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  • 6 coisas que você deve fazer depois de parar de usar as canetas emagrecedoras 

    6 coisas que você deve fazer depois de parar de usar as canetas emagrecedoras 

    Quando o tratamento com os análogos de GLP-1, também conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, chega ao fim, surge uma dúvida inevitável: como manter o peso conquistado? Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro têm grande eficácia na perda de peso, mas o desafio começa quando o uso é interrompido.

    Estudos mostram que boa parte das pessoas volta a ganhar peso se não houver ajustes no estilo de vida. Esses medicamentos reduzem o apetite, retardam o esvaziamento gástrico e ajudam a controlar a fome. Quando saem do organismo, porém, o corpo tende a retornar ao seu “padrão natural”, com aumento do apetite e maior facilidade para armazenar gordura.

    Para evitar ganhar novamente o peso perdido, veja seis orientações importantes para colocar em prática após cessar o uso das canetas emagrecedoras.

    1. Entenda o que acontece quando as canetas emagrecedoras são suspensas

    Compreender como esses medicamentos funcionam é um passo essencial. As canetas emagrecedoras atuam em receptores que regulam o apetite e o metabolismo. Ao interromper o uso, essas vias deixam de ser estimuladas, o que favorece o retorno gradual da fome e do peso.

    Além disso, ocorre uma redução natural do gasto energético, já que o organismo tenta restabelecer o equilíbrio após a perda de gordura. Mesmo mantendo hábitos saudáveis, algum reganho pode acontecer. Por isso, o foco não deve ser apenas o número na balança, mas a manutenção dos comportamentos adquiridos durante o tratamento.

    Antes de suspender o medicamento, é fundamental conversar com o médico. A redução gradual da dose pode ajudar o corpo a se adaptar, diminuindo oscilações hormonais e o risco de ganho de peso acelerado.

    2. Estabeleça um limite de reganho e mantenha acompanhamento médico

    Definir, junto ao médico, um limite aceitável de reganho de peso é uma estratégia eficaz. Ao atingir esse ponto, a conduta deve ser reavaliada, o que permite agir precocemente e evitar que o aumento se torne significativo.

    O acompanhamento costuma ser recomendado a cada três meses, mesmo após a suspensão do medicamento. Nessas consultas, é possível revisar o plano alimentar, avaliar exames e discutir outras estratégias, como ajustes no estilo de vida ou até o retorno temporário da medicação.

    Para algumas pessoas, o uso prolongado das canetas emagrecedoras pode fazer parte de um tratamento crônico, semelhante ao que ocorre com hipertensão ou diabetes. Nesses casos, a decisão deve ser individualizada e sempre discutida com o médico.

    3. Redobre o movimento: o exercício vira um aliado central

    A atividade física é uma das ferramentas mais importantes para manter o metabolismo ativo após interromper o uso das canetas emagrecedoras. A recomendação geral é alcançar entre 200 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada rápida, ciclismo ou natação.

    Além disso, os treinos de força, como musculação, são fundamentais para preservar a massa muscular e melhorar o controle da glicose. A adaptação deve ser gradual, respeitando os limites do corpo.

    O exercício regular também contribui para o equilíbrio hormonal e para a saúde mental, ajudando a reduzir a ansiedade comum nesse período de transição. Transformar a atividade física em hábito é um dos pilares mais consistentes para evitar o reganho de peso.

    4. Fortaleça a alimentação: proteína, fibra e rotina fazem diferença

    A alimentação continua sendo determinante para o sucesso a longo prazo. Após o término do uso das canetas emagrecedoras, o aumento do apetite é esperado, o que exige planejamento.

    Priorizar proteínas magras, como peixes, ovos, frango e leguminosas, ajuda a prolongar a saciedade e preservar a massa muscular. As fibras, presentes em frutas, verduras, legumes e grãos integrais, desaceleram a digestão e mantêm a glicemia mais estável.

    Além do que se come, importa como se come. Comer com atenção, mastigar devagar e evitar distrações reduzem o risco de exageros. Manter horários regulares para as refeições e evitar longos períodos de jejum também ajuda no controle do apetite.

    • Inclua proteínas e fibras em todas as refeições;
    • Evite pular refeições e mantenha horários consistentes.

    Essas estratégias ajudam a reproduzir parte dos efeitos das canetas emagrecedoras, como maior saciedade e melhor controle glicêmico.

    5. Priorize o sono e cuide da saúde mental

    Sono e estresse influenciam diretamente o peso corporal. Dormir pouco aumenta a grelina, hormônio que estimula a fome, e reduz a leptina, responsável pela saciedade. Por isso, garantir ao menos sete horas de sono por noite é essencial.

    Manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir o uso de telas à noite e evitar cafeína no fim do dia ajudam a melhorar a qualidade do sono.

    O cuidado emocional também é fundamental. Muitas pessoas utilizam a comida como forma de lidar com ansiedade e cansaço. Terapia, meditação, atividade física e convívio social são aliados importantes para manter o equilíbrio e evitar recaídas no comportamento alimentar.

    6. Adote um plano de manutenção ativa

    Encerrar o tratamento não significa relaxar. A fase seguinte é de manutenção ativa, que exige atenção contínua.

    Esse plano deve incluir:

    • Pesagens regulares, geralmente uma vez por semana;
    • Acompanhamento profissional com nutricionista, endocrinologista ou educador físico;
    • Atenção a sinais como fome excessiva, queda de energia ou alterações de humor.

    A manutenção ativa é o elo entre a perda de peso obtida com as canetas emagrecedoras e a consolidação de um novo estilo de vida.

    Um olhar realista sobre o reganho de peso

    Mesmo seguindo todas as orientações, algum grau de reganho é esperado e não deve ser encarado como fracasso. O mais importante é manter o peso dentro de um intervalo saudável e agir rapidamente se o aumento se intensificar.

    Pessoas que mantêm acompanhamento regular, alimentação equilibrada e rotina de exercícios têm maior chance de preservar a perda de peso a longo prazo. O foco deve estar no comportamento diário, e não apenas na balança.

    Leia mais: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

    Perguntas e respostas

    1. É normal ganhar peso após parar as canetas emagrecedoras?

    Sim. O corpo tende a aumentar a produção de hormônios do apetite, o que favorece algum reganho. Com hábitos saudáveis, esse processo pode ser controlado.

    2. A suspensão deve ser feita de forma abrupta?

    Geralmente não. A redução gradual, com orientação médica, ajuda o organismo a se adaptar e reduz o risco de ganho rápido de peso.

    3. Qual o papel da atividade física nessa fase?

    Ela mantém o metabolismo ativo, preserva a massa magra e reduz a chance de recuperar gordura corporal.

    4. Que tipo de alimentação ajuda a manter o peso?

    Uma dieta rica em proteínas e fibras, com refeições regulares e prática do comer consciente.

    5. Dormir mal interfere na manutenção do peso?

    Sim. O sono insuficiente altera hormônios que regulam fome e saciedade, favorecendo o consumo excessivo de alimentos.

    Confira: Canetas emagrecedoras: ficar sem comer faz emagrecer mais rápido?

  • Prato colorido: o que as cores dos alimentos podem fazer pela sua saúde 

    Prato colorido: o que as cores dos alimentos podem fazer pela sua saúde 

    Em meio à correria do dia a dia, montar refeições equilibradas pode parecer complicado, mas existe um método simples, barato e validado para melhorar a alimentação: apostar em um prato colorido. Quanto mais cores naturais aparecem na refeição, maior é a variedade de nutrientes, fibras, vitaminas e substâncias protetoras que o corpo recebe.

    Do ponto de vista médico, especialmente para quem cuida da saúde cardiovascular, essa estratégia faz diferença real. Cada cor representa compostos específicos que ajudam a reduzir inflamação, proteger o coração, regular o intestino e fortalecer o sistema imunológico.

    Por que as cores importam?

    As cores dos alimentos vêm de compostos naturais chamados fitonutrientes, que têm ações antioxidantes, anti-inflamatórias e protetoras do organismo. Eles são especialmente valiosos para o coração, vasos sanguíneos, sistema imunológico e metabolismo.

    Dedicar-se para fazer um prato colorido é importante porque:

    • Aumenta a variedade nutricional;
    • Reduz o risco de doenças crônicas;
    • Melhora o controle do peso;
    • Ajuda a evitar a prisão de ventre;
    • Mantém a saciedade por mais tempo.

    O que cada cor faz pela saúde

    Alimentos vermelhos

    Aqui entram tomate, morango, melancia e pimentão vermelho, em que os nutrientes principais são o licopeno e as antocianinas.

    Benefícios:

    • Ajudam a reduzir o risco cardiovascular;
    • Colaboram no controle da pressão arterial;
    • Têm ação antioxidante importante;
    • Contribuem para a saúde da pele.

    Alimentos alaranjados

    Os exemplos são cenoura, abóbora, manga e mamão, em que o nutriente principal é o betacaroteno, precursor da vitamina A.

    Benefícios:

    • Fortalecem o sistema imunológico;
    • Protegem a visão;
    • Ajudam na manutenção da pele e das mucosas.

    Alimentos amarelos

    Podem ser milho, abacaxi, banana e pimentão amarelo, ricos em vitamina C e flavonoides.

    Benefícios:

    • Melhoram a digestão;
    • Ajudam na produção de colágeno;
    • São importantes para o humor e a energia.

    Alimentos verdes

    Folhas verdes, brócolis, abacate e kiwi são representantes principais dessa categoria. Os principais nutrientes são fibras, ferro, folato, luteína e vitamina K.

    Benefícios:

    • Regulam o intestino;
    • Protegem o coração e os vasos;
    • Auxiliam no controle da glicemia;
    • Contribuem para a saúde óssea.

    Alimentos roxos e azuis

    Uva roxa, amora, repolho roxo e berinjela são ricos em antocianinas e resveratrol.

    Benefícios:

    • Ajudam a reduzir a inflamação;
    • Protegem o sistema nervoso;
    • Auxiliam no controle da pressão e da circulação;
    • Têm efeito antioxidante potente.

    Alimentos brancos

    Alho, cebola, nabo, cogumelos e couve-flor são exemplos. Os principais compostos são alicina, quercetina e potássio.

    Benefícios:

    • Fortalecem o sistema imunológico;
    • Auxiliam no controle da pressão arterial;
    • Têm ação antimicrobiana;
    • Ajudam a proteger o coração.

    Alimentos marrons

    Incluem cereais integrais, oleaginosas (nozes e castanhas) e sementes. São ricos em fibras alimentares e vitaminas do complexo B.

    Como montar um prato colorido no dia a dia

    Não é difícil montar um prato colorido na rotina. Algumas orientações ajudam:

    • Busque incluir ao menos três cores diferentes por refeição;
    • Metade do prato deve ser composta por legumes, verduras e frutas;
    • Varie as cores ao longo da semana;
    • Inclua uma fonte de proteína magra, como frango, ovos, peixe ou feijão;
    • Prefira alimentos in natura ou minimamente processados.

    Essas mudanças simples já ajudam a melhorar marcadores de saúde, como pressão arterial, colesterol LDL, glicemia e inflamação.

    Leia mais: Por que comer devagar muda sua relação com a comida e melhora a saúde

    Perguntas frequentes sobre o prato colorido

    1. Preciso comer todas as cores todos os dias?

    Não necessariamente. O mais importante é manter variedade ao longo da semana.

    2. Prato colorido engorda?

    Não. Em geral, ajuda no emagrecimento por aumentar fibras e saciedade. Ainda assim, é importante respeitar as quantidades e necessidades individuais.

    3. Crianças também precisam de prato colorido?

    Sim. A variedade de cores é fundamental para crescimento, desenvolvimento e fortalecimento da imunidade.

    4. Suco substitui frutas e vegetais?

    Não. O suco perde fibras importantes e concentra açúcar, mesmo quando natural.

    5. Suplementos substituem uma alimentação colorida?

    Não. Os fitonutrientes presentes nos alimentos naturais são insubstituíveis. A suplementação pode ser necessária em casos específicos, mas não substitui uma boa alimentação.

    6. Comer colorido ajuda o coração?

    Sim. É uma das principais recomendações para prevenção de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Veja mais: Caminhada depois da refeição: conheça os benefícios e como começar

  • Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, tratamentos e se é grave

    Você já ouviu falar em espondilite anquilosante? A doença, caracterizada por uma inflamação crônica nas articulações da coluna e da pelve, pode causar sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

    Apesar de ser mais frequente em homens jovens, entre 20 e 40 anos, ela também pode acometer mulheres e pessoas de outras faixas etárias, com sintomas que variam de acordo com cada organismo, podendo ser leves e intermitentes ou causar dor constante e rigidez intensa. Entenda mais detalhes sobre a doença, a seguir.

    O que é espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações próximas, como as do quadril e da pelve. Sendo autoimune, ela acontece quando o sistema imunológico ataca, por engano, as próprias articulações e tecidos saudáveis.

    A inflamação costuma começar nas articulações da pelve e progredir para outras regiões da coluna. Com o tempo, o processo inflamatório pode levar à formação de pontes ósseas entre as vértebras, tornando a coluna menos flexível — um processo conhecido como anquilose.

    Apesar da coluna ser a área mais afetada, a doença também pode atingir outras articulações, como ombros, quadris, joelhos e tornozelos.

    Causas da espondilite anquilosante

    A presença do gene HLA-B27 está fortemente associada à doença, sendo encontrada em grande parte dos pacientes diagnosticados. No entanto, sua presença isolada não é suficiente para causar o problema, já que muitas pessoas com o gene nunca desenvolvem sintomas.

    A doença também depende da influência de fatores ambientais, que podem atuar como gatilhos em pessoas geneticamente predispostas. Alguns exemplos incluem infecções intestinais ou urinárias prévias, além de alterações na microbiota intestinal, que podem estimular o sistema imunológico e desencadear o processo inflamatório característico da doença.

    Quais os sintomas da espondilite anquilosante?

    Os sintomas da espondilite anquilosante costumam se desenvolver de forma lenta e progressiva, sendo eles:

    • Dor lombar crônica, normalmente na parte inferior das costas e nas nádegas, que surge após períodos de imobilidade (como ao acordar);
    • Sensação de travamento da coluna ao acordar, que pode durar mais de 30 minutos;
    • Dores nas articulações, especialmente quadris, ombros e joelhos;
    • Fadiga constante, devido ao processo inflamatório crônico;
    • Redução da mobilidade da coluna devido a fusão das vértebras que pode acontecer com o tempo, levando à rigidez permanente;
    • Em alguns casos, pode haver dor nos calcanhares, inflamação nos olhos (uveíte) ou dor torácica devido ao comprometimento das articulações entre costelas e coluna.

    “Na espondilite, dizemos que o paciente tem uma dor inflamatória, em que a dor predomina no período da manhã, com rigidez prolongada, e melhora ao longo do dia conforme o indivíduo se movimenta”, explica a reumatologista Flávia Alexandra Guerrero.

    Como é feito o diagnóstico de espondilite anquilosante?

    O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito por um médico reumatologista, com base nos sintomas, exame físico e exames complementares. O especialista começa observando sinais como dor nas costas que piora em repouso, melhora com o movimento e vem acompanhada de rigidez matinal prolongada.

    Durante a consulta, o médico avalia a mobilidade da coluna e verifica se há dor ao pressionar determinadas articulações, como as sacroilíacas, localizadas na região inferior das costas. Os sinais ajudam a identificar se há alguma inflamação.

    À partir de uma suspeita clínica, Flávia aponta que o médico pode solicitar exames como radiografia, tomografia ou ressonância magnética, que mostram inflamações e possíveis alterações na coluna e nas articulações.

    Também são realizados exames de sangue para verificar a presença do gene HLA-B27, que está presente em grande parte dos casos, e medir substâncias que indicam inflamação no corpo, como PCR e VHS. O histórico familiar é considerado importante, já que a doença pode ter origem genética.

    Tratamentos de espondilite anquilosante

    O tratamento de espondilite anquilosante é feito com o objetivo de controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar a mobilidade da coluna e das articulações. Como se trata de uma doença crônica e sem cura, o tratamento deve ser contínuo e acompanhado por um reumatologista.

    Durante muitos anos, o tratamento era baseado apenas no uso de medicamentos anti-inflamatórios e em exercícios físicos para garantir a manutenção da mobilidade de coluna, de acordo com Flávia Alexandra. Mas com o avanço da medicina, surgiram novas opções que mudaram o tratamento da doença e melhoraram muito a qualidade de vida dos pacientes.

    Hoje, o tratamento combina diferentes abordagens, como:

    • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): reduzem a dor e a inflamação, sendo geralmente a primeira escolha no início da doença;
    • Drogas imunobiológicas: como os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) e das interleucinas (IL-17), que atuam diretamente no sistema imunológico, diminuindo a atividade inflamatória e retardando a progressão da doença;
    • Fisioterapia: fundamental para manter a postura correta, melhorar a flexibilidade e preservar a amplitude dos movimentos da coluna e das articulações;
    • Atividade física regular: exercícios como alongamento, natação e pilates ajudam a reduzir a rigidez e fortalecer a musculatura de apoio da coluna;
    • Analgésicos e infiltrações: usados em fases de dor intensa ou crises inflamatórias localizadas;
    • Acompanhamento médico periódico: permite ajustar as medicações, avaliar a resposta ao tratamento e prevenir possíveis efeitos colaterais.

    Com o acompanhamento constante, a maioria dos pacientes consegue controlar bem os sintomas, realizar todas as atividades diárias e levar uma vida ativa.

    Espondilite anquilosante tem cura?

    A espondilite anquilosante não tem cura, mas o tratamento contribui para aliviar os sintomas, controlar a inflamação, retardar a progressão da doença e manter a melhor qualidade de vida e função possível.

    “Nos últimos 20-25 anos, novas medicações permitiram um tratamento mais adequado da doença, permitindo um controle das manifestações clínicas da doença e impedindo/retardando a sua progressão. Este novo cenário tem permitido que os pacientes com esta patologia tenham uma boa qualidade de vida e menor número de sequelas no futuro”, complementa Flávia.

    É possível prevenir a espondilite anquilosante?

    A espondilite anquilosante não pode ser prevenida, pois está relacionada a fatores genéticos e ao funcionamento do sistema imunológico, que acabam fugindo do controle da pessoa.

    No entanto, é possível reduzir o impacto da doença e evitar complicações com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, além de medidas como:

    • Manter acompanhamento médico regular com reumatologista;
    • Praticar atividade física com orientação profissional;
    • Cuidar da postura no dia a dia e durante o sono;
    • Evitar o tabagismo, que piora a inflamação e a rigidez;
    • Seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico;
    • Adotar alimentação equilibrada e manter o peso adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar atendimento médico ao perceber dor ou rigidez persistente nas costas que dura mais de três meses e melhora com o movimento, mas piora com o repouso. Os sinais podem indicar inflamação e precisam ser avaliados por um reumatologista.

    Também é fundamental buscar ajuda quando houver:

    • Dor intensa ou contínua, mesmo com o uso de medicamentos;
    • Rigidez prolongada ao acordar, que demora a passar;
    • Dificuldade para se mover ou curvar a coluna;
    • Cansaço constante e sem causa aparente.

    Como saber se a doença está piorando?

    Os principais sinais de progressão da doença são a persistência da dor e da rigidez, mesmo com o tratamento adequado. “Isso deve ser sinal de atenção e ser compartilhado com o médico que acompanha o paciente, uma vez que deve ser checado se não há outros motivos para a manutenção da dor além da própria doença”, finaliza Flávia Alexandra.

    Veja também: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/doencas-autoimunes/

    Perguntas frequentes

    Quem pode ter espondilite anquilosante?

    A doença costuma se manifestar entre os 20 e 40 anos de idade, sendo mais frequente em homens. Porém, mulheres também podem desenvolvê-la, muitas vezes de forma mais leve e com sintomas menos típicos, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Existe um forte componente genético, e pessoas que têm familiares com o mesmo problema apresentam maior risco de desenvolver a doença.

    A dor causada pela espondilite é diferente das dores comuns nas costas?

    A dor causada pela espondilite anquilosante é chamada de dor inflamatória e é diferente da dor mecânica, que surge por esforço físico ou má postura. A dor inflamatória piora com o repouso, especialmente durante a noite, e melhora com o movimento. Ela também costuma vir acompanhada de rigidez matinal e pode irradiar para glúteos e coxas. Já a dor mecânica aumenta com o movimento e tende a aliviar com o descanso.

    A alimentação influencia na espondilite anquilosante?

    Não há uma dieta específica para tratar a espondilite anquilosante, mas uma alimentação equilibrada auxilia no controle da inflamação. O consumo regular de alimentos ricos em ômega-3 (como peixes e sementes), além de frutas, legumes e grãos integrais, tem efeito anti-inflamatório natural.

    Por outro lado, o excesso de açúcares, ultraprocessados e bebidas alcoólicas pode piorar o quadro inflamatório. Manter o peso corporal adequado também é importante para reduzir a sobrecarga nas articulações.

    Quem tem espondilite anquilosante pode trabalhar normalmente?

    Na maioria das vezes, sim. Com o tratamento adequado, o paciente pode continuar suas atividades profissionais, mas funções que exigem esforço físico intenso ou longos períodos em pé ou sentado podem precisar de ajustes. Pausas para alongamento, uso de cadeiras ergonômicas e atenção à postura ajudam a prevenir dor e rigidez.

    A espondilite anquilosante pode causar deformidade na coluna?

    Quando a inflamação não é controlada, pode ocorrer a fusão gradual das vértebras, deixando a coluna mais rígida e inclinada para a frente — quadro conhecido como cifose ou postura encurvada.

    A complicação tende a surgir em pessoas que não fazem tratamento ou interrompem o uso das medicações. Com acompanhamento médico e fisioterapia, é possível prevenir ou reduzir significativamente o risco.

    Quem tem espondilite pode engravidar?

    A espondilite anquilosante não impede a gravidez, mas o planejamento deve ser feito com orientação médica, pois alguns medicamentos usados no tratamento precisam ser suspensos antes da gestação. O acompanhamento conjunto de reumatologista e obstetra é importante para garantir a segurança da mãe e do bebê.

    Veja também: Artrite psoriásica: quando a psoríase atinge as articulações
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/artrite-psoriasica/

  • Por que o corpo pede mais doce quando estamos cansados ou ansiosos? 

    Por que o corpo pede mais doce quando estamos cansados ou ansiosos? 

    Quem nunca viveu a cena de chegar em casa depois de um dia exaustivo, abrir o armário e ir direto no chocolate, no biscoito recheado ou naquele doce guardado para uma ocasião especial? Em fases de muito trabalho, noites maldormidas ou períodos de ansiedade, a vontade de doce parece ganhar voz própria.

    Isso não acontece por acaso. O corpo e o cérebro interpretam o cansaço e o estresse como sinais de alerta e passam a buscar fontes rápidas de energia e conforto. Os doces entram justamente aí. Entender esses mecanismos ajuda a tirar o peso da culpa e permite pensar em estratégias mais inteligentes para lidar com a vontade de açúcar.

    Cansaço, cérebro e busca por energia rápida

    Quando estamos muito cansados, o organismo entende que está em déficit de energia. O cérebro, que consome boa parte dessa energia, tende a preferir fontes rápidas, como carboidratos simples. Doces, refrigerantes e produtos açucarados entram nessa categoria.

    Além disso, noites ruins de sono alteram hormônios que regulam fome e saciedade, como grelina e leptina. A grelina, ligada ao aumento do apetite, tende a subir, enquanto a leptina, associada à saciedade, cai. O resultado é mais fome, menos sensação de satisfação e uma preferência maior por alimentos calóricos.

    O que a falta de sono faz com a vontade de doce

    Estudos mostram que dormir pouco não só aumenta o interesse por comida, como muda o tipo de alimento escolhido. Pesquisas com ressonância magnética indicam que a privação de sono altera regiões do cérebro que processam cheiro e recompensa.

    Em um estudo publicado na revista Science, pessoas que dormiram apenas quatro horas passaram a preferir alimentos mais calóricos, mesmo consumindo, em média, a mesma quantidade total de energia que o grupo bem descansado.

    Os pesquisadores observaram que, após a restrição de sono, o sistema endocanabinoide — o mesmo ativado pela cannabis — ficava mais ativo. Ao mesmo tempo, havia mudanças na comunicação entre áreas do cérebro ligadas ao olfato e à regulação do apetite.

    Ansiedade, recompensa e o “conforto” do açúcar

    Em momentos de ansiedade, o corpo libera mais cortisol, hormônio ligado à resposta ao estresse. Esse aumento pode estimular a ingestão de alimentos mais palatáveis, especialmente ricos em açúcar e gordura.

    O doce ativa circuitos de recompensa no cérebro, liberando dopamina, substância associada à sensação de prazer. Por alguns minutos, isso cria a impressão de alívio, como se o açúcar “acalmasse os nervos”. O problema é que esse efeito é curto e muitas vezes vem acompanhado de culpa ou desconforto depois.

    Com o tempo, o cérebro pode aprender que comer doce é uma forma rápida de amortecer emoções difíceis. Assim, ansiedade e açúcar criam um ciclo em que o doce deixa de ser apenas alimento e passa a ser uma estratégia emocional — ainda que pouco eficaz.

    O mito do “sugar rush”

    A ideia de que um alimento açucarado melhora o humor e dá “pique” imediato é muito popular, mas não é o que a ciência mostra. Uma grande revisão de estudos analisou o efeito do consumo agudo de carboidratos no humor e não encontrou melhora consistente de bem-estar.

    Pelo contrário, os autores observaram mais fadiga e menos estado de alerta dentro da primeira hora após a ingestão. Em outras palavras, o “sugar rush” é mais mito do que realidade: há uma sensação rápida de recompensa, seguida por queda de energia.

    Principais mecanismos que aumentam a vontade de doce

    Antes de tentar “domar” o desejo por açúcar, vale entender o que está por trás dele. Em geral, alguns fatores se somam:

    • Poucas horas de sono e cansaço acumulado;
    • Estresse crônico e ansiedade elevados;
    • Longos períodos em jejum ou refeições pobres em proteínas e fibras;
    • Hábito de usar doces como recompensa ou consolo emocional.

    Reconhecer esses pontos ajuda a ver o desejo por doce não como falta de força de vontade, mas como um sinal de que algo na rotina precisa ser ajustado.

    Como lidar com a vontade de doce sem radicalizar

    A melhor forma de lidar com a vontade de doce não é cortar o açúcar totalmente, mas reduzir frequência e quantidade, cuidando das causas de fundo, como sono e estresse.

    Refeições equilibradas, com proteínas, fibras e boas gorduras, ajudam a estabilizar a glicose e evitar picos de fome. Dormir bem também faz diferença: horários regulares, menos telas à noite e rituais de desaceleração melhoram o descanso e reduzem o desejo por açúcar.

    Buscar outras formas de aliviar a ansiedade — como atividade física leve, pausas no dia e acompanhamento psicológico — ajuda a romper o ciclo entre estresse e doce. Quando a vontade surgir, prefira frutas, chocolates com maior teor de cacau ou doces caseiros com menos açúcar.

    Equilíbrio, plano alimentar e autoconhecimento

    Entender por que o corpo pede mais doce quando estamos cansados ou ansiosos é um passo importante para sair da lógica da culpa. O desejo por açúcar é um sinal de que o organismo está tentando compensar algo.

    Mais do que brigar com o doce, vale olhar para a rotina como um todo. Um plano alimentar adequado, aliado ao cuidado com sono e saúde mental, é o caminho mais eficiente para reduzir esses impulsos.

    Quando o açúcar deixa de ser resposta automática para o cansaço e a ansiedade, ele pode voltar ao lugar que faz sentido: um prazer pontual, inserido em uma vida equilibrada.

    Veja também: Como organizar uma geladeira saudável e prática para o dia a dia
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/como-organizar-geladeira-saudavel/

    Perguntas e respostas

    1. Por que sentimos tanta vontade de doce quando estamos cansados?

    O cansaço sinaliza ao corpo que a energia está baixa. O cérebro busca fontes rápidas de energia, como o açúcar. Além disso, dormir pouco altera hormônios que aumentam o apetite e reduzem a saciedade.

    2. A ansiedade também aumenta o desejo por açúcar?

    Sim. O aumento do cortisol estimula o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura, que ativam o sistema de recompensa do cérebro e geram alívio temporário.

    3. O famoso “sugar rush” realmente existe?

    Não exatamente. O açúcar provoca apenas um pico breve de recompensa, seguido por queda de energia e maior fadiga.

    4. O que o sono tem a ver com a vontade de doce?

    A falta de sono altera áreas cerebrais ligadas à recompensa e ao apetite, tornando alimentos calóricos mais atraentes.

    5. Como reduzir o desejo por doces sem cortar totalmente o açúcar?

    Equilibrando refeições, cuidando do sono e do estresse e escolhendo versões mais nutritivas quando a vontade surgir.

    Leia mais: Canetas emagrecedoras: ficar sem comer faz emagrecer mais rápido?
    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/canetas-emagrecedoras-ficar-sem-comer-emagrece/

  • Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular 

    Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular 

    Você já ouviu falar da “medida do abraço”? Esse é um termo usado para aferir a circunferência da cintura, sendo um dos indicadores mais simples e eficazes para verificar a saúde metabólica. O nome mais acessível ajuda a popularizar a técnica de medição da circunferência abdominal, incentivando o uso de uma fita métrica no dia a dia.

    Essa prática ajuda a ter uma ideia aproximada do acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral, que envolve órgãos internos e está diretamente associada a doenças cardiovasculares e metabólicas.

    Por que a circunferência abdominal diz tanto sobre o coração

    A gordura visceral é considerada metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem lesar as paredes dos vasos sanguíneos e reduzir a eficácia da insulina. Com o tempo, esse processo favorece o endurecimento das artérias, sobrecarrega o pâncreas e altera o metabolismo.

    Além disso, essa gordura interfere no funcionamento do fígado e no controle da pressão arterial, aumentando o risco de doenças cardiovasculares mesmo em pessoas que não estão acima do peso.

    Outro ponto importante é a diferença entre a gordura abdominal e aquela localizada em quadris ou coxas. O tecido adiposo da barriga é mais nocivo porque se infiltra entre os órgãos e interfere na regulação hormonal. Por isso, acompanhar a circunferência da cintura ao longo do tempo com a medida do abraço é uma forma prática de monitorar a saúde do coração e os riscos da obesidade.

    Quando a circunferência abdominal acende o alerta

    Na prática médica, os valores de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres são considerados o limite superior seguro. A partir desses números, o risco cardiovascular e metabólico cresce de forma significativa.

    Existe ainda uma forma mais simples de interpretar: manter a cintura menor que metade da altura. Por exemplo, uma pessoa de 1,70 m deve ter circunferência abdominal abaixo de 85 cm. Essa relação cintura/altura é intuitiva e ajuda a visualizar o impacto de pequenos ganhos ou perdas ao longo do tempo.

    Como usar a medida do abraço corretamente em casa

    A precisão da medida depende da técnica. Siga o passo a passo:

    • Fique em pé, com o abdômen relaxado e os pés alinhados à largura dos ombros;
    • Localize o topo do osso do quadril (crista ilíaca) e posicione a fita métrica nessa altura, ao redor da cintura, paralela ao chão — normalmente acima do umbigo;
    • Faça a medição ao final de uma expiração normal, sem apertar a fita contra a pele e preferencialmente de barriga vazia.

    Repita a medida duas vezes e utilize a média dos valores. Esses cuidados garantem maior confiabilidade e evitam variações artificiais.

    O que está por trás da cintura aumentada

    Quando a circunferência abdominal cresce, geralmente há aumento de gordura visceral. Esse tipo de gordura se infiltra em órgãos como fígado e pâncreas, prejudicando o metabolismo da glicose e aumentando a produção de colesterol.

    Como consequência, a pressão arterial tende a subir, os níveis de lipídios se alteram e a inflamação se torna persistente. Mesmo pessoas com IMC dentro da faixa considerada normal podem apresentar essa gordura “oculta”. Por isso, a avaliação clínica deve incluir pressão arterial, glicemia e perfil lipídico.

    O que fazer se sua medida está acima do ideal

    Mudanças sustentáveis no estilo de vida são mais eficazes do que intervenções radicais para reduzir a circunferência abdominal. Priorize alimentos naturais, ricos em fibras e proteínas magras, como frutas, verduras, grãos integrais, peixes e leguminosas. Reduza o consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas e álcool.

    Na atividade física, busque ao menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados e inclua duas sessões de treino de força. A musculação e modalidades como funcional ou calistenia ajudam a preservar massa magra, melhorar a sensibilidade à insulina e acelerar o metabolismo.

    O sono e o controle do estresse também merecem atenção, pois influenciam diretamente o acúmulo de gordura abdominal. Reavaliações periódicas e acompanhamento médico ajudam a consolidar os resultados.

    Lembre-se: a medida do abraço é um indicador simples e poderoso da saúde do coração. Uma fita métrica pode revelar riscos antes mesmo que exames laboratoriais apontem alterações.

    Leia também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas e respostas

    Por que a gordura visceral é tão perigosa?

    Porque ela libera substâncias inflamatórias que alteram o metabolismo, elevam a pressão arterial, aumentam o colesterol e prejudicam a ação da insulina, favorecendo o surgimento de doenças crônicas.

    Qual é o valor ideal da circunferência da cintura?

    Para mulheres, abaixo de 88 cm; para homens, abaixo de 102 cm. Outra regra prática é manter a cintura menor que metade da altura corporal.

    É possível ter medida do abraço elevada mesmo sem estar acima do peso?

    Sim. Pessoas com IMC normal podem acumular gordura visceral sem perceber. Por isso, medir a cintura complementa a avaliação clínica tradicional e ajuda a identificar riscos precoces.

    Como reduzir a circunferência abdominal de forma eficaz?

    Com mudanças consistentes na rotina: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade e redução do estresse. O foco deve ser o estilo de vida, não medidas extremas ou restritivas.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

  • Quando o intestino inflama: o que é a retocolite ulcerativa 

    Quando o intestino inflama: o que é a retocolite ulcerativa 

    A diarreia com sangue, a dor abdominal frequente e a sensação constante de urgência para ir ao banheiro não costumam ser encaradas como algo normal. Quando esses sintomas se repetem ou persistem, podem indicar uma doença inflamatória intestinal que exige acompanhamento médico contínuo: a retocolite ulcerativa.

    Apesar de não ter cura, a retocolite ulcerativa pode ser controlada. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e seguimento regular, muitas pessoas conseguem manter boa qualidade de vida e longos períodos sem sintomas.

    O que é a retocolite ulcerativa?

    A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta a mucosa do intestino grosso. A inflamação começa no reto e pode se estender de forma contínua por todo o cólon.

    Trata-se de uma condição sem cura definitiva, mas com tratamento voltado para o controle da inflamação, redução das crises e prevenção de complicações. A doença atinge homens e mulheres de forma semelhante, com maior incidência entre os 20 e 40 anos e um segundo pico em idosos.

    Outro ponto importante é o aumento do risco de câncer colorretal, especialmente em pessoas com doença de longa duração, o que torna o acompanhamento regular indispensável.

    Principais sintomas

    Os sintomas estão relacionados à inflamação da mucosa intestinal e podem variar de intensidade.

    Sintomas intestinais mais comuns

    • Diarreia com sangue, com ou sem muco;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Perda de peso.

    Os sintomas costumam surgir de forma gradual e evoluem em fases de crise, intercaladas com períodos de remissão, quando o paciente pode ficar assintomático.

    Manifestações fora do intestino

    • Uveíte e esclerite (olhos);
    • Artrite (articulações);
    • Eritema nodoso (lesões na pele).

    Complicações possíveis

    • Sangramento intestinal importante;
    • Colite fulminante;
    • Perfuração do intestino.

    O que causa a retocolite ulcerativa?

    A retocolite ulcerativa não tem uma causa única definida. Sabe-se que existe um componente genético importante, com maior risco em pessoas que têm familiares com doenças inflamatórias intestinais.

    Além disso, fatores como alterações da microbiota intestinal e respostas imunológicas inadequadas contribuem para o desenvolvimento da inflamação crônica no intestino grosso.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado na história clínica, nos sintomas e em exames complementares.

    Exames iniciais

    • Exames de fezes, para descartar infecções intestinais;
    • Exames de sangue, que podem mostrar sinais de inflamação.

    Exame padrão-ouro

    A colonoscopia com biópsia é o exame mais importante. Ela permite:

    • Visualizar a inflamação contínua do intestino;
    • Diferenciar a retocolite de outras doenças, como a doença de Crohn;
    • Afastar câncer colorretal.

    Exames de imagem, como tomografia, podem auxiliar, mas não substituem a colonoscopia.

    Tratamento da retocolite ulcerativa

    O tratamento depende da extensão e da gravidade da doença.

    Tratamento inicial

    • Medicamentos anti-inflamatórios intestinais, como sulfassalazina;
    • Corticoides, por via oral ou retal, durante as crises.

    Escalonamento do tratamento

    Se não houver melhora em cerca de duas semanas, podem ser indicados imunossupressores mais potentes.

    Cirurgia

    Em situações específicas, como:

    • Sangramento importante;
    • Perfuração;
    • Colite fulminante;
    • Falha do tratamento medicamentoso.

    A cirurgia para retirada do intestino grosso pode ser necessária e tem caráter curativo.

    O que esperar

    Na maioria dos casos, a perspectiva para os primeiros 10 anos após o diagnóstico é boa, com muitos pacientes permanecendo em remissão, ou seja, sem atividade da doença.

    Apesar da baixa mortalidade, a doença pode impactar a qualidade de vida. Por isso, é importante ter acompanhamento regular com gastroenterologista e realizar colonoscopias periódicas para rastreio de câncer colorretal.

    Leia mais: Colonoscopia: o exame que avalia o intestino

    Perguntas frequentes sobre retocolite ulcerativa

    A retocolite ulcerativa tem cura?

    Não. A doença é crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado.

    Retocolite ulcerativa é a mesma coisa que doença de Crohn?

    Não. Ambas são doenças inflamatórias intestinais, mas apresentam padrões diferentes de acometimento.

    Quem tem retocolite sempre tem diarreia com sangue?

    Não necessariamente. O sintoma é comum, mas pode variar conforme a fase da doença.

    A doença aumenta o risco de câncer?

    Sim. O risco de câncer colorretal é maior, especialmente em casos de longa duração.

    A cirurgia resolve o problema?

    Em casos indicados, a cirurgia pode ser curativa, pois remove o intestino grosso afetado.

    A alimentação influencia?

    A alimentação não causa a doença, mas pode ajudar a controlar os sintomas durante as crises.

    É possível levar uma vida normal?

    Sim. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes vivem bem e sem sintomas por longos períodos.

    Leia mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • Tratamento para emagrecer: quando procurar ajuda médica?

    Tratamento para emagrecer: quando procurar ajuda médica?

    Um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e diabetes tipo 2, o excesso de peso é uma realidade no cotidiano de 60% da população adulta no Brasil — um número que ultrapassa 96 milhões de pessoas.

    O quadro costuma se instalar de forma lenta, influenciado por sedentarismo, alimentação inadequada, padrões de sono irregulares, estresse contínuo e ambientes que dificultam escolhas saudáveis. Em meio a uma rotina agitada e frequentemente sem tempo para o autocuidado, o problema pode passar despercebido por muito tempo.

    Contudo, quando o peso começa a afetar qualidade de vida, saúde física ou bem-estar emocional, pode ser momento de procurar ajuda médica para emagrecer. É normal ter medo ou receio de ouvir diagnósticos indesejados, mas profissionais de saúde trabalham diariamente com cuidado, acolhimento e estratégias realistas, focadas na qualidade de vida.

    “O papel do médico é oferecer um cuidado seguro, humano e sem julgamentos, construindo junto com o paciente estratégias que realmente funcionem na vida real”, esclarece a médica de família e comunidade Fernanda Tasso Borges Fernandes.

    Quando procurar ajuda médica para emagrecer?

    De acordo com Fernanda, é indicado procurar ajuda de um profissional sempre que o peso interfere na saúde, no bem-estar ou na relação com o próprio corpo. Isso vale para situações como:

    • Ganho de peso contínuo;
    • Dificuldade para reduzir ou manter o peso;
    • Presença de doenças associadas, como hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou diabetes;
    • Sofrimento emocional, queda da autoestima ou impacto na vida social e profissional.

    Também é importante buscar avaliação médica antes de iniciar dietas restritivas, uso de medicamentos por conta própria ou mesmo tendências passageiras das redes sociais. O tratamento da obesidade precisa ser individualizado, seguro e baseado em evidências científicas, respeitando a realidade de cada pessoa.

    A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e qualquer médico que tenha formação e capacitação adequada, como médicos de família e comunidade, clínicos gerais ou nutrólogos, pode diagnosticar, acompanhar e tratar pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo Fernanda.

    “Esses médicos podem avaliar o estado metabólico, orientar mudanças de estilo de vida, prescrever medicamentos quando indicados e coordenar o cuidado com outros profissionais da equipe multiprofissional. Mais do que tratar números, o objetivo é cuidar da pessoa como um todo, considerando os aspectos biológicos, emocionais e sociais que influenciam o peso e a saúde”, esclarece.

    O que avaliar antes de indicar o tratamento para emagrecimento?

    Antes de indicar qualquer tratamento para emagrecimento, o médico faz uma avaliação completa para entender como o organismo funciona e quais fatores podem estar dificultando a perda de peso. Segundo Fernanda, isso envolve:

    • Histórico clínico e familiar (doenças associadas, uso de medicamentos, variações de peso);
    • Hábitos de vida, incluindo padrão alimentar, sono, rotina e nível de estresse;
    • Avaliação física detalhada, com medidas corporais, cálculo do IMC e análise da composição corporal;
    • Exames laboratoriais e físicos, para identificar causas secundárias de ganho de peso;
    • Avaliação comportamental e emocional, entendendo a relação do paciente com a comida e com o corpo.

    Com todas as informações, o médico consegue definir quais estratégias são mais adequadas: mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física, medicações ou uma combinação entre elas. O tratamento sempre é individualizado e alinhado à realidade de cada pessoa.

    Como funciona o tratamento para emagrecer?

    O tratamento para emagrecer é feito a partir de uma série de medidas que se complementam e levam em conta saúde física, rotina e limitações individuais. Ele não é focado apenas na perda de peso, mas em melhorar a qualidade de vida, reduzir riscos e criar hábitos que podem ser mantidos ao longo do tempo.

    Entre as principais estratégias utilizadas hoje, Fernanda destaca:

    • Mudança do estilo de vida: envolve alimentação equilibrada e possível de manter, sono de qualidade, manejo do estresse e prática regular de atividade física;
    • Terapias comportamentais: apoio psicológico e educação alimentar para fortalecer a relação com a comida;
    • Tratamento farmacológico: indicado quando há dificuldade em perder ou manter o peso apenas com mudanças de hábitos;
    • Cirurgia bariátrica: indicada em situações específicas, sempre com acompanhamento médico e multiprofissional.

    “Cada plano terapêutico deve equilibrar benefícios, riscos e preferências individuais, com acompanhamento regular para garantir resultados duradouros e preservar a saúde global”, explica a especialista.

    Alimentação e exercício físico podem não ser suficientes para emagrecer?

    A obesidade é uma doença influenciada por diversos fatores, como genética, hormônios, metabolismo, uso de medicamentos, ambiente e saúde emocional. Por isso, apesar de fundamentais, a alimentação equilibrada e o exercício físico nem sempre são suficientes para promover perda de peso consistente.

    Segundo Fernanda, o corpo costuma defender o próprio peso máximo e, quando começa a emagrecer, pode reduzir o gasto energético e aumentar a fome como forma de proteção biológica. Nessas situações, pode ser necessário incluir medicações ou outras estratégias no tratamento.

    “Isso não significa falta de esforço nem escolher o caminho mais fácil, mas sim o reconhecimento de que há componentes fisiológicos que exigem suporte clínico contínuo”, complementa.

    Já perdi peso, preciso continuar indo ao médico?

    Mesmo depois de alcançar uma boa perda de peso, continuar o acompanhamento médico é fundamental para manter os hábitos a longo prazo, ajustar os cuidados conforme o corpo muda e prevenir o reganho de peso.

    “O acompanhamento médico ajuda a monitorar a composição corporal e a orientar ajustes no tratamento em conjunto com o nutricionista e o profissional da educação física”, explica Fernanda.

    Por que tentar emagrecer sem orientação pode ser arriscado?

    Dietas muito restritivas, exercícios acima do limite e uso de medicamentos sem prescrição podem desorganizar o metabolismo, causar queda de massa muscular e provocar alterações importantes em pressão, humor e funcionamento hormonal.

    “O cuidado médico evita esses riscos, assegurando que o emagrecimento ocorra de forma segura, progressiva e sustentável, com atenção à saúde integral”, finaliza Fernanda.

    Leia também: Canetas emagrecedoras: ficar sem comer faz emagrecer mais rápido?

    Perguntas frequentes

    O que realmente faz uma pessoa emagrecer?

    O emagrecimento acontece quando o corpo gasta mais energia do que recebe ao longo do tempo, criando um déficit calórico.

    Dietas muito restritivas funcionam?

    Podem levar a perda rápida, mas costumam ser insustentáveis e provocam efeito rebote.

    Por que algumas pessoas têm mais dificuldade para emagrecer?

    Genética, hormônios, histórico de peso, medicamentos, sono e estresse influenciam diretamente o metabolismo.

    O que é efeito sanfona?

    É o ciclo de emagrecer e recuperar peso repetidamente, geralmente após dietas muito restritivas.

    Por que perder gordura abdominal é mais difícil?

    A gordura abdominal é influenciada por hormônios como o cortisol e fatores genéticos e hormonais.

    O que fazer quando o emagrecimento trava?

    É necessário reavaliar alimentação, exercícios, sono, estresse e fatores metabólicos com ajuda profissional.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    Pressão alta nos pulmões: entenda o que é hipertensão pulmonar  

    A falta de ar que surge aos poucos, o cansaço que não melhora com o descanso e até episódios de tontura podem parecer sintomas inespecíficos. Mas, em alguns casos, esses sinais silenciosos escondem uma condição séria: a hipertensão pulmonar.

    Trata-se de uma doença em que a pressão dentro das artérias dos pulmões aumenta de forma anormal, e isso sobrecarrega o coração e compromete a oxigenação do organismo. Quando não diagnosticada e tratada da maneira certa, pode evoluir para insuficiência cardíaca e trazer riscos importantes à saúde.

    O que é a hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão arterial na artéria pulmonar, vaso responsável por levar o sangue do coração aos pulmões para oxigenação.

    Com o aumento dessa pressão, o lado direito do coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. Ao longo do tempo, isso leva ao espessamento (hipertrofia) e à dilatação das câmaras direitas, reduzindo a capacidade do coração de funcionar adequadamente e podendo evoluir para insuficiência cardíaca direita.

    Principais sintomas da hipertensão pulmonar

    Nos estágios iniciais, a hipertensão pulmonar pode causar sintomas leves ou até passar despercebida. Com a progressão da doença, os sinais tornam-se mais evidentes.

    Sintomas mais comuns

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço excessivo;
    • Tontura ou vertigem.

    Sintomas em fases mais avançadas

    • Dor no peito durante atividades físicas;
    • Desmaios;
    • Inchaço nas pernas;
    • Aumento do volume abdominal por acúmulo de líquido.

    Outros sintomas podem aparecer conforme a doença de base que levou à hipertensão pulmonar.

    Quais são as causas da hipertensão pulmonar?

    A hipertensão pulmonar é classificada em cinco grupos principais, de acordo com sua causa.

    Grupo 1: Hipertensão arterial pulmonar

    Pode ser:

    • De causa desconhecida (idiopática);
    • Genética;
    • Associada ao uso de drogas ou toxinas;
    • Secundária a doenças hepáticas, reumatológicas, cardiopatias congênitas ou esquistossomose.

    Grupo 2: Doenças do lado esquerdo do coração

    Inclui insuficiência cardíaca e doenças das válvulas cardíacas.

    Grupo 3: Doenças pulmonares e hipóxia

    Relacionada a doenças como enfisema e doenças pulmonares intersticiais.

    Grupo 4: Obstruções das artérias pulmonares

    Como ocorre no tromboembolismo pulmonar crônico.

    Grupo 5: Mecanismos multifatoriais ou pouco esclarecidos

    Casos em que a causa não é totalmente definida ou envolve vários fatores.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com falta de ar progressiva ou sem causa aparente, cansaço persistente e episódios de desmaio.

    Exames mais utilizados

    • Ecocardiograma transtorácico: exame inicial para estimar a pressão da artéria pulmonar e avaliar alterações do coração. Valores de pressão sistólica da artéria pulmonar acima de 35 mmHg em adultos jovens e 40 mmHg em idosos sugerem hipertensão pulmonar;
    • Eletrocardiograma: avaliação rápida da função cardíaca;
    • Espirometria e exames de imagem do tórax: análise da função pulmonar;
    • Exames laboratoriais: investigação de doenças reumatológicas e esquistossomose.

    Tratamento da hipertensão pulmonar

    O tratamento envolve uma combinação de medidas clínicas e medicamentosas, adaptadas à causa e à gravidade da doença.

    Medidas gerais

    • Restrição de sódio na dieta em pacientes com insuficiência cardíaca;
    • Exercícios físicos orientados;
    • Oxigenoterapia, quando indicada.

    Tratamento medicamentoso

    • Vasodilatadores, como bloqueadores de canais de cálcio e sildenafila;
    • Anticoagulantes em casos de tromboembolismo pulmonar;
    • Diuréticos para reduzir inchaço nas pernas e acúmulo de líquido abdominal.

    O acompanhamento em centros especializados é fundamental para o melhor controle da doença.

    Leia também: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes sobre hipertensão pulmonar

    Hipertensão pulmonar é a mesma coisa que pressão alta comum?

    Não. A hipertensão pulmonar afeta as artérias dos pulmões, enquanto a pressão alta comum envolve as artérias do corpo como um todo.

    A hipertensão pulmonar tem cura?

    Depende da causa. Em muitos casos, não há cura, mas o tratamento pode controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

    Falta de ar sempre significa hipertensão pulmonar?

    Não. A falta de ar tem muitas causas. Por isso, a avaliação médica é essencial para identificar a origem do sintoma.

    Quem tem hipertensão pulmonar pode fazer exercícios?

    Sim, desde que orientado por um médico. A atividade física adequada pode trazer benefícios.

    A doença pode evoluir para insuficiência cardíaca?

    Sim. Se não tratada, a hipertensão pulmonar pode levar à insuficiência cardíaca direita.

    Confira: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

  • Obesidade: como o médico pode ajudar na prevenção?

    Obesidade: como o médico pode ajudar na prevenção?

    Uma das condições de saúde que mais cresce no Brasil, a obesidade acontece quando há um acúmulo excessivo de gordura no corpo, ligado a fatores como genética, metabolismo, comportamento, alimentação e até o ambiente em que a pessoa vive.

    Ela se desenvolve de forma silenciosa, muitas vezes antes mesmo do ganho de peso se tornar visível — e representa um risco significativo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, pressão alta e outras doenças cardiovasculares.

    “Muitas pessoas só buscam ajuda médica quando o excesso de peso já está instalado ou começa a causar outros problemas de saúde. Mas o momento ideal para agir é antes disso”, aponta Lilian Ramaldes Vera, médica de família e comunidade e homeopata.

    Com o acompanhamento médico adequado, é possível identificar precocemente alterações metabólicas, orientar mudanças de estilo de vida e prevenir a progressão do quadro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o médico pode ajudar desde o primeiro contato?

    O médico é frequentemente o primeiro profissional de saúde a detectar alterações no peso corporal. Desde o primeiro contato, ele já consegue identificar riscos para obesidade ao avaliar hábitos alimentares, atividade física, sono, histórico familiar e exames básicos como IMC e circunferência abdominal. Isso permite orientar mudanças logo na fase inicial, evitando complicações no futuro, de acordo com Lilian.

    Também é nesse primeiro contato que o médico educa o paciente sobre alimentação inadequada, sedentarismo e fatores emocionais associados ao ganho de peso, oferecendo estratégias viáveis para a realidade de cada pessoa. Assim, o especialista atua de forma preventiva, ajudando a interromper o ciclo de progressão da obesidade desde o início.

    Como o médico reconhece os primeiros sinais de risco para obesidade?

    Durante exames de rotina, o médico avalia o peso, o índice de massa corporal (IMC), a relação cintura-quadril e exames como glicemia, hemoglobina glicada e colesterol — identificando sinais que mostram risco aumentado, mesmo quando o paciente ainda não apresenta obesidade estabelecida. Alguns deles incluem:

    • Ganho de peso progressivo ao longo dos últimos meses;
    • Aumento de gordura abdominal;
    • Resistência à insulina detectada por exames laboratoriais;
    • Queixas de fadiga, sono desregulado e compulsão alimentar;
    • Relato de episódios de ansiedade ou depressão;
    • Histórico familiar de obesidade ou doenças metabólicas;
    • Presença de hábitos alimentares prejudiciais, como consumo frequente de ultraprocessados;
    • Uso contínuo de corticosteroides, antidepressivos ou estabilizadores de humor que podem induzir aumento de peso.

    “Além dos números, observa também os hábitos de vida, o sono, o estresse e o histórico familiar. O médico de família, por acompanhar a pessoa ao longo dos anos, consegue perceber pequenas mudanças no corpo e no comportamento que indicam o início de um desequilíbrio metabólico”, explica Lilian.

    A atenção deve ser multidisciplinar

    A obesidade é uma doença multifatorial, o que significa que é provocada por uma combinação de fatores que interagem entre si e afetam o funcionamento do organismo. Por isso, a atenção ao paciente com risco de obesidade (ou já diagnosticado com a condição) deve ser multidisciplinar, envolvendo diferentes áreas da saúde que atuam de forma integrada.

    “O médico sabe quando é hora de envolver outros profissionais, como nutricionista, educador físico e psicólogo, para apoiar o paciente em diferentes dimensões. Essa abordagem multiprofissional aumenta a adesão ao tratamento e melhora os resultados a longo prazo”, esclarece Lilian.

    O nutricionista, por exemplo, ajuda a organizar a alimentação de forma equilibrada e possível de manter, enquanto o psicólogo trabalha a parte emocional, como ansiedade e compulsão alimentar. Já o educador físico orienta atividades adequadas ao ritmo de cada pessoa, ajudando a gastar energia e fortalecer o corpo com segurança.

    Quando o cuidado funciona assim, o paciente entende melhor o que precisa fazer, desenvolve maior autonomia e consegue manter os hábitos saudáveis por mais tempo. A ideia da atenção multidisciplinar não é só fazer a pessoa perder peso, mas evitar que o peso volte e garantir uma vida mais equilibrada no dia a dia.

    Como prevenir a obesidade?

    A prevenção da obesidade envolve uma série de ações e mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação saudável, atividade física, saúde mental, sono adequado, equilíbrio metabólico e, quando necessário, uso de medicamentos ou encaminhamento para outros especialistas.

    Alimentação equilibrada

    A alimentação é o fator mais importante na prevenção da obesidade, porque ela determina a quantidade de energia (calorias) e a qualidade dos nutrientes que o corpo recebe. Em quadros de obesidade, existe um consumo de calorias maior do que o corpo gasta, de modo que uma dieta saudável contribui para controlar a ingestão calórica total e manter o peso corporal dentro de uma faixa saudável.

    A recomendação é dar prioridade a alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Eles ajudam a controlar a glicemia, equilibrar hormônios e evitar a resistência à insulina, o que contribui diretamente para a redução do ganho de peso.

    Também é necessário evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos e refrigerante, que normalmente são densos em calorias, pobres em nutrientes essenciais e ricos em açúcares, gorduras não saudáveis e sódio.

    Atividade física

    A prática regular de atividade física é a principal forma de aumentar o gasto calórico diário, criando ou mantendo o déficit calórico necessário para prevenir o ganho de peso. Logo, quanto mais ativa a pessoa for, mais calorias ela queima, o que equilibra a energia obtida através da alimentação.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade física intensa para adultos. Ela também orienta incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, envolvendo os principais grupos musculares.

    Vale lembrar que o acompanhamento médico garante que a atividade seja feita com segurança, respeitando os limites do corpo e prevenindo lesões, o que aumenta (e muito!) as chances do paciente manter a regularidade e transformar o movimento em hábito de vida.

    Cuidado com a saúde mental e emocional

    O ganho de peso e os hábitos alimentares, em muitos casos, estão diretamente ligados ao estado emocional. Muitas pessoas recorrem à comida como uma forma de lidar com sentimentos como estresse, tristeza, ansiedade ou tédio, por exemplo, o que pode interferir no equilíbrio metabólico, favorecer o acúmulo de gordura corporal e dificultar o controle do peso.

    Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental ajuda a desenvolver uma alimentação mais consciente, permitindo que a pessoa reconheça os sinais reais de fome e saciedade do corpo — em vez de comer por impulso ou por hábito automático. Quando as emoções estão equilibradas, fica mais fácil fazer escolhas saudáveis no dia a dia.

    Acompanhamento médico

    Com o acompanhamento médico constante, é possível acompanhar a evolução na perda de peso, ajustar estratégias conforme a resposta do organismo e descobrir condições preexistentes, como diabetes e disfunções hormonais — que podem dificultar o controle do peso.

    Em situações específicas, o médico pode indicar o uso de medicamentos, especialmente quando a pessoa apresenta risco metabólico elevado ou dificuldade em controlar o peso apenas com mudanças comportamentais.

    “A prevenção da obesidade não é apenas ‘fechar a boca’. Cuidar do peso é cuidar da energia, da disposição e da qualidade de vida. Quando o paciente compreende o próprio corpo e encontra equilíbrio entre alimentação, sono, movimento e bem-estar emocional, o peso se torna consequência natural de uma vida mais saudável”, diz Lilian.

    Acompanhamento de obesidade a longo prazo

    De acordo com Lilian, o papel do médico no acompanhamento a longo prazo é principalmente para prevenir o efeito sanfona. Basicamente, ele acontece quando a pessoa emagrece de forma rápida ou sem acompanhamento adequado e, depois, volta aos antigos hábitos, ganhando peso novamente — às vezes até mais do que tinha antes.

    “O médico acompanha o paciente durante toda a jornada, ajustando o plano de cuidado conforme as mudanças de vida. Esse acompanhamento contínuo é o que garante resultados duradouros e mais saúde no futuro”, finaliza a especialista.

    Leia mais: Comer na frente de telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Perguntas frequentes

    Dietas restritivas ajudam a evitar a obesidade?

    As dietas restritivas podem levar a um emagrecimento rápido, mas normalmente não são sustentáveis, pois a falta de nutrientes e o sentimento de privação aumentam a compulsão alimentar, favorecem o efeito sanfona e prejudicam a saúde mental. O ideal é adotar mudanças graduais e permanentes, com reeducação alimentar e acompanhamento médico e nutricional.

    Crianças também podem ter obesidade?

    Sim, e isso tem se tornado cada vez mais comum. Segundo um levantamento nacional com base nos dados do SUS, uma em cada três crianças e adolescentes de 10 a 19 anos está com excesso de peso no Brasil. O cenário é preocupante porque o ganho de peso precoce aumenta o risco de desenvolver doenças como diabetes, problemas cardíacos e AVC ao longo da vida.

    O que é obesidade visceral e por que ela é perigosa?

    A obesidade visceral ocorre quando há acúmulo de gordura em volta dos órgãos internos, como fígado e intestino. Ela é mais perigosa que a gordura subcutânea (que se pode sentir sob a pele), pois gera inflamação sistêmica e está diretamente ligada ao risco de infarto, diabetes, AVC e síndrome metabólica. Mesmo pessoas com peso aparentemente normal podem ter gordura visceral elevada, o que exige avaliação médica.

    Obesidade tem cura?

    A obesidade é uma condição crônica, o que significa que ela não tem cura definitiva, mas pode ser controlada a partir de um acompanhamento adequado. O tratamento permite a perda de peso, a estabilização do metabolismo e a redução dos riscos para a saúde. O acompanhamento contínuo é fundamental para evitar recaídas.

    Quem está acima do peso precisa cortar carboidratos?

    Não é necessário cortar completamente os carboidratos da rotina, mas sim escolher os tipos certos e consumir nas quantidades adequadas. Os carboidratos refinados favorecem o acúmulo de gordura, enquanto os complexos fornecem energia, regulam o intestino e aumentam a saciedade.

    O que é obesidade mórbida?

    A obesidade mórbida é o estágio mais grave da obesidade, caracterizada por IMC igual ou superior a 40, ou acima de 35 quando já existem doenças associadas. Ela compromete o funcionamento de diversos órgãos e, em muitos casos, exige acompanhamento médico rigoroso e até cirurgia bariátrica.

    Confira: Obesidade: por que é considerada uma doença crônica?

  • Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Você já ouviu falar na síndrome de Li-Fraumeni? Embora seja rara no mundo, a condição é muito mais comum no Sul e no Sudeste do Brasil. Ela é marcada por uma alteração no gene TP53, conhecido como “gene guardião” por atuar na proteção do DNA contra danos que podem levar ao surgimento de tumores.

    A mutação compromete esse sistema de defesa natural, facilitando o acúmulo de alterações genéticas ao longo da vida e aumentando o risco de vários tipos de câncer, muitos deles surgindo ainda na idade adulta jovem.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, a condição ganhou destaque no país por causa de um fenômeno genético chamado efeito fundador, associado a um ancestral português que teria transmitido a mutação para milhares de descendentes a partir do século XVIII.

    Por causa dessa herança, muitas famílias podem carregar a alteração sem saber, vivendo com risco aumentado para vários tipos de câncer, como tumores de mama, tumores do sistema nervoso central, sarcomas e outros.

    Afinal, o que é a síndrome de Li-Fraumeni?

    A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética rara caracterizada por uma mutação no gene TP53, um gene fundamental para proteger o DNA das células contra danos que podem causar tumores.

    Conforme explica Thiago, o TP53 atua como um sensor de dano no DNA: quando surge uma mutação, ele identifica o problema, tenta corrigir o defeito e, se a célula estiver muito comprometida, ativa mecanismos que levam à morte celular programada, impedindo que uma célula defeituosa continue se multiplicando e se transforme em câncer.

    Quando o TP53 não funciona corretamente, o organismo perde parte da sua capacidade de reparar erros genéticos ou eliminar células defeituosas antes que elas se transformem em tumores.

    Quando a pessoa nasce com uma mutação herdada do pai ou da mãe no gene TP53, e ocorre perda de função nas duas cópias do gene, o organismo fica sem esse sistema de proteção. O DNA passa a acumular mutações com muito mais facilidade ao longo da vida, e células alteradas conseguem escapar dos mecanismos naturais de defesa e evoluir para tumores.

    Por isso, a síndrome de Li-Fraumeni aumenta de forma significativa o risco de vários tipos de câncer em idades mais precoces.

    Como a síndrome de Li-Fraumeni é transmitida?

    A síndrome de Li-Fraumeni é transmitida de forma hereditária, por meio de uma mutação no gene TP53 que passa de geração em geração.

    A transmissão ocorre em um padrão chamado autossômico dominante, o que significa que:

    • Um único gene alterado já é suficiente para aumentar o risco de câncer;
    • Qualquer filho de um indivíduo com a mutação tem 50% de chance de herdar a alteração;
    • Tanto homens quanto mulheres podem transmitir a mutação igualmente.

    Quando a pessoa recebe a cópia alterada do pai ou da mãe, ela já nasce com parte da função do TP53 comprometida. Ao longo da vida, basta que a segunda cópia do gene sofra mutação espontânea para que se perca totalmente o mecanismo de proteção do DNA, aumentando a probabilidade de tumores.

    Por isso, famílias com história de vários cânceres em idades jovens, ou tumores considerados raros antes dos 40 anos, costumam ser investigadas para essa mutação.

    Quais tumores a síndrome pode causar?

    De acordo com Thiago, a pessoa pode desenvolver tumores em diferentes órgãos, muitas vezes mais cedo do que o esperado para a população geral. Entre os locais mais frequentemente afetados, destacam-se:

    • Mama;
    • Trato gastrointestinal;
    • Pulmão;
    • Sistema nervoso central;
    • Glândulas endócrinas, como adrenal;
    • Outros sítios, incluindo ossos e tecidos moles.

    Também pode ocorrer mais de um tumor primário ao longo da vida na mesma pessoa, resultado direto da incapacidade do organismo de impedir que novas mutações se acumulem e originem novos cânceres.

    Os tumores associados à síndrome de Li-Fraumeni tendem a ser mais agressivos, uma vez que acumulam um número maior de mutações e apresentam mais mecanismos de resistência.

    Quando o câncer reúne muitas alterações genéticas, o comportamento das células tumorais torna-se mais imprevisível: o tumor cria rotas alternativas para continuar crescendo, mesmo diante do tratamento, dribla terapias que miram um único alvo e, com frequência, apresenta respostas menos duradouras a determinadas drogas.

    Por que o câncer aparece mais cedo na síndrome de Li-Fraumeni?

    A manifestação costuma ser mais precoce porque, sem o gene guardião funcionando bem, os danos que se acumulam ao longo dos anos não são reparados de modo adequado. A rotina atual, marcada por exposição à radiação, hábitos alimentares irregulares, sedentarismo, tabagismo e outros fatores ambientais, intensifica ainda mais o impacto da predisposição genética.

    Thiago explica que, enquanto uma pessoa sem mutação costuma desenvolver câncer com maior frequência após os 60 ou 70 anos, alguém com síndrome de Li-Fraumeni pode apresentar tumores significativos já na faixa dos 20, 30 ou 40 anos.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni?

    O diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni é feito por meio de avaliação clínica, história familiar detalhada e testes genéticos, que confirmam a presença de mutação no gene TP53.

    De forma geral, o processo envolve:

    • Investigação da história pessoal e familiar de câncer, especialmente quando há tumores em idades jovens, múltiplos cânceres na mesma pessoa ou tipos de câncer característicos da síndrome;
    • Avaliação por especialista em genética, que analisa padrões familiares, identifica critérios clínicos (como os critérios clássicos ou critérios de Chompret) e determina se há indicação para exame;
    • Teste genético específico para o gene TP53, realizado a partir de amostra de sangue ou saliva, que confirma ou descarta a presença da mutação;
    • Aconselhamento genético, etapa fundamental antes e depois do teste, para orientar sobre implicações médicas, emocionais e familiares do diagnóstico.

    Segundo Thiago, quando a mutação é confirmada, a família deve ser orientada de forma cuidadosa, e outros parentes podem ser indicados a realizar o teste, sempre com apoio de aconselhamento genético para esclarecer riscos, implicações e estratégias de acompanhamento.

    Cuidados com a síndrome de Li-Fraumeni

    A síndrome de Li-Fraumeni não possui, por enquanto, um protocolo único e rígido seguido por todos os serviços de saúde. A ideia é reduzir ao máximo fatores que aumentem o acúmulo de mutações ao longo da vida. As principais orientações incluem:

    • Evitar a exposição ao cigarro;
    • Redução ou suspensão do álcool;
    • Manter uma alimentação saudável, com alimentos pouco processados e ricos em fibras;
    • Prática regular de atividade física;
    • Proteção da pele contra radiação ultravioleta;
    • Realização periódica de consultas e exames de rastreamento, conforme idade e histórico familiar.

    A proposta é diminuir a exposição a fatores que estimulam danos ao DNA e, ao mesmo tempo, identificar qualquer alteração o mais cedo possível.

    É possível prevenir a síndrome de Li-Fraumeni?

    A prevenção absoluta não é possível, já que se trata de uma alteração herdada. Ainda assim, a combinação de vigilância constante, diagnóstico precoce e escolhas de estilo de vida mais saudáveis pode reduzir o impacto da predisposição e aumentar as chances de identificar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento tende a ser mais eficaz.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    Qual é a causa genética da síndrome de Li-Fraumeni?

    A causa principal é uma mutação no gene TP53, um gene supressor tumoral. O TP53 é conhecido como “guardião do genoma”, porque detecta danos no DNA das células e impede que elas se transformem em câncer.

    A síndrome de Li-Fraumeni é sempre hereditária?

    Na maioria dos casos (cerca de 70% a 80%), sim, a síndrome é herdada dos pais (mutação germinativa). No entanto, em uma pequena porcentagem dos casos, a mutação pode surgir espontaneamente no indivíduo (mutação de novo), sem histórico familiar aparente.

    Quem deve fazer o teste genético?

    Pessoas com vários familiares com câncer em idade jovem, com tumores raros antes dos 40 anos ou quem já teve mais de um câncer primário. O ideal é realizar com apoio de aconselhamento genético.

    Por que a mutação no TP53 aumenta o risco de tantos tipos de câncer diferentes?

    O TP53 é um gene central para a proteção do DNA. Quando ele falha, qualquer célula do corpo fica mais vulnerável a acumular mutações e evoluir para um tumor. Por isso, a síndrome não se restringe a um órgão específico: músculos, ossos, glândulas, cérebro e vários tecidos podem ser afetados.

    É possível ter uma vida normal mesmo com a síndrome?

    Sim! Apesar do risco, muitas pessoas com síndrome de Li-Fraumeni levam vidas longas, produtivas e com boa qualidade de vida. O grande diferencial é o acompanhamento próximo, a realização de rastreamentos adequados e a adoção de hábitos protetores.

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