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  • Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Em um mundo cada vez mais acelerado, exigente e conectado, os sinais de esgotamento emocional têm se tornado cada vez mais comuns. Buscar apoio psicológico não precisa (e nem deve) ser o último recurso.

    Em vez de esperar o sofrimento chegar ao limite, cada vez mais pessoas têm entendido que a psicoterapia pode ser uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, equilíbrio emocional e prevenção de doenças mentais.

    Sinais de que é hora de buscar ajuda psicológica

    Para o psicólogo Bruno Sini Scarpato, professor de pós-graduação do Instituto de Ensino Superior Albert Einstein, cuidar da saúde mental não é luxo, mas sim uma prioridade.

    “Estudos apontam que 1 a cada 4 pessoas será afetada por algum transtorno mental ao longo da vida”, afirma. “Quanto maior for a demora no início do tratamento, maior será a perda de funcionalidade e o risco de adoecimento físico.”

    Sintomas que indicam a necessidade de apoio psicológico:

    • Tristeza persistente;
    • Irritabilidade constante;
    • Ansiedade fora do controle;
    • Alterações no sono ou apetite;
    • Cansaço sem causa aparente;
    • Dificuldade de concentração;
    • Isolamento social;
    • Comportamentos autodestrutivos;
    • Uso abusivo de substâncias;
    • Pensamentos sobre desaparecer.

    “É possível buscar terapia mesmo quando se está apenas enfrentando dúvidas sobre um relacionamento, carreira ou tomada de decisões”, acrescenta Bruno.

    O que é a terapia cognitivo-comportamental (TCC)?

    Entre as abordagens mais procuradas de psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) se destaca pela praticidade e foco em soluções no presente.

    “A TCC parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Ao identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos, conseguimos reduzir o sofrimento emocional e mudar comportamentos disfuncionais”, explica o psicólogo.

    Diferente de abordagens voltadas ao passado, como a psicanálise, a TCC tem sessões estruturadas e metas claras.

    “As sessões são estruturadas, com uso de técnicas ativas e tarefas entre os encontros”, completa Bruno.

    Benefícios da psicoterapia no dia a dia

    A psicoterapia não é apenas para quem tem um diagnóstico. De acordo com Bruno, todos podem se beneficiar. “Não é preciso esperar por um diagnóstico para começar o acompanhamento terapêutico”, afirma.

    De acordo com o psicólogo, a psicoterapia pode ajudar a:

    • Lidar melhor com emoções;
    • Melhorar o autoconhecimento;
    • Aumentar a autoestima;
    • Ajudar a tomar decisões com mais clareza;
    • Construir limites saudáveis;
    • Fortalecer a comunicação;
    • Contribuir para enfrentar desafios do dia a dia, como trabalho, estudos e relações.

    Em casos de transtornos mentais, o acompanhamento também ajuda a reconhecer padrões e manejar os sintomas.

    Como encontrar psicoterapia gratuita ou acessível

    A questão financeira ainda é uma das maiores barreiras, mas há alternativas. “Muitas universidades oferecem atendimento gratuito ou a preços simbólicos em clínicas-escola. O SUS também disponibiliza apoio psicológico nas UBS e nos CAPS”, orienta Bruno.

    Durante a pandemia, surgiram plataformas online que democratizaram ainda mais o acesso. Além disso, planos de saúde são obrigados a cobrir sessões de psicoterapia se houver pedido médico, conforme resolução atual da ANS.

    Quanto tempo dura uma terapia?

    A duração de uma sessão de terapia varia conforme a abordagem, os objetivos e o ritmo da pessoa.

    “Saber se é hora de encerrar envolve avaliar se os sintomas diminuíram, se os objetivos foram alcançados e se a pessoa se sente mais preparada para lidar com os desafios sozinha”, explica o psicólogo.

    Algumas terapias duram entre 12 e 20 sessões, enquanto outras podem durar meses ou até anos. Não existe um tempo certo, cada jornada é única.

    Medos e resistências: o que trava o início?

    “Muitas pessoas não sabem o que esperar ou têm crenças negativas sobre a terapia. Algumas resistem à mudança mesmo que estejam em sofrimento”, comenta Bruno.

    Medo de se expor, insegurança com o processo e desinformação são barreiras comuns. O crescimento da terapia online, porém, tem ajudado a romper esses obstáculos.

    Terapia online ou presencial: qual escolher?

    A pandemia digitalizou o cuidado com a saúde mental. Hoje, é já dá para escolher entre atendimento online ou presencial, conforme a preferência e necessidade.

    “A terapia online ganhou força e ampliou o acesso, além de facilitar o contato com conteúdos sobre saúde emocional nas redes”, afirma o especialista.

    O mais importante é criar vínculo com o profissional. Se não houver conexão, vale tentar com outro. “Isso não é sinal de fracasso. O vínculo terapêutico é construído com tempo, empatia e confiança”, reforça.

    Psicoterapia é um gesto de coragem

    “Muitas pessoas associam o sofrimento emocional à fraqueza, loucura ou instabilidade. Isso gera vergonha e medo de julgamento”, explica Bruno.

    Além disso, o preconceito muitas vezes impede que os transtornos mentais sejam reconhecidos como questões de saúde, como se não merecessem o mesmo cuidado que um diagnóstico de diabetes ou arritmia cardíaca, por exemplo.

    Portanto, cuidar da mente com a mesma seriedade com que cuidamos do corpo é uma atitude importante e, por que não, corajosa. “A psicoterapia não é apenas tratamento. É também prevenção, fortalecimento e investimento em si mesmo”, diz Bruno.

    Perguntas frequentes sobre psicoterapia

    1. Como saber se está na hora de procurar um psicólogo?

    Sinais como tristeza constante, ansiedade, insônia, irritabilidade ou dificuldade de lidar com desafios são indicativos importantes para fazer psicoterapia.

    2. Psicoterapia é só para quem tem transtorno mental?

    Não. Qualquer pessoa pode se beneficiar da terapia, mesmo sem um diagnóstico clínico.

    3. O que é TCC e como ela funciona?

    A terapia cognitivo-comportamental ajuda a modificar pensamentos e comportamentos que causam sofrimento por meio de técnicas práticas e objetivos claros.

    4. Existe atendimento psicológico gratuito?

    Sim. Universidades, UBS, CAPS e algumas plataformas online oferecem serviços gratuitos ou a preços reduzidos.

    5. A psicoterapia online funciona?

    Sim. É uma alternativa válida, segura e eficaz, especialmente para quem tem dificuldades de deslocamento ou horários restritos.

    6. Quanto tempo dura a terapia?

    Depende do caso. Pode durar algumas sessões ou se estender por meses ou anos, de acordo com os objetivos e o progresso do paciente.

    7. E se eu não me sentir confortável com o terapeuta?

    Trocar de profissional é comum. A relação terapêutica precisa ser baseada em confiança e empatia.

  • O que é depressão e quais são os principais sintomas 

    O que é depressão e quais são os principais sintomas 

    Sentir tristeza de vez em quando faz parte da vida. Quem nunca passou por dias difíceis, se sentiu para baixo ou sem vontade de fazer nada? Quando essa sensação se prolonga por semanas, interfere na rotina, nos relacionamentos e até na saúde do corpo, pode ser sinal de algo mais sério: a depressão.

    A depressão é uma condição de saúde mental comum, mas ainda cercada de preconceitos. No Brasil, por exemplo, estima-se que 15,5% das pessoas tenham depressão, o que equivale a aproximadamente 31,5 milhões de pessoas.

    Entender o que é depressão, como se manifesta e quais os caminhos para o tratamento é muito importante para ajudar quem está sofrendo, seja você ou alguém próximo.

    Depressão: definição médica e tipos

    A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente, perda de interesse em atividades do dia a dia e outros sintomas que afetam a vida da pessoa. Ela não é frescura, preguiça ou fraqueza, mas uma condição clínica que exige atenção e tratamento adequado.

    Existem diferentes tipos de depressão, que variam em intensidade, duração e causa.

    Episódio depressivo maior

    É o tipo mais conhecido. “A depressão maior acontece quando a tristeza profunda ou a perda de prazer, chamada anedonia, dominam por no mínimo duas semanas e se somam a sinais como alteração de sono, apetite, energia e pensamento”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Transtorno depressivo persistente ou distimia

    O psiquiatra explica que a distimia, hoje chamada transtorno depressivo persistente, mantém humor baixo de maneira mais branda, porém contínua, durante dois anos ou mais, gerando cansaço crônico e baixa autoestima.

    Depressão sazonal

    Costuma acontecer em determinadas épocas do ano, especialmente no outono e inverno, quando há menos exposição à luz do sol. Pode causar alterações de humor, cansaço e isolamento.

    “A forma sazonal surge entre o fim do outono e o inverno, período com menos luz natural, o que bagunça o relógio biológico e eleva a melatonina, hormônio que induz sono”, detalha o médico.

    Depressão pós-parto

    O especialista explica que a depressão pós-parto aparece até quatro semanas depois do nascimento do bebê, momento de queda brusca dos hormônios da gravidez, poucas horas de sono e forte responsabilidade emocional.

    Principais sintomas da depressão

    A depressão pode se manifestar de várias formas. Os sinais podem ser emocionais, físicos ou comportamentais, e nem sempre são fáceis de identificar.

    Sintomas emocionais da depressão

    • Tristeza profunda e persistente;
    • Perda de interesse ou prazer nas atividades do dia a dia;
    • Sensação de vazio ou desesperança;
    • Sentimento de culpa ou inutilidade;
    • Irritabilidade ou crises de choro.

    Sintomas físicos da depressão

    • Fadiga o tempo todo;
    • Dores no corpo sem explicação médica;
    • Alterações no sono (insônia ou sono excessivo);
    • Mudança no apetite e no peso;
    • Problemas gastrointestinais, como indigestão, dor abdominal, náuseas ou diarreia.

    Sintomas comportamentais da depressão

    • Vontade de ficar isolado;
    • Dificuldade de se concentrar;
    • Desempenho ruim no trabalho ou nos estudos;
    • Falta de cuidado com a própria aparência;
    • Pensamentos de morte ou suicídio.

    “Existem quadros de depressão sem tristeza declarada. A pessoa relata desânimo, irritabilidade, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e sensação de vazio, mas diz não estar triste”, explica o médico.

    “Esse tipo de depressão ‘mascarada’ confunde familiares e até profissionais de saúde porque se apresenta como queixas físicas ou mau humor constante”.

    Diferença entre tristeza e depressão

    Estar triste por um motivo específico, como o fim de um relacionamento ou a perda de um emprego, é uma reação emocional esperada. A tristeza geralmente tem um motivo claro, é passageira e não impede a pessoa de seguir com a vida.

    Já a depressão é persistente, mais intensa e pode surgir mesmo sem um motivo aparente. Ela afeta o funcionamento do corpo e da mente, e costuma durar semanas ou até meses, e precisa de ajuda de um médico ou psicólogo para o tratamento.

    Avalie o que você sente com um médico para entender se é tristeza ou depressão.

    Causas da depressão

    A depressão pode ser causada por uma combinação de coisas, entre elas fatores biológicos, genéticos, ambientais e psicológicos. Não existe uma causa de depressão única, e é por isso que o tratamento deve ser personalizado.

    Fatores genéticos

    Pessoas com histórico familiar de depressão têm mais chance de desenvolver a doença, mas isso não significa que seja inevitável.

    “Quem tem pai, mãe ou irmãos com depressão diminui o próprio risco ao adotar três pilares: sono regular de sete a oito horas, atividade física aeróbica que libera endorfinas protetoras e uma rede de apoio de amigos ou família para dividir preocupações. Essas medidas modulam o eixo cortisol, principal via de resposta ao estresse”, aconselha o psiquiatra.

    Fatores ambientais

    Estresse constante, traumas, violência, perdas e até condições ruins de vida podem estar ligados ao desenvolvimento da depressão.

    “Experiências adversas, violência cotidiana e isolamento social elevam o cortisol, hormônio que prepara o corpo para lutar ou fugir. Em doses altas e prolongadas o cortisol inflama o cérebro, prejudica a formação de novas conexões neurais e aumenta vulnerabilidade à depressão”, conta Dieckmann.

    “Algumas pessoas carregam variantes genéticas que reforçam a proteção dos neurônios, resultado em maior resiliência, enquanto outras nascem com variantes que amplificam o impacto do estresse”.

    Desequilíbrios químicos

    Alterações nos neurotransmissores do cérebro, como serotonina e dopamina, também estão relacionadas ao aparecimento da depressão.

    O psiquiatra explica que a serotonina, noradrenalina e dopamina são mensageiros químicos que regulam humor, motivação e energia.

    “Seus níveis variam em resposta a gatilhos como alterações hormonais da tireoide, uso de certas medicações, inflamações sistêmicas e sobrecarga emocional. Esses gatilhos desajustam os circuitos cerebrais ligados à recompensa, causando apatia ou tristeza”, diz.

    Diagnóstico da depressão

    O diagnóstico da depressão é feito por um médico psiquiatra ou outro profissional de saúde mental. Ele considera os sintomas, a duração e o impacto na vida da pessoa.

    Não existem exames laboratoriais que comprovem a depressão, mas testes e conversas com o médico ajudam a avaliar o problema. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e menor o tempo de sofrimento da pessoa.

    “Deixar de tratar a depressão permite que sintomas se prolonguem e se tornem mais resistentes. Estudos mostram risco dobrado de infarto e derrame, piora de memória e concentração, maior probabilidade de abuso de álcool ou drogas e aumento expressivo da chance de suicídio”, diz o médico.

    “Além disso, a doença rouba anos de vida produtiva e prejudica relações pessoais”.

    Quando buscar ajuda para depressão

    O psiquiatra recomenda buscar ajuda médica se os sintomas durarem mais de duas semanas e começarem a atrapalhar a vida, como o trabalho, os estudos, ou se surgirem pensamentos de morte ou incapacidade de cuidar de si.

    “Um clínico, psicólogo ou psiquiatra consegue confirmar o diagnóstico e iniciar tratamento que abrange psicoterapia, ajustes no estilo de vida e, quando necessário, medicação. Quanto mais cedo o cuidado, maior a chance de remissão completa”, diz.

    Perguntas frequentes sobre depressão

    1. Depressão tem cura?

    Sim. Com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e ter qualidade de vida.

    2. O que fazer quando um amigo está com depressão?

    Ouça sem julgar, incentive a buscar ajuda profissional e esteja presente.

    3. Remédio para depressão vicia?

    Não. Antidepressivos não causam dependência química, mas devem ser usados somente com orientação médica.

    4. Posso tratar a depressão só com terapia?

    Em alguns casos leves, sim. Em outros, pode ser necessário combinar terapia e medicamentos.

    5. Crianças e adolescentes podem ter depressão?

    Sim. E o diagnóstico precoce é ainda mais importante nessa fase.

    Leia Mais: Depressão adolescente: sinais e como ajudar com empatia

    6. Existe depressão pós-parto?

    Sim. Ela pode surgir alguns dias após o parto ou até semanas depois e precisa de atenção médica.

    7. Atividades físicas ajudam na depressão?

    Sim. Elas liberam substâncias que melhoram o humor e reduzem a ansiedade.

    8. Como diferenciar preguiça de depressão?

    A depressão vai muito além da falta de vontade. Ela afeta o corpo e a mente, e precisa de tratamento.