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  • Tosse persistente: quando pode ser problema no coração

    Tosse persistente: quando pode ser problema no coração

    Você sabia que a tosse é um mecanismo de defesa do organismo? Sempre que algo ameaça irritar ou bloquear as vias respiratórias, o organismo reage para proteger os pulmões e manter o ar limpo. É assim que secreções como muco, partículas de poeira, fumaça, mofo, alérgenos e até micro-organismos acabam sendo eliminados.

    Ela pode surgir em quadros simples de gripe ou resfriado, crises de rinite e alergia, bronquite, asma e até refluxo gastroesofágico. Na maior parte das vezes, não representa perigo e desaparece sozinha em poucos dias.

    O alerta surge quando o sintoma não passa. Uma tosse persistente, que continua por semanas ou até meses, precisa ser investigada para descartar condições de saúde mais sérias. Embora as causas respiratórias sejam as mais comuns, em alguns casos, ela pode estar relacionada ao funcionamento do coração, especialmente quando acompanhada de outros sintomas.

    Quando a tosse persistente pode ser cardíaca?

    Apesar de normalmente associada a doenças respiratórias, a tosse também pode ser consequência de problemas cardíacos. O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, explica que o sintoma pode surgir em diferentes condições cardiovasculares, como:

    Insuficiência cardíaca

    Em quadros de insuficiência cardíaca, o coração perde a capacidade de bombear o sangue adequadamente, o que causa acúmulo de líquido nos pulmões. Isso provoca uma tosse persistente, que normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita.

    Em alguns casos, a manifestação é conhecida como “asma cardíaca”, justamente pela semelhança com as crises de falta de ar típicas da asma respiratória. É a causa mais frequente quando se fala em tosse de origem cardíaca.

    Valvopatias

    Doenças que afetam as válvulas do coração, como a estenose mitral, dificultam a passagem do sangue dentro do coração e podem causar tosse persistente, acompanhada de escarro rosado, em situações mais graves. É um quadro mais raro, mas que não deve ser descartado.

    Arritmias

    As alterações do ritmo cardíaco, principalmente as taquicardias, podem favorecer episódios de tosse persistente. Isso acontece porque o coração, batendo de forma acelerada ou irregular, sobrecarrega a circulação e acaba afetando também o funcionamento dos pulmões.

    Pressão alta descompensada

    Quando a pressão arterial está mal controlada, o coração precisa trabalhar mais, aumentando a pressão nos pulmões. Isso pode resultar em tosse contínua, muitas vezes acompanhada de falta de ar.

    Uso de remédios

    Além das doenças, alguns remédios usados no tratamento de condições cardiovasculares podem provocar tosse persistente como efeito colateral. É o caso dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), como captopril, enalapril e lisinopril.

    Eles podem causar tosse seca em até 20% dos pacientes. Quando isso acontece, o médico geralmente substitui o remédio por um antagonista dos receptores de angiotensina II (BRA), como losartana ou valsartana, que raramente causam o mesmo sintoma.

    Como diferenciar tosse cardíaca da respiratória?

    Identificar a origem da tosse pode ser desafiador, mas existem sinais que ajudam na diferenciação:

    • Respiratória: normalmente surge após sintomas de infecção, como febre, dor de garganta e coriza. Pode vir acompanhada de chiado no peito e catarro amarelado ou esverdeado, como em casos de pneumonia. Costuma melhorar com antibióticos ou broncodilatadores, quando indicados;
    • Cardíaca: piora ao deitar, pode acordar o paciente durante a madrugada, vem associada a falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e palpitações. O escarro pode ser espumoso ou rosado.

    Enquanto a tosse respiratória está mais ligada a infecções e inflamações, a de origem cardíaca reflete a sobrecarga do coração e dos pulmões.

    Quando a tosse deve preocupar?

    A tosse que ultrapassa oito semanas já é considerada crônica e precisa ser investigada. No entanto, segundo Giovanni Pinto, não é necessário esperar tanto tempo: se a tosse dura mais de duas semanas ou aparece acompanhada de falta de ar, dor no peito, perda de peso, febre prolongada, chiado intenso, sangue no escarro ou histórico de doenças cardíacas, é muito importante procurar atendimento médico.

    Diagnóstico da tosse persistente relacionada ao coração

    O primeiro passo do diagnóstico é a consulta clínica detalhada, em que o médico avalia o histórico do paciente e faz o exame físico. A partir daí, outros exames podem ser solicitados, de acordo com Giovanni Henrique Pinto. São eles:

    • Eletrocardiograma;
    • Raio-X de tórax;
    • Exames laboratoriais (BNP/NT-proBNP);
    • Ecocardiograma;
    • Testes de esforço ou Holter;
    • Espirometria (avaliação pulmonar).

    Existe tratamento para a tosse de origem cardíaca?

    Quando a tosse persistente tem origem cardíaca, o foco do tratamento deve ser a condição que está sobrecarregando o coração e os pulmões.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, o tratamento pode envolver o uso de diuréticos para reduzir o acúmulo de líquidos, medicamentos específicos para insuficiência cardíaca, controle do ritmo em casos de arritmia e ajustes na pressão arterial. Em situações mais complexas, pode ser necessário tratar diretamente problemas nas válvulas cardíacas.

    À medida que o coração volta a funcionar de forma mais eficiente e a pressão nos pulmões diminui, a tosse tende a regredir de forma natural.

    Perguntas frequentes sobre tosse persistente

    1. A tosse persistente cardíaca é sempre seca ou pode ter catarro?

    Inicialmente, a tosse causada por problemas no coração costuma ser seca e persistente. Isso acontece porque o acúmulo de líquido nos pulmões (uma consequência da ineficiência do coração em bombear sangue) irrita as vias aéreas, mas ainda não é suficiente para gerar muco.

    No entanto, em casos mais graves, quando a congestão pulmonar aumenta, a tosse pode se tornar produtiva, isto é, com catarro.

    2. Existe algum horário do dia em que a tosse cardíaca piora?

    Sim, a tosse de origem cardíaca normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita. A posição deitada, também chamada de decúbito, facilita o retorno de fluidos dos membros inferiores para a circulação, aumentando a congestão nos pulmões e, consequentemente, a tosse.

    3. Quando devo procurar um médico se minha tosse persistir?

    A tosse comum costuma ser inofensiva, mas ela não deve ser ignorada quando se torna persistente. Procure atendimento médico se:

    • O sintoma durar mais de duas semanas;
    • Estiver acompanhado de falta de ar, dor no peito ou palpitações;
    • Houver perda de peso sem explicação;
    • Aparecer sangue no escarro;
    • Tiver histórico de problemas cardíacos.

    4. A tosse de origem cardíaca pode piorar com o exercício?

    Sim, porque o exercício físico aumenta a demanda de bombeamento do coração. Em uma pessoa com insuficiência cardíaca, por exemplo, o esforço sobrecarrega o coração, eleva a pressão nas veias pulmonares e, consequentemente, promove acúmulo de líquido nos pulmões. Isso intensifica a tosse e a sensação de falta de ar.

  • Asma infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento

    Asma infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento

    Quem já teve um filho que vive tossindo ou aparenta estar com falta de ar sabe a angústia que é. Será só uma gripe, alergia ou pode ser asma? A dúvida é bem comum, já que muitos sintomas de asma se confundem com problemas respiratórios frequentes na infância. A diferença é que, na asma, esses sinais se repetem e podem atrapalhar a qualidade de vida da criança.

    Para esclarecer o assunto, conversamos com a pneumologia pediátrica Juliana Sencini, que explicou como identificar os sintomas, de que forma o diagnóstico é feito e quais os caminhos para o tratamento.

    O que é a asma infantil

    A asma é uma doença inflamatória crônica que afeta as pequenas vias aéreas, dificultando a passagem do ar. Antigamente, inclusive, muitos chamavam a asma de bronquite.

    “Os principais sinais sugestivos de asma são episódios recorrentes, geralmente relacionados a resfriados, mudanças climáticas, contato com alérgenos ou desencadeados pelo exercício”, diz Juliana Sencini.

    Ela destaca que o sintoma mais comum é a tosse seca e persistente, mas também podem aparecer o chiado no peito (ou sibilos) e a falta de ar, às vezes acompanhada da sensação de aperto no peito.

    “Não é normal a criança tossir durante brincadeiras, corridas ou até quando dá risada. Isso já acende o alerta para asma”, completa.

    Diferença entre asma e outras doenças respiratórias

    Nem sempre é simples diferenciar as crises de asma de outros problemas respiratórios.

    “Um resfriado pode causar tosse e febre, mas em poucos dias a criança melhora. Já na asma, a tosse e o chiado são recorrentes e vêm acompanhados de falta de ar”, explica a médica.

    Outras condições também podem confundir: pneumonia, que tem sintomas mais agudos, e até aspiração de corpo estranho, quando a criança engole um pedaço de alimento ou brinquedo e passa a ter tosse súbita e persistente.

    Existe idade mínima para diagnóstico?

    A pneumologista pediátrica explica que não há uma idade mínima definida para diagnosticar a asma. O diagnóstico é clínico, baseado na repetição dos sintomas e na resposta ao tratamento.

    “Em crianças menores, o diagnóstico da asma é mais desafiador, pois não há exames específicos. O que se leva em consideração é a história clínica e como a criança responde ao corticoide inalatório”, diz.

    Quais exames ajudam a confirmar

    Embora não exista um único exame que dê certeza, alguns ajudam o médico a entender se é ou não asma:

    • Exames de alergia, para identificar sensibilização a alérgenos;
    • Raio-X de tórax, que descarta outras condições;
    • Prova de função pulmonar, feita em crianças a partir de 5 anos, que avalia a função respiratória;
    • Exame FeNO (fração exalada de óxido nítrico), ainda restrito a pesquisas, mas promissor para avaliar inflamação das vias aéreas.

    Tratamento da asma infantil

    O tratamento tem dois pilares principais:

    • Controle da inflamação crônica: feito com corticoides inalatórios em bombinhas;
    • Tratamento das crises: com broncodilatadores de longa duração.

    “Em crises mais graves, pode ser necessário o uso de corticoide oral. Para casos específicos, já temos os imunobiológicos, que são uma grande ajuda no controle da doença”, explica a especialista.

    Ela reforça que manter o tratamento contínuo é muito importante. “Se o pulmão permanece inflamado, pode haver perda de função respiratória na vida adulta”, aconselha a médica.

    O que pode desencadear uma crise

    Segundo a especialista, os principais gatilhos são vírus respiratórios, poeira, ácaros, pelos de animais, mudanças bruscas de temperatura, exercícios físicos e até refluxo.

    “Identificar e evitar os desencadeadores é tão importante quanto usar o remédio corretamente”, orienta.

    A asma tem cura?

    Depende. “A asma não tem cura definitiva, mas pode entrar em remissão. Algumas crianças melhoram dos sintomas ao longo da infância e adolescência, chegando a ficar anos sem manifestações da doença”, explica a médica. Em outros casos, porém, os sintomas podem retornar na vida adulta.

    Como a família e a escola podem ajudar

    O papel dos cuidadores e da escola é fundamental. “A família precisa reconhecer os sintomas precocemente e entender que o tratamento contínuo é essencial, mesmo sem crises. O uso diário do remédio deve ser visto como o remédio de uma doença crônica, como pressão alta ou diabetes, que precisa ser usado todos os dias”, reforça a pneumologista pediátrica.

    Professores e funcionários da escola também devem estar informados sobre os gatilhos e saber como agir em uma crise.

    Perguntas frequentes sobre asma infantil

    1. Tosse noturna sempre é sinal de asma?

    Não, mas se for recorrente e acompanhada de chiado ou falta de ar, merece avaliação médica.

    2. Criança com asma pode praticar esportes?

    Sim. O tratamento adequado permite vida ativa. Apenas é importante observar os gatilhos e ter acompanhamento médico.

    3. Toda criança que usa bombinha tem asma grave?

    Não. A bombinha é a forma mais eficaz de administrar o medicamento, inclusive em casos leves.

    4. A asma some na adolescência?

    Alguns adolescentes entram no que se chama de remissão, ou seja, não manifestam mais os sintomas, mas a doença pode retornar na vida adulta.

    5. A asma é hereditária?

    Existe, de fato, predisposição genética, mas fatores do ambiente que a criança vive também influenciam.

    6. O que fazer em uma crise?

    Usar o broncodilatador de resgate prescrito pelo médico e, se não houver melhora, procurar atendimento de urgência.

  • Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Independentemente do tipo de cirurgia, o coração é um dos órgãos mais exigidos do corpo. Mesmo em procedimentos que não envolvem diretamente a região cardíaca, como uma operação no joelho ou na vesícula, o estresse físico e emocional do processo cirúrgico impacta a pressão arterial, a frequência dos batimentos e a oxigenação do sangue.

    É por isso que a atenção ao coração antes, durante e depois de qualquer procedimento é importante para garantir a segurança do paciente.

    Conversamos com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, formada pelo InCor-HCFMUSP, para esclarecer as principais orientações sobre como o coração deve ser cuidado em cada fase do processo cirúrgico.

    O que acontece com o corpo durante uma cirurgia?

    Uma cirurgia, mesmo quando não envolve diretamente o coração, é um evento de estresse considerável para o organismo e provoca diversas alterações. “O estresse físico e emocional, a anestesia, a perda de sangue e a inflamação que ocorrem durante o procedimento sobrecarregam o sistema cardiovascular”, aponta Edilza.

    Primeiro, a anestesia (seja geral ou regional) interfere no sistema nervoso central, podendo afetar a respiração, a pressão arterial e os batimentos cardíacos. Por isso, o paciente é monitorado o tempo todo.

    Além disso, o estresse do procedimento estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que deixam o organismo em ritmo acelerado. O sistema respiratório também é afetado, já que a anestesia pode reduzir a capacidade de respirar sozinho e por isso, muitas vezes, é necessário oxigênio extra por máscara ou intubação.

    Por que a avaliação cardiológica pré-operatória é tão importante?

    Antes da cirurgia, é importante fazer uma avaliação cardiológica para ver como está a saúde do coração e identificar possíveis riscos. Na consulta, o médico conversa sobre o histórico do paciente, analisa os fatores de risco e pode pedir exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e alguns testes de sangue.

    Em geral, Edilza aponta que a consulta é altamente recomendada para:

    • Pessoas que já tiveram infarto, têm insuficiência cardíaca, arritmias ou algum outro problema no coração;
    • Pacientes que têm pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol alto ou fumam;
    • Adultos e idosos, geralmente acima de 50 ou 60 anos;
    • Quem sente dor no peito, falta de ar, palpitações ou inchaço nas pernas;
    • Aqueles que farão cirurgias de médio ou grande porte, onde pode acontecer perda de sangue ou estresse considerável.

    Se for identificado risco elevado, a cirurgia pode até ser adiada. O objetivo não é impedir o tratamento, mas sim garantir que o coração esteja estável para suportar o procedimento. Às vezes, é necessário ajustar medicações ou até realizar um procedimento cardíaco prévio.

    Cuidados com o coração durante a cirurgia

    Durante todo o procedimento cirúrgico, diversos cuidados são feitos para proteger o coração, que é monitorado. Isso é importante para detectar qualquer alteração precoce e agir rapidamente. Entre os cuidados mais importantes estão:

    • Controle da pressão arterial, para evitar picos ou quedas bruscas;
    • Monitoramento dos batimentos, para identificar arritmias;
    • Controle da dor e do estresse, para reduzir a sobrecarga cardíaca;
    • Reposição de líquidos e sangue, para equilibrar o volume circulante.

    Quais os riscos cardíacos no pós-operatório?

    O período pós-operatório é uma das fases mais críticas para o coração. Mesmo depois de uma cirurgia bem-sucedida, o corpo ainda é afetado por inflamação, dor e os efeitos da anestesia, o que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    As complicações cardíacas mais comuns nesse momento incluem, segundo Edilza:

    • Infarto;
    • Arritmias;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Tromboembolismo, que são coágulos que podem atingir o coração ou o pulmão.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Além do acompanhamento médico, os hábitos de vida da pessoa são muito importantes para garantir uma recuperação segura e reduzir o risco de complicações. Alguns deles incluem:

    • Seguir as orientações médicas à risca: nunca interromper medicações sem falar com o médico;
    • Controlar a pressão arterial: medir regularmente, inclusive em casa se possível;
    • Manter uma alimentação equilibrada: frutas, verduras, legumes, proteínas magras e pouco sal;
    • Evitar cigarro e álcool;
    • Praticar atividade física leve, com liberação médica;
    • Reduzir o estresse e cuidar da mente;
    • Dormir bem e manter rotina de descanso.

    Importância da saúde mental e emocional após a cirurgia

    A recuperação após um procedimento também envolve questões emocionais. O medo da cirurgia, a ansiedade e até a sensação de solidão aumentam o estresse e dificultam a estabilização do organismo.

    “Pacientes podem ajudar seus corações ao manter a calma, conversar com a família, amigos ou psicólogo, focar nos pequenos progressos, praticar atividades relaxantes como ouvir música, ler ou técnicas de respiração. O suporte emocional é tão importante quanto o cuidado físico para uma recuperação completa”, finaliza a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega.

    Perguntas frequentes sobre como cuidar do coração para uma cirurgia

    1. A cirurgia pode causar problemas no coração saudável?

    Pode, mas o risco é menor. Em pessoas saudáveis, o coração geralmente consegue lidar com o estresse do procedimento. Mas complicações como arritmias e picos de pressão podem ocorrer.

    2. Como a pressão alta influencia na cirurgia?

    A pressão alta aumenta o risco de complicações como infarto e AVC. Se não estiver controlada, podem ocorrer picos perigosos durante a operação.

    3. Quem já teve infarto pode operar?

    Pode sim, mas com cuidados redobrados. O cardiologista precisa avaliar como está o coração após o infarto e pode solicitar exames extras antes de liberar o procedimento.

    4. Quais hábitos ajudam o coração a se recuperar melhor no pós-operatório?

    Seguir corretamente os remédios, manter a pressão controlada, ter alimentação saudável, evitar cigarro e álcool, praticar exercícios leves, dormir bem e cuidar da saúde emocional.

    5. Quando procurar o cardiologista antes da cirurgia?

    O ideal é assim que a cirurgia for marcada. Isso dá tempo para exames, ajustes de medicação ou tratamento de eventuais problemas.

    6. É seguro voltar a treinar após a cirurgia?

    Sim, desde que liberado pelo médico. O retorno deve ser gradual, começando com caminhadas leves.

  • Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Se você está com uma cirurgia marcada, já deve saber que o preparo não envolve apenas jejum e exames laboratoriais. Na verdade, antes de entrar no centro cirúrgico, é fundamental avaliar se o coração está pronto para suportar o estresse da anestesia, da perda de sangue e da recuperação.

    A consulta, também conhecida como avaliação cardiológica pré-operatória, é necessária especialmente para pacientes com fatores de risco, como pressão alta, diabetes, histórico familiar de doenças cardíacas ou mais de 40 anos. Ela garante que o procedimento seja feito com mais segurança e reduz a chance de complicações graves, como infarto ou arritmias.

    Para entender melhor quando procurar esse acompanhamento e quais cuidados são indispensáveis, conversamos com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, formada pelo InCor-HCFMUSP. Confira!

    Por que o coração precisa ser avaliado antes da cirurgia?

    Toda cirurgia gera estresse para o organismo. A anestesia, a perda de sangue, a dor e a inflamação desencadeiam respostas hormonais que elevam a pressão arterial, aceleram os batimentos e aumentam a demanda de oxigênio do coração.

    Na maioria dos pacientes saudáveis, o corpo dá conta dessa sobrecarga. Mas, para quem já tem fatores de risco ou doenças cardíacas, as alterações podem desencadear complicações sérias — como infarto agudo do miocárdio e até AVC.

    Estudos mostram que hoje os pacientes cirúrgicos são, em geral, mais idosos e com múltiplas doenças associadas. Preparar o coração e alinhar condutas entre médico, cirurgião e anestesista é essencial para a segurança do procedimento.

    Quando procurar o cardiologista antes da cirurgia?

    De acordo com Edilza Câmara Nóbrega, especialista em cardiologia perioperatória, a avaliação deve ser feita assim que a cirurgia for marcada.

    “O ideal é que essa avaliação seja feita com tempo hábil para que o cardiologista possa solicitar exames adicionais, se necessário, e para que haja tempo para qualquer otimização do seu estado de saúde, como ajuste de medicações ou investigação de alguma alteração”.

    A urgência depende do tipo de cirurgia:

    • Cirurgias eletivas: permitem maior planejamento e otimização.
    • Cirurgias de urgência: mesmo nesses casos, é feita uma checagem mínima do coração.

    Quem deve priorizar a avaliação cardiológica?

    A consulta é altamente recomendada para:

    • Pessoas com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, arritmias, doença arterial coronariana ou stent;
    • Pessoas com pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade ou tabagismo;
    • Pacientes que já tiveram AVC;
    • Adultos de meia idade e idosos (acima de 50-60 anos, conforme o caso);
    • Pessoas com sintomas cardíacos como dor no peito, palpitações, falta de ar ou inchaço;
    • Quem vai passar por cirurgias de médio ou grande porte.

    Sinais de alerta antes de operar

    Entre os sinais que exigem investigação estão:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Palpitações;
    • Inchaço nas pernas;
    • Cansaço sem causa aparente;
    • Desmaios ou tonturas frequentes.

    “Caso apresente algum desses sintomas ou condição cardíaca grave, cirurgias eletivas podem e devem ser suspensas se a avaliação cardiológica identificar um risco elevado de complicações. A segurança do paciente é a prioridade”, explica Edilza.

    E se o risco cirúrgico for considerado alto?

    Nesses casos, a cirurgia pode ser adiada ou adaptada. As condutas possíveis incluem:

    • Otimização do tratamento;
    • Exames adicionais;
    • Mudança do plano cirúrgico;
    • Adiamento da cirurgia;
    • Encaminhamento para tratamento cardíaco prévio;
    • Cirurgia em ambiente com monitoramento intensivo.

    O que pode acontecer se a avaliação for ignorada

    Ignorar essa etapa aumenta o risco de complicações como:

    • Infarto;
    • Arritmias graves;
    • Insuficiência cardíaca aguda;
    • AVC;
    • Complicações respiratórias;
    • Morte.

    O que acontece durante a cirurgia para proteger o coração?

    Durante o procedimento, o coração é monitorado constantemente com equipamentos de controle de pressão, frequência cardíaca, oxigenação e atividade elétrica. Medicamentos e manejo da dor ajudam a evitar sobrecarga cardíaca e prevenir complicações.

    Como cuidar do coração após a cirurgia?

    Mesmo após a cirurgia, há risco de complicações como arritmias, infarto e insuficiência cardíaca. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável, junto com fisioterapia e reabilitação cardíaca quando indicado.

    O estresse emocional também pode impactar. Técnicas de respiração, atitude positiva, apoio familiar e música ajudam na recuperação.

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. O que é avaliação cardiológica pré-operatória?

    É a consulta em que o cardiologista verifica se o coração está preparado para enfrentar a cirurgia e a anestesia, pedindo exames e ajustando remédios se necessário.

    2. Preciso procurar o cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Mesmo cirurgias simples podem sobrecarregar o coração, especialmente em quem tem fatores de risco.

    3. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim. Se o risco for alto, a cirurgia pode ser adiada para estabilização do coração antes.

    4. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Sim, mas com cuidado extra. O cardiologista avalia o tempo desde o infarto e pode solicitar exames adicionais.

    5. Quais são as principais complicações cardíacas no pós-operatório?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e coágulos. Daí a importância da vigilância médica.

    6. Preciso suspender meus remédios antes da cirurgia?

    Apenas sob orientação médica. Anticoagulantes, por exemplo, podem precisar de ajuste.

    7. Sou idoso e vou operar. Meu risco é maior?

    Sim. Idosos têm mais fatores de risco, mas a avaliação ajuda a reduzir as chances de complicações.

    8. Como sei que estou pronto para a cirurgia?

    Quando o cardiologista confirma que exames e condições estão controlados. Isso não elimina totalmente o risco, mas o reduz ao máximo.

    9. Existe risco de AVC durante ou após a cirurgia?

    Sim, especialmente em quem tem hipertensão, diabetes ou arritmias. O controle desses fatores antes da cirurgia ajuda a reduzir a chance.

  • Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Quem nunca ficou sem fôlego depois de subir alguns lances de escada ou correr para não perder o ônibus? A falta de ar, também conhecida como dispneia, tende a ser uma resposta natural do corpo diante de um esforço físico. Em situações como essas, o organismo simplesmente exige mais oxigênio para manter o ritmo, e logo o fôlego se recupera.

    No entanto, a falta de ar nem sempre está ligada apenas ao esforço físico. Quando surge de maneira repentina, intensa, em repouso ou durante a noite, o sintoma pode indicar problemas cardíacos que precisam de atenção imediata.

    O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, detalhou como identificar quando a falta de ar pode ter origem cardíaca, quais doenças estão por trás do quadro e quando é hora de procurar ajuda médica.

    Quando a falta de ar pode estar ligada ao coração?

    Nem todo cansaço é apenas consequência de estar fora de forma. De acordo com Giovanni Henrique Pinto, alguns sinais específicos podem indicar que o problema tem origem no coração. É importante procurar avaliação médica se a falta de ar:

    • Piora com pouco esforço: dificuldade para respirar em atividades leves que antes eram fáceis, como andar um ou dois quarteirões, ou piora rápida em dias ou semanas;
    • Aparece ao deitar: necessidade de usar mais travesseiros ou acordar de madrugada com a sensação de estar sufocando;
    • Vem acompanhada de outros sintomas: dor ou pressão no peito, palpitações, tontura, desmaio, inchaço nas pernas ou ganho de peso rápido e sem explicação;
    • Surge após infecção viral ou em quem já tem problemas cardíacos: pode indicar pericardite, miocardite ou agravamento de doença pré-existente.

    Qual a diferença entre cansaço comum e o cardíaco?

    Muitas vezes, o corpo apenas sinaliza esforço. Pessoas sedentárias, acima do peso ou que carregam objetos pesados podem sentir fôlego curto sem que isso represente doença. Nesses casos, o cansaço melhora rapidamente quando a atividade acaba, não aparece em repouso e não costuma vir com outros sintomas.

    Já quando a causa é cardíaca, a falta de ar surge em esforços cada vez menores e até ao deitar-se. Tosse noturna persistente, chiado no peito, palpitações, sensação de aperto no peito, inchaço nas pernas e cansaço desproporcional ao esforço são sinais de sobrecarga do coração.

    Quais condições cardíacas podem causar falta de ar?

    De acordo com o cardiologista, existem várias condições em que a falta de ar é frequente, como:

    • Insuficiência cardíaca: coração fraco que acumula líquido e dificulta a respiração;
    • Doença das artérias coronárias: inclui angina e infarto, causados por obstruções no fluxo sanguíneo;
    • Valvopatias: mau funcionamento das válvulas cardíacas, como estenose aórtica ou insuficiência mitral;
    • Arritmias: batimentos muito rápidos, lentos ou irregulares, que reduzem o oxigênio no corpo;
    • Miocardite e pericardite: inflamações do músculo ou membrana do coração, muitas vezes após infecções;
    • Pressão alta sem controle: força excessiva sobre o coração que pode gerar falta de ar;
    • Doenças congênitas: malformações de nascença que afetam a respiração.

    Quando procurar um cardiologista?

    A orientação é procurar um especialista sempre que a falta de ar se torna frequente, piora rapidamente, aparece em repouso ou ao deitar, ou quando surge com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço.

    Entre os exames para investigar estão: histórico clínico, exame físico, aferição de pressão, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia de tórax, teste ergométrico, cintilografia, tomografia de coronárias, cateterismo, Holter e MAPA.

    Falta de ar: situações que exigem atendimento imediato

    Procure uma urgência se houver:

    • Falta de ar em repouso;
    • Lábios e extremidades azuladas;
    • Dor forte no peito;
    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Inchaço com ganho de peso rápido.

    Esses sintomas podem indicar complicações graves, como infarto ou insuficiência cardíaca aguda.

    É possível tratar a falta de ar causada por problemas no coração?

    Sim. O tratamento inclui controle da pressão arterial, diuréticos para insuficiência cardíaca, remédios para arritmias, correções de valvopatias, anti-isquêmicos e até procedimentos de revascularização, conforme Giovanni Henrique Pinto.

    Reabilitação cardíaca e prática de atividade física também são fundamentais. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e prevenção de complicações.

    Perguntas frequentes sobre falta de ar e coração

    1. É normal sentir falta de ar ao subir escadas?

    Sim, especialmente para quem está fora de forma. Preocupa quando piora em poucas semanas, exige paradas frequentes ou surge em atividades leves. Se vier com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço, procure um médico.

    2. A falta de ar pode ser um sintoma de infarto?

    Sim. Embora a dor no peito seja o sintoma mais conhecido, a falta de ar pode indicar angina ou infarto, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    3. É normal sentir falta de ar todos os dias?

    Não. Pode estar ligada a doenças do coração, pulmões, anemia ou ansiedade. Se for frequente, procure atendimento médico.

    4. A falta de ar pode ser só ansiedade?

    Sim. Crises de ansiedade podem causar respiração acelerada e sensação de aperto no peito. Apenas um médico pode diferenciar corretamente.

    5. Em que casos a falta de ar é uma emergência médica?

    Quando surge em repouso, com lábios azulados, dor forte no peito, desmaio, confusão mental ou inchaço repentino.

    6. A idade aumenta o risco de sentir falta de ar por problemas no coração?

    Sim. O envelhecimento torna artérias e músculo cardíaco mais rígidos, aumentando o risco de insuficiência cardíaca e estenose aórtica, que podem causar falta de ar, dor no peito e desmaios.

  • 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    Você já reparou que às vezes o corpo dá alguns sinais estranhos e a pessoa logo coloca a culpa em coisas simples do dia a dia? Uma dorzinha que aparece do nada, um sangramento inesperado, uma pinta que mudou de cor ou qualquer outro sintoma que parece trivial. Em muitos casos pode realmente não ser nada grave, mas em outros, pode ser um aviso importante de que algo não vai bem, como um câncer.

    O oncologista Thiago Chadid explica que não existe um sintoma exclusivo que indique câncer com certeza. A questão é que alguns sinais devem trazer desconfiança e motivar uma visita a um médico. Afinal, quanto mais cedo o diagnóstico acontecer, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

    Venha descobrir quais são esses sinais.

    1. Sangramentos sem explicação

    Esse é um dos sintomas mais clássicos. O sangramento pode aparecer no escarro, no vômito, nas fezes ou na urina. Segundo o oncologista, o volume costuma chamar a atenção.

    “Se for maior que uma colher de sopa, é um sinal de alerta”. Mas atenção: até sangramentos pequenos podem indicar algo em fase inicial.

    O sangramento, porém, nem sempre vai indicar um câncer. “Pode ser uma hemorroida, pode ser apenas um vaso no nariz que estourou e o sangue escorreu para a boca e a pessoa achar que é algo grave”, diz o médico.

    Na dúvida, é melhor procurar um especialista para checar.

    2. Dores persistentes e diferentes

    Dor todo mundo eventualmente sente, mas nem toda dor é igual. No caso do câncer, ela costuma ser intensa, latejante e aparecer de repente. O oncologista dá alguns exemplos de dores em determinados tipos de câncer:

    • Câncer de pâncreas: dor descrita como uma “facada” na boca do estômago ou nas costas;
    • Câncer de mama: nódulos de mama costumam não causar dor, mas depois de algum impacto na região a dor pode surgir por conta da inflamação no nódulo;
    • Câncer de pulmão: cansaço, falta de ar ao subir escadas, tosse crônica ou escarro com sangue.

    3. Alterações nos ossos

    Fraturas espontâneas ou dores ósseas também podem estar ligadas a tumores. “Pode acontecer porque o tumor já corroeu o osso”, explica o médico, e isso pode causar fraturas inesperadas, até dormindo ou apenas mudando de posição.

    4. Perda de peso sem motivo

    Quando a pessoa está se alimentando normalmente, não mudou a rotina e ainda assim perdeu peso de forma significativa, é hora de ficar atento.

    O oncologista explica que o tumor pode liberar substâncias que aumentam o metabolismo e tiram o apetite.

    “A pessoa perde o apetite, sente náusea com alguns alimentos, fica indisposto. A perda é principalmente de massa magra: o rosto fica mais fino, os braços e pernas mais finos, mas às vezes a barriga permanece um pouco aumentada”, conta o médico.

    Além disso, podem aparecer febre noturna, suores e fadiga.

    5. Mudanças na pele e nas pintas

    Pintas que crescem, mudam de cor, ficam irregulares ou apresentam várias cores em uma só são suspeitas. “Pinta não deve crescer. Se cresceu, está errado”, alerta o oncologista.

    Outros sinais de pele que precisam de atenção:

    • Lesões que ulceram, sangram ou não cicatrizam;
    • Casquinhas esbranquiçadas ou até prateadas que lembram parafina de vela, que ficam cascudas, descamam e voltam a crescer mesmo após coçar ou tirar a casca;
    • Lesões ásperas, ulceradas e com secreção clara ou sanguinolenta.

    “Qualquer lesão de pele que cresça, mude de formato, comece a doer, coçar, ulcerar ou descamar deve ser avaliada”, recomenda Chadid.

    6. Nódulos suspeitos

    As famosas “ínguas” (linfonodos) também podem indicar algo sério. A diferença é:

    • Linfonodo inflamatório: indica inflamação ou infecção no corpo. Costuma ser elástico, móvel e mais macio.
    • Linfonodo tumoral: costuma ser mais duro, como um caroço de azeitona, e pode estar fixo, aderido ao corpo.

    Em relação à dor, tanto as ínguas que indicam câncer quanto as de inflamação podem doer ou não. “Linfonodos maiores que 2 centímetros, duros e aderidos são suspeitos”, diz o médico.

    7. Hematomas e febre

    As pessoas também devem ficar atentas a alguns sinais de câncer no sangue, como leucemia e linfoma. Além de dor persistente, que não melhora com remédios, outros sinais podem incluir:

    • Hematomas espontâneos;
    • Palidez e fraqueza;
    • Febre noturna e suores;
    • Perda de peso inexplicada.

    Esses sintomas, quando aparecem em conjunto, precisam ser relatados a um médico.

    Quando procurar um médico?

    Nem sempre a pessoa vai primeiro ao oncologista. Normalmente, ela passa antes pelo clínico geral ou outro especialista.

    “Na maioria dos casos, o paciente chega ao oncologista encaminhado por outro especialista: clínico geral, cardiologista, infectologista, neurologista. Isso porque os sintomas são inespecíficos”, conta o oncologista.

    “Quando a pessoa chega direto, geralmente é em casos de rastreamento, como mamografia, PSA para câncer de próstata, entre outros exames”.

    Ou seja, ao sentir algum sintoma diferente ou suspeito, o ideal é ir ao médico.

    Quem tem histórico familiar de câncer, especialmente antes dos 50 anos ou com muitos casos na mesma família, pode se beneficiar de aconselhamento genético com um médico geneticista. Isso ajuda a definir se há necessidade de rastreamento específico.

    Perguntas frequentes sobre sintomas de câncer

    1. Todo sangramento é sinal de câncer?

    Não. Pode ser algo simples, como uma hemorroida. Mas se for mais volumoso ou recorrente, merece investigação.

    2. Perder peso sem motivo sempre significa câncer?

    Não. Pode estar ligado a outros problemas de saúde. Mas perda de peso rápida, sem dieta ou exercício, deve ser investigada.

    3. Toda pinta que muda é câncer de pele?

    Nem sempre. Mas pintas que crescem, mudam de cor, sangram ou ulceram são suspeitas e precisam de avaliação médica.

    4. O que diferencia uma íngua benigna de uma maligna?

    Uma íngua benigna tende a ser móvel e macia. As malignas costumam ser duras, fixas e maiores que 2 cm.

    5. Como saber se a dor óssea pode ser câncer?

    Se for persistente, intensa e vier acompanhada de fraturas espontâneas, deve ser avaliada.

    6. Pessoas com histórico familiar devem se preocupar mais?

    Sim. Casos em parentes de primeiro ou segundo grau antes dos 50 anos aumentam o risco. O ideal é procurar aconselhamento genético.

  • Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    A mulher que descobre um mioma uterino em algum exame de rotina e não sabe bem o que é pode imaginar algo assustador. Mas calma: eles são tumores benignos que podem ser tratados de várias formas, e nem sempre a cirurgia é necessária.

    Para entender melhor o assunto, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os tratamentos clínicos e quais as opções para quem quer evitar o centro cirúrgico.

    O que são miomas e quais sintomas causam?

    Os miomas são tumorações benignas, nódulos bem enrijecidos que são compostos de células musculares da camada muscular do útero, explica a ginecologista. “Ninguém sabe muito bem por que eles se formam, mas existe uma tendência genética, e a prevalência é maior em mulheres negras”.

    Eles podem crescer em ritmos diferentes, e isso depende da presença de receptores hormonais no mioma. “Quando têm menos receptores, costumam ficar menores”, explica a médica.

    Principais sintomas de miomas

    • Sangramento uterino anormal: fluxo menstrual mais intenso, cólicas fortes e menstruação prolongada.
    • Compressão pélvica: quando o útero cresce e pressiona órgãos vizinhos, como bexiga e intestino. Isso pode causar dor e desconforto.

    “Em casos raros, os miomas degeneram ou crescem a ponto de causar necrose. A necrose é caracterizada por muita dor, sendo uma urgência ginecológica que precisa ser resolvida rápido. Mas isso é bem menos comum”, diz a médica.

    Quando é preciso tratar?

    Apesar de serem benignos, os miomas precisam de acompanhamento médico. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do caso.

    A cirurgia é indicada quando:

    • O sangramento é tão intenso que não melhora com tratamentos clínicos;
    • O útero está muito aumentado e comprimindo outros órgãos;
    • A dor é constante e limitante.

    Antes disso, porém, há várias formas de controle sem precisar encarar o bisturi.

    Tratamentos clínicos para miomas

    Quando a escolha é pelo tratamento não cirúrgico, o objetivo principal costuma ser controlar o sangramento.

    “A grande maioria vai ter como sintoma o aumento do sangramento genital. Então, temos algumas opções. Podemos bloquear o sangramento com contraceptivos hormonais, e há várias opções de pílulas”, explica a médica.

    • Pílula só de progesterona;
    • Pílula combinada de estrogênio e progesterona;
    • Implantes hormonais.

    O DIU hormonal nem sempre funciona bem. “O DIU é menos indicado, porque muitas vezes o mioma altera a cavidade interna do útero, e o dispositivo pode não ficar bem colocado”, comenta a especialista.

    Outro ponto é tratar a anemia causada pelo excesso de sangramento. Mas isso só resolve se o fluxo for controlado. “É preciso ‘fechar a torneirinha’. Nunca vamos conseguir manter a hemoglobina e o ferro bons se a mulher não parar de sangrar”.

    Além disso, quando há dor associada, entram em cena analgésicos e estratégias de controle. Se o quadro avança, a cirurgia passa a ser discutida.

    Embolização: uma alternativa menos invasiva

    Existe também a chamada embolização dos miomas, um procedimento realizado por um radiologista intervencionista.

    “O médico entra por um vaso da perna (artéria femoral) e vai até a artéria uterina e faz a embolização, ou seja, fecha o vaso que nutre o mioma”, explica a ginecologista.

    Sem sangue, o mioma tende a reduzir ou até desaparecer. É uma boa opção para quem não quer cirurgia, mas há ressalvas:

    • Nem todos os miomas respondem bem;
    • Existe risco de necrose uterina, o que pode levar à necessidade de retirar o útero, ou seja, não é uma opção boa para quem quer engravidar.

    E a fertilidade de quem tem mioma, como fica?

    Miomas podem ou não atrapalhar uma gravidez, e isso depende do tamanho e da localização deles. “Se distorcem internamente o endométrio, atrapalham a implantação do embrião. Alguns ficam perto das tubas uterinas e podem obstruir a passagem do espermatozoide”, explica a médica.

    Há três tipos de miomas, sendo que cada um pode causar um impacto:

    • Submucosos: mais problemáticos, aumentam o sangramento e podem dificultar a gravidez. Eles ficam na parte interna do útero;
    • Intramurais: o impacto varia conforme o tamanho. Miomas muito grandes podem causar problemas. Eles se localizam na parede muscular do útero;
    • Subserosos: crescem para fora do útero, costumam dar menos sintomas e raramente prejudicam a fertilidade.

    O tratamento para mioma uterino vai muito além da cirurgia. Há opções de medicamentos, implantes hormonais, embolização e até estratégias combinadas para controlar sangramento e dor. O mais importante é conversar com um ginecologista e avaliar qual é a melhor alternativa para cada caso.

    Perguntas Frequentes sobre mioma uterino e tratamentos

    1. Mioma sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos podem ser controlados com tratamento clínico, como anticoncepcionais hormonais ou embolização.

    2. O DIU pode ser usado em quem tem mioma?

    Depende. Se o mioma alterar muito a cavidade uterina, o DIU pode não se fixar corretamente.

    3. Miomas podem virar câncer?

    Não. São tumores benignos. Em raríssimos casos, podem sofrer degeneração, mas não se transformam em câncer.

    4. A embolização substitui a cirurgia?

    Para algumas mulheres, sim. Mas há risco de complicações e não é indicada para quem deseja engravidar.

    5. O mioma sempre causa sintomas?

    Não. Alguns passam despercebidos e só são descobertos em exames de rotina.

    6. Quem tem mioma pode engravidar?

    Pode, apenas em alguns casos os miomas podem dificultar a gestação, dependendo do tamanho e da localização.

    7. O mioma pode voltar depois do tratamento clínico?

    Sim. Enquanto o útero for preservado, novos miomas podem aparecer.

  • Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Você provavelmente já ouviu falar do exame preventivo ginecológico. A questão é que muita gente associa esse cuidado apenas ao papanicolau, sendo que a prevenção vai muito além disso. Esse conjunto de exames ajuda a detectar alterações ginecológicas e é uma oportunidade de cuidar da saúde da mulher de forma integral.

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que o ginecologista é reconhecido como médico generalista que cuida da saúde da mulher.

    “É claro que temos um foco na saúde feminina geniturinária, principalmente passando por três funções, a menstrual, a obstétrica e a sexual, mas na prevenção nós olhamos de forma mais abrangente e holística”, conta a especialista.

    O que é o exame preventivo ginecológico

    O exame preventivo é uma consulta voltada para avaliar diferentes aspectos da saúde feminina em cada fase da vida. Ele envolve desde a coleta do papanicolau, exame que identifica lesões causadas pelo HPV que podem evoluir para câncer de colo do útero, até exames de imagem e laboratoriais, de acordo com a idade e os fatores de risco de cada mulher.

    “O papanicolau é um exame para prevenção de uma doença, mas o preventivo é quando falamos de tudo da parte ginecológica, ou seja, vamos pensar em câncer de mama, câncer de útero, câncer de colo de útero e outros menos frequentes, como câncer de vagina e câncer de vulva”, explica a médica.

    O preventivo ginecológico também vai olhar outras doenças, como risco cardiovascular e risco de osteoporose. “Isso pensando na mulher que já tem uma certa idade de climatério”, explica a ginecologista.

    Quando começar a fazer o exame preventivo

    A recomendação é que toda mulher inicie o acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual. Os exames solicitados, no entanto, variam de acordo com a idade e histórico familiar.

    “Nas mulheres mais jovens, o principal foco de atenção é naquelas doenças com maior prevalência na idade, como câncer de colo do útero. Já entre as mulheres que estão próximas do climatério, a prevenção se volta também para outras doenças, cuja incidência começa a aumentar nesse período da vida”.

    Ou seja, cada fase da vida tem seus focos de atenção e o acompanhamento deve ser adaptado.

    “Mulheres que começam a fazer o acompanhamento cedo costumam se manter nele ao longo das fases da vida: início da vida sexual, fase reprodutiva, filhos, climatério e menopausa. Em cada etapa, a forma de olhar muda, mas o acompanhamento é contínuo”, explica Andreia.

    Principais exames do preventivo

    • Papanicolau e HPV: para rastreamento de câncer de colo de útero;
    • Colposcopia e vulvoscopia: quando há alterações ou HPV positivo, permitem analisar lesões invisíveis a olho nu;
    • Ultrassom transvaginal: avalia útero, endométrio, miomas, ovários, cistos e pólipos;
    • Exames de mama: ultrassonografia em mulheres jovens e mamografia somada ao ultrassom a partir dos 40 anos;
    • Ressonância de mamas: em casos de prótese ou necessidade de avaliação detalhada;
    • Exames de sangue: hemograma, vitaminas, colesterol e glicemia;
    • Exames complementares no climatério: densitometria óssea (a partir de 50 anos), endoscopia e colonoscopia (a partir de 45 anos).

    Para mulheres com prótese de silicone, às vezes o ultrassom ou a mamografia são complementados com a ressonância magnética. “Usamos para ver principalmente detalhes na parte posterior da prótese ou mesmo da integridade da prótese”, explica a médica.

    Diferença entre SUS e saúde privada

    Os protocolos de rastreamento podem mudar dependendo se a mulher faz acompanhamento pelo sistema público ou privado.

    No setor privado, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Já no SUS, a oferta é diferente.

    “Como o SUS tem a preocupação em ser o melhor equilíbrio entre universal e integral, ele acaba oferecendo a mamografia a cada dois anos a partir dos 50 anos. Como não tem recurso para oferecer para todo mundo todo ano, essa é uma forma de garantir que esse exame seja oferecido para mais pessoas”, explica a médica.

    Como se preparar para o exame preventivo

    Não existe um grande mistério na preparação para o exame.

    “Orientamos que a mulher não tenha relação sexual 72 horas antes da coleta e não esteja menstruada, pois essas situações alteram o resultado”, diz a médica. “Isso não quer dizer que exista uma alteração real, mas pode mascarar o resultado normal e atrapalhar a investigação”.

    No climatério, pode haver atrofia genital intensa. “Se não houver contraindicação, às vezes é prudente preparar a vagina com estrogênio antes do papanicolau para evitar alterações nos resultados”, explica a especialista.

    Perguntas frequentes sobre o exame preventivo ginecológico

    1. A partir de que idade devo ir ao ginecologista?

    A ginecologista recomenda que a menina tenha pelo menos uma consulta inicial quando menstrua, para receber orientações. O outro momento é quando tem ou está prestes a ter a primeira relação sexual, para receber orientações sobre contracepção e começar os exames preventivos.

    2. Preciso ir ao ginecologista todo ano?

    Sim, o ideal é passar em consulta anualmente, pois o ginecologista consegue olhar a saúde da mulher de forma integral e solicitar os exames necessários para cada fase.

    3. O exame preventivo ginecológico inclui só o papanicolau?

    Não. Ele envolve também avaliação das mamas, útero, ovários e outros exames, dependendo da idade da mulher.

    4. Mulheres que nunca tiveram relação sexual precisam fazer?

    Não precisam fazer o papanicolau, mas devem ir ao ginecologista. A consulta é necessária de qualquer forma, porque não se previne só câncer de colo uterino, mas também câncer de mama, de útero, de ovários, além de avaliar vulva e vagina, incontinência urinária e outras condições.

    5. Quem tem prótese mamária precisa de exames diferentes?

    Sim. Às vezes, a ressonância é indicada para avaliar detalhes da prótese e integridade.

    6. O SUS oferece todos os exames do preventivo?

    O SUS segue protocolos próprios, que incluem papanicolau e mamografia a cada dois anos a partir dos 50, além de outros exames conforme a necessidade.

  • Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas que pode causar desconfortos como ondas de calor, insônia e alterações de humor. Para aliviar esses sintomas, muitas mulheres consideram a terapia de reposição hormonal. Mas será que toda mulher pode fazer?

    Neste artigo, você vai entender o que realmente acontece no corpo durante a menopausa, os principais sintomas, os riscos e benefícios da reposição hormonal e os cuidados necessários para tomar uma decisão segura.

    O que é reposição hormonal na menopausa

    A reposição hormonal é um tratamento indicado para aliviar os sintomas da menopausa, fase marcada pela queda na produção dos hormônios femininos, principalmente o estrogênio. Essa redução pode trazer sintomas físicos e emocionais que afetam profundamente a qualidade de vida de cada mulher.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o tratamento deve sempre ser tratado caso a caso. “A reposição não é para todas as mulheres. É preciso avaliar os riscos, os benefícios e o histórico de saúde de cada paciente antes de indicar o uso dos hormônios”, explica.

    A mulher que está com sintomas pode, inclusive, começar a reposição hormonal na perimenopausa, período antes da menopausa. “O ideal é iniciar até 10 anos depois da menopausa, o que chamamos de janela de oportunidade”.

    E não há idade fixa para parar o tratamento. “Avaliamos ano a ano. Se a mulher não sente mais sintomas ou deseja parar, pode testar. Se ela ainda se beneficia, por exemplo, no controle da osteoporose, pode continuar sem data limite”, diz a médica.

    Sintomas da menopausa que podem indicar reposição hormonal

    Os sintomas da menopausa vão muito além das famosas ondas de calor, que atingem até 80% das mulheres. É comum que elas também apresentem alterações no sono, irritabilidade, fadiga, palpitações e mudanças no metabolismo.

    A ginecologista explica que as mulheres têm receptores de estrogênio no corpo todo, mas principalmente no cérebro, e é lá que estarão os maiores efeitos da queda hormonal.

    “As ondas de calor, por exemplo, acontecem porque o ‘termostato’ cerebral perde a regulação normal, e pequenas variações de temperatura, que não deveriam ser sentidas, são interpretadas como se fossem grandes mudanças, causando suor e sensação de calor intenso”, explica.

    Outro sintoma importante é a chamada síndrome geniturinária da menopausa. “Muitas mulheres relatam ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, infecções urinárias de repetição e urgência para urinar. Esses sintomas podem ser bastante incapacitantes e, muitas vezes, são subestimados”, reforça a especialista.

    Como funciona a reposição hormonal

    A reposição hormonal pode ser feita de diferentes maneiras, e a escolha depende tanto dos sintomas quanto do perfil de saúde da mulher.

    “Se a mulher tem útero, não posso dar o hormônio estradiol sozinho, porque ele estimula o endométrio e pode levar a hiperplasia ou até câncer. Por isso, junto com o estrogênio, é necessário repor também progesterona, que protege o endométrio”, conta a médica. Já mulheres sem útero precisam apenas do estrogênio.

    A via oral é prática, mas pode causar efeitos colaterais por passar pelo fígado. Já a via transdérmica (adesivos, géis, sprays) é considerada mais segura. Para sintomas genitais e urinários, pode-se usar estradiol local (via vaginal).

    Benefícios da reposição hormonal

    • Redução das ondas de calor e suor noturno;
    • Melhora do sono e da disposição;
    • Redução da irritabilidade e melhora do humor;
    • Prevenção e tratamento da síndrome geniturinária;
    • Risco menor de osteoporose.

    Riscos da reposição hormonal

    Apesar dos benefícios, a reposição não é indicada para todas. É contraindicada em casos de:

    • Histórico de trombose;
    • Hipertensão ou diabetes descontrolados;
    • Câncer de mama ou histórico familiar de primeiro grau.

    Acompanhamento e individualização do tratamento

    Não existe uma fórmula única. O acompanhamento médico anual é essencial, com exames como a mamografia, para garantir a segurança do tratamento.

    Perguntas frequentes sobre reposição hormonal na menopausa

    1. Toda mulher na menopausa precisa fazer reposição hormonal?

    Não. A indicação depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    2. A reposição engorda?

    Não. O ganho de peso está mais ligado à menopausa em si, que reduz o metabolismo e altera a distribuição de gordura.

    3. Quem já teve câncer de mama pode fazer reposição?

    Geralmente, não. Nestes casos, médicos buscam alternativas não hormonais.

    4. A reposição hormonal ajuda a prevenir osteoporose?

    Sim. O estrogênio protege os ossos e reduz o risco de fraturas.

    5. Existe tempo limite para usar a reposição?

    Não há prazo fixo, mas deve ser reavaliado anualmente.

    6. A reposição pode melhorar sintomas emocionais?

    Sim. Muitas mulheres relatam melhora no sono, no humor e na disposição.

  • Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Em um mundo cada vez mais acelerado, exigente e conectado, os sinais de esgotamento emocional têm se tornado cada vez mais comuns. Buscar apoio psicológico não precisa (e nem deve) ser o último recurso.

    Em vez de esperar o sofrimento chegar ao limite, cada vez mais pessoas têm entendido que a psicoterapia pode ser uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, equilíbrio emocional e prevenção de doenças mentais.

    Sinais de que é hora de buscar ajuda psicológica

    Para o psicólogo Bruno Sini Scarpato, professor de pós-graduação do Instituto de Ensino Superior Albert Einstein, cuidar da saúde mental não é luxo, mas sim uma prioridade.

    “Estudos apontam que 1 a cada 4 pessoas será afetada por algum transtorno mental ao longo da vida”, afirma. “Quanto maior for a demora no início do tratamento, maior será a perda de funcionalidade e o risco de adoecimento físico.”

    Sintomas que indicam a necessidade de apoio psicológico:

    • Tristeza persistente;
    • Irritabilidade constante;
    • Ansiedade fora do controle;
    • Alterações no sono ou apetite;
    • Cansaço sem causa aparente;
    • Dificuldade de concentração;
    • Isolamento social;
    • Comportamentos autodestrutivos;
    • Uso abusivo de substâncias;
    • Pensamentos sobre desaparecer.

    “É possível buscar terapia mesmo quando se está apenas enfrentando dúvidas sobre um relacionamento, carreira ou tomada de decisões”, acrescenta Bruno.

    O que é a terapia cognitivo-comportamental (TCC)?

    Entre as abordagens mais procuradas de psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) se destaca pela praticidade e foco em soluções no presente.

    “A TCC parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Ao identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos, conseguimos reduzir o sofrimento emocional e mudar comportamentos disfuncionais”, explica o psicólogo.

    Diferente de abordagens voltadas ao passado, como a psicanálise, a TCC tem sessões estruturadas e metas claras.

    “As sessões são estruturadas, com uso de técnicas ativas e tarefas entre os encontros”, completa Bruno.

    Benefícios da psicoterapia no dia a dia

    A psicoterapia não é apenas para quem tem um diagnóstico. De acordo com Bruno, todos podem se beneficiar. “Não é preciso esperar por um diagnóstico para começar o acompanhamento terapêutico”, afirma.

    De acordo com o psicólogo, a psicoterapia pode ajudar a:

    • Lidar melhor com emoções;
    • Melhorar o autoconhecimento;
    • Aumentar a autoestima;
    • Ajudar a tomar decisões com mais clareza;
    • Construir limites saudáveis;
    • Fortalecer a comunicação;
    • Contribuir para enfrentar desafios do dia a dia, como trabalho, estudos e relações.

    Em casos de transtornos mentais, o acompanhamento também ajuda a reconhecer padrões e manejar os sintomas.

    Como encontrar psicoterapia gratuita ou acessível

    A questão financeira ainda é uma das maiores barreiras, mas há alternativas. “Muitas universidades oferecem atendimento gratuito ou a preços simbólicos em clínicas-escola. O SUS também disponibiliza apoio psicológico nas UBS e nos CAPS”, orienta Bruno.

    Durante a pandemia, surgiram plataformas online que democratizaram ainda mais o acesso. Além disso, planos de saúde são obrigados a cobrir sessões de psicoterapia se houver pedido médico, conforme resolução atual da ANS.

    Quanto tempo dura uma terapia?

    A duração de uma sessão de terapia varia conforme a abordagem, os objetivos e o ritmo da pessoa.

    “Saber se é hora de encerrar envolve avaliar se os sintomas diminuíram, se os objetivos foram alcançados e se a pessoa se sente mais preparada para lidar com os desafios sozinha”, explica o psicólogo.

    Algumas terapias duram entre 12 e 20 sessões, enquanto outras podem durar meses ou até anos. Não existe um tempo certo, cada jornada é única.

    Medos e resistências: o que trava o início?

    “Muitas pessoas não sabem o que esperar ou têm crenças negativas sobre a terapia. Algumas resistem à mudança mesmo que estejam em sofrimento”, comenta Bruno.

    Medo de se expor, insegurança com o processo e desinformação são barreiras comuns. O crescimento da terapia online, porém, tem ajudado a romper esses obstáculos.

    Terapia online ou presencial: qual escolher?

    A pandemia digitalizou o cuidado com a saúde mental. Hoje, é já dá para escolher entre atendimento online ou presencial, conforme a preferência e necessidade.

    “A terapia online ganhou força e ampliou o acesso, além de facilitar o contato com conteúdos sobre saúde emocional nas redes”, afirma o especialista.

    O mais importante é criar vínculo com o profissional. Se não houver conexão, vale tentar com outro. “Isso não é sinal de fracasso. O vínculo terapêutico é construído com tempo, empatia e confiança”, reforça.

    Psicoterapia é um gesto de coragem

    “Muitas pessoas associam o sofrimento emocional à fraqueza, loucura ou instabilidade. Isso gera vergonha e medo de julgamento”, explica Bruno.

    Além disso, o preconceito muitas vezes impede que os transtornos mentais sejam reconhecidos como questões de saúde, como se não merecessem o mesmo cuidado que um diagnóstico de diabetes ou arritmia cardíaca, por exemplo.

    Portanto, cuidar da mente com a mesma seriedade com que cuidamos do corpo é uma atitude importante e, por que não, corajosa. “A psicoterapia não é apenas tratamento. É também prevenção, fortalecimento e investimento em si mesmo”, diz Bruno.

    Perguntas frequentes sobre psicoterapia

    1. Como saber se está na hora de procurar um psicólogo?

    Sinais como tristeza constante, ansiedade, insônia, irritabilidade ou dificuldade de lidar com desafios são indicativos importantes para fazer psicoterapia.

    2. Psicoterapia é só para quem tem transtorno mental?

    Não. Qualquer pessoa pode se beneficiar da terapia, mesmo sem um diagnóstico clínico.

    3. O que é TCC e como ela funciona?

    A terapia cognitivo-comportamental ajuda a modificar pensamentos e comportamentos que causam sofrimento por meio de técnicas práticas e objetivos claros.

    4. Existe atendimento psicológico gratuito?

    Sim. Universidades, UBS, CAPS e algumas plataformas online oferecem serviços gratuitos ou a preços reduzidos.

    5. A psicoterapia online funciona?

    Sim. É uma alternativa válida, segura e eficaz, especialmente para quem tem dificuldades de deslocamento ou horários restritos.

    6. Quanto tempo dura a terapia?

    Depende do caso. Pode durar algumas sessões ou se estender por meses ou anos, de acordo com os objetivos e o progresso do paciente.

    7. E se eu não me sentir confortável com o terapeuta?

    Trocar de profissional é comum. A relação terapêutica precisa ser baseada em confiança e empatia.