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  • Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise 

    Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise 

    A hipoglicemia é um dos quadros clínicos que mais preocupam endocrinologistas e pacientes com diabetes. Popularmente chamada de “queda de açúcar no sangue”, a condição acontece quando a glicose atinge níveis abaixo do necessário para garantir energia suficiente para os órgãos vitais. Dependendo da gravidade, pode causar desde tremores e suor frio até perda de consciência e convulsões.

    Segundo o endocrinologista André Colapietro, a condição pode ocorrer tanto em pessoas com diabetes quanto em não diabéticos em situações específicas (como jejum prolongado). Com as orientações do médico, vamos entender como reconhecer os sintomas de hipoglicemia e o que fazer na hora da crise.

    O que é hipoglicemia e como identificar

    A hipoglicemia acontece quando a quantidade de glicose (açúcar) no sangue fica abaixo do normal. A glicose é o combustível principal do corpo, especialmente do cérebro. Sem energia suficiente, o organismo começa a dar sinais de alerta. Na prática clínica, considera-se:

    • Glicemia < 70 mg/dL: já caracteriza hipoglicemia.
    • Glicemia < 54 mg/dL: indica hipoglicemia grave, especialmente quando há alteração do nível de consciência.

    Mais importante do que o número isolado é o conjunto de sintomas. Muitas vezes, o paciente sente os sinais de glicemia baixa antes mesmo de confirmar no aparelho, e isso deve ser levado a sério. Afinal, é uma condição que pode se agravar rapidamente.

    Quem pode ter hipoglicemia?

    A maioria dos casos de hipoglicemia ocorre em pessoas com diabetes em tratamento com insulina ou medicamentos que aumentam o risco de quedas de glicose. No entanto, não se trata de uma condição exclusiva desse grupo.

    “Em não diabéticos, pode ocorrer em situações de jejum prolongado, prática intensa de exercícios, consumo excessivo de álcool ou, raramente, em alguns distúrbios hormonais ou tumores pancreáticos”, explica o endocrinologista.

    Em resumo, qualquer pessoa pode, em determinadas circunstâncias, apresentar uma queda de glicose e ter hipoglicemia. Por isso, conhecer os sinais e saber como agir é fundamental.

    Sintomas de hipoglicemia mais comuns

    A glicemia baixa geralmente dá sinais visíveis que podem ser reconhecidos precocemente. Esses sintomas de hipoglicemia aparecem porque o corpo tenta compensar a falta de glicose, acionando hormônios como a adrenalina.

    Os sinais mais típicos incluem:

    • Tremores
    • Sudorese (suor frio)
    • Palpitações
    • Fome intensa
    • Ansiedade
    • Tontura e fraqueza

    “Atenção, porque alguns desses sintomas de hipoglicemia podem ser semelhantes aos da pressão baixa, então é importante, sempre que possível, aferir a pressão e também a glicemia capilar para evitar confusão com a causa dos sintomas”, enfatiza André.

    Após os primeiros sinais, se a glicemia continuar caindo, o paciente pode até evoluir para sintomas neurológicos mais sérios, como dificuldade de raciocínio, alteração da fala e desmaio.

    Leia também: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

    Hipoglicemia assintomática: o risco silencioso

    Nem todos percebem os sintomas de hipoglicemia. Alguns pacientes, principalmente aqueles com diabetes de longa duração, podem ter episódios sem qualquer sintoma perceptível.

    “Principalmente pacientes que apresentaram múltiplos episódios de hipoglicemia ao longo da vida podem se tornar menos sensíveis e evoluir com hipoglicemias assintomáticas”, explica Colapietro.

    Esse fenômeno, chamado de hipoglicemia inadvertida, é particularmente perigoso porque aumenta o risco de crises graves sem aviso prévio. Para esses pacientes, o monitoramento frequente da glicemia é indispensável.

    O que fazer na hora da crise de hipoglicemia

    Uma crise de hipoglicemia exige ação imediata, com medidas simples que podem salvar vidas. O protocolo inicial inclui três passos básicos:

    1. Medir a glicemia, se possível. Essa confirmação ajuda a diferenciar de outras condições.
    2. Consumir carboidratos de ação rápida. Os líquidos doces são os mais indicados, pois são rapidamente absorvidos pelo organismo. Entre as opções estão suco de fruta, refrigerante comum, água com açúcar ou mel.
    3. Ficar em local seguro. Evitar dirigir, operar máquinas ou realizar atividades que ofereçam risco até que a glicemia esteja normalizada.

    “Depois disso, deve-se repetir a medição da glicemia capilar em 15 minutos. Se não melhorar, é indicado repetir a ingestão de carboidrato e procurar um serviço de pronto-atendimento”. Na prática, recomenda-se a chamada regra dos 15: ingerir cerca de 15 g de glicose rápida. Isso pode ser feito com:

    • 3 a 4 balas de doce
    • Meio copo de suco de fruta
    • 1 colher de sopa de açúcar ou mel

    “Depois, a pessoa pode comer um lanche com carboidrato + proteína (um misto quente, por exemplo) para manter a glicemia estável”. Esse cuidado evita um novo episódio pouco tempo depois da correção inicial, garantindo que a glicemia se mantenha equilibrada.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Hipoglicemia grave: quais os sinais?

    Algumas crises podem ser corrigidas em casa seguindo essas indicações do médico, porém, em alguns casos, a hipoglicemia se torna uma emergência médica.

    Situações que caracterizam hipoglicemia grave incluem:

    • Perda ou rebaixamento da consciência
    • Convulsões
    • Incapacidade de ingerir alimentos sozinho

    “Em casos graves, pode ser necessário glucagon injetável ou atendimento hospitalar”, afirma Colapietro. O uso de glucagon, que eleva a glicose rapidamente, deve ser prescrito e ensinado pelo médico para situações de emergência.

    Como prevenir episódios em pessoas com diabetes

    Para quem vive com diabetes, a prevenção é o pilar central do cuidado. Pequenas mudanças no dia a dia reduzem muito o risco de quedas de glicose. Entre as principais medidas estão:

    • Monitoramento regular da glicemia: ajuda a identificar quedas antes que causem sintomas.
    • Ajuste da medicação: sempre em parceria com o médico, para usar o menor número possível de fármacos de alto risco.
    • Padrão estável de atividade física: manter rotina equilibrada, evitando mudanças bruscas de intensidade.
    • Alimentação adequada: evitar jejum prolongado e manter horários regulares de refeição.
    • Reconhecimento precoce dos sintomas: agir rápido assim que aparecerem os primeiros sinais.

    Para pessoas com diabetes, a prevenção deve ser parte do cuidado diário, enquanto para a população em geral, conhecer os sinais é uma forma de evitar emergências.

    Embora seja uma condição comum, nunca deve ser banalizada. O acompanhamento médico é essencial para ajustar o tratamento, orientar condutas de emergência e reduzir os riscos a longo prazo.

    Perguntas e respostas sobre hipoglicemia

    1. O que é hipoglicemia?

    É a queda do nível de glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL. Quando chega a menos de 54 mg/dL, já pode ser considerada grave.

    2. Quem pode ter hipoglicemia?

    É mais comum em pessoas com diabetes que usam insulina ou certos medicamentos, mas pode ocorrer em não diabéticos em casos como jejum prolongado, exercício intenso ou consumo excessivo de álcool.

    3. Quais são os sintomas mais comuns?

    Tremores, suor frio, palpitações, fome intensa, ansiedade, tontura e fraqueza. Em casos mais graves, pode causar dificuldade de raciocínio e até desmaios.

    4. Existe hipoglicemia sem sintomas?

    Sim. Pacientes com diabetes de longa duração podem perder a sensibilidade aos sinais, apresentando crises silenciosas, o que aumenta o risco de complicações.

    5. O que fazer durante uma crise?

    Consumir carboidratos de rápida absorção, como suco, refrigerante comum, açúcar ou mel. Depois, repetir a glicemia em 15 minutos e reforçar a alimentação com carboidrato e proteína.

    6. Quando a hipoglicemia é considerada grave?

    Quando causa perda de consciência, convulsões ou incapacidade de se alimentar sozinho. Nessas situações, pode ser necessário glucagon injetável ou atendimento hospitalar.

    7. Como prevenir novos episódios?

    Monitorar a glicemia com frequência, ajustar medicamentos com orientação médica, evitar jejum prolongado, manter alimentação regular e reconhecer os sintomas logo no início.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças importantes, incluindo na forma como utiliza a glicose. Para ajudar no crescimento do bebê, a placenta libera hormônios que podem reduzir a ação da insulina, que é o hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue.

    Como consequência, o pâncreas precisa produzir quantidades maiores de insulina para compensar essa resistência. Contudo, quando ele não consegue dar conta da demanda, a glicose começa a se acumular no sangue, resultando no diabetes gestacional, uma condição que exige atenção devido aos riscos que pode causar ao bebê e à mãe.

    “Ele acontece porque o corpo da mulher passa por muitas mudanças hormonais — além do ganho de peso e da tendência genética que elas podem ter para o diabetes. A gravidez é um momento de maior resistência à insulina para a mulher, o que dificulta o controle do açúcar no sangue”, explica a endocrinologista Denise Orlandi.

    Esclarecemos, a seguir, as principais dúvidas sobre o diabetes gestacional, desde os sintomas, tratamento e como prevenir. Confira!

    Afinal, o que é diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento nos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez.

    Normalmente, ela é diagnosticada a partir do segundo trimestre, que é quando os os hormônios produzidos pela placenta aumentam a resistência à insulina. É uma adaptação natural para garantir que o bebê receba glicose o suficiente para se desenvolver, no entanto, em algumas pessoas, o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidade adequada, resultando no diabetes.

    A condição geralmente desaparece após o parto, mas representa um alerta importante para a saúde da mãe e do filho, já que ambos ficam mais propensos a desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    Causas da diabetes gestacional

    A causa principal do diabetes gestacional está associada à resistência insulínica provocada pelos hormônios da gravidez, mas alguns outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da condição, como:

    • Mudanças hormonais da gravidez, uma vez que a placenta produz hormônios que dificultam a ação da insulina;
    • Predisposição genética, de modo que mulheres com histórico familiar de diabetes têm mais chance de desenvolver a condição;
    • Excesso de peso;
    • Condições de saúde pré-existentes, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e resistência à insulina

    Fatores de risco da diabetes gestacional

    De acordo com a endocrinologista Denise Orlandi, alguns dos fatores de risco que aumentam a chance de ter diabetes gestacional incluem:

    • Idade materna acima de 25 anos;
    • Sobrepeso ou obesidade antes da gestação;
    • Histórico familiar de diabetes (pai, mãe ou irmãos);
    • Ter tido diabetes gestacional em gravidez anterior.
    • Já ter tido um bebê com mais de 4 kg ao nascer;
    • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP);
    • Histórico de parto prematuro, abortos ou complicações sem causa aparente.

    Quais os sintomas de diabetes gestacional?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional não manifesta sintomas evidentes, então muitas mulheres só descobrem a condição em exames de rotina do pré-natal. Quando os sintomas aparecem, podem incluir:

    • Sede excessiva.
    • Aumento da frequência urinária.
    • Cansaço.
    • Visão embaçada.

    Uma vez que os sintomas podem ser confundidos com sinais comuns da gravidez, é fundamental manter um acompanhamento pré-natal adequado, para identificar a condição precocemente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O rastreamento do diabetes gestacional faz parte do pré-natal e costuma ser realizado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação. Os exames mais utilizados no diagnóstico incluem:

    Curva glicêmica: é capaz de medir a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão. Nele, a gestante ingere uma solução açucarada e é feita uma nova coleta de sangue (normalmente após 1 ou duas horas) após a ingestão.

    Glicemia de jejum: é um exame de sangue feito após jejum de 8 horas. Ele mostra a quantidade de glicose circulando no sangue em repouso, sendo o primeiro passo para identificar alterações no metabolismo da gestante.

    Diabetes gestacional: valores de referência

    Os exames feitos no pré-natal têm limites específicos para indicar se a gestante apresenta ou não diabetes gestacional. Eles variam de acordo com o tipo de teste realizado.

    No teste de curva glicêmica, os valores de referência são:

    • Jejum: resultado deve ser menor que 92 mg/dL;
    • Após 1 hora da ingestão: deve estar abaixo de 180 mg/dL;
    • Após 2 horas: precisa estar inferior a 153 mg/dL.

    Se em qualquer momento os valores forem iguais ou superiores a 200 mg/dL, o quadro de diabetes gestacional já é confirmado.

    Já na glicemia de jejum isolada, os valores de referência são:

    • Entre 92 mg/dL e 100 mg/dL: resultado alterado, mas próximo ao limite, e exige repetição do exame;
    • Acima de 100 mg/dL: é fortemente sugestivo de diabetes, devendo também ser reavaliado em nova coleta.

    Tratamento de diabetes gestacional

    O tratamento do diabetes gestacional tem como principal objetivo manter a glicose dentro de níveis adequados, e envolve especialmente mudanças no estilo de vida:

    Dieta para diabetes gestacional

    Seguir uma dieta para diabetes gestacional adequada é uma das principais maneiras de controlar os níveis de glicose no sangue. O ideal é que a gestante priorize o consumo de alimentos in natura e ricos em fibras, como:

    • Frutas frescas (banana, laranja, pera, maçã, kiwi, morango);
    • Laticínios (leite semi ou desnatado, iogurte natural, queijo branco);
    • Oleaginosas (castanha de caju, amendoim, avelãs, nozes e amêndoas);
    • Leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha);
    • Carnes magras (peixes, frango, ovo);
    • Vegetais (alface, tomate, rúcula, brócolis, abobrinha);
    • Cereais integrais (arroz integral, pão integral, quinoa, aveia).

    Também é importante reduzir o consumo de açúcares, doces, refrigerantes e ultraprocessados, além de distribuir as refeições em pequenas porções ao longo do dia. Assim, é possível evitar picos de glicemia, controlar o peso e garantir energia constante para mãe e bebê.

    Exercícios físicos para diabetes gestacional

    A prática de atividade física, quando orientada pelo médico, contribui para para o bem-estar emocional, reduz o estresse e favorece o preparo do corpo para o parto.

    Caminhadas leves, hidroginástica e até mesmo aulas de yoga específicas para gestantes também podem ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina e a manter o peso sob controle.

    Remédios para diabetes gestacional

    Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos são suficientes para manter a glicemia em níveis adequados. No entanto, quando isso não acontece, o médico pode prescrever o uso de insulina para baixar o açúcar no sangue.

    Em alguns casos, pode ser indicado o uso de medicamentos via oral, como hipoglicemiantes, mas apenas um especialista pode definir a abordagem mais segura para a mãe e o bebê.

    Monitoramento da glicemia

    A gestante precisa realizar exames de sangue periódicos ou até medir a glicose em casa, com glicosímetro, conforme a orientação médica. O ideal é que o nível de açúcar no sangue seja verificado de quatro a cinco vezes por dia, de manhã em jejum e após as refeições.

    Isso permite ajustes imediatos no plano alimentar ou no tratamento sempre que necessário.

    O diabetes gestacional some depois do parto?

    Na maioria dos casos, sim. Contudo, a endocrinologista Denise Orlandi aponta que o risco não acabou.

    “A mulher deve continuar monitorando seus níveis de açúcar com exames periódicos, pois existe uma chance maior de desenvolver diabetes tipo 2 mais adiante”, explica.

    Riscos da diabetes gestacional

    Se não diagnosticada e tratada adequadamente, o diabetes gestacional pode causar complicações para a mãe e o bebê.

    Entre os riscos para o bebê, Denise ressalta:

    • Macrossomia (bebê muito grande);
    • Maior risco de parto cesárea ou traumatismos no parto;
    • Hipoglicemia logo após o nascimento;
    • Prematuridade;
    • Maior risco de obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta.

    Já para a mãe, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de:

    • Maior risco de pré-eclâmpsia (pressão alta grave);
    • Infecções urinárias e candidíase recorrente;
    • Necessidade de parto cesárea;
    • Maior chance de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

    “Por isso, é importante manter o acompanhamento médico mesmo depois da gestação”, complementa Denise.

    Leia também: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Como evitar a diabetes gestacional?

    Nem sempre é possível prevenir, mas algumas atitudes no dia a dia contribuem para diminuir o risco, como:

    • Manter peso saudável antes da gestação;
    • Praticar atividade física regular;
    • Seguir uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e proteínas magras;
    • Evitar ganho de peso excessivo durante a gravidez;
    • Fazer acompanhamento médico regular e seguir todas as orientações do pré-natal.

    “Mulheres que tiveram diabetes gestacional têm um risco até 50% maior de desenvolver diabetes tipo 2 nos anos seguintes, especialmente se não adotarem hábitos saudáveis. Por isso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e ter acompanhamento médico regular são atitudes importantes para prevenir o problema”, finaliza Denise.

    Leia também: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes sobre diabetes gestacional

    1. O diabetes gestacional pode acontecer em qualquer gravidez?

    Sim, qualquer gestante pode apresentar diabetes gestacional. Isso acontece porque, mesmo mulheres jovens, sem histórico familiar e com peso adequado, estão suscetíveis às alterações hormonais típicas da gestação que aumentam a resistência à insulina.

    Por isso, todas as grávidas devem passar pelos exames de rastreamento entre a 24ª e a 28ª semana, mesmo que não tenham risco aparente.

    2. Existe diferença entre diabetes gestacional e diabetes tipo 2?

    Apesar de ambos envolverem resistência à insulina e níveis elevados de açúcar no sangue, eles não são a mesma doença. O diabetes gestacional aparece apenas durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto.

    Já o diabetes tipo 2 é uma condição crônica, permanente, que exige tratamento contínuo. No entanto, ter diabetes gestacional aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    3. O diabetes gestacional pode causar parto prematuro?

    Sim, pode. O excesso de glicose no sangue pode levar a complicações como polidrâmnio (aumento do líquido amniótico), que favorece a ruptura precoce da bolsa e, consequentemente, o parto prematuro.

    Além disso, a necessidade de antecipar o parto pode ser indicada pelo médico em casos de macrossomia ou de risco para a saúde materna.

    4. Mulheres magras também podem ter diabetes gestacional?

    Sim! A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco de desenvolver diabetes gestacional, mas gestantes magras também estão suscetíveis, já que a condição não depende apenas do peso corporal, mas também de fatores hormonais e genéticos.

    Por isso, mesmo quem tem IMC considerado normal deve realizar os exames de rastreamento no pré-natal.

    5. Quem já teve diabetes gestacional pode ter novamente em outra gravidez?

    Sim. Mulheres que já tiveram diabetes gestacional em uma gravidez anterior têm mais chance de desenvolver o problema em outras gestações e também de apresentar diabetes tipo 2 no futuro.

    Nesse sentido, é importante manter hábitos saudáveis, priorizando uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o controle do peso.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos 

    Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos 

    O diabetes é considerado uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas sua detecção ainda representa um desafio. Afinal, na maioria dos casos, os sintomas iniciais são sutis, inespecíficos e facilmente confundidos com sinais de estresse, rotina cansativa ou até envelhecimento natural.

    “O diabetes, especialmente o tipo 2, pode não causar dor ou qualquer sintoma evidente no começo. Por isso, ele é considerado uma doença silenciosa”, explica a endocrinologista Denise Orlandi.

    Nesta reportagem, detalhamos os sintomas mais comuns e os menos conhecidos, explicamos a diferença entre os tipos de diabetes e mostramos por que identificar cedo faz toda a diferença.

    Sintomas clássicos e sintomas silenciosos do diabetes

    Quando pensamos em diabetes, logo vêm à mente os sinais mais clássicos: sede em excesso, mesmo bebendo bastante água, vontade de urinar várias vezes, especialmente à noite, e aumento do apetite, principalmente por massas e doces.

    Esses são, de fato, os sintomas mais conhecidos. “Mas há outros sintomas menos conhecidos e, por isso, ignorados, que podem acontecer em outras situações do dia a dia”, fala a médica.

    A lista de sintomas silenciosos do diabetes pode incluir:

    • Cansaço constante, sem motivo aparente;
    • Perda de peso inexplicável, mesmo sem fazer dieta;
    • Mal-estar logo após uma refeição;
    • Infecções frequentes, como infecção urinária, candidíase ou resfriados.

    Esses sintomas não surgem de forma abrupta. Eles se instalam lentamente, fazendo com que muitos pacientes acreditem que se trata apenas de reflexo da idade ou de um período estressante. Esse mascaramento natural é um dos motivos pelos quais tanta gente demora a procurar ajuda médica.

    Por que o diabetes é chamado de doença silenciosa

    O diabetes tipo 2 pode evoluir por anos sem manifestar sintomas claros. Isso ocorre porque a resistência à insulina e a elevação progressiva da glicose são processos graduais que o corpo tenta compensar.

    “Às vezes, o diagnóstico só acontece anos depois do início da doença, quando já houve algum tipo de complicação, como problemas nos rins, nos olhos, nos nervos ou até infarto”, explica a médica.

    Esse caráter silencioso reforça a necessidade de exames periódicos, especialmente para pessoas com fatores de risco. Além disso, é importante ter atenção a outros sinais, como ressecamento ou coceira na pele (principalmente nas pernas), alterações na visão e urina com espuma ou presença de formigas no vaso sanitário.

    “Nem sempre todos esses sintomas significam que a pessoa tem diabetes, mas eles devem ser investigados”, enfatiza Denise. Muitos também podem ocorrer em situações como calor intenso, desidratação, infecções urinárias ou efeitos de medicamentos. A diferença está na persistência e na combinação dos sinais.

    “Quando sede intensa, urina frequente e cansaço se tornam constantes, especialmente se vêm acompanhados de perda de peso ou visão embaçada, o ideal é procurar um endocrinologista e fazer exames para descartar diabetes. O importante é não normalizar esses sintomas se eles persistirem no dia a dia”.

    Diferenças entre diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2

    O diabetes tipo 1 tem origem autoimune, quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina. Já o diabetes tipo 2 tem relação mais forte com a hereditariedade, somada ao estilo de vida (alimentação, obesidade, sedentarismo).

    Embora ambos tenham em comum a elevação da glicose no sangue, os sintomas aparecem em velocidades distintas. O tipo 1, mais comum em crianças e adolescentes, costuma surgir de forma rápida e intensa, com sede extrema, urina excessiva, dor abdominal e emagrecimento acelerado. O diagnóstico acontece em poucas semanas.

    Já o tipo 2, o mais prevalente entre adultos, é lento e silencioso. Os sintomas podem levar anos para se manifestar e, quando aparecem, são leves e progressivos. Nesse caso, é possível prevenir: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção do peso saudável e acompanhamento médico são medidas essenciais para reduzir os riscos.

    Leia mais: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    O perigo de viver com diabetes sem diagnóstico

    No caso do diabetes tipo 2, é possível conviver com a doença por anos sem saber. Estima-se que 1 em cada 3 pessoas não saiba que tem diabetes. Esse atraso é perigoso porque, durante esse tempo, a glicose elevada danifica silenciosamente órgãos importantes.

    Sem diagnóstico, o risco de complicações aumenta significativamente:

    • Cegueira: provocada por retinopatia diabética;
    • Insuficiência renal: que pode levar à necessidade de diálise;
    • Infartos e AVCs: resultado do comprometimento dos vasos sanguíneos;
    • Amputações: decorrentes de neuropatia diabética e má cicatrização de feridas;
    • Complicações na gravidez: que afetam tanto a mãe quanto o bebê.

    “O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Ele permite controlar a doença e evitar complicações. E o mais importante: controlar o diabetes não significa perder qualidade de vida, pelo contrário, a pessoa ganha mais saúde, energia e bem-estar”, reforça Denise.

    Exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada são os principais métodos para identificar alterações nos níveis de açúcar no sangue e devem ser realizados periodicamente, especialmente em pessoas com fatores de risco. Muitas vezes, esses exames são solicitados em check-ups anuais, mas em casos de suspeita clínica devem ser feitos o quanto antes.

    Perguntas e respostas

    1. Por que o diabetes é chamado de doença silenciosa?

    Porque, principalmente no tipo 2, ele pode evoluir por anos sem sintomas claros. Muitas vezes, o diagnóstico só ocorre após complicações como problemas nos rins, visão, nervos ou até um infarto.

    2. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Sede em excesso, vontade frequente de urinar (especialmente à noite) e aumento do apetite, sobretudo por massas e doces.

    3. E quais são os sintomas silenciosos que costumam ser ignorados?

    Cansaço sem motivo, visão embaçada que vai e volta, perda de peso inexplicável, mal-estar após refeições, infecções frequentes, formigamentos nas mãos e pés e alterações de pele, como coceira ou ressecamento.

    4. Qual a diferença entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2?

    O tipo 1 é autoimune, surge de forma rápida e intensa, mais comum em jovens. Já o tipo 2 está fortemente ligado à hereditariedade e ao estilo de vida, evolui lentamente e pode levar anos para dar sinais.

    5. Por que é perigoso viver com diabetes sem diagnóstico?

    Porque o excesso de glicose danifica órgãos de forma silenciosa, podendo causar cegueira, insuficiência renal, infartos, AVCs, amputações e complicações na gravidez.

    6. Como identificar precocemente a doença?

    Com exames de rotina, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, especialmente em pessoas com fatores de risco.

    Leia também: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

  • Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.