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  • Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Em casos de emergências médicas, como condições que colocam a vida do paciente em risco, costuma ser necessária uma cirurgia imediata para evitar complicações graves, independentemente da fase da vida da pessoa. Mas o que acontece quando essas situações ocorrem durante a gravidez?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, quando se trata de uma emergência, a decisão sempre envolve avaliar os riscos e os benefícios, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Quando não há como esperar, a equipe médica avalia o momento da gestação, o tipo de cirurgia e as condições clínicas da gestante para reduzir ao máximo os riscos. Sempre que possível, o procedimento é planejado, mas, em situações urgentes, ele pode ser feito em qualquer fase da gravidez.

    É seguro realizar uma cirurgia durante a gravidez?

    A cirurgia pode ser realizada durante a gravidez quando há indicação, especialmente em situações de urgência ou emergência. Nesses casos, não operar pode trazer mais riscos do que o próprio procedimento.

    Em casos de emergência, a prioridade é a saúde da mãe, porque o bem-estar materno está diretamente ligado à segurança do bebê. Quando a gestante está estável, as chances da gestação evoluir bem são maiores.

    Quando a cirurgia na gravidez pode ser necessária?

    A cirurgia durante a gravidez costuma ser indicada em situações que não podem esperar, como aponta Andreia:

    • Trauma com sangramento interno (abdômen agudo hemorrágico): são situações graves, com risco de vida, que exigem intervenção rápida para controlar o sangramento;
    • Apendicite aguda: é a inflamação do apêndice que pode evoluir com complicações se não for tratada rapidamente;
    • Colecistite aguda: consiste em uma inflamação da vesícula biliar causada por cálculos. A presença de cálculos isoladamente não indica cirurgia, mas a inflamação sim;
    • Obstrução intestinal: é o bloqueio no intestino que impede a passagem do conteúdo intestinal;
    • Torções (como torção de ovário ou intestinal): comprometem a circulação local e podem levar à perda do órgão se não tratadas;
    • Problemas vasculares: são alterações que afetam o fluxo sanguíneo e podem causar isquemia;
    • Hérnia encarcerada: quando parte do intestino fica presa e não retorna para a posição normal, com risco de comprometimento da circulação e morte do tecido.

    A cirurgia também pode ser necessária em casos de infecções graves ou quando há comprometimento de algum órgão. Nesses cenários, agir rapidamente evita complicações maiores.

    Como o tempo de gestação influencia a cirurgia?

    A equipe médica avalia com cuidado o estágio da gestação e adapta o procedimento para cada fase, sempre pensando na segurança da mãe e do bebê.

    1. Primeiro trimestre

    A realização de cirurgias é evitada no primeiro trimestre da gravidez, pois o bebê ainda está formando os órgãos, então há mais cautela com os medicamentos e com o estresse da cirurgia, que podem interferir no desenvolvimento.

    Ainda assim, quando há urgência, o procedimento é realizado com monitoramento rigoroso por ultrassom, segundo Andreia.

    2. Segundo trimestre

    O segundo trimestre costuma ser a fase mais segura para realizar cirurgias, quando há possibilidade de planejamento. O bebê já passou pela fase inicial de formação, e Andreia explica que o risco de aborto ou de parto prematuro é menor em comparação com os outros períodos.

    3. Terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, o principal cuidado é com o risco de parto prematuro. O útero também está maior, o que pode dificultar alguns tipos de cirurgia, principalmente na região abdominal. Por isso, o procedimento exige ainda mais planejamento e experiência da equipe.

    Tipos de anestesia usados com gestantes

    Sempre que possível, Andreia esclarece que a preferência é pela anestesia regional, pois ela reduz a exposição do bebê aos medicamentos.

    Ainda assim, a anestesia geral pode ser necessária em casos de emergências complexas, o que exige um monitoramento rigoroso para garantir que a oxigenação e a circulação da mãe estejam perfeitas, já que isso influencia diretamente o aporte de oxigênio para o bebê.

    Como o bebê é monitorado durante o procedimento?

    O monitoramento do bebé durante uma cirurgia de emergência depende da idade gestacional, pois a forma como o feto responde ao estímulo e a sua viabilidade mudam ao longo da gravidez.

    De acordo com Andreia, antes das 24 semanas, o acompanhamento é feito via ultrassom antes e depois do procedimento. Depois disso, ​​ já é possível realizar a cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos e o bem-estar fetal.

    A partir de aproximadamente 24 semanas, o bebê já tem alguma chance de sobreviver fora do útero com suporte de UTI neonatal. Em casos de sofrimento fetal, pode ser necessário antecipar o parto.

    Segundo a ginecologista, durante toda a cirurgia, é fundamental garantir uma boa oxigenação e uma boa circulação materna, pois isso influencia diretamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o bebê.

    Cuidados para reduzir riscos no pós-operatório

    Para garantir que a gestação continue com segurança após a cirurgia, são necessários alguns cuidados, como:

    • Estabilidade da mãe: manter uma boa oxigenação e circulação é o mais importante, porque o bebê depende disso;
    • Controle de contrações: em alguns casos, podem ser usados medicamentos para evitar contrações e reduzir o risco de parto prematuro;
    • Maturação pulmonar do bebê: se houver risco de parto antecipado, a mãe pode receber medicação para ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê;
    • Prevenção de trombose: como a cirurgia e a gravidez aumentam o risco, são adotadas medidas para evitar a formação de coágulos.

    No geral, tudo é pensado para proteger a mãe e o bebê ao mesmo tempo, com uma equipe preparada e um acompanhamento próximo em todas as etapas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A anestesia geral pode prejudicar a formação do bebê?

    No primeiro trimestre, há maior cautela, mas as anestesias modernas são seguras. Sempre que possível, prefere-se a anestesia regional para reduzir a exposição fetal.

    2. O bebê sente dor durante a cirurgia da mãe?

    Não. Os medicamentos anestésicos que a mãe recebe também garantem que o bebê não sinta desconforto durante o procedimento.

    3. Pode-se fazer cirurgia por vídeo (laparoscopia) em gestantes?

    Sim, a laparoscopia é frequentemente preferida por ser menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida e menos manipulação do útero.

    4. Uma cirurgia pode causar aborto ou parto prematuro?

    Existe um risco aumentado, especialmente se houver infecção ou inflamação grave no abdômen, mas a equipe utiliza medicamentos para inibir contrações e proteger a gestação.

    5. Grávidas podem operar hérnias?

    Apenas se a hérnia estiver “encarcerada” (presa), o que pode interromper a circulação do intestino. Caso contrário, a recomendação é aguardar o nascimento.

    6. Posso amamentar logo após uma cirurgia de emergência?

    Se o bebê nascer nesse período, a amamentação depende da estabilidade da mãe e dos medicamentos usados, mas geralmente é estimulada assim que a mãe desperta.

    7. Grávidas podem usar dreno após a cirurgia?

    Sim, grávidas podem usar dreno após uma cirurgia, caso o procedimento seja estritamente necessário. Isso não prejudica o bebê e ajuda na recuperação mais rápida da gestante.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    O Brasil está entre os países com maiores taxas de gravidez na adolescência no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 44 bebês nascem por hora de mães adolescentes (de 10 a 19 anos), totalizando mais de 400 mil casos por ano.

    As taxas são mais elevadas nas regiões Norte e Nordeste, frequentemente associadas à vulnerabilidade social, à baixa escolaridade e à falta de acesso à educação sexual. Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre como utilizar métodos contraceptivos corretamente coloca jovens meninas em situações de risco que poderiam ser evitadas.

    A realidade não afeta apenas a saúde das mães e bebês, com maiores riscos de complicações como parto prematuro, anemia e baixo peso ao nascer, mas também compromete a educação, a vida social e as oportunidades futuras das adolescentes.

    O que aumenta o risco de gravidez na adolescência?

    Diversos fatores contribuem para a gravidez e o parto na adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde:

    • Casamento infantil, que reduz a autonomia da adolescente sobre o próprio corpo;
    • Baixas perspectivas de educação e emprego, fazendo com que a maternidade seja vista como alternativa;
    • Dificuldade de acesso e falta de informações sobre métodos contraceptivos;
    • Falta de autonomia ou recursos financeiros para obter métodos contraceptivos;
    • Estigma ou vergonha ao buscar métodos de prevenção;
    • Leis e políticas restritivas que dificultam o acesso de adolescentes a contraceptivos;
    • Abuso sexual infantil;
    • Violência sexual fora de relações afetivas;
    • Violência física ou sexual por parceiro íntimo;
    • Desigualdade de gênero, que aumenta a vulnerabilidade das meninas.

    Segundo a OMS, milhões de meninas em todo o mundo engravidam antes dos 18 anos, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social, falta de acesso à informação e ausência de apoio adequado. Os fatores não atuam de forma isolada, mas costumam acontecer juntos, o que aumenta o risco de uma gravidez não planejada.

    Impactos da gestação no desenvolvimento da adolescente

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a adolescência é uma fase de desenvolvimento, tanto físico quanto psicológico.

    A adolescente já convive com diversas transformações hormonais, instabilidade emocional e formação de personalidade, e uma gravidez pode trazer impactos importantes para a saúde, rotina e para os planos de vida.

    Além das questões físicas, a adolescente ainda está em processo de construção da identidade, dos planos e da autonomia da própria vida, e a maternidade pode antecipar responsabilidades para as quais ela, muitas vezes, ainda não se sente preparada.

    A gravidez também também pode implicar o abandono de projetos, o afastamento do grupo social e a sensação de isolamento. Sentimentos de ansiedade, culpa e depressão pós-parto são mais frequentes entre mães jovens, especialmente quando há falta de suporte familiar ou do parceiro, que, em muitos casos, também é adolescente.

    Para se ter uma ideia, dados do IBGE apontam que mães adolescentes têm menor probabilidade de concluir o ensino médio e maior chance de permanecer em situação de pobreza na vida adulta — um ciclo que, sem intervenção, tende a se repetir nas gerações seguintes.

    Riscos e complicações na gravidez na adolescência

    O corpo de uma adolescente está menos preparado para suportar uma gestação, o que aumenta a incidência de complicações, como:

    • Parto prematuro (quando o bebê nasce antes do tempo);
    • Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez);
    • Anemia;
    • Infecções;
    • Deficiências nutricionais;
    • Maior necessidade de intervenções médicas;
    • Dificuldades no trabalho de parto.

    Já para o bebê, os riscos estão ligados, principalmente, ao fato do corpo da mãe ainda está em desenvolvimento, como:

    • Nascimento prematuro (antes das 37 semanas);
    • Baixo peso ao nascer;
    • Maior necessidade de internação neonatal;
    • Dificuldades respiratórias ao nascer;
    • Maior risco de infecções;
    • Atrasos no desenvolvimento (em alguns casos).

    A mortalidade materna é proporcionalmente mais alta nessa faixa etária do que entre mulheres adultas, e os bebês nascidos de mães adolescentes apresentam maior risco de baixo peso ao nascer e de mortalidade infantil.

    Riscos emocionais e sociais

    A gravidez na adolescência também pode trazer impactos significativos no campo emocional e social, como ansiedade, medo, insegurança e sensação de sobrecarga. A maternidade exige disponibilidade emocional, estabilidade e capacidade de cuidado que ainda estão em formação nessa fase da vida.

    Quando a jovem não conta com uma rede de apoio e um ambiente de acolhimento, os riscos para a saúde mental e para o convívio social aumentam consideravelmente, como:

    • Ansiedade e insegurança: causadas pelas incertezas sobre o futuro e as novas responsabilidades;
    • Sobrecarga emocional: sensação de esgotamento ao tentar conciliar a própria juventude com os cuidados do bebê;
    • Depressão pós-parto: maior incidência em mães adolescentes devido ao estresse e isolamento;
    • Transtornos de humor: agravados pela pressão social e mudanças hormonais;
    • Evasão escolar: muitas adolescentes se afastam dos estudos por vergonha, pressão institucional ou pela dificuldade prática de conciliar a rotina escolar com a maternidade;
    • Isolamento social: o círculo de amizades tende a diminuir, enfraquecendo o senso de pertencimento e as referências típicas da idade;
    • Restrição ao ambiente doméstico: a jovem pode acabar confinada aos cuidados da casa e do filho, o que aprofunda sua vulnerabilidade.

    O acolhimento familiar e escolar é o fator principal para reduzir os riscos, assegurando que a adolescente continue tendo perspectivas de futuro e suporte emocional no dia a dia.

    Como é feito o pré-natal na adolescência?

    O pré-natal na adolescência segue os mesmos cuidados de qualquer gestação, mas precisa de uma atenção mais próxima e acolhedora. O acompanhamento deve começar o quanto antes, idealmente no primeiro trimestre, e inclui, no mínimo, seis consultas ao longo da gestação, sendo a primeira antes da 12ª semana

    Durante as consultas, são realizados exames laboratoriais, ultrassonografias, monitoramento do ganho de peso, controle da pressão arterial e avaliação do desenvolvimento fetal. Por conta da maior suscetibilidade a complicações como anemia, pré-eclâmpsia e parto prematuro, o cuidado costuma ser ainda mais rigoroso do que em gestações de mulheres adultas.

    O pré-natal também inclui a atualização da carteira de vacinação, a orientação sobre alimentação adequada e a suplementação de vitaminas, como ácido fólico e ferro, que são importantes para a saúde da mãe e do bebê.

    Cuidados além do pré-natal

    Para além do cuidado com a saúde, Andreia explica que também é importante cuidar do lado emocional e da realidade em que a adolescente vive.

    A jovem precisa se sentir acolhida e segura para falar sobre medos, dúvidas e dificuldades, e um espaço de escuta contribui para fortalecer a confiança no acompanhamento e ajudar na tomada de decisões mais conscientes ao longo da gestação.

    Muitas vezes, é nesse momento que surgem questões delicadas, como conflitos familiares, inseguranças em relação à maternidade ou até situações de vulnerabilidade que precisam de atenção.

    O acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, nutricionista e, quando necessário, educador social, também permite identificar vulnerabilidades que vão além da saúde física, como situações de violência doméstica, ausência de suporte familiar ou dificuldade de acesso à documentação e benefícios sociais.

    Muitas vezes, pequenas intervenções, como orientação sobre direitos, encaminhamento para serviços públicos ou apoio emocional, já fazem uma grande diferença no dia a dia da jovem. Quando há acolhimento, orientação e suporte, as chances de uma gestação mais tranquila e segura aumentam, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Como prevenir a gravidez na adolescência?

    As principais formas de prevenção da gravidez na adolescência envolvem medidas sobre educação sexual, métodos contraceptivos e apoio familiar e social.

    Atualmente, a camisinha (feminina e masculina) é um dos métodos contraceptivos mais acessíveis e pode ser retirada gratuitamente em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de prevenir uma gestação, ela é o único método que protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, gonorreia e herpes genital.

    Além da camisinha, existem outros métodos contraceptivos que podem ser utilizados para aumentar a proteção, como:

    Métodos contraceptivos de longa duração (LARC)

    Os métodos de longa duração são os mais recomendados para adolescentes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São eles:

    • DIU (cobre ou hormonal): oferece proteção por 5 a 10 anos e pode ser revertido a qualquer momento;
    • Implante subdérmico: consiste em um pequeno bastão inserido sob a pele do braço que libera hormônios gradualmente por 3 anos.

    Andreia aponta que métodos que não dependem do uso diário costumam ser mais seguros na prática, porque não precisam ser lembrados todos os dias.

    Métodos de curta duração

    Os métodos de curta duração são aqueles que dependem do uso frequente ou da lembrança da jovem, como tomar um comprimido todos os dias ou trocar o método em intervalos curtos.

    Por isso, podem ter uma eficácia menor na prática, especialmente quando há esquecimentos ou uso incorreto. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Pílula anticoncepcional: comprimido tomado todos os dias, no mesmo horário, para evitar falhas;
    • Adesivo contraceptivo: colado na pele e trocado uma vez por semana, liberando hormônios de forma contínua;
    • Anel vaginal: colocado dentro da vagina e trocado mensalmente, permanecendo por três semanas seguidas;
    • Injeção hormonal: aplicada mensalmente ou a cada três meses, dependendo do tipo, com ação prolongada sem necessidade de uso diário

    Apesar de funcionarem bem quando usados corretamente, os métodos precisam de atenção e regularidade. Por isso, é importante escolher aquele que melhor se encaixa na rotina, sempre com orientação de um profissional de saúde.

    Educação sexual como medida de prevenção

    A educação sexual é uma das principais medidas para prevenir casos de gravidez na adolescência, além de ajudar crianças e adolescentes a conhecerem o próprio corpo, entenderem limites e desenvolverem a noção de consentimento.

    Mais do que apenas oferecer informação, Andreia explica que é fundamental criar espaços de diálogo, nos quais adolescentes se sintam à vontade para tirar dúvidas e conversar abertamente sobre o tema, sem medo ou julgamento.

    Nas escolas, o mais comum é a educação reprodutiva, que aborda como ocorre a gravidez, o uso de métodos contraceptivos e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Ela também orienta quanto às seguintes questões:

    • Uso de preservativo (masculino ou feminino), que previne tanto a gravidez quanto às infecções sexualmente transmissíveis;
    • Uso combinado de preservativo com outro método contraceptivo, aumentando a proteção;
    • Vacinação contra o HPV;
    • Acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual.

    Apesar de muito importantes para a saúde pública, o diálogo sobre educação sexual é igualmente necessário para falar sobre relações saudáveis, respeito, limites e autocuidado.

    Com acesso a informações claras e acolhimento, os adolescentes conseguem fazer escolhas mais conscientes e seguras, desenvolvendo mais autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado gravidez na adolescência?

    É a gestação em meninas de 10 a 19 anos, classificada pela OMS como um problema de saúde pública devido aos riscos ampliados para a saúde materna e infantil.

    2. Quais os primeiros sinais de gravidez na adolescência?

    Os sinais são os mesmos de uma gestação adulta: atraso menstrual, mamas sensíveis, náuseas matinais, cansaço excessivo e variações de humor. Em adolescentes, o atraso pode ser confundido com a irregularidade hormonal comum da idade.

    3. É possível engravidar na primeira relação sexual?

    Sim, se a adolescente estiver em seu período fértil e houver penetração sem proteção, a gravidez pode ocorrer independentemente de ser a primeira vez.

    4. O que é período fértil?

    É a fase do ciclo menstrual, cerca de 14 dias após a menstruação, em que a ovulação acontece e a concepção é mais provável.

    5. O teste de farmácia é confiável para adolescentes?

    Sim, os testes de farmácia modernos têm alta precisão (cerca de 99%) se feitos após pelo menos um dia de atraso menstrual.

    6. Menor de idade pode ir ao ginecologista sozinha?

    Sim. De acordo com o Código de Ética Médica no Brasil, adolescentes têm direito ao sigilo e à privacidade, podendo ser atendidas sozinhas se demonstrarem maturidade para entender sua situação de saúde.

    7. Tomar pílula do dia seguinte evita gravidez sempre?

    Não. A pílula do dia seguinte é um método de emergência e sua eficácia diminui com o passar das horas. Ela não deve substituir os métodos contraceptivos regulares.

    8. É normal a menstruação atrasar na adolescência sem ser gravidez?

    Sim. Nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação), o ciclo pode ser irregular devido à imaturidade do eixo hormonal. No entanto, se houve relação sexual, o teste é indispensável.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • O que é citomegalovirose e quando ela preocupa

    O que é citomegalovirose e quando ela preocupa

    A citomegalovirose é uma infecção causada pelo citomegalovírus (CMV), um vírus bastante comum que pertence à família dos herpesvírus, a mesma do herpes simples e do vírus da varicela.

    Apesar de o nome parecer desconhecido para muitas pessoas, a infecção é bastante frequente. Estimativas indicam que grande parte da população entra em contato com o vírus ao longo da vida.

    Na maioria dos casos, a infecção passa despercebida e não causa sintomas importantes. Ainda assim, existem situações específicas em que a citomegalovirose merece mais atenção. Entenda mais abaixo.

    O que é o citomegalovírus?

    O citomegalovírus é um vírus que pode infectar diferentes células do organismo.

    Depois da primeira infecção, o vírus permanece no corpo em estado latente, ou seja, inativo. Isso é semelhante ao que acontece com outros vírus da família herpes.

    Na maioria das pessoas saudáveis, o sistema imunológico mantém o vírus sob controle.

    Como ocorre a transmissão?

    O citomegalovírus pode ser transmitido por contato com fluidos corporais, como:

    • Saliva;
    • Urina;
    • Sangue;
    • Secreções genitais;
    • Leite materno.

    A transmissão pode ocorrer, por exemplo, em situações de:

    • Contato próximo entre pessoas;
    • Relações sexuais;
    • Transfusão de sangue;
    • Transplante de órgãos;
    • Transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez.

    Quais são os sintomas da citomegalovirose?

    Na maioria das pessoas saudáveis, a infecção não causa sintomas. Quando aparecem, os sinais podem ser semelhantes aos de uma gripe ou mononucleose.

    Sintomas mais comuns

    Entre os sintomas possíveis estão:

    • Febre;
    • Cansaço;
    • Dor de garganta;
    • Aumento de gânglios (ínguas);
    • Dores musculares.

    Esses sintomas costumam desaparecer espontaneamente.

    Infecção silenciosa

    Muitas pessoas descobrem que já tiveram contato com o vírus apenas por meio de exames laboratoriais.

    Isso acontece porque a infecção frequentemente ocorre sem sintomas perceptíveis, ou se parece com um resfriado comum.

    Quem deve se preocupar mais com a citomegalovirose?

    Embora geralmente seja uma infecção leve, algumas pessoas precisam de atenção especial.

    Gestantes

    A infecção por citomegalovírus durante a gravidez pode ser transmitida para o bebê.

    Em alguns casos, isso pode causar citomegalovirose congênita, que pode levar a complicações como:

    • Perda auditiva;
    • Problemas neurológicos;
    • Atraso no desenvolvimento.

    Por isso, gestantes devem receber orientação médica sobre prevenção.

    Pessoas com imunidade comprometida

    Pessoas com sistema imunológico enfraquecido podem desenvolver formas mais graves da doença.

    Isso envolve:

    • Pacientes transplantados;
    • Pessoas em tratamento oncológico;
    • Pessoas vivendo com HIV avançado.

    Nesses casos, o vírus pode afetar órgãos como pulmões, olhos e trato gastrointestinal.

    Recém-nascidos

    Bebês infectados durante a gestação podem apresentar sintomas ao nascer ou desenvolver complicações posteriormente.

    Por isso, o acompanhamento pediátrico é importante quando há suspeita de infecção.

    Como prevenir a infecção?

    Não existe vacina disponível para o citomegalovírus.

    Algumas medidas simples podem reduzir o risco de transmissão:

    • Lavar as mãos com frequência;
    • Evitar compartilhar utensílios;
    • Ter cuidado com contato com secreções de crianças pequenas;
    • Adotar práticas sexuais seguras.

    Essas medidas são especialmente importantes para gestantes.

    Existe tratamento?

    Na maioria das pessoas saudáveis, a citomegalovirose não requer tratamento específico. O organismo costuma controlar o vírus naturalmente.

    Em casos mais graves, principalmente em pacientes imunossuprimidos, podem ser utilizados medicamentos antivirais específicos.

    Veja mais: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes sobre citomegalovirose

    1. Citomegalovirose é comum?

    Sim. Muitas pessoas entram em contato com o vírus ao longo da vida.

    2. A infecção sempre causa sintomas?

    Não. Muitas vezes é assintomática.

    3. Citomegalovírus é perigoso?

    Para pessoas saudáveis geralmente não, mas pode ser preocupante na gravidez e em pessoas imunossuprimidas.

    4. Existe vacina contra citomegalovírus?

    Atualmente não há vacina disponível.

    5. Como saber se já tive citomegalovírus?

    Exames de sangue podem detectar anticorpos contra o vírus.

    6. A infecção pode voltar?

    O vírus pode permanecer latente no organismo e reativar em algumas situações.

    7. Gestantes devem fazer exames para citomegalovírus?

    A avaliação depende da orientação médica e do contexto clínico.

    Confira: 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

  • 7 sintomas de pré-eclâmpsia na gravidez e como é feito o tratamento

    7 sintomas de pré-eclâmpsia na gravidez e como é feito o tratamento

    Uma das principais complicações que podem surgir na gravidez, a pré-eclâmpsia é uma condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana de gestação, com pressão arterial maior ou igual a 140×90 mmHg, associada a pelo menos um dos seguintes achados:

    • Presença de proteína na urina (proteinúria);
    • Baixa contagem de plaquetas no sangue;
    • Enzimas hepáticas elevadas, indicando comprometimento do fígado;
    • Líquido nos pulmões (edema pulmonar);
    • Novas dores de cabeça;
    • Novos distúrbios visuais.

    O quadro também pode provocar alterações em órgãos importantes, como os rins, o fígado, o cérebro e a placenta.

    Na maioria das situações, o problema é identificado durante o acompanhamento pré-natal, quando o profissional de saúde observa pressão arterial elevada e presença de proteína na urina, além de outros sintomas que podem indicar que o organismo da gestante não está funcionando normalmente.

    Para te ajudar, listamos a seguir 7 sintomas de pré-eclâmpsia que merecem atenção durante a gravidez. Caso algum deles apareça, lembre-se de procurar orientação médica para uma avaliação adequada.

    1. Pressão arterial persistentemente alta

    A pressão arterial alta é o principal sinal da pré-eclâmpsia. Normalmente, ela ocorre após a 20ª semana de gestação e se caracteriza por pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg ou diastólica maior ou igual a 90 mmHg, constatada em duas medições com intervalo mínimo de 4 horas, em gestantes com mais de 20 semanas que tinham pressão arterial normal anteriormente. A hipertensão, muitas vezes, não causa sintomas claros e só é identificada durante as consultas de pré-natal.

    2. Inchaço

    O inchaço da pré-eclâmpsia, também chamado de edema, costuma aparecer de forma repentina ou mais intensa e pode afetar especialmente as mãos, o rosto e os pés. Em alguns casos, a gestante pode perceber que os anéis ficam apertados nas mãos ou que o rosto parece mais inchado do que o normal.

    O sintoma acontece devido ao acúmulo de líquidos no organismo e pode estar relacionado às alterações na circulação sanguínea causadas pela pressão arterial elevada.

    3. Dores de cabeça

    A dor de cabeça forte e contínua pode acontecer devido ao aumento da pressão arterial e às alterações na circulação sanguínea. Quando a dor não melhora com descanso ou se torna muito intensa, é importante procurar avaliação médica.

    4. Ganho de peso repentino

    O ganho de peso rápido em um curto período de tempo normalmente ocorre devido à retenção de líquidos no organismo e não necessariamente ao aumento de gordura corporal.

    Quando o aumento de peso acontece de forma inesperada, especialmente em poucos dias, pode ser um sinal de que o corpo está acumulando líquidos em excesso. Por isso, o acompanhamento do peso durante as consultas de pré-natal é importante para identificar possíveis alterações.

    5. Náuseas e vômitos

    As náuseas e os vômitos são sintomas comuns no início da gravidez, mas quando surgem ou pioram depois do primeiro trimestre, podem estar associados a outras condições, como a pré-eclâmpsia. Em alguns casos, o sintoma pode aparecer junto com outros sinais, como dor na parte superior do abdômen, dor de cabeça intensa ou pressão alta.

    6. Alterações visuais

    Algumas gestantes podem apresentar visão embaçada, sensibilidade à luz ou enxergar pontos brilhantes, também chamados de “pontinhos” ou “manchas” na visão. As alterações podem ocorrer por causa do impacto da pressão alta no sistema nervoso e na circulação.

    7. Dor abdominal

    A dor na parte superior da barriga, especialmente do lado direito, pode estar relacionada a alterações no fígado causadas pela pré-eclâmpsia. A dor pode ser constante ou surgir como uma sensação de pressão ou desconforto.

    Como identificar a pré-eclâmpsia na gravidez?

    A pré-eclâmpsia é identificada durante as consultas de pré-natal, em que o profissional de saúde costuma medir a pressão arterial e solicitar exames de urina, que ajudam a verificar a presença de proteína na urina, um dos sinais característicos da pré-eclâmpsia.

    Além disso, o diagnóstico também pode envolver outros exames para avaliar a saúde da gestante e o desenvolvimento do bebê, como:

    • Exames de sangue, que analisam o funcionamento dos rins e do fígado;
    • Ultrassonografia, para acompanhar o crescimento do bebê e a quantidade de líquido amniótico;
    • Avaliação clínica dos sintomas, como dor de cabeça intensa, inchaço no rosto ou nas mãos e alterações na visão.

    Quando há suspeita da condição, o médico pode recomendar um acompanhamento mais frequente para monitorar a pressão arterial e a saúde da mãe e do bebê.

    Como tratar a pré-eclâmpsia na gravidez?

    O tratamento da pré-eclâmpsia depende da gravidade da condição e do tempo de gestação. Se a pré-eclâmpsia for considerada leve e o bebê ainda estiver muito prematuro, o médico pode orientar medidas como:

    • Repouso: pode ser recomendada a redução da atividade física e, em alguns casos, o repouso relativo para ajudar no controle da pressão arterial;
    • Aferição frequente da pressão: a pressão arterial pode precisar ser medida várias vezes ao dia para acompanhar possíveis alterações;
    • Exames de rotina: podem ser solicitadas coletas frequentes de sangue e urina para avaliar o funcionamento dos rins e do fígado;
    • Avaliação do bebê: exames como ultrassonografia com Doppler e cardiotocografia ajudam a verificar se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes adequados.

    Quando a pressão arterial está muito elevada ou existe risco de complicações, o médico pode indicar o uso de medicamentos para controlar a pressão arterial, como os anti-hipertensivos, que são seguros para uso durante a gestação.

    Em casos mais graves, pode ser necessária a internação hospitalar para um acompanhamento mais cuidadoso da gestante e do bebê. Durante a internação, a equipe de saúde monitora regularmente a pressão arterial, os reflexos neurológicos e o funcionamento de órgãos importantes, como os rins e o fígado, além de acompanhar o bem-estar do bebê.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia?

    A pré-eclâmpsia é o estado de pressão alta e sinais de alerta. A eclâmpsia é a progressão grave da doença, em que a gestante apresenta convulsões, o que coloca a vida da mãe e do bebê em risco imediato.

    2. Como diferenciar uma dor de cabeça comum da dor da pré-eclâmpsia?

    A dor da pré-eclâmpsia costuma ser muito forte, latejante, persistente e, em geral, não melhora com analgésicos comuns ou repouso.

    3. Quem tem mais risco de desenvolver a doença?

    Mulheres na primeira gravidez, com histórico familiar de pré-eclâmpsia, hipertensas antes de engravidar, com obesidade, com idade acima de 35 anos ou em gravidez de gêmeos.

    4. É possível prevenir a pré-eclâmpsia?

    Não é possível prevenir completamente, mas em mulheres de alto risco, os médicos costumam prescrever aspirina infantil (baixa dose) e suplementação de cálcio para reduzir as chances de desenvolvimento.

    5. Toda grávida com pré-eclâmpsia precisa fazer cesárea?

    Não. Se a condição estiver estável, o parto normal pode ser induzido e é frequentemente preferível, pois a cesárea é uma cirurgia que impõe estresse adicional ao corpo já fragilizado pela hipertensão.

    6. O que é a Síndrome HELLP?

    É uma variante muito grave da pré-eclâmpsia. A sigla vem do inglês e representa a destruição dos glóbulos vermelhos, a elevação das enzimas do fígado e a queda das plaquetas (responsáveis pela coagulação). É uma emergência médica que normalmente exige o parto imediato.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Durante a gestação, algumas substâncias, produtos e medicamentos que costumavam fazer parte do dia a dia da mulher podem representar riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Por causa das mudanças no organismo e da formação dos órgãos do feto, determinados componentes podem atravessar a placenta e interferir no processo.

    Neste guia, você vai entender o que grávidas não podem usar durante a gestação, quais produtos devem ser evitados e quais cuidados ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê ao longo de toda a gravidez. Dá uma olhada!

    Por que alguns produtos comuns podem ser perigosos na gravidez?

    O principal problema associado ao uso de alguns produtos durante a gestação está relacionado à permeabilidade da placenta. A placenta funciona como uma barreira de proteção entre a mãe e o bebê, só que ela não é totalmente capaz de impedir a passagem de todas as substâncias.

    Muitos medicamentos, compostos químicos e até algumas substâncias presentes em cosméticos podem atravessar a placenta e chegar à circulação do feto. Quando isso acontece, esses componentes podem interferir no desenvolvimento do bebê, especialmente durante as fases em que os órgãos e sistemas ainda estão em formação.

    Dependendo da substância e do momento da gestação, a exposição pode aumentar o risco de malformações ou até causar alterações no funcionamento dos órgãos, afetar o crescimento do bebê ou provocar complicações para a gravidez.

    O que deve ser evitado na gravidez?

    1. Medicamentos

    Nenhum medicamento deve ser usado por conta própria na gravidez, pois mesmo remédios comuns podem trazer riscos para o bebê, já que muitas substâncias conseguem atravessar a placenta.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é necessário evitar:

    • Anti-inflamatórios não hormonais: ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno, pois podem causar o fechamento precoce do canal arterial e hipertensão pulmonar no feto;
    • Remédios classificados como categoria D ou X: substâncias com evidências de risco ou contraindicação absoluta, como a talidomida (causadora de focomelia) e o propiltiouracil (que afeta a tireoide do bebê);
    • Antibióticos de classes contraindicadas: medicamentos que atravessam a placenta e podem interferir no desenvolvimento do bebê (devem ser substituídos por opções seguras prescritas pelo médico);
    • Remédios para pressão arterial sem indicação: especialmente os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que podem causar alterações na formação dos rins do feto.

    Como identificar medicamentos seguros?

    Andreia explica que uma forma importante de orientação é consultar a bula do medicamento. Toda bula possui uma seção chamada categoria de risco na gravidez, que indica o nível de risco que determinada substância pode representar para o feto.

    A classificação possui cinco categorias: A, B, C, D e X. Cada uma indica o nível de segurança ou de risco para o bebê.

    • Categoria A: inclui medicamentos considerados seguros e que, muitas vezes, são até recomendados durante a gravidez. Um exemplo são os suplementos vitamínicos, como o ácido fólico, fundamental para o fechamento do tubo neural do bebê;
    • Categoria B: também é considerada segura para uso na gestação, com estudos que não demonstram risco significativo para o bebê;
    • Categoria C: indica que não existem dados suficientes para afirmar se o medicamento é seguro ou não. Nesses casos, o uso deve ser feito com cautela e apenas quando realmente necessário;
    • Categoria D: existem evidências de risco para o feto, então o medicamento só deve ser utilizado em situações muito específicas e sempre com supervisão médica;
    • Categoria X: representa contraindicação absoluta durante a gravidez, pois já existem evidências científicas de que a substância pode causar danos graves ao feto.

    Um exemplo de medicamento da categoria D é o propiltiouracil, usado para tratar hipertireoidismo. Quando a gestante apresenta essa condição, Andreia esclarece que é necessário controlar a doença, porque o descontrole também pode trazer riscos para a gravidez.

    No entanto, o medicamento pode atravessar a placenta e afetar a tireoide do bebê, que normalmente não apresenta o problema. Por isso, quando necessário, ele pode ser utilizado em doses menores e com acompanhamento rigoroso, incluindo ultrassonografias para avaliar a tireoide fetal.

    2. Produtos de beleza

    Certos cosméticos e procedimentos estéticos também precisam de cuidado durante a gravidez, principalmente quando têm substâncias que podem ser absorvidas pela pele. Por isso, Andreia recomenda evitar:

    Cremes com retinol ou substâncias de alta absorção

    Os produtos dermatológicos com retinol ou derivados da vitamina A devem ser evitados. As substâncias podem ser absorvidas pela pele e, em alguns casos, estão associadas a riscos para o desenvolvimento do bebê.

    Tinturas de cabelo com metais pesados

    Algumas tinturas capilares podem conter metais pesados, como chumbo ou mercúrio. Por precaução, muitas vezes recomenda-se evitar esse tipo de produto ou optar por tonalizantes, que costumam ter fórmulas mais suaves.

    Procedimentos estéticos

    Procedimentos estéticos mais invasivos, como aplicações injetáveis ou tratamentos dermatológicos intensos, geralmente não são recomendados durante a gravidez. Além da falta de evidências de segurança, o corpo da gestante passa por mudanças hormonais que podem alterar a resposta da pele.

    Maquiagens de procedência duvidosa

    O uso de maquiagens costuma ser considerado seguro na gravidez, mas você deve evitar produtos de origem desconhecida ou sem registro sanitário.

    Algumas fórmulas podem conter excesso de conservantes, fragrâncias ou metais pesados, substâncias que podem causar irritações na pele ou aumentar o risco de exposição a compostos potencialmente prejudiciais. Sempre que possível, o ideal é optar por marcas confiáveis e produtos dermatologicamente testados.

    3. Cigarro e exposição à fumaça

    O tabagismo pode prejudicar a circulação de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê, o que pode afetar o desenvolvimento fetal.

    Entre os possíveis efeitos estão o aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas respiratórios no recém-nascido. Além disso, bebês expostos ao cigarro durante a gravidez podem ter maior chance de apresentar dificuldades respiratórias e infecções nos primeiros meses de vida.

    Importante: mesmo quando a gestante não fuma, conviver com pessoas que fumam ou permanecer em ambientes com fumaça pode trazer riscos. O ideal é evitar locais onde haja cigarro e manter o ambiente sempre livre de fumaça.

    4. Cafeína em excesso

    Quando ingerida em grandes quantidades, a cafeína pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, que ainda não tem o organismo totalmente preparado para metabolizar a substância. O recomendado é limitar o consumo de bebidas que contêm cafeína, como café, chá-preto, chá-verde, refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas.

    5. Fitoterápicos

    Os fitoterápicos são feitos a partir de plantas e, mesmo sendo naturais, possuem substâncias ativas que podem provocar reações no corpo, assim como acontece com os medicamentos tradicionais. Na gravidez, várias das substâncias não foram suficientemente estudadas, então não é possível garantir a segurança de vários fitoterápicos para a gestante e para o bebê.

    Além disso, algumas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento de órgãos importantes durante a gestação. Por isso, o uso de fitoterápicos deve ser feito apenas com orientação médica.

    Chás com efeito medicinal

    Os chás preparados com plantas medicinais podem conter substâncias ativas capazes de provocar efeitos no organismo. Na gestação, algumas dessas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no desenvolvimento do bebê.

    A concentração dos compostos também pode variar muito de acordo com a forma de preparo, o que torna difícil controlar a quantidade ingerida, então o consumo frequente não é indicado sem orientação médica.

    Entre alguns dos chás que devem ser evitados, é possível destacar:

    • Chá de canela;
    • Chá de arruda;
    • Chá de boldo;
    • Chá de sene;
    • Chá de hibisco;
    • Chá de losna;
    • Chá de carqueja.

    Em caso de dúvida sobre qualquer tipo de chá ou planta medicinal, o mais seguro é sempre conversar com um profissional de saúde antes do consumo.

    O que fazer se usar algo proibido por engano?

    Se você utilizou algum medicamento ou produto da lista de contraindicados por descuido, mantenha a calma. O risco para o bebê depende de vários fatores, como a dosagem, o tempo de exposição e a idade gestacional.

    Nesses casos, siga algumas orientações:

    • Interromper o uso imediatamente, suspendendo o consumo ou a aplicação do produto assim que perceber o erro;
    • Consultar o obstetra e informar exatamente o que foi usado, a quantidade e por quanto tempo, para que o médico possa avaliar o risco real;
    • Identificar a substância, tendo em mãos a bula do medicamento ou o rótulo do cosmético para facilitar a análise médica;
    • Verificar a categoria de risco, permitindo que o médico consulte ferramentas e referências para saber se será necessário realizar exames extras, como uma ultrassonografia mais detalhada;
    • Evitar a automedicação para tentar corrigir o erro, já que o uso de outra substância sem orientação médica pode aumentar o risco.

    Na maioria das vezes, o uso isolado e acidental de substâncias de baixo risco, como alguns cremes ou um único comprimido de anti-inflamatório, não causa danos imediatos. Mesmo assim, a avaliação médica é importante para garantir a segurança da gestante e do bebê.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Probióticos são permitidos na gravidez?

    Sim, normalmente são considerados seguros para uso durante a gestação.

    2. Onde vejo se o remédio é seguro para o bebê?

    A forma mais rápida é consultar a seção “Categoria de Risco na Gravidez” na bula ou perguntar diretamente ao médico.

    3. Grávida pode usar protetor solar comum?

    Sim, o uso de protetor solar é indispensável, pois a pele da gestante tem maior tendência a manchas (melasma), mas prefira os indicados para o seu tipo de pele.

    4. Grávida pode usar hidratante com vitamina C?

    Sim. Diferente do retinol, a vitamina C tópica costuma ser segura e ajuda a prevenir manchas durante a gestação.

    5. Remédio para acne (uso tópico) é liberado?

    A maioria deve ser evitada, especialmente os que contêm ácido salicílico em altas concentrações ou derivados de vitamina A. Consulte o dermatologista antes.

    6. Grávida pode usar repelente?

    Sim, o uso é fundamental para prevenir doenças como o Zika vírus. Prefira repelentes aprovados pela ANVISA para uso em gestantes.

    7. Pode fazer tatuagem ou micropigmentação?

    Não é recomendado durante a gestação devido ao risco de infecções, reações alérgicas e à presença de metais pesados nas tintas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Cicatriz da cesárea: 4 cuidados essenciais pós-parto (e sinais de alerta)

    Depois de um parto cesárea, existe uma série de cuidados necessários para evitar problemas, em especial com a cicatriz. A cicatrização adequada ajuda a prevenir infecções, dor persistente, abertura dos pontos e até complicações internas, como a abertura dos pontos antes do tempo e a formação de abscessos.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais cuidados realmente fazem diferença no pós-operatório e quais sinais exigem atenção médica imediata. Confira!

    Como são feitos os pontos da cesariana?

    Na cesariana, o fechamento do corte é feito com cuidado e por etapas. Como a cirurgia atravessa várias camadas do abdômen, o médico primeiro sutura as partes internas, como o útero e a musculatura, e só depois fecha a pele.

    Na maioria das vezes, Andreia explica que o fechamento da pele é feito com pontos intradérmicos, que ficam “por dentro” da pele e não aparecem externamente. O fio utilizado costuma ser bem fino, quase invisível, e absorvível — isto é, o próprio corpo o reabsorve com o tempo, sem necessidade de retirar os pontos depois.

    Em alguns casos, o médico pode optar por pontos externos ou pelo uso de cola cirúrgica. A cola forma uma espécie de película protetora sobre o corte e vai se soltando sozinha ao longo dos dias. A escolha da técnica depende da avaliação do profissional e das características da pele de cada mulher.

    Quais os cuidados com a cicatriz da cesárea nas primeiras semanas?

    Nas primeiras semanas após a cesárea, a cicatriz fica avermelhada, elevada, endurecida e com sensibilidade, localizando-se na linha do biquíni (cerca de 10 cm). Em alguns casos, a cicatriz da cesárea pode ser vertical (feita da região pubiana em direção ao umbigo), embora seja menos comum atualmente.

    Nesse período, é importante manter alguns cuidados simples, como:

    1. Realize a higiene adequada todos os dias

    Segundo Andreia, a região deve ser lavada durante o banho, com água corrente e sabonete neutro. Não é necessário utilizar produtos específicos, antissépticos ou soluções especiais, salvo recomendação médica.

    A especialista também ressalta que não se deve aplicar corticoides, anti-inflamatórios tópicos ou outras substâncias sem orientação profissional.

    Após a lavagem, é importante secar bem a área com uma toalha limpa, dando leves toques, sem esfregar. A fricção excessiva pode sensibilizar a pele, que ainda está em processo de recuperação.

    2. Mantenha a cicatriz seca

    A umidade é um dos principais fatores que favorecem a proliferação de bactérias. Por isso, depois do banho, a região precisa estar completamente seca antes de vestir a roupa.

    O uso de roupas leves, preferencialmente de algodão, ajuda a evitar abafamento, suor excessivo e atrito sobre a cicatriz. As peças muito apertadas podem causar desconforto e aumentar a sensibilidade local.

    3. Evite atividades físicas intensas

    Durante a cesariana, Andreia explica que várias camadas são suturadas, incluindo a aponeurose, que é uma camada fibrosa resistente que recobre o músculo. A região pode ficar sensível a esforços intensos no período inicial.

    Por isso, vale evitar esforços intensos, exercícios abdominais, levantamento de peso ou movimentos bruscos que podem gerar tensão excessiva na região, o que aumenta o risco de dor, abertura de pontos ou alargamento da cicatriz.

    4. Usar o protetor solar na cicatriz

    A exposição ao sol pode escurecer a cicatriz, pois se trata de uma pele em processo de regeneração. Andreia recomenda o uso de protetor solar sobre a região e, sempre que possível, mantê-la coberta pela roupa, especialmente na praia ou na piscina.

    Com o tempo, a cicatriz tende a clarear. Com seis meses a um ano já está bastante clara, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Avaliação médica nas primeiras semanas

    Com 15 dias, Andreia aponta que já existe uma cicatrização inicial adequada, e é possível avaliar se houve soltura de pontos, abertura de algum trecho ou saída de secreção. Ainda assim, a cicatriz está em fase inicial de evolução.

    O que é normal na cicatriz da cesárea?

    Após a cesárea, a cicatriz passa por um processo natural de cicatrização que pode durar meses. Durante o período, é normal que a cicatriz da cesárea fique avermelhada, inchada, endurecida e com coceira nas primeiras semanas, evoluindo para uma cor mais clara com o tempo, muitas vezes ficando dormente ou com formigamento.

    Também pode haver uma leve sensação de repuxamento na região, principalmente ao se levantar, caminhar ou fazer movimentos mais amplos com o tronco. Isso acontece porque os tecidos internos ainda estão em fase de reorganização e cicatrização, algo esperado depois de uma cirurgia abdominal como a cesárea.

    Possíveis alterações no processo de cicatrização da pele

    Durante a cicatrização da cesárea, algumas alterações podem ocorrer e, na maioria das vezes, fazem parte da resposta natural do organismo.

    Uma das alterações mais comuns é a cicatriz hipertrófica, segundo Andreia, que fica mais elevada e endurecida, porém limitada à área do corte. Ela pode estar relacionada à tensão da pele, à resposta inflamatória individual ou à forma como o tecido cicatrizou.

    Em muitos casos, há uma melhora progressiva com o tempo, embora algumas situações precisem de acompanhamento.

    Também pode ocorrer a cicatriz quelóide, que ultrapassa os limites da incisão original e apresenta crescimento mais exuberante do tecido cicatricial. Andreia explica que a alteração está relacionada principalmente à predisposição genética e é mais frequente em pessoas com pele mais escura.

    Nesses casos, pode ser necessário tratamento específico, como infiltrações com corticoide ou outras abordagens indicadas pelo médico.

    Sinais de alerta para ficar atenta

    É importante procurar atendimento médico caso surjam sinais que indiquem possível infecção, como:

    • Saída de pus;
    • Vermelhidão intensa;
    • Aumento da dor;
    • Sensação de calor na região;
    • Febre.

    Também pode ocorrer a formação de seroma, segundo Andreia, que é o acúmulo de líquido claro sob a pele. Nem sempre ele indica uma infecção, mas precisa ser avaliado por um profissional para evitar complicações.

    De forma geral, a cicatriz deve permanecer plana, sem inchaço, calor excessivo ou secreção. Diante de qualquer alteração significativa, é fundamental procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para a cicatriz da cesárea fechar por fora?

    A camada externa da pele costuma fechar entre 7 a 10 dias. No entanto, a cicatrização completa dos tecidos internos (músculos e útero) leva de 6 a 12 meses.

    2. Quando pode voltar a dirigir depois da cesárea?

    Normalmente após 15 a 21 dias. O ponto principal é não sentir dor ao pisar no freio bruscamente e ter mobilidade para girar o tronco. Por isso, consulte o seu médico antes.

    3. Os pontos da cesárea caem sozinhos?

    Depende da técnica. Atualmente, muitos cirurgiões usam fios absorvíveis que o corpo absorve em algumas semanas. Se forem pontos externos tradicionais ou grampos, eles devem ser retirados pelo médico entre 8 e 12 dias.

    4. Qual a melhor posição para dormir após a cesárea?

    De barriga para cima ou de lado, com um travesseiro entre os joelhos e outro apoiando a barriga. Dormir de bruços não é recomendado nas primeiras semanas.

    5. Quando pode ter relações sexuais novamente?

    A recomendação padrão é aguardar o fim do puerpério (quarentena), cerca de 40 dias, para garantir que o colo do útero esteja fechado e a cicatrização interna avançada.

    6. Quantas camadas de tecido são cortadas na cesárea?

    São cortadas 7 camadas: pele, tela subcutânea (gordura), fáscia (capa do músculo), músculo (que é afastado), peritônio parietal, peritônio visceral e, por fim, o útero.

    7. Posso passar hidratante ou óleo diretamente na cicatriz recém-fechada?

    Apenas após a liberação médica, normalmente após 15 ou 20 dias. Antes disso, o excesso de umidade de cremes pode amolecer os tecidos e favorecer a abertura dos pontos ou a proliferação de fungos.

    8. Quanto tempo depois da cesárea posso engravidar novamente com segurança?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um intervalo de 18 a 24 meses. O tempo é necessário para que a cicatriz no útero recupere sua elasticidade total, reduzindo o risco de ruptura uterina em uma futura gestação.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • 9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    9 mitos e verdades sobre analgesia de parto normal (e quando ela é indicada)

    A decisão sobre como lidar com a dor durante o parto é pessoal e envolve encontrar um equilíbrio entre o conforto da mãe, a segurança do bebê e o progresso do trabalho de parto.

    A analgesia existe para tornar a experiência do parto mais confortável, sem necessariamente interferir na participação ativa da mulher naquele momento. Uma vez que cada gestação é única, a indicação pode variar conforme a evolução do parto, a intensidade da dor e também a preferência da gestante.

    Para entender melhor como a analgesia de parto funciona, quando costuma ser indicada e quais informações realmente fazem sentido, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Qual a diferença entre anestesia e analgesia?

    A diferença entre a anestesia e a analgesia está principalmente no grau de bloqueio da dor e da sensibilidade.

    A analgesia tem como objetivo reduzir ou aliviar a dor, mas sem eliminar totalmente a sensibilidade nem os movimentos. No parto normal, por exemplo, a analgesia costuma permitir que a mulher continue sentindo o corpo, consiga se movimentar e faça força quando necessário, só com menos dor.

    Já a anestesia provoca um bloqueio mais completo, que pode incluir dor, sensibilidade e até movimento, dependendo do tipo e da dose. Na cesariana, por exemplo, a anestesia é usada para que a mulher não sinta dor durante o procedimento cirúrgico.

    Mitos e verdades sobre analgesia no parto normal

    1. A anestesia faz o trabalho de parto parar

    Mito! Antigamente, eram utilizadas doses mais altas que realmente podiam reduzir a intensidade das contrações uterinas e até prolongar o trabalho de parto.

    Hoje, a técnica de “baixa dose” (low-dose) permite manter o útero funcionando normalmente, preservando as contrações necessárias para a progressão do parto, enquanto reduz principalmente a dor mais intensa.

    2. A gestante pode perder a capacidade de fazer força

    Verdade, mas é controlável. Em alguns casos, a sensibilidade pode diminuir a ponto de a mulher não perceber claramente o “reflexo de puxo”.

    No entanto, a equipe médica consegue orientar o momento adequado para fazer força, e o efeito da analgesia pode ser ajustado durante o período expulsivo para favorecer a participação ativa da mulher no parto.

    3. A analgesia causa dor nas costas para sempre

    Mito. A dor no local da picada é comum por 2 ou 3 dias. As dores crônicas nas costas após o parto normalmente estão ligadas à postura durante a gravidez, ganho de peso ou esforço físico, e não à agulha da anestesia.

    4. A medicação passa para o bebê e o deixa sonolento

    Mito. Na analgesia de parto, especialmente na técnica peridural (epidural), a medicação permanece concentrada no espaço ao redor da medula espinhal e praticamente não entra na corrente sanguínea materna. Logo, a quantidade que chega ao bebê é insignificante.

    5. Existe um “momento certo” (dilatação mínima) para pedir

    Mito. De acordo com Andreia, como a dor é um critério muito subjetivo, a analgesia pode acontecer em momentos diferentes do parto, dependendo de cada paciente.

    A decisão é individual e deve considerar o conforto materno. Não é necessário esperar atingir 4 ou 5 cm de dilatação se a gestante estiver com dor intensa ou sofrimento — o importante é que ela já esteja em trabalho de parto ativo e com avaliação médica adequada.

    6. Nem toda mulher consegue tomar a anestesia.

    Verdade. Existem contraindicações raras, como distúrbios de coagulação graves, infecções ativas nas costas ou algumas cirurgias prévias na coluna que impedem o acesso ao espaço epidural.

    Nesses casos, a equipe médica avalia alternativas para controle da dor e acompanha o parto com atenção redobrada.

    7. Analgesia pode ser aplicada novamente no final do parto

    Verdade. Na fase final do parto, quando ocorre a distensão do períneo e a cabeça do bebê já está saindo, Andreia aponta que o anestesista pode complementar a analgesia para aliviar a dor nessa região, que é diferente da dor das contrações.

    Em alguns casos, realiza-se um duplo bloqueio: além da peridural, utiliza-se uma raquianestesia em dose muito baixa, direcionada principalmente ao períneo. Isso acontece porque a raquianestesia pode bloquear fibras motoras, e a ideia é evitar que a paciente perca a motricidade.

    8. É impossível caminhar após tomar a anestesia

    Mito. Com a técnica da walking epidural, a dose é ajustada para bloquear a dor (fibras sensitivas), mas preservar o movimento das pernas (fibras motoras), permitindo que a mulher mude de posição.

    9. Analgesia pode afetar as contrações uterinas

    Verdade. Segundo Andreia, a analgesia pode provocar um pequeno desequilíbrio entre adrenalina e noradrenalina, o que pode influenciar as contrações uterinas. Com o alívio da dor, muitas vezes o corpo relaxa e o útero pode até contrair melhor.

    Em algumas situações, isso pode favorecer a evolução do parto. Já em outras, as contrações podem ficar um pouco mais lentas.

    Por isso, o obstetra acompanha as contrações de perto para garantir que elas continuem eficazes e não prejudiquem o andamento do trabalho de parto. Quando necessário, pode ser utilizada ocitocina para manter contrações adequadas em cada fase do parto.

    Quando a analgesia no parto normal é indicada?

    A analgesia no parto normal é indicada, principalmente, quando a mulher sente que a dor está forte demais e que os métodos naturais, como o banho quente, a massagem ou a bola, não estão mais dando conta de trazer alívio.

    Se você está em trabalho de parto e percebe que chegou ao seu limite, tem o direito de pedir ajuda com a medicação.

    Além da vontade da mãe, os médicos também podem indicar a analgesia em algumas situações para ajudar o parto a evoluir melhor, como nos casos de cansaço intenso ou dificuldade para relaxar.

    Às vezes, a dor impede o descanso ou o relaxamento, o que pode até interferir na evolução do trabalho de parto. O alívio da dor pode ajudar o corpo a responder melhor às contrações e tornar o processo mais tranquilo.

    Como a analgesia é aplicada?

    A analgesia de parto é aplicada no chamado espaço peridural, que fica ao redor da medula espinhal, conforme explica Andreia. O medicamento é administrado nessa região para bloquear principalmente as fibras responsáveis pela dor, sem necessariamente afetar a sensibilidade ou os movimentos.

    Para fazer o procedimento, o anestesista realiza uma punção na região lombar e introduz um cateter fino no espaço peridural. Por meio do cateter, o analgésico é liberado de forma gradual e contínua com a ajuda de uma bomba de infusão, que administra pequenas quantidades do medicamento ao longo do trabalho de parto.

    Andreia ressalta que o controle da dose e da velocidade de infusão é fundamental. Se a medicação for administrada em quantidade muito alta ou rapidamente, pode haver maior perda de sensibilidade ou até de movimento. Por isso, o objetivo é aliviar a dor sem impedir a participação ativa da mulher no parto.

    Existem contraindicações?

    A analgesia no parto normal é contraindicada em algumas situações pouco comuns, como:

    • Uso de anticoagulantes ou alterações importantes da coagulação, que aumentam o risco do procedimento;
    • Desvios acentuados na coluna ou cirurgias prévias na região, que podem dificultar a passagem do cateter.

    Nem sempre essas situações impedem a analgesia, mas podem deixar o procedimento um pouco mais delicado. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com cuidado pela equipe médica.

    Perguntas frequentes

    1. A analgesia pode atrasar o parto?

    Ela pode prolongar um pouquinho a fase final (de 15 a 30 minutos), mas, por outro lado, pode acelerar a dilatação inicial ao relaxar uma mãe que estava muito tensa pela dor.

    2. Se eu tomar a analgesia, ainda vou sentir as contrações?

    Você vai sentir a barriga endurecer e uma pressão, mas a dor aguda e “cortante” desaparece. A ideia é tirar o sofrimento, mas manter a sensação do seu corpo trabalhando.

    3. Qual a diferença entre peridural e raquianestesia?

    A raqui é uma picada única, age rápido (em 2-5 minutos), mas dura menos tempo. A peridural usa um cateter (um tubinho fino) que fica nas costas para mandar remédio o tempo todo, durando quantas horas o parto precisar.

    4. E se eu tiver tatuagem nas costas?

    Na maioria das vezes, não é problema. O anestesista tenta introduzir a agulha em um espaço sem tinta, ou faz um pequeno corte milimétrico na pele para a agulha não levar tinta para dentro.

    5. Pode tomar a analgesia se tiver escoliose?

    Pode, mas é importante avisar ao médico. A coluna torta pode dificultar um pouco o acesso ao espaço correto, mas o anestesista experiente consegue realizar o procedimento com segurança.

    6. A analgesia interfere na amamentação na primeira hora?

    Não. Como a medicação quase não passa para o bebê e a mãe permanece acordada e alerta, o contato pele a pele e a amamentação logo após o nascimento acontecem normalmente.

    7. Quanto tempo demora para o efeito passar totalmente após o parto?

    Normalmente, entre 1 a 2 horas após a última dose. Você sentirá um formigamento nas pernas conforme a sensibilidade volta ao normal, e logo já poderá levantar e tomar banho (com ajuda, por segurança).

  • Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    A trombofilia é uma condição caracterizada por uma maior tendência do organismo à formação de coágulos sanguíneos, chamados de trombos. Em condições normais, após cumprir a função de conter um sangramento, os coágulos são gradualmente dissolvidos pelas proteínas do sistema fibrinolítico, permitindo o restabelecimento adequado do fluxo sanguíneo.

    Quando o quadro está presente na gravidez, que por si só já é considerada um estado pró-coagulante, ocorre a associação de dois fatores que favorecem a coagulação. A combinação pode elevar ainda mais o risco de formação de trombos e, consequentemente, exigir um acompanhamento médico mais cuidadoso.

    Afinal, o que é trombofilia na gravidez?

    A trombofilia na gravidez consiste em uma tendência aumentada à formação de coágulos, durante um período em que o próprio organismo já se encontra naturalmente mais propenso à coagulação.

    Mas afinal, como ocorre a formação de trombose? O sangue possui um sistema de coagulação que funciona como um mecanismo de proteção. Quando existe uma lesão em um vaso sanguíneo, as plaquetas se dirigem ao local e se agregam, formando um tampão inicial.

    Em seguida, entram em ação proteínas da coagulação que reforçam esse tampão, formando um coágulo capaz de estancar o sangramento. Após a cicatrização do vaso, outro sistema do organismo, chamado sistema fibrinolítico, atua dissolvendo gradualmente esse coágulo, permitindo a normalização do fluxo sanguíneo.

    Em casos de trombose, o processo não acontece de forma adequada. O coágulo se forma dentro de um vaso sem a presença de uma lesão que justifique essa coagulação. Isso pode levar à obstrução parcial ou total da circulação sanguínea, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos.

    Por que a gestação aumenta o risco?

    Durante a gestação, o corpo naturalmente aumenta a capacidade de coagulação como um mecanismo de proteção contra sangramentos no parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Isso ocorre porque o organismo se prepara para o momento do nascimento, quando existe a possibilidade de perda sanguínea significativa.

    Além do aumento dos fatores de coagulação, acontece também uma redução relativa dos mecanismos naturais anticoagulantes e uma diminuição da atividade do sistema fibrinolítico, responsável por dissolver os coágulos. As mudanças tornam o sangue mais propenso à coagulação ao longo de toda a gravidez.

    Para completar, o crescimento do útero passa a comprimir as veias da pelve e dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue ao coração. A circulação mais lenta favorece a estase sanguínea, condição que pode contribuir para a formação de trombos, especialmente quando existe alguma predisposição, como na trombofilia.

    Quais os tipos de trombofilia na gravidez?

    A trombofilia pode ser hereditária ou adquirida, de acordo com Andreia.

    Na forma hereditária, existe uma alteração genética herdada dos pais que interfere no sistema de coagulação do sangue, deixando-o mais propenso à formação de coágulos. Normalmente, o organismo mantém um equilíbrio entre os mecanismos que estimulam e os que controlam a coagulação.

    Quando ocorre essa alteração genética, o equilíbrio pode ser prejudicado, favorecendo a coagulação excessiva.

    Na trombofilia adquirida, a pessoa não apresenta trombofilia inicialmente, mas pode desenvolvê-la ao longo da vida. Algumas infecções virais, por exemplo, podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que interferem na coagulação, provocando esse desequilíbrio.

    Por isso, um exame feito em um determinado momento pode apresentar resultado normal, mas alterações podem aparecer com o passar do tempo. É uma condição que pode mudar ao longo da vida, o que torna importante a avaliação médica e o acompanhamento conforme cada situação.

    Quais as causas de trombofilia na gravidez?

    As principais alterações genéticas associadas ao desenvolvimento da trombofilia hereditária incluem mutações e deficiências que interferem diretamente no sistema de coagulação, aumentando a predisposição à formação de trombos. De acordo com Andreia, as mais frequentes incluem:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Deficiência de antitrombina III;
    • Deficiência de proteína C;
    • Deficiência de proteína S;
    • Hiper-homocisteinemia.

    A forma adquirida mais conhecida é a síndrome antifosfolípide, caracterizada pela formação de anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico.

    Sintomas de trombofilia na gravidez

    A trombofilia na gravidez muitas vezes não provoca sintomas diretos, principalmente quando ainda não ocorreu a formação de trombos. Em muitos casos, a suspeita surge apenas após exames ou diante de complicações gestacionais.

    Quando investigar a trombofilia?

    O ideal é que a investigação ocorra antes da gestação, especialmente quando existe histórico familiar de trombose ou episódio prévio na própria paciente. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado de maneira precoce, segundo Andreia.

    Também vale procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Abortos de repetição ou perdas gestacionais sem causa definida;
    • Óbito fetal tardio ou complicações placentárias, como insuficiência placentária;
    • Pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento fetal sem explicação clara;
    • Planejamento de gestação em mulheres com fatores de risco conhecidos.

    Na prática, muitas pacientes não apresentam antecedentes, e os exames não são solicitados de rotina, já que possuem custo elevado e indicação mais direcionada a grupos de maior risco. Em muitos casos, a investigação acaba acontecendo somente após o surgimento de complicações obstétricas.

    Possíveis complicações na gravidez

    Nem toda gestante com trombofilia apresentará complicações. No entanto, Andreia aponta que o risco tende a ser maior do que na população geral devido à associação de fatores que favorecem a formação de trombos durante a gestação. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Trombose na gestante, principalmente nos membros inferiores: a trombofilia aumenta a chance de formação de coágulos nas veias, sobretudo nas pernas. A condição pode causar dor, inchaço, sensação de peso e, se não tratada, pode evoluir para complicações mais graves;
    • Aborto de repetição: ocorre normalmente no primeiro trimestre, quando pequenos coágulos impedem que o embrião se fixe ou receba nutrientes;
    • Óbito fetal tardio: perda do bebê após a 20ª semana, muitas vezes causada por infartos placentários (áreas da placenta que morrem por falta de sangue);
    • Restrição de crescimento fetal (RCF): o bebê não recebe nutrientes e oxigênio suficientes, nascendo com peso muito abaixo do esperado para a idade gestacional;
    • Pré-eclâmpsia: a má formação dos vasos placentários devido à trombofilia pode causar um aumento severo da pressão arterial da mãe, colocando ambos em risco;
    • Descolamento prematuro de placenta (DPP): a formação de trombos nos vasos que ligam a placenta ao útero pode causar o seu descolamento antes da hora, gerando hemorragia e risco de vida imediato;
    • Insuficiência placentária: a placenta “envelhece” precocemente e deixa de cumprir sua função de troca de gases e nutrientes.

    Qual exame detecta a trombofilia na gravidez?

    O diagnóstico da trombofilia é realizado por meio de exames de sangue específicos que avaliam o funcionamento do sistema de coagulação e identificam alterações capazes de aumentar o risco de formação de trombos.

    No caso da trombofilia adquirida, o organismo produz anticorpos que interferem no processo normal de coagulação. Os exames mais comuns são:

    • Anticoagulante lúpico;
    • Anticardiolipina IgG e IgM.

    Já nas trombofilias hereditárias, em que alterações genéticas transmitidas pelos pais que podem favorecer a coagulação excessiva, a investigação pode incluir:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Dosagem de antitrombina III;
    • Dosagem de proteína C;
    • Dosagem de proteína S;
    • Avaliação dos níveis de homocisteína.

    Em algumas situações, principalmente nas formas adquiridas, os resultados podem variar ao longo do tempo. Um exame normal não exclui totalmente a possibilidade de alterações futuras, o que pode justificar acompanhamento médico conforme o histórico clínico.

    Tratamento da trombofilia durante a gravidez

    Durante a gravidez, os anticoagulantes orais não são indicados devido ao risco de malformações fetais. Mesmo anticoagulantes mais recentes ainda não possuem evidências suficientes de segurança para uso rotineiro nesse período.

    Por isso, o tratamento costuma ser feito com heparina, geralmente a enoxaparina aplicada por injeção sob a pele. O medicamento é considerado seguro na gestação e ajuda a evitar a formação de trombos, principalmente na placenta, o que contribui para um bom funcionamento placentário e para o desenvolvimento saudável do bebê.

    Em alguns casos, o médico também pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico, principalmente quando existe síndrome antifosfolípide.

    Cuidados no parto

    O principal risco do uso de anticoagulantes é o sangramento, então os remédios podem ser suspensos antes do parto. De acordo com Andreia, o ácido acetilsalicílico costuma ser suspenso por volta de 36 semanas de gestação, porque seu efeito dura mais tempo no organismo. Já a heparina tem ação mais curta e normalmente é suspensa cerca de 24 horas antes do parto.

    Quando o parto é programado, fica mais fácil controlar a suspensão dos medicamentos. O parto vaginal não é contraindicado e, muitas vezes, pode até ter menor risco de sangramento que a cesariana. Ainda assim, pela necessidade de planejamento, a cesariana acaba sendo escolhida em alguns casos.

    Também é importante ter cuidado com a anestesia, principalmente a peridural ou a raquidiana, porque pode haver risco de sangramento se o anticoagulante não tiver sido suspenso corretamente. Em situações de urgência, podem ser utilizados fatores de coagulação ou plasma para reverter o efeito dos anticoagulantes e garantir mais segurança para a gestante.

    Quais são os cuidados no puerpério em casos de trombofilia?

    O puerpério, período que começa logo após o parto, é considerado uma fase de maior risco para trombose. Isso acontece porque o organismo ainda permanece em estado pró-coagulante, além da recuperação do parto, das alterações hormonais e da possível redução da mobilidade nos primeiros dias.

    Por isso, alguns cuidados são importantes, especialmente para quem tem trombofilia, como:

    • Manter o uso correto dos anticoagulantes (quando prescritos): muitas mulheres precisam continuar a anticoagulação após o parto por algumas semanas. O tempo e a dose dependem da avaliação médica individual;
    • Evitar ficar muito tempo parada: levantar, caminhar e movimentar as pernas ajudam a melhorar a circulação e reduzem o risco de trombose. Mesmo após cesárea, a mobilização precoce costuma ser recomendada, conforme orientação médica;
    • Hidratação adequada: beber água regularmente ajuda a manter o sangue menos viscoso e favorece a circulação;
    • Observar sinais de trombose: inchaço, dor ou vermelhidão nas pernas, falta de ar súbita ou dor no peito devem ser avaliados rapidamente;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento: o seguimento médico no pós-parto é essencial para ajustar medicações, avaliar riscos e orientar a recuperação;
    • Planejamento contraceptivo adequado: Alguns anticoncepcionais hormonais podem aumentar o risco de trombose. Por isso, a escolha do método deve ser feita com orientação médica.

    Com acompanhamento adequado e atenção aos cuidados, o puerpério costuma ser seguro mesmo em mulheres com trombofilia.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Ter trombofilia significa que terei uma trombose?

    Não necessariamente. A trombofilia é um fator de risco, não uma sentença. Muitas mulheres descobrem a condição e, com o tratamento adequado, nunca chegam a ter um evento trombótico (como TVP).

    2. As injeções de heparina prejudicam o bebê?

    Não, a heparina não atravessa a barreira placentária. Ela age apenas no sangue da mãe para garantir que o fluxo para a placenta continue livre de coágulos.

    3. Pode tomar anticoncepcional se tiver trombofilia?

    Métodos que contêm estrogênio são estritamente contraindicados para quem tem trombofilia, pois aumentam drasticamente o risco de trombose. O ideal são métodos de progesterona isolada ou DIU de cobre/prata.

    4. O que fazer para diminuir os riscos naturalmente?

    Manter o peso controlado, não fumar (o cigarro é o pior inimigo da circulação), manter-se hidratada e praticar atividades físicas regulares para auxiliar o retorno venoso.

    5. Quais são os sinais de alerta de uma trombose venosa profunda (TVP)?

    Os sintomas frequentes ocorrem geralmente em apenas uma das pernas: inchaço repentino, dor que parece uma cãibra forte, vermelhidão e calor na região afetada (comumente na panturrilha).

    6. Como diferenciar um inchaço comum da gravidez de uma trombose?

    O inchaço gestacional normal costuma ser bilateral (nas duas pernas) e melhora ao elevar os pés. A trombose quase sempre é unilateral e a dor é persistente, não melhorando com o repouso.

    7. O que é a embolia pulmonar e como ela se relaciona com a trombose?

    A embolia ocorre quando um pedaço do coágulo da perna se solta e viaja até os pulmões. Os sintomas são falta de ar súbita, dor no peito ao respirar e tosse seca. É uma emergência médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    No fim de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agora oferecida gratuitamente pelo SUS. O imunizante é indicado principalmente para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem limite de idade para a mãe.

    O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de internação nessa fase.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender qual o melhor momento para tomar a vacina, se ela é segura durante a gestação e as possíveis reações adversas. Confira!

    O que é o VSR (vírus sincicial respiratório)?

    O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções nas vias respiratórias, podendo afetar nariz, garganta, brônquios e pulmões.

    Ele pode infectar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser a principal causa de bronquiolite e pneumonia em bebês e crianças pequenas.

    Na maioria dos adultos e crianças maiores saudáveis, a infecção costuma provocar sintomas parecidos com resfriado, como coriza, tosse, febre leve e mal-estar.

    Já em recém-nascidos, prematuros, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou baixa imunidade, o quadro pode ser mais intenso, com falta de ar, chiado no peito e necessidade de acompanhamento médico.

    Por que ele é perigoso para bebês?

    O vírus sincicial respiratório tem a capacidade de fundir células infectadas, formando grandes massas celulares que prejudicam o funcionamento normal das vias respiratórias.

    Em bebês, as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e sensíveis, de modo que quando ocorre uma inflamação associada ao excesso de muco, esses pequenos canais podem obstruir com facilidade, dificultando a passagem do ar e tornando a respiração mais trabalhosa.

    Por consequência, o bebê pode apresentar chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para mamar, cansaço e, em casos mais intensos, queda na oxigenação.

    Isso aumenta o risco de bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    Como funciona a vacina do VSR na gravidez?

    A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer uma proteína do vírus chamada proteína F, usada por ele para entrar nas células.

    As vacinas mais recentes, como Abrysvo e a Arexvy, conseguem manter essa proteína em um formato mais vulnerável, chamado pré-fusão, o que facilita a produção de anticorpos eficazes contra a infecção.

    Quando aplicada na gestação, o organismo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção inicial, especialmente importante nos primeiros meses de vida, fase em que o risco de bronquiolite e complicações respiratórias costuma ser maior.

    Após o nascimento, Andreia explica que a amamentação continua oferecendo anticorpos, ajudando na proteção inicial. Do ponto de vista do bebê, isso é chamado de imunização passiva, pois os anticorpos foram produzidos pelo organismo materno.

    Quanto tempo dura a proteção do bebê?

    A proteção costuma durar principalmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê é mais vulnerável às infecções respiratórias. Segundo Andreia, mesmo que o pequeno entre em contato com o vírus, a tendência é desenvolver um quadro mais leve, com menor risco de internação.

    Em geral, a proteção é mais significativa nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Com o passar dos meses, os anticorpos maternos diminuem naturalmente, porque foram produzidos pelo corpo da mãe e não pelo sistema imunológico do bebê.

    Quando tomar a vacina do VSR na gravidez?

    A recomendação costuma ser a vacinação a partir de cerca de 28 semanas de gestação. Segundo Andreia, entre 28 e 34 semanas costuma ser uma janela bastante favorável, pois aumenta a chance de o bebê já nascer com anticorpos circulantes.

    Quando a vacina é aplicada muito próxima ao parto, parte do benefício intrauterino pode ser menor, embora ainda exista proteção após o nascimento, especialmente por meio da amamentação.

    Ainda assim, cada gestação deve ser avaliada individualmente. Mesmo quando o prazo ideal já passou, pode haver benefício, por isso a orientação médica continua sendo fundamental.

    Intervalo com outras vacinas

    Existe a recomendação de manter um intervalo mínimo de cerca de 15 dias entre a vacina contra o VSR e a DTPa (difteria, tétano e coqueluche), que faz parte do calendário da gestante. Andreia explica que a orientação ajuda a garantir uma boa resposta do sistema imunológico e a evitar sobreposição de reações.

    Outras vacinas importantes nesse período incluem gripe, covid e hepatite B, dependendo do histórico vacinal de cada gestante. O esquema final pode variar conforme cada caso, por isso a orientação médica é sempre importante.

    Existe alternativa à vacina VSR?

    Além da vacinação durante a gestação, existe a possibilidade de usar anticorpos monoclonais diretamente no bebê após o nascimento. Eles não são uma vacina, mas uma forma de proteção temporária contra o vírus sincicial respiratório.

    Os anticorpos funcionam como uma defesa pronta, ajudando a reduzir o risco de infecção grave e internações, principalmente em bebês mais vulneráveis, como prematuros ou crianças com problemas respiratórios e cardíacos.

    No entanto, a proteção tem duração limitada, já que o organismo do bebê não produz esses anticorpos por conta própria.

    Quando não há contraindicação, a vacinação materna costuma ser a primeira escolha, pois protege o recém-nascido desde o nascimento e ainda traz benefício para a gestante. A decisão final deve sempre ser feita com orientação médica, considerando cada caso.

    Quais os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos colaterais da vacina contra o VSR costumam ser leves e semelhantes aos de outras vacinas. A reação mais frequente é dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, que normalmente melhora em poucos dias.

    Também podem surgir sintomas gerais leves, como cansaço, dor muscular, dor de cabeça ou febre baixa. Em alguns casos, a pessoa pode sentir mal-estar passageiro ou sintomas parecidos com um resfriado leve.

    As reações mais intensas são raras, mas mesmo assim, qualquer sintoma persistente ou diferente do esperado deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Quais as vacinas da VSR disponíveis?

    A principal e única vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) recomendada e disponível para gestantes no Brasil é a Abrysvo, fabricada pela Pfizer.

    Ela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo SUS, mas também pode ser encontrada em clínicas particulares e grandes redes de farmácias.

    Para outros públicos, como idosos, existem vacinas específicas contra o VSR disponíveis, como a Arexvy (GSK), mas a indicação pode variar. Por isso, a avaliação individual com um profissional de saúde continua sendo fundamental.

    Perguntas frequentes

    1. A gestante corre risco ao pegar VSR?

    Normalmente, em adultos saudáveis, o VSR causa apenas um resfriado. No entanto, em gestantes, as alterações no sistema imunológico e na capacidade pulmonar podem tornar qualquer infecção respiratória mais desconfortável e, em casos raros, evoluir para pneumonia.

    2. A vacina é feita de vírus vivo?

    Não, a vacina disponível para gestantes (Abrysvo) é de proteína recombinante (não viva). Ela contém apenas uma parte da estrutura do vírus, o que significa que é impossível contrair a doença através da vacina.

    3. Preciso de pedido médico para vacinar?

    No SUS, o cartão de pré-natal atualizado que comprove a idade gestacional costuma ser suficiente. Na rede particular, algumas clínicas podem solicitar o pedido do seu obstetra.

    4. Se eu já tive VSR antes, preciso tomar a vacina?

    Sim, pois a imunidade natural após uma infecção por VSR é temporária e não garante que você terá anticorpos suficientes para proteger o bebê na próxima gestação.

    5. Tive um bebê prematuro antes de conseguir me vacinar. O que fazer?

    Se o parto ocorrer antes da janela de vacinação ou antes de completar 14 dias da aplicação, o bebê pode não ter recebido anticorpos suficientes. Nesse caso, o pediatra pode recomendar o uso do Nirsevimabe (um anticorpo pronto) diretamente na criança logo após o nascimento.

    6. Tomei a vacina na gravidez anterior. Preciso tomar de novo nesta gestação?

    Sim. Assim como a vacina da gripe e a dTpa (coqueluche), é recomendado tomar uma nova dose a cada gestação para garantir que os níveis de anticorpos estejam no auge para serem transferidos ao novo bebê.

    7. A vacina contra VSR substitui a vacina da gripe?

    Não, pois são vírus diferentes. A vacina do VSR protege especificamente contra o Vírus Sincicial Respiratório, enquanto a da gripe protege contra o vírus Influenza. Ambas são fundamentais no pré-natal.