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  • Fimose em crianças: quando é normal e quando a cirurgia é necessária 

    Fimose em crianças: quando é normal e quando a cirurgia é necessária 

    A palavra fimose costuma assustar muitas famílias no consultório pediátrico. No entanto, nem sempre ela é sinônimo de problema. “A maior parte dos meninos nasce com fimose e ela é considerada algo natural”, explica a urologista pediátrica Veridiana Andrioli.

    Mas há, sim, situações em que a fimose em crianças pode trazer riscos, tornando-se patológica, exigindo intervenção médica e, em alguns casos, cirurgia. Vamos esclarecer as principais dúvidas sobre a fimose e quando procurar um médico.

    O que é a fimose em criança?

    Antes de entender quando ela pode ser um problema, é importante saber do que se trata. A fimose em crianças nada mais é do que a dificuldade ou a impossibilidade de retrair o prepúcio (a pele que recobre a ponta do pênis) e expor a glande (a “cabecinha” do pênis).

    Segundo Veridiana, com as manipulações naturais, as ereções e os hormônios fisiológicos, cerca de 75% dos meninos já têm exposição da glande até os 3 anos de idade, chegando a quase 90% perto dos 5 anos de idade.

    Ou seja, até essa faixa etária, a fimose em crianças é normal se não causa problemas reais e tende a se resolver sozinha.

    Quando a fimose em crianças pode trazer problemas de saúde?

    A fimose só se torna um problema quando deixa de ser fisiológica e passa a ser patológica, ou seja, quando a pele do prepúcio apresenta cicatrizes e não consegue mais deslizar para expor a glande.

    “Isso pode impedir a higiene adequada, aumentando o risco de infecções e doenças mais graves, incluindo câncer de pênis”, diz a médica.

    Esse é um dos pontos de atenção para os pais: observar os sinais de fimose patológica, que é quando a dificuldade natural de retração passa a trazer riscos.

    Sinais de alerta: quando procurar um urologista pediátrico?

    Há sinais claros de que a fimose em crianças deixou de ser natural e pode causar problemas mais graves. Nesse momento, o ideal é buscar avaliação médica.

    Os sinais de fimose patológica incluem:

    • Criança que apresenta balonamento da pele do pênis antes de urinar (a urina “estufa” a pele do prepúcio);
    • Dificuldades para fazer xixi;
    • Histórico de infecções urinárias ou de pele na região;
    • Falta de retração natural do prepúcio por volta dos 3 anos de idade.

    Nesses casos, a cirurgia de fimose pode ser indicada após consulta médica, mas nem sempre ela é necessária, já que existem outros tipos de tratamento de fimose. Vamos entender.

    Veja mais: Criança que não consegue segurar o xixi: quando é normal e quando é problema

    Quando a cirurgia de fimose em crianças é necessária e como ela é feita?

    A decisão pela cirurgia depende de critérios bem estabelecidos. “A cirurgia tem indicação na presença de cicatrizes ou em meninos em que se tentou o tratamento medicamentoso e não tiveram respostas”, explica a médica.

    Além disso, algumas malformações da pele do prepúcio podem precisar de correções cirúrgicas, como no megaprepúcio, uma malformação do prepúcio que se mostra com um balonamento da pele e deve ser corrigido com uma cirurgia reconstrutora, não uma simples cirurgia de fimose.

    A cirurgia de fimose consiste na retirada da parte final do prepúcio e da mucosa, deixando a glande permanentemente exposta. É um procedimento relativamente simples, em que a criança é internada e recebe alta no mesmo dia. A recuperação costuma ser rápida, embora haja algum desconforto nos primeiros dias, que pode ser controlado com medicações.

    “Uma outra técnica que pode ser usada é o uso de anéis (Plastbell)”, diz Veridiana. Essa é uma técnica alternativa em que o cirurgião posiciona um pequeno anel de plástico no prepúcio, que interrompe a circulação sanguínea da pele excedente. Com o passar dos dias, essa pele perde a vitalidade e o anel cai sozinho, geralmente em até duas semanas, sem necessidade de pontos.

    A médica ressalta que o procedimento cirúrgico não é obrigatório em todos os casos e deve ser indicado com cautela, sendo que existem tratamentos para a fimose que podem ser indicados antes, com uso de pomadas de corticoide.

    Tratamento de fimose: o que acontece se a fimose não for tratada?

    Ignorar a fimose patológica pode trazer complicações, como maior risco de infecções e a formação de cicatrizes que dificultam ainda mais a retração da pele. Além disso, podem surgir lesões dermatológicas, como a balanite xerótica obliterante, capaz de acometer a uretra e comprometer o esvaziamento adequado da bexiga. Em longo prazo, há também um aumento no risco de câncer de pênis, condição rara, mas relacionada à falta de higiene e à presença do vírus HPV.

    Por isso, quando há sinais de fimose em crianças, o ideal é procurar um médico para fazer o tratamento de fimose correto, sem querer resolver o problema em casa.

    “Não é recomendado o uso de pomadas sem orientações médicas e as ‘massagens’ durante o banho também não são indicadas, pelo risco de trações mais fortes que podem levar a pequenas lesões de pele e gerar cicatrizes. Também não há recomendação de ‘estourar a fimose’ fazendo o descolamento forçoso”, enfatiza a urologista.

    O recomendado é apenas a realização de leves trações durante o banho e nos xixis, puxando a pele até onde conseguir, mas sem forçar, sempre lembrando de secar e recobrir o pênis após essas manobras. Se o problema não se resolver sozinho e sinais de fimose patológica surgirem, procure ajuda médica.

    Leia mais: Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica

    Perguntas e respostas sobre fimose em crianças

    1. O que é fimose?

    É a dificuldade ou a impossibilidade de retrair o prepúcio (pele que cobre a ponta do pênis) e expor a glande (a “cabecinha” do pênis). Na maioria dos meninos, é considerada natural e tende a se resolver até os 3 a 5 anos de idade.

    2. Quando a fimose deixa de ser normal?

    Quando passa a ser patológica, ou seja, quando a pele apresenta cicatrizes que impedem a retração, dificultando a higiene.

    3. Quais sinais indicam que é hora de procurar um urologista pediátrico?

    Quando há balonamento da pele antes de urinar (a urina “estufa” a pele), dificuldade para fazer xixi, histórico de infecções urinárias ou de pele e ausência de retração natural do prepúcio após os 3 anos.

    4. A cirurgia é sempre necessária?

    Não. Ela é indicada apenas em casos de cicatrizes, ausência de resposta ao tratamento com pomadas de corticoide ou malformações, como o megaprepúcio.

    5. Como a cirurgia de fimose é feita?

    Consiste na retirada da parte final do prepúcio e da mucosa, deixando a glande descoberta. Costuma ser de baixa complexidade, com alta no mesmo dia, recuperação rápida e uso de medicação para controlar o desconforto pós-operatório.

    6. O que acontece se a fimose não for tratada?

    Podem surgir infecções, cicatrizes, lesões, como a balanite xerótica obliterante (que pode comprometer o esvaziamento adequado da bexiga) e até aumento do risco de câncer de pênis.

    7. O que os pais não devem fazer em casa?

    Não usar pomadas sem orientação médica, não fazer massagens ou tentar “estourar a fimose”, pois isso pode causar lesões e cicatrizes. O correto é fazer apenas leves trações durante o banho, sem forçar.

    Leia também: Desfralde diurno: saiba a idade ideal para a criança controlar o xixi e quando procurar ajuda

  • 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar 

    7 cuidados que você deve ter antes de engravidar 

    Se você está pensando em aumentar a família, já deve saber que a decisão de engravidar envolve bastante organização e planejamento familiar, que são importantes para que a gestação aconteça de maneira mais tranquila e segura. Mas afinal, por onde começar?

    A ginecologista e obstetra Ana Paula Beck aponta alguns dos principais cuidados antes de engravidar — incluindo para mulheres com condições de saúde preexistentes, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e endometriose.

    Quais os principais cuidados antes de engravidar?

    A organização antes da gravidez contribui para que tanto o bebê quanto a mãe tenham mais conforto e segurança no processo, sendo possível reduzir o risco de condições como diabetes, pressão alta ou anemia — além de garantir melhores condições ao bebê e até aumentar as chances de engravidar.

    “O controle rigoroso dessas condições antes da gestação reduz significativamente o risco de complicações maternas e fetais, incluindo pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, malformações congênitas e óbito fetal”, explica Ana Paula.

    Os cuidados antes de engravidar vão além de suspender métodos contraceptivos: consultas médicas, hábitos saudáveis e acompanhamento psicológico são apenas algumas das medidas importantes para se preparar para a chegada do próximo membro da família. Confira, a seguir.

    Marque uma consulta com o seu ginecologista

    O primeiro passo antes de engravidar é marcar uma consulta com o ginecologista. Nela, o médico avalia sua saúde, o histórico da família e orienta sobre os cuidados necessários.

    Durante a consulta, podem ser discutidos:

    • Histórico de gestações anteriores;
    • Doenças crônicas (como pressão alta e diabetes);
    • Uso de medicamentos contínuos;
    • Condições ginecológicas como endometriose ou ovário policístico;
    • Saúde mental e bem-estar emocional.

    A conversa é o momento ideal para tirar dúvidas, falar sobre expectativas e entender quais mudanças podem ser necessárias antes da concepção.

    Realize exames recomendados antes da gravidez

    Além de conversar sobre o histórico de saúde e fazer um exame físico, Ana Paula explica que é recomendado realizar alguns exames laboratoriais, como:

    • Hemograma completo, que identifica anemia e possíveis alterações no sangue;
    • Sorologias para infecções, como HIV, hepatite B e C, sífilis, rubéola e varicela;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh, importante para prevenir complicações como a doença hemolítica do recém-nascido;
    • Glicemia de jejum, que avalia risco de diabetes;
    • Função tireoidiana (TSH), detecta alterações que podem afetar a fertilidade e a gestação;
    • Rastreamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;
    • Avaliação do histórico ginecológico e obstétrico, investiga ciclos menstruais, uso de contraceptivos, gestações anteriores e possíveis dificuldades;
    • Triagem para doenças genéticas, conforme histórico familiar ou origem étnica;
    • Rastreamento de ISTs, fundamental para prevenir transmissão ao bebê;
    • Revisão dos medicamentos em uso, pois alguns remédios precisam ser trocados antes da gravidez;
    • Suplementação nutricional, como ácido fólico, ferro e vitaminas, quando indicado pelo médico.

    Mantenha uma alimentação equilibrada

    Uma alimentação saudável é um dos principais cuidados antes de engravidar, pois ajuda a preparar o corpo para as mudanças intensas do período. Ela impacta diretamente na qualidade dos óvulos, no equilíbrio hormonal e, futuramente, no desenvolvimento do bebê.

    Nesse sentido, é recomendado investir em alimentos ricos em nutrientes, de preferência in natura, como:

    • Frutas e vegetais frescos: como laranja, morango, brócolis, cenoura e espinafre, que fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes que fortalecem o sistema imunológico e ajudam a prevenir deficiências nutricionais;
    • Proteínas magras: frango sem pele, peixe, ovos e leguminosas como feijão e lentilha são fundamentais para a formação dos tecidos e músculos;
    • Laticínios ricos em cálcio: leite, iogurte natural e queijos magros ajudam na saúde óssea da mãe e do bebê;
    • Cereais integrais e fibras: arroz integral, aveia e pão integral contribuem para o funcionamento do intestino e na saciedade;
    • Fontes de ferro: carne vermelha magra, feijão-preto e lentilha reduzem o risco de anemia, muito comum na gestação;
    • Ômega-3: encontrado em peixes como salmão e sardinha, importante para o desenvolvimento cerebral do bebê.

    Também como parte dos cuidados antes de engravidar deve-se evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, refrigerantes e fast-food — além de queijos e laticínios não pasteurizados e cafeína em excesso, que podem prejudicar a gestação.

    O controle de peso também é um fator necessário, segundo Ana Paula, pois tanto o baixo quanto o alto IMC estão associados a complicações gestacionais, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

    Faça suplementação de ácido fólico

    O ácido fólico é a vitamina mais importante no período pré-concepcional, e age diretamente na formação do tubo neural do bebê, estrutura que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. É importante que isso faça parte dos cuidados antes de engravidar.

    “A suplementação de ácido fólico (400–800 μg/dia) é fortemente recomendada para todas as mulheres em idade reprodutiva, iniciando pelo menos 1 mês antes da concepção, para reduzir o risco de defeitos do tubo neural”, esclarece a ginecologista Ana Paula.

    A especialista ainda complementa que o uso da forma ativa de ácido fólico (L-metilfolato) só é indicado em casos raros de deficiência genética na metabolização do folato. Para a maioria das mulheres, o ácido fólico convencional é suficiente.

    Atualize as vacinas

    A vacinação é faz parte dos cuidados antes de engravidar e é uma forma de proteção tanto para o bebê quanto para a mãe, pois evita complicações que poderiam comprometer o desenvolvimento da gravidez. Ana Paula aponta a necessidade de revisar e atualizar as vacinas, especialmente contra:

    • Rubéola e varicela: precisam ser aplicadas até pelo menos 1 mês antes da gestação. Caso a gestante contraia essas doenças grávida, o bebê pode sofrer malformações;
    • Hepatite B: previne infecção crônica no fígado e transmissão para o bebê no parto;
    • Tétano, difteria e coqueluche (Tdap): protege contra doenças graves que podem ser transmitidas ao recém-nascido;
    • Influenza (gripe): reduz complicações respiratórias, muito perigosas durante a gravidez.

    Em áreas com risco de Zika vírus, é fundamental ter orientação médica específica, como o uso de repelentes de inseto. Algumas vacinas, como as de vírus vivos (sarampo, caxumba, rubéola), também não devem ser aplicadas durante a gravidez, por isso precisam ser feitas antes da concepção.

    Adote um estilo de vida saudável

    Um estilo de vida saudável pode ajudar a prevenir problemas futuros. Além dos defeitos do tubo neural, hábitos saudáveis reduzem o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer:

    • Sono regular: dormir entre 7 e 9 horas ajuda na regulação hormonal;
    • Controle do estresse: técnicas como meditação, yoga e até hobbies relaxantes contribuem para o equilíbrio emocional;
    • Atividade física: exercícios moderados e orientados por um especialista, como caminhada, pilates e natação, melhoram a circulação e o bem-estar;
    • Abandono de vícios: fumar, beber álcool ou usar drogas aumenta risco de abortos espontâneos, parto prematuro e baixo peso do bebê.

    Revise o uso de medicamentos

    Revisar os remédios que usa faz parte dos cuidados antes de engravidar. Diversos medicamentos comuns podem ser prejudiciais durante a gestação, então é preciso revisar todos os remédios usados, sejam eles de prescrição, fitoterápicos ou até suplementos:

    • Analgésicos como o ibuprofeno não são recomendados;
    • Alguns antidepressivos precisam ser ajustados;
    • Fitoterápicos aparentemente inofensivos podem causar contrações uterinas. Sempre avise o médico na consulta pré-gestacional.

    Nunca interrompa um tratamento sem orientação médica. O ideal é conversar com o ginecologista ou clínico responsável para avaliar os riscos e, se necessário, substituir a medicação por alternativas seguras durante a gravidez.

    Mulheres com SOP e endometriose precisam de cuidados antes de engravidar adicionais?

    Mulheres que têm síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou endometriose precisam de uma preparação ainda mais cuidadosa antes de engravidar. Essas condições não impedem a gestação, mas precisam de alguns cuidados individualizados para que o processo seja seguro.

    No caso do SOP, é preciso ter atenção ao controle de peso, glicemia, pressão e colesterol — além da suplementação com ácido fólico, em doses que podem ser ajustadas de acordo com o IMC e as necessidades individuais.

    Já na endometriose, é recomendado avaliar a reserva ovariana, identificar o grau da doença, tratar sintomas e, se necessário, recorrer a técnicas como a fertilização in vitro. Mulheres com endometriose precisam de acompanhamento obstétrico mais próximo, devido ao risco maior de complicações na gravidez.

    Confira: Janela imunológica: como prevenir alergia alimentar em bebês

    A importância de acompanhamento psicológico

    A decisão de engravidar pode vir acompanhada de sentimentos de ansiedade, insegurança e até conflitos dentro do relacionamento. Muitas mulheres, inclusive, acabam se cobrando demais ou sentindo pressão da família, o que pode gerar um peso emocional difícil de carregar sozinha.

    Nesses momentos, conversar com um psicólogo pode ajudar a organizar os pensamentos, aliviar medos e tornar a experiência mais leve. Ter ao lado uma rede de apoio, formada por familiares, amigos próximos ou até grupos de gestantes, também faz toda a diferença, e traz acolhimento e segurança para a futura mamãe.

    Vale ressaltar que a consulta médica pré-concepcional não se limita apenas à saúde física: ela também considera o bem-estar emocional e social da mulher, incluindo a identificação de situações de violência doméstica. É fundamental que a gestação seja planejada em um ambiente saudável, onde a gestante se sinta acolhida e respeitada.

    Quando parar de usar o anticoncepcional?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, não há necessidade de aguardar um período específico depois de parar o anticoncepcional para tentar engravidar.

    “A fertilidade geralmente retorna rapidamente, e não há evidências de aumento de risco de malformações ou complicações obstétricas associadas à concepção imediata após a suspensão. Pode-se considerar aguardar um ciclo menstrual espontâneo para melhor datação gestacional, mas não é obrigatório”, finaliza a especialista.

    Leia também: Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Perguntas frequentes sobre cuidados antes de engravidar

    1. Por que o ácido fólico é tão importante antes e durante a gravidez?

    O ácido fólico é uma vitamina importante para a formação do tubo neural do bebê, que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. A suplementação adequada ajuda a prevenir malformações, como a espinha bífida e a anencefalia.

    O recomendado é começar a tomar pelo menos um mês antes da concepção (idealmente três meses), garantindo que o corpo já esteja preparado no início da gestação.

    2. Preciso suspender algum medicamento antes de engravidar?

    Sim, alguns remédios podem afetar a fertilidade ou prejudicar o desenvolvimento fetal. É importante revisar todos os medicamentos em uso com o médico, que pode avaliar se é necessário suspender, ajustar a dose ou substituir por opções mais seguras.

    3. O consumo de álcool e cigarro pode atrapalhar a gravidez?

    Com certeza! O cigarro prejudica a fertilidade, aumenta o risco de aborto e pode causar complicações na placenta. Já o álcool pode levar à Síndrome Alcoólica Fetal, que afeta o crescimento e o desenvolvimento do bebê.

    O ideal é suspender ambos ainda na fase de planejamento da gravidez, para proteger a saúde da mãe e a do futuro bebê.

    4. Posso praticar exercícios físicos durante a gravidez?

    Sim, a prática regular é recomendada, desde que com orientação médica. A gestante pode optar por atividades leves a moderadas, como caminhada, alongamento e pilates, que ajudam a controlar o peso, melhorar a circulação e favorecer o bem-estar emocional.

    Contudo, atividades de alto impacto ou com risco de queda devem ser evitadas.

    5. O que é o pré-natal e quando deve começar?

    O pré-natal é o acompanhamento médico da gestante ao longo de toda a gravidez. Ele serve para monitorar a saúde da mãe, o desenvolvimento do bebê e identificar precocemente qualquer risco ou complicação.

    O acompanhamento deve começar logo após a confirmação da gestação — de preferência ainda no primeiro trimestre, e seguir com consultas periódicas até o parto.

    6. Quais sinais indicam que posso estar grávida?

    O sintoma mais comum de gravidez é o atraso menstrual, mas não é o único. Muitas mulheres percebem também enjoos matinais, sensibilidade ou dor nos seios, cansaço, sono excessivo, aumento da vontade de urinar e até alterações no humor.

    Como eles podem variar bastante, a única forma de ter certeza é fazendo um teste de gravidez e confirmando com exames de sangue ou ultrassom solicitados pelo médico.

    7. Quando é o momento certo de procurar o ginecologista antes de engravidar?

    O ideal é marcar uma consulta de planejamento reprodutivo pelo menos três meses antes de começar a tentar. Nela, o médico revisa seu histórico de saúde, pede exames de rotina, verifica vacinas, orienta sobre alimentação e suplementos, além de avaliar possíveis riscos para a mãe e o bebê.

    8. É seguro ter relações sexuais durante a gestação?

    Na maioria dos casos, sim. Se a gravidez for saudável, o sexo não prejudica o bebê, já que ele está protegido pelo útero, pelo líquido amniótico e pela placenta.

    No entanto, em situações específicas, como risco de aborto, placenta baixa ou sangramentos, o médico pode orientar restrição. O mais importante é ouvir as recomendações do profissional e respeitar o conforto da mãe.

    Leia também: Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

  • Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica 

    Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica 

    O xixi na cama, conhecido como enurese noturna, é um dos problemas mais comuns da infância e um dos que mais afeta a autoestima da criança. Lidar com noites molhadas pode gerar frustração, vergonha e até afastamento social, mas é importante saber: há explicações claras e soluções eficazes.

    Conversamos com a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, que explica o que é esperado no desenvolvimento, quando investigar e quais tratamentos funcionam de verdade quando o assunto é enurese noturna.

    O que é enurese noturna e por que a criança faz xixi na cama?

    Segundo a especialista, que cita a Sociedade Internacional de Incontinência, “enurese é a perda involuntária de xixi (mais do que duas vezes ao mês) em crianças com mais de 5 anos de idade”.

    A enurese é multifatorial, ou seja, não há uma única causa, mas um conjunto de fatores. “Sabemos que a hereditariedade e o fator genético são os mais importantes: quando um dos pais apresentou enurese, a chance de o filho apresentá-la é de 44%, e quando ambos os pais apresentaram, chega a 77%”.

    • Distúrbios da bexiga, que pode contrair fora de hora;
    • Alterações da vasopressina, hormônio que regula a produção da urina;
    • Dificuldade em despertar, mesmo com a bexiga cheia;
    • Distúrbios respiratórios, como apneia do sono;
    • Fatores emocionais, como ansiedade ou medo.

    Isso mostra que não se trata de preguiça ou desatenção da criança, mas de questões orgânicas, comportamentais e até genéticas que precisam ser avaliadas com cuidado por um especialista.

    Até quando o xixi na cama pode ser considerado normal?

    Muitos pais se perguntam se a criança vai “crescer e passar” dessa fase do xixi na cama. A especialista é clara: “Se a partir dos 5 anos completos a criança ainda não consegue ter todas as noites secas, e isso estiver causando incômodo, ela já merece ser avaliada.”

    Essa idade é o marco porque, na maioria das crianças sem alterações neurológicas ou anatômicas, a continência noturna já deveria estar estabelecida. Ultrapassar essa fase e continuar molhando a cama com frequência é sinal de alerta.

    Hábitos que podem ajudar — e seus limites

    Muitos pais tentam controlar a enurese limitando líquidos à noite. Mas essa estratégia, sozinha, não resolve.

    “Isso é controverso, porque muitos adultos bebem bastante antes de dormir e não molham a cama”, explica a médica. O problema central está na dificuldade de despertar com a bexiga cheia.

    De qualquer forma, vale reduzir líquidos próximos à hora de dormir, especialmente cafeína, chás, refrigerantes e ultraprocessados. E sempre estimular a criança a urinar antes de deitar.

    Quando é hora de procurar um especialista?

    O critério principal é a idade e o impacto na vida da criança. “A enurese deve ser tratada em crianças acima de 5 anos quando causa incômodo, e em todas acima de 7 anos”, esclarece a médica.

    Leia também: Asma infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento

    Sinais de que é hora de investigar o xixi na cama

    • Episódios frequentes após os 5 anos;
    • Persistência após os 7 anos;
    • Vergonha ou impacto social (não querer dormir fora de casa);
    • Sintomas associados, como constipação ou ronco/apneia.

    Além do desconforto físico, a enurese pode pesar no bem-estar psicológico, afetando a vida social da criança. A especialista lembra: jamais punir a criança. “Ela não faz isso de propósito. Não é preguiça, não é para chamar atenção. Família e equipe médica devem procurar juntos a melhor forma de ajudar”.

    Como funciona o tratamento da enurese noturna

    O tratamento é sempre individualizado. Primeiro, avalia-se a rotina de micção, constipação, consumo de líquidos e comportamento da criança.

    As principais medidas incluem:

    • Sensores de umidade: alarmes que despertam a criança ao detectar o início da urina;
    • Vasopressina (desmopressina): hormônio sintético que reduz a produção de urina à noite, indicado em alguns casos.

    Se não houver sucesso, o médico pode combinar estratégias ou indicar outros medicamentos. A persistência da enurese pode atingir até 10% das crianças após os 7 anos, 3% dos adolescentes e menos de 1% dos adultos — por isso, o tratamento é essencial.

    Perguntas e respostas sobre xixi na cama

    1. O que é enurese noturna?

    É a perda involuntária de xixi durante o sono em crianças com mais de 5 anos, ocorrendo mais de duas vezes ao mês.

    2. Até que idade o xixi na cama pode ser considerado normal?

    Até os 5 anos completos pode fazer parte do desenvolvimento. Após essa idade, já é motivo para avaliação.

    3. Quais fatores podem causar o xixi na cama?

    Genética, alterações da bexiga, produção insuficiente de vasopressina, dificuldade em despertar, distúrbios respiratórios e fatores emocionais.

    4. Hábitos como reduzir líquidos à noite resolvem o problema?

    Podem ajudar, mas não são solução definitiva do xixi na cama. O fator central é a dificuldade de despertar durante o estímulo da bexiga cheia.

    5. Quando os pais devem procurar um especialista?

    Se o problema persistir após os 5 anos e causar incômodo, ou em todas as crianças acima de 7 anos. Também se houver sintomas como constipação ou apneia do sono.

    6. Quais são os tratamentos mais indicados?

    Sensores de umidade e vasopressina. Em casos resistentes, outros medicamentos podem ser associados.

    7. O problema desaparece com o tempo?

    Na maioria sim, mas não em todos. Persistência ocorre em 5 a 10% das crianças após 7 anos, 3% dos adolescentes e menos de 1% dos adultos.

    Leia também: Criança que não consegue segurar o xixi: quando é normal e quando é problema

  • Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Nos últimos anos, o Ozempic (semaglutida) se tornou o remédio preferido de quem quer perder peso ou controlar o diabetes tipo 2. Quando o assunto é gestação, no entanto, ele deve sair completamente de cena. Se você está grávida ou pensando em engravidar e está usando semaglutida, é bom entender por que esse medicamento não é recomendado nessa fase da vida.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, que explicou de forma clara os riscos do uso de Ozempic na gravidez. E acredite: é assunto sério.

    O que é Ozempic e por que ele preocupa durante a gravidez

    Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um remédio da classe dos agonistas do GLP-1, indicado inicialmente para tratar diabetes tipo 2. Ele ajuda a controlar a glicemia (açúcar no sangue) e também leva à perda de peso. Mas, como todo remédio, ele não serve para todo mundo, principalmente no caso de gestantes.

    “O uso de Ozempic não é recomendado durante a gravidez porque não há dados suficientes em humanos para garantir sua segurança, e estudos em animais demonstraram risco de mortalidade do embrião ou feto, anomalias estruturais e restrição de crescimento fetal”, alerta a Ana Paula Beck.

    Ou seja, mesmo que ainda não haja evidências claras em humanos, os testes feitos em animais já trouxeram vários alertas, e não vale a pena arriscar.

    Quais os riscos da semaglutida para o bebê?

    Entre os problemas observados nos estudos pré-clínicos (ou seja, em animais), estão:

    • crescimento fetal reduzido;
    • malformações em órgãos internos, como o coração;
    • alterações nos ossos da cabeça, coluna e costelas;
    • maior chance de abortos espontâneos.

    “Esses efeitos foram observados em ratos, coelhos e macacos, frequentemente em doses próximas ou inferiores àquelas utilizadas clinicamente em humanos”, explica a ginecologista.

    Ou seja, Ozempic ou Wegovy, remédio com o mesmo princípio ativo, não devem ser usados na gravidez.

    E se a mulher engravidar tomando Ozempic?

    Se você engravidou e estava usando Ozempic, não precisa entrar em pânico, mas é preciso agir rápido. De acordo com a ginecologista e obstetra, é recomendável suspender imediatamente o remédio.

    “A paciente deve ser orientada sobre a ausência de dados conclusivos em humanos, mas também sobre os riscos potenciais observados em modelos animais”.

    Além disso, o acompanhamento da gestação precisa ser ainda mais cuidadoso, com controle rigoroso do açúcar no sangue. Isso porque a hiperglicemia (quando a glicose sobe demais) também pode causar malformações no bebê.

    Quanto tempo antes de engravidar é preciso parar de usar o Ozempic?

    A semaglutida tem uma “meia-vida” longa, ou seja, ela fica bastante tempo no corpo mesmo após parar o uso. Por isso, a orientação da especialista é clara: “deve-se interromper o uso pelo menos 2 meses antes de uma gestação planejada, para garantir a eliminação adequada do fármaco antes da concepção”.

    Existem alternativas seguras para grávidas com diabetes ou obesidade?

    Sim! Há tratamentos seguros e eficientes para mulheres que têm diabetes tipo 2 ou obesidade e estão grávidas (ou pretendem engravidar).

    Para diabetes, a opção mais segura continua sendo a insulina, que, segundo Ana Paula Beck, não atravessa a placenta e tem perfil de segurança bem estabelecido. Em alguns casos, a metformina também pode ser considerada, mas a insulina é a primeira escolha.

    Já para perda de peso, o ideal é conversar com o médico, já que emagrecer não deve ser o foco durante a gravidez.

    Ozempic interfere na fertilidade feminina?

    Essa é uma dúvida comum, e a resposta, segundo a especialista, é tranquilizadora.

    “Estudos em animais não demonstraram impacto significativo da semaglutida sobre a fertilidade, embora tenham sido observadas reduções no ganho de peso e consumo alimentar maternos. Não há evidências em humanos de que a semaglutida afete negativamente ou positivamente a fertilidade feminina”, diz a médica.

    E durante a amamentação: pode tomar?

    Aqui também é melhor evitar. “Não há dados sobre a excreção da semaglutida no leite materno humano, nem sobre seus efeitos em lactentes. Portanto, não se recomenda o uso de análogos do hormônio GLP-1 (Ozempic, Wegovy, etc) durante a amamentação”, alerta a ginecologista.

    Na gravidez e no pós-parto, portanto, segurança vem sempre em primeiro lugar.

    Perguntas frequentes sobre Ozempic na gravidez

    1. Grávida pode usar Ozempic para controlar o peso?

    Não. O uso de Ozempic (semaglutida) é contraindicado na gravidez por falta de estudos em humanos e riscos observados em animais.

    2. Posso continuar com Ozempic se descobrir que estou grávida?

    Não. É necessário suspender o uso imediatamente e conversar com o médico para um acompanhamento cuidadoso.

    3. Quanto tempo antes de engravidar preciso parar o Ozempic?

    Pelo menos 2 meses antes da tentativa de gravidez, segundo orientação médica.

    4. Se usei Ozempic sem saber que estava grávida, meu bebê corre riscos?

    Ainda não há dados suficientes em humanos, mas é importante intensificar o acompanhamento médico e discutir os riscos com o obstetra.

    5. Ozempic pode causar má formação no bebê?

    Estudos em animais mostraram anomalias estruturais. Em humanos, não há confirmação, mas o risco não pode ser descartado.

    6. Existe algum remédio seguro para diabetes durante a gravidez?

    Sim, a insulina é a principal alternativa, pois não atravessa a placenta. Outros remédios podem ser indicados pelo médico, caso a caso.

    7. Posso usar Ozempic enquanto amamento?

    Não é recomendado, já que não há dados sobre a passagem da substância pelo leite materno.

    8. Ozempic atrapalha a fertilidade?

    Não há evidências de que interfira na fertilidade feminina.