparência celular são utilizados.

    Em seguida, ocorre a fertilização em laboratório, normalmente por técnica de fertilização in vitro, e os embriões formados passam por nova avaliação antes da transferência para o útero.

    2. Congelar os óvulos muito jovem aumenta o risco de menopausa precoce?

    Não, o congelamento de óvulos não acelera a menopausa nem reduz de forma significativa a reserva ovariana. Os óvulos coletados seriam naturalmente perdidos ao longo do tempo, pois a mulher perde óvulos todos os meses, mesmo sem ovular. O procedimento apenas aproveita óvulos que já seriam descartados pelo organismo.

    3. Por quantos anos os óvulos podem ficar congelados?

    Com a técnica de vitrificação, os óvulos podem permanecer congelados por muitos anos, sem que exista um prazo máximo estabelecido pela ciência. O armazenamento em nitrogênio líquido mantém as células preservadas, conservando suas características e qualidade mesmo após décadas.

    4. O procedimento exige afastamento do trabalho?

    Na maioria dos casos, não. Durante a estimulação, a rotina pode ser mantida normalmente. No dia da coleta, costuma ser indicado repouso, mas muitas mulheres retomam atividades leves no dia seguinte.

    5. É possível congelar óvulos mais de uma vez?

    Sim, algumas mulheres realizam mais de um ciclo de congelamento para aumentar o número de óvulos armazenados, especialmente quando a resposta ovariana é menor.

    6. O que acontece se a mulher decidir não usar os óvulos congelados?

    A mulher pode optar por continuar armazenando, descartar os óvulos ou, em alguns casos, doá-los para pesquisa ou para outras pessoas, conforme permitido pela legislação e pelas normas éticas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Você sabia que o segundo trimestre de gravidez é conhecido como a lua de mel da gestação? Isso porque vários dos sintomas intensos do primeiro trimestre, como náuseas, vômitos e cansaço extremo, tendem a diminuir. O corpo já se adaptou às primeiras mudanças hormonais e a placenta está plenamente formada — então o período costuma ser mais tranquilo.

    Mas isso não significa que os cuidados devem diminuir! O bebê continua crescendo de forma acelerada e o organismo materno atravessa alguns ajustes importantes, como maior circulação sanguínea, alteração da postura e aumento gradual do peso uterino.

    Vamos entender mais, a seguir, o que muda no segundo trimestre, os exames mais importantes e quais cuidados merecem atenção.

    Quando começa o segundo trimestre de gravidez?

    O segundo trimestre de gravidez começa a partir da 13ª semana completa e segue até o final da 27ª semana. É o período intermediário da gestação, marcado por uma maior estabilidade física e emocional, já que o corpo se adapta aos hormônios produzidos no início da gravidez e a placenta assume totalmente as funções.

    O que acontece no segundo trimestre de gravidez?

    No segundo trimestre de gravidez, o corpo entra em uma fase de maior estabilidade. A placenta assume totalmente as funções e os sintomas intensos do início tendem a diminuir.

    Além disso, Andreia aponta que, como o bebê ainda não está tão grande, a gestante costuma ter mais conforto ao se movimentar e sente menos impacto na postura e no equilíbrio. A barriga cresce, mas ainda não pesa o suficiente para causar limitações — o que favorece as atividades cotidianas e até a prática de exercícios leves.

    No período, o útero aumenta de tamanho, projetando o abdômen para frente e abrindo mais espaço para o crescimento fetal. Com isso, os movimentos do bebê começam a ser percebidos com nitidez, primeiro como pequenas “borboletas” no baixo-ventre e, depois, como chutes e giros mais evidentes.

    A circulação sanguínea também se intensifica para sustentar o desenvolvimento fetal, o que pode levar ao surgimento de varizes, sensação de peso nas pernas e aumento natural da vontade de urinar. O apetite tende a crescer, já que o metabolismo se ajusta para suprir as necessidades energéticas da gestação, e as mamas continuam se preparando para a amamentação e podem ficar mais sensíveis.

    Ganho de peso no segundo trimestre

    No segundo trimestre, o bebê cresce mais rápido, e o corpo da gestante passa por mudanças mais visíveis, o que resulta em aumento gradual do peso. Para quem iniciou o pré-natal com IMC dentro da faixa considerada adequada, o ganho costuma ficar em torno de 300 g por semana. O ritmo é compatível com o desenvolvimento do bebê, do útero, da placenta e do volume de líquido amniótico.

    Vale apontar que aumentos muito rápidos de peso, como 1 kg por semana, acendem sinal de alerta para retenção exagerada de líquidos ou mudanças bruscas na alimentação. Nesses casos, é necessário informar o médico.

    Sintomas do segundo trimestre de gravidez

    No segundo trimestre, os sintomas tendem a ser mais leves, mas o corpo continua passando por mudanças importantes, que podem causar:

    • Aumento do apetite;
    • Maior energia e disposição;
    • Redução de náuseas e vômitos;
    • Aumento da sensibilidade nas mamas;
    • Surgimento de varizes ou sensação de peso nas pernas;
    • Aumento da vontade de urinar;
    • Congestão nasal;
    • Sensação clara dos movimentos fetais;
    • Dores lombares leves, devido ao crescimento do útero;
    • Azia ocasional, relacionada ao relaxamento dos esfíncteres digestivos.

    Alterações na pele, como estrias, escurecimento da aréola e uma linha escura na barriga, também são comuns nessa fase.

    Síndrome do túnel do carpo

    A síndrome do túnel do carpo é uma condição relativamente comum na gravidez, especialmente no segundo e no terceiro trimestres. Ela ocorre quando o nervo mediano, que passa por um pequeno canal no punho chamado túnel do carpo, sofre compressão devido ao aumento de líquido e inchaço típicos da gestação.

    Durante a gestação, o corpo tende a reter mais líquido, o volume de sangue aumenta e os hormônios passam por mudanças que facilitam o aparecimento de inchaço. Como o túnel do carpo é uma estrutura rígida, qualquer aumento de volume no local comprime o nervo mediano, causando sintomas como:

    • Formigamento nas mãos, especialmente à noite;
    • Dormência nos dedos polegar, indicador, médio e metade do anelar;
    • Dor que pode irradiar para o antebraço;
    • Dificuldade para segurar objetos ou fraqueza ao pinçar;
    • Sensação de “choque” no punho ou nos dedos;

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas, como compressas frias, alongamentos leves e o uso de talas noturnas, orientadas pelo médico. Normalmente, a síndrome melhora espontaneamente após o parto, quando a retenção de líquido diminui.

    Se houver dor intensa, perda de força ou agravamento rápido, é importante consultar o médico para avaliação e condutas específicas.

    Como está o bebê no segundo trimestre?

    O segundo trimestre é um período marcado por amadurecimento dos órgãos, ganho de peso e muita movimentação dentro do útero. Entre as principais mudanças, destacamos:

    • O sistema nervoso avança, coordenando melhor os movimentos;
    • Os pulmões evoluem estruturalmente, embora ainda não funcionem para respirar ar;
    • O sistema digestivo inicia seu funcionamento básico;
    • Sobrancelhas, cílios, cabelos e unhas começam a se formar;
    • Movimentos coordenados surgem, percebidos como chutes, estiramentos e giros;
    • A audição amadurece, permitindo que o bebê reaja a sons externos;
    • A força muscular aumenta, deixando os movimentos mais firmes e perceptíveis;
    • As glândulas sebáceas produzem o vérnix, camada que protege a pele delicada.

    No começo do segundo trimestre, o bebê costuma medir em torno de 10 centímetros e pesar pouco mais de 20 gramas, ainda muito pequeno e leve. Conforme as semanas avançam, o ritmo de crescimento se intensifica e, ao final do trimestre, ele pode chegar a cerca de 35 centímetros de comprimento e pesar entre 1 e 2 quilos.

    Exames recomendados no primeiro segundo de gravidez

    No segundo trimestre, o acompanhamento inclui exames simples, como urina tipo I, urocultura e hemograma, que ajudam a identificar infecções urinárias, anemia e outras alterações frequentes na gestação.

    De acordo com Andreia, o ponto central da fase é o ultrassom morfológico de segundo trimestre, realizado entre 20 e 24 semanas. Diferente do morfológico inicial, ele avalia a anatomia detalhada do bebê, permitindo observar cérebro, coluna, coração, rins, face, membros e outros órgãos com nitidez. Como o feto ainda não ocupa toda a tela do exame, essa é a melhor janela para identificar possíveis malformações estruturais.

    No final do segundo trimestre, a ginecologista aponta que também é feito o rastreamento do diabetes gestacional por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Nele, a gestante ingere um líquido concentrado em açúcar e, em seguida, são medidas as glicemias em intervalos específicos para avaliar como o organismo lida com a sobrecarga de glicose.

    A investigação é importante porque, nessa fase, a placenta já está maior e produz hormônios que aumentam a resistência à insulina, elevando o risco de diabetes gestacional. Por isso, mesmo mulheres com exames normais no início da gravidez podem apresentar alterações apenas agora, quando o impacto hormonal se torna mais significativo.

    Em alguns casos, outros exames sorológicos (como toxoplasmose, rubéola, HIV e hepatite) também podem ser solicitados. A indicação exata varia conforme o histórico da gestante, sintomas apresentados e resultados dos exames anteriores.

    Cuidados no segundo trimestre de gravidez

    As recomendações para o segundo trimestre seguem as mesmas, e como muitas gestantes sentem mais energia e conforto no período, é mais fácil manter hábitos saudáveis de forma regular, como:

    • Fracionar as refeições, evitando longos períodos em jejum;
    • Priorizar alimentos naturais, ricos em fibras, vitaminas e proteínas;
    • Beber entre 2 e 3 litros de água por dia para auxiliar a digestão e a circulação;
    • Manter caminhadas, alongamentos e exercícios leves orientados pelo médico;
    • Incluir atividades físicas leves, como hidroginástica ou yoga, para aliviar dores lombares;
    • Dormir preferencialmente de lado, com apoio de travesseiros entre as pernas;
    • Criar uma rotina de sono com horários estáveis;
    • Evitar ficar muito tempo sentada ou muito tempo em pé;
    • Elevar as pernas ao final do dia para diminuir o inchaço;
    • Usar roupas confortáveis e sutiãs adequados, evitando peças apertadas;
    • Manter cuidados com a pele, hidratando áreas mais suscetíveis a estrias;
    • Reservar momentos para descanso, leitura ou atividades relaxantes.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Planejamento do parto e amamentação

    De acordo com Andreia, a preparação para o parto já pode começar no segundo trimestre. O médico verifica se há alguma contraindicação para parto vaginal e, se estiver tudo bem, inicia a conversa sobre preferências da mãe: desejo pela via vaginal, possibilidade de indução e escolha da maternidade. Isso ajuda a organizar o plano de parto com calma, tirar dúvidas e alinhar expectativas desde cedo.

    Ao mesmo tempo, também começa a preparação para a amamentação. Apesar do bebê ter reflexo de sucção, isso não garante uma pega correta — que exige que o mamilo e parte da aréola alcancem o fundo do palato.

    Como cada gestante tem necessidades diferentes, é importante esclarecer dúvidas e confirmar todas as orientações com a equipe de pré-natal, que pode avaliar o formato da aréola, orientar posições e indicar cuidados adequados para prevenir dor e fissuras quando o aleitamento começar.

    Sinais que exigem atenção médica no segundo trimestre

    Os principais sinais de alerta que exigem atendimento imediato incluem qualquer sangramento, indícios de trabalho de parto prematuro e ruptura da bolsa.

    Também existem casos raros de hiperêmese, em que a gestante continua vomitando durante toda a gravidez; embora não seja comum, pode se estender até o segundo trimestre. O mesmo vale para doenças pré-existentes, que precisam de acompanhamento contínuo ao longo de toda a gestação.

    Veja mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes

    Quando os movimentos do bebê começam a ser percebidos?

    A percepção dos primeiros movimentos do bebê, chamados de “quickening”, normalmente surge entre a 18ª e a 22ª semana, embora mulheres que já tiveram filhos possam identificar movimentos mais cedo.

    No início, a sensação se parece com pequenas bolhas ou leves toques internos. Com o passar das semanas, os movimentos ganham força e se tornam uma parte importante do vínculo emocional e da avaliação da vitalidade fetal.

    Por que a fome aumenta tanto durante o segundo trimestre?

    A demanda energética cresce porque o bebê se desenvolve em ritmo acelerado, a placenta se torna mais ativa e o corpo materno trabalha intensamente na produção de novos tecidos.

    A sensação de fome mais frequente é natural, mas a orientação é priorizar refeições equilibradas e fracionadas, com alimentos ricos em fibras, proteínas e nutrientes que contribuem para a saciedade sem causar desconforto.

    O segundo trimestre de gravidez é mais tranquilo?

    Muitas mulheres relatam mais disposição e bem-estar por causa da redução das náuseas, melhora do humor e adaptação do organismo ao novo estado fisiológico. Ainda assim, podem surgir sintomas como prisão de ventre, congestão nasal, dores lombares e azia, que resultam do crescimento do útero e da ação dos hormônios na musculatura lisa.

    O que muda nos exames durante o segundo trimestre?

    A fase inclui avaliação detalhada do desenvolvimento fetal, especialmente por meio da ultrassonografia morfológica, que examina órgãos internos, coluna, medidas de membros, formato craniano e quantidade de líquido amniótico. Os exames laboratoriais complementares avaliam anemia, glicemia e possíveis infecções, garantindo que a gestação siga em condições adequadas.

    Como aliviar a prisão de ventre do segundo trimestre?

    A constipação está relacionada à ação da progesterona e ao suplemento de ferro, de modo que aumentar fibras na alimentação, priorizar frutas ricas em água, manter hidratação abundante e caminhar diariamente favorece o funcionamento intestinal. Em alguns casos, ajustes no tipo de ferro ou uso de probióticos são indicados pelo médico.

    Veja também: Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

  • Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    O primeiro trimestre da gravidez é o período mais delicado do desenvolvimento do bebê e, logo depois do resultado positivo, existem vários cuidados que precisam integrar na rotina da futura mamãe.

    O organismo passa por mudanças rápidas que exigem atenção constante, alimentação equilibrada, exames em dia, hidratação adequada e acompanhamento médico regular para garantir que tudo ocorra de forma segura. Mas, com as alterações hormonais intensas, os sintomas físicos variados e as dúvidas que surgem, algumas mães de primeira viagem podem se sentir um pouco perdidas.

    Pensando nisso, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos as principais informações sobre o que esperar do primeiro trimestre e os cuidados no início da gestação. Confira!

    Quando começa o primeiro trimestre de gravidez?

    O primeiro trimestre de gravidez começa no primeiro dia da última menstruação, data usada como referência para calcular a idade gestacional, porque a concepção nem sempre ocorre em um dia conhecido. A partir desse dia, contam-se as semanas até completar doze semanas de gestação, período que corresponde ao primeiro trimestre.

    O que acontece no primeiro trimestre de gravidez?

    Nas primeiras semanas, o corpo inicia uma adaptação acelerada para sustentar o desenvolvimento do embrião. A placenta começa a se desenvolver, o volume de sangue aumenta e hormônios como progesterona e hCG se elevam rapidamente, o que ajuda a explicar as náuseas mais frequentes, maior sensibilidade nas mamas, cansaço que parece não passar e uma vontade constante de urinar.

    À medida que as semanas avançam, o útero cresce de forma progressiva, ligamentos se tornam mais flexíveis e o metabolismo passa a trabalhar em ritmo intensificado para garantir energia suficiente para a formação dos órgãos do bebê, processo que exige grande demanda do organismo materno.

    Por isso, a gestante deve realizar as consultas regulares, manter a suplementação indicada pelo médico, alimentação equilibrada e ter atenção aos sinais do corpo — pois são medidas que ajudam a atravessar o início da gravidez com mais segurança.

    Ganho de peso no primeiro trimestre

    A recomendação de ganho de peso na gravidez depende do peso inicial da gestante, calculado a partir do IMC no começo do pré-natal, como explica Andreia. Cada faixa exige metas diferentes:

    • Baixo peso (IMC abaixo de 18,5): recomendação de ganho maior, entre 12 e 15 kg, para recuperar o déficit prévio e sustentar o crescimento fetal;
    • Peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9): ganho médio em torno de 9 kg, podendo variar entre 7 e 11 kg;
    • Sobrepeso (IMC acima de 25 até cerca de 30): a orientação é não ultrapassar 7 kg;
    • Obesidade (grau 1, 2 ou 3): objetivo de ganhar o mínimo de peso possível; algumas gestantes podem até perder um pouco, pois parte do excesso acumulado antes da gestação é mobilizado durante a gravidez.

    Vale apontar que a gestante deve sempre seguir a orientação do médico ou nutricionista, pois o acompanhamento é individualizado.

    Sintomas do primeiro trimestre de gravidez

    Os primeiros sintomas de gravidez, que costumam aparecer entre a 4ª e a 8ª semana, podem variar bastante entre as mulheres. Enquanto algumas apresentam sinais marcantes logo no início, outras percebem transformações mais discretas.

    Mas, de forma geral, Andreia Sapienza e o Ministério da Saúde apontam os principais sintomas:

    • Sensibilidade mamária, aumento do volume das mamas e dor local;
    • Vulva mais sensível e inchada devido ao aumento da vascularização;
    • Surgimento de varizes pélvicas e piora de hemorroidas em mulheres predispostas;
    • Estômago mais lento, com sensação de estufamento e digestão pesada;
    • Redução do ácido gástrico, com preferência por alimentos e bebidas cítricas;
    • Náuseas frequentes, sobretudo pela manhã;
    • Vômitos ocasionais (geralmente leves);
    • Constipação intestinal;
    • Aumento do corrimento vaginal;
    • Vontade de comer substâncias não alimentares (síndrome de pica), mas é raro;
    • Vontade de urinar com maior frequência, mesmo sem infecção urinária.

    Alterações emocionais são muito comuns durante o primeiro trimestre. A retenção de líquido no organismo, inclusive em estruturas neurológicas e articulares, deixa o humor mais sensível. Muitas gestantes relatam choro fácil, irritabilidade e impulsividade, sem que isso indique qualquer problema mais grave, segundo Andreia.

    Mas, quando existe um histórico de depressão ou ansiedade, os sintomas podem ser mais intensos. Nesses casos, não é recomendado suspender tratamentos de forma abrupta. O ideal é ajustar doses ou realizar substituições por opções consideradas seguras durante a gestação, sempre com orientação médica.

    Cansaço e sonolência no primeiro trimestre é normal?

    Com a gravidez, o organismo passa a trabalhar em ritmo acelerado e exige mais pausas para recuperação, o que torna a sonolência um sintoma totalmente esperado nessa fase.

    Segundo Andreia, muitas mulheres relatam um cansaço intenso no fim da tarde, por volta de 18h ou 19h, a ponto de precisarem de um cochilo para conseguir seguir o dia. Depois disso, costumam voltar a dormir mais tarde, mantendo dois períodos de descanso.

    Sangramento no início da gravidez

    Quando o embrião se fixa na parede do útero, processo que costuma acontecer entre o sexto e o décimo dia após a fecundação, pode acontecer um pequeno sangramento, com coloração rosada, avermelhada bem clara ou amarronzada. É um processo normal, conhecido como sangramento de nidação, e costuma durar poucas horas ou até dois dias, sem provocar dor significativa.

    Diferentemente de um sangramento menstrual, o fluxo é leve, intermitente e não vem acompanhado de cólicas intensas. Muitas mulheres só percebem ao limpar o papel higiênico ou notar uma pequena mancha na calcinha, acontecendo antes da data prevista para a menstruação.

    Por outro lado, sangramentos mais fortes, persistentes, acompanhados de dor abdominal ou aumento gradual do fluxo requerem avaliação médica, porque podem indicar problemas que precisam ser investigados durante o primeiro trimestre.

    Como está o bebê no primeiro trimestre?

    O primeiro trimestre é a fase mais sensível da formação do bebê, em que o corpo e os sistemas internos estão começando a tomar forma:

    • Batimentos cardíacos detectáveis por volta da 7-8ª semana;
    • Fechamento inicial do tubo neural, que dará origem ao cérebro e à medula espinhal;
    • Surgimento dos brotos dos braços e das pernas;
    • Formação inicial dos olhos, nariz e boca;
    • Transformação de embrião para feto ao final da 8ª semana;
    • Desenvolvimento dos órgãos internos, como fígado, rins e intestino;
    • Separação dos dedos das mãos e dos pés;
    • Início de movimentos espontâneos, ainda imperceptíveis para a mãe;
    • Crescimento acelerado do cérebro e amadurecimento das primeiras funções vitais.

    Ao longo do primeiro trimestre, o bebê passa de milímetros nas primeiras semanas, menor que um grão de arroz, para cerca de dez centímetros ao completar doze semanas, alcançando aproximadamente vinte e oito gramas de peso.

    Exames recomendados no primeiro trimestre de gravidez

    O pré-natal deve começar assim que a gravidez for confirmada, pois os primeiros meses são decisivos para acompanhar a saúde da gestante e assegurar o desenvolvimento inicial do bebê.

    No início da gestação, alguns exames são necessários para identificar condições que precisam de acompanhamento mais próximo, orientar cuidados e estabelecer a idade gestacional com precisão. Entre os principais, destacamos:

    • Hemograma completo;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh;
    • Glicemia de jejum;
    • Testes para HIV, sífilis, hepatites B e C;
    • Exame de urina (EAS);
    • Toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus (conforme orientação médica);
    • Ultrassom transvaginal inicial;
    • Triagem do primeiro trimestre (translucência nucal).

    Os exames ajudam a mapear fatores de risco logo no começo da gestação, contribuindo para um acompanhamento mais seguro ao longo dos meses seguintes.

    Cuidados do primeiro trimestre de gravidez

    Alguns cuidados ajudam a melhorar o conforto da gestante, reduzir desconfortos físicos e promover uma rotina mais tranquila enquanto o corpo se prepara para o parto, como:

    • Manter hidratação adequada, ingerindo entre 2 e 3 litros de água por dia, o que ajuda a melhorar a circulação, reduzir inchaço, evitar quedas de pressão e favorecer o funcionamento intestinal;
    • Fazer refeições leves, variadas e fracionadas, distribuindo alimentos ao longo do dia para diminuir azia, refluxo, estufamento e digestão lenta, muito comuns nessa fase;
    • Praticar atividade física segura, como caminhadas regulares, yoga prenatal, hidroginástica ou alongamentos orientados, que aliviam dores lombares, melhoram a mobilidade e reduzem sensação de peso nos quadris;
    • Dormir preferencialmente do lado esquerdo, posição que facilita o fluxo sanguíneo para o útero e melhora o retorno venoso, ajudando a diminuir inchaço e desconforto respiratório;
    • Usar roupas confortáveis e sapatos estáveis, evitando peças apertadas que aumentam a sensação de calor ou pressão e prevenindo quedas, que se tornam mais comuns com a alteração do centro de gravidade;
    • Alongar durante o dia, especialmente região lombar, quadris e pernas, para aliviar tensão muscular e rigidez decorrente do aumento do peso abdominal;
    • Elevar as pernas ao final do dia, usando travesseiros ou apoio para reduzir o inchaço e melhorar a circulação, principalmente em dias mais quentes ou de longos períodos em pé;
    • Não consumir nenhuma quantidade de álcool e não fumar;
    • Acompanhar o pré-natal rigorosamente, mantendo controle de pressão arterial, glicemia, crescimento fetal e posição do bebê, além de esclarecer dúvidas sobre sinais de trabalho de parto;
    • Praticar respiração profunda e técnicas de relaxamento, que ajudam a controlar a ansiedade, melhorar o sono e preparar o corpo para o processo do parto;
    • Organizar pausas ao longo do dia, respeitando limites do corpo e evitando longos períodos em pé ou esforços excessivos, que aumentam cansaço e pioram dores nas costas.

    Se a gestante perceber sintomas muito intensos, persistentes ou que atrapalham as atividades diárias, é importante comunicar ao médico imediatamente, porque sinais mais fortes podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo ou ajustes no plano de cuidados.

    Gestante pode fazer atividade física?

    A prática de atividades físicas está liberada durante a gravidez, desde que não seja exaustiva, segundo Andreia. Fazer exercícios moderados, como caminhadas, alongamentos e hidroginástica, ajuda na circulação, reduz desconfortos musculares, melhora o humor e favorece a qualidade do sono.

    O mais importante é respeitar os limites do corpo, evitar treinos de alta intensidade e suspender qualquer prática que provoque dor, falta de ar exagerada, tontura ou sangramento. O acompanhamento de um profissional também é recomendado para adaptar cargas e posturas conforme a gestação avança.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Suplementação na gravidez

    Com a gravidez, a demanda por vitaminas e minerais aumenta para sustentar o desenvolvimento do bebê e manter o equilíbrio metabólico materno. Mesmo com alimentação adequada, nem sempre é possível atingir a quantidade ideal de micronutrientes apenas por meio da dieta, o que exige o uso de suplementos, indicados por um médico.

    Segundo Andreia, o ácido fólico deve ser iniciado idealmente três meses antes da gravidez, mas, se não ela não foi planejada, é iniciado no começo da gestação e mantido até o final do primeiro trimestre. Ele é importante para reduzir o risco de malformações do tubo neural, estrutura que dará origem ao cérebro e à coluna vertebral do feto.

    Apesar da alimentação ser fundamental, o aumento das demandas metabólicas na gestação faz com que, em alguns casos, seja difícil atingir todas as necessidades apenas pela dieta. Por isso, polivitamínicos podem ser utilizados como suporte adicional, sempre em doses baixas. Outras vitaminas, como vitamina D e vitamina B12, só são suplementadas quando exames apontam alguma deficiência.

    Sinais que exigem atenção médica no primeiro trimestre

    Nem toda gestante experimenta a gravidez da mesma forma, mas é importante procurar atendimento médico se notar:

    • Sangramento vaginal em qualquer quantidade;
    • Vômitos intensos, contínuos e incapacitantes, com dificuldade para se alimentar ou perda de peso;
    • Febre acima de 38ºC;
    • Dor ou queimação ao urinar, que pode indicar infecção urinária;
    • Corrimento com odor forte, coloração incomum ou coceira intensa;
    • Diminuição súbita dos sintomas típicos da gravidez acompanhada de mal-estar importante;
    • Palpitações, falta de ar que não melhora ou sensação de aperto no peito.

    Em gestantes que já apresentam condições de saúde pré-existentes, o aumento natural do volume sanguíneo durante a gravidez pode representar sobrecarga para órgãos que não estão funcionando plenamente. Por isso, o acompanhamento precisa ser mais frequente, garantindo segurança tanto para a mãe quanto para o feto.

    Veja mais: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação

    Perguntas frequentes sobre o primeiro trimestre de gravidez

    É normal sentir cólicas ou desconforto abdominal no começo da gravidez?

    As cólicas leves são muito comuns no primeiro trimestre de gravidez, pois o útero começa a se expandir, a musculatura se adapta e os ligamentos pélvicos se tornam mais elásticos.

    O incômodo costuma aparecer como uma pressão baixa no ventre, semelhante ao período menstrual. O que merece atenção é uma dor intensa, que impede os movimentos ou vem acompanhada de sangramento. Nesses casos, a orientação é procurar avaliação médica para descartar complicações.

    Por que o cansaço é tão intenso nas primeiras semanas?

    A fadiga das primeiras semanas acontece porque o metabolismo acelera para alimentar o embrião em formação, o volume sanguíneo começa a aumentar e a produção de hormônios atinge níveis muito altos.

    Tudo isso exige energia e faz com que atividades simples se tornem cansativas, então é comum muitas gestantes gostarem de um cochilo à tarde. O corpo redireciona prioridades biológicas e coloca o desenvolvimento fetal em primeiro lugar, o que explica a sensação constante de exaustão.

    Qual é o momento certo para iniciar o pré-natal?

    O pré-natal deve começar logo após o teste positivo, pois quanto mais cedo a primeira consulta ocorrer, melhor será o acompanhamento de exames, suplementação, investigação de doenças prévias e orientação sobre hábitos saudáveis. A fase inicial é decisiva, pois define parâmetros importantes como pressão, peso, exames laboratoriais e histórico de saúde.

    É normal não sentir sintomas nas primeiras semanas?

    Muitas mulheres passam o início da gestação sem sintomas marcantes, e a ausência de enjoo, dor mamária ou cansaço não indica problemas. Cada organismo reage de maneira diferente as mudanças hormonais — o que realmente importa é manter o acompanhamento pré-natal e realizar os exames solicitados.

    A partir de quando a barriga começa a aparecer?

    O crescimento abdominal varia bastante, mas no início da gestação o útero ainda está pequeno e protegido dentro da pelve. A maioria das mulheres nota apenas um inchaço discreto no baixo ventre, relacionado a retenção de líquidos e alterações intestinais.

    O aumento visível costuma surgir apenas no segundo trimestre, quando o útero ultrapassa a altura do osso púbico e começa a projetar o abdômen de forma mais evidente.

    Posso manter relações sexuais no início da gravidez?

    Se a gestação estiver evoluindo normalmente e o obstetra não tiver indicado restrições, a atividade sexual está liberada, desde que não haja dor, sangramento ou desconforto significativo.

    Em alguns casos, a oscilação hormonal pode aumentar a libido, mas em outros ela pode reduzi-la. Tudo depende da resposta individual e do bem-estar da gestante.

    O que fazer quando as náuseas atrapalham a alimentação?

    Quando as náuseas impedem a ingestão adequada de alimentos, a orientação é fracionar as refeições, preferir opções leves, evitar odores fortes e manter hidratação constante. Caso os vômitos sejam frequentes e causem perda de peso, o obstetra pode prescrever medicações seguras, ajustadas para cada quadro.

    Leia mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

  • Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    A expectativa pela chegada do bebê convive, nas primeiras semanas de gravidez, com sintomas que podem afetar (e muito) o bem-estar materno, como náuseas, vômitos e dor de cabeça persistente. Eles variam de intensidade ao longo do dia e, muitas vezes, levantam dúvidas sobre quais remédios são realmente seguros durante a gestação e podem ser usados sem problemas.

    Antes de tudo, vale ressaltar que a orientação médica é indispensável, porque cada gestante possui necessidades específicas. Isso se aplica tanto aos medicamentos usados de forma ocasional quanto aos tratamentos contínuos de condições pré-existentes, como hipertensão, diabetes, epilepsia, transtornos de ansiedade ou depressão.

    Por que é preciso tanto cuidado ao tomar remédios na gravidez?

    Durante a gravidez, qualquer remédio ou substância usada pela gestante pode chegar ao bebê, porque compartilha o mesmo caminho que leva oxigênio e nutrientes pela placenta. Mesmo produtos que não atravessam diretamente a barreira podem causar efeito indesejado ao interferir no funcionamento do útero ou da própria placenta, podendo causar:

    • Malformações, atraso no desenvolvimento ou perda gestacional;
    • Alterar o funcionamento da placenta, reduzindo o fluxo de oxigênio e nutrientes e favorecendo baixo peso ao nascer;
    • Estimular contrações fortes do útero, diminuindo o suprimento de sangue para o bebê ou desencadeando parto prematuro;
    • Afetar o bebê de forma indireta, como quando a queda da pressão arterial materna reduz o fluxo de sangue para a placenta.

    Por tudo isso, cada medicamento precisa ser avaliado com cuidado, sempre levando em conta a saúde da mãe e a segurança do bebê.

    Como saber se o remédio é seguro na gravidez?

    Em termos de medicamentos, existe uma classificação de risco usada em todas as bulas, definida pela Anvisa, como explica a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. O objetivo é orientar médicos e gestantes sobre o que pode ou não ser usado durante a gestação, já que cada substância pode agir de maneira diferente no organismo da mãe e do bebê.

    A classificação funciona assim:

    • Categoria A: medicamentos com estudos em gestantes que não mostraram risco para o bebê. São considerados seguros durante a gravidez;
    • Categoria B: remédios testados em animais sem risco identificado, mas sem estudos completos em humanos; ou medicamentos que causaram algum efeito em animais, mas isso não se confirmou em estudos com gestantes;
    • Categoria C: medicamentos sem estudos suficientes em humanos e animais, ou com efeitos negativos observados em animais. Só devem ser usados quando o benefício para a mãe for maior que o risco potencial para o bebê;
    • Categoria D: medicamentos com risco fetal comprovado em humanos, mas que podem ser necessários em situações específicas, quando não existe alternativa mais segura e o tratamento é fundamental;
    • Categoria X: medicamentos que causam danos graves ao feto em estudos com animais ou humanos. São proibidos na gestação e também para mulheres que planejam engravidar.

    A classificação ajuda a orientar, mas não substitui a avaliação médica. De acordo com Andreia, se houver uma opção mais segura ou a possibilidade de aliviar os sintomas com métodos não medicamentosos, deve ser a prioridade durante a gravidez.

    Por exemplo, no caso de dor lombar, é possível utilizar um analgésico para aliviar o sintoma, mas antes vale considerar alternativas como fisioterapia, bolsa de água quente e outras medidas que não envolvem medicamentos.

    E as gestantes com condições preexistentes de saúde?

    No caso das gestantes que convivem com alguma condição de saúde, como hipertensão, diabetes ou transtornos de ansiedade e depressão, o uso de medicamentos muitas vezes é necessário para manter tudo sob controle. Parar o tratamento pode ser mais arriscado do que continuar com um remédio seguro, o que torna fundamental o acompanhamento médico.

    No caso de hipertensão, por exemplo, Andreia explica que já existem medicamentos considerados seguros na gravidez, como alfametildopa, propranolol e nifedipino. Se a gestante estiver usando outro tipo de remédio quando engravida, o médico faz a troca para uma opção mais adequada.

    O mesmo acontece em quadros de diabetes. A maioria dos remédios orais não é recomendada na gestação, com exceção da metformina. Quando a dieta não é suficiente para controlar a glicose, a insulina é usada porque não atravessa a placenta e não afeta o bebê.

    O ideal é sempre escolher medicamentos que já tenham estudos mostrando segurança na gravidez. Porém, em algumas situações, controlar a doença da mãe é tão importante que o médico pode precisar usar um remédio com menos dados disponíveis. Isso acontece porque deixar a condição sem tratamento pode trazer riscos ainda maiores.

    Nesses casos, a gestação é classificada como de alto risco e exige um acompanhamento mais próximo.

    Pode tomar remédios na amamentação?

    Mesmo que o remédio seja seguro na gravidez, ele pode se comportar de outra forma depois do parto, porque muitos medicamentos passam para o leite materno em maior ou menor quantidade.

    Como o bebê ainda tem um fígado e rins imaturos, ele pode ter dificuldade para eliminar certas substâncias. Por isso, cada situação precisa ser avaliada individualmente.

    Grávidas podem usar plantas medicinais?

    Mesmo produtos naturais podem apresentar riscos durante a gestação, e plantas medicinais, chás, óleos essenciais e suplementos de origem vegetal têm substâncias ativas que podem atravessar a placenta, estimular o útero, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento da placenta. O fato de serem “naturais” não significa que são seguros.

    Algumas plantas podem causar náuseas, queda de pressão, aumento das contrações ou até risco de sangramento. Outras podem interagir com medicamentos que a gestante já usa. Como muitos desses produtos não têm estudos suficientes em gestantes, é difícil prever seus efeitos no bebê. A orientação é nunca usar qualquer produto sem orientação de um médico.

    Andreia ainda complementa que o mesmo vale para cosméticos, como tinturas de cabelo e outros produtos químicos. Como o couro cabeludo é muito vascularizado, a pele funciona como uma via de absorção e pode permitir a entrada desses compostos no organismo.

    Como aliviar os sintomas de gravidez?

    A gravidez pode trazer sintomas desconfortáveis, como náuseas, enjoos, dores de cabeça e azia. Quando eles se tornam mais intensos, o primeiro passo é avisar o médico, que vai avaliar a situação e orientar as melhores formas de alívio.

    Antes mesmo de considerar o uso de medicamentos, há medidas simples que podem ajudar, como:

    • Fazer refeições menores ao longo do dia;
    • Evitar longos períodos em jejum;
    • Priorizar alimentos leves, de fácil digestão;
    • Beber água em pequenas quantidades várias vezes ao dia;
    • Evitar cheiros fortes que pioram o enjoo;
    • Descansar em ambientes ventilados;
    • Elevar a cabeceira da cama para reduzir a azia;
    • Fisioterapia para aliviar as dores nas costas;
    • Bolsa de água quente para cólicas leves.

    As orientações costumam ajudar bastante, mas o médico pode indicar medicamentos seguros caso os sintomas persistam ou prejudiquem a rotina da gestante.

    Leia também: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes

    Grávidas podem usar Ozempic ou outros análogos de GLP-1?

    A orientação é evitar totalmente o uso de Ozempic, Wegovy, Mounjaro e outros medicamentos da família dos análogos de GLP-1 durante a gravidez. Ainda não existem dados suficientes sobre segurança em gestantes, e estudos feitos apenas em animais mostram alterações no desenvolvimento fetal, o que levanta dúvidas importantes.

    A gestante também não deve usar os medicamentos para controle de peso, já que a perda ponderal não é recomendada durante a gestação. Quando a mulher engravida usando GLP-1 sem saber, o medicamento deve ser suspenso e o obstetra informado para acompanhamento.

    Grávida pode tomar anti-inflamatório?

    O uso de anti-inflamatórios deve ser evitado, especialmente no fim da gestação, porque pode prejudicar a circulação fetal ao fechar precocemente o ducto arterioso, estrutura vital para o bebê antes do nascimento. Além disso, pode aumentar o risco de sangramento e afetar os rins do feto.

    Os analgésicos mais seguros, como paracetamol ou dipirona, são preferidos quando bem indicados pelo médico.

    Grávida pode usar ansiolítico ou antidepressivo?

    O tratamento de transtornos emocionais continua importante durante a gravidez, e interromper remédios abruptamente pode causar recaídas e prejuízo significativo à mãe e ao bebê. Existem medicações hoje consideradas seguras, como sertralina e fluoxetina, mas a escolha depende da avaliação psiquiátrica e obstétrica, sempre considerando risco e benefício.

    Grávida pode usar pomadas e cremes dermatológicos?

    As pomadas com corticoides leves normalmente são seguras quando usadas por períodos curtos. Já substâncias como retinoides são contraindicadas, inclusive na forma tópica. A pele pode absorver medicamentos, e a passagem para o bebê varia conforme o produto. O dermatologista e o obstetra costumam orientar cada caso.

    Grávida pode usar remédios para prisão de ventre?

    A constipação é muito comum na gestação, mas laxantes estimulantes devem ser evitados, porque podem aumentar o movimento do intestino de forma intensa e, teoricamente, estimular o útero. As opções mais seguras são os laxantes formadores de bolo fecal ou osmóticos, e tudo deve ser orientado pelo obstetra.

    A base do tratamento é aumentar o consumo de água e fibras, além de manter a prática de atividade física regular.

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